Mostrando postagens com marcador Filosofia Barata. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filosofia Barata. Mostrar todas as postagens

26 de set. de 2018

A sabedoria d'O Primo

Dias atrás estava revisando uma apresentação de um projeto feito por colegas do trabalho e quase tive um infarto. Mesmo usando o modelo de PPT da empresa, emperequetaram tanto o slide que ficou uma coisa medonha (esses millenials não entendem conceito de padronização). Na hora, lembrei de um post d'O Primo. Depois de dar um esporro orientar o menino, cacei o post no blog, mandei pra todo mundo que trabalha comigo.

Dias depois, estava tendo uma conversa sobre certificação com um outro millenial da minha equipe. Eu perdi a fé no PMI já tem um tempo, e mais ainda em certificações (qualquer uma, na verdade). Meu ódio por certificações aumentou no último projeto que fiz na minha antiga empresa: um cara lá, vamos chamar de Lobo, tinha certificação de tudo o que você possa imaginar de TI. O curriculo do maluco era impecável. Mas ele não sabia fazer uma média ponderada (e isso é sério!). Mas voltando à conversa sobre a certificação e o PMI, lembrei de outro post d'O Primo. Cacei e mandei para o cara ler.

Pouco tempo depois de mudar pra JF (aliás, eu contei isso aqui?), a Ruiva foi promovida a Gerente do escritório daqui. E começou a sentir o que é gerenciar, reclamando todo dia que só tá resolvendo merda dos outros. Lembrei de mais um post d'O Primo. Mandei para ela e ela respondeu "esse cara escreveu isso pra mim?". Falei para ela ver a data do post. 2011.

Pouco depois, a Ruiva precisou fazer sua primeira demissão. Por mais que o menino tenha feito merda, não era nada absurdo, e ela estava revoltada com isso. A ordem veio de cima, para dar uma resposta para o cliente. Lembrei de DOIS posts d'O Primo (sobre demitir alguém e sobre o mundo corporativo). Também mandei pra Ruiva.

E assim foram várias vezes nesse novo emprego. Não sei se isso acontecia antes, mas tem acontecido muito desde que mudei pra JF (aliás, assunto para outro post).

Parece bobeira, mas parei para pensar o quanto esse cara me ensinou (algumas vezes só com posts, outras em conversas em BSB). Muita água rolou desde que saí da consultoria, aprendi muita coisa apanhando gerenciando projetos, mas até hoje me pego pensando se não deveria ter ficado mais tempo como consultor. Talvez eu tivesse aprendido mais (sofrendo mais também, é verdade).

Em tempo: quer aprender método para emagrecer? O Primo também já fez post (dois, pra falar a verdade).

23 de out. de 2014

Coração partido, oficina do diabo

Tem coisas que acontecem na sua vida que te fazem pensar. E no meu caso, com as linhas loucuras, pensar significa fazer uma análise de causas. E recentemente passei por uma situação que me fez parar para analisar os últimos meses.

Eu voltei para BH no começo de abril e herdei o projeto mais pro final do mês. Era uma segunda-feira, isso eu lembro bem, pois o antigo gerente estava voltando de férias e fez o handover comigo e eu fiquei a semana inteira estudando o contrato, a documentação do cliente, o escopo, o cronograma, os marcos... E depois de uma semana cheguei à conclusão que o projeto era inexequível no prazo do contrato. E que eu teria que entrar no modo psicopata.

Assim eu fiz: passei o sábado fazendo contas, montando planilhas de controle, disparando metas e pensando em um plano de ação. No sábado mesmo, abri uma cerveja em casa, e a cada gole eu pensava: "vão ser 3 meses de merda. 3 meses sem vida. Mas são só 3 meses.".

E foram realmente 3 meses de merda. 3 meses sem vida nenhuma. Nem na copa eu consegui parar de trabalhar. Eu assistia os jogos em frente ao notebook, de costas para a TV. As cervejas das sextas-feiras, foram praticamente abolidas. E a cada semana eu pensava "faltam só mais X semanas. depois eu volto a ter vida".

Só que depois desses 3 meses eu vi que não seriam só 3 meses. No 4 mês a líder do projeto saiu de férias e eu usei 2 bonés: gerente e líder técnico. Nesse mês eu me fudi muito. Muito MESMO, porque foi quando tudo começou a dar errado. Mas todo dia eu pensava "dia 1 ela volta. Tá chegando".

Ela voltou e...nada mudou. Continuou dando merda e eu trabalhando muito. Mas sabe a história do bode? Pois é, tiraram o bode da sala e eu vi que tinha espaço livre na minha vida. E comecei a sair com uma menina. Saímos uma, duas, três vezes. E tava indo bem, apesar de toda a loucura que estava a minha vida. Eu ainda conseguia me preocupar com ela e me esforçar muito para manter o contato.

Só que comecei a perceber que só eu estava me esforçando na relação. Qualquer coisa diferente da rotina dela era motivo de "tô apertada, tô cansada, tô estressada, tô sem tempo". Eu já estava envolvido emocionalmente (é, eu me envolvo rápido), e continuava me esforçando em manter o contato. Depois de um tempo, finalmente caiu a ficha que, na verdade, ela não queria mais nada.

E aí foi um pequeno baque. Minha concentração no trabalho acabou, eu comecei a entrar numa pilha errada, comecei a chamar uma outra mulher para sair (que também não deu certo). E isso me deixou levemente deprimido.

E aí que comecei a refletir: nos 4 meses anteriores à primeira vez que saí com a menina, eu não tinha tempo nem para pensar em ter vida social, então estava tudo tranquilo. Minha cabeça estava 100% no trabalho, não pensava em mais nada. E mesmo nos momentos em que não estava trabalhando, estava tão cansado que a única coisa que eu queria era descansar.

Aí eu saí com ela e tudo desandou. Não sei explicar, só sei que a minha vida ficou uma merda. Além de trabalhar tudo o que eu estava trabalhando, com todas as preocupações do projeto, eu ainda estava triste e chateado.

E parando para pensar mais ainda, percebi que quando eu estou solteiro, eu raramente sinto falta de uma companheira. É só eu sair umas 2 ou 3 vezes com a mesma mulher que fode tudo: eu lembro o quanto é bom ter alguém para conversar, distrair, divertir, dividir os problemas (não só os meus, os dela também)... Querendo ou não, ela te força fazer coisas que a preguiça impedia (tipo ir ao cinema, que sozinho é bem mais difícil).

E quando termina, fica aquela sensação vazia. Estranha. É a história do bode, só que para o mal.

Vamos ver quanto tempo leva pra eu acostumar com a vida de solteiro novamente...

(sim, eu sei que o post ficou meio sem nexo. fui escrevendo sem pensar muito. Mas estou com preguiça de reler e corrigir).

14 de out. de 2014

Crianças

As vezes eu fico impressionado com o quanto o Véio gosta de criança. E mais do que isso: do quanto as crianças gostam do Véio. Um exemplo disso ocorreu um dia desses aí pra trás. Eu estava saindo para o trabalho e encontrei na escada com uma moradora do prédio e a sua melequenta, que deve ter o máximo 2 anos.

Com toda a minha antissocialidade, disse "bom dia" e segui o meu caminho para o meu carro. Eis que escuto a menininha perguntando para a mãe "cadê o Zé?". E a mãe falou alguma coisa que eu não lembro o que foi.

Tá certo que eu não sou sociável, ainda mais com crianças, então a menina não gostar de mim não me espanta. O que me espantou foi a menina me ver e lembrar do meu pai.

