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17 de jan. de 2020

Lascou

Eu dirigi nas ruas e estradas brasileiras por 18 anos. Desses 18 anos, 2 anos eu peguei a BR-040 2 vezes por semana, sendo que em Março de 2019 foram mais ou menos 14 vezes. Pra quem não sabe, a BR-040 entre BH e Lafaiete é marrom, por causa do barro que cai dos caminhões que transportam minério. Ou seja, tem pedra/brita na estrada inteira. E mesmo com todo esse risco, eu NUNCA tive um para brisa quebrado.

Em 9 meses de EUA eu já tinha tomado duas pedradas no para brisa. Por sorte eram pedras pequenas e só marcaram o vidro. Hoje não dei tanta sorte:


Pior: isso foi numa Interstate. Aquelas rodovias de alta velocidade que você vê nos filmes e parecem uns tapetes. Não em Albuquerque, aqui é cheio de buraco a rachadura.

Murphy me ama.

30 de dez. de 2019

Retrospectiva 2019

Sim, queridos leitores, mais um ano se passou. E mais um ano praticamente sem posts neste humilde blog que está respirando com ajuda de aparelhos. Como não teve post, não esperem uma retrospectiva detalhada, apesar de ter sido um ano com muitas mudanças.

O ano começou bem agitado. Em saiu meu visto de trabalho para os EUA e começou a correria. A história completa resumida você vê aqui.

Lembra que eu falei que meu cachorro veio junto comigo pros EUA? Pois é. Por conta dele aluguei uma casa com quintal gigante, com grama pra caralho. Isso me trouxe 2 problemas que eu nunca tive na vida: cortar grama (o que toma 3 horas a cada 15 dias da minha vida) e uma conta de água absurda (dá pra imaginar que água no deserto não é das coisas mais baratas, né?). Ah, o pior: o cachorro só vai pro quintal quando alguém vai com ele. Ou seja: passa 95% do tempo dentro de casa....

Mudança feita, a adaptação foi até rápida. O pau tá comendo no projeto, mas por incrível que pareça o cronograma foi seguido à risca, com coisa ADIANTADA (pelo menos até o começo de Dezembro). Nunca na história desse país isso tinha acontecido. E o cliente é uma mãe. Melhor cliente da história (pelo menos até dezembro). Isso facilitou muito a minha adaptação aqui (apesar de estar trabalhando pra caraio). Nem mesmo os sintomas da altitude (1.600 metros) e do ar seco (peguei dias de 3.5% de umidade do ar) duraram muito. Um pouco de dor de cabeça e nariz sangrando nas primeiras semanas, depois ficou de boa.

A Ruiva deu uma sofrida maior. Ela veio com inglês “the book is on the table”, sem dirigir. Arrumamos umas aulas de inglês pra ela na faculdade e comprei uma bicicleta pra ela ir pra aula (é relativamente perto). Tava indo de boa até que chegou o verão. Aí......

Tenho que ser honesto: eu imaginei que o verão aqui ia ser de querer se matar. Pensei que ia passar dos 50 todo dia, ardendo no fogo do inferno. A verdade é que calor de deserto é uma das melhores formas de calor (se é que existe alguma forma boa de calor). O calor seco é MUITO bom. Primeiro porque você não sua. Sério, fiquei uns 7 meses sem suar. Óbvio que se você faz exercício físico você sua, mas normalmente é super tranquilo. E se você for para uma sombra, a temperatura cai drasticamente. Não, não fica frio, mas melhora muito. E as temperaturas aqui nem foram tão altas: poucos dias passou de 40. Mas o pessoal daqui disse que foi um ano atípico, com muita chuva e temperaturas mais brandas. Manaus era muito pior do que aqui. MUITO.

O problema daqui é o sol. Ele é escaldante. E não tem núvem no ceu. 5 minutos no sol e você já sente a pele repuxando. Se ficar mais uns 5 minutos ela fica parecendo solo do nordeste, marrom, seco e todo rachado. Haja protetor solar. E Albuquerque é bem alta, então o sol é “mais forte”. Mas ainda assim, muito melhor que Manaus.

O céu é assim quase o tempo todo. E de quebra você vê a casa do Walter White

E bem no auge do verão a Véia resolveu me visitar. Por um lado, foi bom, porque conheci algumas cidades aqui perto (turismo não é um dos pontos fortes do Novo México, a menos que você goste de natureza). Por outro foi foda porque ela ficou 3 semanas aqui e não tinha o que ela fazer. Ainda mais no sol e calor. Mas no fim deu tudo certo.

Santa Fe

A Rota 66 cruza o estado inteiro (inclusive Albuquerque)

Rota 66 em Gallup

Praça principal de Taos

Cemitério indígena com o Taos Pueblo no fundo

Cada estado tem o Gran Canion que merece. Esse é perto de Taos (não, não é o Gran Canion de verdade. Esse é o Rio Grande)

A ponte com vão central mais alto dos EUA

Em Outubro teve uma das coisas mais bonitas que já vi na vida: o festival internacional de balonismo de Albuquerque. São mais ou menos 600 balões que levantam vôo em menos de duas horas. É MUITO foda. O difícil é acordar de madrugada pra ir pro lugar do festival. O busão SAI 4:40. E a temperatura já estava abaixo dos 10 graus nessa época, então divertido não foi. E como Murphy é meu amigo, no dia que eu resolvi ir teve nevoeiro e nenhum balão saiu do chão. Resultado: acordei de madrugada no frio dois dias seguidos (e paguei ingressos em dobro, obvio). Mas valeu a pena. É muito bacana, ainda mais com o céu azul sem nuvens do deserto.

De madrugada fica assim

E depois que libera o voo fica assim (ó o Cristo Redentor ali no canto esquerdo)

Ainda em Outubro fui convidado para uma festa de halloween. Eu achei que era só a criançada que ficava empolgada, mas os adultos também levam bem a sério. Todo mundo gasta uma grana com fantasia, decoração, doces (menos eu, óbvio). E tenho que falar a verdade: a história de doces ou travessuras é um saco. A cada 5 minutos alguém toca sua campainha, você atende, elogia as fantasias, dá doces e fecha a porta. E meu cachorro não para de latir quando a campainha toca, então foram umas 3 horas de latidos...... A festa, pelo menos, foi divertida. Até participei do campeonato de pong beer (perdi a final).

Minha fantasia para receber a pirralhada (doces no fundo)

A mesa de beer pong

Em meados de Novembro a Ruiva foi para o Brasil. Eu ainda trabalharia alguns meses antes de ir também, o que me rendeu um convite para jantar de ação de graças na casa de um colega de trabalho. Jantar as 2 da tarde, mas jantar. Eu levei pão de queijo e brigadeiro e nunca vi gringo tão feliz. Mas a parte divertida desse dia foi dirigir na neve. Começou a nevar no dia anterior e caiu quase 18 horas de neve. Coisa que nunca tinha acontecido nessa época do ano. O cachorro ficou felizão rolando na neve. Eu não fiquei tanto, pois teria que atravessar a cidade e, convenhamos, dirigir com um palmo de neve no chão não é algo que brasileiro está acostumado.... Mas no final deu certo, pois nas grandes ruas e avenidas passa trator limpando a neve. Sair de casa e na minha rua foi outra história. Foram uns 30 metros de rally gelado. A neve levou uma semana pra derreter, o que fez meu quintal virar um lamaçal. Super divertido.

Quase num tinha neve

Chegou Dezembro e foi a minha vez de ir para o Brasil. Foram duas semanas em solo tupiniquim. No primeiro final de semana, meu aniversário. No segundo final de semana, minha festa de casamento. Sim, eu casei. Tecnicamente eu já sou casado desde ano passado, mas a festa foi só esse ano. A gente já tava planejando casamento antes da história de transferência sair, então o custo de mudar tudo ia ser muito alto. Aí deixamos como estava planejado mesmo com a mudança. Mas isso gerou algumas coisas divertidas, como prova de bem casado menos de 24 horas antes de mudar e assinatura de contrato no aeroporto de Guarulhos, enquanto esperava o vôo pros EUA (sério). A vantagem foi poder botar a culpa da mudança em tudo o que eu já não queria fazer para a festa. A desvantagem foi pagar o preço de um celta 2012 em passagens de Albuquerque para BH....

Game Over

Aí, como Murphy é meu brother, na volta para os EUA resolveu cair o mundo em Guarulhos e meu vôo foi cancelado. Óbvio. Eu tinha comprado as passagens para chegar em Albuquerque na manhã do dia 18, para poder pegar meu cachorro e descansar antes de voltar a trabalhar no dia 19. Mas com esse atraso, eu ia chegar no aeroporto 40 minutos antes de uma reunião. Eu pisei em casa entrando na reunião (era por telefone), sem ter dormido direito. Fortes emoções. Mas deu certo no final.

Ah, e lembra que eu tinha falado que estava tudo dentro do cronograma até dezembro? Pois é. Foi só eu viajar que começou a atrasar um monte de coisa.... Murphy me ama.

É isso. Foi um ano de mudanças e adaptações, mas não posso reclamar. Quem sabe ano que vem eu consigo mais tempo (e paciência) para postar aqui. Mas não prometo nada.

7 de ago. de 2017

A saga do aluguel de apartamento

Eu nunca precisei procurar apartamento para alugar, mas mudando de cidade (e desta vez não era para morar em hotel), tive que me aventurar neste mundo desconhecido. Não sabia nem por onde começar, pois os sites de imóveis que eu conhecia não possuíam apartamentos de JF. Pedi ajuda ao Google e achei um site que era um agregador de sites de imobiliárias.

De cara, assustei com a quantidade de opções de apartamento E de imobiliárias em JF. Pode ser que em BH também tenha um milhão de imobiliárias, mas JF tem 500 mil habitantes. Mas assim é a vida e saí em busca de opções.

Eu tinha duas restrições: precisava ser bem localizado e ter espaço suficiente para meu cachorro (que não é tão pequeno quanto muitos de vocês devem achar). Ah, e o aluguel não podia ser metade do meu salário, óbvio. Levantei uns 4 ou 5 apartamentos e me programei para visitar a noite.

