27 de dez. de 2015

Quando eu bati o carro

Eu tenho carteira de motorista há mais de 15 anos. Tirei com 18 anos, no meu primeiro exame. Nunca tomei uma multa. Por incrível que pareça, sou calmo no trânsito. Nunca bati o carro (em outro carro. Já dei algumas raladas em pilastras). Motorista exemplar.

Isso tudo era válido até Outubro deste ano. Dia 27, para ser mais exato. Uma terça-feira (lembro sem consultar o calendário, mas pode conferir aí). Saí de casa mais ou menos no horário que sempre saio. Fiz o caminho que sempre faço. Parei no cruzamento da Francisco Deslandes com a Pium-I, como sempre faço. Esse aqui:


Aqui tem um street view do lugar:


A situação, no dia, era muito parecida com a da foto acima: um carro na minha frente, um toldo tampando a visão. No meu caso, ainda tinha um carro na Pium-i, piorando ainda mais a visão.

Como sempre faço, avancei junto com o carro da frente, para melhorar a visão. Vinha um carro uns 2 quarteirões para cima e, assim que o carro da frente avançou, dei uma nova conferida para ver se dava tempo e fui junto. Antes mesmo de olhar pra frente senti o meu carro parando. Demorou alguns milissegundos para entender o que tinha acontecido. Quando caiu a ficha, desliguei o carro, respirei fundo e sai para ver o estrago.

Sim, eu bati o carro. A mulher desistiu de seguir segundos depois de arrancar o carro. Segundo ela, porque o carro que estava 2 quarteirões pra cima estava muito rápido. O carro dela amassou quase nada. O meu, desfez a frente. Essa história de absorver o impacto. Já tinha gente buzinando e eu só falei com a mulher pra gente encostar para liberar e aí ela falou:

- Não. Depois você foge.
- ????? Tá maluca? Eu não vou fugir. Encosta ali ó.
- Não. Ano passado fizeram isso e o cara fugiu.
- Toma. Pega meu celular. Vale mais que esse amassado.

Ela realmente PEGOU meu celular para encostar. Conversamos um tempo e definimos que tinha que passar na PM para fazer um BO. Mais uma vez a mulher ficou "você não vai fugir, né?" e eu tive que entregar meu celular novamente.

Fizemos o BO e, como meu seguro era ali perto, resolvemos já passar lá para fazer o sinistro e, no meu caso, já deixar o carro para arrumar. Chegamos lá, entreguei meu cartão de identificação e a mulher começa a procurar meu nome. E não acha. Tenta pelo CPF e nada. Aí eu olho no calendário e penso "fudeu".

Como eu disse, era dia 27 de Outubro. Meu seguro venceu no dia 26 de Outubro. Eu tinha renovado, mas ainda não tinha recebido a nova apólice. E fiquei com o toba na mão de não ter sido renovado, já que a mulher estava não estava encontrando. Liguei para a minha corretora, expliquei a situação e ela falou que estava tudo OK. Coloquei ela pra conversar com a atendente e... não adiantou.

Fiquei lá umas duas horas esperando a situação ser resolvida. Quando resolveu, descobri que não ia poder sair com meu carro. E que não ia começar a manutenção enquanto a apólice não saísse. E a apólice só iria sair quando eu pagasse a primeira parcela, que seria só em meados de novembro. Ou seja, ficaria pelo menos um mês sem carro.

Uns 15 dias depois, recebi um email falando que a manutenção tinha sido autorizada. Fiquei mais tranquilo e pude pegar o carro reserva da seguradora por 15 dias. Supostamente, a manutenção iria levar 2 semanas, então estava tranquilo.

Passados os 15 dias, liguei na oficina para saber se estava tudo ok, se o carro estava pronto e fui surpreendido com o diálogo a seguir:

- Não recebemos a autorização ainda.
- Como não? Recebi um emial tem 10 dias
Ouvi uma voz no fundo falando "chegou sim". E o cara falou:
- Ah, tá aqui. Chegou ontem no fim do dia.
- E quanto tempo leva para ficar pronto?
- Pelo menos 15 dias. Só para chegar as peças são pelo menos 7 dias.

Fiquei puto. Se eu não ligasse ia ficar mais um tempo infinito lá, parado. Levou mais uns 10 dias para o carro ficar pronto, até menos que o previsto. E quando peguei, estava realmente bom. Trocaram tudo o que estava estragado, ficou novo.

Mas eu fiquei puto, pois não posso mais falar que nunca bati o carro. Além de ter ficado muito tempo sem carro.

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