"Você não falou que ia ter mais atualizações agora que viajaria toda semana?"
Eu sei, é uma cobrança válida. Eu juro que tentei, mas a estrada pra Juiz de Fora está uma porcaria e o busão vai balançando o tempo todo. Fiquei com dor de cabeça quando tentei escrever.
Pois bem, vamos ao que interessa. Como vocês devem saber, eu saí de uma empresa gigante, multinacional, que tinha procedimento até pra ir no banheiro. Era um inferno.
Aí cheguei na empresa nova, que também é uma multinacional, mas não tão grande quanto a anterior. De cara tinha um computador novinho pra mim. Configuração melhor que o melhor computador da empresa antiga (que só os arquitetos de software tinham). Sem eu pedir. E aí perguntei se tinha algum monitor dando sopa, para usar junto com o computador. Não tinha, mas falaram "pode pedir. Manda a configuração para compras que eu aprovo". Simples assim.
Lógico que nem tudo são flores. Uma empresa sem burocracia normalmente significa uma empresa sem processos. E processos são bons, apesar de todo o trauma da antiga empresa, que tinha processo (complexo) para tudo. Para minha surpresa, quando estava comentando isso com meu chefe (que já trabalhou comigo antes), ele disse "faz aí. Usa a sua experiência de outras empresas e propõe o que você acha que vale a pena pra gente". Por um lado é muito bom, mas é muito trabalho e muitas mudanças.
Uma coisa que também mudou muito foi o trato com o cliente. Vez ou outra eu tinha cliente "fresco", que você precisava falar cheio de dedos para não ter reclamação. E no PRIMEIRO dia de empresa, ouvi o seguinte diálogo entre um outro gerente da empresa e o cliente, que estava pedindo 300 cabos para fazer uma ligação entre equipamentos:
- Alô, fulano?
- Fala cara.
- Que história é essa de 300 cabos? Tá achando que eu sou loja elétrica? Quer que eu tire cabo de onde? Do cu?
- Não porra, mas preciso substituir os cabos pra fazer manutenção.
- Vou te emprestar 20 cabos, depois que você trocar tudo você me devolve.
E tudo foi resolvido. Sério, com essas palavras.
Uma outra coisa que está bem diferente é a forma de fazer reuniões. Tem muitas, como em qualquer empresa (infelizmente), mas são pelo skype e em inglês (sempre tem um gringo na linha). E eu percebi o quanto meu inglês está enferrujado (e o do resto do pessoal do escritório também). Sinceramente não sei como os gringos conseguem nos entender. Por outro lado, o chefe do meu chefe é indiano e eu não entendo porra nenhuma do que ele fala por causa do sotaque, então estamos na mesma.
Falando agora da cidade, é um treco muito estranho. Primeiro que todo mundo acha 2 km longe. Isso é o que eu ando para ir para o trabalho. Tem um trilhão de linhas de ônibus, mas as rotas seguidas por eles variam muito pouco. Aí cada linha tem 1 ônibus a cada meia hora.
O tempo é outra coisa estranha. Num dia faz frio (15 graus), no outro dia está um calor dos infernos (35 graus). Isso quando o dia não começa com 8 graus, tudo coberto de névoa; no horário do almoço tá 30, com um sol de rachar e no final da tarde chove torrencialmente e o frio volta com tudo.
Domingo também é uma coisa estranha. 4 horas da tarde a cidade vira uma cidade fantasma. Nada na rua, tudo fechado. 6 da tarde as pessoas voltam à rua e tudo abre. Eu, que não sabia disso, quase morri de fome quando cheguei num domingo a tarde e não tinha nada pra comer na geladeira.
Um ponto que me deixou perplexo são as imobiliárias. Pela primeira vez eu tive que alugar um apartamento (e é história para outro post), mas eu não consigo imaginar que seja assim em outras cidades: as lojas só abrem 9 da manhã e fecham as 16:00. Isso quando não fecham na hora do almoço, de 11:30 as 13:00 (sério!). Os outros problemas eu conto em outro post.
Por enquanto é isso. Na medida que for tendo tempo vou colocando mais coisas por aqui.