27 de dez. de 2015

Quando eu bati o carro

Eu tenho carteira de motorista há mais de 15 anos. Tirei com 18 anos, no meu primeiro exame. Nunca tomei uma multa. Por incrível que pareça, sou calmo no trânsito. Nunca bati o carro (em outro carro. Já dei algumas raladas em pilastras). Motorista exemplar.

Isso tudo era válido até Outubro deste ano. Dia 27, para ser mais exato. Uma terça-feira (lembro sem consultar o calendário, mas pode conferir aí). Saí de casa mais ou menos no horário que sempre saio. Fiz o caminho que sempre faço. Parei no cruzamento da Francisco Deslandes com a Pium-I, como sempre faço. Esse aqui:


Aqui tem um street view do lugar:


A situação, no dia, era muito parecida com a da foto acima: um carro na minha frente, um toldo tampando a visão. No meu caso, ainda tinha um carro na Pium-i, piorando ainda mais a visão.

Como sempre faço, avancei junto com o carro da frente, para melhorar a visão. Vinha um carro uns 2 quarteirões para cima e, assim que o carro da frente avançou, dei uma nova conferida para ver se dava tempo e fui junto. Antes mesmo de olhar pra frente senti o meu carro parando. Demorou alguns milissegundos para entender o que tinha acontecido. Quando caiu a ficha, desliguei o carro, respirei fundo e sai para ver o estrago.

Sim, eu bati o carro. A mulher desistiu de seguir segundos depois de arrancar o carro. Segundo ela, porque o carro que estava 2 quarteirões pra cima estava muito rápido. O carro dela amassou quase nada. O meu, desfez a frente. Essa história de absorver o impacto. Já tinha gente buzinando e eu só falei com a mulher pra gente encostar para liberar e aí ela falou:

- Não. Depois você foge.
- ????? Tá maluca? Eu não vou fugir. Encosta ali ó.
- Não. Ano passado fizeram isso e o cara fugiu.
- Toma. Pega meu celular. Vale mais que esse amassado.

Ela realmente PEGOU meu celular para encostar. Conversamos um tempo e definimos que tinha que passar na PM para fazer um BO. Mais uma vez a mulher ficou "você não vai fugir, né?" e eu tive que entregar meu celular novamente.

Fizemos o BO e, como meu seguro era ali perto, resolvemos já passar lá para fazer o sinistro e, no meu caso, já deixar o carro para arrumar. Chegamos lá, entreguei meu cartão de identificação e a mulher começa a procurar meu nome. E não acha. Tenta pelo CPF e nada. Aí eu olho no calendário e penso "fudeu".

Como eu disse, era dia 27 de Outubro. Meu seguro venceu no dia 26 de Outubro. Eu tinha renovado, mas ainda não tinha recebido a nova apólice. E fiquei com o toba na mão de não ter sido renovado, já que a mulher estava não estava encontrando. Liguei para a minha corretora, expliquei a situação e ela falou que estava tudo OK. Coloquei ela pra conversar com a atendente e... não adiantou.

Fiquei lá umas duas horas esperando a situação ser resolvida. Quando resolveu, descobri que não ia poder sair com meu carro. E que não ia começar a manutenção enquanto a apólice não saísse. E a apólice só iria sair quando eu pagasse a primeira parcela, que seria só em meados de novembro. Ou seja, ficaria pelo menos um mês sem carro.

Uns 15 dias depois, recebi um email falando que a manutenção tinha sido autorizada. Fiquei mais tranquilo e pude pegar o carro reserva da seguradora por 15 dias. Supostamente, a manutenção iria levar 2 semanas, então estava tranquilo.

Passados os 15 dias, liguei na oficina para saber se estava tudo ok, se o carro estava pronto e fui surpreendido com o diálogo a seguir:

- Não recebemos a autorização ainda.
- Como não? Recebi um emial tem 10 dias
Ouvi uma voz no fundo falando "chegou sim". E o cara falou:
- Ah, tá aqui. Chegou ontem no fim do dia.
- E quanto tempo leva para ficar pronto?
- Pelo menos 15 dias. Só para chegar as peças são pelo menos 7 dias.

Fiquei puto. Se eu não ligasse ia ficar mais um tempo infinito lá, parado. Levou mais uns 10 dias para o carro ficar pronto, até menos que o previsto. E quando peguei, estava realmente bom. Trocaram tudo o que estava estragado, ficou novo.

Mas eu fiquei puto, pois não posso mais falar que nunca bati o carro. Além de ter ficado muito tempo sem carro.

26 de dez. de 2015

Resgate do cachorro Pingo

Sexta feira, 4 de Setembro 9 de Outubro, mais ou menos 8 da noite. Chego na casa da Ruiva e ela comenta que combinou com a cunhada de deixar o Pingo na casa dela na manhã seguinte, pra ele brincar com os cachorros dela. É uma casa grande, na Pampulha, ele teria espaço infinito para correr e gastar as unhas. Como eu iria trabalhar e ela tinha combinado de estudar na casa de uma amiga, achei que seria uma boa. Sabia que ele ia voltar com pulgas e carrapatos, mas pelo menos ia gastar energia. Pulga eu catava no domingo de manhã, junto com o banho.

Acordamos cedo no sábado, levamos o pingo na casa da mulher e, nos poucos minutos que fiquei lá, os cães arranharam meu carro. Mas vi que ele ia se divertir, porque começou a correr como um louco. Deixamos ele lá e fomos para os nossos afazeres. Deixei a Ruiva na casa da amiga e fui para o escritório.

Não deu nem meia hora que eu estava trabalhando e meu telefone tocou. Era a Ruiva. Ela NUNCA me liga no trabalho, então sabia que era problema. Achei que era alguma coisa de saúde, mas ela simplesmente disse: "vamos ter que voltar para a Pampulha. O pingo fugiu.". Não perguntei nada. Só falei: "Tô saindo. Te pego aí".

Catei meu notebook, botei na mochila e saí correndo do escritório. Peguei a Ruiva e fomos em direção à Pampulha. Foram mais ou menos 20 minutos até chegar lá, mas não falamos nem uma palavra. Ela segurava a minha mão, forte. Claramente queria chorar, mas não saiu nenhuma lágrima.

Chegamos na casa da cunhada da Ruiva e ela contou a hitória: deixaram o Pingo brincando e depois de um tempo gritaram o nome dele e ele não apareceu. Começaram a procurar no terreno e não acharam. Aí foram para a rua.

Segundo elas procuraram em volta e perguntaram pra um vendedor de água de coco no outro lado da rua perto do Zoologico. O cara falou que viu o cachorro, que estava tentando atravessar de volta, mas não conseguia por causa dos carros. Ai viu alguém tentando pegar ele, mas que não conseguiram. Depois veio uma outra pessoa e conseguiu. E o puto não fez nada.

Voltamos no cara e ele mudou um pouco a historia. Falou que um cara tinha tentado, não conseguiu e que depois o cachorro subiu uma rua. deve ter sido pra gente ir pra longe dele e não dar outro esporro, como fez a cunhada da Ruiva.

Ficamos rodando a Pampulha inteira, gritando "Pingo! Pingo!". E nada. Desistimos e fomos para casa publicar a foto dele em tudo quanto é rede social. O desespero foi tão grande, que até na página da Luisa Mel eu postei. Estávamos acompanhando todas as páginas, mas não tivemos resposta. resolvemos dar mais uma volta na região do Zoo, pois estava chovendo e a Ruiva com medo ele estar na chuva. Nada. Exaustos, voltamos pra casa e fomos dormir.

No dia seguinte pela manhã, vimos um comentário colocado próximo da meia noite em uma das páginas falando que tinham visto ele perto do Mineirão. Achamos muito estranho pois do zoológico até o moneirão é longe pra caralho e o bicho não conseguiria ir sozinho. Criamos uma teoria que quem pegou não aguentou a energia dele e largou na rua de volta.

Era dia de jogo as 11 da manhã e a região estava lotada. Não iríamos achar ele nunca ali. Mas começamos a mostrar a foto dele em tudo quanto é lugar e começaram a falar: "eu vi ele ontem. Desceu a rua" (Dias Bicalho). Bateu uma esperança. Fomos perguntando, perguntando e todo mundo confirmando que tinha visto. Rodamos a região toda, mas não o vimos.

Voltamos para casa, fizemos cartaz de procura-se e voltamos para lá. O jogo tinha acabado, então a região estava mais tranquila. Colamos 258389745 cartazes, para tudo quanto é lado, em todas as direções. Em um deles, uma mulher que estava passando na rua, sem que nós perguntássemos nada, falou "eu vi esse cachorro ontem. Ele desceu naquela direção". O sentimento de esperança aumentou novamente. Mas depois de muita procura, mais uma vez sem sucesso e com insolação, voltamos para casa para almoçar (já era 6 da tarde) e olhar as redes sociais (além de postar e repostar a foto do Pingão).

Segunda cedo (era feriado), resolvemos ampliar a região de busca. Peguei o Google Maps e falei: "se ele desceu a Dias Bicalho, pode ter ido para o lado do aeroporto". E lá fomos nós novamente rodar colando cartaz e gritando "Pingo". Conheci lugares que nunca imaginei. Até descobri que existe cemitério israelita "perto" do aeroporto.

Mais uma vez, insolação, cansaço e o fio de esperança de encontrar o peludo foi embora. Já estávamos aceitando que nunca mais veríamos o bichinho. Enquanto a Ruiva tomava banho e eu catava os brinquedos dele pela casa, meu telefone apitou. Era um email de um colega de faculdade, encaminhando um email que tinha recebido. Só dizia assim: "Foi você que perdeu um cachorro?".

Fui lendo o histórico e era um email encaminhado para a CãoViver, mais ou menos assim:

"Achei esse cachorrinho na rua, com duas coleiras, uma vermelha e uma azul de remédio. Não sabia como procurar e parece ser de raça então com medo de alguém mal intencionado, estou enviando esse email para vocês. Se não achar o dono, vou ficar com ele". E estava essa foto anexada:


Durante alguns segundos o fiquei pensando e falando comigo mesmo: "É o pingo. Acharam o pingo.". Repeti umas 3 vezes, até que gritei para a Ruiva: "Acharam o Pingo! Acharam o Pingo!".

Liguei para a menina que tinha mandado o email, falei que tinha recebido um email com a foto do meu cachorro, que ela tinha achado meu cachorro. Contei a história toda, ela viu que era verdade, falou que pegou ele com medo de alguém mal intencionado pegar e blablabla. Eu sõ pensava: "foda-se. Eu só quero meu cachorro". Peguei o endereço dela e fui buscar o Pingo.

