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3 de jul. de 2012

Quando eu fiz um espertinho tomar multa

A coisa que eu mais odeio no trânsito são os espertinhos. Espertinho é aquele que vê que tem uma fila gigante e ele corta todo mundo pelo acostamento, pista lateral ou coisa do tipo e se embrenha no meio dos carros lá da frente. BH deve ser o lugar onde isso mais existe (até porque o trânsito aqui é absurdamente mal planejado).

TODO DIA eu passo raiva com isso na Nossa Senhora do Carmo. Pra quem não é de BH ou não sabe do que eu estou falando, vai uma explicação rápida com um desenho em seguida:
- A BH criou uma pista exclusiva para ônibus do lado direto da pista central.
- Os ônibus vêm da esquerda na pista central, entrando da contorno.
- 65% dos carros que vão para a pista central vêm da trincheira da Rio Grande do Norte, que fica à direita.
- Carros só podem trafegar no lado esquerdo da pista central.
Deu pra imaginar, sem ver a foto, o problema? Então agora olha só o esquema com a tecnologia Google Maps + paint brush


LÓGICO que dá merda. É ônibus querendo ir da esquerda pra direita e carro querendo ir da direita para a esquerda. Só que na pista da esquerda tem os 35% restantes de carros que entraram da contorno. E aí rola um mega engarrafamento.

As pessoas educadas e com um pingo de inteligência adotam a tática do zíper: primeiro entra um carro da esquerda, depois um carro da direita e assim sucessivamente. Mas tem os espertalhões que saem cortando todo mundo pela pista dos ônibus e, láááááááá na frente querem entrar. E mesmo assim só porque tem pardal que pega carro na pista errada.

Eu já quase bati várias vezes porque não deixo os espertalhões entrarem. Fico colado no carro da frente e quase invado a pista da direita. Mas o povo é bonzinho e o espertão sempre acaba entrando e escapando da multa. Menos na semana antes de eu ir para Manaus.

Um espertão veio cortando todo mundo, até que tentou entrar na minha frente. Eu acelerei e emparelhei o carro. Ele freiou, para entrar atrás de mim. Eu freiei e e emparelhei o carro novamente. E assim eu fui fazendo, até que piscou o flash e eu tive certeza que ele tinha tomado uma multa. Aí eu reduzi bastante a velocidade e deixei ele entrar.

Eu tenho raros momentos de felicidade no dia, esse certamente foi o melhor da semana. Agora o cara aprende a não cortar mais os outros. Pelo menos eu espero.

4 de ago. de 2011

Penetrando

Sexta-feira a noite, estava lá eu no buteco tomando uma merecida cerveja para relaxar da semana de trabalho. Estamos em um lugar que tem mesas na rua e, do nada, alguém para e fica olhando para mim. Espremo os olhos (miopia a noite, a distância = não ver detalhes) e vejo que é alguém conhecido. Na verdade, é uma família de conhecidos lá de Pains. Eles estão indo para uma festa de formatura de uma menina de Pains DO LADO de onde estou e estão com um convite extra. Perguntam se não quero ir. "Vou sim. Daqui a pouco passo lá", disse.

Voltei para a minha mesa e, mais ou menos uma hora depois resolvo abandonar meus amigos para ir beber de graça. Sabe como é, chance como essa não acontece todo dia. Paguei a minha parte da conta, coloquei a mochila nas costas e fui para a festa. Na minha cabeça, passava só uma coisa: eu não conhecia a formanda e nem os familiares. E se algum deles estivesse na porta? Ia passar vexame.

Fiquei meio de longe, esperando alguém entrar na minha frente, para ver se a formanda estaria por perto. ÓBVIO que ela estava na porta, com mais umas 2 pessoas, recebendo os convidados. Ia ser difícil entrar sem ser notado. A solução foi esperar um casal chegar e, enquanto eles fossem cumprimentar a menina eu passaria correndo e me misturaria à multidão, até encontrar meus conhecidos. E assim foi feito. Acho que eu até consegui enganar bem. O segurança da porta sacou que eu era penetra, mas como estava com convite, não poderia fazer nada.

Encontrei o pessoal, coloquei a mochila debaixo da mesa e peguei um copo de chopp. O copo não esvaziou hora nenhuma e, lá pelas tantas da noite, já estava muito embriagado. Mas estava me comportando bem, tomando o cuidado para não cruzar com alguém da família da formanda (que, naquela altura, já sabia quem eram). Umas 3 e pouco da matina, os conhecidos resolveram ir embora e não iria ficar lá sozinho (até porque já estava acabando a festa). Passei pelo bar onde estava e vi que meus amigos ainda estavam lá, mas já tinham fechado a conta.

Olhei para eles, olhei para a festa (que, a essa hora, não tinha mais segurança na porta) e falei: bora pra festa? E assim foi. Voltamos para a festa (que realmente já tinha acabado) e bebemos mais uns 2 copos de cerveja (o chopp já tinha acabado). Agora, eu já não estava mais sendo nem um pouco cuidadoso e, para piorar, o lugar já estava vazio. Como éramos quatro desconhecidos, foi fácil ser descobertos. Eu vi que a menina foi perguntar para o pai se ele nos conhecia e ele claramente fez que não.

Aí teve uma hora que ela deve ter ficado muito incomodada e foi perguntar se me conhecia. Falei que não, mas que o pai dela conhecia meu pai e que "provavelmente ele que fez o seu parto". Aí ela perguntou quem era meu pai e eu falei. Só que o espertão aqui esqueceu que o Véio não trabalha em Pains há mais de 30 anos e, certamente, não tinha sido ele que fez o parto. Ela achou que "foda-se quem é seu pai" e falou para eu sair. Aí falei que tinha sido convidado, por isso estava lá dentro. Ela perguntou quem tinha me convidado. Falei quem tinha sido. Ela achou ruim, porque não tinha sido ela. Em vez de eu sair, ainda tentei argumentar (bêbado é foda) e ela começou a me xingar, me mandando embora.

Eu sei que ainda criei caso e falei "toma a sua cerveja então" e coloquei o copo em cima da mesa, enquanto ia embora. Foi o suficiente para ela ficar puta. Aí, quando eu já estava do lado de fora com meus amigos, ela começou a gritar: "eu sou advogada, vou processar vocês". Uma das minhas amigas falou assim: "você tem OAB? Acabou de formar, menina! Se enxerga". E fomos embora.