Esse foi meu primeiro erro. As imobiliárias de JF têm um horário de trabalho peculiar. Começam a funcionar as 9:00 e fecham as 16:00. Isso quando não fecham na hora do almoço (e isso é sério!). Eu (e boa parte da população que vai alugar apartamento) trabalho e não é fácil sair no meio do serviço pra ir visitar apartamento. Mas assim é a vida e resolvi me virar na hora do almoço pra ir visitar.

O primeiro apartamento era o mais promissor. Fui na imobiliária, pedi a chave. A atendente procurou a chave, não achou. Ligou para o proprietário, o cara falou que a chave estava na portaria, que eu deveria procurar o zelador para ele me acompanhar. Assim eu fiz: peguei um taxi e fui até o prédio. Toquei o interfone e o zelador falou “esse apartamento já está alugado. Você é a quinta pessoa que veio aqui essa semana, avisa a imobiliária, por favor”. Sem entender nada, liguei de volta para a imobiliária. A mulher falou: “você me viu ligando pra ele, não posso fazer nada enquanto ele não vier tirar o anuncio”.

Outro dia, outra tentativa. Fui na imobiliária e logo na porta vi o apartamento que eu queria visitar. Entrei na loja e falei “oi, queria visitar aquele apartamento ali”, apontando para a imagem do apartamento na porta. A mulher caçou no sistema dela e falou “ih, já está alugado”. “Pô, podia atualizar o sistema, hein?”, reclamei, sabendo que não daria em nada.

Mais uma tentativa, em um outro dia. Dessa vez tinha a chave e não estava alugado. Fui ao aparamento e ele era muito espaçoso. Só que era barulhento para caralho (ficava na cara de uma das 3 principais avenidas da cidade). Ainda assim resolvi conhecer a garagem (eram 2 vagas). Na descida pra garagem conheci a mulher que morava no apartamento de baixo do que eu estava olhado. Era daquelas velhas grudentas (eu vi como ela estava tratando uma outra moradora do prédio). Aí perguntei “e pode cachorro no prédio?”. A mulher fechou a cara e falou “cachorro aqui é um problema. Tem um monte, eles fazem barulho, é um inferno”. Risquei esse apartamento da lista.

Outra tentativa, desta vez um apartamento de fundo. Razoavelmente silencioso. Na varanda de um outro apartamento, um urso (aquilo não eram um cachorro). Sinal que não teria problemas com isso. Mas eu entrei no apartamento e tive a certeza que antes de ficar para aluguel morava um animal lá dentro. Todas as portas estavam destruídas, o piso detonado, banheiros antigos e detonados. Não dava para morar ali. Riscado da lista.

A última opção era um apartamento que era muito silencioso, espaçoso, mas todas as portas tinham cupim. E quem já sofreu com cupim não quer passar por isso novamente. Além disso, não consegui entender como era o esquema da garagem. Voltando na imobiliária, fiz 3 perguntas: se seria possível trocar as portas por causa do cupim, se podia ter cachorro e se a vaga de garagem era presa. Estou esperando resposta até hoje, quase 3 meses depois.

As opções nos bairros que eu queria tinham acabado. Eu já tinha zerado os sites de imobiliárias, olhando todo dia por novas opções. Então tive que partir para outros bairros, não tão bons, mas ainda assim pertos. Achei um apartamento promissor. Fui na imobiliária e catei a chave.

Chego no prédio, um ponto de ônibus na porta. Não era tanto problema, pois era de fundo. Subo para o andar (o último) e tinha UMA GRADE na porta. Sério. Era uma grade antes da porta. Já não fiquei muito satisfeito em morar em um lugar assim, mas se era para ter mais segurança, convivemos com a grade. O apartamento era bom, tinha lá seus problemas, mas era a melhor opção até o momento. Até que vou na garagem e vejo a convenção do prédio. A ÚLTIMA linha era “não é permitido nenhum tipo de animal”. Eu sei que hoje em dia isso não pode mais ter isso, mas mudar pra começar a brigar não era a minha maior vontade. Pra completar, quando eu estava saindo do prédio vi que um PM morava lá também. Desisti, infelizmente.

Continuei a pesquisa, na esperança de aparecer um apartamento novo. E, para minha surpresa, ele apareceu. Uma cobertura, banheira de hidromassagem, churrasqueira, lareira, espaço pro cachorro, rua tranquila. Parecia ser espaçoso também. “Achei, porra!”, pensei. Mas Murphy me ama e na semana seguinte eu não iria para JF (tinha um monte de feriados na semana). Fiquei olhando o anuncio todos os dias e, na segunda feira seguinte, assim que terminei uma reunião (10 da manhã), liguei na imobiliária. Alguém tinha acabado de pegar a chave. Provavelmente foi alguém que viu na semana dos feriados e assim que chegou em JF na segunda pegou a chave para visitar. O atendente falou pra eu ligar a tarde. Assim eu fiz. E aí o cara falou que quem tinha visitado o apartamento tinha feito a proposta.

Eu fiquei muito puto. Maldito feriado. Maldita reunião. Maldito Murphy. Mas o atendente falou que, como tinha análise de documentação e blábláblá, eu devia ligar na quinta-feira, porque se não tivesse sido aprovado a preferência era minha. Desacreditado, liguei. E para minha surpresa, o atendente falou “deu um problema na documentação da mulher, pode vir visitar”. Mas Murphy é meu amigo, Murphy é meu colega e neste dia eu estava em Curitiba. “Me manda a ficha de proposta, eu visito na segunda”, disse. O cara não deixou. “Vou pedir para um colega visitar hoje e filmar o apartamento pra mim”, disse. O cara não deixou. Na segunda-feira, quando cheguei em JF, liguei para a imobiliária e....o apartamento já tinha sido alugado. A mulher entrou com toda a documentação novamente e essa leva foi aprovada.

Nessa hora eu já estava desesperado. Liguei o foda-se para a localização, ampliando bastante a base de busca. Não que tenha dado muitas opções, mas apareceu uma. O lugar era mais distante (na verdade, nem era tão longe assim, mas para uma cidade do interior 5 km é muita coisa), mas o apartamento parecia promissor. Fui na imobiliária (a mesma do primeiro apartamento), catei a chave e fui pro lugar. Lugar absolutamente tranquilo. Cachorros nas varandas. Prometia. Coloquei na chave na porta e....não abriu. Sério. Eu fiquei muito puto. Muito mesmo. Imobiliária filha da puta. Liguei lá e falaram “ah, tem uma outra aqui. Quer testar?”. Voltei lá, peguei a chave, voltei pro apartamento e finalmente consegui entrar.

O apartamento é grande, mas mal dividido. Tem espaço pro cachorro. Uma caralhada de quartos, todos pequenos. A cozinha é maior que a sala (a cozinha gigante, a sala pequena). A lavanderia é pequena e tem teto de gesso. Teto de gesso em lavanderia? Quem foi o gênio que fez isso? A garagem é desgraçada. Mas isso tudo a gente releva. Tem espaço pro cachorro. Todos os vizinhos têm cachorro.

Começou então a discussão com a Imobiliária. Fiz uma vistoria buscando pelo em ovo. Levei CINCO HORAS para terminar. A mulher da imobiliária até assustou quando voltei da vistoria com a folha dela toda rabiscada. Ela perguntou “vi que você fez muita ressalva, tem alguma coisa que te impede de mudar?”. Respondi “não, foi só pra me resguardar mesmo”.

Aí discute daqui, reclama de contrato ali, manda 400 fotos de lá... No final assinei o contrato. Agora tenho onde morar.

Agora vem a saga da limpeza. Mas isso é assunto pra outro post.

21 de nov. de 2016

Férias

Esse post era para ter ido pro ar dia 02 de Novembro, mas foi um dia tão merda que até o Google jogou contra e bloqueou minha conta... Mas segue o que eu escrevi no dia.

Faz tempo que não passo por aqui. A razão é bem simples: o projeto entrou em produção e começou a operação assistida (24/7). Isso significa que eu comecei a trabalhar no turno, cada semana em um horário.

E essa brincadeira destrói qualquer pessoa. Para piorar, eu ainda tinha que fazer o planejamento das minhas férias. Aliás, não lembro se comentei: meu chefe me mandou quitar todos os meus dias de férias Black esse ano (aquela que você sai no papel mas continua trabalhando). E eram 40 dias. Para resolver em 2 meses...

Vou pular uns 2 meses e chegamos no dia de hoje. Eu estava cansado, mas tinha conseguido fazer tudo o que precisava, tanto no projeto quanto para a viagem. E lá fui eu pro aeroporto.

Entro já fila da gol, espero uns 20 minutos (isso porque sou cliente preferencial). Entrego passaporte e localizador para a atendente. Passa um minuto, passam 2 minutos, passam 3 minutos e a mulher lá no computador, frenética. Aí me pergunta:

- Você recebeu o eticket? Não estou achando a sua reserva.
- Não. O que eu recebi foi isso aí.
- Só um minuto então.

Passam mais alguns bons minutos e ela volta

- não achei sua reserva. Entrei em contato com são Paulo e eles também não acharam.
- tá, mas é aí?
- liga lá na alitalia.

Faltando pouco mais de meia hora pro voo, saco o telefone do bolso e.... ele não completa a ligação. Tentei umas coisas e o mesmo erro: não registrado na rede.

O WiFi funciona, então mando mensagem pra veia e pra ruiva pedindo ajuda. Elas ligam para a alitalia e lá também não estavam achando a reserva. Desesperado, tento de tudo: vou na gol pedir para usa o telefone. Não pode. Tentei acessar a reserva pelo celular. Não funciona.

A veia me liga de volta e pede pra eu ligar pro cartão de crédito e pegar a autorização de compra da passagem. Nessa hora eu já estava procurando o juízado especial. Estava fechado. Mas a moça do juízado da criança e adolescente me ajudou e deixou eu ligar na alitalia.

Resumindo: eu tinha reserva, estava cobrando no meu cartão de crédito, mas deu algum erro e cancelaram meu eticket. E aí eu não poderia viajar. Só ofereceram devolver a passagem e se eu quisesse comprava outra.