A mulher morava longe para cacete e levei uma eternidade para chegar lá. Pelo menos conheci mais um ponto da cidade (e a Toca da Raposa 2). Cheguei lá, toquei a campainha e ele começou a latir. Ela chegou com ele no colo e, quando ele nos viu, deu um pulo do colo dela, batendo no nariz da menina. Eu catei o cachorro e fiz carinho, quando olhei de volta pra ela, vi o nariz jorrando sangue. O cachorro quebrou o nariz dela.

Entramos para ela fazer o nariz parar de sangrar (o que levou um tempo) e a Ruiva ficou conversando com ela, contando a história toda da saga. E descobrimos que, em momento nenhum, ele passou pela Dias Bicalho (apesar de todo mundo ter visto). Esteve o tempo todo na casa dela. Agradecemos, pagamos pela comida que ela comprou (a preço de ouro! 2 kg por 60 reais. Mas foda-se o Pingo estava bem), e voltamos pra casa.

Quando chegamos, começamos a repostar em todos os sites e redes sociais que havíamos encontrado o Pingo. E numa dessas redes acabamos vendo uma foto de um cão IDÊNTICO ao Pingo, que havia sumido NO MESMO DIA, mas na região da Dias Bicalho. Considerando que nunca ligaram para a gente (o cachorro era realmente igual), acho que ele nunca mais foi visto. Alguém deve ter catado ele.

No dia seguinte, encomendamos um tag de identificação pro Pingão, que pode até sumir novamente, mas estará identificado. E certamente nunca mais vai passear na casa da cunhada da Ruiva.

E o feriadão, que era para descansar, foi estressante para caralho. E desde então, não tive mais folga (vou contando aos poucos, na medida que der. Mas não esperem atualizações frequentes, tá foda).

29 de ago. de 2015

O visto americano

Um tempo atrás um casal de amigos decidiu que ia casar em Las Vegas, em uma missa celebrada pelo Elvis. E para ir acompanhar este grande evento, e eu precisaria tirar o visto americano.

Eu fui para os EUA no longínquo ano de 1993 e, naquela época, o visto era uma coisa simples de tirar (talvez nem tanto, mas era mais simples que agora). E o meu visto, assim como o passaporte que ele estava, venceram há um bom tempo (passaporte eu tirei 2 depois daquele).

Agora, tirar o visto não é algo tão simples assim. Primeiro você preenche um formulário gigante, que gasta uns 45 minutos para ser preenchido. Eu tinha visto esta estimativa no site do consulado e achei absurda. Depois eu vi que é mais ou menos isso mesmo.

Uma das perguntas, óbvio, é se você já teve visto anterior e o número dele. Lógico que eu não tinha mais o passaporte. Naquela época, ele ficava com a minha mãe e assim que ele venceu e eu renovei, ela jogou fora. Mas tinha a opção "eu não sei". Marquei, mas confesso que fiquei com receio.

Uma outra pergunta (acho que a seguinte) era se você já tinha estado nos EUA e qual a data. Eu não lembro quando fui pra Europa (tem 2 meses), imagina se vou lembrar da data de uma viagem de 93. Mas tinha lá um comentário que se você não lembrava, para colocar a tá mais próxima. E eu lembrava que foi entre junho e julho de 93.

Depois de preencher mais um monte de coisa (incluindo aí a pergunta "você é terrorista?"), revisei o bagulho e, realmente com receio de dar merda não ter o passaporte antigo, enviei (pagando uma "pequena" taxa de 160 dólares).

Triste pelo rombo, comecei a olhar os próximos passos. Eu teria que tirar foto e pegar as digitais em um dia (poderia ser em BH) e depois passar pelo processo de entrevista, que não poderia ser em BH. Ou seja, além da taxa bacana, ainda teria que pagar passagem e hospedagem em alguma outra cidade. Só que o Rio é uma das opções, então eu poderia comprar só passagem. Marquei as bagaças, comprei as passagens e viajei pra Bolívia.

Voltando de viagem, no dia seguinte fui tirar a foto e as digitais. Lugar bacana, sem fila, mas só um cara atendendo (apesar de ter umas 10 cabines). O processo é rápido, mas a espera foi mais ou menos grande, porque eu havia chegado antes da hora. No todo, levou meia hora.

Dois dias depois, já no rio, era dia de passar pela entrevista. Eu levei documentação pra comprovar tudo: renda, emprego, resistência, saúde... Até declaração de imposto de renda tava na pasta. E como já sabia que não podia entrar com celular, deixei em casa.

Também cheguei antes da hora, então levei uns 20 minutos para entrar no consulado. O bizarro é que já tinha gente lá para entrevista duas horas depois (eles recomendam chegar com 15 minutos de antecedência). Bom, entrei.

O processo é o meio burocrático. Você entra e fica numa fila (sentado). Espera. Aí te chamam para você entrar em outra fila (em pé), mas é rápido. A mulher só escaneia seu passaporte e fala se você pode ir para a entrevista ou se tem que passar por uma outra triagem. Nos dois casos, você vai para outra fila (sentado).

Essa segunda fila sentada foi razoavelmente rápida. Mas aí te chamam para outra fila (em pé) para a tal entrevista. Confesso que não sei o que acontece com quem vai pra triagem. Só sei que fica sem o passaporte por um tempo.

A tal fila da entrevista com demorada. Até chegar nela eu gastei uns 20 minutos. Fiquei nela mais uns 20. Quer dizer, é uma fila para pegar outra fila. A primeira fila é geral para todas as cabines de entrevista, depois você vai para uma fila específica da cabine. E aí é loteria.

Essa segunda fila pode ser rápida, se as pessoas na sua frente não forem muito questionadas, ou pode ser demorada pra caramba, se o nível de questionamentos for alto. A minha, óbvio, foi bem demorada. E olha que só tinha 2 famílias na minha frente.

Eu acho que esse treco é de propósito. Vai criando uma tensão sinistra. Querendo ou não, você escuta o que o entrevistador fala com as pessoas na sua frente (e até em outras cabines). Na primeira das filas, eu ouvi um dos atendentes falando com a pessoa (em inglês) que com as informações que ela tinha passado infelizmente ele não poderia dar o visto. E o cara falava alta, sem motivo aparente.

A primeira família na minha frente levou um tempo bom, e eu não consegui ouvir o que o cara estava perguntando. Mas eu ouvi o cara da cabine do lado. Ele sabatinou o sujeito que estava tentando o visto sem dó, perguntou até a cor da cueca que o cara ia usar quando fosse viajar.

A segunda família na minha frente eu já consegui ouvir. Chamaram os 3, escanearam os passaportes e foram uns bons 5 minutos de silêncio, com o agente de imigração lendo alguma coisa no computador. Deve vir a história toda do pessoal na tela. Aí ele fez umas perguntas, a família enrolou pra responder, ele tentou novamente, mais uma enrolada, aí falou "não vai rolar o visto".

"Fudeu", pensei. Eu era o próximo. Fui pra cabine, antes de o cara me chamar. Vi que ele não gostou, porque ainda estava escrevendo alguma coisa da família anterior. Levou uns bons 2 minutos escrevendo, e eu lá na frente dele, esperando com um sorriso no rosto.

Quando ele acabou, pegou meu passaporte, escaneou, leu alguma coisa por 15 segundos no computador e perguntou:

- Você conhece os estados unidos?
- Sim, já fui em Orlando e Miami.
- Ok. Seu visto foi aprovado. Você vai receber seu passaporte em breve com ele. Bom dia.

Sério. Foram uns 45 minutos dentro do consulado para 30 segundos de entrevista.

Saí de lá felizão por ter um bom emprego em uma empresa multinacional.

20 de ago. de 2015

Férias, pero no mucho

Sim, queridos leitores, eu e sou viajando.Era ora eu ter escrito esse post antes, mas vocês vão entender.

Oficialmente, minha férias começaram no dia 3 de Agosto. Eu teria que tirar 30 dias, porque o RH estava barrando férias de mentira. E além disso, está com baixa de projeto, então não ti há razão para eu ficar no escritório (minha braço direito conseguiria resolver o que aparecesse).

Como eu teria 18 dias completamente sem nada pra fazer (11 dias antes de viajar e mais uns 5 depois da viagem), deixei para planejar tudo com calma e fazer uma porrada de coisa que estava adiando há algum tempo.

Tirei o final de semana pra fazer porra nenhuma e na segunda comecei a olhar passagem e hotel da viagem. Fui fazendo tudo com. Calma, olhando detalhes, procurando as melhores opções pra viagem (entenda: mais baratas).

Até que na terça, 10:30 da manhã, quando eu tinha acabado de comprar a última passagem, meu telefone toca. Era um cara do trabalho.

- Fala cara
- Quando você viaja mesmo?
- 13 a 25. Por que?
- Dá pra adiar?
- Vão reembolsar tudo que já peguei?
- Claro que não.
- Então sem chance. Acabei de pagar a última passagem.
- Nos outros dias tem problema?
- Não, mas eu vou estar fora 27 e 28 também.
- Caralho. Tá bom. Qualquer coisa te ligo.

Meia hora depois, toca o telefone

- Dá pra você estar no cliente as 13:30?
Olhei no relógio. Era 11 horas. Estava de pijama e não fazia barba há 4 dias.
- Dou um jeito. Onde é?
- Vem pro escritório as 13 que te explico melhor e subimos juntos.

Tomei banho correndo, fiz a barba, troquei de roupa e saí correndo. Nem almocei, só engoli uns 2 biscoitos.

Chegando lá, entramos no táxi e o cara foi me explicando. Um gerente de um projeto gigante pediu demissão e precisavam de alguém pra assumir a pica. Como eu tinha acabado de encerrar um projeto complicado pra caralho, meu nome foi o primeiro da lista. Mesmo eu estando fora boa parte do mês.

E eu estava indo para a reunião com o cliente para ser apresentado como o novo gerente. Sem saber nada do projeto (sabia informações muito gerais). E na reunião fui a rainha da Inglaterra: fiquei calado o tempo todo, só fazendo algumas anotações.

E aí passei uma semana tentando fazer reunião com o antigo Gerente (o cara some toda hora) e a noite olhando hotel, roteiros, mapas, passeios... E ainda tendo que fazer exame de sangue e todas as outras coisas que tinha planejado.

Mas não posso reclamar, essa mudança de planos está mantendo meu emprego.