Eu sei que fiz merda e da grande. Mas fui punido no dia seguinte com uma ressaca como eu não tinha há uns 5 ou 6 anos. Daquelas de vomitar a cada meia hora, sendo que não comeu nada. Nem água estava parando no meu estômago....

Mas agora posso contar para meus netos a história da vez que entrei de penetra em uma festa.

28 de jun. de 2011

Comigo o papo é reto

Um dia depois desse episódio das vagas do post anterior eu resolvi que estava na hora de pedir aumento. Afinal, eu tenho trabalhado pra caralho, fazendo o trabalho de umas 3 pessoas e, pior, trabalho de quem está no cargo acima do meu (como se isso fosse novidade pra mim). Além disso, andei descobrindo que tem engenheiro junior, que tem MUITO menos responsabilidade que eu, ganhando pouco a menos que eu (como se isso fosse novidade pra mim).

Como eu iria para Manaus na semana seguinte e o gerente do escritório iria viajar no dia seguinte, mandei um email pra ele sendo direto: “preciso conversar com você antes de você viajar. O ideal é que seja hoje, porque passarei duas semanas em Manaus”. Imediatamente o telefone do meu chefe ligou. Eu senti que estava falando de mim e que foi mais ou menos assim a conversa:

- Que merda de email é esse do Esparroman?
- Email? Não recebi.
- Ele me mandou um email aqui querendo conversar. Que porra é essa?
- Não to sabendo de nada não.
- Tá bom.

Aí tocou o meu telefone: “desce aí, que só posso conversar se for agora”. E lá fui eu.

Cheguei na mesa dele e fomos para a sala de reunião. Já sentei e comecei a metralhar:

- Na minha avaliação de desempenho você falou que eu ia receber aumento esse ano. Quando vai ser?
- Primeiro de Julho.
- E quanto vai ser?
- 8% fora dissídio.

Fiz umas contas rápidas de cabeça e cheguei num valor aproximado de quanto seria. É bem menos do que eu acho que mereço, mas seria um aumento bruto até bom. Eu só esqueci que o governo comeria boa parte dele e que o líquido seria quase pífio. Se eu tivesse pensado nisso na hora talvez tivesse chorado mais. Mas aí continuei.

- Você sabe que eu tenho trabalhado pra caralho, só projeto rabo e que já estou fazendo a função do cargo acima do meu, né?
- Sei.
- E aí? Num tá na hora de uma promoção não?
- Olha, você acabou de ser promovido. Ainda é cedo pra pensar nisso. Eu acho que uma época boa é final do ano que vem, pra ganhar maturidade.

Na hora eu concordei, com o argumento de que acabei de ser promovido, mas fiquei meio puto com o prazo para a promoção. Ainda mais que eu estou com o trabalho do cargo superior desde que fui promovido. E que antes disso, fiquei quase dois anos fazendo o papel que eu deveria estar fazendo agora. Mas deixei pra lá, porque não era hora de discutir isso. Talvez no início do ano que vem, ou quando entrarem mais projetos.

Assim como fiquei sem acreditar na minha promoção e só acreditei quando pingou na minha conta, ainda não estou contando com esse aumento. Só vou acreditar quando pingar na conta. Mas já fiz planos para essa migalha que vai entrar a mais: comprar uma mega TV fodástica de 46”. Mas só se puder dividir em 10 vezes sem juros, para caber no meu novo orçamento.

Torçam por mim.

20 de jan. de 2011

Quando minhas férias reduziram e eu quase xinguei meu chefe

Quando meu chefe voltou de férias, no começo dessa semana, chamei-o para combinar a minha folga do ano passado e as minhas férias deste ano. Como a minha idéia é aproveitar as milhares de milhas que ganhei em viagens de 2010 indo pra Europa, marquei em uma época que não fosse nem quente nem frio e de baixa temporada, dentro dos limites das minhas férias, que vencem em 15 de setembro.

A data escolhida para as primeiras folgas foi logo depois do carnaval, tirando quinta, sexta e a semana seguinte inteira. As férias, foram logo depois de um feriado em BH, dia 16 de agosto, indo até dia14 de setembro. Como isso é uma quarta, pedi a folga desse ano para logo depois, mandando ver na quinta e sexta logo após as férias e a seguinte inteira. Ele falou que pra ele não tinha problema, então montei meu calendário de 2011. Ficou assim:


Acreditem ou não, isso aí é uma planilha excel toda automática, até os feriados, que são os dias isolados em amarelo. E os vááááários dias em amarelo juntos são folgas e férias. Eu assustei quando terminei. Não tinha idéia que passaria tanto tempo sem trabalhar. Mas meu chefe tinha autorizado, então liguei o foda-se e já estava pensando em combinar a minha viagem com a minha irmã.

Aí, no dia SEGUINTE, meu chefe chega perto de mim e pergunta: "já comprou sua passagem de férias?". Respondi que não e ele falou "então não marca! Tenho uma reunião agora e depois a gente conversa". Já imaginei o pior, mas continuei trabalhando. Quando ele voltou, fui lá perguntar que porra era aquela. E fomos para uma sala de reunião.

Ele começou a dizer que tinha conversado com o gerente do escritório e que o cara não gostou da idéia de eu ficar tanto tempo fora, principalmente em Agosto e Setembro, que são os últimos 2 meses do ano fiscal. E que não queria ficar dando uma semana de folga toda hora. Eu expliquei que tirei as férias naquele período porque ia vencer e que eu não tinha como tirar antes disso, porque era período de alta temporada. O que eu poderia fazer era tirar férias de mentira em setembro e continuar trabalhando e em outubro tiraria as férias de verdade. Mas que não estava entendendo porque eu não poderia tirar a folga, dado que trabalho como um jumento.

O cara falou que a empresa era assim e que pessoas com o meu cargo, de confiança, eram as que mais davam sangue pela empresa e que o que eu estava pedindo não condizia com o meu cargo. Rapaz, eu virei o demo. Comecei falando que eles deveriam ter vergonha de falar aquilo pra mim. Eu que me mato de trabalhar pela empresa, não durmo por causa de projeto, viajo qualquer dia e qualquer hora enquanto pessoas do mesmo cargo que eu chegam 9:30 e saem 17:30. Falei que aquilo era um absurdo e que se eu fosse mais corajoso deveria era botar a empresa no ministério do trabalho, pra reaver todas as horas extras que eu deixei pra trás. Porque o que eu estava fazendo era pedir 10% das horas que eu trabalho em um ano.

