Estava eu em mais uma reunião de SMS quando a mulher mostra uma imagem daquelas lixeiras de coleta seletiva quebrada. O discurso era que era um absurdo o pessoal colocar metal pesado demais na lixeira, porque ela não aguentava o peso e quebrava. Falou que isso acontecia frequentemente e que era pro pessoal tomar mais cuidado e não colocar metal pesado naquelas lixeiras.
Aí o Gerente geral levanta e começa a falar: "se a lixeira está em área industrial, como é que você quer que não se coloque metal pesado na lixeira? O problema não é parar de colocar metal pesado na lixeira, o problema é que a lixeira não é adequada para a área industrial. Se não colocar o metal ali vai por onde?"
Neste momento, além de lembrar de
uma cena do Tropa de Elite, lembrei também dos meus tempos de consultor. E lembrei dos meus treinamentos onde éramos instigados a descobrir a causa fundamental dos problemas e não simplesmente resolver o problema, porque ele voltaria a acontecer.
E aí, também entendi porque que a consultoria é tão contratada (e necessária), para fazer algo que, no fundo, no fundo, é simples. Para não dizer óbvio. O problema é que as pessoas querem deixar o chefe feliz. E deixar o chefe feliz é "apagar o incêndio" o mais rápido possível, o que não necessariamente quer dizer resolver o problema. Ou então o cara faz o que é mais simples e mais rápido, para não ter muito trabalho.
E isso eu vi láááááá no meu primeiro projeto, na Megalópole (acho que até postei isso na época, mas não achei no blog): se um equipamento está dando muito defeito, troca o equipamento. Se o problema não era o equipamento (o que é bem provável), vão continuar trocando e jogando dinheiro fora. Mas é mais fácil mandar trocar do que descobrir O QUE estava causando o problema.
Espero que a mulher tenha aprendido depois de ter tomado uma comida de rabo em público. Assim como espero que mais gente tenha entendido o recado do GG, para o bem deles...