5 de ago. de 2015

A ineficiência brasileira

Dia desses aí pra trás a Ruiva estava entrando no ônibus e sentiu alguém enfiando a mão na bolsa dela. Olhou pra trás e viu um cara (já mais velho, com seus 40 anos) pegando o celular e saindo correndo. Instintivamente ela saiu correndo atrás do maluco, gritando “pega ladrão” (na verdade ela falou “pega ladrão! Alguém para esse filha da puta!”). Uma boa alma viu aquilo e meteu o pé na frente do cara, que tropeçou. Enquanto ia pro chão o cara jogou o celular fora, que quebrou a tela. E assim que caiu no chão juntou um bolo de pessoas pra segurá-lo.

A Ruiva pegou o telefone e, enquanto ligava para o 190 (o telefone continua funcionando, só quebrou a tela) um sargento da PM chegou e perguntou o que tinha acontecido. Ela contou a história e o PM chamou reforço, que chegou rápido. Eles foram para a delegacia. Isso era mais ou menos 17:20.

Ela deu o depoimento todo, contou a história toda e fizeram o BO. Enquanto o BO era processado, ela me ligou, avisando que ia precisar ir para a parte de flagrantes, da Polícia Civil. Cheguei lá umas 18:30.

Ficamos esperando umas 2 horas. Aí eu cansei de esperar e perguntei para o PM que fez o BO o que estava acontecendo. O cara explicou que tinha 2 outras ocorrências na frente e que precisava fazer o BO no sistema da polícia Civil, mas só tinha um cara que fazia isso. Perguntei se era diferente do BO que eles tinham feito e o cara falou que não, era basicamente a mesma coisa. Fiquei meio puto, mas não queria ser preso por desacato.

Passada mais meia hora, o BO ficou pronto e levaram o meliante para colocar a roupa de detento (não sei o nome) e dar depoimento. Enquanto ele conversava com a delegada, conversei mais um pouco com o PM:

- Quanto tempo esse cara vai ficar preso?
- Ah, como é reincidente e acabou de ser solto, deve ficar aqui até meio dia de amanhã. Senão saia de manhã.
- Sério?
- Seríssimo. Eu também fico assim. Tem um cara que já foi preso em flagrante 24 vezes só na Savassi, onde a gente atua. Imagina o resto de BH. E tá livre.

Fiquei muito mais puto ao saber disso, mas mais uma vez fiquei calado.

Passados mais uns 40 minutos chamaram os policiais, para conversar com a Delegada e contar a versão deles da historia (detalhe: já tinham feito isso na hora de fazer o BO da Civil).

Mais uns 15 minutos e chamaram a Ruiva. E pediram para eu ser testemunha. Entrei na sala e.... a delegada pediu para ela dar o depoimento dela. Sério. Tinha 2 BOs e ainda teve que dar depoimento mais uma vez. E lá foram mais uns bons 20 minutos. Eu ainda dei um depoimento falando que não estava no lugar e não vi nada (mais uns 5 minutos pra gerar a papelada).

Saímos de lá 22:30, CINCO HORAS depois do ocorrido. Neste meio tempo ninguém ofereceu água. Não podia sair de lá pra comprar comida, senão perdia a fila. E eu tive que usar o banheiro da carceragem, depois de pedir umas 2 vezes (não foi o das celas, foi de uma sala onde os caras são revistados e trocam de roupa antes de serem presos). Sorte que era número 1, porque estava feia a situação do banheiro.

E fiquei pensando: cinco horas para UM caso. Dois BOs com a mesma informação. Três depoimentos das mesmas pessoas (o ladrão também falou 3 vezes). Num mundo onde tudo é informatizado. Tudo isso para o cara ficar preso 12 horas e, segundo o próprio PM, não comparecer na audiência.

E quem é penalizado? A vítima, que além de ficar 5 horas esperando, ainda amarga o prejuízo e fica preocupada se não será marcada pelo delinquente e sofrerá retaliação. O ladrão ganha um jantar, um café da manhã (sei que não é nada espetacular, mas é comida) e no dia seguinte pode voltar pra rua para cometer mais crimes.

E assim vai o nosso país.....

3 de ago. de 2015

Truque novo pra cachorro velho

Já faz um tempo que o Véio tá me apurrinhando que quer um telefone com WhatsApp para conseguir receber as fotos da minha sobrinha (por alguma razão a minha irmã não consegue enviar foto por email, só WhatsApp. Vai entender). Meu telefone chegou e eu formatei meu S2 antigo para entregar pro Veio.

Coloquei na mão dele e expliquei como o telefone funciona (ligar, atender, discar, ligar e desligar wifi), passo a passo. Ele foi anotando tudo. Aí ensinei como o WhatsApp funciona (ver e enviar mensagem, nada mais). Ele também anotou. Isso tudo levou 2 horas. Ele testou, viu que funcionava e fui embora.

Uns 2 dias depois ele me liga falando que meu tio estava mandando mensagem pra ele no WhatsApp e ele não estava recebendo. E também falou que não estava conseguindo cadastrar meu tio na agenda do WhatsApp (palavras dele). Fiquei meia hora tentando entender a razão. Aí pensei nos meus tempos de suporte a sistemas e perguntei:

- Pai, o wifi tá ligado?
(Silêncio)
- Tá ou não tá?
- Não.
- Então liga. Aí vai tudo funcionar.

Meia hora depois ele me liga

- Não funcionou.
- Ligou o wifi?
- Liguei. A bolinha tá verde. (bolinha verde é um widget de ligar e desligar o wifi que eu instalei para ele)
- Mas está conectado?
- A bolinha tá verde.
- Aquele triângulo no alto, perto do ícone de sinal, tá aparecendo?
- Não.
- O roteador está ligado?
- O que é roteador?
- Aquele treco que fica perto do computador, com as luzinhas verde piscando.
- Ah, não.
- Então liga que vai funcionar.

Dois minutos depois começo a receber um monte de mensagens dele, todas antigas. Tinha 2 dias que ele estava me mandando mensagem e eu não recebia.

Mais 2 minutos ele me liga:

- Conectou, mas não consigo cadastrar seu tio
(Eu tinha explicado como fazer, mas tudo bem. Expliquei novamente)
- Clica na lupa no canto superior direito.
- Tá
- Escreve o nome que você colocou pro meu tio.
- Tá
- Apareceu?
- Apareceu, com um monte de coisa em inglês
- Beleza, é assim mesmo. Clica aí
- Tá. E agora?
- Agora manda mensagem
- Muito difícil esse treco. Você não me ensinou a usar esse telefone. Vou precisar que você me ensine depois
- Pai, você ANOTOU o passo a passo pra usar.
- É, mas não tinha isso.
- Tá bom, pai. Final de semana eu passo aí e te ensino.

Tá difícil. O que me deixa triste é que meu pai usa computador deste 1995 e apanha pra fazer essas coisas simples, com um passo a passo do lado (que ele certamente não lê).

Mas o mais triste mesmo é que a minha avó de 85 anos levou menos tempo pra aprender a usar. Faz umas coisas erradas de vez em quando, mas sabe usar sem problemas.

Esse treco de celular pro Véio vai dar trabalho....

27 de jul. de 2015

Mudanças nos escritórios

Não sei se já comentei aqui, mas a empresa tem escritórios espalhados pelo país. Alguns já fecharam (tipo o de Manaus, que nem chegou a abrir oficialmente), mas 4 resistiram ao tempo. Até agora.

A crise (ou marolinha, como diz o governo) chegou forte na engenharia. E não estou falando só de obra do governo não, nem a iniciativa privada está investindo. O dólar nas alturas, a nafta a preço de ouro, o minério e o barril de petróleo despencando fizeram que todos os segmentos da indústria segurassem os investimentos (alguns até reduziram a produção).

E se não tem investimento, não tem obra. Se não tem obra, não tem engenharia. E se não tem engenharia, não tem emprego. Várias empresas (grandes e pequenas) fecharam as portas nos últimos tempos. Quem não fechou reduziu consideravelmente. E a minha empresa está no bolo das que encolheram.

Com o encolhimento (em todos os escritórios) ficou muito espaço disponível nos escritórios. E como espaço disponível é dinheiro no lixo, resolveram devolver algumas das salas que ocupamos ou mudar para espaços menores e mais baratos. Como eu estou com carga baixa após o término do meu contrato (e já fiz mudança de escritório quando estava no Rio), me colocaram pra acompanhar as obras, devoluções e mudanças.

Existe uma empresa responsável pelos aluguéis e manutenção de espaços de trabalho DENTRO da minha empresa. Sim, é isso mesmo. Tem um ramo de administração de sites dentro da minha empresa. E somos obrigados a utilizar esta empresa, mesmo ela sendo MUITO mais cara que qualquer outra no Brasil. E como qualquer monopólio, o serviço é uma merda e os caras fazem o que querem, quando querem. Pior: se custar mais ou atrasar a obra, problema seu. Afinal, como é uma empresa interna, todo custo é repassado para quem utiliza o serviço. Ah, e apesar de ser empresa interna, eles tem lucro. E sempre, já que os custos extras e ineficiências são repassadas para as áreas cliente. Eu sei, é um absurdo. Mas é assim.

Numa das obras eles fizeram o trabalho direitinho. Adiantaram o cronograma quase 1 mês (coisa rara!), mas como o prazo passado era 50 dias, nos planejamos para fazer a nossa parte nos 50 dias. E agora a obra ficou pronta, mas não conseguimos mudar.

Na outra obra, no escritório de BH, tinham passado que era “rapidinho, coisa de 15 dias a obra fica pronta”. Aí pedimos o cronograma oficial e os 15 dias viraram 3 meses. TRÊS MESES. A obra? Criar uma copa (já tem encanamento), subir uma parede e pintar uma das salas. Reclamei um monte, escalei para o papa e depois de muita reclamação, a obra reduziu para 1 mês. No cronograma.

Diz que era um gerente de projeto que estava planejando a obra, mas a pessoa responsável definitivamente não conhece predecessão. Queria mudar o pessoal de uma sala para a outra sem ter finalizado a copa (ou seja: ninguém teria como beber água). Mudaram o layout para caber mais mesas, mas não pensaram na infraestrutura de energia e rede. Resultado: tinha mais mesa que tomada e ponto de rede. Aí começaram a fazer uma porrada de puxadinhos. Dá até medo ver o que estão fazendo (tirei umas fotos, mas achei melhor não colocar aqui. Nunca se sabe).

