1 de jan. de 2011

E para 2011 eu prometo...

Ano passado, assim como em 2009, não prometi porra nenhuma, pois estava cansado de prometer e não cumprir. Coloquei metas. A meta financeira foi batida com folga (graças às horas extras que me pagaram quando trabalhei no Rio, além de um adicional de periculosidade de Manaus). A meta banhística, pra variar, não cheguei nem perto de bater. Mas a meta do PMP eu consegui bater (foi na beirinha do prazo, mas consegui).

Para este ano, a meta financeira foi traçada. Tá apertado, mas se eu conseguir vou me sentir rico no fim do ano. A banhística, é a mesma do ano passado, já que não perdi um mísero quilo neste ano (quer dizer, perdi, mas os encontrei de volta, principalmente em dezembro). Se eu chegar lá, acho que vou ter que comprar roupas novas. A propósito: se me encontrarem na rua, me chamem de gordo. É um incentivo a mais.

A visão é a mesma dos anos passados: passar a morar na minha casa própria. Mas isso depende da Dilma e sua equipe econômica.

Algumas coisas que eu gostaria de fazer esse ano, mas não vou prometer: voltar a estudar (pensei até em virar Scrum Master), ir mais ao cinema e teatro e, principalmente, trabalhar menos e passar mais tempo com a familia e amigos. Eu queria viajar menos, mas isso eu sei que não vou conseguir.

E vocês? Já definiram as metas e resoluções de 2011?

31 de dez. de 2010

Ano Novo - Livro Novo

Recebi isso por email, de uma pessoa do trabalho. Eu ia ignorar, como sempre faço quando recebo esse tipo de coisa por email, mas por algum motivo desconhecido acabei lendo. E, por uma coincidência absurda, encaixou-se direitinho com o meu pensamento neste fim de ano, aí resolvi colocar aqui.



Encerra-se mais um ano em sua vida...
Quando este ano começou, ele era todo seu.
Foi colocado em suas mãos...
Podia fazer dele o que quisesse...
Era como um Livro em Branco,
E nele você podia ter um poema,
Um pesadelo, uma blasfêmia, uma oração.
Podia...
Hoje não pode mais, já não é seu.
É um livro já escrito...
Concluído...

Como um livro que tivesse sido escrito por você,
Ele um dia lhe será lido,
Com todos os detalhes, e não poderá corrigi-lo.
Estará fora de seu alcance.
Portanto...
Antes que termine este ano,
Reflita, tome seu velho livro e folheie com cuidado...
Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência;
Faça o exercício de ler a você mesmo.
Leia tudo...

Aprecie aquelas páginas de sua vida em que usou seu melhor estilo.
Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito.
Não...
Não tentes arrancá-las.
Seria inútil...
Já estão escritas.
Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que será entregue.

Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu,
E evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro,
Você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio,
E terá, para preencher, toda a imensa superfície do seu mundo.

Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije.
Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas mãos do Criador.
Não importa como esteja...
Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras:
OBRIGADO E PERDÃO!

E, quando o novo ano chegar, lhe será entregue outro livro, novo,
limpo, branco, todo seu, no qual irá escrever o que desejar...




Pessoal: um ótimo 2011 para todos. Espero que todos vocês tenham um ano excelente. Porque eu SEI que eu vou ter. E para não deixar de fazer aquela piadinha, até ano que vem!

Retrospectiva 2010

Fim de ano não é fim de ano sem uma retrospectiva. E como já tradição aqui no blog, não podia deixar de fazer o post de retrospectiva, até para lembrar o quanto o ano foi uma merda. Afinal, recordar é viver, então vamos aos momentos marcantes deste ano que, finalmente, termina...

Janeiro

Janeiro foi um mês que me fez ter esperanças que 2010 seria bom. Afinal, consegui tirar férias decentes depois de 10 anos (com direito a viagem planejada) e fiz 2 anos de namoro. Mas foi só. Pouco depois vi que seria um ano de merda. Quase fui "obrigado" a morar no Rio (mal sabia eu...), deu merda no meu CREA, começaram as injustiças no trabalho e a minha putidão com a empresa e tive que pagar CREA e SENGE, jogando meu dinheiro no lixo.

Pelo menos a minha coleção de copos aumentou e ainda ganhei um copo de pitágoras fodástico.

Fevereiro

Fevereiro foi quando consegui aproveitar as minhas tão sonhadas férias com uma viagem à Argentina. Foram dias de muita andança e toneladas de fotos, que viraram muitos posts (lincarei só o post resumo). Lá eu conheci duas das melhores comidas do mundo: o sorvete de doce de leite com doce de leite do Freddo e os alfajores Havanna.