Também entendo a menina gostar do Véio, uma vez que ele brinca com ela toda vez que a vê (já falei que ele gosta muito de criança?). O mais bizarro é que QUALQUER criança que vê meu pai na rua sorri pra ele e vai brincar com ele (quando os pais deixam, lógico). Acho que ele atrai os melequentos, deve ter algum brilho mágico no sorriso dele.

Já eu, bem, quando vejo uma criança faço cara feia, para que elas não tenham a ideia errada de vir brincar comigo. O problema é que eu devo ter o mesmo gene do brilho mágico do Véio e TODAS as crianças sorriem pra mim quando me vêem. Mesmo eu fazendo cara feia. A vantagem é que com a cara de mau ninguém chega perto.

Essa vontade de interagir das crianças é normal e eu não sei? Ou realmente minha aura atrai os melequentos?

14 de jun. de 2014

Os males do Gerenciamento de Projetos

Eu sempre soube que levava a minha profisão para a vida pessoal. Tudo na minha vida é planejado, faço cronogramas até para viagens (quer dizer, agora nem tanto, mas já fiz). Identifico riscos a todos os momentos, faço análises de trade-off... É um inferno, mas faço sem nem pensar.

Na saga da retirada do Esparromóvel III, como eu falei no post anterior, fiquei uns 40 minutos esperando. Nesse meio tempo eu fiz algumas atividades burocráticas. A primeira, foi entregar o carro antigo. E quando você entrega, precisa assinar uma pancada de coisas. O véio precisava assinar também, porque o carro estava em nome dele. Ele pegou a papelada, assinou e me entregou. Eu peguei, li todas as cláusulas, questionei algumas, me deram respostas que eu não gostei muito, mas assinei.

O segundo passo era a assinatura de recebimento do carro novo. Me deram um monte de coisas para assinar. Eu li tudo, e um dos papeis era o de recebimento do carro e outro do checklist de recebimento. Esses eu assinei a contra-gosto. Afinal, eu não tinha recebido o carro e nem feito o check list. Mas assinei.

Entre eu assinar os papeis e efetivamente receber o carro, fiquei pensando em tudo o que poderia fazerem. Como estava demorando, só pensei o pior: poderiam falar que já me entregaram, que estava tudo ok no cheklist (e se não estivesse eu teria me fodido), que entregaram com todos os acessórios que eu comprei (e se faltasse algum eu também me fodia).

Aí que eu me toquei o tanto que meu nível de paranóia com assinaturas está alto. Hoje, eu assino muita coisa no trabalho. E em alguns casos, uma assinatura que eu der sem ler o que estou assinando pode custar um bocado de dinheiro para o meu projeto (um retrabalho, uma multa, um aceite de algo que não foi entregue). E eu acabei levando isso para a minha vida pessoal.

Eu sei que essas assinaturas sem ler são muito comuns nesse tipo de evento (compra e venda de carros). Eu mesmo recebi a nota fiscal do meu carro ANTES de ter feito o pagamento. Ou seja: eu PODERIA não ter pago o carro (lógico que ia dar merda, ia pra justiça e blábláblá, mas eu poderia). É muita confiança. Coisa que, infelizmente, eu não posso ter no meu trabalho.

O que me fez questionar: teria eu me tornado um filadaputa? Ou eu continuo fazendo as coisas certas (o que acho que é o mais provável), só passei a não confiar em ninguém? Espero que seja a segunda opção, mas espero mais ainda que isso tenha solução...

Oremos.

15 de abr. de 2014

A rotina

Eu sempre gostei de viajar de avião (acho que já comentei isso aqui). E um dos vôos que mais gostava era para o Santos Dumont, no Rio. Pouso lá sempre é muito legal (também já falei disso aqui). Mas nesta última ida para o Rio, na semana passada, percebi que pousar no SDU não tem mais graça.

Eu passei 10 ou 11 meses indo para o Rio toda semana. E em todas estas semanas, pousava no SDU. Nas primeiras semanas, eu aproveitava cada pouso. Depois passei a nem olhar mais pela janela, ficava só prestando atenção no que estava tocando nos fones de ouvido (algum podcast, normalmente).

Passado algum tempo, passei a dormir pouco depois que era permitido reclinar a poltrona e só acordava quando mandavam colocar a poltrona na posição vertical. Nessa época eu até prestava um pouco de atenção no pouso, já que me acordavam pouco antes do pouso.

Aí eu virei um profissional do sono em avião e passei a dormir antes de fecharem a porta do avião. É isso mesmo: eu dormia enquanto a galera estava entrando no avião. Como sempre vou na janela, entrava no avião, fechava a "cortina" da janela e começava a dormir. Nem precisava reclinar a poltrona não. E só acordava com a porrada do avião na pista do SDU.

Tudo bem que boa parte dessa perda de interesse foi forçado: acordar de madrugada toda semana é foda e eu já não estava rendendo nada na segunda (e acabava fudendo a minha semana). Dormir no vôo era necessidade. Mas pegar o avião e pousar no SDU virou rotina e, como tudo que vira rotina, perdeu a graça.

O mais estranho é que eu sou um ser de hábitos repetitivos e rotineiros. E isso nunca me incomodou. Mas esse fato me fez entender, depois de quatro anos e meio, que mesmo gostando muito de alguma coisa (ou alguém), é possível que você perca o interesse. E é estranho mesmo: você continua gostando daquilo, só não vê mais a graça que via antes.

Um dia, quem sabe, eu consigo entender como isso é possível. Até agora eu só aceitei que é possível, não entendi ainda como.

16 de dez. de 2013

Não é você, sou eu

Quem me conhece sabe que eu sou um cara racional e prático. Por conta disso, tem duas coisas que eu não suporto:

1) pessoas que não são objetivas e diretas;
2) pessoas que inventam desculpas e não falam a verdade.

O primeiro tipo é aquele que dá uma volta ao mundo para falar uma coisa simples. Talvez nem seja simples, mas que não precisa de uma introdução gigantesca. Tipo a piada do "gato subiu no telhado". Se você tem alguma coisa para falar, boa ou ruim, fale de uma vez. Não fique floreado o pavão.

Sei que tem gente que prefere que a notícia seja contada aos poucos, para ir acostumando com a idéia, mas eu não sou assim. Prefiro que cheguem, falem o que tiver que falar e pronto. Evita a angústia e eu, com a minha imaginação fértil, vou pensar em 500 milhões de coisas enquanto você estiver enrolando, o que pode ser pior.

Esse meu pensamento já me fez quebrar a cara algumas vezes. Várias pessoas já reclamaram que eu sou muito direto, mas de que adianta ficar enrolando? No final das contas, o que tiver que ser dito será dito. Mas respeito quem não pensa assim.

Agora uma coisa que eu não respeito é quem inventa desculpas e não fala a verdade. A frase que é o título deste post, por exemplo. Quem nunca ouviu essa frase na vida nunca namorou (ou casou com a primeira namorada). Se vocês estão terminando, é óbvio que é culpa do outro. Mas antes de pularem direto para os comentários para me xingar, deixa eu explicar melhor....

Quando o namoro está bem, não tem razão para terminar. Você fica com a pessoa. Perdeu o emprego, morreu um parente, está terminando o doutorado, está sendo transferido de cidade, pouco importa. Você vai querer continuar com aquela pessoa que você ama (até porque ela vai te ajudar a superar essa fase).

"Ah, mas eu não quero mais namorar, quero ficar na putaria muito louca (ou então quero ficar sozinha/o, então sou eu.", você diz. Não. Se algo está te fazendo pensar nisso, é porque seu namoro não está mais da não certo. Você pode ter cansado da outra pessoa, pode ter passado a gostar de outra, você pode ter conhecido ela/e melhor e visto que não é bem o que você esperava, vocês podem ter descoberto um Pinto de divergência grande (filhos, por exemplo), o sexo não é bom... Não interessa: a culpa é da outra pessoa. E TUDO BEM!

