Como a gente tinha acabado de voltar do Brasil e gastamos uma fortuna em passagens, tinha combinado com a Ruiva de que esse ano a gente ia passar o ano novo em casa. As festas estavam muito caras e ninguém que a gente conhecia tinha convidado a gente pra fazer nada.... até dia 31 às 2:30 da tarde. Mais ou menos nesse horário uns brasileiros colegas de "colégio" da Ruiva perguntaram o que a gente ia fazer e se a gente queria ir pro mesmo lugar que eles.
(parêntesis) A história desse povo é meio diferente: são duas irmãs enfermeiras que casaram com dois engenheiros (que pelo que eu entendi eram amigos) e por algum motivo resolveram mudar pra cá. Os 4 tem entre 25 e 30 anos. As mulheres conseguiram visto de trabalho (aparentemente tá faltando enfermeiro aqui) e convenceram os maridos a vir. Detalhe: os homens não falam inglês direito, então tão fazendo aula de inglês pra se preparar e daqui um tempo procurar trabalho. Nesse meio tempo tão todos morando no mesmo apartamento para economizar grana. (fim do parêntesis)
A tal festa começava as 6 da tarde, mas como as mulheres estava dando plantão, os 4 só chegariam na festa por volta das 9. Como a Ruiva não conhecia mais ninguém, achamos prudente chegar mais ou menos junto com eles.
Na minha cabeça, ia ser uma festa cheia de gente, começando a beber 6 da tarde, então na hora que a gente chegasse ia estar todo mundo bêbado e ninguém notaria dois desconhecidos. Topei ir, já que a Ruiva tava doida pra não passar Ano Novo em casa.
A festa era naquele esquema “leve o que for beber e comer”, então passamos no supermercado e compramos uns belisques. Levei umas 4 cervejas que tinha na geladeira, só pra falar que tinha bebido alguma coisa, e fomos pro lugar.
Aqui é o inverso de Manaus: pra compensar as temperaturas frias do lado de fora nego mete aquecedor no 25, e normalmente nessa temperatura eu já estou desconfortável com o calor (em Manaus botam o ar condicionado no 15), então resolvi ir de bermuda mesmo. Afinal, já teria mais de 3 horas de festa, ninguém ia perceber.
Chegamos no endereço que passaram pra gente e de cara achei estranho: não tinha quase nenhum carro na rua (2 carros na entrada da garagem, como toda casa, e um na rua) e nada de barulho. As luzes apagadas. “Será que tamo no lugar certo?”, perguntei. A Ruiva ligou pra um dos caras e sim, estávamos no lugar certo.
Entramos na casa e tinha 5 adultos americanos, uma criança americana e os 4 brasileiros amigos da Ruiva. Metade deles estava sentado em frente a TV, jogando Mario kart. A outra metade sentada à mesa, jogando algum jogo de cartas parecido com Magic. Nem música ambiente tinha, pra dar aquela animada.
Eu entreguei o que eu tinha levado pra dona da casa e ela perguntou o que a gente queria beber: chocolate quente, suco e café DESCAFEINADO. Não, não tinha ninguém bebendo. Nem café de verdade tinha (o que eu não tomo, mas fiquei assustado mesmo assim).
Eu não sabia o que fazer com a cerveja. Sim, eram só 4 latinhas, mas como não tinha ninguém bebendo, não sabia se não podia beber (tem gente que não permite álcool em casa) ou se eram só pessoas conscientes que não queriam dirigir depois de beber. Mas como não tinha nem café de verdade, chuto que era a primeira opção. Fato é que fiquei no 7up que levei pra Ruiva (que por sorte também é sem cafeína).
Alguns minutos depois a galera do Mario kart me chamou pra jogar e, passada uma hora resolveram mudar para Catan (aliás, você já jogou Catan? Eu joguei pela primeira vez na terça e, cara, que jogo legal! Recomendo!).
Poucos minutos antes da virada, a dona da casa abre um suco de uva com bolhas (o que praticamente me convence que realmente não pode álcool na casa), bota 2 dedos em cada copo e chama todo mundo pra um brinde. Meia noite, todo mundo fala “Feliz ano novo!”, brinda, uns se abraçam e.... é isso aí.
Um casal de americanos com a criança (que devia ter seus 10 anos ou mais) vai embora poucos minutos depois da virada. Os que ficaram ainda jogaram um jogo interativo por mais uns 40 minutos. Resultado: 1 da manhã e eu já estava em casa, de pijama, tomando uma cerveja pra comemorar o ano novo.
Ah, alguns detalhes que esqueci de falar:
- Na casa não pode entrar de sapato (o que é bem comum aqui) e eles ofereceram pantufas;
- O dono da casa estava claramente de pijama. Era uma calça de moletom cinza furada, uma blusa branca quase transparente e um casaco de moletom com gorro;
- A dona da casa estava com uma blusa mais arrumadinha, mas a calça certamente era de pijama também;
- Os convidados americanos também estavam bem à vontade. Nada de roupa arrumada como nas festas brasileiras (o que me deixou até mais tranquilo de ter ido de bermuda);
- Em Albuquerque (ou talvez seja até no Novo México todo) não pode soltar fogos de artifício. Foi o ano novo mais silencioso da história;
- A dona da casa DEVOLVEU tudo o que não foi consumido, entregando para quem levou (sim, levei minhas cervejas de volta pra casa)
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2 de jan. de 2020
12 de nov. de 2017
As bizarrices da casa nova
A casa nova é cheia de coisas entranhas. A história do prédio é a seguinte: quatro irmãos compraram um terreno e resolveram construir um prédio. Cada um ficaria com um apartamento e cada apartamento teria sua área privativa: os de baixo com área externa lateral, os de cima com cobertura. Aí, depois de pronto o prédio, cada irmão foi fazendo os seus puxadinhos. Um usou a área externa pra fazer uma garagem, o outro botou uma piscina, o terceiro construiu um quarto a mais... e por aí vai.
No meu caso, o cara fez puxadinhos DENTRO do apartamento. E muitas gambiarras. MUITAS. O que gerou bizarrices. Vamos a elas.
Certamente esqueci de alguma coisa, se precisar depois eu faço um outro post complementado.
No meu caso, o cara fez puxadinhos DENTRO do apartamento. E muitas gambiarras. MUITAS. O que gerou bizarrices. Vamos a elas.
- Uma das varandas possui luz no teto, mas não possui interruptor para ligar a luz (deve ter ficado atrás de algum armário);
- A outra varanda não tem ralo. Só me atentei pra isso depois de jogar um balde de água;
- Num dos banheiros o cara colocou uma mini banheira. Para isso, teve que colocar a privada colada em uma quina. Isso faz com que você precise sentar de lado;
- A banheira também gerou uma parede nova, que foi feita de vidro. E aí da cama você consegue ver as pessoas na manheira (parece um motel);
- Um dos armários fica numa quina e para pegar as coisas dentro dele precisa ENTRAR nele. Mas ele não foi preparado para isso e o piso enverga quando você entra;
- Colocaram armários em cima da cama. Pra pegar coisas lá precisa de escada e se debruçar sobre a cama (e um pouco de contorcionismo, no emu caso);
- O escritório tem uma tetra chave na porta. Fiquei pensando o que precisaria ser trancado DENTRO de casa. Preferi não descobrir;
- A sala tem SETE tomadas (sério). Os quartos tem uma (nenhuma delas perto da cama);
- A sala é menor que a cozinha;
- Tem um armário EM CIMA da coifa do fogão. É impossível eu pegar coisas lá, mesmo com escada, dada minha baixa estatura;
- Tem um escorredor de prato dentro do armário, em cima da pia da cozinha. Só que o armário é fechado e a água fica empoçada;
- O espaço para fogão é minúsculo, mesmo com uma cozinha gigante. Tive que comprar um fogão de 49 cm de largura pra caber;
- Tem uma porta de vidro e uma janela entre a cozinha e a lavanderia. Ainda não entendi a razão;
- Tem DOIS pontos de TV a cabo NA COZINHA;
- Tem DOIS ventiladores de teto NA COZINHA;
- O teto da lavanderia é de gesso. Não podem prender varal nele;
- Tem uma tábua de passar numa das paredes da lavanderia, mas não tem tomada perto (só do outro lado, no espaço da máquina de lavar;
- O cabo da TV vem POR FORA do prédio e entra no quarto pela porta da varanda (que não fecha por causa disso);
- O cabo da TV atravessa 4 cômodos da casa (e várias paredes) até chegar no escritório;
- O cabo do telefone atravessa outros 4 cômodos e paredes até chegar no escritório;
- Na varanda tem SEIS tomadas enfileiradas na mesma parede, a uma distância de 20 cm entre elas e a 1,5 metro de altura;
- No banheiro da varanda tem uma porta de vidro entre o box e a parede da janela, com um espaço de 20 cm entre eles.
Certamente esqueci de alguma coisa, se precisar depois eu faço um outro post complementado.
5 de jan. de 2015
Os fantasmas se divertem
Aqui em casa sempre acontece umas coisas estranhas. O suicídio e a ressurreição da minha TV, por exemplo (caramba, esses posts são velhos!). E no final de dezembro tivemos um novo evento: o suicídio do meu HD externo.
Como o ano estava acabando, resolvi formatar o meu notebook do trabalho (que estava um lixo). Fiz o backup de tudo num final de semana (na verdade, só atualizei) e deixei o note com o cara da TI. Antes, só por precaução, copiei um arquivo de emails do projeto em um pen drive. Sabem como é, sou um backup freak.
Três dias depois, pego meu notebook e já de madrugada, quando chego em casa (foi um dia de muito trabalho, pra variar), resolvo copiar o backup para o note e testar no dia seguinte no trabalho (tinha que estar tudo funcionando antes das férias coletivas e su só teria 2 dias pra resolver qualquer problema). Liguei o notebook, liguei o HD (que é grandão, da época que 1 TB era uma coisa absurda e tinha que ter até fonte externa pro HD, pois os 5 volts do USB não davam conta) e deixei sincronizando. Como eu sabia que ia demorar, fui dormir as 4 horas que me restavam de noite.
Mais ou menos uma hora depois eu acordo com um barulho alto. Olho para o lado e vejo meu HD no chão, agonizando (sério, ele estava fazendo um barulho sinistro, típico de agonia). Sem entender o que estava acontecendo, levantei, olhei para ele, pensei "fudeu, quebrou", olhei para o meu pen drive, copiei o arquivo pst do projeto e fui dormir. "Depois eu vejo isso aí".
No dia seguinte, fui tentar entender o que aconteceu. Até hoje eu não consegui entender. O bagulho era todo emborrachado, não sei como ele "pulou" da baqueta em que estava para o chão. O fato é que não funciona mais. A minha sorte é que o arquivo mais importante, o dos emails do projeto, estava no pen drive. E sorte mesmo que eu sou backup freak e tenho a cópia dos arquivos todos em outros 2 HDs (no meu desktop e no meu notebook particular). Os dois estavam meio desatualizados (coisa de 1 mês), mas tudo o que eu precisava estava na rede da empresa e/ou não tinha sido atualizado recentemente. A única perda foi 1 arquivo de emails, mas que não era tão importante assim.
E ainda me perguntam por que eu sou tão psicopata com backups.....
Mas que tem algum espírito brincalhão aqui em casa, isso tem.
Como o ano estava acabando, resolvi formatar o meu notebook do trabalho (que estava um lixo). Fiz o backup de tudo num final de semana (na verdade, só atualizei) e deixei o note com o cara da TI. Antes, só por precaução, copiei um arquivo de emails do projeto em um pen drive. Sabem como é, sou um backup freak.
Três dias depois, pego meu notebook e já de madrugada, quando chego em casa (foi um dia de muito trabalho, pra variar), resolvo copiar o backup para o note e testar no dia seguinte no trabalho (tinha que estar tudo funcionando antes das férias coletivas e su só teria 2 dias pra resolver qualquer problema). Liguei o notebook, liguei o HD (que é grandão, da época que 1 TB era uma coisa absurda e tinha que ter até fonte externa pro HD, pois os 5 volts do USB não davam conta) e deixei sincronizando. Como eu sabia que ia demorar, fui dormir as 4 horas que me restavam de noite.
Mais ou menos uma hora depois eu acordo com um barulho alto. Olho para o lado e vejo meu HD no chão, agonizando (sério, ele estava fazendo um barulho sinistro, típico de agonia). Sem entender o que estava acontecendo, levantei, olhei para ele, pensei "fudeu, quebrou", olhei para o meu pen drive, copiei o arquivo pst do projeto e fui dormir. "Depois eu vejo isso aí".
No dia seguinte, fui tentar entender o que aconteceu. Até hoje eu não consegui entender. O bagulho era todo emborrachado, não sei como ele "pulou" da baqueta em que estava para o chão. O fato é que não funciona mais. A minha sorte é que o arquivo mais importante, o dos emails do projeto, estava no pen drive. E sorte mesmo que eu sou backup freak e tenho a cópia dos arquivos todos em outros 2 HDs (no meu desktop e no meu notebook particular). Os dois estavam meio desatualizados (coisa de 1 mês), mas tudo o que eu precisava estava na rede da empresa e/ou não tinha sido atualizado recentemente. A única perda foi 1 arquivo de emails, mas que não era tão importante assim.
E ainda me perguntam por que eu sou tão psicopata com backups.....
Mas que tem algum espírito brincalhão aqui em casa, isso tem.
8 de out. de 2014
Antissocial
Eu sempre soube que era antissocial e nunca escondi isso de ninguém. E quem me conhece também sabe disso, mesmo sem eu ter comentado. Está no meu ser. Aí, um tempo atrás, recebi um email da Raquel com o seguinte título: "Antissocial" e no corpo do email, apenas um link.
Abri e fui lendo. Era mais ou menos assim: "verdade", "verdade", "verdade", "nem tanto", "isso não", "isso é a minha vida", "verdade", "certeza", "verdade"...
Chegou a impressionar a quantidade de coisas que eu faço que estava descrito naqueles 30 itens (contei 21). Eu colocaria mais umas 3 ou 4 coisas na lista, mas a lista é bem completa.
Qual foi o seu placar?
Em tempo: para quem ficou curioso, a 6 foi a que eu falei "essa é a minha vida".
Abri e fui lendo. Era mais ou menos assim: "verdade", "verdade", "verdade", "nem tanto", "isso não", "isso é a minha vida", "verdade", "certeza", "verdade"...
Chegou a impressionar a quantidade de coisas que eu faço que estava descrito naqueles 30 itens (contei 21). Eu colocaria mais umas 3 ou 4 coisas na lista, mas a lista é bem completa.
Qual foi o seu placar?
Em tempo: para quem ficou curioso, a 6 foi a que eu falei "essa é a minha vida".
6 de out. de 2014
Comentário desnecessário
Chegamos naquela fase do projeto que, depois de tantas reuniões com o cliente, ele virou amigão. Pelo menos é o que ele acha. Eu continuo tratando como cliente.§Mas eis que durante uma reunião o cliente comenta:
- Essa empresa é demais
- Hein?
(ele aponta para uma mulher da empresa)
- Ah, tá. - respondo
- Mas você não pode olhar. Você é casado. (detalhe: ELE é casado. Eu não)
- Eu não sou casado.
- Ó, achei que fosse. Já tá na hora, hein?
- É.
- Mas eu te entendo. Quando eu era solteiro e mais novo, eu era tão galinha que meu pinto até afinou.
Aí eu mudei de assunto. Informação demais. Sorte que n§ao tinha nenhuma mulher na sala na hora.
- Essa empresa é demais
- Hein?
(ele aponta para uma mulher da empresa)
- Ah, tá. - respondo
- Mas você não pode olhar. Você é casado. (detalhe: ELE é casado. Eu não)
- Eu não sou casado.
- Ó, achei que fosse. Já tá na hora, hein?
- É.
- Mas eu te entendo. Quando eu era solteiro e mais novo, eu era tão galinha que meu pinto até afinou.
Aí eu mudei de assunto. Informação demais. Sorte que n§ao tinha nenhuma mulher na sala na hora.
24 de ago. de 2014
E aí eu fui pro Paraguai
Não, não é um bem vindo. Não estou com tempo pra isso. Mas esse blog anda muito empoeirado então resolvi postar alguma coisa.
Se não me engano, postei aqui que consegui uma super promoção de milhas da Gol para o Paraguai e aproveitei um feriado de BH para colocar mais uma bandeira em um país da América do Sul (agora falta Bolívia e, se voltar a ser um país normal, Venezuela).
E assim foi. Na ida, tinha uma espera considerável em Guarulhos e finalmente pude aproveitar tudo o que o smiles pode oferecer: usei a sala VIP da Gol. E que sala, meus amigos. Ela é gigante e tem comida e bebida pra caralho. Não me perguntem a razão, mas não tirei nenhuma foto... Mas acreditem, foi realmente tratamento VIP.
Só que o vôo atrasou e eu acebi ficando umas 2 horas em frente o portão de embarque (ainda era embarque remoto).
Cheguei em Assunção já meio tarde e só deu para dar um pulo no centro, trocar dinheiro e descobrir, no centro de apoio ao turista, que TAMBÉM era feriado em Assunção e que nada abria no feriado. E nem no sábado. E nem no domingo. Fiquei felizão.
Puto da vida, pelo menos consegui tirar fotos de alguns prédios históricos da cidade, que a noite tem uma iluminação foda (a maioria deles, pelo menos). Saca só:

Cheguei no hotel e replanejei toda a viagem considerando a informação que era feriado. Realmente teve muita coisa que ficou fechado, mas uns 2 lugares lugares abriam no feriado e alguns no sábado. Não deu pra ver tudo, mas é a vida...
No sábado, andei pra caralho. Acho que rodei a cidade inteira a pé. O lado bom é que vivi a full paraguay experience. Começou assim: perto do hotel tinha alguma coisa da polícia e vi a tropa de choque preparada para a guerra. Virei a esquina e dei de cara com isso:

Sim, manifestação. Já é o terceiro ou quarto país da américa do sul que eu pego manifestação. E essa ainda foi com direito a pessoas carregando porretes e pedaços de madeira para ir para a briga com a polícia. Entrei num parque qualquer fechado e esperei a manifestação passar.
Além disso, consegui entrar no Defensores del Chaco, que nunca fica aberto, mas estava rolando uma obra e tinha um portão dando sopa. Ninguém me impediu, fui entrando, entrando, entrando e aí dei de cara com isso:

Continuando a andança, cheguei na catedral da cidade, onde estava rolando uma missa gigante. Tinha gente pra caralho. E aí, no meio de muita gente, rolou a coisa mais inesperada da viagem: fui abordado por um policial. O cara chegou todo gente boa, cumprimentando e tal. Aí pediu o passaporte, começou a fazer um monte de perguntas estranhas, tipo que dia chegamos, por onde chegamos, quanto temos iríamos ficar, o hotel... Estava achando estranho, aí lembrei que uma colega de trabalho tinha falado que a polícia era corrupta e que tentava cobrar propina. Nessa hora catei meu passaporte da mão do guarda.
Nessa hora chegou um outro policial, de graduação maior, e o primeiro falou "são brasileiros". O da patente mais alta falou "ok. prossiga". E o cara começou: "e dinheiro? Onde vocês trocaram?". Na verdade, ele teve que repetir 3 vezes, porque eu realmente não estava entendendo o que ele estava falando, porque ele abaixou o tom de voz e começou a falar rápido. Falei que tinha sido em casa de câmbio e ele insistindo no assunto. Aí soltei um "realmente não estou endentendo o que você está falando". Ele viu que não ia dar em nada e me liberou falando para eu tomar cuidado que ali era perigoso. Fiquei puto, mas segui em frente. E desde esse momento passei a evitar a polícia. Triste, mas é verdade.
Continuei a peregrinação pela cidade e ainda vi uma "carreata" (não sei como chama, de verdade) das pessoas carregando a santa oficial da cidade até a catedral. Tirei fotos, mas essa ainda está na máquina. Andando mais cheguei no palácio do governo. E dei sorte, porque pouco depois começou a cerimônia de recolhimento da bandeira. Muito bacana, não sei se tem todo dia, mas percebi que alguns paraguaios foram para lá acompanhar, porque cantavam o hino junto com os militares.

A noite, depois dessa andança toda, ainda vi uma coisa que nunca ia imaginar: um cara, no meio da rua, pendurou uma TV de 32" em um muro, ligou um aplificador de guitarra na TV e estava vendendo DVD pirata. Sim, é isso mesmo. A foto está ruim, mas olha só:

No dia seguinte ainda fui em uns museus e o mais legal deles é o Museu do Barro. Fica longe pra caralho, então fui de busão. E os ônibus são muito, mas MUITO velhos. Muito velhos mesmo. Esqueci de tirar fotos, mas acredite, são MUITO velhos. A ponto do Véio falar que "usei desses quando era criança". Voltando ao museu, uma escultura chamou a minha atenção. Certeza que a Disney a viu antes de fazer o Rei Leão:

De lá, resolvi procurar muamba. Sério andei muito. Num sol e calor cabulosos. Fui em 3 shoppings, andei muito pelas ruas e só vi DUAS lojas com eletrônico. Uma delas lembrava a Ricardo Eletro. E os preços eram do Brasil. Voltei do paraguai sem NENHUMA muamba. Pelo menos comprei um copo, do bicentenário paraguaio (que foi em 2011, por sinal).
No domingo, não tinha muita coisa pra fazer, já que nesse dia nada fica aberto. Nem mesmo as igrejas (por sinal, não vi NENHUMA aberta). Quer dizer, tinha o zoológico / jardim botânico. E para lá eu fui. Mas a minha sorte é tão grande, mas tão grande, que tinha um evento para crianças no dia. E o lugar estava lotado. Para terem uma idéia, o museu de história natural (patético) tinha fila para entrar. Daquelas que só entra gente quando sai alguém.
O zoológico não fica muito atrás. É pequeno e não tem muitos bichos. Tem tigre pro resto da vida (são uns 10, pelo menos), mas de diferente, não tem muita coisa não. Até o de BH é melhor (MUITO melhor). Mas lá eu vi, pela primeira vez na vida, um tatu vivo. E não é que é até legal?