Ainda aproveitei o resto de férias para fazer uma viagem a várias cidades de Minas em um dia, que foi MUITO legal.

Virei membro do PMI e meu ano mudou, quando eu ganhei uma passagem para o Rio.

Março

março foi um mês de muito trabalho, muito estudo (marquei minha prova para PMP) e muito sofrimento. Tanto que quase não teve post novo, só os das férias.

Abril

Abril foi um mês de merda. A direção inteira da empresa saiu, me mantiveram mais um mês no Rio sem me consultar, trabalhei pra caralho, estudei pra caralho e postei quase nada por conta disso.

Na área das bizarrices, um prédio da minha rua despencou e um japonês fiadaputa peidou na academia do hotel.

Tije um dia de marajá e o blog fez 4 (QUATRO!) anos.

Maio

Maio foi um mês que ralei. Mas ralei MUITO. desde o PRIMEIRO dia do mês, que é feriado do dia do trabalho e ainda caiu num sábado. Tive diversos atritos com o meu chefe e com a minha equipe do Rio (e com o Administrativo) e quase me matei por causa de pessoas que "trabalhavam" ao meu redor.

Mas foi um mês de conquistas. Fiquei livre da TIM (mas não sem sofrer uma última vez) e, o grande feito do ano (porque dependia só de mim), virei um PMP.

Junho

Junho foi o mês que fiquei livre do Rio. Até saí com o pessoal pra comemorar. O que não quer dizer que eu não tenha passado muita raiva.

Para compensar, ganhei um projeto em Manaus, o que me deu chance de comer coisas exóticas, conhecer uma cidade que não iria por conta própria e ver coisas diferentes, bem ali na minha frente. Além de passar muito calor, lógico.

Ah, é, e deu merda na minha conta da TIM, mesmo depois que eu tinha migrado pra Claro. Pra fechar com chave de ouro, né?

Pelo menos eu consegui rir um pouco da vida.

Julho

Julho foi um mês que eu trabalhei como um cão e postei SEIS vezes. Duas ela com posts de 2 parágrafos. Sentiu o drama, né? Mas valeu a pena.

Deu merda na migração para a Claro e descobri que mesmo com 2 telefones e um modem 3G você pode ficar incomunicável. Ah, e foi nessa época que comprei meu PS3, que demorou 3 meses pra chegar.

E foi nesse mês que minha luta pela promoção subiu de nível (mas que não adiantou nada).

Agosto

Em Agosto eu fui para Manaus duas vezes (a primeira delas me deu dor de cabeça com o aluguel do carro). Marquei minhas férias e fiz um treinamento em que dei uma lenhada no gerente do escritório (acho que foi aí que ganhei o respeito dele). E neste mês que meus problemas com a mulher de civil começaram...

Ah, é, e foi nesse mês que fiquei livre do Unibanco e passei a receber pelo citibank e que comprei meus jogos de PS3.

Setembro

Em setembro eu tirei férias e fui para Natal graças a milhas do Véio e da Véia (cujos posts de Bem vindo sairam 4 meses depois). Passei muita raiva no hotel, mas aproveitei o passeio de buggy.

Falando em passar raiva, quase matei a mulher de civil...

Outubro

Outubro foi um mês muito triste para mim. Escrevi o post mais difícil nestes mais de 4 anos de blog, com as últimas horas de um namoro de 1016 dias.

No trabalho, troquei de projeto TRÊS vezes, com direito a pegadinha na volta de Manaus.

Compensei a perda de Xuxu me matando de viajar a trabalho e jogar, já que meu PS3 chegou. Ah, é, e em Outubro chegou o meu CREA e meu diploma do PMP.

Novembro

Novembro foi um mês que viajei pra caralho. E reclamei pra caralho da minha empresa (só que com o chefe). Trabalhei como um cão e matei o projeto de Manaus. De presente ganhei um pepino maior ainda. Mal sabia eu que tinha algo pior me esperando (o que me rendeu um "presente").... Mas o lado bom é que FINALMENTE fui promovido (Líder de Projetos, baby, yeah!).

Voltei a ter a minha vida alcoólica ativa, fui convidado para 2 festinhas de estagiários. O lado divertido do mês foi quando pude dar uma comida na empresa de civil.

Dezembro

Dezembro pode ser definido como o mês que fiquei longe de casa. Fui pra Manaus (duas vezes), pro Rio (no meu aniversário e para tomar comida de rabo por conta de outros) e pra Ouro Preto (para dar um palestra - a primeira importante da minha vida). Só consegui ficar em BH na semana entre Natal e ano novo.

