Dia desses aí pra trás a Ruiva estava entrando no ônibus e sentiu alguém enfiando a mão na bolsa dela. Olhou pra trás e viu um cara (já mais velho, com seus 40 anos) pegando o celular e saindo correndo. Instintivamente ela saiu correndo atrás do maluco, gritando “pega ladrão” (na verdade ela falou “pega ladrão! Alguém para esse filha da puta!”). Uma boa alma viu aquilo e meteu o pé na frente do cara, que tropeçou. Enquanto ia pro chão o cara jogou o celular fora, que quebrou a tela. E assim que caiu no chão juntou um bolo de pessoas pra segurá-lo.
A Ruiva pegou o telefone e, enquanto ligava para o 190 (o telefone continua funcionando, só quebrou a tela) um sargento da PM chegou e perguntou o que tinha acontecido. Ela contou a história e o PM chamou reforço, que chegou rápido. Eles foram para a delegacia. Isso era mais ou menos 17:20.
Ela deu o depoimento todo, contou a história toda e fizeram o BO. Enquanto o BO era processado, ela me ligou, avisando que ia precisar ir para a parte de flagrantes, da Polícia Civil. Cheguei lá umas 18:30.
Ficamos esperando umas 2 horas. Aí eu cansei de esperar e perguntei para o PM que fez o BO o que estava acontecendo. O cara explicou que tinha 2 outras ocorrências na frente e que precisava fazer o BO no sistema da polícia Civil, mas só tinha um cara que fazia isso. Perguntei se era diferente do BO que eles tinham feito e o cara falou que não, era basicamente a mesma coisa. Fiquei meio puto, mas não queria ser preso por desacato.
Passada mais meia hora, o BO ficou pronto e levaram o meliante para colocar a roupa de detento (não sei o nome) e dar depoimento. Enquanto ele conversava com a delegada, conversei mais um pouco com o PM:
- Quanto tempo esse cara vai ficar preso?
- Ah, como é reincidente e acabou de ser solto, deve ficar aqui até meio dia de amanhã. Senão saia de manhã.
- Sério?
- Seríssimo. Eu também fico assim. Tem um cara que já foi preso em flagrante 24 vezes só na Savassi, onde a gente atua. Imagina o resto de BH. E tá livre.
Fiquei muito mais puto ao saber disso, mas mais uma vez fiquei calado.
Passados mais uns 40 minutos chamaram os policiais, para conversar com a Delegada e contar a versão deles da historia (detalhe: já tinham feito isso na hora de fazer o BO da Civil).
Mais uns 15 minutos e chamaram a Ruiva. E pediram para eu ser testemunha. Entrei na sala e.... a delegada pediu para ela dar o depoimento dela. Sério. Tinha 2 BOs e ainda teve que dar depoimento mais uma vez. E lá foram mais uns bons 20 minutos. Eu ainda dei um depoimento falando que não estava no lugar e não vi nada (mais uns 5 minutos pra gerar a papelada).
Saímos de lá 22:30, CINCO HORAS depois do ocorrido. Neste meio tempo ninguém ofereceu água. Não podia sair de lá pra comprar comida, senão perdia a fila. E eu tive que usar o banheiro da carceragem, depois de pedir umas 2 vezes (não foi o das celas, foi de uma sala onde os caras são revistados e trocam de roupa antes de serem presos). Sorte que era número 1, porque estava feia a situação do banheiro.
E fiquei pensando: cinco horas para UM caso. Dois BOs com a mesma informação. Três depoimentos das mesmas pessoas (o ladrão também falou 3 vezes). Num mundo onde tudo é informatizado. Tudo isso para o cara ficar preso 12 horas e, segundo o próprio PM, não comparecer na audiência.
E quem é penalizado? A vítima, que além de ficar 5 horas esperando, ainda amarga o prejuízo e fica preocupada se não será marcada pelo delinquente e sofrerá retaliação. O ladrão ganha um jantar, um café da manhã (sei que não é nada espetacular, mas é comida) e no dia seguinte pode voltar pra rua para cometer mais crimes.
E assim vai o nosso país.....
5 de ago. de 2015
3 de ago. de 2015
Truque novo pra cachorro velho
Já faz um tempo que o Véio tá me apurrinhando que quer um telefone com WhatsApp para conseguir receber as fotos da minha sobrinha (por alguma razão a minha irmã não consegue enviar foto por email, só WhatsApp. Vai entender). Meu telefone chegou e eu formatei meu S2 antigo para entregar pro Veio.
Coloquei na mão dele e expliquei como o telefone funciona (ligar, atender, discar, ligar e desligar wifi), passo a passo. Ele foi anotando tudo. Aí ensinei como o WhatsApp funciona (ver e enviar mensagem, nada mais). Ele também anotou. Isso tudo levou 2 horas. Ele testou, viu que funcionava e fui embora.