O cara deve ter assustado e tentou se redimir, falar que o certo seria eu trabalhar 8 horas por dia e que se eu não consigo eu deveria pedir mais recursos para fazer isso. Eu ri. De verdade. Nem equipe eu consigo ter, imagina alguém pra me ajudar, que seria um "overhead". Aí ele começou a falar que tem gente que trabalha tanto quanto eu e que nunca pediu um dia de folga. Perguntei se ele achava aquilo certo e ele disse que sim, porque um dia essas pessoas seriam recompensadas. Eu não aguentei:

- Recompensada como? Ganhando 100% mais trabalho e 10% a mais de salário? Prefiro voltar a ser engenheiro junior, que está com o piso pouco abaixo do meu salário hoje. Eu não importaria de me matar se ganhasse um valor razoável pra isso, como na consultoria. Mas me matar pra ganhar o que eu ganho, sinto muito. Ainda mais sabendo que tem gente ganhando mais que eu e fazendo muito menos. O mínimo que você deveriam fazer é me OFERECER uma folga por ano e não me dar sermão quando eu tento tirar.

O cara viu que eu estava puto. E viu que eu não ia mudar o meu modo de pensar. E eu vi que não ia adiantar, porque ele é um dos que sofreu lavagem cerebral quando entrou na empresa. Então deixei quieto e resolvi fazer greve branca. O que der para fazer no dia, eu faço. O que não der, vai atrasar. E sinto muito. Não vou me matar para não ser recompensado.

E, assim, neste dia, vi a minha chance de virar gerente subir no telhado. Mas que se foda. Eu quero é ter vida.

6 de dez. de 2010

Festa da Firrrrma

Uma sexta dessas aí pra trás rolou a festa de fim de ano da empresa. A festa foi com um tema árabe, porque a empresa abriu um escritório em Abu Dhabi e o pessoal queria comemorar este fantástico fato. No mesmo dia mais cedo, o gerente do escritório chamou as pessoas chaves para conversar e falar que era pra gente tratar todo mundo bem, passando de mesa em mesa e cumprimentar todo mundo.

Missão dada é missão cumprida e, assim que cheguei ao lugar da festa, saí cumprimentando um por um, mesmo os que eu não sabia o nome E os que eu nunca tinha visto antes. Quando acabei (quase meia hora depois) percebi que tinha só metade da empresa na festa quando eu cheguei e que naquele instante a outra metade do salão estava populada. Aí fui lá cumprimentar o resto da empresa.

Quando acabei, mais uma hora depois, começou o blábláblá do gerente do escritório, com video de fim de ano, obrigado pra cá, obrigado pra lá e aí a surpresa: apareceu o presidente da empresa. Mais blábláblá, mais obrigado e no fim palmas e mais palmas. Eu já estava arquitetando uma forma de limpar meu nome com o cara, dada a comida de rabo gratuita que contei no outro post.

Fiquei tocaiando o sujeito e, num momento em que ele estava "indefeso", esperando o garfo para poder comer, fui atrás dele, coloquei qualquer coisa num prato e falei "pô, não tem garfo nem pro presidente da empresa?". Ele deu aquela risadinha e comecei a puxar assunto com o cara.

[Interlúdio] Aqui vale um comentário: quem me conhece sabe que eu sou um banana na arte da conquista feminina (Xuxu pode confirmar). Sou muito tímido e fico sem saber o que falar e quando falar para uma mulher que estou interessado, mesmo quando já estou mais alegre. Agora bota um copo de cerveja na minha mão e um chefe na minha frente e eu viro o melhor amigo do cara em 10 minutos (que fique claro: não estava cantando ninguém!). Converso sobre qualquer coisa, não falta assunto nem um minuto, reclamo de tudo o que me incomoda, dou dicas de como melhorar a empresa, de quem deve ser promovido... É uma beleza. Se eu soubesse fazer isso pra conquistar mulher seria o maior pegador da história! Vai entender... [/Interlúdio]

Mas estava lá eu conversando com o cara e surgi com o assunto de Manaus, na maior naturalidade (acho que falei que estava viajando muito e sempre que voltava ao escritório via que o clima estava mais tenso). Papo vai, papo vem, consigo falar que cai nesse projeto 2 dias antes da comida de rabo dele (que, por sinal, foi no dia da festa, salvo engano). Meu amigo, minha amiga.... quando falei desse assunto o cara ficou vermelho, esmurrou a mesa e disse "eu fiquei muito puto! A gente nunca tomou aviso de multa, comé que alguém deixa isso acontecer?". Me encolhi e falei que foi porque ficou passando de mão em mão, mas que a gente já conhecia o caminho das pedras e ia corrigir isso. O cara ficou menos vermelho e falou "não interessa. Alguém do SMS vai ser demitido". Aí eu fiquei menos tenso e mudei de assunto, para não sobrar pra mim.

Mais um pouco de conversa e dois dos meus companheiros de reclamação chegam para conversar com o cara. Todo mundo falou que o clima tava ruim, que tinha que mudar algumas coisas, que estava trabalhando demais, que estavam colocando muita responsabilidade em cima da gente e eu, lógico, falei que a responsabilidade não estava compatível com o salário. Que o mercado estava pagando muito mais para cargos deconfiança e liderança. Ele concordou comigo e falou que isso ia mudar em breve. Me animou um pouco, apesar de eu saber que esse "em breve" vai demorar alguns bons semestres...

De repente o cara se anima e, por algum motivo o assunto da diretoria antiga surgiu. O cara contou tanta coisa, mas tanta coisa que eu fiquei até com medo de saber aquilo tudo. Virei um arquivo com informações confidencialíssimas. Ou o cara vai me matar ou gostou mesmo de mim.

No fim das mais de três horas de conversa, era hora de ir embora. Fiquei lá pra ajudar a desmontar as coisas (como sempre fiz em festa de empresa, pra puxar aquele saco) e, no fim, deram uns certificados de bons trabalhos a todos. Coloquei o meu em cima da mesa e ele foi lá, como quem não quer nada, ver o certificado. Eu SABIA que não era aquilo que ele queria ver. Ele queria saber o meu nome (não sei ainda se isso é bom ou ruim).

Fui embora com a sensação de dever cumprido. Limpei meu nome, reclamei com quem manda e ainda obtive acesso a informações privilegiadas. Vamos ver se isso vai render alguma coisa (boa, de preferência).