Voltei a ser o Esparroman, reclamando com o PRESIDENTE da empresa e vi que realmente sou um zero a esquerda na arte da conquista. Das coisas sem link, fiz um engenheiro junior chorar (de verdade), passei o natal morrendo de gripe e com diarréia e aumentei a minha coleção de copos e canecas.


Aí o aluno pergunta: "ué, porque seu ano foi ruim? Você virou PMP, foi promovido, encheu o rabo de milhas, ganhou experiência...". Resumindo: porque eu só trabalhei (e muito). Não dei atenção e carinho à minha família, namorada e amigos. Não cuidei de mim. Não fiz os exames que deveria. Não fui aos médicos que precisava. Não fiz exercícios físicos. Não comi menos. Não emagreci. Pior: não me esforcei para mudar nada dessas coisas, o que me custou caríssimo. E só consegui ver o estrago que causei com estas atitudes quando era tarde demais. Como diria o Godsmack, "If I only knew what I know", meu ano seria completamente diferente do que foi.

Lições Aprendidas... Algo que todo projeto deveria ter, mas que só fazemos quando ele dá merda (como o meu 2010). Mas como diria O Primo, melhoria contínua, para que 2011 seja muito, mas MUITO melhor que 2010. Para mim e para vocês.

29 de dez. de 2010

Sendo um chefe melhor

Eu trabalho com projetos desde 2003, quando ainda era um mero estagiário, começando a minha vida profissional. Desde lá, já tive muito chefe e cada um de um tipo. Uns fizeram coisas boas, outros fizeram coisas ruins, mas se teve uma coisa que TODOS tiveram em comum: formar o meu caráter. Seja porque fizeram alguma coisa que eu achei do caralho e que eu pensei "quando eu tiver a minha equipe vou fazer isso" ou porque fizeram uma coisa são filadaputa que eu pensei "NUNCA farei isso quando tiver a minha equipe".

A primeira das coisas que eu aprendi é que não adianta ser filho da puta. Nunca. é melhor falar com a pessoa o que você pensa em uma sala de reunião, numa conversa particular, do que só reclamar do cara com seus chefes (você sempre terá chefes, não importa seu cargo) ou dar aquele esporro na frente de todo mundo só pra mostrar quem manda nessa porra.

Outra coisa que aprendi é que você SEMPRE tem que tratar bem a sua equipe e SEMPRE tem que prestar atenção na cara das pessoas. Vai por mim: você, sozinho, não faz porra nenhuma e se sua equipe não estiver tranquila, motivada e satisfeita, seu projeto vai pro saco. Gente insatisfeita não rende. E trate as pessoas do modo adequado para aquela pessoa. Cada um é de um jeito. Não dá, por exemplo, pra ficar fazendo piadinhas em voz alta com uma pessoa tímida. Ela vai ficar roxa de vergonha e vai te odiar. Para isso, você tem que conhecer a sua equipe bem.

O projeto foi mal vendido e está dando aquele prejuizo, mas a equipe está se matando e conseguiu entregar tudo no prazo? Comemore com o pessoal. Faça uma reunião regada a salgadinhos, pão de queijo, refrigerante e docinhos onde você mostra o resultado, que foi tudo graças a eles, ao empenho deles. Esqueça a palavra eu. Você não fez nada, só estava lá pra apagar o incêndio. Foda-se o resultado. 100 conto a mais no prejuizo do projeto não vai matar ninguém e vai massagear o ego da equipe impressionantemente. Sua empresa não quer pagar? Compre menos coisa, do seu bolso mesmo, mas mostre pra equipe que eles mandaram bem. E de vez em quando convide a galera para um happy hour e PARTICIPE dos eventos para os quais foi convidado. O pessoal se sente importante.

O terceiro item é dar feedback com frequência e ser verdadeiro nestas situações. Mais: esteja sempre preparado para o dia em que alguém, em alguma reunião, resolver te pedir feedback. E dê o feedback de verdade. Não dê aquele tapinha nas costas e fala que "tá tudo beleza". TODO MUNDO pode melhorar. Ninguém é perfeito. E se você não falar algum ponto de melhoria, o cara vai achar que você fala aquilo pra todo mundo. Mas não adianta só dar o feedback, tem que mostrar o caminho das pedras pro cara conseguir melhorar e fazer acompanhamento de perto.

Aliás, na parte do feedback tem uma coisa que eu aprendi a duas penas: cuidado. Tem que saber como falar. Ainda mais quando alguém fez merda. Não adianta nada chegar esculachando o sujeito. Tem que ir com calma e mostrar pra pessoa que ela fez coisa errada, que aquilo NÃO é o fim do mundo, mas que aquilo não pode repetir. E se o cara fez coisa certa, dê os parabéns, fale que o cara mandou bem, mas cuidado pra não inflar o ego do cara demais, senão você cria um monstro.