Uns 2 dias depois ele me liga falando que meu tio estava mandando mensagem pra ele no WhatsApp e ele não estava recebendo. E também falou que não estava conseguindo cadastrar meu tio na agenda do WhatsApp (palavras dele). Fiquei meia hora tentando entender a razão. Aí pensei nos meus tempos de suporte a sistemas e perguntei:
- Pai, o wifi tá ligado?
(Silêncio)
- Tá ou não tá?
- Não.
- Então liga. Aí vai tudo funcionar.
Meia hora depois ele me liga
- Não funcionou.
- Ligou o wifi?
- Liguei. A bolinha tá verde. (bolinha verde é um widget de ligar e desligar o wifi que eu instalei para ele)
- Mas está conectado?
- A bolinha tá verde.
- Aquele triângulo no alto, perto do ícone de sinal, tá aparecendo?
- Não.
- O roteador está ligado?
- O que é roteador?
- Aquele treco que fica perto do computador, com as luzinhas verde piscando.
- Ah, não.
- Então liga que vai funcionar.
Dois minutos depois começo a receber um monte de mensagens dele, todas antigas. Tinha 2 dias que ele estava me mandando mensagem e eu não recebia.
Mais 2 minutos ele me liga:
- Conectou, mas não consigo cadastrar seu tio
(Eu tinha explicado como fazer, mas tudo bem. Expliquei novamente)
- Clica na lupa no canto superior direito.
- Tá
- Escreve o nome que você colocou pro meu tio.
- Tá
- Apareceu?
- Apareceu, com um monte de coisa em inglês
- Beleza, é assim mesmo. Clica aí
- Tá. E agora?
- Agora manda mensagem
- Muito difícil esse treco. Você não me ensinou a usar esse telefone. Vou precisar que você me ensine depois
- Pai, você ANOTOU o passo a passo pra usar.
- É, mas não tinha isso.
- Tá bom, pai. Final de semana eu passo aí e te ensino.
Tá difícil. O que me deixa triste é que meu pai usa computador deste 1995 e apanha pra fazer essas coisas simples, com um passo a passo do lado (que ele certamente não lê).
Mas o mais triste mesmo é que a minha avó de 85 anos levou menos tempo pra aprender a usar. Faz umas coisas erradas de vez em quando, mas sabe usar sem problemas.
Esse treco de celular pro Véio vai dar trabalho....
Coloquei na mão dele e expliquei como o telefone funciona (ligar, atender, discar, ligar e desligar wifi), passo a passo. Ele foi anotando tudo. Aí ensinei como o WhatsApp funciona (ver e enviar mensagem, nada mais). Ele também anotou. Isso tudo levou 2 horas. Ele testou, viu que funcionava e fui embora.
Uns 2 dias depois ele me liga falando que meu tio estava mandando mensagem pra ele no WhatsApp e ele não estava recebendo. E também falou que não estava conseguindo cadastrar meu tio na agenda do WhatsApp (palavras dele). Fiquei meia hora tentando entender a razão. Aí pensei nos meus tempos de suporte a sistemas e perguntei:
- Pai, o wifi tá ligado?
(Silêncio)
- Tá ou não tá?
- Não.
- Então liga. Aí vai tudo funcionar.
Meia hora depois ele me liga
- Não funcionou.
- Ligou o wifi?
- Liguei. A bolinha tá verde. (bolinha verde é um widget de ligar e desligar o wifi que eu instalei para ele)
- Mas está conectado?
- A bolinha tá verde.
- Aquele triângulo no alto, perto do ícone de sinal, tá aparecendo?
- Não.
- O roteador está ligado?
- O que é roteador?
- Aquele treco que fica perto do computador, com as luzinhas verde piscando.
- Ah, não.
- Então liga que vai funcionar.
Dois minutos depois começo a receber um monte de mensagens dele, todas antigas. Tinha 2 dias que ele estava me mandando mensagem e eu não recebia.
Mais 2 minutos ele me liga:
- Conectou, mas não consigo cadastrar seu tio
(Eu tinha explicado como fazer, mas tudo bem. Expliquei novamente)
- Clica na lupa no canto superior direito.
- Tá
- Escreve o nome que você colocou pro meu tio.
- Tá
- Apareceu?
- Apareceu, com um monte de coisa em inglês
- Beleza, é assim mesmo. Clica aí
- Tá. E agora?
- Agora manda mensagem
- Muito difícil esse treco. Você não me ensinou a usar esse telefone. Vou precisar que você me ensine depois
- Pai, você ANOTOU o passo a passo pra usar.
- É, mas não tinha isso.
- Tá bom, pai. Final de semana eu passo aí e te ensino.
Tá difícil. O que me deixa triste é que meu pai usa computador deste 1995 e apanha pra fazer essas coisas simples, com um passo a passo do lado (que ele certamente não lê).
Mas o mais triste mesmo é que a minha avó de 85 anos levou menos tempo pra aprender a usar. Faz umas coisas erradas de vez em quando, mas sabe usar sem problemas.
Esse treco de celular pro Véio vai dar trabalho....
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