Quando estive em POA vi uma loja de sapatos e imaginei que seria mais barato que em Minas, já que o Rio Grande é um grande fabricante de pisantes. Dei uma olhada geral nas lojas do shopping perto do meu hotel e vi que estava realmente mais barato (mas não tanto quanto eu imaginava).
Só que achar sapato barato é uma coisa, achar sapato que caiba no meu pé é outra completamente diferente. Meu pé é chato, largo e alto. Tipo Jabba the Hutt, mas com ossos e sem rugas. Uma combinação improvável e que certamente não é considerada pelos fabricantes de sapatos (tênis é até mais fácil de achar).
Depois de muito procurar, achei um sapato que não apertava muito (porque apertar sempre vai). E comprei. Estava até satisfeito, porque não estava incomodando muito. Até que tive que viajar para o Rio. Era uma quinta-feira, madrugada, mas o aeroporto estava estranhamente cheio. A fila para passar no raio-x e detector de metais estava consideravelmente grande.
Aliás, um parêntesis. Em Confins existe a fila única, que faz zigue-zague, como em todos os outros aeroportos do mundo. Mas quando você chega na boca da fila tem um idiota que manda você formar uma mini fila atrás dos aparelhos de raio-x. É fila para pegar fila. E as vezes a fila que você entrou agarra e alguém que estava 3, 4 posições atrás de você, mas foi para outra mini fila, acaba entrando na sala de embarque antes de você.
Mas voltando... Entrei em uma das mini filas e a mulher que estava na minha frente agarrou. Teve que tirar o cinto. Quando chegou a minha vez, a atendente falou "o cinto" e eu retruquei "sempre passa" (na verdade, 95% das vezes passa. Vez ou outra agarra, mas eu prefiro correr o risco). E aí... apitou. Tirei o cinto, passei novamente e... apitou. Era o sapato.
Nesta hora, eu fiquei pensando "ué, nunca pega. Que merda é essa?". Aí eu lembrei que estava com o sapato novo. E fiquei xingando mentalmente o fabricante e perguntando POR QUE alguém coloca metal no sapato. E mais: ONDE o metal estaria. E aí anotei no celular para procurar o metal do sapato quando chegasse em casa.
Eu já tinha esquecido do episódio quando entrei na fila do detector de metais do Galeão (detalhe: no mesmo dia), até que uma das mulheres na minha frente teve que tirar o sapato (um salto de uns 15 cm). Mas resolvi correr o risco. E para minha surpresa, passou. Não pegou nem o cinto nem o sapato.
Ainda assim, quando cheguei em casa, fui procurar onde estava o maldito metal. E não é que eu achei? Tinha uma plaquinha de metal na sola, com a marca do fabricante. Não tive dúvidas: peguei um alicate e arranquei aquela merda. Mas fiquei pensando que quem inventou essa porcaria não viaja de avião (ou então viaja de jato particular).
Na semana seguinte peguei outro vôo em Confins e não apitou. Passei a odiar menos o fabricante. Mas ainda fico me perguntando quem foi o corno que teve essa idéia cretina de colocar metal em sapato.
17 de abr. de 2014
15 de abr. de 2014
A rotina
Eu sempre gostei de viajar de avião (acho que já comentei isso aqui). E um dos vôos que mais gostava era para o Santos Dumont, no Rio. Pouso lá sempre é muito legal (também já falei disso aqui). Mas nesta última ida para o Rio, na semana passada, percebi que pousar no SDU não tem mais graça.
Eu passei 10 ou 11 meses indo para o Rio toda semana. E em todas estas semanas, pousava no SDU. Nas primeiras semanas, eu aproveitava cada pouso. Depois passei a nem olhar mais pela janela, ficava só prestando atenção no que estava tocando nos fones de ouvido (algum podcast, normalmente).
Passado algum tempo, passei a dormir pouco depois que era permitido reclinar a poltrona e só acordava quando mandavam colocar a poltrona na posição vertical. Nessa época eu até prestava um pouco de atenção no pouso, já que me acordavam pouco antes do pouso.
Aí eu virei um profissional do sono em avião e passei a dormir antes de fecharem a porta do avião. É isso mesmo: eu dormia enquanto a galera estava entrando no avião. Como sempre vou na janela, entrava no avião, fechava a "cortina" da janela e começava a dormir. Nem precisava reclinar a poltrona não. E só acordava com a porrada do avião na pista do SDU.
Tudo bem que boa parte dessa perda de interesse foi forçado: acordar de madrugada toda semana é foda e eu já não estava rendendo nada na segunda (e acabava fudendo a minha semana). Dormir no vôo era necessidade. Mas pegar o avião e pousar no SDU virou rotina e, como tudo que vira rotina, perdeu a graça.