Instantaneamente tocou na minha cabeça OOOEEEAAAAAA.
De resto, não teve muita coisa pra fazer. Passamos em mais algumas igrejas (fechadas, como eu disse), em alguns prédios do governo (fechados) e em mais um shopping (esse aberto). Ainda aproveitamos para provar mais algumas iguarias paraguaias (a comida é boa) e voltamos para o hotel para fazer as malas.
Na segunda cedo eu fui comprar o tal copo do bicentenário (a porra da loja estava fechada nos demais dias), o Véio foi comprar uns artesanatos e quando vimos já estava na hora de voltar pro hotel pegar as malas e voltar pro Brasil. Não fiquei muito triste, porque se estava sol e calor no sábado, na segunda estava nível Rio: sol ardendo e calor abafado de uns bons 32°C. Isso 9 da manhã.
Óbvio que o vôo atrasou (tinha outra mega conexão em guarulhos, mas na volta não pude usar a sala VIP) e cheguei em casa quase de madrugada. Estava morto (fisicamente), mas com a cabeça tranquila. Algo que não conseguia desde Abril.
Se não me engano, postei aqui que consegui uma super promoção de milhas da Gol para o Paraguai e aproveitei um feriado de BH para colocar mais uma bandeira em um país da América do Sul (agora falta Bolívia e, se voltar a ser um país normal, Venezuela).
E assim foi. Na ida, tinha uma espera considerável em Guarulhos e finalmente pude aproveitar tudo o que o smiles pode oferecer: usei a sala VIP da Gol. E que sala, meus amigos. Ela é gigante e tem comida e bebida pra caralho. Não me perguntem a razão, mas não tirei nenhuma foto... Mas acreditem, foi realmente tratamento VIP.
Só que o vôo atrasou e eu acebi ficando umas 2 horas em frente o portão de embarque (ainda era embarque remoto).
Cheguei em Assunção já meio tarde e só deu para dar um pulo no centro, trocar dinheiro e descobrir, no centro de apoio ao turista, que TAMBÉM era feriado em Assunção e que nada abria no feriado. E nem no sábado. E nem no domingo. Fiquei felizão.
Puto da vida, pelo menos consegui tirar fotos de alguns prédios históricos da cidade, que a noite tem uma iluminação foda (a maioria deles, pelo menos). Saca só:
Cheguei no hotel e replanejei toda a viagem considerando a informação que era feriado. Realmente teve muita coisa que ficou fechado, mas uns 2 lugares lugares abriam no feriado e alguns no sábado. Não deu pra ver tudo, mas é a vida...
No sábado, andei pra caralho. Acho que rodei a cidade inteira a pé. O lado bom é que vivi a full paraguay experience. Começou assim: perto do hotel tinha alguma coisa da polícia e vi a tropa de choque preparada para a guerra. Virei a esquina e dei de cara com isso:
Sim, manifestação. Já é o terceiro ou quarto país da américa do sul que eu pego manifestação. E essa ainda foi com direito a pessoas carregando porretes e pedaços de madeira para ir para a briga com a polícia. Entrei num parque qualquer fechado e esperei a manifestação passar.
Além disso, consegui entrar no Defensores del Chaco, que nunca fica aberto, mas estava rolando uma obra e tinha um portão dando sopa. Ninguém me impediu, fui entrando, entrando, entrando e aí dei de cara com isso:

Continuando a andança, cheguei na catedral da cidade, onde estava rolando uma missa gigante. Tinha gente pra caralho. E aí, no meio de muita gente, rolou a coisa mais inesperada da viagem: fui abordado por um policial. O cara chegou todo gente boa, cumprimentando e tal. Aí pediu o passaporte, começou a fazer um monte de perguntas estranhas, tipo que dia chegamos, por onde chegamos, quanto temos iríamos ficar, o hotel... Estava achando estranho, aí lembrei que uma colega de trabalho tinha falado que a polícia era corrupta e que tentava cobrar propina. Nessa hora catei meu passaporte da mão do guarda.
Nessa hora chegou um outro policial, de graduação maior, e o primeiro falou "são brasileiros". O da patente mais alta falou "ok. prossiga". E o cara começou: "e dinheiro? Onde vocês trocaram?". Na verdade, ele teve que repetir 3 vezes, porque eu realmente não estava entendendo o que ele estava falando, porque ele abaixou o tom de voz e começou a falar rápido. Falei que tinha sido em casa de câmbio e ele insistindo no assunto. Aí soltei um "realmente não estou endentendo o que você está falando". Ele viu que não ia dar em nada e me liberou falando para eu tomar cuidado que ali era perigoso. Fiquei puto, mas segui em frente. E desde esse momento passei a evitar a polícia. Triste, mas é verdade.
Continuei a peregrinação pela cidade e ainda vi uma "carreata" (não sei como chama, de verdade) das pessoas carregando a santa oficial da cidade até a catedral. Tirei fotos, mas essa ainda está na máquina. Andando mais cheguei no palácio do governo. E dei sorte, porque pouco depois começou a cerimônia de recolhimento da bandeira. Muito bacana, não sei se tem todo dia, mas percebi que alguns paraguaios foram para lá acompanhar, porque cantavam o hino junto com os militares.
A noite, depois dessa andança toda, ainda vi uma coisa que nunca ia imaginar: um cara, no meio da rua, pendurou uma TV de 32" em um muro, ligou um aplificador de guitarra na TV e estava vendendo DVD pirata. Sim, é isso mesmo. A foto está ruim, mas olha só:
No dia seguinte ainda fui em uns museus e o mais legal deles é o Museu do Barro. Fica longe pra caralho, então fui de busão. E os ônibus são muito, mas MUITO velhos. Muito velhos mesmo. Esqueci de tirar fotos, mas acredite, são MUITO velhos. A ponto do Véio falar que "usei desses quando era criança". Voltando ao museu, uma escultura chamou a minha atenção. Certeza que a Disney a viu antes de fazer o Rei Leão:
De lá, resolvi procurar muamba. Sério andei muito. Num sol e calor cabulosos. Fui em 3 shoppings, andei muito pelas ruas e só vi DUAS lojas com eletrônico. Uma delas lembrava a Ricardo Eletro. E os preços eram do Brasil. Voltei do paraguai sem NENHUMA muamba. Pelo menos comprei um copo, do bicentenário paraguaio (que foi em 2011, por sinal).
No domingo, não tinha muita coisa pra fazer, já que nesse dia nada fica aberto. Nem mesmo as igrejas (por sinal, não vi NENHUMA aberta). Quer dizer, tinha o zoológico / jardim botânico. E para lá eu fui. Mas a minha sorte é tão grande, mas tão grande, que tinha um evento para crianças no dia. E o lugar estava lotado. Para terem uma idéia, o museu de história natural (patético) tinha fila para entrar. Daquelas que só entra gente quando sai alguém.
O zoológico não fica muito atrás. É pequeno e não tem muitos bichos. Tem tigre pro resto da vida (são uns 10, pelo menos), mas de diferente, não tem muita coisa não. Até o de BH é melhor (MUITO melhor). Mas lá eu vi, pela primeira vez na vida, um tatu vivo. E não é que é até legal?
Instantaneamente tocou na minha cabeça OOOEEEAAAAAA.
De resto, não teve muita coisa pra fazer. Passamos em mais algumas igrejas (fechadas, como eu disse), em alguns prédios do governo (fechados) e em mais um shopping (esse aberto). Ainda aproveitamos para provar mais algumas iguarias paraguaias (a comida é boa) e voltamos para o hotel para fazer as malas.
Na segunda cedo eu fui comprar o tal copo do bicentenário (a porra da loja estava fechada nos demais dias), o Véio foi comprar uns artesanatos e quando vimos já estava na hora de voltar pro hotel pegar as malas e voltar pro Brasil. Não fiquei muito triste, porque se estava sol e calor no sábado, na segunda estava nível Rio: sol ardendo e calor abafado de uns bons 32°C. Isso 9 da manhã.
Óbvio que o vôo atrasou (tinha outra mega conexão em guarulhos, mas na volta não pude usar a sala VIP) e cheguei em casa quase de madrugada. Estava morto (fisicamente), mas com a cabeça tranquila. Algo que não conseguia desde Abril.
14 de jun. de 2014
Os males do Gerenciamento de Projetos
Eu sempre soube que levava a minha profisão para a vida pessoal. Tudo na minha vida é planejado, faço cronogramas até para viagens (quer dizer, agora nem tanto, mas já fiz). Identifico riscos a todos os momentos, faço análises de trade-off... É um inferno, mas faço sem nem pensar.
Na saga da retirada do Esparromóvel III, como eu falei no post anterior, fiquei uns 40 minutos esperando. Nesse meio tempo eu fiz algumas atividades burocráticas. A primeira, foi entregar o carro antigo. E quando você entrega, precisa assinar uma pancada de coisas. O véio precisava assinar também, porque o carro estava em nome dele. Ele pegou a papelada, assinou e me entregou. Eu peguei, li todas as cláusulas, questionei algumas, me deram respostas que eu não gostei muito, mas assinei.
O segundo passo era a assinatura de recebimento do carro novo. Me deram um monte de coisas para assinar. Eu li tudo, e um dos papeis era o de recebimento do carro e outro do checklist de recebimento. Esses eu assinei a contra-gosto. Afinal, eu não tinha recebido o carro e nem feito o check list. Mas assinei.
Entre eu assinar os papeis e efetivamente receber o carro, fiquei pensando em tudo o que poderia fazerem. Como estava demorando, só pensei o pior: poderiam falar que já me entregaram, que estava tudo ok no cheklist (e se não estivesse eu teria me fodido), que entregaram com todos os acessórios que eu comprei (e se faltasse algum eu também me fodia).
Aí que eu me toquei o tanto que meu nível de paranóia com assinaturas está alto. Hoje, eu assino muita coisa no trabalho. E em alguns casos, uma assinatura que eu der sem ler o que estou assinando pode custar um bocado de dinheiro para o meu projeto (um retrabalho, uma multa, um aceite de algo que não foi entregue). E eu acabei levando isso para a minha vida pessoal.
Eu sei que essas assinaturas sem ler são muito comuns nesse tipo de evento (compra e venda de carros). Eu mesmo recebi a nota fiscal do meu carro ANTES de ter feito o pagamento. Ou seja: eu PODERIA não ter pago o carro (lógico que ia dar merda, ia pra justiça e blábláblá, mas eu poderia). É muita confiança. Coisa que, infelizmente, eu não posso ter no meu trabalho.
O que me fez questionar: teria eu me tornado um filadaputa? Ou eu continuo fazendo as coisas certas (o que acho que é o mais provável), só passei a não confiar em ninguém? Espero que seja a segunda opção, mas espero mais ainda que isso tenha solução...
Oremos.
Na saga da retirada do Esparromóvel III, como eu falei no post anterior, fiquei uns 40 minutos esperando. Nesse meio tempo eu fiz algumas atividades burocráticas. A primeira, foi entregar o carro antigo. E quando você entrega, precisa assinar uma pancada de coisas. O véio precisava assinar também, porque o carro estava em nome dele. Ele pegou a papelada, assinou e me entregou. Eu peguei, li todas as cláusulas, questionei algumas, me deram respostas que eu não gostei muito, mas assinei.
O segundo passo era a assinatura de recebimento do carro novo. Me deram um monte de coisas para assinar. Eu li tudo, e um dos papeis era o de recebimento do carro e outro do checklist de recebimento. Esses eu assinei a contra-gosto. Afinal, eu não tinha recebido o carro e nem feito o check list. Mas assinei.
Entre eu assinar os papeis e efetivamente receber o carro, fiquei pensando em tudo o que poderia fazerem. Como estava demorando, só pensei o pior: poderiam falar que já me entregaram, que estava tudo ok no cheklist (e se não estivesse eu teria me fodido), que entregaram com todos os acessórios que eu comprei (e se faltasse algum eu também me fodia).
Aí que eu me toquei o tanto que meu nível de paranóia com assinaturas está alto. Hoje, eu assino muita coisa no trabalho. E em alguns casos, uma assinatura que eu der sem ler o que estou assinando pode custar um bocado de dinheiro para o meu projeto (um retrabalho, uma multa, um aceite de algo que não foi entregue). E eu acabei levando isso para a minha vida pessoal.
Eu sei que essas assinaturas sem ler são muito comuns nesse tipo de evento (compra e venda de carros). Eu mesmo recebi a nota fiscal do meu carro ANTES de ter feito o pagamento. Ou seja: eu PODERIA não ter pago o carro (lógico que ia dar merda, ia pra justiça e blábláblá, mas eu poderia). É muita confiança. Coisa que, infelizmente, eu não posso ter no meu trabalho.
O que me fez questionar: teria eu me tornado um filadaputa? Ou eu continuo fazendo as coisas certas (o que acho que é o mais provável), só passei a não confiar em ninguém? Espero que seja a segunda opção, mas espero mais ainda que isso tenha solução...
Oremos.
4 de mai. de 2014
Bizarrices do Sul
Como eu comentei aqui algumas vezes, nas minhas férias fui para o Rio Grande do Sul. É de conhecimento geral que eles se julgam outro país, mas eu achei que era só sonho separatista. Mas estando lá, vi que é praticamente outro país. Em alguns pontos, me senti em 1990. Em outros, me senti em 2050 (pensando em Brasil, lógico). E são muitas coisas bizarras...
Começa na chegada do aeroporto. Fui de Azul e ela opera no terminal 2. "Bacana, chega no terminal novo!", pensei. Saí do avião na pista. Nem finger tinha. Na hora de pegar a mala, um lugar velho, uma (ou duas) esteiras. "Que bosta de aeroporto. Imagina o terminal velho, deve ser pior que a Pampulha", pensei novamente. Só quando saí do aeroporto entendi: o terminal 2 é o terminal VELHO. O novo é o 1.
Aliás, lembra das esteiras que comentei no parágrafo anterior? Pois é, foi outro ponto que me assustou. Elas giram no sentido HORÁRIO. Eu viajo muito e confesso que foi a PRIMEIRA VEZ que vi uma esteira que gira no sentido horário. Pelo menso foi a primeira vez que isso chamou a minha atenção, então nao deve ser algo muito comum.
Aí caminhei até o "metrô" (que está mais para um trem velho, mas tudo bem) e desci na rodoviária. Além do meu hotel ser relativamente perto, eu queria garantir as passagens para Gramado e Caxias. Como toda rodoviária do mundo, procurei o cubículo da empresa que faz as viagens. Custei a achar, mas quando cheguei, pedi a passagem. Fui surpreendido com um "aqui não vende passagem. Só no guichê da rodoviária". Juro que não entendi, mas o cara me falou mais ou menos como chegava lá.
Fiz o caminho indicado e vi umas 30 janelinhas típicas de venda de passagem, mas sem nenhuma indicação de companhia. Em a cada 5 janelas, uma TV com horérios de TODOS os ônibus. Aí eu entendi: a RODOVIÁRIA é responsável pela venda de passagens e vende para todas as companhias. Só vi vantagem para isso em uma situação: quando você quer o próximo busão para algum lugar. Aí não precisa ficar pesquisando. Tirando isso, não tem muita lógica.
Outra coisa estranha: apesar de ter 30 guichês, alguns tinham filas gigantes, outros não tinham fila nenhuma. Não é uma fila única. Até hoje eu não entendi a razão, mas deve ser a teoria das filas. Eu entrei na menor fila, lógico. E comecei:
- Me vê uma passagem pra Gramado amanhã, 6:15
- Frente, meio ou fundo?
- Meio
- Poltrona 15 tá bom?
- Tá ótimo
- trinta com vinte e cinco
- ????????? (cara de tela azul)
- Trinta reais e vinte e cinco centavos
- Ah, tá. Mas tem mais passagens. Quero comprar a volta, mas de canela
- A volta você compra em canela
- ??????????????????????????????????????????????????????????????? (cara de tela azul)
- Aqui só vendemos passagens que saem de Porto Alegre.
- Ok. Então me vê uma pra Caxias dia blá (não lembro o dia mais) às 6:20
Cortando parte do diálogo
- sessenta e três com cinquenta
Saquei o cartão e entreguei
- Só dinheiro (balançando a cabeça fazendo sinal de negação)
Por sorte eu tinha dinheiro. Mas fiquei abismado. Em que ano o RS está para só vender a passagem de IDA???? Eu aceitaria isso se os sistemas não fossem interligados e a base de dados fosse local, mas certamente não é o caso (eles vendem passagem pela internet). Mais: quem garante que vai ter passagem no dia e no horário que eu quero lá em gramado (ou qualquer outra cidade)? No meu caso estava tranquilo, porque era baixa temporada e eram cidades com muitos horários de ônibus. Mas imagina uma volta de feriadão ou qualquer coisa do tipo. Deve ser um inferno para quem não sabe que pode (ou não sabe) comprar pela internet. Deve ter muito nego que dorme na rodoviária. E mais: que tipo de estabelecimento não aceita cartão hoje em dia? Ainda mais uma rodoviária! E isso vale para Gramado, Canela e Caxias (e pelo jeito toda e qualquer cidade do RS).
Passado o impacto inicial, fui turistar. E aí vi mais coisas bizarras (agora em modo "fatos rápidos", porqueestou com pressa):
- Todas as cidades que eu fui tinham parquímetro. TODAS. Até Gramado, que é uma cidade pequena.
- No sul não tem polícia militar. Tem BRIGADA militar.
- Em Gramado o cinema só funciona sexta e sábado (pelo menos o do lugar onde ocorre o festival de cinema)
- Ainda em Gramado, existe uma calçada da fama. TODAS as mãos são de 2006 (pelo menos não achei outras datas)
- Pessoas REALMENTE escutam música gaúcha. Numa das viagens de ônibus que eu fiz o cara ao meu lado veio escutando essa porcaria o "voo" inteiro. Alto.
- Em Caxias, que é conhecida por ser a terra da uva, tem uma fonte que ao invés de água jorra suco de uva. É sério! Saca só:

- Em POA as pessoas conhecem os ônibus pelo "nome" e não pelo número. Eu, que não sabia disso, levei ferro algumas vezes.
- A maioria dos restaurantes é "pague X e coma o quanto quiser, quantas vezes quiser". Eu também não sabia disso.
- Não existe bebedouro em lugares públicos de POA. Ou, se existem, ficam escondidos e são feitos para que você não consiga encher garrafa. Mas eu sou profissional e sempre consegui encher a minha.
- Em um dos parques (um dos que não tem água) tem uma máquina de água quente grátis para você fazer seu mate. Num calor de 35 graus.
- Aliás, eu nunca vi tanta gente fazendo corridas e caminhadas no meio do dia como em POA. Todos os parques que eu ia tinha gente pra cacete.
- Em Caxias tem pistas de bocha. E pessoas jovens jogando.
- Em um dos museus (Acho que foi o do Ibere Camargo) tinha uma plaquinha de "proibido mate". E dentro de um dos ônibus que eu peguei também (ônibus municipal, nem foi o intermunicial não).
Tinha mais coisa, mas como faz muito tempo, acabei esquecendo um monte de coisas.... Masjá dá pra ver que não é um lugar normal.
Começa na chegada do aeroporto. Fui de Azul e ela opera no terminal 2. "Bacana, chega no terminal novo!", pensei. Saí do avião na pista. Nem finger tinha. Na hora de pegar a mala, um lugar velho, uma (ou duas) esteiras. "Que bosta de aeroporto. Imagina o terminal velho, deve ser pior que a Pampulha", pensei novamente. Só quando saí do aeroporto entendi: o terminal 2 é o terminal VELHO. O novo é o 1.
Aliás, lembra das esteiras que comentei no parágrafo anterior? Pois é, foi outro ponto que me assustou. Elas giram no sentido HORÁRIO. Eu viajo muito e confesso que foi a PRIMEIRA VEZ que vi uma esteira que gira no sentido horário. Pelo menso foi a primeira vez que isso chamou a minha atenção, então nao deve ser algo muito comum.
Aí caminhei até o "metrô" (que está mais para um trem velho, mas tudo bem) e desci na rodoviária. Além do meu hotel ser relativamente perto, eu queria garantir as passagens para Gramado e Caxias. Como toda rodoviária do mundo, procurei o cubículo da empresa que faz as viagens. Custei a achar, mas quando cheguei, pedi a passagem. Fui surpreendido com um "aqui não vende passagem. Só no guichê da rodoviária". Juro que não entendi, mas o cara me falou mais ou menos como chegava lá.
Fiz o caminho indicado e vi umas 30 janelinhas típicas de venda de passagem, mas sem nenhuma indicação de companhia. Em a cada 5 janelas, uma TV com horérios de TODOS os ônibus. Aí eu entendi: a RODOVIÁRIA é responsável pela venda de passagens e vende para todas as companhias. Só vi vantagem para isso em uma situação: quando você quer o próximo busão para algum lugar. Aí não precisa ficar pesquisando. Tirando isso, não tem muita lógica.
Outra coisa estranha: apesar de ter 30 guichês, alguns tinham filas gigantes, outros não tinham fila nenhuma. Não é uma fila única. Até hoje eu não entendi a razão, mas deve ser a teoria das filas. Eu entrei na menor fila, lógico. E comecei:
- Me vê uma passagem pra Gramado amanhã, 6:15
- Frente, meio ou fundo?
- Meio
- Poltrona 15 tá bom?
- Tá ótimo
- trinta com vinte e cinco
- ????????? (cara de tela azul)
- Trinta reais e vinte e cinco centavos
- Ah, tá. Mas tem mais passagens. Quero comprar a volta, mas de canela
- A volta você compra em canela
- ??????????????????????????????????????????????????????????????? (cara de tela azul)
- Aqui só vendemos passagens que saem de Porto Alegre.
- Ok. Então me vê uma pra Caxias dia blá (não lembro o dia mais) às 6:20
Cortando parte do diálogo
- sessenta e três com cinquenta
Saquei o cartão e entreguei
- Só dinheiro (balançando a cabeça fazendo sinal de negação)
Por sorte eu tinha dinheiro. Mas fiquei abismado. Em que ano o RS está para só vender a passagem de IDA???? Eu aceitaria isso se os sistemas não fossem interligados e a base de dados fosse local, mas certamente não é o caso (eles vendem passagem pela internet). Mais: quem garante que vai ter passagem no dia e no horário que eu quero lá em gramado (ou qualquer outra cidade)? No meu caso estava tranquilo, porque era baixa temporada e eram cidades com muitos horários de ônibus. Mas imagina uma volta de feriadão ou qualquer coisa do tipo. Deve ser um inferno para quem não sabe que pode (ou não sabe) comprar pela internet. Deve ter muito nego que dorme na rodoviária. E mais: que tipo de estabelecimento não aceita cartão hoje em dia? Ainda mais uma rodoviária! E isso vale para Gramado, Canela e Caxias (e pelo jeito toda e qualquer cidade do RS).
Passado o impacto inicial, fui turistar. E aí vi mais coisas bizarras (agora em modo "fatos rápidos", porqueestou com pressa):
- Todas as cidades que eu fui tinham parquímetro. TODAS. Até Gramado, que é uma cidade pequena.
- No sul não tem polícia militar. Tem BRIGADA militar.
- Em Gramado o cinema só funciona sexta e sábado (pelo menos o do lugar onde ocorre o festival de cinema)
- Ainda em Gramado, existe uma calçada da fama. TODAS as mãos são de 2006 (pelo menos não achei outras datas)
- Pessoas REALMENTE escutam música gaúcha. Numa das viagens de ônibus que eu fiz o cara ao meu lado veio escutando essa porcaria o "voo" inteiro. Alto.
- Em Caxias, que é conhecida por ser a terra da uva, tem uma fonte que ao invés de água jorra suco de uva. É sério! Saca só:

- Em POA as pessoas conhecem os ônibus pelo "nome" e não pelo número. Eu, que não sabia disso, levei ferro algumas vezes.
- A maioria dos restaurantes é "pague X e coma o quanto quiser, quantas vezes quiser". Eu também não sabia disso.
- Não existe bebedouro em lugares públicos de POA. Ou, se existem, ficam escondidos e são feitos para que você não consiga encher garrafa. Mas eu sou profissional e sempre consegui encher a minha.
- Em um dos parques (um dos que não tem água) tem uma máquina de água quente grátis para você fazer seu mate. Num calor de 35 graus.
- Aliás, eu nunca vi tanta gente fazendo corridas e caminhadas no meio do dia como em POA. Todos os parques que eu ia tinha gente pra cacete.
- Em Caxias tem pistas de bocha. E pessoas jovens jogando.
- Em um dos museus (Acho que foi o do Ibere Camargo) tinha uma plaquinha de "proibido mate". E dentro de um dos ônibus que eu peguei também (ônibus municipal, nem foi o intermunicial não).
Tinha mais coisa, mas como faz muito tempo, acabei esquecendo um monte de coisas.... Masjá dá pra ver que não é um lugar normal.
3 de fev. de 2014
Só tem um defeito
Dia desses eu estava trabalhando quando o Skype da empresa começa a piscar. Vou lá ver a mensagem e estava assim:
- vai dar merda.
- hein? - respondi
- minha estagiária nova. Vai dar merda.
- por que?
- ela é muito linda.
- xô ver..... Oua, linda mesmo.
- e ainda é gente boa, cheirosa e arrumada.
- ué, casa então.
- não, ela tem um problema.
- sei. Tem bafo, né? (piada clássica entre os homens).
- ou... Pior que é.
Aí eu vi que essa piada existe por alguma razão...
- vai dar merda.
- hein? - respondi
- minha estagiária nova. Vai dar merda.
- por que?
- ela é muito linda.
- xô ver..... Oua, linda mesmo.
- e ainda é gente boa, cheirosa e arrumada.
- ué, casa então.
- não, ela tem um problema.
- sei. Tem bafo, né? (piada clássica entre os homens).
- ou... Pior que é.
Aí eu vi que essa piada existe por alguma razão...
6 de out. de 2013
Checklist da casa
Como usuário do apartamento que a empresa aluga eu preciso assinar um termo de compromisso. E o termo de compromisso inclui uma lista de itens presentes na casa (que foi passado pela dona do apartamento quando ele foi alugado). E como eu não assino nada sem ler e ter certeza que está tudo certo, fui fazer uma conferência nos itens.
Tinha coisa pra caralho para conferir. Alguns lugares não tinha muita coisa para conferir, mas o meu quarto e a cozinha tinha muita tralha para conferir. Levei mais de uma hora para conferir tudo - e olha que o roomi me ajudou a conferir, senão era o dobro do tempo.
E enquanto eu fazia a conferência vi várias coisas bizarras, por exemplo:
- a mulher lista, com uma riqueza de detalhes incrível, um item de propaganda (2 pratos de porcelana pequenos escritos ouro verdes armazéns) e não coloca a coisa mais cara da casa, o piano. Ou seja: eu posso levar o piano embora;
- Aliás, o nível de detalhes chega a ser incrível. Olha o que a dona listou: em cima do filtro 03 caixinhas de fósforos com enfeites bordados;
- Teve outra que também me chamou a atenção 2 potes de sopa branco c/ floral azul na borda;
- Umas coisas meio absurdas, que ainda não entendi porque a mulher listou (Armário embutido, 1 pia de granito bege c/ torneira e cuba de inox);
- Esse eu achei sensacional: 01 enfeite de louça de cachorro;
- Ainda descobri que existe um tecido chamado Chenilli. E descobri que tem 2 colchas disso no meu quarto.
O pior de tudo é que mesmo com todo esse detalhe eu consegui descobrir coisas sobrando que não estão listadas (tipo o piano) e algumas outras coisas que nestão contadas 2 vezes (tipo o aspitador de pó e um armário na cozinha).
E descobri também que o meu quarto tinha 2 camas (uma delas foi parar no quarto de empregada), o que faz mais sentido agora para aquele quarto daquele tamanho e tão vazio.
Mandei as divergências para o pessoal do RH antes de assinar qualquer coisa, para não inventarem moda quando eu sair do apartamento.
Tinha coisa pra caralho para conferir. Alguns lugares não tinha muita coisa para conferir, mas o meu quarto e a cozinha tinha muita tralha para conferir. Levei mais de uma hora para conferir tudo - e olha que o roomi me ajudou a conferir, senão era o dobro do tempo.
E enquanto eu fazia a conferência vi várias coisas bizarras, por exemplo:
- a mulher lista, com uma riqueza de detalhes incrível, um item de propaganda (2 pratos de porcelana pequenos escritos ouro verdes armazéns) e não coloca a coisa mais cara da casa, o piano. Ou seja: eu posso levar o piano embora;
- Aliás, o nível de detalhes chega a ser incrível. Olha o que a dona listou: em cima do filtro 03 caixinhas de fósforos com enfeites bordados;
- Teve outra que também me chamou a atenção 2 potes de sopa branco c/ floral azul na borda;
- Umas coisas meio absurdas, que ainda não entendi porque a mulher listou (Armário embutido, 1 pia de granito bege c/ torneira e cuba de inox);
- Esse eu achei sensacional: 01 enfeite de louça de cachorro;
- Ainda descobri que existe um tecido chamado Chenilli. E descobri que tem 2 colchas disso no meu quarto.
O pior de tudo é que mesmo com todo esse detalhe eu consegui descobrir coisas sobrando que não estão listadas (tipo o piano) e algumas outras coisas que nestão contadas 2 vezes (tipo o aspitador de pó e um armário na cozinha).
E descobri também que o meu quarto tinha 2 camas (uma delas foi parar no quarto de empregada), o que faz mais sentido agora para aquele quarto daquele tamanho e tão vazio.
Mandei as divergências para o pessoal do RH antes de assinar qualquer coisa, para não inventarem moda quando eu sair do apartamento.
16 de set. de 2013
Habemus Casaum
Desde que fui para o Rio a minha empresa está tentando alugar um apartamento para que eu possa morar. Afinal, eu poderia dividir com mais uma pessoa e seria mais barato que hotel para 2 pessoas. Mas como os processos são complexos e apartamento no Rio de Janeiro não fica vago mais de 2 semanas, a situação não parecia que seria resolvida tão cedo.
Eu já tinha desistido do apartamento e estava gostando da idéia de ficar no hotel até o final do ano. Eu reacostumei a morar em um quarto e além disso tinha internet boa, academia e café da manhã. Além, lógico, da mágica do quarto auto-arrumável e auto-limpável.
Até que numa quinta-feira aí pra trás (deve ter umas 2 semanas) meu telefone tocou. Era a mulher do RH. Estava me ligando para avisar que finalmente o apartamento tinha sido alugado e que eu poderia pegar a chave no DP. E que no dia seguinte um cara iria ocupar o outro quarto e perguntou se eu queria passar lá antes para escolher o meu quarto. E assim eu fiz: catei a chave e saí correndo para o apartamento.
O lugar é bom, no Flamengo, pertinho do metro, para ir para o trabalho, e aterro, para fazer exercícios físicos. O prédio é velho, como tudo na zona sul do Rio, mas são só 2 apartamentos por andar, então parece ser tranquilo.
A mulher do RH falou que eram 3 quartos, então imaginei que teria uma suite. Entrei no apartamento e vi uma mesa gigante. Essa aí de baixo:

Entrei na sala e vi que tinha um sofá bacana, uma TV grande com "home theater" e....um piano. Sim, um piano. Saca só:

O próximo cômodo que entrei foi a cozinha. Tamanho razoável e bem equipada, com fogão, geladeira, mini-microondas e tudo mais que tem em uma casa comum.

Virando ali no final à esquerda, vi a área de serviço:

Ainda na área, um quarto de empregada com uma cama que bloqueava o armário. Parece ser novinha. Mas o quarto é MUITO pequeno, acho bem difícil alguém conseguir dormir ali.


Abri o banheiro de empregada e tive uma surpresa. MUITO bacana, recém reformado. Pequeno, é verdade, mas com acabamento muito bom.

Voltei para a sala e fui andando em direção dos quartos. O primeiro que eu encontrei foi esse aí embaixo. Gigante, mas sem nada. Só a cama, láááááá no canto, colado no ar condicionado. E milhares de armários nas paredes.


"OK. Vamos ver o próximo", pensei. E aí entrei num quarto que me levou de volta a 1930. Sério, tenho certeza que a velhinha que dormia lá morreu na cama e que o quarto é mal assombrado. Saca só:


Apesar de ser mais habitável, com mais coisas e até uma "mesa", não dava para dormir ali. Não só porque não tem ar condicionado, mas também porque era tudo muito velho e fedia a coisa velha. Eu não conseguiria dormir vendo aquele armário com cortininha e não imaginar filmes de terror.
Saí do quarto e vi um banheiro. Bem grande.