As obras atrasaram 2 semanas. Fizeram uma coisa ou outra, mas nada da obra. Poderiam trabalhar no final de semana, mas não tinha ninguém para acompanhar a obra (o que atrasou mais ainda o cronograma). E aí, para tirar o atraso, começaram a trabalhar durante o expediente. Mas para isso precisou interditar o banheiro feminino.

Fizeram a copa, pintaram tudo e, depois de pronto viram que precisava de tomada. Aí vai ter que quebrar a parede e pintar tudo novamente....

Vamos ver quanto tempo isso ainda vai durar e se vai dar certo. Como não posso fazer nada, fico só dando pitacos e opções para otimizar a obra, mas o cara não escuta.

Oremos.

22 de jul. de 2015

Esparroman RECOMENDA: Moto Maxx

Fazia um tempo que eu estou passando raiva com meu celular. Cheguei a pegar um novo da empresa (um S4 mini), mas não adiantou muito. Eu continuava passando raiva (o celular é uma merda).

Comentei isso com uns amigos em um buteco desses da vida (láááááá em março) e um deles falou que estavam rolando altas promoções de celular. Aparelho que na época custava 2.100 ronaldos estava sendo vendido por 1.500. Umas mágicas que até agora não entendi, mas basicamente era: Dia de desconto especial (um Black Friday da vida) + Cupom de desconto (normalmente 10%) + pagamento no boleto (desconto de mais 10%).

Eu vi muita gente falando bem do Moto X (inclusive a Ruiva) e o Moto Maxx era melhor ainda. Numa dessas promoções várias pessoas compraram o Maxx e estavam gostando muito (principalmente a bateria infinita dele). Decidi que esse seria meu próximo telefone. E pedi para a galera das promoções me avisarem quando aparecesse uma nova.

Um dia um colega me mandou uma mensagem avisando da super promoção. Estava 1.470 ronaldos. Eu não vi, porque no dia a bateria do meu telefone tinha acabado.... E fiquei puto da vida, porque no link que ele me mandou ainda estava aparecendo como se estivesse disponível. Só deu erro depois que preenchi a porcaria toda pra comprar.

Fiquei aguado e doido pra comprar, mas fiquei me consolando com “ah, mas é muito dinheiro. Melhor não comprar mesmo”. E acabei deixando pra lá.

Só que uns 10 dias depois apareceu uma nova superpromoção. Me mandaram o link, o código promocional. Eu vi quando estava em uma reunião inútil, mas que tinha que participar. Não tinha desconto no boleto, então estava 1.650 ronaldos. Para a época, era MUITO barato (o aparelho estava mais de 2 pau). Por outro lado, poderia pagar no cartão e dividir em 10 vezes. O papo de “ah, mas é muito dinheiro” foi pro saco, já que poderia dividir em 10 vezes e não teria tanto impacto assim no orçamento mensal.

O problema é que eu estava na tal reunião e não dava pra sair no meio. Pensei em muitas opções (uma delas envolvia pedir para ir ao banheiro), mas nenhuma era viável. Até que alguém pediu uma pausa para o café e eu saí igual uma bala para o meu computador. Comprei.

Pouco tempo depois ele chegou em casa (coisa de uns 3 dias). No começo, achei meio grande, mas com o tempo você acostuma. Também achei ele pesado (e ele realmente é, graças à bateria infinita). Você também acostuma, mas quando pega um outro aparelho a diferença é realçada. Mas o peso compensa. Tem vezes que fico 3 dias sem carregar o aparelho.

A tela é sinistra. A qualidade QHD (2560 x 1440) assusta (ainda mais para quem tinha um aparelho 800x400). Não dá pra ver os pixels. Os vídeos ficam sensacionais, mesmo com a tela “pequena”. Os aplicativos abrem muito rápido e não “agarram”. Android quase puro, sendo que o que deixa ele impuro são coisas realmente boas da Motorola.

Mas.... (sempre tem um mas) ele tem um bug. O botão voltar não volta sempre. No início eu achei que era só o meu, mas confirmei com outras pessoas que acontece com todo mundo. Algumas vezes você precisa apertar por mais tempo, um toque rápido não funciona. E não é hardware, porque isso só acontece algumas vezes. E também acontece em alguns Moto X.

Outro mas é o tal android puro. Eu sinto falta de algumas coisas que a Samsung implementou na UI dela que não tem no puro. Para ligar (ou mandar mensagem) você precisa achar a pessoa nos seus contatos, “entrar” nela e clicar no telefone ou na mensagem. No Samsung era só deslizar o dedo para a esquerda ou para a direita.

Um terceiro problema (e acho que esse é o último) é a câmera. O software é o do android e é uma bosta. Simples, sem recursos, só uma resolução disponível. O foco leva uma eternidade. Nisso aí a Samsung espanca. Estou testando uns outros aplicativos de foto, mas não achei nenhum igual o da Samsung que seja grátis. Em números, era para ser excepcional: são 21 MP para foto e filma em 4k (sério!), mas quantidade alta de pixels não significa necessariamente foto e filme bons. Note: não é que sejam ruins, comparado com o meu S2 antigo, são melhores, mas comparado com fotos de telefones mais novos, deixa a desejar.

No geral, estou gostando muito e recomendo. O problema é que apesar de topo de linha da Motorola, ele não é vendido em tudo quanto é canto do mundo e ai atualizações são deixados para segundo plano (já está no Lolipop 5.0.2, enquanto o moto x está no 5.1).

Atenção: o texto acima ampara-se no direito fundamental à manifestação do pensamento, previsto nos arts. 5º, IV e 220 da Constituição Federal de 1988. Vale-se do "animus narrandi", protegido pela lei e pela jurisprudência (conferir AI nº 505.595, STF). (obrigado, Lu Monte, pela ajuda jurídica).

20 de jul. de 2015

Medindo o sono

Quando eu estava em Zurique, na casa da minha irmã, vi que ela e o marido dela estavam usando um treco no braço. Esse aí embaixo:


Perguntei o que era e minha irmã respondeu de forma simples: “contador de passos”. Vi que meu cunhado fez uma cara feia e perguntei pra ele “que mais que faz?”. Aí o supernerd começou a me explicar com detalhes técnicos tudo o que o bagulho fazia (eu sempre fico impressionado com o quanto ele é nerd).

Depois dele falar uns 15 minutos minha irmã fala: e custa 15 dólares. Instantaneamente falei: “quero um”. Não importa se é bom, se é ruim, eletrônico por 15 dólares eu quero. O problema é que vinha da china e levava 3 semanas, coisa que eu não tinha. Mas por uma dessas coincidências da vida eles tinham comprado pra meio mundo e tinha um sobrando (a pessoa estava de férias e só ia voltar dali a um mês). Aí peguei pra mim.

Para quem não reconheceu pela foto, o bagulho é um MiBand, da Xiaomi (aquela marca de celular chinesa que quer desbancar a Apple).

Vou ser sincero: eu só uso a parte de monitoramento do sono. A parte de contar passos vem de brinde, mas não é algo que eu use com frequência.

Tem outras coisas que podem ser uteis, mas que não uso (ainda):

- Vibrar quando chega notificação ou chamada;
- Desbloquear o telefone quando está perto (esse eu acho perigoso. Se roubarem telefone e pulseira, não adianta nada a minha senha cabulosa);
- Acordar quando estiver em sono leve.

Esse último meu cunhado testou e falou que é uma bosta. Você coloca um range do horário que é para te despertar e ele olha o melhor momento pra isso (quando você está em sono leve). O problema é que se você já estiver em sono leve no primeiro minuto do range ele te acorda e você pode perder alguns minutos valiosos de sono.

A parte de sono é bem interessante, se você tiver saco para tratar os dados. Ela mostra horário de início e término de sono, além de períodos de sono leve e sono profundo e, se você ficou acordado, os períodos. Saca só (uma típica noite de sono minha):


Importante: o meu tempo acordado foi muito maior do que ele marcou, mais ou menos o tempo todo entre as duas faixas laranjas, mas ele não consegue ver olho aberto. Ah, e o ideal é ter mais ou menos 45% da noite em sono profundo, sendo 25% em REM. Mas o aparelho não separa REM de sono pesado.

O correto seria tentar fazer correlações de coisas que aconteceram durante o dia (ou a noite) com o seu sono, além de tentar entender o melhor horário para dormir (se dormir muito cedo pode não dormir tão bem quanto se dormir mais tarde. Ou vice-versa). Mas eu não faço porra nenhuma disso.

Uma coisa é fato: dias em que o sono profundo foi pequeno eu acordo cansado. Todos os estudos sobre sono fazem sentido, hehe.

Outra coisa que percebi foi o quanto o estresse me faz dormir mal. Voltei de férias dormindo igual criança. Uma semana depois já estava com sono todo cagado.

“E os passos?”, você me pergunta. Cheguei à conclusão que sou mais sedentário do que eu imagino. A quantidade recomendada são 8.000 passos por dia. Minha média são 4.800. Só passei dos 8.000 umas 5 vezes (em quase 2 meses usando a bagaça).

E mesmo assim duvido da qualidade da informação. O treco parece ser muito sensível, pois toda noite ele indica passos meus. Imagino que seja porque eu movimento muito durante a noite, rolando de um lado para o outro na cama e mexendo os braços. E a cada movimentação ele conta um passo. Isso deveria ser cruzado com as informações de sono, mas não são (erro simples de corrigir, mas tudo bem).

Ou então eu sou sonâmbulo e não sei......

16 de jul. de 2015

Cabô

Quando eu voltei pra BH, em Abril do ano passado, e meu chefe bateu no meu ombro e falou: “boa sorte. Você vai precisar”, eu não sabia que ele estava falando tão sério. Peguei um projeto que estava dando um monte de merda e que todo mundo tinha certeza que ia dar merda.

O projeto era o maior da história do escritório de BH (e depois descobri que estava entre os 20 maiores da empresa – incluindo aí diversos que incluíam venda de material. De engenharia, estava entre os 10 maiores). O prazo era impossível de ser cumprido. A multa era milionária (literalmente). E eu entrei no meio do furacão.

Foi um 2014 de merda. Trabalhei feito um cachorro, engordei feito um porco (ansiedade), perdi cabelo (mas nenhum cabelo branco , veja você), dormi mal (algumas vezes nem dormi), saúde comprometida. E não via a luz no final do túnel: quanto mais eu trabalhava, mais merda eu via e mais problema aparecia.