O mais estranho é que eu sou um ser de hábitos repetitivos e rotineiros. E isso nunca me incomodou. Mas esse fato me fez entender, depois de quatro anos e meio, que mesmo gostando muito de alguma coisa (ou alguém), é possível que você perca o interesse. E é estranho mesmo: você continua gostando daquilo, só não vê mais a graça que via antes.
Um dia, quem sabe, eu consigo entender como isso é possível. Até agora eu só aceitei que é possível, não entendi ainda como.
Eu passei 10 ou 11 meses indo para o Rio toda semana. E em todas estas semanas, pousava no SDU. Nas primeiras semanas, eu aproveitava cada pouso. Depois passei a nem olhar mais pela janela, ficava só prestando atenção no que estava tocando nos fones de ouvido (algum podcast, normalmente).
Passado algum tempo, passei a dormir pouco depois que era permitido reclinar a poltrona e só acordava quando mandavam colocar a poltrona na posição vertical. Nessa época eu até prestava um pouco de atenção no pouso, já que me acordavam pouco antes do pouso.
Aí eu virei um profissional do sono em avião e passei a dormir antes de fecharem a porta do avião. É isso mesmo: eu dormia enquanto a galera estava entrando no avião. Como sempre vou na janela, entrava no avião, fechava a "cortina" da janela e começava a dormir. Nem precisava reclinar a poltrona não. E só acordava com a porrada do avião na pista do SDU.
Tudo bem que boa parte dessa perda de interesse foi forçado: acordar de madrugada toda semana é foda e eu já não estava rendendo nada na segunda (e acabava fudendo a minha semana). Dormir no vôo era necessidade. Mas pegar o avião e pousar no SDU virou rotina e, como tudo que vira rotina, perdeu a graça.
O mais estranho é que eu sou um ser de hábitos repetitivos e rotineiros. E isso nunca me incomodou. Mas esse fato me fez entender, depois de quatro anos e meio, que mesmo gostando muito de alguma coisa (ou alguém), é possível que você perca o interesse. E é estranho mesmo: você continua gostando daquilo, só não vê mais a graça que via antes.
Um dia, quem sabe, eu consigo entender como isso é possível. Até agora eu só aceitei que é possível, não entendi ainda como.
13 de abr. de 2014
Eu volteeeeeiiiii.... E agora é pra ficaaaaaaaaar....
Bom, pelo menos até me mandarem pro Rio novamente.
Sim, sim, queridos leitores, estou de volta a BH. Meu "contrato" no Rio acabou no final de fevereiro e depois das minhas merecidas férias voltei oficialmente para o escritório de BH. O que não quer dizer que eu não vá mais viajar. Só nas últimas duas semanas já fui ao Rio 2 vezes...
Logo que voltei de férias me falaram que eu ia ficar com uns 10 projetos e eu já estava maluco. Foi uma semana para começar a entender o que estava acontecendo em cada um deles. Mas aí.... me mudaram de projeto. E me deram um projeto que está pipocando problema. Mas pipocando MESMO.
E em uma semana eu não consegui ENTENDER todos os problemas. Vai demorar mais umas 2 semanas para eu ficar totalmente por dentro do projeto, mesmo trabalhando umas 11 horas por dia e também no final de semana. A minha "sorte" é que tem um feriadão na semana que vem e aí vou conseguir ler tudo o que me passaram com calma.
Mas eu não reclamo não. Quanto mais trabalho, melhor. Só reclamo que perdi uma semana lendo material de 10 projetos...
E torçam por mim.
Sim, sim, queridos leitores, estou de volta a BH. Meu "contrato" no Rio acabou no final de fevereiro e depois das minhas merecidas férias voltei oficialmente para o escritório de BH. O que não quer dizer que eu não vá mais viajar. Só nas últimas duas semanas já fui ao Rio 2 vezes...
Logo que voltei de férias me falaram que eu ia ficar com uns 10 projetos e eu já estava maluco. Foi uma semana para começar a entender o que estava acontecendo em cada um deles. Mas aí.... me mudaram de projeto. E me deram um projeto que está pipocando problema. Mas pipocando MESMO.
E em uma semana eu não consegui ENTENDER todos os problemas. Vai demorar mais umas 2 semanas para eu ficar totalmente por dentro do projeto, mesmo trabalhando umas 11 horas por dia e também no final de semana. A minha "sorte" é que tem um feriadão na semana que vem e aí vou conseguir ler tudo o que me passaram com calma.
Mas eu não reclamo não. Quanto mais trabalho, melhor. Só reclamo que perdi uma semana lendo material de 10 projetos...
E torçam por mim.
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