Aí comecei a procurar o terceiro quarto. Só faltava uma porta no corredor dos quartos, mas que parecia um armário. E eu abri e....era uma armário. "Peraí, aquele micro-quarto de empregada É um quarto? Caralho, quem vai dormir ali?", pensei.
Eu tinha então duas opções: dormir no quarto com cama de viúva, "mesa" e criados mudos, mas sem ar condicionado e mal assombrado (além de um cheiro ruim) ou dormir no quarto com cama de solteiro, com ar condicionado, mas sem porra nenhuma e 450 armários inúteis.
Deitei nas duas camas, eram iguais. Quer dizer, os colchões era iguais. A cama do quarto mal assombrado fazia muito barulho (afinal, o estrado tinha uns 60 anos). Ponto para o quarto vazio.
Andei de um lado para o outro, pensando em o que fazer. Eu SABIA que não poderia ficar no quarto mal assombrado. Verão no Rio sem ar condicionado não dá. Mas o outro quarto tinha ma cama de solteiro e só.
Cogitei levar a cama de viúva para o outro quarto. Ia dar muito trabalho e a cama era muito barulhenta ANTES de ser movida. Imagina depois....
Não tinha jeito, teria que ser o quarto vazio, com cama de solteiro. O que não é muito problema, já que estou solteiro. Mas eu precisava de mais alguma coisa no quarto, principalmente para usar o computador.
A primeira coisa que fiz foi jogar a cama no meio do quarto e roubar um criado mudo do quarto mal assombrado. Já melhorou, mas ainda faltava um lugar para usar o computador.
Cogitei arrancar as gavetas embaixo da parte aberta do armário e meter uma cadeira da sala ali, para usar de mesa. Ia ser desconfortável, mas poderia resolver o problema.
Indo para a sala passei pela cozinha e vi uma cadeira. Não precisava roubar da sala. E vi um baqueto também. Roubei os dois na alta para o quarto. E devolvi o criado mudo para o quarto mal assombrado.
Aí fiquei olhando para a mesa da cozinha, olhando, olhando.... Ia ser estranho ter 4 cadeiras sobrando na cozinha, mas poxa, ela ia ficar tão bacana no quarto..... Ia encaixar como uma luva. Foda-se, eu cheguei primeiro, eu vou morar 6 meses naquele apartamento e o outro cara só um mês. Catei a mesa e coloquei no meu quarto.
Aí ele passou disso:

Para isso:

Agora quase posso chamar de quarto. Falta só arrumar uma TV para colocar no buraco do armário (que com certeza foi feito para colocar uma TV).
Vamos ver se alguém vai morar no micro-quarto de empregada.
Ps. 1: O correto não é casaum, é domi. Favor não me xingar.
Ps. 2: as fotos estão ruins porque estava escuro e a bateria do meu celular estava acabando, então não podia usar o flash. Favor não me xingar.
Eu já tinha desistido do apartamento e estava gostando da idéia de ficar no hotel até o final do ano. Eu reacostumei a morar em um quarto e além disso tinha internet boa, academia e café da manhã. Além, lógico, da mágica do quarto auto-arrumável e auto-limpável.
Até que numa quinta-feira aí pra trás (deve ter umas 2 semanas) meu telefone tocou. Era a mulher do RH. Estava me ligando para avisar que finalmente o apartamento tinha sido alugado e que eu poderia pegar a chave no DP. E que no dia seguinte um cara iria ocupar o outro quarto e perguntou se eu queria passar lá antes para escolher o meu quarto. E assim eu fiz: catei a chave e saí correndo para o apartamento.
O lugar é bom, no Flamengo, pertinho do metro, para ir para o trabalho, e aterro, para fazer exercícios físicos. O prédio é velho, como tudo na zona sul do Rio, mas são só 2 apartamentos por andar, então parece ser tranquilo.
A mulher do RH falou que eram 3 quartos, então imaginei que teria uma suite. Entrei no apartamento e vi uma mesa gigante. Essa aí de baixo:

Entrei na sala e vi que tinha um sofá bacana, uma TV grande com "home theater" e....um piano. Sim, um piano. Saca só:

O próximo cômodo que entrei foi a cozinha. Tamanho razoável e bem equipada, com fogão, geladeira, mini-microondas e tudo mais que tem em uma casa comum.

Virando ali no final à esquerda, vi a área de serviço:

Ainda na área, um quarto de empregada com uma cama que bloqueava o armário. Parece ser novinha. Mas o quarto é MUITO pequeno, acho bem difícil alguém conseguir dormir ali.


Abri o banheiro de empregada e tive uma surpresa. MUITO bacana, recém reformado. Pequeno, é verdade, mas com acabamento muito bom.

Voltei para a sala e fui andando em direção dos quartos. O primeiro que eu encontrei foi esse aí embaixo. Gigante, mas sem nada. Só a cama, láááááá no canto, colado no ar condicionado. E milhares de armários nas paredes.


"OK. Vamos ver o próximo", pensei. E aí entrei num quarto que me levou de volta a 1930. Sério, tenho certeza que a velhinha que dormia lá morreu na cama e que o quarto é mal assombrado. Saca só:


Apesar de ser mais habitável, com mais coisas e até uma "mesa", não dava para dormir ali. Não só porque não tem ar condicionado, mas também porque era tudo muito velho e fedia a coisa velha. Eu não conseguiria dormir vendo aquele armário com cortininha e não imaginar filmes de terror.
Saí do quarto e vi um banheiro. Bem grande.


Aí comecei a procurar o terceiro quarto. Só faltava uma porta no corredor dos quartos, mas que parecia um armário. E eu abri e....era uma armário. "Peraí, aquele micro-quarto de empregada É um quarto? Caralho, quem vai dormir ali?", pensei.
Eu tinha então duas opções: dormir no quarto com cama de viúva, "mesa" e criados mudos, mas sem ar condicionado e mal assombrado (além de um cheiro ruim) ou dormir no quarto com cama de solteiro, com ar condicionado, mas sem porra nenhuma e 450 armários inúteis.
Deitei nas duas camas, eram iguais. Quer dizer, os colchões era iguais. A cama do quarto mal assombrado fazia muito barulho (afinal, o estrado tinha uns 60 anos). Ponto para o quarto vazio.
Andei de um lado para o outro, pensando em o que fazer. Eu SABIA que não poderia ficar no quarto mal assombrado. Verão no Rio sem ar condicionado não dá. Mas o outro quarto tinha ma cama de solteiro e só.
Cogitei levar a cama de viúva para o outro quarto. Ia dar muito trabalho e a cama era muito barulhenta ANTES de ser movida. Imagina depois....
Não tinha jeito, teria que ser o quarto vazio, com cama de solteiro. O que não é muito problema, já que estou solteiro. Mas eu precisava de mais alguma coisa no quarto, principalmente para usar o computador.
A primeira coisa que fiz foi jogar a cama no meio do quarto e roubar um criado mudo do quarto mal assombrado. Já melhorou, mas ainda faltava um lugar para usar o computador.
Cogitei arrancar as gavetas embaixo da parte aberta do armário e meter uma cadeira da sala ali, para usar de mesa. Ia ser desconfortável, mas poderia resolver o problema.
Indo para a sala passei pela cozinha e vi uma cadeira. Não precisava roubar da sala. E vi um baqueto também. Roubei os dois na alta para o quarto. E devolvi o criado mudo para o quarto mal assombrado.
Aí fiquei olhando para a mesa da cozinha, olhando, olhando.... Ia ser estranho ter 4 cadeiras sobrando na cozinha, mas poxa, ela ia ficar tão bacana no quarto..... Ia encaixar como uma luva. Foda-se, eu cheguei primeiro, eu vou morar 6 meses naquele apartamento e o outro cara só um mês. Catei a mesa e coloquei no meu quarto.
Aí ele passou disso:

Para isso:

Agora quase posso chamar de quarto. Falta só arrumar uma TV para colocar no buraco do armário (que com certeza foi feito para colocar uma TV).
Vamos ver se alguém vai morar no micro-quarto de empregada.
Ps. 1: O correto não é casaum, é domi. Favor não me xingar.
Ps. 2: as fotos estão ruins porque estava escuro e a bateria do meu celular estava acabando, então não podia usar o flash. Favor não me xingar.
13 de set. de 2013
Paradoxo do silêncio
Durante 23 ou 24 anos da minha vida eu morei no beco, popularmente conhecido como apartamento da minha mãe em BH. E o Beco é um dos lugares mais silenciosos do mundo. O prédio é o último de rua sem saída e o apartamento ainda é de fundos.
Além deste isolamento, minha família nunca foi de interagir muito, além de ter horários incompatíveis: consigo pensar em uns 2 ou 3 ano em que eu e a minha irmã estudamos no mesmo período. Teve épocas, inclusive, que eu só a via nos finais de semana, porque ela fazia faculdade a noite e eu passava o dia no colégio e/ou faculdade.
Isso me fez se muito acostumado com o silêncio. E me fez passar a ter pânico de barulho. Não é aquele pânico que o pessoal tem de altura, aranha, cobra, etc. Eu simplesmente fico desnorteado quando estou em um ambiente muito barulhento. Desnorteado MESMO. A menos que seja um show, um bar ou algum outro lugar em que eu sei que vai ter barulho e eu QUERO que tenha barulho, eu fico desnorteado.
Festa de aniversário de criança, por exemplo, é para querer me matar. Aliás, não precisa muito. Se tiver mais de 2 pessoas falando ao mesmo tempo eu já começo a bater pino.
A principal razão é porque eu sempre quero prestar atenção em tudo em que está acontecendo à minha volta, e é impossível com muita gente falando ou muitas fontes de barulho. É muita informação para o meu cérebro processar.
Como eu não sou dos mais sociáveis, não sou muito de conversar com outras pessoas, especialmente as que eu não conheço. Juntou 20 pessoas falando ao meu redor, eu simplesmente "desligo". E em dias com eventos barulhentos, eu fico contando os minutos para que tudo acabe e o barulho acabe.
Um exemplo: um tempo atrás uma "prima" minha esteve em BH e ficou na casa da minha Tia. Ela veio com 3 crianças: 1, 4 e 7 anos (ou algo do tipo). Além das 3, ainda tinha o marido da minha "prima", a mãe da minha "prima" (não, não é a minha tia. Por isso as aspas) e o namorado dela. Como era almoço especial, ainda tinha meu pai, minha avó e minha tia, lógico. Ou seja: eram 10 pessoas.
Quando eu cheguei todos já estavam lá. Ao abrir a porta, foi uma visão do inferno: as crianças correndo, gritando, pulando e tentando interagir com todos. O neném, chorando. Os adultos, conversando paralelamente, sempre cruzando conversas na mesa. E eu lá, sem nenhum assunto, completamente louco com 10 fontes de barulho à minha volta.
Sem brincadeira, eu estava ficando maluco e pensando seriamente em dar uma volta na rua. Mas como seria muita falta de educação, aguentei firme e forte. E pensando quando aquele povaréu todo ia embora para pegar o avião.
Até que a hora chegou e eles foram embora. Meu amigos, foi um momento mágico. Eu ouvia as vozes se afastando, afastando, afastando... até sumirem completamente. E veio aquele silêncio sepulcral. Foram uns 2 minutos de paz. Parece que o meu cérebro ordenou que inundassem meu corpo com endorfina (ou qualquer outro hormônio de bem estar).
Mas apesar de gostar de silêncio e PRECISAR de silêncio, eu sempre preciso de algum barulho para fazer qualquer coisa. Sim, é um paradoxo. Mas não consigo fazer uma atividade em completo silêncio.
No trabalho, estou sempre com fone de ouvido (na maioria das vezes, é como EPI, por causa dos outros barulhos à minha volta). A música está lá, baixinha, quase inaudível, mas está lá.
Em casa, normalmente a TV está ligada. E algumas vezes ela está naquele canal inicial da TV a cabo, o de propagandas do pay-per-view e outros programas. E eu só vejo isso quando realmente paro para assistir a TV. Se eu estou no computador, a música está ligada. E às vezes a música E a TV.
Se eu estou no aeroporto, avião ou busão , o fone está nos ouvidos, normalmente com algum podcast.
E se eu estou sem nenhuma forte de barulho, coloco alguma música para "tocar" na minha cabeça. Sério, quando estou correndo, no metro ou dirigindo, por exemplo, sempre está lá uma música "tocando" na minha cabeça.
Mas vez ou outra eu entro no quarto, desligo todas as luzes, fecho a cortina, fecho a porta, deito, e fico lá, no escuro, só curtindo o silêncio total. E acho ótimo.
Não, eu não sou normal. Mas pelo menos eu admito isso.
Além deste isolamento, minha família nunca foi de interagir muito, além de ter horários incompatíveis: consigo pensar em uns 2 ou 3 ano em que eu e a minha irmã estudamos no mesmo período. Teve épocas, inclusive, que eu só a via nos finais de semana, porque ela fazia faculdade a noite e eu passava o dia no colégio e/ou faculdade.
Isso me fez se muito acostumado com o silêncio. E me fez passar a ter pânico de barulho. Não é aquele pânico que o pessoal tem de altura, aranha, cobra, etc. Eu simplesmente fico desnorteado quando estou em um ambiente muito barulhento. Desnorteado MESMO. A menos que seja um show, um bar ou algum outro lugar em que eu sei que vai ter barulho e eu QUERO que tenha barulho, eu fico desnorteado.
Festa de aniversário de criança, por exemplo, é para querer me matar. Aliás, não precisa muito. Se tiver mais de 2 pessoas falando ao mesmo tempo eu já começo a bater pino.
A principal razão é porque eu sempre quero prestar atenção em tudo em que está acontecendo à minha volta, e é impossível com muita gente falando ou muitas fontes de barulho. É muita informação para o meu cérebro processar.
Como eu não sou dos mais sociáveis, não sou muito de conversar com outras pessoas, especialmente as que eu não conheço. Juntou 20 pessoas falando ao meu redor, eu simplesmente "desligo". E em dias com eventos barulhentos, eu fico contando os minutos para que tudo acabe e o barulho acabe.
Um exemplo: um tempo atrás uma "prima" minha esteve em BH e ficou na casa da minha Tia. Ela veio com 3 crianças: 1, 4 e 7 anos (ou algo do tipo). Além das 3, ainda tinha o marido da minha "prima", a mãe da minha "prima" (não, não é a minha tia. Por isso as aspas) e o namorado dela. Como era almoço especial, ainda tinha meu pai, minha avó e minha tia, lógico. Ou seja: eram 10 pessoas.
Quando eu cheguei todos já estavam lá. Ao abrir a porta, foi uma visão do inferno: as crianças correndo, gritando, pulando e tentando interagir com todos. O neném, chorando. Os adultos, conversando paralelamente, sempre cruzando conversas na mesa. E eu lá, sem nenhum assunto, completamente louco com 10 fontes de barulho à minha volta.
Sem brincadeira, eu estava ficando maluco e pensando seriamente em dar uma volta na rua. Mas como seria muita falta de educação, aguentei firme e forte. E pensando quando aquele povaréu todo ia embora para pegar o avião.
Até que a hora chegou e eles foram embora. Meu amigos, foi um momento mágico. Eu ouvia as vozes se afastando, afastando, afastando... até sumirem completamente. E veio aquele silêncio sepulcral. Foram uns 2 minutos de paz. Parece que o meu cérebro ordenou que inundassem meu corpo com endorfina (ou qualquer outro hormônio de bem estar).
Mas apesar de gostar de silêncio e PRECISAR de silêncio, eu sempre preciso de algum barulho para fazer qualquer coisa. Sim, é um paradoxo. Mas não consigo fazer uma atividade em completo silêncio.
No trabalho, estou sempre com fone de ouvido (na maioria das vezes, é como EPI, por causa dos outros barulhos à minha volta). A música está lá, baixinha, quase inaudível, mas está lá.
Em casa, normalmente a TV está ligada. E algumas vezes ela está naquele canal inicial da TV a cabo, o de propagandas do pay-per-view e outros programas. E eu só vejo isso quando realmente paro para assistir a TV. Se eu estou no computador, a música está ligada. E às vezes a música E a TV.
Se eu estou no aeroporto, avião ou busão , o fone está nos ouvidos, normalmente com algum podcast.
E se eu estou sem nenhuma forte de barulho, coloco alguma música para "tocar" na minha cabeça. Sério, quando estou correndo, no metro ou dirigindo, por exemplo, sempre está lá uma música "tocando" na minha cabeça.
Mas vez ou outra eu entro no quarto, desligo todas as luzes, fecho a cortina, fecho a porta, deito, e fico lá, no escuro, só curtindo o silêncio total. E acho ótimo.
Não, eu não sou normal. Mas pelo menos eu admito isso.
24 de jul. de 2013
Ascensoristas Cariocas
Uma coisa que sempre me causou estranheza aqui no Rio (lembrem-se que a minha família é carioca, então passei boa parte das minhas férias aqui) é a quantidade de ascensoristas que tem nesta cidade. O sindicato deles deve ser muito forte, porque quase todo prédio comercial tem. E como não poderia deixar de ser, no prédio da firrrrrrma tem um monte. E eles são, digamos, peculiares.
O mais peculiar é que, segundo meu chefe, a maioria deles está lá há pelo menos 12 anos, tempo que ele tem de empresa.
Mengão
Mengão é o meu preferido. Confesso que a primeira vez que peguei o elevador com ele achei que ele tivesse algum problema mental, mas depois vi que ele é capaz de ter conversas normais. Mengão tem este apelido porque 1 em cada 3 palavras que ele fala é Mengão (ou a sua variante feminina, Mengona). Não, eu não estou brincando.
Primeiro que ele chama todo mundo de mengão, até o presidente da empresa. E as mulheres, de mengona, lógico. Entre duas frases desconexas, ele mete um "mengão" para dar continuidade no assunto. Bem parecido com o "tipo" dos mineiros, "então" dos paulistas e "caraca" dos cariocas.
Mas o que eu acho legal é que o cara é bem divertido, bem alto astral. E depois que você percebe que ele consegue ter conversas complexas (sobre futebol, claro), dá até pra trocar uma idéia legal.
Piadista
Esse nome aí eu que inventei. E é porque o cara gosta de fazer piadinhas do tipo "pavê ou pá comê". A mais clássica é chegar no último andar e falar "sobe". Ou então falar "23" (o último andar é o 22). E o pior é que eu SEMPRE caio, porque ando muito pela empresa e as vezes esqueço que andar estou.
Apesar disso, o cara é gente boa. E como ele é um dos últimos a ir embora, várias vezes eu desço sozinho no elevador e troco idéia com ele (quem me conhece sabe que isso é um fato raro).
Ranziza
O ranzinza é um baixinho, meio careca e de bacelo branco. Parece, realmente um anão de filme da bela adormecida. E o cara está sempre sério. O mais bizarro desse cara e que ele sabe o andar DE TODO MUNDO. Tinha uma semana que eu estava no Rio e o cara já sabia o meu andar. Comecei a reparar, ele dificilmente pergunta o andar para as pessoas, já vai apertando. Uma vez, inclusive, eu ia para um andar diferente do meu e ele já tinha apertado o botão do meu andar.
Em uma das poucas vezes que ele conversou comigo, falou que o filho dele também trabalha viajando (ok, eu estava de mala no dia). Não sei se era alegria de ver o filho naquele dia ou se ele tinha tirado as teias, mas foi uma das raras vezes que vi ranzinza conversar.
Tem mais uns outros, cada um com a sua mania e loucura, mas esses três são os que mais se destacam. Quem sabe com o tempo algum dos outros ganha um post.
O mais peculiar é que, segundo meu chefe, a maioria deles está lá há pelo menos 12 anos, tempo que ele tem de empresa.
Mengão
Mengão é o meu preferido. Confesso que a primeira vez que peguei o elevador com ele achei que ele tivesse algum problema mental, mas depois vi que ele é capaz de ter conversas normais. Mengão tem este apelido porque 1 em cada 3 palavras que ele fala é Mengão (ou a sua variante feminina, Mengona). Não, eu não estou brincando.
Primeiro que ele chama todo mundo de mengão, até o presidente da empresa. E as mulheres, de mengona, lógico. Entre duas frases desconexas, ele mete um "mengão" para dar continuidade no assunto. Bem parecido com o "tipo" dos mineiros, "então" dos paulistas e "caraca" dos cariocas.
Mas o que eu acho legal é que o cara é bem divertido, bem alto astral. E depois que você percebe que ele consegue ter conversas complexas (sobre futebol, claro), dá até pra trocar uma idéia legal.
Piadista
Esse nome aí eu que inventei. E é porque o cara gosta de fazer piadinhas do tipo "pavê ou pá comê". A mais clássica é chegar no último andar e falar "sobe". Ou então falar "23" (o último andar é o 22). E o pior é que eu SEMPRE caio, porque ando muito pela empresa e as vezes esqueço que andar estou.
Apesar disso, o cara é gente boa. E como ele é um dos últimos a ir embora, várias vezes eu desço sozinho no elevador e troco idéia com ele (quem me conhece sabe que isso é um fato raro).
Ranziza
O ranzinza é um baixinho, meio careca e de bacelo branco. Parece, realmente um anão de filme da bela adormecida. E o cara está sempre sério. O mais bizarro desse cara e que ele sabe o andar DE TODO MUNDO. Tinha uma semana que eu estava no Rio e o cara já sabia o meu andar. Comecei a reparar, ele dificilmente pergunta o andar para as pessoas, já vai apertando. Uma vez, inclusive, eu ia para um andar diferente do meu e ele já tinha apertado o botão do meu andar.
