Normalmente eu adoro sextas-feiras. Por mais merda que dê (e sempre dá merda na sexta), é sexta-feira. Por mais tarde que você saia do trabalho (e eu sempre saio tarde na sexta), é sexta-feira.
Vou podeer sair do trabalho sabendo que a chance de dar merda no dia seguinte é muito pequena. Vou poder sair do trabalho e beber uma cerva gelada merecida. Vou poder dormir no dia seguinte até "tarde". Meu telefone dificilmente vai tocar no dia seguinte.
Tudo bem que as minhas semanas tem sido absurdamente cansativas e eu estou chegando nas sextas-feiras acabado, mas pensar nisso tudo que eu falei aí em cima me dá forças para resolver tudo quanto é problema e eu termino o dia feliz, com sensação de dever cumprido.
Mas sexta passada foi diferente. Primeiro porque a semana foi absurdamente tensa. Não nos projetos, que deram as merdas que sempre dão. Desta vez era problema interno. Um cara da equipe fez muita merda e descobrimos diversas coisas. Coisa suficiente para uma das pessoas que trabalha com esse cara vir conversar comigo para pedir demissão.
A solução era demitir o cara. E demitir pessoas nunca é legal. A equipe fica abalada, são alguns bons dias com o clima ruim. Mas precisava ser feito. E assim foi: o cara foi desligado e instaurou-se um clima ruim.
Eu não estava feliz, óbvio, mas também não estava preocupado: eu estava fazendo a coisa certa. Mesmo assim, estava tenso.
Mas o dia estava acabando e em umas duas horas eu estaria no bar, bebendo a minha merecida cerveja para relaxar. Os cliente já estavam em suas casas, a equipe já tinha ido embora. Não tinha como ficar pior, certo? Errado.
Meu chefe chegou perto das baias dos gerentes e comentou: "fulano está com leucemia. acabou de ser diagnosticado e está sendo internado agora para iniciar o tratamento".
Fulano é um dos bons funcionários do escritório. Tem sangue nos olhos e a faca nos dentes. Não é perfeito, óbvio, mas quer sempre mudar o mundo e resolver todos os problemas.
Cara, foi foda receber essa notícia. Já tive casos de câncer na minha familia, mas acho que era muito novo para entender a gravidade do problema (apesar de ter 17 anos na época). Mas como minha mãe estava calma (provavelmente para não desesperar ninguém), também fiquei calmo. Desta vez não. Hoje eu tenho noção do tamanho do problema. E fiquei bastante preocupado.
Mas agora é dar todo o apoio que o cara precisar e torcer para que tudo dê certo.
E esquecer que essa sexta-feira existiu.