5 de fev. de 2009

Maldita TI

Eu não tenho muito o que reclamar da minha empresa, por incrível que pareça. Ela tem os seus problemas e amadorismos como qualquer outra, mas isso não me incomoda (só de vez em quando, quando por conta desses erros eu trabalho igual um corno). O que me incomoda MUITO, mas muito MESMO é a TI.

Pra começar, TODOS os nossos serviços ficam no Rio: servidor de email, servidor de arquivo, servidor de projetos, lançamento de horas, tudo. E o link para o Rio está dimensionado para o tempo que a empresa ocupava um andar. Hoje são 3. Fora que o link cai no mínimo uma vez por semana.

Até umas três semanas atrás isso não me incomodava muito, porque eu não precisava dos servidores para trabalhar. Só que nesse projeto novo a gente está usando TUDO no servidor do Rio. E com isso os problemas apareceram. Usar o servidor de arquivos é praticamente impossível. Para baixar um documento pequeno (2 Mb) demora uns 2 minutos. Sem brincadeira. E como toda hora eu tenho que consultar alguma coisa, fica impraticável.

E quando cai o link? A gente simplesmente não trabalha e fica isolado do mundo. É, porque a gente não pode ter nenhum arquivo no computador. Tem que ser tudo no servidor. Aí cai o link e a gente não consegue pegar os arquivos. Mas isso eu não respeito muito. De tempos em tempos eu copio tudo pra minha máquina, pra não correr esses riscos. Ainda mais que vira e mexe eu tenho que ir pro cliente fazer reunião e posso precisar de um arquivo. E o email? Também ficamos sem, porque o servidor também fica no Rio. De vez em quando dá pra se virar com o Webmail, mas mesmo assim é tenso.

O pior é que eu descobri essa semana que SÓ o nosso escritório que usa esses servidores. Porra, porque não coloca o servidor aqui em BH então? Diz que até o diretor de BH já pediu pro cara instalar o servidor aqui e não adianta. Segundo o diretor de TI, por segurança. Eu nem me dou o trabalho de comentar isso... E agora diz que vão colocar em todos os escritórios. Quero só ver os servidores trabalhando com todo mundo acessando. Num vai durar uma semana esse treco...

Aí hoje estava trabalhando quando recebi um termo de uso do notebook. Eu já uso o notebok há 5 meses e agora que eles resolveram passar esse termo. E foi pra TODO MUNDO. Mas esse não é o problema. O problema é o que está escrito nele.

Sem brincadeira, eu ri quando li. E falei para o cara da TI (que, coitado, não tinha nada com a história): "eu não vou assinar isso". E todo mundo da empresa falou a mesma coisa. E com razão! Entre os absurdos que estão no termos, destaco alguns:
  • Não é permitido andar de ônibus e metro com o computador;
  • Não andar com o computador na rua;
  • Ao levar o computador para casa, pender com a trava que é fornecida (aqueles cabos de aço vagabundos);
  • Não guardar arquivos de projetos (você pode esquecer no cliente e alguém acessar a informação)
  • Não guardar arquivos pessoais no computador;
  • Em caso de problema com o notebook o funcionário é responsável (não importa o motivo do estrago);
  • Em caso de perda, roubo ou furto o funcionário deve ressarcir a empresa.

Aí vieram os questionamentos:
  • A empresa vai pagar o taxi quando eu tiver que trazer o computador pra casa? (até vai, mas sai do custo do projeto, o que aumenta os custos para o cliente ou reduz o lucro da empresa);
  • Tem um cliente nosso que fica há uns 5 quarteirões da empresa. Cliente esse que muitas pessoas vão e voltam 3, 4 vezes ao dia. Tem que ir de taxi?
  • Eles não conhecem criptografia? Se tem medo de roubo da informação, basta criptografá-la;
  • Às vezes tenho que pegar o transporte do cliente e tenho que andar até o ponto. Vou pegar um taxi para andar 2 quarteirões?
  • Se acontecer algum acidente (tipo eu deixar o computador na empresa e alguem derrubá-lo no chão) eu que vou pagar?
  • Se eu for assaltado (mesmo que seja dentro de um taxi, seguindo as regras da empresa) eu vou ter que PAGAR pelo computador?
  • E se o cara for assaltado enquanto estiver indo buscar o carro no estacionamento? É, porque nem todo mundo tem estacionamento no prédio e tem que se virar para parar o carro na rua ou em estacionamentos. Vai pegar um taxi até o carro?;

Ninguém assinou, óbvio. O meu gerente cobrou explicações do diretor da TI, que falou que vai ter que rever e tal. Mas isso, somado ao problema dos servidores, me deixou absurdamente puto e com vontade de mandar o cara vir trabalhar aqui uma semana para ver se tem como trabalhar...