Ninguém é obrigado a agradar todo mundo. E tem coisa que cansa mesmo (ou desgasta com o tempo). E tem coisa que só se descobre com o passar do tempo (ou muda com o passar do tempo, como filhos). Me falar que "sou eu, não é você" é querer me enganar.

Eu prefiro que fazem a verdade. Ora bolas, é uma chance de aprender. Vejam o caso de Ex-Xuxu: apesar de um gostar muito do outro, não estava mais dando certo, então terminamos. Depois que a poeira abaixou, fizemos uma reunião de lições aprendidas. Várias das coisas que conversamos na reunião viraram ensinamentos que eu levei para a vida e para outro namoro. E hoje nos damos super bem. Tudo isso porque fomos honestos. Se tivesse rolado alguma desculpa esfarrapada, certamente não teria mais conversado com ela.

Mais uma vez: essa é a minha opinião. EU prefiro que seja assim. Agrega muito mais valor uma conversa em que as verdades são ditas (e lições são aprendidas) do que um simples "não é você". Sei que as pessoas fazem isso para poupar os outros, mas já dizia a Rita: a melhor forma de solucionar um problema é confrontá-lo.

E no meu caso, se você vier com desculpas e depois eu descobrir que eram desculpas, vai ser pior. Eu nunca mais vou confiar em você.

Resumindo, meus queridos leitores, sejam diretos, falem a verdade e sejam honestos. Todo mundo sai ganhando.

6 de set. de 2013

Ateu, graças a Deus

Antes de começar: espero não ofender ninguém com esse post. E vou tomar o máximo de cuidado para não ofender. Mas por via das dúvidas, se você é muito religioso, acho que é melhor não ler este post.

Todo mundo aqui deve saber que eu sou ateu. Mesmo com a família do meu pai sendo muito religiosa (até pouco tempo atrás minha avó ia à missa toda semana. Agora ela não aguenta mais). A família da minha mãe é meio dividida: meu avô é espírita, minha tia virou depois de velha. Minha avó virou católica depois que teve câncer. Mas meus pais são católicos beeeeeeeem de leve. Além disso eu sempre estudei em colégios católicos (Marista e Santo Antônio). Mas nunca fui religioso.

Durante certo tempo da minha infância, eu até rezava, meio na onda da minha avó paterna, mas acho que nunca acreditei de verdade que havia alguém ouvindo. E era muito simples a razão: se existisse um deus, não teria tanta gente inocente passando fome e muito filhadaputa pecador rico e vivendo com tudo do bom e do melhor. Essa é a versão compacta, daria pra escrever uma tese sobre isso e porque eu não acredito.

Quando comecei a namorar Ex-Xuxu, ela era "ateu fêmea". Em algum momento da vida dela, ela encontrou um ser superior (sinceramente não sei dizer qual - e nem se é um só). E isso a fez sentir melhor. A Ex-Srta. Esparroman é muito religiosa e disse que conseguia sentir Deus próximo dela. E conversar com Ele a fazia bem.

Eu nunca senti isso. Sou um cara muito lógico e racional. Se eu não sinto, não existe. Simples assim. Mas isso é a MINHA opinião. Se você acredita e isso te faz bem, ótimo. Eu não tento te convencer que deus não existe. Não. Não é problema meu. E eu consigo conviver com você tranquilamente.

Mas tem gente que não consegue entender (ou aceitar) que alguém não acredite em deus. Ele TEM que te convencer que é um absurdo você ser ateu. E fica falando que você deveria conversar com ele, mesmo não acreditando. Que isso vai te fazer melhor. Caralho, seu eu não acredito, vou falar com QUEM? Se é para conversar, desabafar ou qualquer coisa do tipo, prefiro falar com alguém de carne e osso.

Eu não sofro preconceito por ser ateu. Nunca sofri (pelo menos não na minha cara, como sofrem os gays e negros). Mas um tempo atrás, fui em uma peça de stand up do Leandro Hassum (o gordinho do "caras de pau") e em um determinado momento ele começa a perguntar a religião de cada um da primeira fila. E eu estava na primeira fila. E quando falei que era ateu, o sujeito fez uma cara de "sério?".

Enquanto ele buscava alguma piada para fazer (acho que fui o primeiro ateu do show dele), alguém da platéia gritou "Aê! Ateu, porra!" (ou algo do tipo). E aí o ator começou a fazer piadas do cara que gritou. E no meio das piadas ele meteu até o demônio no meio. O que não faz sentido, porque se eu não acredito em deus, também não acredito no demônio. Mas beleza. Fato é que a cara dele de quando falei minha ateísse, senti que ele ficou incomodado. Não fiquei chateado, nem puto, só vi que tem muita gente que não aceita que você não acredite em deus.

Em resumo: sou ateu e não tento te convencer que deus não existe, então não tente me convencer que ele existe. E mais do que isso: aceite que existem pessoas que não acreditam em deus.


Ps. Texto mal escrito e sem conexão nenhuma entre parágrafos. É, eu já fui melhor nisso.

27 de jul. de 2013

Dados x Informação

Dia desses aí pra trás estava conversando com uma amiga da época da faculdade e descobri que a irmã dela resolveu tirar 3 anos de licença sem vencimentos para conhecer o mundo (sim, também tive inveja). E lendo o blog em que eles estão postando a viagem, cheguei em um post que eles falam o quanto já gastaram em 6 meses de viagem (cof, cof, 20 mil euros, cof cof).

O que mais me impressionou foi a capacidade de estratificar os gastos que a mulher teve. Sério, se ela não fosse casada ia propor casamento na hora que li o post. Alguém que leva finanças tão a sério merece meu respeito. Afinal, eu também controlo muito bem os meus gastos.

E aí parei para pensar: controlo mesmo?

Eu ANOTO todos os meus gastos, mas isso não significa que eu os controle. Eu sei que gasto menos do que eu ganho, mas hoje, se me perguntarem, eu não sei dizer O QUANTO eu gasto menos do que eu ganho. E nem mesmo dizer em que estou gastando o meu dinheiro.

Um bom exemplo disso é que quase tive um treco quando chegou a fatura do meu cartão de crédito no mês passado: deliciosos 9 mil reais. Uns 60% disso foi hotel, que é reembolsado pela empresa (hotel no Rio não está de picolé). Mas.... e o resto?

Sei que boa parte foi passagem de avião, mas não sei dizer exatamente quanto. Sei que teve bastante restaurante, algumas roupas, alguns presentes... Mas nada muito exato.

E o que me causou mais tristeza é que EU TENHO dados suficientes para descobrir isso. Afinal, como eu disse, eu anoto todos os meus gastos. Só que eu não estou transformando os dados em informação. E isso é o MÍNIMO que eu deveria fazer. Senão, pra que anotar todos os gastos?

O programa que eu uso é fantástico, já tem alguns gráficos que me ajudariam a saber onde está o ralo, mas eu simplesmente não olho pra ele.

Vou passar a fazer esse acompanhamento mensal, ainda mais que durante o post resolvi atualizar meu gráfico de meta financeira e vi que estou bem longe da meta deste ano.... Hora de fazer análises e gerar planos de ação.

PDCA neles!

26 de jul. de 2013

Futebol

Quando eu era moleque, eu era fanático por futebol. Na verdade, eu era fanático pelo Cruzeiro. Eu escutava todos os jogos, acompanhava todos os resultados, fazia contas e mais contas, acompanhava tudo (na época não tinha internet. Eu lia jornal e via uns 3 programas esportivos por dia).

