18 de mar. de 2011

Hotel Formule 1 (Belo Horizonte, MG)

"Ué, hotel de BH? O que aconteceu?", deve estar pensando você, leitor mais atento. Calma, queridos leitores, não fui chutado de casa. A minha avó do Rio teve que fazer uma cirurgia de catarata e preferiu ficar em um hotel (não ia aguentar subir e descer as escadas do meu prédio todo dia). Como ela não queria gastar dinheiro, escolheu um hotel digno e barato, o Formule 1 (que, na minha opinião, nem é tão barato assim, pelo que oferece).

O quarto é, sem dúvida, o menor que eu já entrei. E sem dúvida foi projetado por um engenheiro que jogou muito tetris na vida, porque é realmente tudo encaixado. Sem brincadeira. Saca só o espaço:


Isso aí é 95% do quarto. Cabem 3 pessoas, duas na cama de casal e uma na cama de cima. A bancada mal came um notebook e a TV é bem pequena. O banheiro inexiste. São 3 módulos separados: a casinha, o chuveiro e a pia. Saca só:






E aí o esquema é o seguinte: na direita da pia fica o chuveiro e atrás dos dois a casinha. O lado bom é que dá pra alguém fazer as suas necessidades enquanto o outro toma banho e o terceiro escova os dentes. Não sei dizer se o chuveiro é bom, mas minha avó falou que até dá pra tomar banho.

Sentiu falta do armário? É porque não tem mesmo. São só aqueles 3 cabides da primeira foto. Achou o quarto escuro? é porque só tem aquela luminária ali mesmo, além de uma lâmpada na pia e uma embaixo da TV, para a bancada.

O café da manhã é pago, não tem telefone no quarto e nem frigobar.

Isso tudo aí por 109 ronaldos a diária. Sinceramente acho um absurdo. Mas melhor que ficar no centrão, em algum pulgueiro. Pelo menos é limpo.

17 de mar. de 2011

Avaliação de desempenho

Na semana antes do carnaval foi a minha vez de tomar a avaliação de desempenho na empresa. Para a minha avaliação foi o meu chefe e o chefe do meu chefe, também conhecido com Gerente do Escritório. Eu tive uma vantagem muito grande em relação aos meus avaliados: eu já sabia o que uma nota significaria (ruim, regular, bom, muito bom ou outstanding), então assim iniciasse a reunião eu já bateria o olho na nota e tiraria as minhas conclusões. Isso, os meus chefes sabiam, então não fizeram rodeios. O que eles não sabiam é que eu já sabia qual seria a minha classificação ANTES de ir para a reunião.

Meus amigos, isso me deu uma vantagem gigante. É como ir para uma negociação de contrato já sabendo o quanto o cara tem de verba, que ele está desesperado para comprar e que você é o melhor (ou único) fornecedor. Você pode apertar o cara até conseguir o que você quer e, dependendo da situação, pode ser até um pouco sádico, vendo o cara sofrer (o que não é boa prática, ok? Não façam isso, porque o cara pode ficar puto e descontar depois).

Com a informação que eu tinha em mãos, me preparei como nunca. A mesma planilha que eu utilizava para avaliar meus pupilos eu usei para me avaliar. Fui justo e sincero, mas embasado. Assim como na maioria dos itens me dei nota máxima (afinal, para as perguntas da avaliação a resposta era realmente "sempre é verdade"), em outros me dei umas notas não muito agradáveis, porque realmente não fui bem (como no item de feedback, que eu sabia que não tinha dado quase nenhum feedback para o pessoal).

O problema é que quando começou a reunião eu escutei umas coisas que ninguém havia me falado antes, e fiquei meio abalado (o que foi bom, porque é oportunidade de melhoria). Mas continuei firme e aí fomos passar ponto a ponto da avaliação. Eu tomei várias surpresas. Em alguns itens que tinha certeza que levaria nota baixa meu chefe me deu nota máxima (gestão de pessoas, por exemplo, foi nota máxima em todos os itens) e em outros que eu tinha certeza que ia mandar bem levei umas notas maromeno. Nas que eu realmente achei que não merecia aquela nota máxima convenci a baixá-las. E nas que estavam maromeno contra-argumentei.

