6 de set. de 2013

Ateu, graças a Deus

Antes de começar: espero não ofender ninguém com esse post. E vou tomar o máximo de cuidado para não ofender. Mas por via das dúvidas, se você é muito religioso, acho que é melhor não ler este post.

Todo mundo aqui deve saber que eu sou ateu. Mesmo com a família do meu pai sendo muito religiosa (até pouco tempo atrás minha avó ia à missa toda semana. Agora ela não aguenta mais). A família da minha mãe é meio dividida: meu avô é espírita, minha tia virou depois de velha. Minha avó virou católica depois que teve câncer. Mas meus pais são católicos beeeeeeeem de leve. Além disso eu sempre estudei em colégios católicos (Marista e Santo Antônio). Mas nunca fui religioso.

Durante certo tempo da minha infância, eu até rezava, meio na onda da minha avó paterna, mas acho que nunca acreditei de verdade que havia alguém ouvindo. E era muito simples a razão: se existisse um deus, não teria tanta gente inocente passando fome e muito filhadaputa pecador rico e vivendo com tudo do bom e do melhor. Essa é a versão compacta, daria pra escrever uma tese sobre isso e porque eu não acredito.

Quando comecei a namorar Ex-Xuxu, ela era "ateu fêmea". Em algum momento da vida dela, ela encontrou um ser superior (sinceramente não sei dizer qual - e nem se é um só). E isso a fez sentir melhor. A Ex-Srta. Esparroman é muito religiosa e disse que conseguia sentir Deus próximo dela. E conversar com Ele a fazia bem.

Eu nunca senti isso. Sou um cara muito lógico e racional. Se eu não sinto, não existe. Simples assim. Mas isso é a MINHA opinião. Se você acredita e isso te faz bem, ótimo. Eu não tento te convencer que deus não existe. Não. Não é problema meu. E eu consigo conviver com você tranquilamente.

Mas tem gente que não consegue entender (ou aceitar) que alguém não acredite em deus. Ele TEM que te convencer que é um absurdo você ser ateu. E fica falando que você deveria conversar com ele, mesmo não acreditando. Que isso vai te fazer melhor. Caralho, seu eu não acredito, vou falar com QUEM? Se é para conversar, desabafar ou qualquer coisa do tipo, prefiro falar com alguém de carne e osso.

Eu não sofro preconceito por ser ateu. Nunca sofri (pelo menos não na minha cara, como sofrem os gays e negros). Mas um tempo atrás, fui em uma peça de stand up do Leandro Hassum (o gordinho do "caras de pau") e em um determinado momento ele começa a perguntar a religião de cada um da primeira fila. E eu estava na primeira fila. E quando falei que era ateu, o sujeito fez uma cara de "sério?".

Enquanto ele buscava alguma piada para fazer (acho que fui o primeiro ateu do show dele), alguém da platéia gritou "Aê! Ateu, porra!" (ou algo do tipo). E aí o ator começou a fazer piadas do cara que gritou. E no meio das piadas ele meteu até o demônio no meio. O que não faz sentido, porque se eu não acredito em deus, também não acredito no demônio. Mas beleza. Fato é que a cara dele de quando falei minha ateísse, senti que ele ficou incomodado. Não fiquei chateado, nem puto, só vi que tem muita gente que não aceita que você não acredite em deus.

Em resumo: sou ateu e não tento te convencer que deus não existe, então não tente me convencer que ele existe. E mais do que isso: aceite que existem pessoas que não acreditam em deus.


Ps. Texto mal escrito e sem conexão nenhuma entre parágrafos. É, eu já fui melhor nisso.

4 de set. de 2013

Getting Things Done

Eu sempre fui de fazer muitas coisa ao mesmo tempo. E eu sempre conseguia fazer tudo no prazo estimado. Mas de uns tempos pra cá, tem tido tanta coisa para eu fazer que eu começo 200 coisas e.....não termino nenhuma. Ou termino, mas bem depois do que eu deveria. Projetos pessoais então, ficaram totalmente de lado.

