Brasileiro é uma raça muito estranha. Ao mesmo tempo que adora dar uma de espertinho, passando na frente dos outros em atendimentos, adora uma fila. É algo impressionante. Isso pode ser bem exemplificado no trânsito. Enquanto o trânsito está andando (ou em um engarrafamento), todo mundo que passar na frente dos outros, cortando outros carros e mudando de faixa toda hora. Quando chega-se em um sinal (sinaleiro, farol, semáforo, ou como quer que chamem isso no seu estado), todo mundo pega sempre a faixa que tem mais carros.
Pode reparar, é sempre assim: se a fila maior é a da faixa do meio, vai todo mundo pra faixa do meio. Se é a da faixa da esqureda, fica todo mundo na faixa da esquerda. Enquanto isso, as outras faixas ficam com filas pequenas ou até mesmo sem NENHUM carro (acredite, isso acontece direto). Essa é a Teoria das Filas: se há uma pessoa em uma fila, todos irão ficar atrás dessa pessoa.
Parece que é medo de entrar em outra fila e dar algo errado. Afinal, se tem alguém na fila é porque ali funciona. "Vai que na outra faixa (ou caixa, atendente, etc) não está funcionando? Eu vou perder segundos preciosos indo até lá", pensam muitos. Depois que tomei conhecimento desta teoria, comecei a reparar e vi que ela é verdadeira. Expliquei para Xuxu e ela também confirmou a veracidade.
O único problema é que às vezes uma faixa está vazia realmente por estar interditada. Ou por ser alguma conversão, o que te força a dar umas voltinhas no trânsito já caótico de BH. Mas em tempo: não é só em BH que é assim. Conheci essa teoria em São José dos Campos. E foi lá que ela deu errado pela primeira vez...
12 de mar. de 2009
11 de mar. de 2009
Por que eu odeio o Banco Real 2
Outro dia comentei aqui que, mesmo tendo fechado a conta no Real ela permaneceu aberta e ainda depositaram um valor de bônus nela. Hoje, aproveitando a carga baixa de trabalho, fui até a agência perto do trampo. Surpreendentemente não tinha fila. Expliquei a situação para a caixa e ela falou que, sem o cartão, não poderia fazer o saque, por ser de outra agência. Falou para eu conversar com a gerente da agência pra ver o que ela conseguia fazer.
Fui até a gerente, expliquei e ela me falou um simples "tem que ir na agência". Expliquei que são 5 ronaldos e pouco e que só de ônibus eu gasto mais que isso. Ela falou um "sinto muito", com aquela cara de "se fudeu". E me explicou que a conta Poupança (o meu caso) fica aberta durante 3 meses após a solicitaçõa de encerramento e que podem, sim, cair coisas nela mesmo depois de "encerrada".
Que porra é essa? Se o cara que fechou a minha conta sabia que isso podia a contecer, tinha que ter me falado. E mais: não devia ter quebrado a porra do meu cartão! Estou quase pedindo, se não tiver custo, óbvio, um novo cartão, que deverá ser entregue na minha casa, para eu poder sacar o dinheiro em uma agência perto da minha casa. E se não rolar, vou encher o saco deles até conseguir. Afinal, o erro foi deles e não meu.
Tomá na toba desse banco...
Fui até a gerente, expliquei e ela me falou um simples "tem que ir na agência". Expliquei que são 5 ronaldos e pouco e que só de ônibus eu gasto mais que isso. Ela falou um "sinto muito", com aquela cara de "se fudeu". E me explicou que a conta Poupança (o meu caso) fica aberta durante 3 meses após a solicitaçõa de encerramento e que podem, sim, cair coisas nela mesmo depois de "encerrada".
Que porra é essa? Se o cara que fechou a minha conta sabia que isso podia a contecer, tinha que ter me falado. E mais: não devia ter quebrado a porra do meu cartão! Estou quase pedindo, se não tiver custo, óbvio, um novo cartão, que deverá ser entregue na minha casa, para eu poder sacar o dinheiro em uma agência perto da minha casa. E se não rolar, vou encher o saco deles até conseguir. Afinal, o erro foi deles e não meu.
