Sim, sim, queridos leitores, eu estou vivo. Foram mais de 20 dias de férias, comendo porcaria, bebendo cerveja e andando pelo velho continente. Não vou enganar ninguém prometendo Bem Vindos (tempo, cadê?), mas vou listar alguns fatos rápidos da viagem, misturada com alguns posts do Instagram.
- No voo Guarulhos – Roma já senti que Murphy iria comigo. Debaixo da poltrona da minha frente tinha uma caixa, que não me deixava esticar as pernas. E olha que eu tenho 1,60m. Imagina se fosse alto;

- A Itália é, sem dúvida, o Brasil na Europa. Só é considerada primeiro mundo por estar no velho continente. Mas fiquei só um dia, então não vou reclamar muito;
- Alias, vou sim. Aquela merda daquele país foi invadido por vendedores de pau de selfie. E essa praga está em todo e qualquer lugar da cidade, sendo muito pior nos lugares famosos;
- Fiquei meio puto, porque a Fontana de Trevi estava em reforma. Tudo o que eu consegui ver foi meia Fontana. A sorte é que eu já tinha visto inteira, então não fiquei tão puto assim;

- O aeroporto de Roma está em reforma. 100% em reforma. E ainda teve um incêndio há pouco tempo, então o terminal 3 está praticamente inoperante. Resultado: não tem lugar pra sentar, não tem restaurante (só lanchonete) e não tem tomada. E eu fiquei lá por 12 horas na minha volta pro Brasil. Tive que apelar para a cadeira e a tomada da capela (juro) e me sustentar de pizza;
- O embarque foi remoto, já que a Alitalia só opera no terminal 3. Aí passei por uma situação inédita: entrei no ônibus, ele foi do terminal 1 para o terminal 3 e chegando lá parou ao lado do finger. Nós subimos as escadas do finger (aquela do lado de fora) e entramos no avião PELO FINGER;
- Aí fui para Bruxelas. Voo tranquilo, sem problemas. Só que eu não sabia que era feriado na Europa no 1º de Maio e estava a Alemanha inteira na Bélgica. Fila de DUAS HORAS para subir no Atomium. DUAS HORAS. Para ficar 10 minutos lá em cima;
- Brugge estava lotada. A sorte é que fui muito cedo, então tive umas 3 horas de “paz”. Lá pra hora do almoço já estava intransitável. Sério, parecia aquelas cenas de final de ano na 5 de Março. Só que com pessoas mais bonitas (não posso dizer mais cheirosas);
- Em Brugge eu fiquei bem bêbado. Deve ser porque bebi o dia inteiro (em lugares distintos) e só fui comer umas 4 da tarde. E mesmo assim foi só essa batata ai embaixo;

- Bruxelas estava com várias coisas fechadas e em reforma. Aliás, isso aconteceu na viagem inteira. Tenho a impressão que a Europa está toda em reforma;
- A viagem para Amsterdã foi de trem. Não sei como as pessoas gostam de trem. Esse, pelo menos, era cara para as costas do banco e não cara para pessoas desconhecidas. E tinha wifi e tomada, então fui me divertindo nas horas de viagem. Pela distância, foi melhor que se tivesse ido de avião;
- Meu hotel tinha uma escada muito inclinada. E sem elevador. E eu estava no 4 andar. E minha mala pesada. Foi uma merda;
- Em Amsterdã eu tive certeza que não sei nada sobre sexo. Passei nos sexshops e não sabia para que servia metade das coisas. E confesso que fiquei assustado com outras que eu sabia para que servia, mas não entendi como alguém tinha prazer com aquilo;
- A vida das mulheres da Red Light deve ser muito triste. Elas estão lá qualquer dia, qualquer hora. Inclusive 8 da manhã de uma segunda-feira. E o treco tá decadente, não vi nenhuma bacana;
- Fui em Keukenhof. É muita tulipa nesse mundo. Depois de 15 minutos eu não aguentava mais ver flor. Mas como foi caro ir pra lá, gastei bem umas 3 horas lá. E para a minha sorte, os campos de tulipa já estavam todos colhidos, perdi uma das fotos mais legais de tirar;
- Não, não entrei em nenhum coffee shop. Devo ter sido o primeiro turista com menos de 40 anos a não entrar em um;
- Como diz um amigo meu que está morando lá, holandês é o Brasileiro desenvolvido. Muita burocracia (mas que funciona) e muita lei de Gerson. Não se respeita fila, por exemplo. Fiquei meio decepcionado;
- Em Londres eu achei que ia ficar ser mandado de volta pro Brasil. A mulher da imigração me perguntou milhões de coisas: de onde vir, onde ia ficar, quanto tempo, por que estava na Inglaterra, se eu tinha dinheiro, quanto eu tinha de dinheiro, para onde eu ia depois, quanto tempo eu ia ficar depois, quando eu voltava pro Brasil, no que eu trabalhava... Ainda pediu pra ver comprovante de hospedagem, passagem de saída da Inglaterra, passagem de volta pro Brasil. Só faltou pra pedir pra ver a minha cueca;
- Meu hotel era pior que o de Amsterdã. Eram 6 andares de escada apertada e inclinada sem elevador. Deu trabalho subir com a mala;
- Em Londres eu fiquei impressionado com o sistema de metro. É sensacional. Ainda mais eu, que moro em uma cidade com meia linha de metro, que leva nada ao lugar nenhum;
- Londres é impraticável. Não posso dizer que passei fome, mas não dá pra comer e beber bem a 5 reais a libra. Fiquei só no fish & chips e cerveja. Não entrei em lugar nenhum pago (mas não daria tempo). E passei 4 dias gastando só 55 libras, sendo que 25 foi com transporte;