Com uns 12 anos eu já era membro da máfia azul (tenho a carteirinha até hoje, se alguém duvidar).

Com menos de 15 anos eu já ia ao independência sozinho, de ônibus. Sozinho não, eu ia com meu grande amigo Meleca. E não perdia quase jogo nenhum.

Com uns 16 eu queria tatuar o símbolo do cruzeiro no peito. Ainda bem que meu pai tem juízo e não deixou.

Durante muito tempo, nos finais de semana, durante os jogos que eu não ia para o campo, eu montava o meu estrelão (também conhecido como mesa de futebol de botão) na sala, fechava a porta e ficava "repetindo" o que o narrador falava no campo. Sozinho. Sim, esse era meu nível de fanatismo (e loucura).

Eu decorava placares e público pagante dos jogos que eu ia.

Eu comprava camisa todo ano (quando não comprava também o short e o meião e a camisa da máfia azul).

Aí o tempo passou.

Começaram as brigas e mortes no estádio e eu passei a não ir ao campo mais.

Começou o ano do vestibular

Começou a faculdade

Começou o estágio

Começou o trabalho

Começaram as viagens

Começaram os namoros

E o time foi ocupando cada vez menos espaço no meu coração.

Já tem uns bons 2 anos que eu raramente escuto os jogos do time. Quando eu lembro que tem jogo e estou em casa, eu até escuto. Se estou fora de casa, dou uma acompanhada pelo celular. Mas não sofro mais.

Jogo na TV eu não vejo desde que terminei com Ex-Xuxu (como ela era atleticana, víamos os clássicos juntos). Já se fazem alguns bons anos isso.

Recentemente doei o meu estrelão e os muitos times de futebol de botão que eu tinha para a faxineira lá de casa. Apesar de eu não jogar há pelo menos uns 12 anos, fiquei triste. Aquilo representava boa parte da minha infância. Mas eu estava precisando de espaço e, bem, aquilo não passava de lembrança. Grande e que ocupava muito espaço. Além disso, foi um pedido de desapego.

Toda esse processo de desfanatização me ajudou muito a não ligar mais para os resultados do meu time e nem para os resultados dos outros times. E ninguém mais enche meu saco, porque sabem que eu não vou ficar puto e nem discutir.

O que me deixa muito tranquilo desde quarta-feira a noite...

9 de mar. de 2013

Auto-censura

Pois bem, queridos leitores, como vocês perceberam, eu tenho postado bem pouco no blog. Falta de tempo, falta de assunto, assuntos sigilosos... Mas normalmente tem acontecido pouca coisa na minha vida.

Mas essa semana ferveu. Vários assuntos novos. Alguns, sigilosos (tipo o CEO da minha empresa pedir demissão - agora eu já posso comentar, porque é público), outros não sigilosos, mas que eu não posso postar aqui. E não posso comentar porque não sei se as pessoas envolvidas lêem o blog ou não.

E chega a ser curioso, porque quando eu criei este blog, em 2006, a idéia era poder escrever o que eu quisesse, sobre qualquer assunto da minha vida, e ninguém ficaria sabendo. Era ótimo: eu reclamava como se não houvesse amanhã, o que me poupou diversas úlceras.

Aí um dia, já bêbado, comentei com minha amiga Consultora (que me iniciou nesse mundo de blogs, com o do Primo) que eu também estava escrevendo. Aí o Primo descobriu meu blog, sabe-se lá como (nem ele lembra). E aí ele fez um post apontando para o meu blog e MUITA gente veio me visitar. Poucos continuaram (uns 2), mas eram pessoas que ou me conheciam, ou sabiam onde eu trabalhava.

E também teve o boom do blogcamp. Conheci muita gente (inclusive Ex-Xuxu) e algumas leram meu blog. Só Ex-Xuxu deve continuar lendo até hoje. E Ex-Xuxu também trouxe um ou outro leitor, quando ela ainda blogava.

Fato é que eu não conheço todo mundo que lê o blog. E conheço algumas pessoas que lêem. Por conta disso, tem coisas que eu não posso escrever.

Hoje eu entendo que não posso falar muito do trabalho, pois pode ter gente do trabalho que lê. Mesmo não sendo assunto sigiloso, pode ser alguma coisa que pode dar problema. Também não posso falar muito de situações que envolvam outra pessoa (como a tentativa frustrada de namoro que eu tive ano passado). Vai que a pessoa lê aqui coisas que não deve (ou não gosta de eu ter escrito alguma coisa sobre ela).

Resumindo este post mal escrito, que eu não vou revisar por pura preguiça: o blog perdeu o sentido. CLaro que há várias situações que poderiam ter vindo para cá e eu simplesmente esqueci, mas não posso nem mais reclamar de tudo o que eu gostaria.

Mas fiquem tranquilos, eu não vou parar de escrever. Sempre que der, vou dar uma passada por aqui, nem que seja para repostar fotos do instagram, como fiz outras vezes (apesar que nem lá eu tô colocando coisa mais).

Então é isso. Reclamem aí nos comentários.

26 de set. de 2012

Elogie sua equipe

Estou passando por uma fase nos meus projetos que preciso muito dos setores de apoio da empresa: SMS, Compras, Contrato, etc. E toda vez que preciso da ajuda desse pessoal é um martírio. Tem vez que eu preciso FAZER o trabalho deles, porque senão sai tudo errado. E todo mundo da empresa reclama deles.

Hoje, especificamente, fui atendido MUITO rapidamente por dois destes setores. Em um dos casos, só agradeci pela ajuda. No outro, agradeci pela rápida ajuda. No primeiro caso, a resposta foi um simples "disponha". No segundo caso, foi o seguinte:
Valeu pelo e-mail de agradecimento pelo rápido atendimento , sei que é obrigação nossa mas isso nos motiva a sempre melhorar!
Essa frase, no fim de um expediente (já era mais de 7:30), me fez pensar na vida que esses caras levam. Deve ser todo dia a mesma coisa: um cara deixa para fazer as coisas em cima da hora e pede uma pancada de coisas urgente. Os caras fazem o melhor possível (pelo menos eu espero que eles façam o melhor possível) para atender o prazo e só ficam levando porrada. Até mesmo quando fazem no prazo previsto. Raramente devem escutar um "obrigado".

Deve ser uma merda. Aliás, É uma merda. Eu sei disso porque eu só sou cobrado pelo resultado: margem, margem, margem pela diretoria e prazo, prazo, prazo pelo cliente. Além, óbvio, das milhões de outras apurrinhações do dia-a-dia. E, em um mês inteiro, NENHUM "obrigado", ou "bom trabalho", ou "mandou bem". Mesmo quando você se mata para fazer as coisas. Afinal, aquilo é o seu trabalho.

Aí eu volto para a frase do nosso amigo: "sei que é obrigação nossa mas isso nos motiva a sempre melhorar!". Pô, a verdade é essa. TODO MUNDO é pago para fazer alguma coisa e, óbvio, deve fazer da melhor forma possível. Mas não custa NADA agradecer o empenho, o rápido trabalho, elogiar a qualidade... Isso aumenta o moral do funcionário absurdamente.

Como disse o Primo um dia desses, amor é o maior soft skill de um gerente de projetos. Você precisa amar a sua equipe. Eles tem que se sentir amados, parte de uma familia, protegidos. Isso vai fazer com que rendam muito mais. Vão ficar motivados para trabalhar.

O problema é que mesmo sabendo isso, eu acabo esquecendo de colocar em prática com todo mundo. Com o pessoal da operação eu até faço isso bastante: vou lá, converso com o cara, dou atenção, pergunto como está andando o trabalho, faço um cafuné (nas mulheres, óbvio). Além deles se sentirem bem eu vejo o que tem de risco novo no projeto (sim, numa conversa aparentemente "boba" de 5 minutos). Mas com os meus coordenadores eu só desço o sarrafo. É basicamente o que eu recebo de cobrança, mas distribuído por 5 pessoas.