Olhei na hora a passagem na alitalia. Estava 9 mil. Olhei no Google. Achei uma da tap por 3,3 mil. 1.200 a mais do que eu tinha pago. Mas o prejuízo de não viajar era muito maior. Comprei a passagem.

Aliás, tenho que fazer uma menção especial à anac também. Não ao órgão, mas à atendente que fez a minha reclamação. Me deixou usar o computador dela para procurar outra passagem e fazer a compra. Vão clonar o meu cartão, mas fazer o que... Pelo menos tenho outros para usar.

Nova passagem comprada, começo a juntar provas para o processo que vai rolar contra a alitalia. Para a minha mãe falaram que o voo estava lotado. Mas magicamente quando você entra no site encontra. Muito mais caro, como eu comentei. Pego também os recibos do cartão. E finalizo a reclamação na anac.

Agora estou aqui, no terminal internacional de confins, esperando meu vôo. Sem comer desde as 7 da manhã.

Oremos.

Um update: até agora deu tudo certo na viagem. Já estou na última vide que vou visitar e só falta o último voo de volta pra BH na quinta. Vamos ver se tem algum problema...

19 de ago. de 2016

Quando eu furei meu pé

Eu sei, eu sei... Faz tempo que não apareço por aqui. Tem justificativa (cof... cof... trabalho... cof... cof..), mas não vai mudar em nada o fato deste humilde blog estar abandonado. Vamos ao que interessa.

Era uma segunda-feira, feriado aqui em BH. Era muito cedo (para um feriado), coisa de 7:30 da manhã. Eu soltei o cão do seu "dormitório" e ele saiu correndo feito um foguete pela casa, fazendo muita bagunça e tirando tapete que colocamos na casa do lugar. Como a Veia iria em casa, precisava deixar tudo mais ou menos arrumado e comecei a puxar o tapete.

Como estava com muita preguiça resolvi puxá-lo com o pé, mas como ele foi parar longe com as corridas do cérbero, tinha que fazer muita força. E assim o fiz. O que eu não imaginava é que teria um pedaço do taco para fora e que ele atravessaria meu dedo. Sim, você leu certo.

Não doeu (não o proporcional ao estrago feito), mas instantaneamente eu caí no chão. E o meu cão estava entendendo que eu queria brincar com ele, então começou a pular em cima de mim. Eu só conseguia gritar "Ruiva! Vem cá! Urgente!". Ela veio, tirou o Pingo de cima de mim e eu falei: "deu merda. Liga pro meu pai".

Ela perguntou o que era e eu só mostrei o dedo. Era mais ou menos isso aqui (sem exagero, era isso mesmo). Tirei fotos, mas são imagens fortes e nem todo mundo tem estômago pra ver:


Esse marrom escuro é o pedaço faltando deste taco aí embaixo, o que dá uma idéia do tamanho do problema:


Ela olhou e falou "é.... Vamos ter que ir para o hospital.". Confesso que cheguei a pensar "jura? Você acha mesmo?" mas fui educado e disse "eu sei. Liga pro Veio que ele dá carterada e agiliza" (ele é médico).

Ele foi me buscar, viu o estrago e falou "depois você me explica como conseguiu essa proeza. Qual hospital do seu plano?". Respondi "Mater Dei" e fomos para lá.

Cheguei 09:00. A atendente estava passando alguma informação para algumas pessoas do hospital. Como não estava doendo, fiquei esperando. Mas meu pai perdeu a paciência e falou para a mulher "desculpa, ele está com um pedaço de madeira no pé, tem como dar prioridade?". A mulher fez cara de "sei, calmo desse jeito...". Aí eu mostrei meu pé. Ela entendeu e acelerou o processo. 09:04 eu já estava dentro da sala de cirurgia. O problema é que o médico só foi chegar 9:50...

O cara deu uma porrada de anestesia, abriu meu dedo, tirou o pedaço e foi catando os pedacinhos que estavam lá dentro. Limpou, esfregou, lavou, esfregou mais um pouco (eu não senti nada!) e chamou meu pai pra ver (carteirada tem suas vantagens). Estava tudo bem, o cara foi fechar. Deu uns 7 pontos (segundo ele não adiantava dar mais), enfaixou e me deu atestado de 15 dias. Ficou assim:


A única coisa que eu tinha certeza, depois de todo o procedimento, é que tudo o que não doeu antes e na cirurgia ia doer quando acabasse a anestesia.

O mais legal: eu estou de férias no papel, mas trabalhando. Aí ganhei um atestado que não posso usar (afinal, para o RH estou de férias). Então decidi que ia continuar trabalhando, mas de casa. Peguei meu computador na empresa e continuai trabalhando, como se nada tivesse acontecido.

27 de dez. de 2015

Quando eu bati o carro

Eu tenho carteira de motorista há mais de 15 anos. Tirei com 18 anos, no meu primeiro exame. Nunca tomei uma multa. Por incrível que pareça, sou calmo no trânsito. Nunca bati o carro (em outro carro. Já dei algumas raladas em pilastras). Motorista exemplar.

Isso tudo era válido até Outubro deste ano. Dia 27, para ser mais exato. Uma terça-feira (lembro sem consultar o calendário, mas pode conferir aí). Saí de casa mais ou menos no horário que sempre saio. Fiz o caminho que sempre faço. Parei no cruzamento da Francisco Deslandes com a Pium-I, como sempre faço. Esse aqui:


Aqui tem um street view do lugar:


A situação, no dia, era muito parecida com a da foto acima: um carro na minha frente, um toldo tampando a visão. No meu caso, ainda tinha um carro na Pium-i, piorando ainda mais a visão.

Como sempre faço, avancei junto com o carro da frente, para melhorar a visão. Vinha um carro uns 2 quarteirões para cima e, assim que o carro da frente avançou, dei uma nova conferida para ver se dava tempo e fui junto. Antes mesmo de olhar pra frente senti o meu carro parando. Demorou alguns milissegundos para entender o que tinha acontecido. Quando caiu a ficha, desliguei o carro, respirei fundo e sai para ver o estrago.

Sim, eu bati o carro. A mulher desistiu de seguir segundos depois de arrancar o carro. Segundo ela, porque o carro que estava 2 quarteirões pra cima estava muito rápido. O carro dela amassou quase nada. O meu, desfez a frente. Essa história de absorver o impacto. Já tinha gente buzinando e eu só falei com a mulher pra gente encostar para liberar e aí ela falou:

- Não. Depois você foge.
- ????? Tá maluca? Eu não vou fugir. Encosta ali ó.
- Não. Ano passado fizeram isso e o cara fugiu.
- Toma. Pega meu celular. Vale mais que esse amassado.

Ela realmente PEGOU meu celular para encostar. Conversamos um tempo e definimos que tinha que passar na PM para fazer um BO. Mais uma vez a mulher ficou "você não vai fugir, né?" e eu tive que entregar meu celular novamente.

Fizemos o BO e, como meu seguro era ali perto, resolvemos já passar lá para fazer o sinistro e, no meu caso, já deixar o carro para arrumar. Chegamos lá, entreguei meu cartão de identificação e a mulher começa a procurar meu nome. E não acha. Tenta pelo CPF e nada. Aí eu olho no calendário e penso "fudeu".

Como eu disse, era dia 27 de Outubro. Meu seguro venceu no dia 26 de Outubro. Eu tinha renovado, mas ainda não tinha recebido a nova apólice. E fiquei com o toba na mão de não ter sido renovado, já que a mulher estava não estava encontrando. Liguei para a minha corretora, expliquei a situação e ela falou que estava tudo OK. Coloquei ela pra conversar com a atendente e... não adiantou.

Fiquei lá umas duas horas esperando a situação ser resolvida. Quando resolveu, descobri que não ia poder sair com meu carro. E que não ia começar a manutenção enquanto a apólice não saísse. E a apólice só iria sair quando eu pagasse a primeira parcela, que seria só em meados de novembro. Ou seja, ficaria pelo menos um mês sem carro.

Uns 15 dias depois, recebi um email falando que a manutenção tinha sido autorizada. Fiquei mais tranquilo e pude pegar o carro reserva da seguradora por 15 dias. Supostamente, a manutenção iria levar 2 semanas, então estava tranquilo.

Passados os 15 dias, liguei na oficina para saber se estava tudo ok, se o carro estava pronto e fui surpreendido com o diálogo a seguir:

- Não recebemos a autorização ainda.
- Como não? Recebi um emial tem 10 dias
Ouvi uma voz no fundo falando "chegou sim". E o cara falou:
- Ah, tá aqui. Chegou ontem no fim do dia.
- E quanto tempo leva para ficar pronto?
- Pelo menos 15 dias. Só para chegar as peças são pelo menos 7 dias.

Fiquei puto. Se eu não ligasse ia ficar mais um tempo infinito lá, parado. Levou mais uns 10 dias para o carro ficar pronto, até menos que o previsto. E quando peguei, estava realmente bom. Trocaram tudo o que estava estragado, ficou novo.

Mas eu fiquei puto, pois não posso mais falar que nunca bati o carro. Além de ter ficado muito tempo sem carro.

26 de dez. de 2015

Resgate do cachorro Pingo

Sexta feira, 4 de Setembro 9 de Outubro, mais ou menos 8 da noite. Chego na casa da Ruiva e ela comenta que combinou com a cunhada de deixar o Pingo na casa dela na manhã seguinte, pra ele brincar com os cachorros dela. É uma casa grande, na Pampulha, ele teria espaço infinito para correr e gastar as unhas. Como eu iria trabalhar e ela tinha combinado de estudar na casa de uma amiga, achei que seria uma boa. Sabia que ele ia voltar com pulgas e carrapatos, mas pelo menos ia gastar energia. Pulga eu catava no domingo de manhã, junto com o banho.

Acordamos cedo no sábado, levamos o pingo na casa da mulher e, nos poucos minutos que fiquei lá, os cães arranharam meu carro. Mas vi que ele ia se divertir, porque começou a correr como um louco. Deixamos ele lá e fomos para os nossos afazeres. Deixei a Ruiva na casa da amiga e fui para o escritório.

