12 de jul. de 2013

Pedra ao alvo

Como eu falei em outro post, a galera no Rio está com vontade de quebrar coisas. E nessa onda também estão entrando os trombadinhas (alguém ainda fala trombadinha?).

Estava eu voltando do almoço quando paro em um sinal na Rio Branco, esperando para atravessar a rua. De repente, vejo una pequena confusão e um moleque atravessando a avenida correndo (para quem não conhece, a Rio Branco é uma das principais avenidas do centro do Rio.

Chegando do outro lado da avenida, o sujeito abaixa, cata uma pedra no chão e arremessa. Ela bate em alguma coisa que não identifiquei, mas não era o que o cara queria acertar.

Ele abaixa novamente, pega outra pedra no chão e tenta mais uma vez. Desta feita, é certeiro: a pedra voou pela Rio Branco inteira e acertou uma vidraça do McDonalds em cheio. Mal deu tempo das pessoas que estavam debaixo, na rua, esquivarem da chuva de cacos de vidro.

Não fiquei lá para ver, nas acho que ninguém se machucou (talvez quem levou a pedrada dentro da loja). Mas o prejuízo foi considerável...

10 de jul. de 2013

Dias de guerra

Como vocês devem saber, o mês de Junho foi tenso no Rio (e em várias outras cidades do país). E para piorar a minha situação, o escritório da minha empresa fica muito perto do local das confusões. Mais: entre o escritório e a entrada do metrô (estação da Carioca) fica a Av. Rio Branco, onde a galera estava marchando.

Pois bem. Em um dos dias (ta, já faz algum tempo) eu tinha chegado de viagem (no cornoflight de 6 da manhã), estava doido para ir dormir, mas entre eu e o metrô tinha umas 100 mil pessoas, fora a polícia, bombas de gás e coquetéis molotov. Fiquei esperando para ver se melhorava, mas já era 8 da noite e eu precisava dormir. Era questão de sobrevivência. Catei a minha mala e fui enfrentar a multidão.

Sem brincadeira, deu medo. Ao longe eu ouvia gritos primitivos, um cara com um megafone e cachorros latindo. A Rio Branco, deserta (no pedaço que eu estava). E poucos quarteirões à minha frente, um batalhão de pessoas.

Eu conseguia ver a estação, mas não sabia se ela estava aberta, nem se eu conseguiria chegar até ela.

Fui andando, arrastando minha mala, tentando ver alguma coisa. Parecia cena de guerra: multidão de um lado, polícia do outro, vidros de banco quebrados pelo chão. Mas continuei caminhando, cada vez menos esperançoso da estação estar aberta.

Até que finalmente cheguei na porta de entrada. O bloqueio policial estava a 5 metros dela. Sem pensar muito, entrei e consegui chegar em casa. Mas quando liguei a TV, percebi que tinha feito uma pequena loucura...

Isso se repetiu algunas vezes (mas sem mala) e a cada dia, a agressividade de alguns manifestantes só piorou. A minha sorte é queeu estava tão fudido que estava trabalhando todo dia até 8 e pouco da noite e quando eu saía do escritório a polícia já tinha empurrado as pessoas para depois da entrada da estação.

Tomara que todos se acalmem e façam manifestações pacíficas amanhã, na tal greve geral.