- Os museus de Londres são cabulosos. Tem coisa que eu nunca imaginei que fosse ver (tipo a Rosetta Stone) em lugares que não cobram entrada. Passei muito do meu tempo dentro de museu (e não me arrependo);
- A ida para a Irlanda foi traumática. O aeroporto era longe (Stansted), lotado (não tem lugar pra sentar) e as filas quilométricas. O pior é a forma de embarque. Fica todo mundo concentrado no salão de embarque e pouco antes de a hora do portão fechar ele é indicado. Como é tudo longe, você precisa sair correndo. De verdade. São 12 minutos andando muito rápido. Meu pai perderia o voo;
- Aliás, um comentário: para sair da Inglaterra você não passa pela imigração. Palavras da mulher que me explicou isso no aeroporto, depois de eu perguntar 2 vezes “é sério?”: se você está indo embora, não queremos saber. Só estamos preocupados com quem vai entrar;
- Para piorar a experiência, o avião é apertado pra caramba (e olha que eu tenho 1,60m) e ainda fui premiado com um casal de mais ou menos 130 kg cada um segurando uma criança que não parava de chorar ao meu lado. A mulher, que estava do meu lado, ainda era sem noção e ficava encostando em mim o tempo todo, me impedindo de dormir. Um inferno;
- Na chegada à Dublin, mais uma vez achei que ia voltar para o Brasil. Não foi no nível de Londres, mas o maluco da imigração perguntou coisa pra caramba. Não pediu para ver nenhum papel, mas perguntou tudo o que a mulher da Inglaterra perguntou;
- Não se fala inglês na Irlanda. Eles falam Irish (não confunda com Gaélico. Irish é inglês com sotaque impossível de entender). Demorei a entender que era inglês e não gaélico que estavam falando comigo;
- Dublin é uma cidade pequena. E confesso que já estava muito cansado, então acabei não aproveitando tudo o que poderia. Mas a visita, principalmente pela Guiness. Cidade cara, aliás, não tomei nenhuma cerveja barata;
- A ida para o aeroporto de Dublin foi tenso. Achei que não fosse chegar a tempo O busão demorou pra passar e, quando passou, foram 3 de uma vez. Sorte que eu saio sempre com antecedência. Consegui embarcar, mas foi corrido;
- Só deu tempo de embarcar, na verdade, porque a Irlanda também não está preocupada com quem está saindo do país. Não tem imigração na saída, só na entrada. Mas o raio x é bem demorado;
- Indo para Zurique, mais um voo traumático. Uma família de indianos atrás de mim e bem atrás de mim uma menina de uns 10 anos mimada, que estava reclamando, chorando e chutando a minha cadeira. Eu não aguentei. Levantei, virei para trás e falei “você poderia, por favor, parar de chutar a minha cadeira? Pode reclamar, pode chorar, pode gritar, só não chute a minha cadeira”. A irmã dela ficou com vergonha e me pediu desculpas umas 5 vezes;
- Chegando em Zurique, mais uma imigração maldita. O cara também perguntou coisa pra caramba, só aceitou que eu entrasse quando falei que ia ficar 4 dias lá, 2 dias em Barcelona e depois voltava para o Brasil, para trabalhar na empresa X (que é uma multinacional). Fico imaginando como que meu pai, que não fala inglês, passaria por todos esses interrogatórios que eu passei;
- Zurique, bem, eu já conhecia. Foi queijo, chocolate, salsichão e cerveja. Minha irmã ainda me fez comer tudo o que eu não comi durante a viagem inteira.