Não deu nem meia hora que eu estava trabalhando e meu telefone tocou. Era a Ruiva. Ela NUNCA me liga no trabalho, então sabia que era problema. Achei que era alguma coisa de saúde, mas ela simplesmente disse: "vamos ter que voltar para a Pampulha. O pingo fugiu.". Não perguntei nada. Só falei: "Tô saindo. Te pego aí".

Catei meu notebook, botei na mochila e saí correndo do escritório. Peguei a Ruiva e fomos em direção à Pampulha. Foram mais ou menos 20 minutos até chegar lá, mas não falamos nem uma palavra. Ela segurava a minha mão, forte. Claramente queria chorar, mas não saiu nenhuma lágrima.

Chegamos na casa da cunhada da Ruiva e ela contou a hitória: deixaram o Pingo brincando e depois de um tempo gritaram o nome dele e ele não apareceu. Começaram a procurar no terreno e não acharam. Aí foram para a rua.

Segundo elas procuraram em volta e perguntaram pra um vendedor de água de coco no outro lado da rua perto do Zoologico. O cara falou que viu o cachorro, que estava tentando atravessar de volta, mas não conseguia por causa dos carros. Ai viu alguém tentando pegar ele, mas que não conseguiram. Depois veio uma outra pessoa e conseguiu. E o puto não fez nada.

Voltamos no cara e ele mudou um pouco a historia. Falou que um cara tinha tentado, não conseguiu e que depois o cachorro subiu uma rua. deve ter sido pra gente ir pra longe dele e não dar outro esporro, como fez a cunhada da Ruiva.

Ficamos rodando a Pampulha inteira, gritando "Pingo! Pingo!". E nada. Desistimos e fomos para casa publicar a foto dele em tudo quanto é rede social. O desespero foi tão grande, que até na página da Luisa Mel eu postei. Estávamos acompanhando todas as páginas, mas não tivemos resposta. resolvemos dar mais uma volta na região do Zoo, pois estava chovendo e a Ruiva com medo ele estar na chuva. Nada. Exaustos, voltamos pra casa e fomos dormir.

No dia seguinte pela manhã, vimos um comentário colocado próximo da meia noite em uma das páginas falando que tinham visto ele perto do Mineirão. Achamos muito estranho pois do zoológico até o moneirão é longe pra caralho e o bicho não conseguiria ir sozinho. Criamos uma teoria que quem pegou não aguentou a energia dele e largou na rua de volta.

Era dia de jogo as 11 da manhã e a região estava lotada. Não iríamos achar ele nunca ali. Mas começamos a mostrar a foto dele em tudo quanto é lugar e começaram a falar: "eu vi ele ontem. Desceu a rua" (Dias Bicalho). Bateu uma esperança. Fomos perguntando, perguntando e todo mundo confirmando que tinha visto. Rodamos a região toda, mas não o vimos.

Voltamos para casa, fizemos cartaz de procura-se e voltamos para lá. O jogo tinha acabado, então a região estava mais tranquila. Colamos 258389745 cartazes, para tudo quanto é lado, em todas as direções. Em um deles, uma mulher que estava passando na rua, sem que nós perguntássemos nada, falou "eu vi esse cachorro ontem. Ele desceu naquela direção". O sentimento de esperança aumentou novamente. Mas depois de muita procura, mais uma vez sem sucesso e com insolação, voltamos para casa para almoçar (já era 6 da tarde) e olhar as redes sociais (além de postar e repostar a foto do Pingão).

Segunda cedo (era feriado), resolvemos ampliar a região de busca. Peguei o Google Maps e falei: "se ele desceu a Dias Bicalho, pode ter ido para o lado do aeroporto". E lá fomos nós novamente rodar colando cartaz e gritando "Pingo". Conheci lugares que nunca imaginei. Até descobri que existe cemitério israelita "perto" do aeroporto.

Mais uma vez, insolação, cansaço e o fio de esperança de encontrar o peludo foi embora. Já estávamos aceitando que nunca mais veríamos o bichinho. Enquanto a Ruiva tomava banho e eu catava os brinquedos dele pela casa, meu telefone apitou. Era um email de um colega de faculdade, encaminhando um email que tinha recebido. Só dizia assim: "Foi você que perdeu um cachorro?".

Fui lendo o histórico e era um email encaminhado para a CãoViver, mais ou menos assim:

"Achei esse cachorrinho na rua, com duas coleiras, uma vermelha e uma azul de remédio. Não sabia como procurar e parece ser de raça então com medo de alguém mal intencionado, estou enviando esse email para vocês. Se não achar o dono, vou ficar com ele". E estava essa foto anexada:


Durante alguns segundos o fiquei pensando e falando comigo mesmo: "É o pingo. Acharam o pingo.". Repeti umas 3 vezes, até que gritei para a Ruiva: "Acharam o Pingo! Acharam o Pingo!".

Liguei para a menina que tinha mandado o email, falei que tinha recebido um email com a foto do meu cachorro, que ela tinha achado meu cachorro. Contei a história toda, ela viu que era verdade, falou que pegou ele com medo de alguém mal intencionado pegar e blablabla. Eu sõ pensava: "foda-se. Eu só quero meu cachorro". Peguei o endereço dela e fui buscar o Pingo.

A mulher morava longe para cacete e levei uma eternidade para chegar lá. Pelo menos conheci mais um ponto da cidade (e a Toca da Raposa 2). Cheguei lá, toquei a campainha e ele começou a latir. Ela chegou com ele no colo e, quando ele nos viu, deu um pulo do colo dela, batendo no nariz da menina. Eu catei o cachorro e fiz carinho, quando olhei de volta pra ela, vi o nariz jorrando sangue. O cachorro quebrou o nariz dela.

Entramos para ela fazer o nariz parar de sangrar (o que levou um tempo) e a Ruiva ficou conversando com ela, contando a história toda da saga. E descobrimos que, em momento nenhum, ele passou pela Dias Bicalho (apesar de todo mundo ter visto). Esteve o tempo todo na casa dela. Agradecemos, pagamos pela comida que ela comprou (a preço de ouro! 2 kg por 60 reais. Mas foda-se o Pingo estava bem), e voltamos pra casa.

Quando chegamos, começamos a repostar em todos os sites e redes sociais que havíamos encontrado o Pingo. E numa dessas redes acabamos vendo uma foto de um cão IDÊNTICO ao Pingo, que havia sumido NO MESMO DIA, mas na região da Dias Bicalho. Considerando que nunca ligaram para a gente (o cachorro era realmente igual), acho que ele nunca mais foi visto. Alguém deve ter catado ele.

No dia seguinte, encomendamos um tag de identificação pro Pingão, que pode até sumir novamente, mas estará identificado. E certamente nunca mais vai passear na casa da cunhada da Ruiva.

E o feriadão, que era para descansar, foi estressante para caralho. E desde então, não tive mais folga (vou contando aos poucos, na medida que der. Mas não esperem atualizações frequentes, tá foda).

29 de ago. de 2015

O visto americano

Um tempo atrás um casal de amigos decidiu que ia casar em Las Vegas, em uma missa celebrada pelo Elvis. E para ir acompanhar este grande evento, e eu precisaria tirar o visto americano.

Eu fui para os EUA no longínquo ano de 1993 e, naquela época, o visto era uma coisa simples de tirar (talvez nem tanto, mas era mais simples que agora). E o meu visto, assim como o passaporte que ele estava, venceram há um bom tempo (passaporte eu tirei 2 depois daquele).

Agora, tirar o visto não é algo tão simples assim. Primeiro você preenche um formulário gigante, que gasta uns 45 minutos para ser preenchido. Eu tinha visto esta estimativa no site do consulado e achei absurda. Depois eu vi que é mais ou menos isso mesmo.

Uma das perguntas, óbvio, é se você já teve visto anterior e o número dele. Lógico que eu não tinha mais o passaporte. Naquela época, ele ficava com a minha mãe e assim que ele venceu e eu renovei, ela jogou fora. Mas tinha a opção "eu não sei". Marquei, mas confesso que fiquei com receio.

Uma outra pergunta (acho que a seguinte) era se você já tinha estado nos EUA e qual a data. Eu não lembro quando fui pra Europa (tem 2 meses), imagina se vou lembrar da data de uma viagem de 93. Mas tinha lá um comentário que se você não lembrava, para colocar a tá mais próxima. E eu lembrava que foi entre junho e julho de 93.

Depois de preencher mais um monte de coisa (incluindo aí a pergunta "você é terrorista?"), revisei o bagulho e, realmente com receio de dar merda não ter o passaporte antigo, enviei (pagando uma "pequena" taxa de 160 dólares).

Triste pelo rombo, comecei a olhar os próximos passos. Eu teria que tirar foto e pegar as digitais em um dia (poderia ser em BH) e depois passar pelo processo de entrevista, que não poderia ser em BH. Ou seja, além da taxa bacana, ainda teria que pagar passagem e hospedagem em alguma outra cidade. Só que o Rio é uma das opções, então eu poderia comprar só passagem. Marquei as bagaças, comprei as passagens e viajei pra Bolívia.

Voltando de viagem, no dia seguinte fui tirar a foto e as digitais. Lugar bacana, sem fila, mas só um cara atendendo (apesar de ter umas 10 cabines). O processo é rápido, mas a espera foi mais ou menos grande, porque eu havia chegado antes da hora. No todo, levou meia hora.

Dois dias depois, já no rio, era dia de passar pela entrevista. Eu levei documentação pra comprovar tudo: renda, emprego, resistência, saúde... Até declaração de imposto de renda tava na pasta. E como já sabia que não podia entrar com celular, deixei em casa.

Também cheguei antes da hora, então levei uns 20 minutos para entrar no consulado. O bizarro é que já tinha gente lá para entrevista duas horas depois (eles recomendam chegar com 15 minutos de antecedência). Bom, entrei.

O processo é o meio burocrático. Você entra e fica numa fila (sentado). Espera. Aí te chamam para você entrar em outra fila (em pé), mas é rápido. A mulher só escaneia seu passaporte e fala se você pode ir para a entrevista ou se tem que passar por uma outra triagem. Nos dois casos, você vai para outra fila (sentado).