Tá errado isso. E eu preciso me policiar para dar mais atenção à essa parte e reconhecer o bom trabalho do pessoal. Com tanta merda acontecendo todo dia nos projetos, um "bom trabalho" vai alegrar a vida do cara.

E você, já elogiou sua equipe hoje?

12 de jun. de 2012

Recordar é viver

Toda vez que eu escrevo um post com o de ontem, em que coloco referências a posts antigos, perco muito tempo lendo os posts. Tem post que eu já li 200 vezes e cada vez que eu leio novamente eu me divirto como se fosse a primeira vez. E aí vou lembrando das histórias, da minha vida na época, do quanto eu já sofri no trabalho, das cidades que eu conheci a trabalho...

Aí eu paro para pensar o quanto eu aprendi nessa minha curta carreira e do quanto eu cresci. Ganhei mais responsabilidade, subi vários degraus. E das decisões que tomei na vida: saí da empresa de TI porque não queria ficar todo dia na mesma rotina. A consultoria era a visão do paraíso: a cada 6 meses projeto novo, cidade nova, pessoas novas, chances de crescimento na carreira praticamente infinitas. Perfeito! Aí comecei a namorar e vi que isso não era tudo. A vida pessoal pede uma estabilidade. Voltei para BH e foi ótimo. Eu não estava 100% feliz, porque gostava da vida de viajante, de rotina maluca, mas a vida é assim. Ganha-se de um lado, perde-se de outro. Pelo menos não passaria raiva em aeroportos com tanta frequencia e não dividiria mais quarto de hotel.

O namoro terminou, mas eu estava bombando no trabalho. Custou a acontecer, mas eu fui promovido, ganhei vários aumentos em um curto espaço de tempo, ganhei 2 contratos gigantes. Mas não tinha mais nada me segurando em BH. A vontade de ter a cada 6 meses projeto novo, cidade nova, pessoas novas voltou a bater forte. A dúvida era: "jogar fora" tudo o que conquistei a duras penas nos últimos anos? Por mais que eu trabalhe muito, acho que na época da consultoria era muito pior. E lendo os posts antigos eu reforço mais ainda a minha lembrança e a dúvida continua rondando a minha cabeça.

Voltando aos posts, vejo a quantidade de lugar bacana que conheci, os hotéis que eu fiquei, as pessoas com quem trabalhei, as pessoas que conheci. Vou lembrando das coisas que deixei de postar, porque tinha gente que lia o blog que não ia gostar, das coisas que postei e que hoje penso "como que eu postei isso?". E isso é o legal de ter um registro "querido diário". Pena que nos últimos tempos eu não tenho postado tanto. Com certeza vou me arrepender disso no futuro.

Mas o mais impressionante é ver o quanto murphy é meu amigo....

E vocês, também ficam lembrando de coisas que aconteceram com vocês em tempos passados?

6 de jun. de 2012

Secretária de Projetos

Há alguns meses a minha empresa resolveu que teria que migrar da estrutura projetizada, onde ninguém tem "casa", é um bolo de pessoas agrupadas por projetos, para uma estrutura matricial, onde as pessoas seriam agrupadas por disciplinas e emprestadas para os projetos na medida que fosse necessário. Assim, o Gerente de Projetos (GP) teria como "única" missão garantir a entrega dos projetos e o Gerente de Disciplina (GD) seria o responsável por cuidar das pessoas: garantir treinamentos, olhar para a carreira dos funcionários, etc.

Na teoria, isso era sensacional. Afinal, o GP não é um super-homem e podia focar no resultado dos projetos. Essa estrutura durou uns bons meses e, apesar de eu não ser dono do passe das pessoas da minha equipe, poderia tratá-los como tal. Só que nos últimos tempos a estrutura mudou. As disciplinas viraram caixinhas de fabricar documentos e o GP nem sabia mais quem estava trabalhando com ele, mas continuava sendo cobrado pelos resultados.

A diferença? Antes o GP recebia o projeto, alocava as pessoas e distribuia as tarefas para as pessoas que estava alocadas com ele. Ele sabia como estava o andamento do projeto, podia cobrar as pessoas pelo resultado, todos se reportavam para ele. Basicamente ele tinha o projeto na mão. Agora o GP recebe o projeto, fatia em pacotes e distribui os pacotes para as disciplinas com o total que a disciplina tem para fazer o projeto. Aí, meu amigo, fica na mão da disciplina, que usa quem está disponível para fazer o documento.

Parece a mesma coisa, mas não é. O GP não pode mais cobrar as pessoas do projeto pelo resultado. Não consegue mais motivá-las. O que ele consegue é marcar uma reunião com o GD e pegar o status dos documentos. Se estivesse atrasado, o máximo que poderia fazer é reclamar. Mais nada. Pior: não tem, teoricamente, ninguém nas disciplinas que conheça o projeto inteiro, então ver interferências, mudanças de escopo, inconsistências e até viabilidade de uma solução técnica ficou absurdamente mais difícil.

Aí acontecem coisas do tipo a que aconteceu na semana passada: o projeto está 90% pronto. Uma pessoa de uma disciplina entre para fazer os 10% faltantes, não gosta do que viu e vai até uma pessoa de outra disciplina, perguntando se tem problema alterar o projeto todo. A pessoa da outra disciplina fala que realmente vai ficar melhor e eles acertam que vão mudar o projeto todo (note que não quer dizer que estava errado!). Não avisa o GP, não avisa as outras disciplinas e, quando uma terceira disciplina descobre que teve a mudança, depois que está tudo pronto, fala que não podia ter alterado nada, porque iria FERIR NORMAS daquela disciplina. E aí o projeto precisa ser refeito pela terceira vez.

O mais legal: quem continua sendo o responsável pelo resultado é o GP, mesmo sem poder fazer nada se uma disciplina atrasa ou gasta mais que o previsto. Ele que vai mostrar os resultados para a diretoria e toma porrada por queda da margem. É ele também que vai para reunião com o cliente tomar porrada porque o projeto está atrasado ou ouvir que o projeto que ele entregou não monta.

A conclusão que eu cheguei é que o GP virou uma Secretária de Projetos. Recebe a informação do cliente e passa para a disciplina. Pega a informação da disciplina e passa para o cliente. Também fica com a parte burocrática de aprovar reembolso de viagem, fazer e aprovar pedido de compra de material, controlar licença de software, preencher "papelada" burocrática no sistema da empresa. Além, lógico de ficar ouvindo reclamação de cliente e diretoria, porque quando está tudo bem NINGUÉM agradece ou dá os parabéns (deve ser porque quem fez "todo o trabalho" foi a disciplina).

Aí eu te pergunto: será que precisa mesmo de um GP? Não seria mais barato ter um único cara ganhando o dobro do que eu ganho respondendo por todos os projetos do escritório perante a diretoria e os clientes e um monte de gente barata fazendo o papel de secretária? Ou então, olha que ideia absurda, os GDs serem cobrados pelos resultados de suas equipes e não o GP? Algo mais ou menos assim: o GP distribui os pacotinhos com o orçamento para as disciplinas e se elas gastarem mais que o previsto os GDs irem explicar para a diretoria. Mas aí volta a pergunta: para que um GP?

Eu, para não ficar tomando comida de cliente e da diretoria, fico andando como um louco pelo escritório, passando por praticamente todo mundo e vendo o que está fazendo, se não teve mudança, como está andando... Mas só para evitar grandes desvios, porque como é muita gente, não consigo pegar as mudanças antes que elas aconteçam. E isso me toma um tempo absurdo, logo tenho que fazer um bilhão de horas extras para fazer a parte burocrática.