- Minha mala saiu do Brasil com 15 kg. Em Zurique ela estava com 21, sendo que 3 foram só de chocolate. O resto foi copo que eu fui arrumando pelo caminho. Foram 9 no total;
- Fazer tudo caber na mala foi difícil. Tetris 3D, basicamente. Levei mais de uma hora (uma eternidade para mim, pois faço mala rápido). Para piorar, descobri que ela estava quebrada e o peso só piorou a situação. Mas fiz uma gambiarra com silvertape e rezei para ela aguentar o resto da viagem;
- Cheguei em Barcelona tranquilo, porque não ia ter mais interrogatório. Pelo menos foi o que eu pensei. Quando eu estava quase saindo da sala de desembarque um cara (o último entre eu e a porta) me parou e perguntou de onde eu estava vindo. Falei Zurique e ele perguntou “e antes?”, até eu contar todo o meu histórico. Aí pediu para passar minha mala no raio X. Eu já estava pensando “se ele pedir para abrir a mala eu choro”. Ele pediu;
- Se eu estava preocupado em ser extraditado nos outros aeroportos em Barcelona eu fiquei com medo de ser preso. O cara tirou TUDO da minha mala. Ainda furou o meu chocolate, para ver se era chocolate mesmo. Quando acabou, eu só olhava para todas as minhas coisas em cima de uma mesa e pensando “não vai caber de volta”. Magicamente coube. Acho que eu tinha decorado onde ia cada coisa;
- Se a Itália é o Brasil da Europa, a Espanha é a Argentina. Pelo menos Barcelona. Tudo meio bagunçado, pessoas não muito educadas (não chega no nível da Itália), mas pelo menos o sistema de transporte funciona. Comprei um BCN card que deu direito a andar a vontade de ônibus e metro;
- Gostei de Barcelona, mas achei as atrações turísticas meio caras. Fora as filas quilométricas. Quer dizer, fila mesmo não tinha muito, só que você comprava as entradas para 2 horas depois. Quando você está no centro ainda dá pra ir em outros lugares, mas no Park Guell não tem porra nenhuma em volta. E ainda é um morro gigantesco;
- A Sagrada Família é muito foda. Mas você espera 2 horas para entrar e quando entra, não tem muita coisa pra ver. Dá pra matar tudo em meia hora. Mas como é caro e a espera grande, gastei bem 2 horas lá dentro, lendo tudo, vendo tudo, cada detalhe. Eu só fico com pena do Gerente de Projeto da obra. 100 anos e aquela merda ainda está pela metade. Ainda vão mais uns 20 anos até ficar tudo pronto (ou seja: mais uma geração de GPs);
- O Park Guell é longe para caralho. E é pior que a Sagrada Família: duas horas e meia de espera, no meio do nada, e não tem quase nada pra ver. Lá eu fiquei puto demais de ter ido, porque deixei de ir a outros lugares (meu tempo era muito curto em Barcelona);
- O parque olímpico é outro que é longe pra caramba e que parece estar meio abandonado. Eu acho legal ir e imaginar como eram os dias de olimpíadas, a movimentação e tudo mais. Mas sinceramente só vá se você tiver tempo sobrando. Ah, e use as escadas rolantes. Elas ficam escondidas, mas você não precisa subir tudo a pé;
- No último dia de Europa eu comi Jamon. Ainda bem que foi no último dia, porque aquilo é droga em forma de carne. E é barato (mesmo convertendo para Real). Sem brincadeira, comi meio quilo em uma noite. Fácil, fácil. Foram 2 conjuntos desse aí (o sanduba já tinha Jamon);

- A volta para o Brasil também foi no modo lata de sardinha, sem espaço para esticar as pernas. Isso depois de 12 horas no aeroporto de Roma (como eu falei láááááá em cima). Cheguei em Guarulhos e ainda tive que esperar mais umas 3 horas, mas o que é um peidinho pra quem está cagado?
- Quando cheguei em casa ainda tive que lavar roupa e arrumar tudo. Descansar pra que?
Gostei muito da viagem. Ainda prefiro a primeira que eu fiz pela Europa (Alemanha e Itália), mas foi bem melhor. E dessa vez, como estava sozinho, consegui fazer só o que eu queria. E ainda pude beber o quanto eu queria. Com a cerveja barata como ela é (mesmo transformando em Real), não tem como não encher a cara feliz.