Essa segunda fila sentada foi razoavelmente rápida. Mas aí te chamam para outra fila (em pé) para a tal entrevista. Confesso que não sei o que acontece com quem vai pra triagem. Só sei que fica sem o passaporte por um tempo.

A tal fila da entrevista com demorada. Até chegar nela eu gastei uns 20 minutos. Fiquei nela mais uns 20. Quer dizer, é uma fila para pegar outra fila. A primeira fila é geral para todas as cabines de entrevista, depois você vai para uma fila específica da cabine. E aí é loteria.

Essa segunda fila pode ser rápida, se as pessoas na sua frente não forem muito questionadas, ou pode ser demorada pra caramba, se o nível de questionamentos for alto. A minha, óbvio, foi bem demorada. E olha que só tinha 2 famílias na minha frente.

Eu acho que esse treco é de propósito. Vai criando uma tensão sinistra. Querendo ou não, você escuta o que o entrevistador fala com as pessoas na sua frente (e até em outras cabines). Na primeira das filas, eu ouvi um dos atendentes falando com a pessoa (em inglês) que com as informações que ela tinha passado infelizmente ele não poderia dar o visto. E o cara falava alta, sem motivo aparente.

A primeira família na minha frente levou um tempo bom, e eu não consegui ouvir o que o cara estava perguntando. Mas eu ouvi o cara da cabine do lado. Ele sabatinou o sujeito que estava tentando o visto sem dó, perguntou até a cor da cueca que o cara ia usar quando fosse viajar.

A segunda família na minha frente eu já consegui ouvir. Chamaram os 3, escanearam os passaportes e foram uns bons 5 minutos de silêncio, com o agente de imigração lendo alguma coisa no computador. Deve vir a história toda do pessoal na tela. Aí ele fez umas perguntas, a família enrolou pra responder, ele tentou novamente, mais uma enrolada, aí falou "não vai rolar o visto".

"Fudeu", pensei. Eu era o próximo. Fui pra cabine, antes de o cara me chamar. Vi que ele não gostou, porque ainda estava escrevendo alguma coisa da família anterior. Levou uns bons 2 minutos escrevendo, e eu lá na frente dele, esperando com um sorriso no rosto.

Quando ele acabou, pegou meu passaporte, escaneou, leu alguma coisa por 15 segundos no computador e perguntou:

- Você conhece os estados unidos?
- Sim, já fui em Orlando e Miami.
- Ok. Seu visto foi aprovado. Você vai receber seu passaporte em breve com ele. Bom dia.

Sério. Foram uns 45 minutos dentro do consulado para 30 segundos de entrevista.

Saí de lá felizão por ter um bom emprego em uma empresa multinacional.

20 de ago. de 2015

Férias, pero no mucho

Sim, queridos leitores, eu e sou viajando.Era ora eu ter escrito esse post antes, mas vocês vão entender.

Oficialmente, minha férias começaram no dia 3 de Agosto. Eu teria que tirar 30 dias, porque o RH estava barrando férias de mentira. E além disso, está com baixa de projeto, então não ti há razão para eu ficar no escritório (minha braço direito conseguiria resolver o que aparecesse).

Como eu teria 18 dias completamente sem nada pra fazer (11 dias antes de viajar e mais uns 5 depois da viagem), deixei para planejar tudo com calma e fazer uma porrada de coisa que estava adiando há algum tempo.

Tirei o final de semana pra fazer porra nenhuma e na segunda comecei a olhar passagem e hotel da viagem. Fui fazendo tudo com. Calma, olhando detalhes, procurando as melhores opções pra viagem (entenda: mais baratas).

Até que na terça, 10:30 da manhã, quando eu tinha acabado de comprar a última passagem, meu telefone toca. Era um cara do trabalho.

- Fala cara
- Quando você viaja mesmo?
- 13 a 25. Por que?
- Dá pra adiar?
- Vão reembolsar tudo que já peguei?
- Claro que não.
- Então sem chance. Acabei de pagar a última passagem.
- Nos outros dias tem problema?
- Não, mas eu vou estar fora 27 e 28 também.
- Caralho. Tá bom. Qualquer coisa te ligo.

Meia hora depois, toca o telefone

- Dá pra você estar no cliente as 13:30?
Olhei no relógio. Era 11 horas. Estava de pijama e não fazia barba há 4 dias.
- Dou um jeito. Onde é?
- Vem pro escritório as 13 que te explico melhor e subimos juntos.

Tomei banho correndo, fiz a barba, troquei de roupa e saí correndo. Nem almocei, só engoli uns 2 biscoitos.

Chegando lá, entramos no táxi e o cara foi me explicando. Um gerente de um projeto gigante pediu demissão e precisavam de alguém pra assumir a pica. Como eu tinha acabado de encerrar um projeto complicado pra caralho, meu nome foi o primeiro da lista. Mesmo eu estando fora boa parte do mês.

E eu estava indo para a reunião com o cliente para ser apresentado como o novo gerente. Sem saber nada do projeto (sabia informações muito gerais). E na reunião fui a rainha da Inglaterra: fiquei calado o tempo todo, só fazendo algumas anotações.

E aí passei uma semana tentando fazer reunião com o antigo Gerente (o cara some toda hora) e a noite olhando hotel, roteiros, mapas, passeios... E ainda tendo que fazer exame de sangue e todas as outras coisas que tinha planejado.

Mas não posso reclamar, essa mudança de planos está mantendo meu emprego.

5 de ago. de 2015

A ineficiência brasileira

Dia desses aí pra trás a Ruiva estava entrando no ônibus e sentiu alguém enfiando a mão na bolsa dela. Olhou pra trás e viu um cara (já mais velho, com seus 40 anos) pegando o celular e saindo correndo. Instintivamente ela saiu correndo atrás do maluco, gritando “pega ladrão” (na verdade ela falou “pega ladrão! Alguém para esse filha da puta!”). Uma boa alma viu aquilo e meteu o pé na frente do cara, que tropeçou. Enquanto ia pro chão o cara jogou o celular fora, que quebrou a tela. E assim que caiu no chão juntou um bolo de pessoas pra segurá-lo.

A Ruiva pegou o telefone e, enquanto ligava para o 190 (o telefone continua funcionando, só quebrou a tela) um sargento da PM chegou e perguntou o que tinha acontecido. Ela contou a história e o PM chamou reforço, que chegou rápido. Eles foram para a delegacia. Isso era mais ou menos 17:20.

Ela deu o depoimento todo, contou a história toda e fizeram o BO. Enquanto o BO era processado, ela me ligou, avisando que ia precisar ir para a parte de flagrantes, da Polícia Civil. Cheguei lá umas 18:30.

Ficamos esperando umas 2 horas. Aí eu cansei de esperar e perguntei para o PM que fez o BO o que estava acontecendo. O cara explicou que tinha 2 outras ocorrências na frente e que precisava fazer o BO no sistema da polícia Civil, mas só tinha um cara que fazia isso. Perguntei se era diferente do BO que eles tinham feito e o cara falou que não, era basicamente a mesma coisa. Fiquei meio puto, mas não queria ser preso por desacato.

Passada mais meia hora, o BO ficou pronto e levaram o meliante para colocar a roupa de detento (não sei o nome) e dar depoimento. Enquanto ele conversava com a delegada, conversei mais um pouco com o PM:

- Quanto tempo esse cara vai ficar preso?
- Ah, como é reincidente e acabou de ser solto, deve ficar aqui até meio dia de amanhã. Senão saia de manhã.
- Sério?
- Seríssimo. Eu também fico assim. Tem um cara que já foi preso em flagrante 24 vezes só na Savassi, onde a gente atua. Imagina o resto de BH. E tá livre.

Fiquei muito mais puto ao saber disso, mas mais uma vez fiquei calado.

Passados mais uns 40 minutos chamaram os policiais, para conversar com a Delegada e contar a versão deles da historia (detalhe: já tinham feito isso na hora de fazer o BO da Civil).

Mais uns 15 minutos e chamaram a Ruiva. E pediram para eu ser testemunha. Entrei na sala e.... a delegada pediu para ela dar o depoimento dela. Sério. Tinha 2 BOs e ainda teve que dar depoimento mais uma vez. E lá foram mais uns bons 20 minutos. Eu ainda dei um depoimento falando que não estava no lugar e não vi nada (mais uns 5 minutos pra gerar a papelada).

Saímos de lá 22:30, CINCO HORAS depois do ocorrido. Neste meio tempo ninguém ofereceu água. Não podia sair de lá pra comprar comida, senão perdia a fila. E eu tive que usar o banheiro da carceragem, depois de pedir umas 2 vezes (não foi o das celas, foi de uma sala onde os caras são revistados e trocam de roupa antes de serem presos). Sorte que era número 1, porque estava feia a situação do banheiro.

E fiquei pensando: cinco horas para UM caso. Dois BOs com a mesma informação. Três depoimentos das mesmas pessoas (o ladrão também falou 3 vezes). Num mundo onde tudo é informatizado. Tudo isso para o cara ficar preso 12 horas e, segundo o próprio PM, não comparecer na audiência.

E quem é penalizado? A vítima, que além de ficar 5 horas esperando, ainda amarga o prejuízo e fica preocupada se não será marcada pelo delinquente e sofrerá retaliação. O ladrão ganha um jantar, um café da manhã (sei que não é nada espetacular, mas é comida) e no dia seguinte pode voltar pra rua para cometer mais crimes.

E assim vai o nosso país.....

16 de jun. de 2015

Ah, as férias....

Sim, sim, queridos leitores, eu estou vivo. Foram mais de 20 dias de férias, comendo porcaria, bebendo cerveja e andando pelo velho continente. Não vou enganar ninguém prometendo Bem Vindos (tempo, cadê?), mas vou listar alguns fatos rápidos da viagem, misturada com alguns posts do Instagram.