Um último ponto (que, por sinal está tomando a maior parte do meu tempo) é estar sempre disponível. Se alguém te procurou, atenda-o. Se não puder ser na hora, marque um horário com a pessoa. Mostre que você está disposto a ouvi-la e, principalmente, ajudá-la. Se você não tem tempo para sua equipe, não tem tempo para nada. E, durante o dia, converse com o pessoal. Veja o que está pegando, quais os problemas estão tendo, os risco que eles estão prevendo, o que pode atrapalhar o trabalho deles. Tente fazer o máximo para que eles trabalhem tranquilos.

Nos últimos tempos a coisa que eu mais tenho aprimorado é a forma como eu trato a minha equipe. Demorou, mas eu percebi que eu tinha virado um chefe e que o responsável pelo bom desempenho e felicidade daquelas pessoas era eu. Desde então, tenho pensado em tudo o que fizeram comigo e que eu achei legal ou que achei páia. ÓBVIO que eu ainda tenho muito capim pra comer, mas tenho me sentido um bom exemplo. E pela quantidade de gente que tem vindo conversar comigo, é sinal que ganhei a confiança deles, o que é muito bom.

E descobri que esse negócio de gerenciar projeto é legal, mas gerenciar gente é muito melhor. Vou até começar a estudar um pouco sobre o assunto ano que vem.

27 de dez. de 2010

Quando eu fiz um marmanjo chorar

Estava lá eu, sentado na minha mesa, recém chegado de Manaus, quando um engenheiro junior que trabalhou comigo no ano passado me manda um recado no Skype:

- Opa, blz? Tava querendo trocar uma idéia com você, pode ser? Queria umas dicas para virar pleno.
- Pode ser mais pro fim do dia? Tô cheio de coisas pra entregar hoje. - respondo
- Blz. 5:30?
- OK.

No ano passado o menino tinha acabado de formar e, como muito recém-formado, fez um monte de caquinhas. Esse ano, não tinha trabalhado com ele, então fui buscar informações com quem tinha trabalhado com ele. Tanto o líder quanto o gerente dele falaram MUITO mal. E falaram que achavam estranho ele ter pedido pra conversar sobre promoção, porque eles haviam feito uma reunião de feedback com ele e tinham falado todos os pontos de melhoria. Perguntei quais eram e, realmente, não eram poucos.

De posse dessas informações fui conversar com o meu chefe, para perguntar como falar para o sujeito que ele não estava pronto ainda. Ele me ensinou uns eufemismos e falou algumas coisas que ele julgava que o cara teria que ter. Anotei mentalmente o que ele disse, juntei com o que os outros dois haviam falado e somei o que eu esperava de um engenheiro pleno e fiquei pronto para ajudar o cara.

Quando chegou o horário da reunião, sentei na mesa e falei com ele "e aí, o que te aflinge?". O cara falou pouco, mas resumindo queria trabalhar mais na área dele para ter chance de crescer, porque já tinha 4 anos de empresa e ficou pulando de projeto em projeto, cada um em uma área diferente. E que queria umas dicas para ser promovido, porque, pô, ele já tinha 4 anos de empresa (e 2 de formado).

A situação era um pouco pior do que eu pensava: o cara ainda achou que por ter 4 anos de casa já merecia a promoção. Isso é herança da gestão antiga da empresa. Como eu já tive muito chefe babaca e outros geniais (assunto para outro post), sei como eu gostaria que me dessem notícia. Tracei a minha estratégia e comecei, num tom de voz bem calmo, para não assustar o menino:

- Cara, olha só, tempo de casa não é critério único e exclusivo de promoção. Ele é, no máximo, critério de "desempate". Eu sei que antigamente tinha essa política de virar pleno depois de 2 anos de formado, mas isso mudou, porque não é sustentável. O cara para virar pleno tem que ter conhecimento de um pleno e, mais importante, postura de um pleno.

Quando falei isso vi que os olhos dele começaram a juntar água. Pressenti o pior. Mas continuei.

- Eu sei que você está trabalhando em muitos projetos fora da sua área e que só nesse último que você conseguiu trabalhar nela. Você pode achar isso ruim, porque estará sempre começando a aprender alguma coisa e não vai dominar em nada. Mas não é bem assim. Olha fulano. O cara virou especialista (um cargo na minha empresa) e quase nunca repetiu projetos da mesma área. Só que o cara sempre afunda a cara nos estudos quando começa um projeto. Isso é uma coisa que eu acho que você deve fazer e é uma coisa que eu julgo importante num pleno.