12 meses depois, a situação já estava mais controlada. Ainda havia o risco de multa, mas era baixo. Saí de férias e quando voltei, já estava nos finalmente. Isso era o que eu achava, porque pediram para fazer um monte de alterações, em um prazo muito curto (para não perder o costume). Mais um mês de estresse e dor de cabeça.

E aí dia 30 acabou. Com muito esforço, muita pressão, muitos problemas, mas acabou. E o mais importante: sem multa, coisa que ninguém acreditava.

Quer dizer, acabou mais ou menos. Ainda tem um monte de coisa para corrigir, mas isso não contamos ainda para o cliente.

Foi, sem dúvida, o meu pior projeto. Tudo o que poderia dar errado deu, a empresa mudou um monte de coisa no meio do caminho, ficou tudo mais difícil. O cliente só queria um deslize para mandar a multa ou não pagar. A equipe se rebelou no final e começou a brigar entre eles. A diretoria cobrando resultado e aumento de margem (lucro). Mas eu aprendi muita coisa.

E foi tanto tempo trabalhando num nível de pressão e estresse alto que agora que acabou eu sinto falta. Fico com dor de cabeça quase todo dia (acredito que seja abstinência), me sinto mal por trabalhar “só” 8 horas.

Mas o maior problema ainda está por vir. Mas isso é assunto para outro post.

14 de jul. de 2015

Bolívia, aí vou eu

Sim, você leu certo. Eu vou viajar novamente. Sim, é férias. Sim, eu sei que voltei de férias tem 1 mês. Vou explicar....

Em setembro do ano passado eu fui obrigado a tirar férias, pois iriam completar 2 anos que eu tive direito a elas (férias compulsórias). Só que o projeto estava pegando fogo e não tinha a menor condição de eu sair naquele momento. Combinei com meu chefe de assinar o papel falando que eu estaria de férias, mas sairia de verdade no começo deste ano, quando tudo estaria mais tranquilo.

E assim foi feito.

Voltei de férias no final de maio e já recebi um email do RH informando que eu teria que tirar férias novamente até meados de setembro, pois teria mais um conjunto de compulsórias. Fui até a mesa do meu chefe e falei:

- Recebi um email do RH mandando tirar férias. Mesmo esquema do ano passado?
- Não pode mais. Eu mesmo estou sendo obrigado a sair de férias agora, mesmo com a situação pegando fogo.
- Uai... Mas e aí? Saio de férias mesmo? 2 meses depois?
- Infelizmente sim.

Fiquei meio puto, porque não tinha dado nem tempo de cansar novamente. E não teria milhas (e dinheiro) pra viajar novamente em um prazo tão curto. Mas fui lá e marquei para agosto inteiro.

E comecei a olhar passagens, já que todo mundo estava falando que passagem pra Europa tava barato. Achei várias promoções, mas para setembro, outubro e novembro. Para agosto (verão no hemisfério norte) não achei nada.

Aí comecei a olhar na América do Sul. Como só falta a Bolívia para eu conhecer (estou falando de capitais, ok?), fui direto nela. Caro pra caramba. Olhei norte do Chile (atacama), também estava caro. Olhei sul do Chile e Argentina (patagônia), também caro. Aí desisti.

Já estava até começando a aceitar a ideia que ficaria 30 dias coçando as bolas, quando recebi um email do Smiles. Uma super promoção para Cliente diamante: passagem nacional por 4.000 milhas e América do Sul por 5.000. Olhei e tinha para a Bolívia. “Vou demais”, pensei.

Pelo menos eu achei que ia. Quando passou para a tela de débito de milhas, eu não tinha suficiente (eu tinha 9.300, precisava de 10.000). Eu tinha no cartão, transferi na hora. Saiu do cartão, mas não entrou no smiles.

“Bom, pode demorar”, imaginei. Mas como cliente diamante, tenho direito a reservar a passagem por 3 dias pelo preço atual (ou quantidade de milhas). Assim eu fiz. E liguei no smiles pra entender porque ainda não tinha caído:

- Blablabla, transferi milhas, blablabla. Quanto tempo leva?
- Até 7 dias.
- Não dá pra fazer alguma coisa? Eu aproveitei a promoção, blablabla...
- Não, não dá. O que dá pra fazer é torcer para creditar antes que a sua reserva caia.

Sem acreditar que a mulher tinha falado aquilo, agradeci e desliguei. E fiquei olhando a conta 3 vezes por dia.

No último dia caiu o crédito. Entrei no site correndo e paguei a taxa de embarque. Recebi a confirmação da passagem e, só aí, parei para pensar: o que tem para fazer na Bolívia?

Comecei a perguntar para algumas pessoas e, até agora, a ideia é a seguinte:

- Santa Cruz
- Sucre
- Uyuni
- La Paz
- Copacabana
- Isla Del Sol

Isso tudo em 13 dias. Vou ter que colocar em uma planilha, pra ver se dá.

Se alguém tiver alguma ideia diferente, aceito sugestões.

18 de jun. de 2015

Meu Cachorro Comeu

Um tempo atrás comentei aqui que a Ruiva adotou um cachorro. Cachorro fofinho, bonitinho, pequenininho, mas que mordia tudo o que via pela frente. Pois bem, o bicho cresceu. Saiu de 0,9 kg (primeira foto) para 10 kg em menos de 6 meses (segunda foto).




Essa é uma das poucas fotos que conseguimos tirar com ele parado. 10 segundos depois desta foto ele já estava assim:


E como a boca dele cresceu, ele agora morde mais coisas e coisas maiores. Aquela frase “o cachorro comeu” nunca foi tão verdadeira. Todo dia quando chego na casa dela eu pergunto “o que ele comeu hoje?”. Isso quando não sou recepcionado pelo cão com alguma coisa na boca. Outro dia foi o sifão do tanque de lavar roupa (sério).

E não adianta comprar aquelas coisas de morder para cachorro. Já tentei courinho, corda, osso, bicho de pelúcia, mas ele gosta do que não pode: sapato, chinelo, mangueira, sofá, poltrona e gente. Principalmente gente.

É impossível passar a mão nele sem levar umas mordidinhas (ou mordidonas). Pegar no colo? Certeza de ficar com o braço na boca dele.
Meus braços e mãos estão todas marcadas. O pé também está mordido. Mas essa semana ele superou: abocanhou a minha orelha enquanto eu estava passando remédio. Chegou a fazer um pequeno rasgo (já colei, parece que não vai cair. Mas me senti o Holyfield na luta com o Tyson). Saca só como ficou depois de colado:


Quando ele não está mordendo, está pulando, correndo ou arranhando. Agora descobriu que consegue pular de um sofá para o outro e para a poltrona. E aí fica pulando entre as coisas buscando um braço ou uma mão dando sopa.

O pior é que a bateria do bicho não acaba, assim como a criatividade dele para inventar coisa errada para fazer. É o tempo inteiro fazendo alguma arte e/ou se mexendo. Eu queria mudar o nome dele para Damien, filho de Satã, mas a Ruiva não deixou.

Mas que ele é cachorro do capeta, isso ele é.

16 de jun. de 2015

Ah, as férias....

Sim, sim, queridos leitores, eu estou vivo. Foram mais de 20 dias de férias, comendo porcaria, bebendo cerveja e andando pelo velho continente. Não vou enganar ninguém prometendo Bem Vindos (tempo, cadê?), mas vou listar alguns fatos rápidos da viagem, misturada com alguns posts do Instagram.

- No voo Guarulhos – Roma já senti que Murphy iria comigo. Debaixo da poltrona da minha frente tinha uma caixa, que não me deixava esticar as pernas. E olha que eu tenho 1,60m. Imagina se fosse alto;


- A Itália é, sem dúvida, o Brasil na Europa. Só é considerada primeiro mundo por estar no velho continente. Mas fiquei só um dia, então não vou reclamar muito;

- Alias, vou sim. Aquela merda daquele país foi invadido por vendedores de pau de selfie. E essa praga está em todo e qualquer lugar da cidade, sendo muito pior nos lugares famosos;

- Fiquei meio puto, porque a Fontana de Trevi estava em reforma. Tudo o que eu consegui ver foi meia Fontana. A sorte é que eu já tinha visto inteira, então não fiquei tão puto assim;


- O aeroporto de Roma está em reforma. 100% em reforma. E ainda teve um incêndio há pouco tempo, então o terminal 3 está praticamente inoperante. Resultado: não tem lugar pra sentar, não tem restaurante (só lanchonete) e não tem tomada. E eu fiquei lá por 12 horas na minha volta pro Brasil. Tive que apelar para a cadeira e a tomada da capela (juro) e me sustentar de pizza;

- O embarque foi remoto, já que a Alitalia só opera no terminal 3. Aí passei por uma situação inédita: entrei no ônibus, ele foi do terminal 1 para o terminal 3 e chegando lá parou ao lado do finger. Nós subimos as escadas do finger (aquela do lado de fora) e entramos no avião PELO FINGER;

- Aí fui para Bruxelas. Voo tranquilo, sem problemas. Só que eu não sabia que era feriado na Europa no 1º de Maio e estava a Alemanha inteira na Bélgica. Fila de DUAS HORAS para subir no Atomium. DUAS HORAS. Para ficar 10 minutos lá em cima;

- Brugge estava lotada. A sorte é que fui muito cedo, então tive umas 3 horas de “paz”. Lá pra hora do almoço já estava intransitável. Sério, parecia aquelas cenas de final de ano na 5 de Março. Só que com pessoas mais bonitas (não posso dizer mais cheirosas);

- Em Brugge eu fiquei bem bêbado. Deve ser porque bebi o dia inteiro (em lugares distintos) e só fui comer umas 4 da tarde. E mesmo assim foi só essa batata ai embaixo;


- Bruxelas estava com várias coisas fechadas e em reforma. Aliás, isso aconteceu na viagem inteira. Tenho a impressão que a Europa está toda em reforma;

- A viagem para Amsterdã foi de trem. Não sei como as pessoas gostam de trem. Esse, pelo menos, era cara para as costas do banco e não cara para pessoas desconhecidas. E tinha wifi e tomada, então fui me divertindo nas horas de viagem. Pela distância, foi melhor que se tivesse ido de avião;

- Meu hotel tinha uma escada muito inclinada. E sem elevador. E eu estava no 4 andar. E minha mala pesada. Foi uma merda;

- Em Amsterdã eu tive certeza que não sei nada sobre sexo. Passei nos sexshops e não sabia para que servia metade das coisas. E confesso que fiquei assustado com outras que eu sabia para que servia, mas não entendi como alguém tinha prazer com aquilo;