4 de fev. de 2009

Bem vindo a Inhotim

É, eu sei. Tem um mês que fui a Inhotim. Tava devendo as fotos. E o pior é que faz tanto tempo que nem lembro mais o nome das coisas, então nem tem muito o que falar. Mas vamos lá que vou tentar fazer o melhor.

Inhotim é um museu moderno e arrojado que fica na cidade de Brumadinho, há mais ou menos 80 km de Belo Horizonte. O mapa que é oferecido por eles para chegar lá é meio tosco, mas dá pra chegar mais ou menos tranquilo, se perdendo só uma ou duas vezes.

O lugar é gigantesco e absurdamente bem cuidado. Tem projeto paisagístico muito bacana e as edificações já são obras de arte. São 10 pavilhões com exposições (algumas permanentes) e outras obras que ficam ao ar livre.

A entrada é paga (se não me engano 10 ronaldos por pessoa), mas o estacionamento é "de grátis". TUDO lá dentro é MUITO caro, então recomendo levar uns lanches mocados na mochila (mas não fale pra ninguém que tem rango na mochila). Na entrada eles dão uma mapa que costuma ajudar a andar lá dentro (que não é tão difícil assim). Além disso tem umas visitas guiadas, gratuitas, com horários marcados. Não sei se é bom, porque não utilizei esse serviço.

Uma coisa bem legal (a primeira vista) é que se você não tem câmera par tirar fotos eles emprestam uma pra você, mediante um cheque cueca de 500 ronaldos. Só que pra tirar as fotos da câmera você paga 18 ronalds (segundo eles é pelo CD que vai junto. CDzinho caro esse). E por ser aberto, em todos os lugares tem guarda-chuvas para você usar (esse sim é totalmente livre de taxas para uso).

Fui com Xuxu e o resto da família dela inteira. E como Murphy é meu melhor amigo, choveu no dia que fomos, óbvio. Com isso as fotos externas não ficaram grandes coisas. E as fotos internas, bem, não existem, porque não pode fotografar dentro das galerias. Achei meio páia isso, mas tudo bem. Não tem foto de todos os prédios porque meu telefone deu alguma zica no dia e as fotos não estavam sendo salvas. Fora que as exposições mais legais não estão mais lá ou estavam em obra. Mas chega de bláblábla e vamos às fotos.

Esse primeiro lugar que nós fomos tem essas obras gigantes na parede que me lembraram o episódio de Friends que a Phoebe herda os quadros de uns parentes. O treco é em auto relevo e algumas pessoas são absurdamente bem feitas e realistas, como o guarda aí pra baixo (que na foto não ficou tão realista assim).







Esse outro lugar me lembrou Brasólia. Devo ter sido pelo espelho d'água (MUITO bem feito) e por ser quase todo de concreto.







Uma coisa legal é que em vários lugares tem uns bancos gigantes feitos de árvores mortas (espero). E pra não torrar no sol eles colocam guarda-sol muderno.





E junto desses bancos tem barracas de comida, claro. Essa aí embaixo não tava funcionando, mas tem 2 coisas legais: a corrente na porta da geladeira e a pia bonitona em cima de um troco rústico de madeira.



Apesar de ser proibido, em alguns casos a gente consegue tirar fotos de dentro das galerias, em lugares com bastante vidro. Tipo essa que tirei de um carro todo de madeira (não sei se funciona)



Essas caderinhas aí são bem confortáveis e ficam debaixo de umas árvores, o qu deixa o ambiente fresco. Depois de andar muito, não dá vontade de levantar.



Essa bola aí é uma das mais legais de Inhotim. Dentro é um chafariz que fica jogando água pra cima em pulsos, descompassado com uma luz estroboscópica (essa deu pra tirar foto de dentro). Não recomendo para quem tem epilepsia...





Esse outro lugar tem um caleidoscópio gigante, bem atrás do menino aparecido que pulou na foto. É bem bacana. tem também uns videos muito loucos que não tive paciência para ver.



O próximo prédio parece coisa de Niemeyer (como tudo o que tem umas curvas a mais) e na verdade não tem muita graça. Mas o lugar onde ele fica é muito bacana.





Essa é a ÚNICA galeria que lembro o nome. Mas é porque é tão ruim, mas tão ruim, que não tem como esquecer. Essa e uma outra que nem tirei foto. Pra quem quiser não ir, é a Marcenaria (a outra é a Salcedo)




As esculturas ao ar livre são bem...diferentes. Dá pra ver por essas fotos que tirei.