8 de nov. de 2010

O líder sindical está de volta

O clima na minha empresa está um lixo já faz um bom tempo. Tá todo mundo insatisfeito e sempre tem um ou outro saindo. Além disso, tenho visto MUITA coisa errada que se continuar como está, a empresa vai afundar em pouquíssimo tempo. Eu não estava mais aguentando segurar essas coisas comigo e não é do meu feitio ficar vendo o barco afundar. Eu tinha que alertar o gerente do escritório.

O cara voltou de férias semana passada e quando ele estava no escritório eu estava fora e vice-versa. Até que consegui falar com ele no fim do dia de sexta. A conversa COMEÇOU às 18:00 e acabou pra lá de 21:30. E aí, amigão, a merda foi pro ventilador. Eu já estou com fama de reclamão mesmo (novidade), então aproveitei pra falar tudo o que estava me incomodando, pelo bem da empresa.

Falei que a diretoria está despreparada, está cagando pro pessoal, mas se achando os melhores do mundo. Falei que os gerentes não estão tomando conta das pessoas e também estão despreparados. Falei que os líderes de projeto não sabem gestão e também estão despreparados. E que NINGUÉM está fazendo anda para melhorar e aprender o necessário para fazer o trabalho direito.

O despreparo não é culpa deles. É culpa do pessoal de cima. Nós tratamos estagiários como cadistas, mas cobramos como engenheiro Junior. Quando eles formam, não sabem engenharia (por culpa da empresa), mas cobramos deles como Engenheiros Plenos. E quando um deles destaca um pouco com espírito de liderança, já colocamos um projeto na mão deles, para que eles façam TODA a gestão do bagulho. Aí esse povo se mata de trabalhar (e trabalhando errado) e não tem tempo de estudar. Aí, pela inércia, esse povo vira gerente de projeto e não sabe nem montar um cronograma. Go Horse total. E como ninguém cobra estudo e resultado do pessoal, a bola de neve só vai aumentando.

Aí ele pediu exemplos. Fiquei meio sem jeito de falar e ele disse: "porra, já que jogou a merda, agora faz direito!". Resolvi jogar a merda direito. E falei um por um, qual o problema dos nossos gerentes e líderes. E o pior: ele concordou com todos. E perguntou como resolvia isso. Ficou claro que ele sabia que tinha esses problemas e que não sabia como resolver. Falei: dá feedback pro cara e dá ferramentas para ele aprender. Cobra os resultados. Se não adiantar, muda o cara de função. Tá cheio de gente nessas camadas que adora a área técnica. Transforma em especialista, porra.

O próximo assunto foi a equipe desmotivada. Falei que não era só salário que a galera fica reclamando. Coisas bobas, como falta de incentivo, falta de um tapinha nas costas e um "parabéns". Uma festinha no fim de cada projeto. Uma visita do presidente da empresa, da diretoria... O mínimo pra que a equipe se sinta importante e aumente um pouco o ego das pessoas. Além, lógico, de promover quem merece. E falei que algumas pessoas que julgo excepcionais tinham me procurado para reclamar e que tava na hora de promover esse pessoal. Não dá mais para ficar perdendo o povo bom de serviço e deixando os lixos na empresa. Ele concordou comigo e falou que está tomando providências.

Aí aproveitou e falou de diversas coisas que estão acontecendo na empresa para mudar esta situação. Se o que ele falou realmente acontecer, estamos no caminho certo. Se for só blábláblá, estamos fudidos...

12 de ago. de 2010

Esparroman em ação

Estava eu, junto com mais umas 15 pessoas, em um curso sobre gestão de conflitos (altamente picareta), quando vamos fazer uma dinâmica. Basicamente era uma folha com 20 características e você tinha que convencer as pessoas a assinarem nas características que você achava que batia com ela. Estava eu colhendo as minhas assinaturas quando alguem falou: "assina aqui que você é perfeccionista". Aí fui lá e assinei, falando "é, esse não tem como eu discordar. Sou mesmo". E assinei o bagulho.

Aí essa pessoa foi lá contar os seus resultados e falou que eu era perfeccionista. Aí a mulher da dinâmica falou "é mesmo, eu lembro que você assumiu que era perfeccionista". E o gerente do escritório, muito semnoçãomente, fala bem alto:

- Perfeccionisto é falta de trabalho

Eu não aguentei. Não contei nem até meio e já revisei:

- É, por isso que eu fico trabalhando até tarde todo dia.

Um terceiro cara só soltou um "Aaaaaaaai" e, dizem, o gerente encolheu todo.

Sim, eu sei que o certo seria ter ficado calado. Mas eu sinceramente não ia levar aquele desaforo pra casa. Me mato de trabalhar pela empresa, não levo uma gota de reconhecimento e o cara ainda me fala uma dessa? Nem a pau. E pior ainda foi ele, na posição dele, fazer um comentário desses! Pô, a sala tava cheia de gente, incluindo pessoas do operacional. Não era lugar de fazer isso. Fiz e faria novamente.

Mas aí, para o gerente aumentar o moral dele, na próxima frase que o cara da dinâmica falou ("uma pessoa criativa é a mulher X"), ele soltou um a seguinte frase: "mas a mulher X é a mais padrão possível! Não tem nada de criativa". E isso foi seguido de outro "Aaaaaaaai".

E aí, meus amigos, eu volto a reforçar: vê se isso é coisa que se fala na frente de várias pessoas? A mulher X certamente ficou desmotivada e muito puta. Um cara na posição dele tem é que MOTIVAR as pessoas e não ficar diminuindo.

É por isso que a minha empresa naõ vai pra frente...

6 de jul. de 2010

Hora de reclamar

A minha empresa tem perdido muitas pessoas nos últimos dias. São muitas pessoas insatisfeitas (eu inclusive) e a galera parti pra procurar oportunidades melhores. Outras, foram "pescadas" pelo antigo dono da empresa, que abriu uma concorrente e está jogando duro com o pessoal (até meio anti-ético: ligou direto para o ramal da pessoa).

Preocupados com essa debandada, os gerentes estão chamando as pessoas que consideram "chave" para conversar. E eu fui uma das que foi chamado para uma salinha. Segundo o meu gerente, eles querem tranquilizar o pessoal e pedir que se tem algo incomodando, para falar com eles primeiro e não deixar a bomba estourar. E perguntou se tinha alguma coisa me incomodando.

- Sério que você me perguntando isso? Depois de tudo o que a gente já conversou e eu já reclamei?? - questionei o meu gerente.