Tomá na toba desse banco...
9 de mar. de 2009
Os absurdos causados pela lei brasileira
Desde que Joselita entrou no projeto reparei que ela fala muito ao telefone. No primeiro dia, foi pra bater papo com as amigas e contar que tinha arrumado emprego. Nos dias seguintes, foi pedindo "exemplos" de documentos que vamos ter que elaborar no projeto. Tipo a gente faz na faculdade quando não sabe fazer alguma coisa, sabe? E desde então estou cabreiro com ela.
[interlúdio] Eu tenho dessas coisas: às vezes, só de olhar para uma pessoa eu já não vou com a cara dela. Posso nunca ter conversado com ela, mas não vou com a cara dela. Algumas vezes, depois de conversar com a pessoa vejo que não tem nada a ver e que era tudo loucura minha. Mas MUITAS vezes eu estou certo. O fato é que quando eu não vou com a cara de alguém presto muito mais atenção na pessoa para ver se eu estava certo ou errado. [/interlúdio]
Estava eu trabalhando, sentado na minha mesa, quando um cara de um outro projeto levantou da sua mesa e foi até a Joselita. Eu, liguei o radar para tentar pescar alguma coisa da conversa:
- Bom, como você é engenheira civil deve saber mais que eu de AutoCAD. Tira uma dúvida...
- Na verdade nunca mexi com AutoCAD. Não posso te ajudar.
- Ah, tá, brigado.
Naquele exato instante perguntei ao meu gerente (que é de São Paulo):
- Onde que a Joselita formou?
- Ah, foi numa faculdade aqui de Minas, deixa eu ver no sistema de RH.... Aqui: Faculdade de engenharia Kennedy. Mas fez pós na UFMG e MBA (não lembro onde). Por que?
- Achei estranho uma Engenheira Civil que não conhece AutoCAD.
- Ah, é que ela sempre trabalhou cuidando de obra.
Para quem não sabe, a Kennedy é uma das faculdades mais picaretas e desprestigiadas aqui de BH. Apesar de ter num sei quantos anos de existência (tentei olhar, mas o site da faculdade tá fora do ar), ninguém a leva muito a sério (desculpe se algum leitor formou lá. Mas é a mais pura verdade). Tem muita empresa de Civil que quando recebe um currículo de lá já joga direto no lixo.
Para não dizer que estou escrevendo bobagem, vamos trabalhar com fatos e dados. BH tem, hoje, 6 faculdades que têm o curso de engenharia civil (que eu saiba). Só na UFMG (a mais conceituada) entram, por ano, 200 estudantes. Acho que no total devem ter umas 600 a 700 vagas de Engenharia Civil, por ano, em BH. A Kennedy é, sem dúvida, a última escolha das pessoas.
Ou seja, estamos falando, teoricamente, dos estudantes menos preparados. O que não quer dizer que todo engenheiro formado lá seja ruim. Pode ter gente boa que formou lá, mas acho difícil, dado que a tal menina em 5 anos de curso nunca trabalhou com AutoCAD.
"Mas por que esse alarde todo?", você me pergunta. Simples: no escritório de BH da minha empresa ela é a ÚNICA Engenheira Civil. E, por conta disso, deveria ser alguém MUITO bom de serviço, com conhecimento na área que vai trabalhar (PROJETO de engenharia). O que, pelo jeito, ela não tem.
"Então porque contrataram ela?", você retruca. Simples: por causa dessa lei. Sim, ela tem deficiência física. E antes que comecem a me apedrejar: não estou falando que deficiente físico não é bom de serviço, longe disso. Um grande amigo meu tem deficiência física (o Meleca) e é um dos caras mais inteligentes e capaz que eu conheço.
Só que, infelizmente, não há mão de obra qualificada suficiente para suprir todas as vagas abertas para deficiente físico e acabam tendo que contratar qualquer um que tenha alguma deficiência, senão a multa come em cima da empresa. Nas várias empresas que já passei, seja como contratado, seja como consultor, NUNCA vi algum deficiente fazendo serviços que não fossem de apoio (secretária, digitador, etc).