- No voo Guarulhos – Roma já senti que Murphy iria comigo. Debaixo da poltrona da minha frente tinha uma caixa, que não me deixava esticar as pernas. E olha que eu tenho 1,60m. Imagina se fosse alto;


- A Itália é, sem dúvida, o Brasil na Europa. Só é considerada primeiro mundo por estar no velho continente. Mas fiquei só um dia, então não vou reclamar muito;

- Alias, vou sim. Aquela merda daquele país foi invadido por vendedores de pau de selfie. E essa praga está em todo e qualquer lugar da cidade, sendo muito pior nos lugares famosos;

- Fiquei meio puto, porque a Fontana de Trevi estava em reforma. Tudo o que eu consegui ver foi meia Fontana. A sorte é que eu já tinha visto inteira, então não fiquei tão puto assim;


- O aeroporto de Roma está em reforma. 100% em reforma. E ainda teve um incêndio há pouco tempo, então o terminal 3 está praticamente inoperante. Resultado: não tem lugar pra sentar, não tem restaurante (só lanchonete) e não tem tomada. E eu fiquei lá por 12 horas na minha volta pro Brasil. Tive que apelar para a cadeira e a tomada da capela (juro) e me sustentar de pizza;

- O embarque foi remoto, já que a Alitalia só opera no terminal 3. Aí passei por uma situação inédita: entrei no ônibus, ele foi do terminal 1 para o terminal 3 e chegando lá parou ao lado do finger. Nós subimos as escadas do finger (aquela do lado de fora) e entramos no avião PELO FINGER;

- Aí fui para Bruxelas. Voo tranquilo, sem problemas. Só que eu não sabia que era feriado na Europa no 1º de Maio e estava a Alemanha inteira na Bélgica. Fila de DUAS HORAS para subir no Atomium. DUAS HORAS. Para ficar 10 minutos lá em cima;

- Brugge estava lotada. A sorte é que fui muito cedo, então tive umas 3 horas de “paz”. Lá pra hora do almoço já estava intransitável. Sério, parecia aquelas cenas de final de ano na 5 de Março. Só que com pessoas mais bonitas (não posso dizer mais cheirosas);

- Em Brugge eu fiquei bem bêbado. Deve ser porque bebi o dia inteiro (em lugares distintos) e só fui comer umas 4 da tarde. E mesmo assim foi só essa batata ai embaixo;


- Bruxelas estava com várias coisas fechadas e em reforma. Aliás, isso aconteceu na viagem inteira. Tenho a impressão que a Europa está toda em reforma;

- A viagem para Amsterdã foi de trem. Não sei como as pessoas gostam de trem. Esse, pelo menos, era cara para as costas do banco e não cara para pessoas desconhecidas. E tinha wifi e tomada, então fui me divertindo nas horas de viagem. Pela distância, foi melhor que se tivesse ido de avião;

- Meu hotel tinha uma escada muito inclinada. E sem elevador. E eu estava no 4 andar. E minha mala pesada. Foi uma merda;

- Em Amsterdã eu tive certeza que não sei nada sobre sexo. Passei nos sexshops e não sabia para que servia metade das coisas. E confesso que fiquei assustado com outras que eu sabia para que servia, mas não entendi como alguém tinha prazer com aquilo;

- A vida das mulheres da Red Light deve ser muito triste. Elas estão lá qualquer dia, qualquer hora. Inclusive 8 da manhã de uma segunda-feira. E o treco tá decadente, não vi nenhuma bacana;

- Fui em Keukenhof. É muita tulipa nesse mundo. Depois de 15 minutos eu não aguentava mais ver flor. Mas como foi caro ir pra lá, gastei bem umas 3 horas lá. E para a minha sorte, os campos de tulipa já estavam todos colhidos, perdi uma das fotos mais legais de tirar;

- Não, não entrei em nenhum coffee shop. Devo ter sido o primeiro turista com menos de 40 anos a não entrar em um;

- Como diz um amigo meu que está morando lá, holandês é o Brasileiro desenvolvido. Muita burocracia (mas que funciona) e muita lei de Gerson. Não se respeita fila, por exemplo. Fiquei meio decepcionado;

- Em Londres eu achei que ia ficar ser mandado de volta pro Brasil. A mulher da imigração me perguntou milhões de coisas: de onde vir, onde ia ficar, quanto tempo, por que estava na Inglaterra, se eu tinha dinheiro, quanto eu tinha de dinheiro, para onde eu ia depois, quanto tempo eu ia ficar depois, quando eu voltava pro Brasil, no que eu trabalhava... Ainda pediu pra ver comprovante de hospedagem, passagem de saída da Inglaterra, passagem de volta pro Brasil. Só faltou pra pedir pra ver a minha cueca;

- Meu hotel era pior que o de Amsterdã. Eram 6 andares de escada apertada e inclinada sem elevador. Deu trabalho subir com a mala;

- Em Londres eu fiquei impressionado com o sistema de metro. É sensacional. Ainda mais eu, que moro em uma cidade com meia linha de metro, que leva nada ao lugar nenhum;

- Londres é impraticável. Não posso dizer que passei fome, mas não dá pra comer e beber bem a 5 reais a libra. Fiquei só no fish & chips e cerveja. Não entrei em lugar nenhum pago (mas não daria tempo). E passei 4 dias gastando só 55 libras, sendo que 25 foi com transporte;


- Os museus de Londres são cabulosos. Tem coisa que eu nunca imaginei que fosse ver (tipo a Rosetta Stone) em lugares que não cobram entrada. Passei muito do meu tempo dentro de museu (e não me arrependo);

- A ida para a Irlanda foi traumática. O aeroporto era longe (Stansted), lotado (não tem lugar pra sentar) e as filas quilométricas. O pior é a forma de embarque. Fica todo mundo concentrado no salão de embarque e pouco antes de a hora do portão fechar ele é indicado. Como é tudo longe, você precisa sair correndo. De verdade. São 12 minutos andando muito rápido. Meu pai perderia o voo;

- Aliás, um comentário: para sair da Inglaterra você não passa pela imigração. Palavras da mulher que me explicou isso no aeroporto, depois de eu perguntar 2 vezes “é sério?”: se você está indo embora, não queremos saber. Só estamos preocupados com quem vai entrar;

- Para piorar a experiência, o avião é apertado pra caramba (e olha que eu tenho 1,60m) e ainda fui premiado com um casal de mais ou menos 130 kg cada um segurando uma criança que não parava de chorar ao meu lado. A mulher, que estava do meu lado, ainda era sem noção e ficava encostando em mim o tempo todo, me impedindo de dormir. Um inferno;

- Na chegada à Dublin, mais uma vez achei que ia voltar para o Brasil. Não foi no nível de Londres, mas o maluco da imigração perguntou coisa pra caramba. Não pediu para ver nenhum papel, mas perguntou tudo o que a mulher da Inglaterra perguntou;

- Não se fala inglês na Irlanda. Eles falam Irish (não confunda com Gaélico. Irish é inglês com sotaque impossível de entender). Demorei a entender que era inglês e não gaélico que estavam falando comigo;

- Dublin é uma cidade pequena. E confesso que já estava muito cansado, então acabei não aproveitando tudo o que poderia. Mas a visita, principalmente pela Guiness. Cidade cara, aliás, não tomei nenhuma cerveja barata;

- A ida para o aeroporto de Dublin foi tenso. Achei que não fosse chegar a tempo O busão demorou pra passar e, quando passou, foram 3 de uma vez. Sorte que eu saio sempre com antecedência. Consegui embarcar, mas foi corrido;

- Só deu tempo de embarcar, na verdade, porque a Irlanda também não está preocupada com quem está saindo do país. Não tem imigração na saída, só na entrada. Mas o raio x é bem demorado;

- Indo para Zurique, mais um voo traumático. Uma família de indianos atrás de mim e bem atrás de mim uma menina de uns 10 anos mimada, que estava reclamando, chorando e chutando a minha cadeira. Eu não aguentei. Levantei, virei para trás e falei “você poderia, por favor, parar de chutar a minha cadeira? Pode reclamar, pode chorar, pode gritar, só não chute a minha cadeira”. A irmã dela ficou com vergonha e me pediu desculpas umas 5 vezes;

- Chegando em Zurique, mais uma imigração maldita. O cara também perguntou coisa pra caramba, só aceitou que eu entrasse quando falei que ia ficar 4 dias lá, 2 dias em Barcelona e depois voltava para o Brasil, para trabalhar na empresa X (que é uma multinacional). Fico imaginando como que meu pai, que não fala inglês, passaria por todos esses interrogatórios que eu passei;

- Zurique, bem, eu já conhecia. Foi queijo, chocolate, salsichão e cerveja. Minha irmã ainda me fez comer tudo o que eu não comi durante a viagem inteira.


- Minha mala saiu do Brasil com 15 kg. Em Zurique ela estava com 21, sendo que 3 foram só de chocolate. O resto foi copo que eu fui arrumando pelo caminho. Foram 9 no total;

- Fazer tudo caber na mala foi difícil. Tetris 3D, basicamente. Levei mais de uma hora (uma eternidade para mim, pois faço mala rápido). Para piorar, descobri que ela estava quebrada e o peso só piorou a situação. Mas fiz uma gambiarra com silvertape e rezei para ela aguentar o resto da viagem;

- Cheguei em Barcelona tranquilo, porque não ia ter mais interrogatório. Pelo menos foi o que eu pensei. Quando eu estava quase saindo da sala de desembarque um cara (o último entre eu e a porta) me parou e perguntou de onde eu estava vindo. Falei Zurique e ele perguntou “e antes?”, até eu contar todo o meu histórico. Aí pediu para passar minha mala no raio X. Eu já estava pensando “se ele pedir para abrir a mala eu choro”. Ele pediu;

- Se eu estava preocupado em ser extraditado nos outros aeroportos em Barcelona eu fiquei com medo de ser preso. O cara tirou TUDO da minha mala. Ainda furou o meu chocolate, para ver se era chocolate mesmo. Quando acabou, eu só olhava para todas as minhas coisas em cima de uma mesa e pensando “não vai caber de volta”. Magicamente coube. Acho que eu tinha decorado onde ia cada coisa;

- Se a Itália é o Brasil da Europa, a Espanha é a Argentina. Pelo menos Barcelona. Tudo meio bagunçado, pessoas não muito educadas (não chega no nível da Itália), mas pelo menos o sistema de transporte funciona. Comprei um BCN card que deu direito a andar a vontade de ônibus e metro;