O que me estranha é que eu não vejo os outros GPs fazendo isso. Isso me leva a crer que eu estou trabalhando errado, porque não tem ninguém se matando de trabalhar como eu. Ou então eu sou realmente azarado e só os meus projetos estão dando merda. Uma última opção é que o custo gerencial é o mesmo independente do tamanho do projeto e como eu sou o que tem o cliente com a maior carteira sou o que mais se fode.

Fato é que esse trabalho de secretária não me agrada nem um pouco (por isso eu fico andando pelo escritório) e me preocupa que a empresa esteja indo para este lado...

29 de mar. de 2012

O problema da meta mal definida

Desde que virei o “Garoto Manaus” tenho sido envolvido em processos comerciais que a empresa participa. É bem verdade que na maioria das vezes, me envolvem tardiamente: ou depois que já ganhamos (e a merda já foi feita) ou um dia antes da entrega da proposta, quando não há mais tempo de fazer nada a respeito.

Na primeira das vezes que deu merda (no contrato dos meus queridos funcionários Manauaras sem noção), foram estipuladas coisas muito absurdas, tipo não ter gerente, ou colocarem 300 ronaldos por passagem de avião (faça uma pesquisa rápida para descobrir que são mais ou menos 600 ronaldos, comprando-se com um mês de antecedência). Para evitar que esse tipo de coisa voltasse a acontecer, pedi para que me envolvessem nas orçamentações.

Passados poucos meses desde o primeiro ocorrido, fomos orçar um novo contrato guarda-chuva, bem parecido com o que tenho lá. Peguei dados históricos, fiz uma análise crítica dos resultados, mostrei onde tinha gordura e tal. Levei uns 3 dias, só trabalhando nisso. A comercial pegou meu valor e falou “tá caro”. Cortaram um monte de coisa (tipo equipe de gerenciamento) e mandaram ver. Acabamos não levando o contrato (alguém colocou um preço mais baixo).

Numa outra vez (essa mais recente), pediram novamente para eu fazer as estimativas. Fiz bonitinho: coloquei estimativas enxutas, equipe bem adequada para o tipo de trabalho, o mínimo sensato de gerenciamento e levantei os riscos do projeto. Foi a proposta mais bem feita que eu já fiz. Mandei para a comercial e aí... “tá caro”. E não só “tá caro”, ainda falaram que os riscos que eu levantei eram absurdos! Foram lá e assumiram que os riscos não iriam ocorrer. Um exemplo: há o risco de não conseguir contratar a equipe ideal. Mitigação do risco: contratar a equipe ideal (sério!). Porra, se eu tivesse certeza que ia conseguir contratar a equipe ideal não colocaria esse risco! Aí tiraram todos os riscos, ceifaram um monte de coisas (tipo... gerenciamento) e mandaram a proposta.

Meus amigos, isso é um exemplo muito claro de meta mal definida e dos problemas que ela trás. A meta do cara é volume de venda (e só). O cara está pouco se fudendo se vai dar lucro ou prejuízo, isso é problema da operação, não do comercial. O cara não entende que não adianta nada ele bater a meta dele se vendeu merda. Se o projeto dá prejuízo e a empresa fechar, ele também vai pra rua! Batendo metas ou não. O cara não pensa no global, pensa só nele. Mas a culpa não é só dele. A culpa também é da empresa, que não soube distribuir as metas.

Meta tem que ser global e alinhada entre os departamentos. Poderiam colocar uma meta do tipo “vendas com margem de 20%”, mas também não adiantaria nada. A comercial faria a mesma coisa: cortaria coisas falando que são gordura até chegar nos 20% de margem. Que tal colocar uma meta de “desvio entre o orçamento de vendas e o orçamento de operações”? Se os dois departamentos trabalharem juntos, a chance de conseguir um valor mais próximo do real é muito maior. E aí, para complementar as metas dos dois departamentos, o comercial tem fica com uma meta de volume de vendas e operações ganha uma meta de margem.

Essa é a situação ideal? Provavelmente não. A comercial vai sempre falar que tem que ser mais barato (para ficar mais fácil dela vender) e operações vai falar que está impossível de executar (para ficar mais fácil manter a margem). Mas a chance de um dos lados fazer loucura é bem menor. Sem esquecer, claro, que o problema pode ser outro: o valor de HH utilizado na orçamentação pode estar bem acima do real, por um fator de cagaço colocado pelo financeiro que não tem dinheiro suficiente para pagar as contas. Mas e se isso acontece porque ninguém está cobrando o pagamento das notas emitidas para o cliente, ou a empresa está sendo bitributada e ninguém está vendo?

A definição de metas não é simples. São muitos fatores envolvidos e, naturalmente, cada um vai puxar a brasa para a sua sardinha. Mas uma coisa é fato: meta mal definida afunda qualquer empresa.

Em tempo: o terceiro projeto que eu citei aí em cima nós ganhamos e agora está TODO MUNDO com medo do resultado. Até o pessoal do comercial, que está felizão por ter vendido, mas que sabe que fez merda.

14 de mar. de 2011

Fim de namoro

Sabe aquela fase final de namoro, em que você sente que as coisas já não estão legais, que os defeitos aparecem mais que as qualidades e que você sabe que está naquela só por comodidade? Você ainda gosta da sua namorada, mas o namoro em si já não está legal e se aparecer alguma coisa melhor você termina o namoro na hora e embarca na nova empreitada sem nem pensar? Pois é, estou assim com a minha empresa.

Eu adoro o meu trabalho. Já falei aqui antes que Gerenciamento de Projeto é o que eu gosto de fazer e, recentemente, descobri que gosto também de gerenciar pessoas (apesar de odiar pessoas, vai entender). E na empresa eu consigo fazer isso bem. Tá certo que hora eu gerencio projetos, hora eu gerencio pessoas. As duas coisas ao mesmo tempo eu ainda não consegui fazer direito. Mas pelo menos consigo trabalhar com as duas coisas. Só que a minha relação com a empresa já está no fim.

Eu já cansei de dar murro em ponta de faca. Eu tento mudar as coisas que não estão legais, mas não consigo. Eu já cansei de ter que ficar cobrando o pessoal do administrativos para que eles façam os seus trabalhos direito. Eu já cansei de tentar mudar a cabeça das pessoas mais velhas da empresa, tentando mostrar que existe um mundo fora do fantástico mundo de bob que eles vivem (e que é uma hipocrisia TREMENDA). Cansei de dar o sangue no mês para conseguir aumentar o faturamento e ver torneiras metafóricas abertas, jogando dinheiro fora. Ou o que é pior: não conseguir faturar por causa de alguém do ADM que esqueceu de emitir a nota fiscal (sério, já aconteceu). Cansei de NÃO ser cobrado por um faturamento que escorregou ou um aumento de custo no projeto.

Porra, que empresa é essa? Fica regulando miséria em centavos de passagens para viagens de projeto, mas torra dinheiro com taxi, perde faturamento de mais de milhão e fica passando a mão na cabeça do setor responsável porque, coitados, tiveram que engolir o SAP TRÊS MESES ATRÁS e estão com dificuldades. Tem um diretor de projetos que quer saber quantos documentos foram emitidos por mês, mas não reclama que tem projeto dando margem de -100%. Que tem uma diretora de RH que fica sentada, encolhida, de braços e pernas cruzadas em uma apresentação para a empresa. Que reclama que seu custo está alto, mas usa engenheiros para fazer papel de cadista. QUE MERDA É ESSA, MEU POVO?