Eu sei que parte da culpa é nossa, que discrimina os deficientes e blábláblá, mas pô, no vestibular eles têm a mesmissíma chance de passar que qualquer outro (desde que estudem, claro). E não se vê muitos deficientes nas universidades. Não tenho dados para comentar, mas acredito que não tenha 5% de deficientes estudando na UFMG. E lá são mais de 30 mil alunos. Como é que querem, portanto, que as vagas para deficientes sejam preenchidas nas empresas?
Eu acho que os deficientes têm que receber tratamento igual ao dos não-deficientes. Realmente acho. E por pensar assim, acredito que deveriam ter o mesmo tratamento para conseguir as vagas de trabalho: sendo qualificados e capazes. Assim como cotas para negros nas universidades (nem vou começar a falar sobre o assunto), essa cota para deficientes na empresa é absurda.
Pra mim, se o cara é bom de serviço (seja ele branco, negro, amarelo, verde, cor de rosa, cego, surdo, mudo, sem pé, sem mão, etc) ele merece uma chance. Se não é, que se qualifique.
E antes que me apedrejam pela segunda vez: eu sei que a vida dessas pessoas é mais difícil (principalmente para os que não enxergam e que andam de cadeiras de rodas), mas se tem gente que consegue, não é impossível.
Aliás, se você conhece algum deficiente bom de serviço que saiba programar em java, me mande um email. Se o cara for bom mesmo, tem grandes chances de ser contratado.
[interlúdio] Eu tenho dessas coisas: às vezes, só de olhar para uma pessoa eu já não vou com a cara dela. Posso nunca ter conversado com ela, mas não vou com a cara dela. Algumas vezes, depois de conversar com a pessoa vejo que não tem nada a ver e que era tudo loucura minha. Mas MUITAS vezes eu estou certo. O fato é que quando eu não vou com a cara de alguém presto muito mais atenção na pessoa para ver se eu estava certo ou errado. [/interlúdio]
Estava eu trabalhando, sentado na minha mesa, quando um cara de um outro projeto levantou da sua mesa e foi até a Joselita. Eu, liguei o radar para tentar pescar alguma coisa da conversa:
- Bom, como você é engenheira civil deve saber mais que eu de AutoCAD. Tira uma dúvida...
- Na verdade nunca mexi com AutoCAD. Não posso te ajudar.
- Ah, tá, brigado.
Naquele exato instante perguntei ao meu gerente (que é de São Paulo):
- Onde que a Joselita formou?
- Ah, foi numa faculdade aqui de Minas, deixa eu ver no sistema de RH.... Aqui: Faculdade de engenharia Kennedy. Mas fez pós na UFMG e MBA (não lembro onde). Por que?
- Achei estranho uma Engenheira Civil que não conhece AutoCAD.
- Ah, é que ela sempre trabalhou cuidando de obra.
Para quem não sabe, a Kennedy é uma das faculdades mais picaretas e desprestigiadas aqui de BH. Apesar de ter num sei quantos anos de existência (tentei olhar, mas o site da faculdade tá fora do ar), ninguém a leva muito a sério (desculpe se algum leitor formou lá. Mas é a mais pura verdade). Tem muita empresa de Civil que quando recebe um currículo de lá já joga direto no lixo.
Para não dizer que estou escrevendo bobagem, vamos trabalhar com fatos e dados. BH tem, hoje, 6 faculdades que têm o curso de engenharia civil (que eu saiba). Só na UFMG (a mais conceituada) entram, por ano, 200 estudantes. Acho que no total devem ter umas 600 a 700 vagas de Engenharia Civil, por ano, em BH. A Kennedy é, sem dúvida, a última escolha das pessoas.
Ou seja, estamos falando, teoricamente, dos estudantes menos preparados. O que não quer dizer que todo engenheiro formado lá seja ruim. Pode ter gente boa que formou lá, mas acho difícil, dado que a tal menina em 5 anos de curso nunca trabalhou com AutoCAD.