- Gostei de Barcelona, mas achei as atrações turísticas meio caras. Fora as filas quilométricas. Quer dizer, fila mesmo não tinha muito, só que você comprava as entradas para 2 horas depois. Quando você está no centro ainda dá pra ir em outros lugares, mas no Park Guell não tem porra nenhuma em volta. E ainda é um morro gigantesco;

- A Sagrada Família é muito foda. Mas você espera 2 horas para entrar e quando entra, não tem muita coisa pra ver. Dá pra matar tudo em meia hora. Mas como é caro e a espera grande, gastei bem 2 horas lá dentro, lendo tudo, vendo tudo, cada detalhe. Eu só fico com pena do Gerente de Projeto da obra. 100 anos e aquela merda ainda está pela metade. Ainda vão mais uns 20 anos até ficar tudo pronto (ou seja: mais uma geração de GPs);

- O Park Guell é longe para caralho. E é pior que a Sagrada Família: duas horas e meia de espera, no meio do nada, e não tem quase nada pra ver. Lá eu fiquei puto demais de ter ido, porque deixei de ir a outros lugares (meu tempo era muito curto em Barcelona);

- O parque olímpico é outro que é longe pra caramba e que parece estar meio abandonado. Eu acho legal ir e imaginar como eram os dias de olimpíadas, a movimentação e tudo mais. Mas sinceramente só vá se você tiver tempo sobrando. Ah, e use as escadas rolantes. Elas ficam escondidas, mas você não precisa subir tudo a pé;

- No último dia de Europa eu comi Jamon. Ainda bem que foi no último dia, porque aquilo é droga em forma de carne. E é barato (mesmo convertendo para Real). Sem brincadeira, comi meio quilo em uma noite. Fácil, fácil. Foram 2 conjuntos desse aí (o sanduba já tinha Jamon);


- A volta para o Brasil também foi no modo lata de sardinha, sem espaço para esticar as pernas. Isso depois de 12 horas no aeroporto de Roma (como eu falei láááááá em cima). Cheguei em Guarulhos e ainda tive que esperar mais umas 3 horas, mas o que é um peidinho pra quem está cagado?

- Quando cheguei em casa ainda tive que lavar roupa e arrumar tudo. Descansar pra que?

Gostei muito da viagem. Ainda prefiro a primeira que eu fiz pela Europa (Alemanha e Itália), mas foi bem melhor. E dessa vez, como estava sozinho, consegui fazer só o que eu queria. E ainda pude beber o quanto eu queria. Com a cerveja barata como ela é (mesmo transformando em Real), não tem como não encher a cara feliz.

23 de abr. de 2015

Tá de boa

Antes que reclamem que esse blog está morto, deixa eu colocar aqui uma tirinha que resume bem a minha vida nos últimos 2 meses (abril, principalmente:


Só para exemplificar um pouco a razão disso:

- No dia 30 de março, uma segunda-feira, chego para trabalhar e meu telefone toca (8:30 da manhã). Era a portaria, falando que tinha uma carta para mim. Fui buscar e era um aviso de multa de um dos projetos. A multa pode chegar a 1 milhão;
- Pouco depois toca meu telefone. Era o cliente de outro projeto pedindo uma reunião para as 15:00. Aceitei. Fui. Ele estava paralisando um contrato guarda chuva. São mais ou menos 6 projetos. 10 pessoas paradas de uma hora para a outra. Mais 1,5 milhão que deixo de faturar nos próximos 3 meses;
- No dia seguinte, um terceiro cliente me liga. Fala que não quer pagar o boletim de medição inteiro, porque achou nosso trabalho ruim e que ia parar o trabalho. Eu já estava em um nível de putidão tão alto que briguei com o cara. E era a primeira vez que eu estava falando com ele (o projeto era de outro gerente, que saiu no meio do mês e me deixou a bomba). O cara aceita pagar, mas perco mais 150k de faturamento;
- O gerente de engenharia saiu de férias e eu fiquei no lugar dele. Porque eu quase não tenho problemas.....
- Estou trabalhando de 7:30 da manhã até 11:00 todo dia, tentando resolver todos os problemas acima E ainda dando explicações para a diretoria;
- Além disso tudo, ainda estamos com milhões de mudanças e problemas na empresa, além do mercado estar uma completa bosta. A minha cabeça (e a de todo mundo do escritório, na verdade) está em risco;
- Se fossem só os problemas do trabalho, estava bom. Mas tem mais: minha tia foi internada e está na UTI. Um câncer novo (ela teme 2 já, mas tem mais de 10 anos). E pelo estado dela, já deve ter dado metástase;
- Enquanto meu pai fica com ela no hospital, eu preciso cuidar da minha avó, que não pode ir para o hospital e nem dormir sozinha;
- Eu também fiquei doente e fui parar no PS. Não era nada demais, mas perdi uma manhã no médico e fiquei uma semana mal pra caramba;
- Minha mãe, com o egocentrismo normal dela (e absurdo), ainda fica me enchendo o saco para eu resolver os problemas do apartamento dela;
- Ah, lembra que eu vou viajar de férias? Pois é, é daqui uma semana. E ainda não consegui terminar de planejar a viagem (mas já tenho hotéis e passagens);
- O fato de eu sair de férias ainda piora mais a situação: tenho que deixar tudo resolvido até lá;
- Aliás, não preciso comentar que está tudo absurdamente caro, né? Paguei 5 reais na libra, 3,5 no franco suíço. Sorte que eu tinha euros da minha viagem de 2011. Vou passar fome, mas me recuso a trocar mais dinheiro.

Deve ter mais coisa, mas como está acontecendo tudo ao mesmo tempo agora, não consigo lembrar de tudo.

Torçam para que eu consiga sobreviver.

10 de mar. de 2015

Coelhadas

Sim, este blog ainda existe. Tá parado, mas ainda existe. E a melhor forma de colocar os assuntos em dia é o com fatos rápidos:

- Vou tirar férias. Consegui uma super promoção de milhas para a Europa e e maio vou pra lá. Óbvio que invoquei Murphy e a libra subiu pra mais de 5 reais e o Franco suíço tá quase passando o euro. Mas isso é um mero detalhe;

- Vou para Roma (chego por lá, na verdade), depois Bruxelas, Amsterdã, Londres, Dublin, Zurique, Barcelona e volto pra Roma, para voltar pra BH. Aceito dicas de locais para ficar, de preferência baratos e familiares (estou velho para hostel putaria muito louca);

- Já comprei todas as passagens entre os países, menos uma: um trem de Bruxelas pra Amsterdã. Isso porque só aceita o tal verified by visa e essa porra não funciona nem fudendo no banco do Brasil;

- Aliás, um comentário: eu nunca tinha usado o sistema online do banco do Brasil. Agora eu entendi porque todo mundo reclama. Realmente é uma bosta. O engraçado é que eu sou muito fã de todo o resto do Brasil, só essa merda online que não gostei. Um dia conto a saga para liberar o Home banking;

- No mês de fevereiro ganhei um mega vale-night, pois a ruiva foi passar um tempo na França. Planejei fazer 200 coisas (como atualizar o blog) e acabei não fazendo nada. Me senti um inútil;

- A vida no trabalho não está fácil. O mercado está uma merda e estão rolando demissões. O escritório do Rio já reduziu mais da metade. E viva a economia brasileira;

- O clima está muito tenso e estou em pé de guerra com um cara do trabalho. Acho que é a primeira vez que realmente fico puto com um cara da empresa (puto de verdade, a ponto de cogitar sair na porrada). Mas estou me controlando;

- Estou escrevendo este post do hospital. A ruiva fez merda e tive que sair correndo de casa pra trazer ela pra cá. A princípio está tudo bem. Vamos aguardar;

- A empresa me deu um aparelho novo. Já não estava mais aguentando meu S2 surrado, então acabei pegando um s4 mini. Estou usa do há menos de 12 horas e já quero km garantir na parede, de tão ruim. Mas estou achando que é o teclado que está pesado, não todo o resto do software;

- O s4 mini usa micro chip. Precisava então trocar o meu, pois o do s2 é o grande. A burocracia da vivo era tão grande que desisti e cortei o chip que tinha. Funcionou;

- Ganhei um copo da Kwak de presente de natal da ruiva. Queria postar aqui a foto, mas da muito trabalho pelo celular. Quem sabe que do o Blogger tiver um aplicativo decente;

- Ganhei outros 2 copos muito bacanas, mas não chegam aos pés do kwak;

- Contei que meu HD suicidou? Acho que sim. Pois bem, ganhei um hd novo de aniversário e natal da veia. Chegou hoje (sério!);

- Contei que comi pacoquita cremosa? Pois é, comi. E não achei muito graça não. Em compensação, como um doce chamado paçoca de colher que, meus amigos.... Que doce;

- Minha sobrinha veio pro Brasil junto com minha irmã. Tá uma beleza ela falando alemão, alemão suíço, português e inglês numa única frase. E olha que as frases dela costumam ter 6 palavras;

- Tem alguém roncando absurdamente aqui no hospital. Tá uma beleza;

- Dei uma olhada rápida em formas de sair do Brasil para trabalhar. Uma das opções era o Canadá, que tá recrutando. Desisti com a burocracia;

- Sempre me falaram que a ignorância é uma bênção. O duro é quando você descobre as coisas, e pior ainda quando é sem querer. Não, não fui chifrado, é outra coisa;
- Recentemente passei pelo suplício de comprar sapato. Eu odeio comprar sapato, porque meu pé é alto e largo, nenhum sapato cabe nele. Comprei o primeiro que coube e que não custava um rim. No final, até que é confortável;

- Aliás, acho que não comentei aqui: estava sentindo uma dor no pé há mais de ano. Aí te meu vergonha na cara e fui ao medico. Ele me atendeu em 2 minutos e mandou fazer uma ressonância. Fiz a tal ressonância e descobri que estou com fasceite (o famoso esporão). Resultado: fisioterapia;

- Fisioterapia é uma das coisas mais chatas que existe no mundo. São 4 exercícios que faço em 10 minutos e mais 20 minutos de gelo. Um saco. E o pior é que eu não acho que está melhorando.