Será que não tem ninguém vendo isso? Será que, assim como o PT antes de entrar na presidência, o que eu estou pedindo é algo impossível de fazer e que eu só vou ver isso quando chegar ao poder? Será que existe uma força maior que impede que tudo isso que eu reclamo seja implementado? Será que essa empresa que eu trabalho é só uma fachada de um grupo maior? Ou será que o buraco é mais embaixo e a empresa tem só mais alguns meses de vida e eu que não vi isso ainda?

Fato é que diante de todos esses problemas eu resolvi que eu precisava voltar a dormir e ter vida. Para isso, liguei o foda-se total. Se está gastando mais que o previsto porque tem gente desalocada, foda-se. Se está atrasando o projeto porque toda hora alguém me pede um recurso emprestado, foda-se. Se eu não consigo fazer o trabalho para hoje porque eu fiquei em reunião o dia inteiro, foda-se. Se eu não consigo trabalhar porque estou desmotivado, foda-se.

Essa última frase é a que mais me preocupa. Quando estou no trabalho, normalmente, sou ligado em 220. Nos últimos 2 meses, estou trabalhando com uma pilha de 1,5 volts. E nem é recarregável, nem alcalina, que dura mais. Eu estou claramente abatido e são raros os dias em que eu NÃO quero ir trabalhar, o que é muito raro, dado que sou viciado em trabalho.

Pode ser que seja realmente cansado, e férias resolvam o meu problema. Ou desilusão com esse projeto, que eu trabalho, trabalho, trabalho e o resultado não vem, mas porque não vai vir mesmo, porque vendemos mal e um novo projeto resolva isso. OU então realmente chegou o fim do relacionamento e é hora de terminar, o que seria bom para os dois. Eu, encontraria um novo lugar que me fizesse trabalhar com vontade, motivação e no meu ritmo normal. E a minha empresa poderia dar o meu cargo e meu salário a alguém que estivesse com vontade de aparecer e com motivação.

O problema é que eu não sei de nenhum lugar que me oferecesse o que eu tenho hoje: um salário razoavel, bons benefícios e, principalmente, a oportunidade de trabalhar com o que eu gosto. Fora que passo parte do tempo em BH e parte do tempo viajando, o que eu já descobri que é o que eu quero da vida. Ficar o tempo todo em BH me deixa maluco e o tempo todo fora de BH cansado.

Vamos ver o que essas curtas férias podem fazer por mim.

24 de fev. de 2011

Cavaleiro do Apocalipse

Várias pessoas já me falaram que eu sou muito pessimista e que só vejo o lado negativo das coisas. No trabalho, normalmente, isso é visto como uma coisa boa, porque eu consigo "prever" o que vai dar merda e consigo fazer um plano B para a situação. Na verdade, o que eu faço é uma análise de riscos. O problema é que eu faço isso com TUDO e O TEMPO TODO. Em uma conversa boba, de buteco, eu consigo ver os riscos se formando. Tipo essa propaganda abaixo:


Várias vezes eu me sinto o cavaleiro do apocalipse. A pessoa está lá, toda empolgada falando sobre alguma coisa que ela está pensando em fazer e eu vou lá e jogo aquela ducha de água fria: "mas você já pensou em tal coisa?". A pessoa fica puta e eu fico com a estigma de pessimista. Não é que eu não tenha achado legal para caralho, é só que eu estou vendo o que pode dar errado para ajudar a pessoa a ter um plano de mitigação do risco.

Não, eu não sou normal. Sim, eu tenho que mudar. Pelo menos para parar de fazer essas análises com os planos de outras pessoas...

3 de jan. de 2011

Como acabar com sua vida

Neste últimos dias do ano eu tenho pensado muito na vida para tirar as lições aprendidas de 2010. E num desses momentos, com a TV ligada ao fundo, começou a passar "O Diabo Veste Prada". Eu já tinha visto o filme, mas não com a cabeça que eu estava no dia. E em um determinado momento do filme, a protagonista (que esqueci o nome), comenta com o estilista da revista que está com problemas na vida pessoal. E o cara responde, com a maior calma do mundo:

- Isso significa que você está crescendo profissionalmente. Quando ela não existir mais, é sinal que você foi promovida.

Na hora, eu entendi meu ano de 2010. Foi EXATAMENTE isso. Em 2010, assim como a protagonista do filme, eu comecei saindo com meus amigos, com Xuxu, consegui viajar de férias, estava bem no campo pessoal. Aí, em algum momento do ano (provavelmente quando eu ganhei o projeto de Manaus), tudo isso mudou.

Assim como a nossa querida protagonista, eu achava que aquela era a minha chance de aparecer na empresa e comecei a trabalhar como um louco. Acordava pensando em trabalho, trabalhava até tarde todo dia, chegava em casa morto, mas ainda pensava em trabalho, "dormia" e sonhava com trabalho... Várias vezes deixei de fazer coisas por causa de trabalho. Deixei de sair com meus amigos, deixei de encontrar com Xuxu, deixei de ir ver minha mãe, deixei de tirar férias, deixei de ir ao médico, deixei de cuidar de mim. E, quando eu conseguia fazer alguma destas coisas, eu ia pensando no trabalho.

Nesse meio tempo, eu via que estava desapontando as pessoas, mas pô, era só só mais um mês. E esse mês virava outro mês. E esse outro mês virava outro... e assim foi, por SEIS meses, até que o projeto acabou.

E junto com o projeto, acabou o meu namoro, as minhas amizades, os meus laços de família e a minha saúde (física e mental). E como o estilista do filme falou, foi exatamente neste mês que eu fui promovido. Eu queria comemorar a minha promoção, mas não tinha com quem comemorar. Eu queria ligar para as pessoas para contar, mas eu não tinha mais intimidade com ninguém para contar. Eu queria abraçar pessoas para comemorar, mas não tinha ninguém para abraçar. Resultado: comemorei em casa, sozinho e contei no twitter que tinha sido promovido, mas porque eu PRECISAVA contar para alguém, para dividir a alegria.

Valeu a pena? Não, não valeu. Assim como a protagonista, eu percebi isso tarde demais. E assim como ela, resolvi tomar uma atitude. Não vou sair do emprego como ela fez, vou simplesmente ligar menos para as coisas. Não quero mais perder noites de sono. Não quero me distanciar dos meus amigos e família. Não quero correr o risco de perder pessoas que gosto tanto. Não quero ter um infarto aos 35 anos. Não quero que as minhas melhores horas de sono sejam no avião, quando o celular não pode ficar ligado e o notebook não funciona por falta de tomada.

2010 foi o ano que eu trabalhei. 2011 será o ano que eu viverei. Nem que isso custe meu emprego. O meu único empecilho é a porcaria do projeto de Manaus, que me fará viajar muito e me fará ficar longe de quem eu gosto. Mas disso eu não tenho como fugir, então o jeito é me planejar para não furar com ninguém e conseguir retomar um antigo projeto de amigos.

E tenho dito. Torçam por mim.

2 de jan. de 2011

Por uma vida mais simples

Estava eu com uns amigos de velha data no Stadt Jever no dia 30 para uma cerveja de fim de ano quando começaram a falar da época em que todos trabalhávamos juntos, quando eu ainda era programador. E conversando sobre aquilo eu vi o quanto a minha vida era mais simples e mais legal do que hoje. A minha maior preocupação era terminar uma tela (ou funcionalidade) no prazo. Só. Não tinha chateação do cliente (aliás, quase não encontrava com o cliente!), não tinha preocupação com faturamento, não tinha departamento de qualidade enchendo o saco com burocracia, não tinha problema com o SAP... E ainda ganhava o piso de engenheiro, que hoje não é tão a mais do que o que eu ganho (mesmo com a promoção).