- A vida das mulheres da Red Light deve ser muito triste. Elas estão lá qualquer dia, qualquer hora. Inclusive 8 da manhã de uma segunda-feira. E o treco tá decadente, não vi nenhuma bacana;

- Fui em Keukenhof. É muita tulipa nesse mundo. Depois de 15 minutos eu não aguentava mais ver flor. Mas como foi caro ir pra lá, gastei bem umas 3 horas lá. E para a minha sorte, os campos de tulipa já estavam todos colhidos, perdi uma das fotos mais legais de tirar;

- Não, não entrei em nenhum coffee shop. Devo ter sido o primeiro turista com menos de 40 anos a não entrar em um;

- Como diz um amigo meu que está morando lá, holandês é o Brasileiro desenvolvido. Muita burocracia (mas que funciona) e muita lei de Gerson. Não se respeita fila, por exemplo. Fiquei meio decepcionado;

- Em Londres eu achei que ia ficar ser mandado de volta pro Brasil. A mulher da imigração me perguntou milhões de coisas: de onde vir, onde ia ficar, quanto tempo, por que estava na Inglaterra, se eu tinha dinheiro, quanto eu tinha de dinheiro, para onde eu ia depois, quanto tempo eu ia ficar depois, quando eu voltava pro Brasil, no que eu trabalhava... Ainda pediu pra ver comprovante de hospedagem, passagem de saída da Inglaterra, passagem de volta pro Brasil. Só faltou pra pedir pra ver a minha cueca;

- Meu hotel era pior que o de Amsterdã. Eram 6 andares de escada apertada e inclinada sem elevador. Deu trabalho subir com a mala;

- Em Londres eu fiquei impressionado com o sistema de metro. É sensacional. Ainda mais eu, que moro em uma cidade com meia linha de metro, que leva nada ao lugar nenhum;

- Londres é impraticável. Não posso dizer que passei fome, mas não dá pra comer e beber bem a 5 reais a libra. Fiquei só no fish & chips e cerveja. Não entrei em lugar nenhum pago (mas não daria tempo). E passei 4 dias gastando só 55 libras, sendo que 25 foi com transporte;


- Os museus de Londres são cabulosos. Tem coisa que eu nunca imaginei que fosse ver (tipo a Rosetta Stone) em lugares que não cobram entrada. Passei muito do meu tempo dentro de museu (e não me arrependo);

- A ida para a Irlanda foi traumática. O aeroporto era longe (Stansted), lotado (não tem lugar pra sentar) e as filas quilométricas. O pior é a forma de embarque. Fica todo mundo concentrado no salão de embarque e pouco antes de a hora do portão fechar ele é indicado. Como é tudo longe, você precisa sair correndo. De verdade. São 12 minutos andando muito rápido. Meu pai perderia o voo;

- Aliás, um comentário: para sair da Inglaterra você não passa pela imigração. Palavras da mulher que me explicou isso no aeroporto, depois de eu perguntar 2 vezes “é sério?”: se você está indo embora, não queremos saber. Só estamos preocupados com quem vai entrar;

- Para piorar a experiência, o avião é apertado pra caramba (e olha que eu tenho 1,60m) e ainda fui premiado com um casal de mais ou menos 130 kg cada um segurando uma criança que não parava de chorar ao meu lado. A mulher, que estava do meu lado, ainda era sem noção e ficava encostando em mim o tempo todo, me impedindo de dormir. Um inferno;

- Na chegada à Dublin, mais uma vez achei que ia voltar para o Brasil. Não foi no nível de Londres, mas o maluco da imigração perguntou coisa pra caramba. Não pediu para ver nenhum papel, mas perguntou tudo o que a mulher da Inglaterra perguntou;

- Não se fala inglês na Irlanda. Eles falam Irish (não confunda com Gaélico. Irish é inglês com sotaque impossível de entender). Demorei a entender que era inglês e não gaélico que estavam falando comigo;

- Dublin é uma cidade pequena. E confesso que já estava muito cansado, então acabei não aproveitando tudo o que poderia. Mas a visita, principalmente pela Guiness. Cidade cara, aliás, não tomei nenhuma cerveja barata;

- A ida para o aeroporto de Dublin foi tenso. Achei que não fosse chegar a tempo O busão demorou pra passar e, quando passou, foram 3 de uma vez. Sorte que eu saio sempre com antecedência. Consegui embarcar, mas foi corrido;

- Só deu tempo de embarcar, na verdade, porque a Irlanda também não está preocupada com quem está saindo do país. Não tem imigração na saída, só na entrada. Mas o raio x é bem demorado;

- Indo para Zurique, mais um voo traumático. Uma família de indianos atrás de mim e bem atrás de mim uma menina de uns 10 anos mimada, que estava reclamando, chorando e chutando a minha cadeira. Eu não aguentei. Levantei, virei para trás e falei “você poderia, por favor, parar de chutar a minha cadeira? Pode reclamar, pode chorar, pode gritar, só não chute a minha cadeira”. A irmã dela ficou com vergonha e me pediu desculpas umas 5 vezes;

- Chegando em Zurique, mais uma imigração maldita. O cara também perguntou coisa pra caramba, só aceitou que eu entrasse quando falei que ia ficar 4 dias lá, 2 dias em Barcelona e depois voltava para o Brasil, para trabalhar na empresa X (que é uma multinacional). Fico imaginando como que meu pai, que não fala inglês, passaria por todos esses interrogatórios que eu passei;

- Zurique, bem, eu já conhecia. Foi queijo, chocolate, salsichão e cerveja. Minha irmã ainda me fez comer tudo o que eu não comi durante a viagem inteira.


- Minha mala saiu do Brasil com 15 kg. Em Zurique ela estava com 21, sendo que 3 foram só de chocolate. O resto foi copo que eu fui arrumando pelo caminho. Foram 9 no total;

- Fazer tudo caber na mala foi difícil. Tetris 3D, basicamente. Levei mais de uma hora (uma eternidade para mim, pois faço mala rápido). Para piorar, descobri que ela estava quebrada e o peso só piorou a situação. Mas fiz uma gambiarra com silvertape e rezei para ela aguentar o resto da viagem;

- Cheguei em Barcelona tranquilo, porque não ia ter mais interrogatório. Pelo menos foi o que eu pensei. Quando eu estava quase saindo da sala de desembarque um cara (o último entre eu e a porta) me parou e perguntou de onde eu estava vindo. Falei Zurique e ele perguntou “e antes?”, até eu contar todo o meu histórico. Aí pediu para passar minha mala no raio X. Eu já estava pensando “se ele pedir para abrir a mala eu choro”. Ele pediu;

- Se eu estava preocupado em ser extraditado nos outros aeroportos em Barcelona eu fiquei com medo de ser preso. O cara tirou TUDO da minha mala. Ainda furou o meu chocolate, para ver se era chocolate mesmo. Quando acabou, eu só olhava para todas as minhas coisas em cima de uma mesa e pensando “não vai caber de volta”. Magicamente coube. Acho que eu tinha decorado onde ia cada coisa;

- Se a Itália é o Brasil da Europa, a Espanha é a Argentina. Pelo menos Barcelona. Tudo meio bagunçado, pessoas não muito educadas (não chega no nível da Itália), mas pelo menos o sistema de transporte funciona. Comprei um BCN card que deu direito a andar a vontade de ônibus e metro;

- Gostei de Barcelona, mas achei as atrações turísticas meio caras. Fora as filas quilométricas. Quer dizer, fila mesmo não tinha muito, só que você comprava as entradas para 2 horas depois. Quando você está no centro ainda dá pra ir em outros lugares, mas no Park Guell não tem porra nenhuma em volta. E ainda é um morro gigantesco;

- A Sagrada Família é muito foda. Mas você espera 2 horas para entrar e quando entra, não tem muita coisa pra ver. Dá pra matar tudo em meia hora. Mas como é caro e a espera grande, gastei bem 2 horas lá dentro, lendo tudo, vendo tudo, cada detalhe. Eu só fico com pena do Gerente de Projeto da obra. 100 anos e aquela merda ainda está pela metade. Ainda vão mais uns 20 anos até ficar tudo pronto (ou seja: mais uma geração de GPs);

- O Park Guell é longe para caralho. E é pior que a Sagrada Família: duas horas e meia de espera, no meio do nada, e não tem quase nada pra ver. Lá eu fiquei puto demais de ter ido, porque deixei de ir a outros lugares (meu tempo era muito curto em Barcelona);

- O parque olímpico é outro que é longe pra caramba e que parece estar meio abandonado. Eu acho legal ir e imaginar como eram os dias de olimpíadas, a movimentação e tudo mais. Mas sinceramente só vá se você tiver tempo sobrando. Ah, e use as escadas rolantes. Elas ficam escondidas, mas você não precisa subir tudo a pé;

- No último dia de Europa eu comi Jamon. Ainda bem que foi no último dia, porque aquilo é droga em forma de carne. E é barato (mesmo convertendo para Real). Sem brincadeira, comi meio quilo em uma noite. Fácil, fácil. Foram 2 conjuntos desse aí (o sanduba já tinha Jamon);


- A volta para o Brasil também foi no modo lata de sardinha, sem espaço para esticar as pernas. Isso depois de 12 horas no aeroporto de Roma (como eu falei láááááá em cima). Cheguei em Guarulhos e ainda tive que esperar mais umas 3 horas, mas o que é um peidinho pra quem está cagado?

- Quando cheguei em casa ainda tive que lavar roupa e arrumar tudo. Descansar pra que?

Gostei muito da viagem. Ainda prefiro a primeira que eu fiz pela Europa (Alemanha e Itália), mas foi bem melhor. E dessa vez, como estava sozinho, consegui fazer só o que eu queria. E ainda pude beber o quanto eu queria. Com a cerveja barata como ela é (mesmo transformando em Real), não tem como não encher a cara feliz.