Ele fez aquela cara de "eu sei...", mas já que ele perguntou, abri a caixa de ferramentas e saí falando tudo. Foram umas 2 horas e bolachinha de conversa, a maior parte do tempo eu reclamando e falando coisas que não concordavam que estavam sendo feitas (merece um post a parte). E em 99% das coisas ele concordava comigo. Só em UMA coisa ele discordou (a velha discussão de gerente precisa ter conhecimento técnico).

De toda essa conversa, o que eu consegui entender é que no ano fiscal não tem aumento nem promoção. E com isso comecei a pensar seriamente em procurar outro emprego. Ainda mais depois que hoje recebi a notícia de que não vão reembolsar a minha prova para PMP, coisa que fizeram com todo mundo que passou. Juro que me segurei para não sair dando esparro, mas não sei quanto tempo essa paciência vai durar.

É a crise dos dois anos de empresa...

4 de mai. de 2010

Esparroman em Ação

A minha empresa resolveu estender o plano corporativo para todos os seus funcionários, com cada um pagando a sua conta. O plano é realmente fantástico: R$ 0,16 o minuto de ligação local, R$ 0,21 para o DDD para Claro, R$ 0,40 para o DDD fixo e R$ 0,72 para o DDD outros celulares, além de poder pegar até QUATRO linhas e não pagar para falar entre elas (e entre as pessoas do plano corporativo). Também tem plano de dados (R$ 21 100 Mb), plano de SMS (R$ 15 por 200 mensagens), aparelho em comodato e mensalidade de UM REAL. Quem quisesse poderia aderir até o dia 30/04 (a notícia saiu na intranet da empresa no dia 20/04, sendo que 21 e 23 eram feriados no Rio).

Os mais afoitos diriam "sensacional!". Os mais experientes e viajantes perguntariam: "qual o custo de deslocamento e do Adicional de chamada?". Além disso, o cara não falou o custo unitário do SMS (não preciso de 200 mensagens) e nem do MMS, não falou se pode portar o número, se paga DDD para celulares do plano corporativo...

Aí mandei um email para o cara no mesmo dia perguntando isso tudo e mais algumas coisas. A resposta dele, no dia 26, segunda:
Hoje será enviado email a empresa com detalhamento melhor do plano e solução as dúvidas genéricas.

Peço que após confirme seu pedido com as informações necessárias.

Segunda passou e nada de email. No final da terça, mandei um email para o cara perguntando cadê a porra do email. Nada. Quarta passou e nada. No fim do dia mandei OUTRO email para o cara. Nada. Na quinta, tentei ligar pra ele. Nada. Aí apelei. Olhei no Outlook quem era o gerente desse puto e mandei um email falando mais ou menos o seguinte (editei algumas partes):
Estou interessado em aderir ao plano Benefício de telefonia, mas estou com algumas dúvidas. Enviei diversos emails para o responsável e não obtive resposta. Ele só me informou que seria enviado um email na segunda passada com informações gerais, o que ainda não aconteceu. Como o prazo para aderir ao plano é amanhã, estou preocupado em não ter as respostas a tempo.

Você tem as informações que solicitei abaixo? Caso não tenha, sabe se o email com as explicações será enviado a tempo?

Mais direto impossível. Porra, não dava mais para ficar esperando. Aí uns 20 minutos depois o gerente respondeu que não é mais o gerente do cara, que era tal pessoal. Copiou a tal pessoa no email e achei que isso resolvesse.

Sexta-feira e nada. Aí, mais ou menos no meio do dia, chega o seguinte email do cara responsável:
Devido a grande procura e às muitas dúvidas que surgiram decidimos por mudar a data final de inscrição de 30/04/2010 para 10/05/2010.

Será enviado email, que está sob análise jurídica, com respostas às duvidas mais freqüentes, e também regras de utilização e responsabilidade entre as partes.

Pô, custava o cara ter me respondido isso na PRIMEIRA VEZ que eu perguntei pra ele? E sorte que o cara respondeu a tempo, senão ia subir ainda mais e mandar um email para alguém mais importante ainda...

Estou sentindo que o Esparroman está voltando à ativa...

9 de jan. de 2010

Quando eu quase mudei pro Rio

Interrompemos a série de posts retroativos para contar uma coisa que aconteceu nesta semana, mais especificamente na segunda-feira. Liga o efeito de "frashback"...

Em meados de dezembro o gerente reserva do escritório me ligou e perguntou quanto tempo eu tinha de formado e quanto tempo eu tinha trabalhado com consultoria. Falei e ele falou "tá bom. brigado" e desligou. Uns 10 minutos depois recebi um email do RH pedindo para que eu atualizasse meu currículo urgente. Sendo que eu tinha recebido um desse menos de um mês antes. Na hora saquei e twitei: estavam vendendo a minha alma para alguém.

Segunda, voltando de feriadão, começo de ano novo o tal gerente me liga novamente e pede pra eu descer que ele queria conversar comigo. Como estou fazendo um trabalho para ele, achei que fosse sobre isso e nem lembrei dos fatos de dezembro. E lá fui eu pro andar dele.

Cheguei e ele me chamou pra entrar na sala de reunião. Se te chamam para a sala de reunião, podem ser duas coisas: promoção ou notícia ruim (ruim pra você, lógico). Se fosse promoção ele estaria com um envelope branco na mão. Como não era o caso, lá vinha uma bomba.

E o cara não fez meia hora: já mandou um direto de direita: "é o seguinte, nós fechamos um projeto no Rio de um ano e estamos querendo te mandar pra lá. Seu currículo foi o único aceito para a função e preciso que você decida se vai ou não". Ainda meio zonzo com a porrada, perguntei quando poderia dar a resposta. "Amanhã até a hora do almoço", ele respondeu.

Aí ele falou que a casa e a faxineira seriam por conta da empresa e que dariam uma ajuda de custos para telefone, comida, lavanderia e passagens aéreas que daria para voltar quinzenalmente. Essa última parte despertou meu alarme "pegadinha do malandro". Aí tive que perguntar "como assim?". E ele explicou: dariam x ronaldos que normalmente dá para voltar quinzenalmente, incluindo passagens e deslocamento casa -> aeroporto (que, em BH, pode sair mais caro que a passagem). Só que não falou nenhum valor de nada.

Aí eu vi que ia dar merda. O "normalmente dá para voltar quinzenalmente" devia ser um valor médio da passagem. Mas em épocas como férias, carnaval, feriadão, etc é LÓGICO que teria que tirar grana do meu bolso para voltar pra casa.