Naquela época eu conseguia trabalhar, fazer alemão e espanhol e ainda corria todo dia (além de conseguir blogar umas 3 vezes por dia!). O fim de semana começava na sexta, no pastel, eu encontrava com outros amigos no sábado e em alguns domingos rolava até cinema ou teatro, normalmente com a minha querida amiga Consultora. Eu era feliz e não sabia.

Hoje, lendo os comentários antigos do blog, eu vi como eu tinha uma vida social. As épocas de blog camp e drunk twitts, as saídas com pessoas que eu tinha acabado de conhecer (e que depois sumiram tão rápido quanto apareceram), os churrascos da Auto-6 (que me fizeram atropelar uma árvore), as aventuras em contagem...

Tudo isso acabou, sem que eu percebesse. Bateu uma saudade de 2005 a 2007... E o pior é saber que conseguir ter aquela vida simples de volta não será uma coisa fácil (pra não dizer impossível)....

31 de dez. de 2010

Ano Novo - Livro Novo

Recebi isso por email, de uma pessoa do trabalho. Eu ia ignorar, como sempre faço quando recebo esse tipo de coisa por email, mas por algum motivo desconhecido acabei lendo. E, por uma coincidência absurda, encaixou-se direitinho com o meu pensamento neste fim de ano, aí resolvi colocar aqui.



Encerra-se mais um ano em sua vida...
Quando este ano começou, ele era todo seu.
Foi colocado em suas mãos...
Podia fazer dele o que quisesse...
Era como um Livro em Branco,
E nele você podia ter um poema,
Um pesadelo, uma blasfêmia, uma oração.
Podia...
Hoje não pode mais, já não é seu.
É um livro já escrito...
Concluído...

Como um livro que tivesse sido escrito por você,
Ele um dia lhe será lido,
Com todos os detalhes, e não poderá corrigi-lo.
Estará fora de seu alcance.
Portanto...
Antes que termine este ano,
Reflita, tome seu velho livro e folheie com cuidado...
Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência;
Faça o exercício de ler a você mesmo.
Leia tudo...

Aprecie aquelas páginas de sua vida em que usou seu melhor estilo.
Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito.
Não...
Não tentes arrancá-las.
Seria inútil...
Já estão escritas.
Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que será entregue.

Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu,
E evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro,
Você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio,
E terá, para preencher, toda a imensa superfície do seu mundo.

Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije.
Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas mãos do Criador.
Não importa como esteja...
Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras:
OBRIGADO E PERDÃO!

E, quando o novo ano chegar, lhe será entregue outro livro, novo,
limpo, branco, todo seu, no qual irá escrever o que desejar...




Pessoal: um ótimo 2011 para todos. Espero que todos vocês tenham um ano excelente. Porque eu SEI que eu vou ter. E para não deixar de fazer aquela piadinha, até ano que vem!

29 de dez. de 2010

Sendo um chefe melhor

Eu trabalho com projetos desde 2003, quando ainda era um mero estagiário, começando a minha vida profissional. Desde lá, já tive muito chefe e cada um de um tipo. Uns fizeram coisas boas, outros fizeram coisas ruins, mas se teve uma coisa que TODOS tiveram em comum: formar o meu caráter. Seja porque fizeram alguma coisa que eu achei do caralho e que eu pensei "quando eu tiver a minha equipe vou fazer isso" ou porque fizeram uma coisa são filadaputa que eu pensei "NUNCA farei isso quando tiver a minha equipe".

A primeira das coisas que eu aprendi é que não adianta ser filho da puta. Nunca. é melhor falar com a pessoa o que você pensa em uma sala de reunião, numa conversa particular, do que só reclamar do cara com seus chefes (você sempre terá chefes, não importa seu cargo) ou dar aquele esporro na frente de todo mundo só pra mostrar quem manda nessa porra.

Outra coisa que aprendi é que você SEMPRE tem que tratar bem a sua equipe e SEMPRE tem que prestar atenção na cara das pessoas. Vai por mim: você, sozinho, não faz porra nenhuma e se sua equipe não estiver tranquila, motivada e satisfeita, seu projeto vai pro saco. Gente insatisfeita não rende. E trate as pessoas do modo adequado para aquela pessoa. Cada um é de um jeito. Não dá, por exemplo, pra ficar fazendo piadinhas em voz alta com uma pessoa tímida. Ela vai ficar roxa de vergonha e vai te odiar. Para isso, você tem que conhecer a sua equipe bem.

O projeto foi mal vendido e está dando aquele prejuizo, mas a equipe está se matando e conseguiu entregar tudo no prazo? Comemore com o pessoal. Faça uma reunião regada a salgadinhos, pão de queijo, refrigerante e docinhos onde você mostra o resultado, que foi tudo graças a eles, ao empenho deles. Esqueça a palavra eu. Você não fez nada, só estava lá pra apagar o incêndio. Foda-se o resultado. 100 conto a mais no prejuizo do projeto não vai matar ninguém e vai massagear o ego da equipe impressionantemente. Sua empresa não quer pagar? Compre menos coisa, do seu bolso mesmo, mas mostre pra equipe que eles mandaram bem. E de vez em quando convide a galera para um happy hour e PARTICIPE dos eventos para os quais foi convidado. O pessoal se sente importante.

O terceiro item é dar feedback com frequência e ser verdadeiro nestas situações. Mais: esteja sempre preparado para o dia em que alguém, em alguma reunião, resolver te pedir feedback. E dê o feedback de verdade. Não dê aquele tapinha nas costas e fala que "tá tudo beleza". TODO MUNDO pode melhorar. Ninguém é perfeito. E se você não falar algum ponto de melhoria, o cara vai achar que você fala aquilo pra todo mundo. Mas não adianta só dar o feedback, tem que mostrar o caminho das pedras pro cara conseguir melhorar e fazer acompanhamento de perto.

Aliás, na parte do feedback tem uma coisa que eu aprendi a duas penas: cuidado. Tem que saber como falar. Ainda mais quando alguém fez merda. Não adianta nada chegar esculachando o sujeito. Tem que ir com calma e mostrar pra pessoa que ela fez coisa errada, que aquilo NÃO é o fim do mundo, mas que aquilo não pode repetir. E se o cara fez coisa certa, dê os parabéns, fale que o cara mandou bem, mas cuidado pra não inflar o ego do cara demais, senão você cria um monstro.

Um último ponto (que, por sinal está tomando a maior parte do meu tempo) é estar sempre disponível. Se alguém te procurou, atenda-o. Se não puder ser na hora, marque um horário com a pessoa. Mostre que você está disposto a ouvi-la e, principalmente, ajudá-la. Se você não tem tempo para sua equipe, não tem tempo para nada. E, durante o dia, converse com o pessoal. Veja o que está pegando, quais os problemas estão tendo, os risco que eles estão prevendo, o que pode atrapalhar o trabalho deles. Tente fazer o máximo para que eles trabalhem tranquilos.

Nos últimos tempos a coisa que eu mais tenho aprimorado é a forma como eu trato a minha equipe. Demorou, mas eu percebi que eu tinha virado um chefe e que o responsável pelo bom desempenho e felicidade daquelas pessoas era eu. Desde então, tenho pensado em tudo o que fizeram comigo e que eu achei legal ou que achei páia. ÓBVIO que eu ainda tenho muito capim pra comer, mas tenho me sentido um bom exemplo. E pela quantidade de gente que tem vindo conversar comigo, é sinal que ganhei a confiança deles, o que é muito bom.

E descobri que esse negócio de gerenciar projeto é legal, mas gerenciar gente é muito melhor. Vou até começar a estudar um pouco sobre o assunto ano que vem.