Tem um ponto, no entanto, que gerou discórdia. Na verdade, foram 2 e eles estão ligados à minha situação na empresa, de fim de namoro, como eu disse outro dia. O primeiro ponto foi relacionado a estar alinhado com os valores da empresa e o segundo a trabalhar com entusiasmo. Basicamente se resume a querer mudar coisas na empresa e estar trabalhando a média carga. Aí, meu amigo, eu abri a caixa de ferramenta.

Falei que eu queria mudar as coisas na empresa porque eu já tinha passado por várias empresas, principalmente quando era consultor, e já tinha visto como era o mundo lá fora, coisa que as pessoas da alta cúpula da empresa não vivenciou, porque TODOS entraram como estagiários na empresa. E dei até um exemplo esdrúxulo, mas que os fez entender: os dois são de outros estados e conheciam só a mulheres de outros estados. Eles achavam que as mulheres eram no máximo aquilo ali que eles conheciam, e que estava bom. Só que quando vieram apara Minas, ficaram loucos, porque viram que tem coisa muito melhor por aí (desculpem, leitoras de outros estados, mas isso é unanimidade entre as pessoas que vêm de outros lugares para minas).

Complementei falando que realmente eu briguei muito por mudanças no ano passado, mas que já tinha desistido, porque dar murro em ponta de faca só machuca a sua mão, com a faca não acontece nada. E que isso me tomou muita energia, que a empresa não merecia mais que eu fizesse isso por ela. E aí dei outro exemplo, do fim de namoro. E falei tudo: que estava de saco cheio, desmotivado, cansado e que, mesmo trabalhando com a minha carga mais baixa ainda fazia mais que 90% das pessoas da minha posição. Só não falei em sair, mas isso ficou implícito.

Resultado da brincadeira: para tentar me motivar, meu chefe ficou babando meu ovo e o gerente do escritório também. Falaram que é importante que eu mostre coisas melhores de outras empresas e blábláblá e que eles realmente vêem que eu estou mais preparado para o cargo, tanto que já planejaram um aumento para mim e que seria na meuica do ano. Mais espantoso ainda foi já terem passado uma idéia do percentual (por volta de 8%, além do dissídio).

Isso, eu realmente não esperava. Como acabei de ser promovido, não imaginei que fosse ter um aumento esse ano. Eu não posso reclamar que ganho mau, apesar de achar que mereço mais, mas tem muita gente das categorias de base que merecem aumento e promoção. Não adianta brigar também, porque de nada adianta eu ficar felizão com meu salário se quem realmente faz o projeto estiver puto e sair da empresa. Eu só estaria criando um problema para mim (teoria dos jogos nos ensinando que serve para mais coisa além do que só para pegar mulher).

Saí da reunião satisfeito. Vi pontos de melhoria que nunca tinha pensado e ninguém havia me dito antes, soltei o verbo e deixei bem claro que estava insatisfeito e que fiquei puto com algumas coisas que aconteceram no ano passado e por ficar sabendo que vou ter um aumento.

16 de mar. de 2011

Misery Bear

Estava eu trabalhando quando chegou um email da Raquel, falando mais ou menos assim: "cuidado com seu futuro ahah" e o link para o video abaixo



Eu vi, chorando de rir e me imaginando na situação. Mas aí veio outro email, falando "vai com fe na lista. lembrei de vc, ele eh mt azarado. murphy gosta mais dele q d vc hah", com o seguinte link.

Juro que em alguns eu chorei de rir. E realmente consegui me ver em muitas das situações. O triste é o pessoal ver isso e lembrar de você...

15 de mar. de 2011

Novos jogos

Quando acabei o God Of War 3 fiquei morrendo de vontade de jogar o 1 e o 2, que foram remasterizados para o PS3 em um único disco. Sabendo que a Raquel estava na gringolândia pedi encarecidamente para que ela trouxesse para mim. Ela falou que dava um jeito de caber na mala, então comecei a procurar os jogos nos sites gringos.

