7 de ago. de 2017

A saga do aluguel de apartamento

Eu nunca precisei procurar apartamento para alugar, mas mudando de cidade (e desta vez não era para morar em hotel), tive que me aventurar neste mundo desconhecido. Não sabia nem por onde começar, pois os sites de imóveis que eu conhecia não possuíam apartamentos de JF. Pedi ajuda ao Google e achei um site que era um agregador de sites de imobiliárias.

De cara, assustei com a quantidade de opções de apartamento E de imobiliárias em JF. Pode ser que em BH também tenha um milhão de imobiliárias, mas JF tem 500 mil habitantes. Mas assim é a vida e saí em busca de opções.

Eu tinha duas restrições: precisava ser bem localizado e ter espaço suficiente para meu cachorro (que não é tão pequeno quanto muitos de vocês devem achar). Ah, e o aluguel não podia ser metade do meu salário, óbvio. Levantei uns 4 ou 5 apartamentos e me programei para visitar a noite.

Esse foi meu primeiro erro. As imobiliárias de JF têm um horário de trabalho peculiar. Começam a funcionar as 9:00 e fecham as 16:00. Isso quando não fecham na hora do almoço (e isso é sério!). Eu (e boa parte da população que vai alugar apartamento) trabalho e não é fácil sair no meio do serviço pra ir visitar apartamento. Mas assim é a vida e resolvi me virar na hora do almoço pra ir visitar.

O primeiro apartamento era o mais promissor. Fui na imobiliária, pedi a chave. A atendente procurou a chave, não achou. Ligou para o proprietário, o cara falou que a chave estava na portaria, que eu deveria procurar o zelador para ele me acompanhar. Assim eu fiz: peguei um taxi e fui até o prédio. Toquei o interfone e o zelador falou “esse apartamento já está alugado. Você é a quinta pessoa que veio aqui essa semana, avisa a imobiliária, por favor”. Sem entender nada, liguei de volta para a imobiliária. A mulher falou: “você me viu ligando pra ele, não posso fazer nada enquanto ele não vier tirar o anuncio”.

Outro dia, outra tentativa. Fui na imobiliária e logo na porta vi o apartamento que eu queria visitar. Entrei na loja e falei “oi, queria visitar aquele apartamento ali”, apontando para a imagem do apartamento na porta. A mulher caçou no sistema dela e falou “ih, já está alugado”. “Pô, podia atualizar o sistema, hein?”, reclamei, sabendo que não daria em nada.

Mais uma tentativa, em um outro dia. Dessa vez tinha a chave e não estava alugado. Fui ao aparamento e ele era muito espaçoso. Só que era barulhento para caralho (ficava na cara de uma das 3 principais avenidas da cidade). Ainda assim resolvi conhecer a garagem (eram 2 vagas). Na descida pra garagem conheci a mulher que morava no apartamento de baixo do que eu estava olhado. Era daquelas velhas grudentas (eu vi como ela estava tratando uma outra moradora do prédio). Aí perguntei “e pode cachorro no prédio?”. A mulher fechou a cara e falou “cachorro aqui é um problema. Tem um monte, eles fazem barulho, é um inferno”. Risquei esse apartamento da lista.

Outra tentativa, desta vez um apartamento de fundo. Razoavelmente silencioso. Na varanda de um outro apartamento, um urso (aquilo não eram um cachorro). Sinal que não teria problemas com isso. Mas eu entrei no apartamento e tive a certeza que antes de ficar para aluguel morava um animal lá dentro. Todas as portas estavam destruídas, o piso detonado, banheiros antigos e detonados. Não dava para morar ali. Riscado da lista.

A última opção era um apartamento que era muito silencioso, espaçoso, mas todas as portas tinham cupim. E quem já sofreu com cupim não quer passar por isso novamente. Além disso, não consegui entender como era o esquema da garagem. Voltando na imobiliária, fiz 3 perguntas: se seria possível trocar as portas por causa do cupim, se podia ter cachorro e se a vaga de garagem era presa. Estou esperando resposta até hoje, quase 3 meses depois.

As opções nos bairros que eu queria tinham acabado. Eu já tinha zerado os sites de imobiliárias, olhando todo dia por novas opções. Então tive que partir para outros bairros, não tão bons, mas ainda assim pertos. Achei um apartamento promissor. Fui na imobiliária e catei a chave.