23 de abr. de 2015

Tá de boa

Antes que reclamem que esse blog está morto, deixa eu colocar aqui uma tirinha que resume bem a minha vida nos últimos 2 meses (abril, principalmente:


Só para exemplificar um pouco a razão disso:

- No dia 30 de março, uma segunda-feira, chego para trabalhar e meu telefone toca (8:30 da manhã). Era a portaria, falando que tinha uma carta para mim. Fui buscar e era um aviso de multa de um dos projetos. A multa pode chegar a 1 milhão;
- Pouco depois toca meu telefone. Era o cliente de outro projeto pedindo uma reunião para as 15:00. Aceitei. Fui. Ele estava paralisando um contrato guarda chuva. São mais ou menos 6 projetos. 10 pessoas paradas de uma hora para a outra. Mais 1,5 milhão que deixo de faturar nos próximos 3 meses;
- No dia seguinte, um terceiro cliente me liga. Fala que não quer pagar o boletim de medição inteiro, porque achou nosso trabalho ruim e que ia parar o trabalho. Eu já estava em um nível de putidão tão alto que briguei com o cara. E era a primeira vez que eu estava falando com ele (o projeto era de outro gerente, que saiu no meio do mês e me deixou a bomba). O cara aceita pagar, mas perco mais 150k de faturamento;
- O gerente de engenharia saiu de férias e eu fiquei no lugar dele. Porque eu quase não tenho problemas.....
- Estou trabalhando de 7:30 da manhã até 11:00 todo dia, tentando resolver todos os problemas acima E ainda dando explicações para a diretoria;
- Além disso tudo, ainda estamos com milhões de mudanças e problemas na empresa, além do mercado estar uma completa bosta. A minha cabeça (e a de todo mundo do escritório, na verdade) está em risco;
- Se fossem só os problemas do trabalho, estava bom. Mas tem mais: minha tia foi internada e está na UTI. Um câncer novo (ela teme 2 já, mas tem mais de 10 anos). E pelo estado dela, já deve ter dado metástase;
- Enquanto meu pai fica com ela no hospital, eu preciso cuidar da minha avó, que não pode ir para o hospital e nem dormir sozinha;
- Eu também fiquei doente e fui parar no PS. Não era nada demais, mas perdi uma manhã no médico e fiquei uma semana mal pra caramba;
- Minha mãe, com o egocentrismo normal dela (e absurdo), ainda fica me enchendo o saco para eu resolver os problemas do apartamento dela;
- Ah, lembra que eu vou viajar de férias? Pois é, é daqui uma semana. E ainda não consegui terminar de planejar a viagem (mas já tenho hotéis e passagens);
- O fato de eu sair de férias ainda piora mais a situação: tenho que deixar tudo resolvido até lá;
- Aliás, não preciso comentar que está tudo absurdamente caro, né? Paguei 5 reais na libra, 3,5 no franco suíço. Sorte que eu tinha euros da minha viagem de 2011. Vou passar fome, mas me recuso a trocar mais dinheiro.

Deve ter mais coisa, mas como está acontecendo tudo ao mesmo tempo agora, não consigo lembrar de tudo.

Torçam para que eu consiga sobreviver.

20 de abr. de 2015

9 anos de reclamações

Sim, sim, queridos leitores e leitoras, hoje é aniversário desse blog horroroso. NOVE anos de reclamações. O blog tá bem paradão (esse ano chega a ser absurdo, mas explico melhor em um outro post), mas eu juro que tenho tentado mante-lo vivo.

E para manter a tradição, dei um contadorDeAnos++ no título do blog (momento do "aaaaaaaaaahhhhh! Então é isso!!!! Que tosco..."). Apesar de que acho que todo mundo já sabe o que é aquele número lá, mas vai que tem um leitor novo. Esse ano foi até adiantado, porque no ritmo que eu ando podia não conseguir atualizar no dia certo. POst dá para agendar (esse foi agendado), mas alteração no layout não.

E vamo que vamo, rumo aos 10 anos.

19 de abr. de 2015

Habemus Pingo

Desde de o pai da Ruiva morreu ela tem se sentido muito sozinha. Eu não consigo encontrar com ela com muita frequência (assunto para outro post), normalmente nos vemos apenas no final de semana. Aí durante a semana ela fica sem companhia.

Desde o começo de janeiro ela tá com ideia de comprar um cachorro. Eu sempre falo: com tanto cachorro pra ser adotado, não faz sentido pagar 500 ronaldos para comprar um. E ela acabou concordando. E dia desse aí pra trás (deve ter coisa de 3 semanas a 1 mês, vi o post de uma amiga sobre alguns filhotes que foram achados no mato por uma amiga dela. Mostrei para a Ruiva e ela começou a gritar "Eu quero esse! Eu quero esse!!!", apontamdo para a foto do cabeçudo aí embaixo:


Ela combinou com a menina que tinha achado a ninhada e fomos lá pegar o cão. Quando chegamos lá, ele era o mais calmo de todos. "Maravilha", pensei. Foi só pegar no colo que achei um carrapato e um monte de falha no pêlo (na foto dá pra ver alguns). Mas levamos assim mesmo.

Chegamos em casa e percebi que ele estava infestado de pulgas e carrapatos. Passamos a tarde inteira catando, mais ainda tinha muito. Solução: comprar remédios. Passamos em uma loja e levamos:

- Coleira anti pulga e carrapato
- Xampu anti pulga e carrapato
- Vermifugo
- Pipipet, pra ensinar o bicho a mijar no lugar certo (tava inda na casa inteira)
- Ração (pois é...)
- Pote de comida e pote de água

Nisso aí foram 200 ronaldos.

Quando voltamos pra casa, ele estava assim:


Isso é uma caixa de uma cadeira que a Ruiva comprou no dia anterior.

No sábado seguinte, levamos ao veterinário para dar uma geral. E teve mais o seguinte:

- Sabão para sarna
- Remédio para sarna
- Vermifugo (sim, outro)
- Vacina (a primeira dose. São 3)
- Hemograma (não tinha ideia que existia hemograma pra cachorro)

E lá se foram mais 200 reais, além de 2 retornos marcados para as outras doses das vacinas.

Na quinta seguinte saiu o resultado do hemograma. Voltamos no veterinário e.... anemia. Isso gerou:

- Vitamina 1
- Vitamina 2
- Antibiótico 1
- Antibiótico 2

E menos 100 ronaldos na minha conta..... E mais uma consulta agendada, com aviso de que vamos ter que repetir o hemograma (ou seja, vai mais 100zão).

Fez a conta toda? Matematicamente falando era mais barato ter comprado um filhote, dado que ele vem sem bichos e vacinado (normalmente). Mas saber que fizemos uma boa ação me deixa menos puto.

Isso porque economizamos com cama. Catamos alguns edredons velhos, uma almofada velha e embrulhamos ele em uma toalha velha. Ficou até bonitinho:


O fato é que essas vitaminas que a veterinária passou fizeram efeito. O bichinho está impossível. É muita energia para um ser tão pequeno. Corre, morde, pula, morde, lambe, morde, rosna, morde, arranha, morde... Já falei que ele morde? Eu sei que ele quer brincar e só sabe fazer isso mordendo, mas vai gostar de morder lá no quinto dos infernos.

Já comprei um ossinho de silicone, uns pedaços de couro, um bicho de pelúcia..... nada faz ele querer parar de morder gente. Aliás, colha como ele fica com o bicho de pelúcia:


E os remédios par sarna também estão fazendo efeito. O pelo dele já está quase sem falha, o que é bom sinal. Só resta saber se essa pulgarada e carrapatarada que ele pegou quando estava na rua não passou nada pra ele. E nem se ele pegou raiva ou leishimaniose (é uma das possibilidades pra anemia parasitária dele).

O trabalho todo é compensado quando ele chega perto e começa a lamber. mais ou menos assim:


Mas que ele é filho do capeta, isso ele é. Com certeza....

Ps. Sim. as fotos estão uma porcaria. É que o bicho não para quieto, não tem como dar foco.

10 de mar. de 2015

Coelhadas

Sim, este blog ainda existe. Tá parado, mas ainda existe. E a melhor forma de colocar os assuntos em dia é o com fatos rápidos:

- Vou tirar férias. Consegui uma super promoção de milhas para a Europa e e maio vou pra lá. Óbvio que invoquei Murphy e a libra subiu pra mais de 5 reais e o Franco suíço tá quase passando o euro. Mas isso é um mero detalhe;

- Vou para Roma (chego por lá, na verdade), depois Bruxelas, Amsterdã, Londres, Dublin, Zurique, Barcelona e volto pra Roma, para voltar pra BH. Aceito dicas de locais para ficar, de preferência baratos e familiares (estou velho para hostel putaria muito louca);

- Já comprei todas as passagens entre os países, menos uma: um trem de Bruxelas pra Amsterdã. Isso porque só aceita o tal verified by visa e essa porra não funciona nem fudendo no banco do Brasil;

- Aliás, um comentário: eu nunca tinha usado o sistema online do banco do Brasil. Agora eu entendi porque todo mundo reclama. Realmente é uma bosta. O engraçado é que eu sou muito fã de todo o resto do Brasil, só essa merda online que não gostei. Um dia conto a saga para liberar o Home banking;

- No mês de fevereiro ganhei um mega vale-night, pois a ruiva foi passar um tempo na França. Planejei fazer 200 coisas (como atualizar o blog) e acabei não fazendo nada. Me senti um inútil;

- A vida no trabalho não está fácil. O mercado está uma merda e estão rolando demissões. O escritório do Rio já reduziu mais da metade. E viva a economia brasileira;

- O clima está muito tenso e estou em pé de guerra com um cara do trabalho. Acho que é a primeira vez que realmente fico puto com um cara da empresa (puto de verdade, a ponto de cogitar sair na porrada). Mas estou me controlando;

- Estou escrevendo este post do hospital. A ruiva fez merda e tive que sair correndo de casa pra trazer ela pra cá. A princípio está tudo bem. Vamos aguardar;

- A empresa me deu um aparelho novo. Já não estava mais aguentando meu S2 surrado, então acabei pegando um s4 mini. Estou usa do há menos de 12 horas e já quero km garantir na parede, de tão ruim. Mas estou achando que é o teclado que está pesado, não todo o resto do software;

- O s4 mini usa micro chip. Precisava então trocar o meu, pois o do s2 é o grande. A burocracia da vivo era tão grande que desisti e cortei o chip que tinha. Funcionou;

- Ganhei um copo da Kwak de presente de natal da ruiva. Queria postar aqui a foto, mas da muito trabalho pelo celular. Quem sabe que do o Blogger tiver um aplicativo decente;

- Ganhei outros 2 copos muito bacanas, mas não chegam aos pés do kwak;

- Contei que meu HD suicidou? Acho que sim. Pois bem, ganhei um hd novo de aniversário e natal da veia. Chegou hoje (sério!);

- Contei que comi pacoquita cremosa? Pois é, comi. E não achei muito graça não. Em compensação, como um doce chamado paçoca de colher que, meus amigos.... Que doce;

- Minha sobrinha veio pro Brasil junto com minha irmã. Tá uma beleza ela falando alemão, alemão suíço, português e inglês numa única frase. E olha que as frases dela costumam ter 6 palavras;

- Tem alguém roncando absurdamente aqui no hospital. Tá uma beleza;

- Dei uma olhada rápida em formas de sair do Brasil para trabalhar. Uma das opções era o Canadá, que tá recrutando. Desisti com a burocracia;

- Sempre me falaram que a ignorância é uma bênção. O duro é quando você descobre as coisas, e pior ainda quando é sem querer. Não, não fui chifrado, é outra coisa;
- Recentemente passei pelo suplício de comprar sapato. Eu odeio comprar sapato, porque meu pé é alto e largo, nenhum sapato cabe nele. Comprei o primeiro que coube e que não custava um rim. No final, até que é confortável;

- Aliás, acho que não comentei aqui: estava sentindo uma dor no pé há mais de ano. Aí te meu vergonha na cara e fui ao medico. Ele me atendeu em 2 minutos e mandou fazer uma ressonância. Fiz a tal ressonância e descobri que estou com fasceite (o famoso esporão). Resultado: fisioterapia;

- Fisioterapia é uma das coisas mais chatas que existe no mundo. São 4 exercícios que faço em 10 minutos e mais 20 minutos de gelo. Um saco. E o pior é que eu não acho que está melhorando.