No meio da procura fiquei sabendo de um site que tinha preço dos EUA, só que entregavam no Brasil por QUATRO DÓLARES e não pagava imposto (a offerhouse. Aí vi que os jogos que eu estava pensando em comprar estavam muito baratos ali para gastar com a chance de comprar na gringa. Solução: comprar os lançamentos e jogos caros pela Raquel e os jogos normais pelo site.

Os jogos que pedi pra Raquel trazer foram Assassin`s Creed: Brotherhood (US$ 34.99!) e Call of Duty: Black Ops (US$53.99). O Call of Duty não foi tão mais barato assim (no site tava 59 doletas), mas o Assassin's Creed tá de graça. Em qualquer outro site estava 59 doletas.

Aí, Murphy, meu brother, resolveu pregar uma pegadinha. O endereço que a Raquel havia me dado estava incompleto e os jogos não chegaram. Pior: vão retornar para a Amazon e, dizem, devolverão meu dinheiro em até 4 semanas. Depois, lógico, que eu tiver que pagar por eles. E que se eu quisesse os jogos teria que pedir novamente.

Foi o que decidi fazer. Voltei na amazon para refazer os pedidos e LÓGICO que estava tudo mais caro. O AC subiu para US$ 49,90 (QUINZE DÓLARES A MAIS) e o Black Ops até estava mais barato, mas não era passível de entrega expressa. Como a Raquel já estava indo embora, não tinha como comprá-lo. A solução foi comprar o Modern Warfare 2, que estava US$ 39,90. Pelo menos consegui convencê-la a comprar o GoW Collection, por US$ 23,99.

Depois que eu fiz a compra que vi que eles seriam entregues em pacotes diferentes. O primeiro deles, só com o AC, chegou no dia marcado e tinha gente pra receber. Sucesso total. Já o segundo pacote, com o GoW Collection e o CoD, foi no dia seguinte. E no dia seguinte não tinha ninguém pra receber. E no dia seguinte ao dia seguinte, a Raquel foi embora, sem os jogos, já que estes simplesmente sumiram. É, sumiram. O site dos correios americano diz simplesmente o seguinte:

Delivered, March 04, 2011, 7:43 am
Forwarded to a different address, March 04, 2011, 11:16 am

Aí eu te pergunto: encaminhado PRA QUEM? PRA ONDE? O pessoal da Amazon disse que eu tenho que ir ao post office mais próximo ver o que aconteceu. Aí eu falei que o post office mais próximo devia estar há uns 10 mil km da minha casa e então me mandaram esperar para ver o que acontece.

Na pior das hipótesis os jogos estão em alguma agência dos correios esperando alguém ir buscá-los. E aí vou ter que pedir ajuda para o amigo da Raquel, que pegará os jogos e mandará para mim via correio (mais 20 doletas...). Na melhor ele voltou pra Amazon e eles vão me devolver o dinheiro em até 4 semanas.

Vamos ver o que acontece...

14 de mar. de 2011

Fim de namoro

Sabe aquela fase final de namoro, em que você sente que as coisas já não estão legais, que os defeitos aparecem mais que as qualidades e que você sabe que está naquela só por comodidade? Você ainda gosta da sua namorada, mas o namoro em si já não está legal e se aparecer alguma coisa melhor você termina o namoro na hora e embarca na nova empreitada sem nem pensar? Pois é, estou assim com a minha empresa.

Eu adoro o meu trabalho. Já falei aqui antes que Gerenciamento de Projeto é o que eu gosto de fazer e, recentemente, descobri que gosto também de gerenciar pessoas (apesar de odiar pessoas, vai entender). E na empresa eu consigo fazer isso bem. Tá certo que hora eu gerencio projetos, hora eu gerencio pessoas. As duas coisas ao mesmo tempo eu ainda não consegui fazer direito. Mas pelo menos consigo trabalhar com as duas coisas. Só que a minha relação com a empresa já está no fim.