Em uma das poucas vezes que ele conversou comigo, falou que o filho dele também trabalha viajando (ok, eu estava de mala no dia). Não sei se era alegria de ver o filho naquele dia ou se ele tinha tirado as teias, mas foi uma das raras vezes que vi ranzinza conversar.
Tem mais uns outros, cada um com a sua mania e loucura, mas esses três são os que mais se destacam. Quem sabe com o tempo algum dos outros ganha um post.
12 de jul. de 2013
Pedra ao alvo
Como eu falei em outro post, a galera no Rio está com vontade de quebrar coisas. E nessa onda também estão entrando os trombadinhas (alguém ainda fala trombadinha?).
Estava eu voltando do almoço quando paro em um sinal na Rio Branco, esperando para atravessar a rua. De repente, vejo una pequena confusão e um moleque atravessando a avenida correndo (para quem não conhece, a Rio Branco é uma das principais avenidas do centro do Rio.
Chegando do outro lado da avenida, o sujeito abaixa, cata uma pedra no chão e arremessa. Ela bate em alguma coisa que não identifiquei, mas não era o que o cara queria acertar.
Ele abaixa novamente, pega outra pedra no chão e tenta mais uma vez. Desta feita, é certeiro: a pedra voou pela Rio Branco inteira e acertou uma vidraça do McDonalds em cheio. Mal deu tempo das pessoas que estavam debaixo, na rua, esquivarem da chuva de cacos de vidro.
Não fiquei lá para ver, nas acho que ninguém se machucou (talvez quem levou a pedrada dentro da loja). Mas o prejuízo foi considerável...
Estava eu voltando do almoço quando paro em um sinal na Rio Branco, esperando para atravessar a rua. De repente, vejo una pequena confusão e um moleque atravessando a avenida correndo (para quem não conhece, a Rio Branco é uma das principais avenidas do centro do Rio.
Chegando do outro lado da avenida, o sujeito abaixa, cata uma pedra no chão e arremessa. Ela bate em alguma coisa que não identifiquei, mas não era o que o cara queria acertar.
Ele abaixa novamente, pega outra pedra no chão e tenta mais uma vez. Desta feita, é certeiro: a pedra voou pela Rio Branco inteira e acertou uma vidraça do McDonalds em cheio. Mal deu tempo das pessoas que estavam debaixo, na rua, esquivarem da chuva de cacos de vidro.
Não fiquei lá para ver, nas acho que ninguém se machucou (talvez quem levou a pedrada dentro da loja). Mas o prejuízo foi considerável...
3 de jul. de 2013
A importância da prática em cursos
Eu já fiz diversos treinamentos de segurança e primeiros socorros. Já até perdi a conta. E em todos eles explicam como proceder em caso de convulsão.
Esta semana, não lembro quando, estava almoçando quando do nada o cara da mesa ao lado caiu no chão e começou a tremer. Antes que eu pudesse puxar da memória o que fazer o pessoal da mesa em que ele estava (e metade do restaurante) já estavam em volta. Alguns ajudando, outros bicando, curiosos.
E foi estranho ver o cara se debatendo, completamente contraído, babando. E saber que nesses casos não tem nada para fazer, a não ser colocar o cara de lado, para que ele não afogue com a própria saliva.
No final, deu tudo certo, o cara voltou a si (depois de algum tempo, é verdade) e pela calma de todos, deve ser uma coisa frequente com ele. Mas vi que por mais cursos teóricos que você faça, nada é capaz de dar mais noção do problema do que ver ao vivo (eu já tinha visto videos com simulações).
E, de uma forma meio tétrica, vi a importância da prática em cursos. O mais irônico é que esta semana estou fazendo um curso...
Esta semana, não lembro quando, estava almoçando quando do nada o cara da mesa ao lado caiu no chão e começou a tremer. Antes que eu pudesse puxar da memória o que fazer o pessoal da mesa em que ele estava (e metade do restaurante) já estavam em volta. Alguns ajudando, outros bicando, curiosos.
E foi estranho ver o cara se debatendo, completamente contraído, babando. E saber que nesses casos não tem nada para fazer, a não ser colocar o cara de lado, para que ele não afogue com a própria saliva.
No final, deu tudo certo, o cara voltou a si (depois de algum tempo, é verdade) e pela calma de todos, deve ser uma coisa frequente com ele. Mas vi que por mais cursos teóricos que você faça, nada é capaz de dar mais noção do problema do que ver ao vivo (eu já tinha visto videos com simulações).
E, de uma forma meio tétrica, vi a importância da prática em cursos. O mais irônico é que esta semana estou fazendo um curso...
24 de mar. de 2013
Pronto, mudei
Pois bem, queridos leitores, eu precisava resolver a minha vida, como comentei aqui outro dia. Faltavam 2 coisas para fazer: despachar as coisas da Veia pro Rio e levar as minhas tralhas para algum lugar.
A primeira das tarefas era simples: bastava ligar para a empresa que a Veia contratou para a mudança e combinar um dia e horário. Só que eu não tinha o telefone da empresa, só o email. Aí mandei um email falando que poderia sexta de manhã ou sábado qualquer horário, mas que confirmassem o dia e horário. Como não confirmaram nada, acabei esquecendo.
Chegou sexta e eu estava em uma das milhares de reuniões que eu ando fazendo. Aí meu telefone toca. Atendi e era um cara da empresa falando: "o pessoal está na porta da sua casa. Você não está lá?". Falei que não, porque não confirmaram nada. E o cara retrucou falando que eu tinha mandado o email combinando. Como essa conversa não ia dar em nada, saí correndo no meio da reunião e fui pra casa da Véia.
Tiraram tudo, me entregaram um recibo e foram embora. E eu voltei pro trabalho. Perdi 3 horas do dia, mas tudo bem. Nada que um almoço de 15 minutos e trabalho até 8 da noite não resolvesse.
Chegou sábado. Eu precisava fazer mágica para colocar um quarto inteiro em um armário da garagem da casa da minha tia. Encaixotei o que faltava, redistribui algumas coisas em caixas menores, levei tudo para a sala e.... era coisa pra caramba. "Não vai caber. Certeza".
Nesse meio tempo, foram buscar a minha cama, que eu doei. Eu falei que o melhor era desmontar a cama, mas o pessoal resolveu levar a cama montada, inteirinha, em cima de um uno. Sim. A cama inteira, com colchão e tudo, no teto de um UNO. Não quis nem ver como fizeram para colocar e amarrar a cama lá, nem saber como fizeram pra levar a cama no transito. Deixei o Véio lá com eles enquanto finalizava a minha mudança.
Coloquei tudo no carro do Véio (quase nao coube tudo no carro) e fui pra casa da minha tia. Olhei para as caixas, olhei para o armário (na verdade, olhei para a prateleira vazia do armário), olhei de volta para as caixas, soltei um "é...." e comecei a jogar tetris. No fim, coube tudo. Quer dizer, quase tudo. Tive que levar algumas coisas para a casa do Veio.
Na casa do Veio, fiz aquela bela limpeza nas gavetas da minha cama e no meu armario, sem dó, com desapego total. Abriu um espaço do tamanho do mundo. Não sabia que tinha tanta tralha lá também.
E aí consegui finalizar a mudança. Mas com a certeza de que chegou a hora de comprar um apartamento.
A primeira das tarefas era simples: bastava ligar para a empresa que a Veia contratou para a mudança e combinar um dia e horário. Só que eu não tinha o telefone da empresa, só o email. Aí mandei um email falando que poderia sexta de manhã ou sábado qualquer horário, mas que confirmassem o dia e horário. Como não confirmaram nada, acabei esquecendo.
Chegou sexta e eu estava em uma das milhares de reuniões que eu ando fazendo. Aí meu telefone toca. Atendi e era um cara da empresa falando: "o pessoal está na porta da sua casa. Você não está lá?". Falei que não, porque não confirmaram nada. E o cara retrucou falando que eu tinha mandado o email combinando. Como essa conversa não ia dar em nada, saí correndo no meio da reunião e fui pra casa da Véia.
Tiraram tudo, me entregaram um recibo e foram embora. E eu voltei pro trabalho. Perdi 3 horas do dia, mas tudo bem. Nada que um almoço de 15 minutos e trabalho até 8 da noite não resolvesse.
Chegou sábado. Eu precisava fazer mágica para colocar um quarto inteiro em um armário da garagem da casa da minha tia. Encaixotei o que faltava, redistribui algumas coisas em caixas menores, levei tudo para a sala e.... era coisa pra caramba. "Não vai caber. Certeza".
Nesse meio tempo, foram buscar a minha cama, que eu doei. Eu falei que o melhor era desmontar a cama, mas o pessoal resolveu levar a cama montada, inteirinha, em cima de um uno. Sim. A cama inteira, com colchão e tudo, no teto de um UNO. Não quis nem ver como fizeram para colocar e amarrar a cama lá, nem saber como fizeram pra levar a cama no transito. Deixei o Véio lá com eles enquanto finalizava a minha mudança.
Coloquei tudo no carro do Véio (quase nao coube tudo no carro) e fui pra casa da minha tia. Olhei para as caixas, olhei para o armário (na verdade, olhei para a prateleira vazia do armário), olhei de volta para as caixas, soltei um "é...." e comecei a jogar tetris. No fim, coube tudo. Quer dizer, quase tudo. Tive que levar algumas coisas para a casa do Veio.
Na casa do Veio, fiz aquela bela limpeza nas gavetas da minha cama e no meu armario, sem dó, com desapego total. Abriu um espaço do tamanho do mundo. Não sabia que tinha tanta tralha lá também.
E aí consegui finalizar a mudança. Mas com a certeza de que chegou a hora de comprar um apartamento.
21 de mar. de 2013
Altos níveis de loucura
Cheguei em casa, abri a mochila e peguei o meu crachá da empresa. Demorou uns 10 segundos até eu perceber que eu não estava no trabalho e que eu precisaria da chave para abrir a porta de casa.
Preciso de férias.
Preciso de férias.
20 de mar. de 2013
Nome Legal 2: o retorno
Quem lê o blog há mais tempo lembra de uma história que eu contei aqui do presidente de uma empresa que eu estava prestando consultoria que queria chamar a filha dele de Maria Ebitda.
Hoje, procurando o telefone de uma pessoa da minha empresa, descobri que existe uma Marina Margem.
Eu juro que dei uma gargalhada. Ninguém entendeu.
Hoje, procurando o telefone de uma pessoa da minha empresa, descobri que existe uma Marina Margem.
Eu juro que dei uma gargalhada. Ninguém entendeu.
17 de set. de 2012
O importante é a sinceridade
Em um dos vôos que peguei nessa semana sentei na saída de emergência (acho que foi na ida para o Rio). A aeromoça explicando os procedimentos para uma mulher ao meu lado:
Se tivermos um acidente, a primeira coisa é olhar para fora, pela janela. Se tiver fogo, fumaça ou se a asa não estiver no lugar, não pode abrir a saída de emergência.A coitada da mulher arregalou os olhos e ficou o vôo inteiro assim (em pânico, imagino eu). Me deu até pena.
20 de ago. de 2012
O humor e a forma de andar
Outro dia estava andando pelo escritorio e sabe-se lá porque parei para pensar o quanto a minha forma de andar mostra o meu humor. Aí voltando pra casa mais tarde aquele dia comecei a me mapear. Montei o seguinte modelo:
— andando rápido, olhando pra frente: modo normal de operação. Está tudo ocorrendo como esperado (ou seja, caótico);
— andando rápido, olhando para baixo: estou preocupado. Alguma coisa deu merda ou periga dar merda, mas é contornável;
— andando rápido, olhando pra cima: deu merda e/ou estou puto;
— andando rápido, com olhar psicopata: estou muito puto. Deu uma merda muito grande e/ou me deram uma notícia muito ruim. Se me ver assim, não fale comigo;
— andando devagar, olhando pra frente: estou cansado pra caralho, quase pedindo penico;
— andando devagar, olhando pra baixo: estou desanimado e/ou pensando em desistir;
— andando devagar, olhando pra cima: não estou acreditando em alguma coisa que aconteceu (estou desapontado / sem esperança / sem fé na humanidade);
— andando normal, não importa para onde estiver olhando: é fim de semana ou feriado.
Pronto, agora você consegue saber o que está acontecendo comigo só de olhar pra mim. Alguém aí que me conhece pessoalmente tem algum modo ou comentário para eu acrescentar aqui?
— andando rápido, olhando pra frente: modo normal de operação. Está tudo ocorrendo como esperado (ou seja, caótico);
— andando rápido, olhando para baixo: estou preocupado. Alguma coisa deu merda ou periga dar merda, mas é contornável;
— andando rápido, olhando pra cima: deu merda e/ou estou puto;
— andando rápido, com olhar psicopata: estou muito puto. Deu uma merda muito grande e/ou me deram uma notícia muito ruim. Se me ver assim, não fale comigo;
— andando devagar, olhando pra frente: estou cansado pra caralho, quase pedindo penico;
— andando devagar, olhando pra baixo: estou desanimado e/ou pensando em desistir;
— andando devagar, olhando pra cima: não estou acreditando em alguma coisa que aconteceu (estou desapontado / sem esperança / sem fé na humanidade);
— andando normal, não importa para onde estiver olhando: é fim de semana ou feriado.
Pronto, agora você consegue saber o que está acontecendo comigo só de olhar pra mim. Alguém aí que me conhece pessoalmente tem algum modo ou comentário para eu acrescentar aqui?
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