Chego no prédio, um ponto de ônibus na porta. Não era tanto problema, pois era de fundo. Subo para o andar (o último) e tinha UMA GRADE na porta. Sério. Era uma grade antes da porta. Já não fiquei muito satisfeito em morar em um lugar assim, mas se era para ter mais segurança, convivemos com a grade. O apartamento era bom, tinha lá seus problemas, mas era a melhor opção até o momento. Até que vou na garagem e vejo a convenção do prédio. A ÚLTIMA linha era “não é permitido nenhum tipo de animal”. Eu sei que hoje em dia isso não pode mais ter isso, mas mudar pra começar a brigar não era a minha maior vontade. Pra completar, quando eu estava saindo do prédio vi que um PM morava lá também. Desisti, infelizmente.

Continuei a pesquisa, na esperança de aparecer um apartamento novo. E, para minha surpresa, ele apareceu. Uma cobertura, banheira de hidromassagem, churrasqueira, lareira, espaço pro cachorro, rua tranquila. Parecia ser espaçoso também. “Achei, porra!”, pensei. Mas Murphy me ama e na semana seguinte eu não iria para JF (tinha um monte de feriados na semana). Fiquei olhando o anuncio todos os dias e, na segunda feira seguinte, assim que terminei uma reunião (10 da manhã), liguei na imobiliária. Alguém tinha acabado de pegar a chave. Provavelmente foi alguém que viu na semana dos feriados e assim que chegou em JF na segunda pegou a chave para visitar. O atendente falou pra eu ligar a tarde. Assim eu fiz. E aí o cara falou que quem tinha visitado o apartamento tinha feito a proposta.

Eu fiquei muito puto. Maldito feriado. Maldita reunião. Maldito Murphy. Mas o atendente falou que, como tinha análise de documentação e blábláblá, eu devia ligar na quinta-feira, porque se não tivesse sido aprovado a preferência era minha. Desacreditado, liguei. E para minha surpresa, o atendente falou “deu um problema na documentação da mulher, pode vir visitar”. Mas Murphy é meu amigo, Murphy é meu colega e neste dia eu estava em Curitiba. “Me manda a ficha de proposta, eu visito na segunda”, disse. O cara não deixou. “Vou pedir para um colega visitar hoje e filmar o apartamento pra mim”, disse. O cara não deixou. Na segunda-feira, quando cheguei em JF, liguei para a imobiliária e....o apartamento já tinha sido alugado. A mulher entrou com toda a documentação novamente e essa leva foi aprovada.

Nessa hora eu já estava desesperado. Liguei o foda-se para a localização, ampliando bastante a base de busca. Não que tenha dado muitas opções, mas apareceu uma. O lugar era mais distante (na verdade, nem era tão longe assim, mas para uma cidade do interior 5 km é muita coisa), mas o apartamento parecia promissor. Fui na imobiliária (a mesma do primeiro apartamento), catei a chave e fui pro lugar. Lugar absolutamente tranquilo. Cachorros nas varandas. Prometia. Coloquei na chave na porta e....não abriu. Sério. Eu fiquei muito puto. Muito mesmo. Imobiliária filha da puta. Liguei lá e falaram “ah, tem uma outra aqui. Quer testar?”. Voltei lá, peguei a chave, voltei pro apartamento e finalmente consegui entrar.

O apartamento é grande, mas mal dividido. Tem espaço pro cachorro. Uma caralhada de quartos, todos pequenos. A cozinha é maior que a sala (a cozinha gigante, a sala pequena). A lavanderia é pequena e tem teto de gesso. Teto de gesso em lavanderia? Quem foi o gênio que fez isso? A garagem é desgraçada. Mas isso tudo a gente releva. Tem espaço pro cachorro. Todos os vizinhos têm cachorro.

Começou então a discussão com a Imobiliária. Fiz uma vistoria buscando pelo em ovo. Levei CINCO HORAS para terminar. A mulher da imobiliária até assustou quando voltei da vistoria com a folha dela toda rabiscada. Ela perguntou “vi que você fez muita ressalva, tem alguma coisa que te impede de mudar?”. Respondi “não, foi só pra me resguardar mesmo”.

Aí discute daqui, reclama de contrato ali, manda 400 fotos de lá... No final assinei o contrato. Agora tenho onde morar.

Agora vem a saga da limpeza. Mas isso é assunto pra outro post.