Ele falou ara eu ligar para o gerente do projeto no Rio, para ver qual seria o trabalho, e pensar para avisar se eu animava ou não. Saí da sala e fui direto no meu gerente. Conversei, expliquei a situação e falei que não concordada com essa história de receber a notícia em um dia e dar a resposta no outro, sem saber as condições reais. Fora que quando eu fui contratado o que me falaram é que até 1000 km sempre era quarto individual e retorno semanal e que não tinha gostado da proposta, principalmente por não ser retorno fixo e sim "se vira nos 30".

Depois de chorar mais um pouco ele falou que primeiro eu deveria ligar para o gerente do rio para ver o que era o trabalho, que eu poderia achar muito do caralho e pedir pra nem voltar. E que depois que eu conversasse com o gerente voltasse a falar com ele.

Liguei para o cara e, putaquepariu, era um mega cornojob. Mega-ultra-power cornojob. Eu sairia passaria de fazer trabalho de gerente de projetos para passar a fazer trabalho de estagiário com 2 neurônios. Sério. Mas o cara falou que era um projeto estratégico do cliente e que por conta disso ele pediu gente experiente, que só o fato de terem aceitado o meu currículo já era pra eu ficar feliz e blábláblá.

Como já era pra lá de 7 horas, voltei pra casa, para matutar. A situação era basicamente a seguinte: eu iria para um lugar que não gosto (Rio), fazer um trabalho que não gosto (o cornojob), num esquema de logística que eu não gosto (dividir AP e volta quinzenal), postergando a minha possível promoção deste ano, jogando fora o reconhecimento que consegui a duras penas em 2009 para, talvez, conseguir voltar para BH em 2011 e, talvez, ser promovido em 2012.

Alguém com mais de 2 neurônios (logo o cara que faz o trabalho que eu faria não serve) pensaria "e você ainda foi pensar?". É, eu sei. não deveria ter perdido nem 5 minutos pensando. Só que minha empresa costuma colocar um asterisco no nome de quem não aceita viajar, por ser inflexível e não ter o espírito da empresa. Isso que me fez pensar.

Depois de muito pensar, conversar com meu pai, conversar com Xuxu, rolar na cama até meia noite, consegui dormir (mas sem chegar a uma solução). 4:30 acordei e fiquei até as 6:30 rolando na cama e pensando o que fazer. Nesse meio tempo já tinha feito milhões de contas e estava decidido: iria para o Rio se:

- Ganhasse um aumento considerável
- Tivesse retorno semanal fixo
- Não dividisse quarto

E eu tinha bons argumentos para conseguir barganhar isso. O primeiro era a entrevista para entrar na empresa. O segundo (e que foi o que matou meu chefe) é que eu estava me matando pela empresa nesse projeto atual e que não tinha recebido nada em troca. Além disso, eu abriria mão de muita coisa para ir para o Rio e que a empresa tinha que abrir mão de algumas coisas também.

Ele falou que ia conversar com o gerente do escritório, porque achou que iam me desperdiçar mandando pra lá e que se tinham me prometido essas coisas na contratação teriam que honrar. E foi lá. Nem me deu a chance de negociar diretamente com o cara (já tinha todos os números na cabeça).

Enquanto isso fui para outra reunião, de trabalho. Fiquei lá até 1 da tarde e quando voltei para a minha mesa para pegar a carteira para almoçar cruzei com o meu chefe e ele falou que "estamos vendo a sua situação". E fui almoçar. Pouco depois ele me liga e fala "só pra você almoçar tranquilo, conversei com o pessoal aqui e você não vai mais. Já te tirei da pegadinha".

Fiquei preocupadíssimo, porque não sabia o que ele tinha falado com o Gerente do escritório e que pudessem ter colocado o asterisco no meu nome. Logo que voltei do almoço fui conversar com ele, mas ele não estava lá. Por conta desse pepino, fui conversar com outro gerente, que é o meu mentor.

O cara foi fantástico. Falou que eu fiz mais que certo, que eu estaria jogando fora a minha carreira indo pra lá. E que se foi dito uma coisa na entrevista, tinham que manter a palavra. Mas que ele não sabia o que havia sido discutido e que não sabia qual era o dano que aquilo teria gerado. Que ia sondar e que me dava o retorno. Ontem, no fim do dia, ele falou que segunda a gente conversava.

Não sei o que deu, mas pela conversa que tive com o meu chefe ontem, parece que não só não deu problema nenhum como o fato de eu ter falado que tá na hora da empresa começar a me recompensar abriu o olho do pessoal do alto escalão. Acho que em breve sai um aumento e/ou a tão sonhada promoção.

8 de set. de 2009

Esparroman em ação

Dia desses aí pra trás rolou uma reunião geral no escritório para mostrar os resultados até o meio do ano. No fim da reunião o Gerente do escritório abriu para perguntas. Como ninguém perguntou nada, ele falou que todo mundo que vem fazer palestra aqui fica abismado que ninguém nunca pergunta nada.

Resolvi perguntar sobre a TI, que sempre me deixa na mão, mas só pra quebrar o gelo. Perguntei, mas com um tom de reclamação (lógico). E como ninguém perguntou nada, continuei perguntando sobre outros assuntos. Mas era pergunta do tipo "quando vamos ter palestras aqui em BH, porque toda hora tem no Rio e aqui nunca tem?". Para mim, perguntas normais.

Eis que fui para vitória e, na segunda seguinte, assim que sentei na minha mesa meu chefe me chamou para uma reunião. Falou que o Gerente do escritório e a mulher do RH ficaram espantados com a minha posição, que não esperavam isso de mim e queriam entender o que estava acontecendo.

Sinceramente não entendi a razão de todo esse alvoroço. Eu fiz perguntas numa boa (tirando a parte da TI). Queria realmente saber se tinha previsão de vir gente para fazer palestra em BH, se a gente estava procurando outros clientes para não colocar todos os ovos em umas 3 cestas, não foi nada com tom de acusação. Mas parece que eles entenderam assim.

Fato é que o meu chefe veio perguntar o que estava acontecendo. Eu falei que não estava reclamando e sim questionando. Falei que realmente a TI me tira do sério e que fico puto por termos um serviço tão ruim, todo mundo reclamar e ninguém fazer nada. Mas nada de mais (ao meu ver).

Acho que ele entendeu o meu lado, mas deu uma comidinha: falou que quando eu tiver reclamações que faça direto pra ele e não em público, em frete estagiário e engenheiro júnior, porque eles podem achar que a empresa é ruim e passar uma idéia errada.