Aí a minha empresa resolveu dar um curso da metodologia Getting Things Done (GTD) e eu fui um dos escolhidos (ou seja: PERCEBERAM que eu não estou mais entregando no prazo). O treinamento é de um dia e eu vi que, se essa é a metodologia mais adequada, eu faço tudo errado.

O pior é que eu achava que eu fazia tudo da melhor forma possível. Tanto que tudo que o cara perguntava, eu fazia. Só que era para NÃO fazer. Exemplos?

Uso do calendário

- Quem aqui deixa no calendário só reuniões?
- Eu! Reunião no calendário, tarefas nas tarefas.
- Pois é, TUDO tem que estar no calendário. Você precisa reservar o tempo para fazer as coisas.


Cores no calendário

- Quem aqui usa cores para identificar coisas no calendário?
- Eu!
- Pois é, eu recomendo ter uma só, vermelho, para o que for parte do seu Big Rock.

Cores no inbox

- Quem aqui usa cores no inbox, para identificar emails?
- Eu! Uso pra quando estou sozinho no "Para" e outra para quando tem mais gente no "Para"
- Pois é, eu recomendo só para quando você está sozinho no "Para"

E assim foi o dia inteiro.....

Confesso que não está sendo fácil adequar meu modo de trabalhar ao modo que o cara indicou. Ver a minha agenda lotada me dá um certo pânico, mas estou seguindo o método. Quer dizer, estou seguindo mais ou menos.... Dei umas adaptadas, porque tinha coisa que eu não ia conseguir fazer nunca.

Mas uma coisa que eu fiz que está rendendo MUITO o meu dia foi tirar as notificações do outlook para todas as mensagens. Agora, só pisca se é email dos meus chefes (são 3...) ou do meu cliente direto (hoje é um só). Os demais, ficam lá para um dos 3 períodos que eu tenho para olhar email.

Meu dia tem rendido mais, é verdade, mas eu sou meio viciado em email e em qualquer oportunidade que eu tenho (entre tarefas) eu acabo dando uma olhadinha. Esse eu acho que vai ser o mais difícil de me desapegar....

Vamos ver se eu consigo entregar mais coisas em menos tempo.

2 de set. de 2013

Sentindo o próprio veneno

Durante a maior parte do tempo que trabalhei com consultoria, num passado meio distante (é tô véio), eu trabalhei com redução de despesas. E desde que eu entrei na minha empresa atual eu via a gordura escorrendo, mas não conseguia fazer nada, porque aquilo era normal para a diretoria.

Aí, depois de mais de 4 anos, meu chefe virou pica e me chamou para, finalmente, fazer um trabalho de redução de custos na empresa. E eu fui. E, cara, não é fácil....

Quando você é consultor, a diretoria tem a força para dizer que pagou caro por aquilo e que todo mundo precisa cooperar. Mas seundo eu, já conhecido de quase todo mundo, é MUITO mais difícil.

Mas isso não é o pior. Quando você é consultor, medidas impopulares não te afetam. Você dá a idéia, mas um outro cara vai lá dar a notícia triste para a empresa. E todo mundo fica puto, todo mundo reclama, mas não é com você, é com o cara que deu a notícia triste. Você não sofre nada, acabou o trabalho você vai embora.

No meu caso, não. Eu que sou o cara que vai dar a notícia triste para todo mundo. Eu que sou o cara que fica ouvindo todo mundo reclamar. E eu TAMBÉM sofro com as medidas impopulares que são tomadas. Pode ser coisa boba, mas que custa uma fortuna para a empresa (tipo aquela história da empresa de aviação que cortou a azeitona e economizou milhões - mentira, foi 40 mil).

Duvida? Quanto você acha que uma empresa gasta por ano com copos pláticos? E com café? Eu sei, isso não é nada comparado ao insumo principal da empresa (seja minério, petróleo, metal ou pessoas). Mas é melhor cortar essas coisas boas do que cortar pessoas, não acha? E 40 mil em um ano (a tal azeitona) significa o emprego de uma pessoa que ganha 1800 ronaldos por mês.

Só que as vezes o problema é muito maior que uma pessoa de 1800. E aí, amigos, é a parte difícil da história. Principalmente quando a economia está uma merda.

Tomara que as coisas melhorem...