Como eu disse no começo, o lugar é cheio de plantinhas e natureza. As fotos estão toscas, mas ao vivo é bem bacana...








Nessa foto repara no cano tosco que leva a água para o lago






Nessa foto repara no tamanho da fruta que tem do lado esquerdo. Não sei o que era, mas era mais ou menos do tamanho de uma bola de futebol de salão


O que eu não consegui entender foi por que diabos tem uma Igreja lá dentro. É, uma IGREJA. Será que dá pra casar lá?



Atenção: o texto acima ampara-se no direito fundamental à manifestação do pensamento, previsto nos arts. 5º, IV e 220 da Constituição Federal de 1988. Vale-se do "animus narrandi", protegido pela lei e pela jurisprudência (conferir AI nº 505.595, STF). (obrigado, Lu Monte, pela ajuda jurídica).

3 de fev. de 2009

Selvageria

Quando eu era moleque, com meus no máximo 15 anos, fui a uma rodada dupla no mineirão. Os jogos eram Cruzeiro x Democrata e Atrético x América, nesta ordem. Fui com um vizinho, o pai e a irmã dele, sendo que esta última é atreticana. A idéia era assistir os dois jogos, cada um na sua torcida, encontrar no fim dos jogos e ir embora.

Neste dia, o estádio estava dividido mais ou menos assim:


Começamos errado, porque a tal menina deveria entrar na torcida do Galo, uma vez que estava com uma camisa do Patético na bolsa (que obviamente foi revistada). Passamos ilesos dessa etapa e fomos para a arquibancada. A menina resolveu que assistiria o primeiro jogo na torcida do Cruzeiro e que no intervalo entre jogos iria para a torcida do garnizé.

Terminado o primeiro jogo a menina se desloca para a torcida dos penosos e meu amigo tem uma brilhante idéia: "Ou, vamo assistir o jogo na torcida do mequinha? deve ter uns amigos meus lá.". Como estava de carona, não tinha como falar não, então fomos.

Mas repare bem a imagem acima. Veja que para chegar até a torcida do América teríamos que atravessar TODA a torcida do Galo. Tá, passaríamos pelo anel de fora, com menor chance de ter problema (além do mais nenhum dos dois estava com a camisa do Cruzeiro). Mas ainda assim isso foi de uma burrice tremenda.

Conseguimos chegar vivos até o outro lado, assistimos o jogo tranquilos e, quando faltavam uns 5 minutos para acabar o jogo resolvemos voltar para o lado do cruzeiro. Quando estávamos passando exatamente atrás da Galoucura (a maior torcida organizada do Galo), saiu um arrastão de marginais gritando "Vamo pegá os cruzeirenses!", "É pra matar todo mundo!" e coisas do gênero.

As opções que tínhamos era:

1) Ficar parado e ser atropelado;
2) Encostar na parede e rezar para não cismarem com a gente e resolverem nos matar (para isso poderíamos gritar "Galo! Galo!");
3) Correr junto com eles para não sermos atropelados, correndo o risco de apanhar da polícia.

A opção escolhida foi a segunda. Só que eu não poderia gritar galo, porque na época eu usava aparelho fixo e as borrachinhas que prendem o aparelho eram azuis (por escolha minha). Uns 5 minutos depois os malacos voltaram porque a polícia não deixou que eles passassem para a torcida do cruzeiro (meio óbvio, mas tudo bem).

Nesse dia fiquei pensando: por que diabos uma pessoa resolve bater na outra só porque ele torce para outro time? É mais ou menos a mesma coisa dessas guerras religiosas, um muito pior, porque não tem NADA em jogo. Não é uma luta por um lugar sagrado, não é luta por território, NADA! Porra, é gente que está do outro lado. Poderia ser o contrário e seu filho estar apanhando por nada.

Por que eu lembrei disso? Porque domingo a noite, quando fui levar Xuxu em casa, vi um cara sendo espancado por outros só porque estava com a camisa do time rival. E achei aquilo um absurdo. Só não parei o carro pra ajudar o espancado porque sobraria pra mim. Mas fiquei revoltado com aquilo.

Agora algumas perguntas que até hoje não ser responder sobre o caso contado no início do post:

1) Por que diabos não colocaram a torcida do América junto com a do Cruzeiro, ao invés de colocar ao lado do time rival?
2) Como diabos a polícia não colocou um isolamento do lado de fora do anel superior, impedindo que as pessoas transitassem livremente de uma torcida para a outra?
3) Por que diabos eu usava borrachinhas azuis no aparelho??

Vai entender...