Nessa hora eu tive que falar: "chefe, a TI É ruim. E eu já reclamei disso milhões de vezes com você. E você também vive reclamando. E o Gerente do escritório vive reclamando. E ninguém faz nada.". Aí ele falou que eu não posso ficar me expondo assim, na frente de muita gente. Que acaba queimando o filme e tudo mais.

Aí resolvi não discutir (e anotei a recomendação) e a reunião terminou. Mas depois eu fiquei pensando: o cara reclama que ninguém faz pergunta. Mas quando alguém faz, toma porrada e é reprimido. Por isso que ninguém faz pergunta! E outra (que me deixou meio puto): só pode fazer pergunta boa, reclamar não pode?

Desde os tempos de programador sou conhecido por falar o que pensa. E isso me atrapalhou um pouco naquela época (e no começo da minha vida de consultor). Mas acabei aprendendo (a duras penas) a avaliar o lugar onde você está para saber o que pode falar e o que não pode falar. Tanto que nunca mais reclamaram disso comigo (coitada de Xuxu, que acaba ouvindo tudo).

Mas nessa empresa que estou agora, todo mundo fala que é um ambiente bom, que você deve dar a sua opinião, que todo mundo te ouve, que é a melhor empresa do mundo pra trabalhar. Eu achei estranho, mas depois de um tempo acabei entrando na onda. E na PRIMEIRA vez que vou reclamar tomo porrada.

Aprendi mais uma vez apanhando. E cada dia que passa vejo que não existe empresa em que você pode falar o que quer sem ser punido. Mas fazer o que? É aprender para não repetir mais o erro...

8 de jan. de 2009

Com motivo

Essa eu esqueci de contar aqui. Lembra que eu tinha comentado que ia trabalhar entre natal e ano novo? Pois bem, assim aconteceu. Ajudei os caras e todo mundo ficou feliz.

Na segunda, quando fui comentar com meu chefe que tinha acontecido isso e tal, por isso lancei horas num dia que deveria estar de folga, ele comentou: "uai, mas esses projetos são de fulano".

Eu não sabia, mas como Fulano ia viajar, nem liguei, porque estava aqui em casa, de bobeira. Mas falei brincando "Depois eu cobro duas horas de trabalho dele". E ficou por isso mesmo.

Mais tarde, quando fulano chegou, o meu chefe perguntou se ele tinha ficado por aqui e ele respondeu que sim. Ai falei "pô, e ligaram pra mim? Tinham que ter ligado pra ele!". E meu chefe respondeu (na frente do cara) "Mas ele tem motivo. A irmã dele morreu no dia 23".

Eu, óbvio, não sabia onde enfiava a cara e o que falava com ele. Devem ter passado uns 2 minutos até que caiu a ficha e falei um "sério? Meus pêsames, cara". E só. Tudo o que eu queria era sair dali o mais rápido possível (o que não aconteceu). Depois, óbvio, xinguei meu chefe que não me contou e me deixou passar vergonha.

Para os curiosos: basicamente a menina entrou no banho e não saiu mais. Teve um aneurisma e morreu no box. Aos 24 anos de idade...

18 de dez. de 2008

Tampinhas voantes voadoras

Hoje rolou a confraternização de fim de ano da minha equipe. Tudo ia correndo muito bem até que começaram a falar a diferença entre mineiros e paulistas. Eu tava na minha, brincando com a tampinha da rolha de champa que levaram (é, rapá, alto nível!) quando o Garotinho (que é filho de vereador, prefeito, deputado, sei lá) perguntou: para a mesa "Você se importa de pagar pedágio?".

Eu, mais do que de pronto, respondi: "lógico! Eu pago imposto pra caralho! O governo é que tem que pagar isso". E ele falou: "Alá! cabeça de mineiro. Você acha que o Brasil tem dinheiro pra bancar todas as obras que o Brasil precisa?".

Nessa hora joguei a tampinha na mesa (que voou longe) e comecei a xingar o cara: "cê tá louco? Óbvio que tem! Olha a grana que é roubada, desviada, mal gasta nesse país? Você tem idéia da quantidade de obra superfaturada que existe nesse país? Sabe quanto é gasto com obra que começa e não termina?" e assim por diante.

Pô, olha só como as coisas estão no país. O cara paga 5 meses de trabalho em impostos e acha CERTO pagar por algo que deveria ser fornecido pelo governo com estes impostos. Estamos num dos países que mais se paga imposto do mundo e é essa merda que estamos vendo.

A roubalheira é tanta e a má administração tamanha que cortaram 20 (ou eram 40?) BILHÕES da CPMF e ninguém morreu, nenhum investimento foi cortado e, vejam vocês, ainda deram aumento para os deputados, senadores, vereadores, militares e funcionários públicos. E o cara vem me falar o país não tem dinheiro para fazer obras nas estradas...

Você sabia que o Brasil tem um planejamento estratégico para obras rodoviárias, aquáticas e ferroviárias para os próximos 5 (ou seriam 20) anos? E que não consegue FINALIZAR o plano porque os políticos querem verba para iniciarem (e só iniciarem) obras em seus estados, para conseguirem a reeleição? E que, da verba prevista para obras, mais da METADE é utilizada para estas tais obras?

Então, meus amigos, não me venham com xurumelas. Eu quero obras sim, com qualidade e se pagar pedágio. E não venham discutir comigo, que contra fatos e dados não tem argumentos. Tanto que o Garotinho ficou sem ação e quase pediu desculpas, hehe.

Mas que o povo ficou assustado d'eu ter tacado a tampinha na mesa e ter ficado absurdamente nervoso, isso eles ficaram...

12 de ago. de 2008

Até as 10

E hoje o lado Esparroman estava solto. Depois de todas essas reuniões, o SC começou a distribuir os trabalhos e informou que eu iria cuidar paralelamente do que eu já estava cuidando mais uma frente do projeto.

Tá certo que o que eu estou cuidando hoje vai ficar mais tranquilo, mas ainda assim não dava pra agregar mais trabalho. Aí disse "olha chefe, eu tô sobrecarregado, trabalhando até
as 10 todo dia e meu estomago tá bichado por conta disso."

Isso, por si só, já é um belo esparro, mas agregue a isso a presença do chefe e dos nossos G8. Legal, né?

O Chefe não fez uma cara boa. E eu sei que deveria ter falado isso de outra forma, mas já era tarde. Só espero que não dê problema...

