Interrompemos a série de posts retroativos para contar uma coisa que aconteceu nesta semana, mais especificamente na segunda-feira. Liga o efeito de "frashback"...
Em meados de dezembro o gerente reserva do escritório me ligou e perguntou quanto tempo eu tinha de formado e quanto tempo eu tinha trabalhado com consultoria. Falei e ele falou "tá bom. brigado" e desligou. Uns 10 minutos depois recebi um email do RH pedindo para que eu atualizasse meu currículo urgente. Sendo que eu tinha recebido um desse menos de um mês antes. Na hora saquei e
twitei: estavam vendendo a minha alma para alguém.
Segunda, voltando de feriadão, começo de ano novo o tal gerente me liga novamente e pede pra eu descer que ele queria conversar comigo. Como estou fazendo um trabalho para ele, achei que fosse sobre isso e nem lembrei dos fatos de dezembro. E lá fui eu pro andar dele.
Cheguei e ele me chamou pra entrar na sala de reunião. Se te chamam para a sala de reunião, podem ser duas coisas: promoção ou notícia ruim (ruim pra você, lógico). Se fosse promoção ele estaria com um envelope branco na mão. Como não era o caso, lá vinha uma bomba.
E o cara não fez meia hora: já mandou um direto de direita: "é o seguinte, nós fechamos um projeto no Rio de um ano e estamos querendo te mandar pra lá. Seu currículo foi o único aceito para a função e preciso que você decida se vai ou não". Ainda meio zonzo com a porrada, perguntei quando poderia dar a resposta. "Amanhã até a hora do almoço", ele respondeu.
Aí ele falou que a casa e a faxineira seriam por conta da empresa e que dariam uma ajuda de custos para telefone, comida, lavanderia e passagens aéreas que daria para voltar quinzenalmente. Essa última parte despertou meu alarme "pegadinha do malandro". Aí tive que perguntar "como assim?". E ele explicou: dariam x ronaldos que normalmente dá para voltar quinzenalmente, incluindo passagens e deslocamento casa -> aeroporto (que, em BH, pode sair mais caro que a passagem). Só que não falou nenhum valor de nada.
Aí eu vi que ia dar merda. O "normalmente dá para voltar quinzenalmente" devia ser um valor médio da passagem. Mas em épocas como férias, carnaval, feriadão, etc é LÓGICO que teria que tirar grana do meu bolso para voltar pra casa.
Ele falou ara eu ligar para o gerente do projeto no Rio, para ver qual seria o trabalho, e pensar para avisar se eu animava ou não. Saí da sala e fui direto no meu gerente. Conversei, expliquei a situação e falei que não concordada com essa história de receber a notícia em um dia e dar a resposta no outro, sem saber as condições reais. Fora que quando eu fui contratado o que me falaram é que até 1000 km sempre era quarto individual e retorno semanal e que não tinha gostado da proposta, principalmente por não ser retorno fixo e sim "se vira nos 30".
Depois de chorar mais um pouco ele falou que primeiro eu deveria ligar para o gerente do rio para ver o que era o trabalho, que eu poderia achar muito do caralho e pedir pra nem voltar. E que depois que eu conversasse com o gerente voltasse a falar com ele.
Liguei para o cara e, putaquepariu, era um mega cornojob. Mega-ultra-power cornojob. Eu sairia passaria de fazer trabalho de gerente de projetos para passar a fazer trabalho de estagiário com 2 neurônios. Sério. Mas o cara falou que era um projeto estratégico do cliente e que por conta disso ele pediu gente experiente, que só o fato de terem aceitado o meu currículo já era pra eu ficar feliz e blábláblá.
Como já era pra lá de 7 horas, voltei pra casa, para matutar. A situação era basicamente a seguinte: eu iria para um lugar que não gosto (Rio), fazer um trabalho que não gosto (o cornojob), num esquema de logística que eu não gosto (dividir AP e volta quinzenal), postergando a minha possível promoção deste ano, jogando fora o reconhecimento que consegui a duras penas em 2009 para, talvez, conseguir voltar para BH em 2011 e, talvez, ser promovido em 2012.
Alguém com mais de 2 neurônios (logo o cara que faz o trabalho que eu faria não serve) pensaria "e você ainda foi pensar?". É, eu sei. não deveria ter perdido nem 5 minutos pensando. Só que minha empresa costuma colocar um asterisco no nome de quem não aceita viajar, por ser inflexível e não ter o espírito da empresa. Isso que me fez pensar.
Depois de muito pensar, conversar com meu pai, conversar com Xuxu, rolar na cama até meia noite, consegui dormir (mas sem chegar a uma solução). 4:30 acordei e fiquei até as 6:30 rolando na cama e pensando o que fazer. Nesse meio tempo já tinha feito milhões de contas e estava decidido: iria para o Rio se:
- Ganhasse um aumento considerável
- Tivesse retorno semanal fixo
- Não dividisse quarto
E eu tinha bons argumentos para conseguir barganhar isso. O primeiro era a entrevista para entrar na empresa. O segundo (e que foi o que matou meu chefe) é que eu estava me matando pela empresa nesse projeto atual e que não tinha recebido nada em troca. Além disso, eu abriria mão de muita coisa para ir para o Rio e que a empresa tinha que abrir mão de algumas coisas também.
Ele falou que ia conversar com o gerente do escritório, porque achou que iam me desperdiçar mandando pra lá e que se tinham me prometido essas coisas na contratação teriam que honrar. E foi lá. Nem me deu a chance de negociar diretamente com o cara (já tinha todos os números na cabeça).
Enquanto isso fui para outra reunião, de trabalho. Fiquei lá até 1 da tarde e quando voltei para a minha mesa para pegar a carteira para almoçar cruzei com o meu chefe e ele falou que "estamos vendo a sua situação". E fui almoçar. Pouco depois ele me liga e fala "só pra você almoçar tranquilo, conversei com o pessoal aqui e você não vai mais. Já te tirei da pegadinha".
Fiquei preocupadíssimo, porque não sabia o que ele tinha falado com o Gerente do escritório e que pudessem ter colocado o asterisco no meu nome. Logo que voltei do almoço fui conversar com ele, mas ele não estava lá. Por conta desse pepino, fui conversar com outro gerente, que é o meu mentor.
O cara foi fantástico. Falou que eu fiz mais que certo, que eu estaria jogando fora a minha carreira indo pra lá. E que se foi dito uma coisa na entrevista, tinham que manter a palavra. Mas que ele não sabia o que havia sido discutido e que não sabia qual era o dano que aquilo teria gerado. Que ia sondar e que me dava o retorno. Ontem, no fim do dia, ele falou que segunda a gente conversava.
Não sei o que deu, mas pela conversa que tive com o meu chefe ontem, parece que não só não deu problema nenhum como o fato de eu ter falado que tá na hora da empresa começar a me recompensar abriu o olho do pessoal do alto escalão. Acho que em breve sai um aumento e/ou a tão sonhada promoção.