Bom, acho que é isso. Certamente teria mais coisa pra contar, mas já está tarde e eu estou com sono. E ainda falta um monte pra eu sair do hospital...

5 de jan. de 2015

Os fantasmas se divertem

Aqui em casa sempre acontece umas coisas estranhas. O suicídio e a ressurreição da minha TV, por exemplo (caramba, esses posts são velhos!). E no final de dezembro tivemos um novo evento: o suicídio do meu HD externo.

Como o ano estava acabando, resolvi formatar o meu notebook do trabalho (que estava um lixo). Fiz o backup de tudo num final de semana (na verdade, só atualizei) e deixei o note com o cara da TI. Antes, só por precaução, copiei um arquivo de emails do projeto em um pen drive. Sabem como é, sou um backup freak.

Três dias depois, pego meu notebook e já de madrugada, quando chego em casa (foi um dia de muito trabalho, pra variar), resolvo copiar o backup para o note e testar no dia seguinte no trabalho (tinha que estar tudo funcionando antes das férias coletivas e su só teria 2 dias pra resolver qualquer problema). Liguei o notebook, liguei o HD (que é grandão, da época que 1 TB era uma coisa absurda e tinha que ter até fonte externa pro HD, pois os 5 volts do USB não davam conta) e deixei sincronizando. Como eu sabia que ia demorar, fui dormir as 4 horas que me restavam de noite.

Mais ou menos uma hora depois eu acordo com um barulho alto. Olho para o lado e vejo meu HD no chão, agonizando (sério, ele estava fazendo um barulho sinistro, típico de agonia). Sem entender o que estava acontecendo, levantei, olhei para ele, pensei "fudeu, quebrou", olhei para o meu pen drive, copiei o arquivo pst do projeto e fui dormir. "Depois eu vejo isso aí".

No dia seguinte, fui tentar entender o que aconteceu. Até hoje eu não consegui entender. O bagulho era todo emborrachado, não sei como ele "pulou" da baqueta em que estava para o chão. O fato é que não funciona mais. A minha sorte é que o arquivo mais importante, o dos emails do projeto, estava no pen drive. E sorte mesmo que eu sou backup freak e tenho a cópia dos arquivos todos em outros 2 HDs (no meu desktop e no meu notebook particular). Os dois estavam meio desatualizados (coisa de 1 mês), mas tudo o que eu precisava estava na rede da empresa e/ou não tinha sido atualizado recentemente. A única perda foi 1 arquivo de emails, mas que não era tão importante assim.

E ainda me perguntam por que eu sou tão psicopata com backups.....

Mas que tem algum espírito brincalhão aqui em casa, isso tem.

2 de jan. de 2015

Retrospectiva 2014

É, eu sei. Já estamos em 2015. Mas não consegui fazer em 2014, então não reclamem.

Aliás.... 2014 foi um ano de poucos posts. Segundo o blogger foram apenas 39. Isso dá praticamente 3 posts por mês. Uma vergonha. Mas tem uma razão: 2014 foi o ano que eu mais trabalhei na vida. Eu trabalhei pra caralho. Mas vamos na ordem cronológica (imagina aí um efeito de flashback).

Comecei o ano morando no Rio. Era para eu ter voltado em 2013, mas como não tinha projeto em BH e ainda precisavam de mim no Rio, estiquei a minha estadia na cidade calamitosa. Fiquei até o final de fevereiro, se não me engano (não tem post nenhum esse ano, tô tendo que tirar tudo da minha já ruim memória). Aí teve carnaval, férias e voltei a trabalhar em BH em abril (ou no dia 30 de março, pelo que estou vendo no calendário).

A minha vida no rio era uma mamata (dentro dos meus padrões), principalmente depois que mudamos de prédio (que era longe pra caralho e tinha horário de ônibus para ir e voltar). O trabalho era tenso (envolvia demissões), mas eu trabalhava lá umas 9 horas por dia (dia ou outro eu ficava um pouco mais - uma vez me fodi, inclusive), mas em termos de volume, não era nada absurdo.

Além de "pouco" trabalho, eu ainda conseguia correr (cheguei a emagrecer um bocado) e visitar uns poucos lugares do rio que ainda não conhecia (e tinha vontade de conhecer, lógico). O Rio também me rendeu um sequestro. Até hoje eu encho o saco do Véio com isso. A vantagem da temporada no Rio é que ganhei milha pra caralho e cheguei a virar diamante na Gol. Mas também tive momentos de tensão nas viagens (não podia ser fácil).

O lado bom dessa primeira fase do ano é que terminou, finalmente, meus contratos de Manaus. Na teoria não preciso voltar mais lá, mas vez ou outra pinga um email na minha caixa de entrada para resolver.

A primeira fase foi encerrada com merecidas férias. Fui para o Rio Grande do Sul e para o Uruguai. Conheci umas 8 cidades nessa brincadeira (em....10 dias?). Tudo cidade pequena e sem muita coisa pra ver. E praticamente conta como 2 países, dada a diversidade do RS.

Aí eu voltei pra BH e meu amigo... foi o caos. Foi (está sendo, na verdade) o projeto mais merda que eu já peguei. Já trabalhei mais em picos de um mês, mas estou num ritmo cabuloso desde que peguei esse projeto maldito. Até durante os jogos do Brasil na copa eu trabalhei. Era tanto trabalho que eu não tinha forças para blogar (e nem tinha muito assunto, já que eu só trabalhava). Eu só ligava o computador em casa para trabalhar. Se não tivesse que trabalhar, não queria nem ver a tela brilhando. Tela, aliás, que queimou e eu tive que trocar.

Apesar de todo esse caos, eu ainda consegui algumas proezas, como trocar de carro (que tinha até som e me fez mudar a forma de dirigir), dar um pulo no Paraguai (e voltar sem nenhuma muamba), comprei um notebook novo (o antigo estava uma merda), sair com uma menina (mesmo que por pouco tempo) e ainda engatar um namoro (esse eu ainda não sei como consegui).

O saldo do ano foi negativo. Apesar de ter conseguido algumas coisas boas (a Ruiva, por exemplo), sinto que perdi um ano só trabalhando. Tanto que meu chefe chegou a fazer piada que eu precisaria fazer reintegração à sociedade. E ele não estava brincando: eu realmente passei um ano afastado do mundo.

E como o ano foi de merda, terminou da pior forma possível: com o falecimento do pai de um amigo. Ou seja: comecei 2015 indo a um enterro.

Tomara que este esterro seja também simbólico de um ano de merda e de um período sem vida. Que 2015 seja muito melhor.

22 de dez. de 2014

Início de namoro modo hard

Eu sei, eu ando muito sumido. E tem uma razão: estou namorando. E esse é o início de namora mais difícil que eu já tive. Não por ela (que vou chamar de Ruiva), mas por tudo o que aconteceu desde que nos conhecemos. Então vamos de historinha....

Saímos pela primeira vez em 2 de novembro. Sim, finados. Era um presságio e eu não sabia. Eu já conhecia a história dela e não era pra qualquer um aguentar sem ficar um pouco maluco não:

- Estudou veterinária;
- Largou tudo quase formando e foi fazer direito;
- Logo que entrou na faculdade o pai teve um AVC e ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado;
- Terminou um longo namoro com um médico pouco antes de formar;
- Formou;
- Pouco depois de formar a mãe ficou doente e foi internada. O responsável pelo andar era o ex-namorado ela. A médica responsável era a atual namorada do ex-namorado;
- A mãe faleceu e ela teve que largar quase tudo para cuidar do pai.

Nos 11 meses antes de nos conhecermos ela estava estudando para concurso e cuidando do pai. Aí saímos e duas semanas depois o pai dela foi internado. No mesmo hospital onde a mãe dela ficou. No mesmo andar. Aquele andar que o responsável era o ex-namorado dela. E não era nada simples, teve direito a UTI logo de cara. Mas ela ficava lá, do lado dele (quando ele saiu da UTI), o dia inteiro e a noite inteira.

DOIS DIAS antes de completar um ano da morte da mãe dela, o pai dela morreu (três dias antes do meu aniversário). Eu larguei tudo o que estava fazendo pra ajudar. E conheci a família dela no velório, da seguinte forma:

- Esse é meu irmão. Essa é minha cunhada. Essa e minha sobrinha. Essa é minha avó. E esse é meu pai (deitado no caixão).

Bacana, né? Pois é, isso tudo na fase final do meu projeto, precisando entregar 5 relatórios, 2 apresentações e ainda tendo que gerenciar a equipe. Tudo isso a distância, no cemitério.

Eu não comemorei meu aniversário, óbvio. E esse ano não tinha muito o que comemorar mesmo, foi um ano de merda. E as duas semanas seguintes foram complicadíssimas. Era um olho no peixe (a Ruiva) e outro no gato (o projeto). Cada dia um deles me deixava acordado de madrugada. E teve dia que foram os dois: e fui pra casa dela e, depois que ela dormiu, eu liguei o computador pra trabalhar.

Agora, que estou de "férias" (são coletivas e eu estou de sobreaviso), consigo dar bastante atenção pra ela. Mas não está sendo fácil, porque tem uma prova do concurso que ela estava estudando há quase 1 ano no comecinho de janeiro.

Eu sempre namoro mulheres com problemas familiares, mas essa está sendo benchmark.