"Mas por que esse alarde todo?", você me pergunta. Simples: no escritório de BH da minha empresa ela é a ÚNICA Engenheira Civil. E, por conta disso, deveria ser alguém MUITO bom de serviço, com conhecimento na área que vai trabalhar (PROJETO de engenharia). O que, pelo jeito, ela não tem.
"Então porque contrataram ela?", você retruca. Simples: por causa dessa lei. Sim, ela tem deficiência física. E antes que comecem a me apedrejar: não estou falando que deficiente físico não é bom de serviço, longe disso. Um grande amigo meu tem deficiência física (o Meleca) e é um dos caras mais inteligentes e capaz que eu conheço.
Só que, infelizmente, não há mão de obra qualificada suficiente para suprir todas as vagas abertas para deficiente físico e acabam tendo que contratar qualquer um que tenha alguma deficiência, senão a multa come em cima da empresa. Nas várias empresas que já passei, seja como contratado, seja como consultor, NUNCA vi algum deficiente fazendo serviços que não fossem de apoio (secretária, digitador, etc).
Eu sei que parte da culpa é nossa, que discrimina os deficientes e blábláblá, mas pô, no vestibular eles têm a mesmissíma chance de passar que qualquer outro (desde que estudem, claro). E não se vê muitos deficientes nas universidades. Não tenho dados para comentar, mas acredito que não tenha 5% de deficientes estudando na UFMG. E lá são mais de 30 mil alunos. Como é que querem, portanto, que as vagas para deficientes sejam preenchidas nas empresas?
Eu acho que os deficientes têm que receber tratamento igual ao dos não-deficientes. Realmente acho. E por pensar assim, acredito que deveriam ter o mesmo tratamento para conseguir as vagas de trabalho: sendo qualificados e capazes. Assim como cotas para negros nas universidades (nem vou começar a falar sobre o assunto), essa cota para deficientes na empresa é absurda.
Pra mim, se o cara é bom de serviço (seja ele branco, negro, amarelo, verde, cor de rosa, cego, surdo, mudo, sem pé, sem mão, etc) ele merece uma chance. Se não é, que se qualifique.
E antes que me apedrejam pela segunda vez: eu sei que a vida dessas pessoas é mais difícil (principalmente para os que não enxergam e que andam de cadeiras de rodas), mas se tem gente que consegue, não é impossível.
Aliás, se você conhece algum deficiente bom de serviço que saiba programar em java, me mande um email. Se o cara for bom mesmo, tem grandes chances de ser contratado.
8 de mar. de 2009
Desperdício
Vi uma propaganda de TV de plasma e lembrei disso: sexta-feira, quando estava em reunião no cliente, pediram para eu pegar um arquivo com um cara da engenharia. Obediente que sou, fui procurar o cara para solicitar tal arquivo.
Quando achei o cara, fiquei babando com o monitor do computador dele: no mínimo 21 polegadas. E quando olhei pra tela dele, fiquei decepcionado. O cara usa resolução 640x480. Sério. O botão "Iniciar" do windows é mais ou menos do tamanho do meu polegar (se não for maior!).
Peguei o arquivo e voltei pra sala imaginando o quanto de dinheiro não é gasto nas empresas com esses desperdícios tecnológicos. Aí achei melhor parar de pensar, porque lembrei dos meus tempos de Brasília e dos desperdícios do meu dinheiro com coisas muito piores...
Quando achei o cara, fiquei babando com o monitor do computador dele: no mínimo 21 polegadas. E quando olhei pra tela dele, fiquei decepcionado. O cara usa resolução 640x480. Sério. O botão "Iniciar" do windows é mais ou menos do tamanho do meu polegar (se não for maior!).
Peguei o arquivo e voltei pra sala imaginando o quanto de dinheiro não é gasto nas empresas com esses desperdícios tecnológicos. Aí achei melhor parar de pensar, porque lembrei dos meus tempos de Brasília e dos desperdícios do meu dinheiro com coisas muito piores...
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