O olho do cara encheu mais um pouco de água. Continuei.

- Outra coisa importante é que você tem que ter em mente que aqui em BH não tem projetos da sua área quase nunca, então se você quer realmente trabalhar com isso, recomendo que vá para o Rio, São Paulo ou Salvador, onde tem sempre projeto. Ou então, vou até falar baixo, procura uma outra empresa em BH que tenha projetos da sua área. O que eu não recomendo é que você trabalhe em algo que não goste. Se você não está gostando do seu projeto atual, cara, pensa em alguma coisa que você já fez aqui e que você gostou, seja da sua área ou não, e conversa com o seu gerente, explicando que você quer trabalhar com tal assunto. E aí, enfia a cara nos livros.

O olho do cara ficou vermelho. Eu estava vendo a hora que ele ia explodir. Mas continuei.

- Uma outra coisa que eu acho importante é postura. Não estou falando em vir engomadinho trabalhar. É postura perante a equipe. Tomar as rédeas do projeto, ficar sabendo de tudo o que está acontecendo, entregar sempre as coisas com um olho no futuro. Por exemplo: você está fazendo plantas de alocação. Já faz isso pensando na melhor rota para passar o cabeamento e quando entregar a alocação, já conversa com seu superior sobre a rota que você acha melhor, os problemas que você está vendo ou os riscos que você está prevendo. Surpreender o seu lider e mostrar que você está preocupado com o projeto. Viu uma coisa que está errada agora e que só vai explodir daqui 3, 4 anos? Avisa o seu superior!
- É, eu vi uma coisa parecida com isso essa semana. A gente tá fazendo um negócio porque tem que entregar, mas depois vai dar um retrabalho gigante.
- Você já falou isso pro seu lider?
- Não.
- Tá vendo? tem que falar. É isso que ele está esperando. Em um projeto desse tamanho, não tem como ele prever isso tudo. Ele precisa da ajuda da equipe. se você avisar e ele resolver não fazer nada, pelo menos você fez a sua parte e mostrou maturidade. Essa é a palavra chave. MATURIDADE. Um cara pleno tem que ser maduro. Tem que saber que quem está abaixo dele o vê como um ponto de apoio. Isso é outra coisa que você deve fazer: ensinar quem está abaixo de você, ou até mesmo no mesmo nível. Mas para isso tem que estudar.

E o olho do cara estava quase saltando, de tanta água acumulada. Mas fui firme e continuei.

- Você tem que conquistar a confiança da sua equipe. Principalmente do pleno que está trabalhando com você. Esse cara VAI conversar com o sênior, com o Lider e com o Gerente. E ganhando a confiança desses três, cara, o céu é o limite. O que eu espero da minha equipe é que eu possa pegar um documento feito por alguém e emitir sem nem revisar. Lógico que não vou fazer isso, porque erro sempre acontece, mas é o que eu espero. Esse tipo de confiança que você deve conquistar dos seus superiores. Ganhando esta confiança técnica e mostrando que você está pensando sempre no sucesso do projeto inteiro e não só de fazer a sua parte, a promoção é natural.

O cara já estava quase chorando e eu vi que ele não se aguentaria. Pensando nisso, dei uma chance para ele falar e chorar a vontade. "Vai lá, cara. Abre seu coração.", falei, dando um tapinha no ombro dele.

O cara desabou a chorar. Mas chorar de soluçar. E entre os soluços ele balbuciava um ou outra palavra, falando que era muito tímido, muito fechado e que não era o estilo dele ser dos mais "conversativos".

Aí acalmei o cara. Falei que eu também era tímido e absurdamente fechado (se ele soubesse como odeio gente...), mas que isso não impediu de crescer. Porque não é só ficar batendo papo com o chefe, puxando saco. A questão era de postura. ele podia ficar queitinho no canto dele, trabalhando, mas sempre surpreendendo os superiores e falando riscos e problemas que ele está vendo.

Conversei com ele mais um tempo bom e mostrei para ele que não é impossível, basta ele querer. E que se ele precisasse conversar, eu estaria disponível. Mas que a primeira coisa que ele deveria fazer é achar alguma coisa que ele gostava de fazer e conversar com o gerente dele. Isso ele teria que fazer sozinho. O resto, eu o ajudaria numa boa.

Fui para a minha mesa com a sensação de dever cumprido e ele ficou no banheiro da sala de reunião, limpando o rosto, que estava até inchado de tanto que ele chorou.