Eu já cansei de dar murro em ponta de faca. Eu tento mudar as coisas que não estão legais, mas não consigo. Eu já cansei de ter que ficar cobrando o pessoal do administrativos para que eles façam os seus trabalhos direito. Eu já cansei de tentar mudar a cabeça das pessoas mais velhas da empresa, tentando mostrar que existe um mundo fora do fantástico mundo de bob que eles vivem (e que é uma hipocrisia TREMENDA). Cansei de dar o sangue no mês para conseguir aumentar o faturamento e ver torneiras metafóricas abertas, jogando dinheiro fora. Ou o que é pior: não conseguir faturar por causa de alguém do ADM que esqueceu de emitir a nota fiscal (sério, já aconteceu). Cansei de NÃO ser cobrado por um faturamento que escorregou ou um aumento de custo no projeto.

Porra, que empresa é essa? Fica regulando miséria em centavos de passagens para viagens de projeto, mas torra dinheiro com taxi, perde faturamento de mais de milhão e fica passando a mão na cabeça do setor responsável porque, coitados, tiveram que engolir o SAP TRÊS MESES ATRÁS e estão com dificuldades. Tem um diretor de projetos que quer saber quantos documentos foram emitidos por mês, mas não reclama que tem projeto dando margem de -100%. Que tem uma diretora de RH que fica sentada, encolhida, de braços e pernas cruzadas em uma apresentação para a empresa. Que reclama que seu custo está alto, mas usa engenheiros para fazer papel de cadista. QUE MERDA É ESSA, MEU POVO?

Será que não tem ninguém vendo isso? Será que, assim como o PT antes de entrar na presidência, o que eu estou pedindo é algo impossível de fazer e que eu só vou ver isso quando chegar ao poder? Será que existe uma força maior que impede que tudo isso que eu reclamo seja implementado? Será que essa empresa que eu trabalho é só uma fachada de um grupo maior? Ou será que o buraco é mais embaixo e a empresa tem só mais alguns meses de vida e eu que não vi isso ainda?

Fato é que diante de todos esses problemas eu resolvi que eu precisava voltar a dormir e ter vida. Para isso, liguei o foda-se total. Se está gastando mais que o previsto porque tem gente desalocada, foda-se. Se está atrasando o projeto porque toda hora alguém me pede um recurso emprestado, foda-se. Se eu não consigo fazer o trabalho para hoje porque eu fiquei em reunião o dia inteiro, foda-se. Se eu não consigo trabalhar porque estou desmotivado, foda-se.

Essa última frase é a que mais me preocupa. Quando estou no trabalho, normalmente, sou ligado em 220. Nos últimos 2 meses, estou trabalhando com uma pilha de 1,5 volts. E nem é recarregável, nem alcalina, que dura mais. Eu estou claramente abatido e são raros os dias em que eu NÃO quero ir trabalhar, o que é muito raro, dado que sou viciado em trabalho.

Pode ser que seja realmente cansado, e férias resolvam o meu problema. Ou desilusão com esse projeto, que eu trabalho, trabalho, trabalho e o resultado não vem, mas porque não vai vir mesmo, porque vendemos mal e um novo projeto resolva isso. OU então realmente chegou o fim do relacionamento e é hora de terminar, o que seria bom para os dois. Eu, encontraria um novo lugar que me fizesse trabalhar com vontade, motivação e no meu ritmo normal. E a minha empresa poderia dar o meu cargo e meu salário a alguém que estivesse com vontade de aparecer e com motivação.

O problema é que eu não sei de nenhum lugar que me oferecesse o que eu tenho hoje: um salário razoavel, bons benefícios e, principalmente, a oportunidade de trabalhar com o que eu gosto. Fora que passo parte do tempo em BH e parte do tempo viajando, o que eu já descobri que é o que eu quero da vida. Ficar o tempo todo em BH me deixa maluco e o tempo todo fora de BH cansado.

Vamos ver o que essas curtas férias podem fazer por mim.