A preliminar

E hoje rolou a tal prévia da reunião com o Superintendente. Foi muito mais gente do que eu imaginava, mas gerou muito menos polêmica do que eu imaginava.

Logo de cara o Superintendente me jogou no fogo: pediu pra eu contar a história da minha empresa. É aquela coisa: você escuta a história 200 vezes, mas se nunca contou, vai gaguejar. E eu gaguejei, lógico.

Pouco mais pra frente, momento de raiva 1: o tal cara que reclamou das metas e valores teve a coragem de dizer que a gente não quis considerar um desconto que ele tinha, quando na verdade eles não avisaram desse desconto.

Pouco depois, momento de raiva 2 e Esparroman em ação: comentei que um outro valor era X e o gestor disse "não, é Y". Eu, certo do valor, disse "olha, no contrato de vocês está escrito X. Se quiser, ele está aqui e eu te mostro".

Vi a cara de insatisfação do chefe e larguei pra lá. Mas deu vontade de matar o cara.

No fim das contas deu quase tudo certo. Meu estômago agradece...

4 de abr. de 2008

Hoje, no café, o SC me perguntou se eu tinha feito check-out do hotel. Falei que não, porque a gente ia ficar com o quarto "pra sempre". E que como não tinha pedido nada de comida do hotel, nem teria que passar na fila (que estava gigante). Aí soltei a seguinte frase:

- Afinal, errar é humano e permanecer no erro é burrice. Comi aquela primeira vez, vi que era ruim, não vou comer novamente, né?

10 minutos depois ele estava fazendo check-out e pagando pelo prato que ele pediu no quarto.....

1 de mar. de 2008

Xuxu não pode

Aconteceu o que eu temia e havia dito que aconteceria. Me chamaram de Xuxu EM FRENTE AO CLIENTE. E não foi qualquer um não, foi o SUB-CHEFE!

O cliente, por sorte, estava de costas e não sei se "pegou". Só sei que na hora olhei feio pro SC e apontei pro cara, como quem diz: "porra, olha o cara aqui!".

Depois que o cara saiu, ainda falei com o SC: "pô, chefe, comé que você me chama de Xuxu na frente do cara?".

Sorte que ele viu que estava meio errado e não aparentou ter ficado bravo.

Mas eu tinha falado várias vezes que isso iria acontecer...

25 de set. de 2007

O lider sindical está de volta

Já fazia algum tempo que eu não atuava como líder sindical. Aliás, a última vez que isso aconteceu foi na minha antiga empresa. Na atual, por ser novato, trainee, zero à esquerda, tenho um pouco de medo. Mas hoje isso mudou um pouco. Mas bem pouco mesmo.

Fui fazer o "reconhecimento do terreno" do novo projeto, procurar lugar para estacionar, etc e vi que não tem jeito. Não existe lugar sem rotativo. E fora os rotativos, ainda tem flanelinhas (muitos) e aqueles com muito malacos. Sem contar que é lotado de carro, porque é cheio de empresas em volta e ainda tem uma iniversidade em frente...

Aliás, malaco é o que mais tem naquela região. É o limite entre centro e funcionários e tem muito roubo por ali. Por conta disso, resolvi verificar se meu notebook tem seguro, dado que não entraram em contato comigo para saber se eu vou querer comprar ou não.

Para a minha surpresa, o papo de ficar dois anos sem pagar é balela. Os boletos já viriam "na próxima leva". E depois que eu começar a pagar não tem mais volta. E nem seguro (aliás, atualmente já não tem).

Revoltado, falei com a mulher que eles haviam mandado um email falando que seria daqui a um ano o pagamento e que eles ligariam para perguntar e que não poderiam emitir os boletos sem questionar as pessoas antes.

Perguntei como faria para não ter que pagar e pegar o computador emprestado e ela disse que teria que mandar um email. Mandei assim que cheguei em casa. E já disparei um email para o pessoal da minha turma avisando para ligarem para lá.

Tá todo mundo revoltado e parece que ninguém vai querer comprar o computador. Como eu fui o primeiro a ligar, provavelmente vão saber que eu espalhei a notícia. Mas agora estou lutando pelos meus direitos, já que eles mudaram a regra do jogo com ele em andamento...

7 de mai. de 2007

Eu Quero é a Chefe

Essa eu não coloquei aqui ontem porque minha cabeça estava explodindo, mas não poderia deixar de colocar. No tal chá de panela da Fisioterapeuta foram umas pessoas importantes da minha empresa. Entre elas, estava a chefe da Fisioterapeuta.

Em um determinado momento, começou a tocar funk. Eu, logicamente, não dancei, mas a galera toda começou a dançar. Até a tal chefe, que saiu de onde estava e foi "correndo" para o lado da Fisioterapeuta e começou a balançar a buzanfa.

A gente nunca sabe quando uma cena dessas pode ser útil, então resolvi filmar com a minha fantástica câmera do celular. Só que quando tive essa idéia ótima, a mulher não estava mais dançando.

Comecei a filmar o resto das pessoas importantes e em um determinado momento a Basset disse: "filmando todo mundo, né?". Eu respondi: "Sei lá se vou precisar disso algum dia." E disse mais: "mas eu quero é filmar a Chefe dançando".

Neste momento, olho para trás e literalmente atrás de mim, a menos de um metro, estava a tal mulher, que só deu abriu aquele risinho sarcástico de "eu ouvi". E eu fiquei com a cara lá no chão...

18 de dez. de 2006

Não me Ligaram!

Quando cheguei no churrasco ví um monte de gente que saiu da empresa este ano (mas só gente graúda). Pensei "legal, eles chamaram o pessoal que saiu". Como era um mero desenvolvedor, não fiquei chateado.

Um pouco mais para frente, fiquei sabendo que ligaram para o Ex-Nerd, que está em São Paulo, convidado para a festa. Pergunta se alguém me ligou chamndo para ir...

Não podia deixar aquilo passar em branco. Fui até a mulher que organiza as festas da empresa e comecei a reclamar, em tom de brincadeira, que eles não tinham me convidado, mas que não adiantava, eu sempre vou aparecer nas festas.

A mulher ficou muito sem graça e começou a dar um monte de desculpas. Aí eu falei que eles chamaram um cara que está a 600 km de BH e não me chamaram. Nesta hora ela ficou MUITO sem graça e começou a pedir muitas desculpas.

Falei que estava brincando e que entendia que não dava para ligar para todo mundo. Mas garantí a minha presença nas futuras festas da empresa, hehe.