Bom, acho que é isso. Certamente teria mais coisa pra contar, mas já está tarde e eu estou com sono. E ainda falta um monte pra eu sair do hospital...

5 de jan. de 2015

Os fantasmas se divertem

Aqui em casa sempre acontece umas coisas estranhas. O suicídio e a ressurreição da minha TV, por exemplo (caramba, esses posts são velhos!). E no final de dezembro tivemos um novo evento: o suicídio do meu HD externo.

Como o ano estava acabando, resolvi formatar o meu notebook do trabalho (que estava um lixo). Fiz o backup de tudo num final de semana (na verdade, só atualizei) e deixei o note com o cara da TI. Antes, só por precaução, copiei um arquivo de emails do projeto em um pen drive. Sabem como é, sou um backup freak.

Três dias depois, pego meu notebook e já de madrugada, quando chego em casa (foi um dia de muito trabalho, pra variar), resolvo copiar o backup para o note e testar no dia seguinte no trabalho (tinha que estar tudo funcionando antes das férias coletivas e su só teria 2 dias pra resolver qualquer problema). Liguei o notebook, liguei o HD (que é grandão, da época que 1 TB era uma coisa absurda e tinha que ter até fonte externa pro HD, pois os 5 volts do USB não davam conta) e deixei sincronizando. Como eu sabia que ia demorar, fui dormir as 4 horas que me restavam de noite.

Mais ou menos uma hora depois eu acordo com um barulho alto. Olho para o lado e vejo meu HD no chão, agonizando (sério, ele estava fazendo um barulho sinistro, típico de agonia). Sem entender o que estava acontecendo, levantei, olhei para ele, pensei "fudeu, quebrou", olhei para o meu pen drive, copiei o arquivo pst do projeto e fui dormir. "Depois eu vejo isso aí".

No dia seguinte, fui tentar entender o que aconteceu. Até hoje eu não consegui entender. O bagulho era todo emborrachado, não sei como ele "pulou" da baqueta em que estava para o chão. O fato é que não funciona mais. A minha sorte é que o arquivo mais importante, o dos emails do projeto, estava no pen drive. E sorte mesmo que eu sou backup freak e tenho a cópia dos arquivos todos em outros 2 HDs (no meu desktop e no meu notebook particular). Os dois estavam meio desatualizados (coisa de 1 mês), mas tudo o que eu precisava estava na rede da empresa e/ou não tinha sido atualizado recentemente. A única perda foi 1 arquivo de emails, mas que não era tão importante assim.

E ainda me perguntam por que eu sou tão psicopata com backups.....

Mas que tem algum espírito brincalhão aqui em casa, isso tem.

2 de jan. de 2015

Retrospectiva 2014

É, eu sei. Já estamos em 2015. Mas não consegui fazer em 2014, então não reclamem.

Aliás.... 2014 foi um ano de poucos posts. Segundo o blogger foram apenas 39. Isso dá praticamente 3 posts por mês. Uma vergonha. Mas tem uma razão: 2014 foi o ano que eu mais trabalhei na vida. Eu trabalhei pra caralho. Mas vamos na ordem cronológica (imagina aí um efeito de flashback).

Comecei o ano morando no Rio. Era para eu ter voltado em 2013, mas como não tinha projeto em BH e ainda precisavam de mim no Rio, estiquei a minha estadia na cidade calamitosa. Fiquei até o final de fevereiro, se não me engano (não tem post nenhum esse ano, tô tendo que tirar tudo da minha já ruim memória). Aí teve carnaval, férias e voltei a trabalhar em BH em abril (ou no dia 30 de março, pelo que estou vendo no calendário).

A minha vida no rio era uma mamata (dentro dos meus padrões), principalmente depois que mudamos de prédio (que era longe pra caralho e tinha horário de ônibus para ir e voltar). O trabalho era tenso (envolvia demissões), mas eu trabalhava lá umas 9 horas por dia (dia ou outro eu ficava um pouco mais - uma vez me fodi, inclusive), mas em termos de volume, não era nada absurdo.

Além de "pouco" trabalho, eu ainda conseguia correr (cheguei a emagrecer um bocado) e visitar uns poucos lugares do rio que ainda não conhecia (e tinha vontade de conhecer, lógico). O Rio também me rendeu um sequestro. Até hoje eu encho o saco do Véio com isso. A vantagem da temporada no Rio é que ganhei milha pra caralho e cheguei a virar diamante na Gol. Mas também tive momentos de tensão nas viagens (não podia ser fácil).

O lado bom dessa primeira fase do ano é que terminou, finalmente, meus contratos de Manaus. Na teoria não preciso voltar mais lá, mas vez ou outra pinga um email na minha caixa de entrada para resolver.

A primeira fase foi encerrada com merecidas férias. Fui para o Rio Grande do Sul e para o Uruguai. Conheci umas 8 cidades nessa brincadeira (em....10 dias?). Tudo cidade pequena e sem muita coisa pra ver. E praticamente conta como 2 países, dada a diversidade do RS.

Aí eu voltei pra BH e meu amigo... foi o caos. Foi (está sendo, na verdade) o projeto mais merda que eu já peguei. Já trabalhei mais em picos de um mês, mas estou num ritmo cabuloso desde que peguei esse projeto maldito. Até durante os jogos do Brasil na copa eu trabalhei. Era tanto trabalho que eu não tinha forças para blogar (e nem tinha muito assunto, já que eu só trabalhava). Eu só ligava o computador em casa para trabalhar. Se não tivesse que trabalhar, não queria nem ver a tela brilhando. Tela, aliás, que queimou e eu tive que trocar.

Apesar de todo esse caos, eu ainda consegui algumas proezas, como trocar de carro (que tinha até som e me fez mudar a forma de dirigir), dar um pulo no Paraguai (e voltar sem nenhuma muamba), comprei um notebook novo (o antigo estava uma merda), sair com uma menina (mesmo que por pouco tempo) e ainda engatar um namoro (esse eu ainda não sei como consegui).

O saldo do ano foi negativo. Apesar de ter conseguido algumas coisas boas (a Ruiva, por exemplo), sinto que perdi um ano só trabalhando. Tanto que meu chefe chegou a fazer piada que eu precisaria fazer reintegração à sociedade. E ele não estava brincando: eu realmente passei um ano afastado do mundo.

E como o ano foi de merda, terminou da pior forma possível: com o falecimento do pai de um amigo. Ou seja: comecei 2015 indo a um enterro.

Tomara que este esterro seja também simbólico de um ano de merda e de um período sem vida. Que 2015 seja muito melhor.

22 de dez. de 2014

Início de namoro modo hard

Eu sei, eu ando muito sumido. E tem uma razão: estou namorando. E esse é o início de namora mais difícil que eu já tive. Não por ela (que vou chamar de Ruiva), mas por tudo o que aconteceu desde que nos conhecemos. Então vamos de historinha....

Saímos pela primeira vez em 2 de novembro. Sim, finados. Era um presságio e eu não sabia. Eu já conhecia a história dela e não era pra qualquer um aguentar sem ficar um pouco maluco não:

- Estudou veterinária;
- Largou tudo quase formando e foi fazer direito;
- Logo que entrou na faculdade o pai teve um AVC e ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado;
- Terminou um longo namoro com um médico pouco antes de formar;
- Formou;
- Pouco depois de formar a mãe ficou doente e foi internada. O responsável pelo andar era o ex-namorado ela. A médica responsável era a atual namorada do ex-namorado;
- A mãe faleceu e ela teve que largar quase tudo para cuidar do pai.

Nos 11 meses antes de nos conhecermos ela estava estudando para concurso e cuidando do pai. Aí saímos e duas semanas depois o pai dela foi internado. No mesmo hospital onde a mãe dela ficou. No mesmo andar. Aquele andar que o responsável era o ex-namorado dela. E não era nada simples, teve direito a UTI logo de cara. Mas ela ficava lá, do lado dele (quando ele saiu da UTI), o dia inteiro e a noite inteira.

DOIS DIAS antes de completar um ano da morte da mãe dela, o pai dela morreu (três dias antes do meu aniversário). Eu larguei tudo o que estava fazendo pra ajudar. E conheci a família dela no velório, da seguinte forma:

- Esse é meu irmão. Essa é minha cunhada. Essa e minha sobrinha. Essa é minha avó. E esse é meu pai (deitado no caixão).

Bacana, né? Pois é, isso tudo na fase final do meu projeto, precisando entregar 5 relatórios, 2 apresentações e ainda tendo que gerenciar a equipe. Tudo isso a distância, no cemitério.

Eu não comemorei meu aniversário, óbvio. E esse ano não tinha muito o que comemorar mesmo, foi um ano de merda. E as duas semanas seguintes foram complicadíssimas. Era um olho no peixe (a Ruiva) e outro no gato (o projeto). Cada dia um deles me deixava acordado de madrugada. E teve dia que foram os dois: e fui pra casa dela e, depois que ela dormiu, eu liguei o computador pra trabalhar.

Agora, que estou de "férias" (são coletivas e eu estou de sobreaviso), consigo dar bastante atenção pra ela. Mas não está sendo fácil, porque tem uma prova do concurso que ela estava estudando há quase 1 ano no comecinho de janeiro.

Eu sempre namoro mulheres com problemas familiares, mas essa está sendo benchmark.

24 de ago. de 2014

E aí eu fui pro Paraguai

Não, não é um bem vindo. Não estou com tempo pra isso. Mas esse blog anda muito empoeirado então resolvi postar alguma coisa.

Se não me engano, postei aqui que consegui uma super promoção de milhas da Gol para o Paraguai e aproveitei um feriado de BH para colocar mais uma bandeira em um país da América do Sul (agora falta Bolívia e, se voltar a ser um país normal, Venezuela).

E assim foi. Na ida, tinha uma espera considerável em Guarulhos e finalmente pude aproveitar tudo o que o smiles pode oferecer: usei a sala VIP da Gol. E que sala, meus amigos. Ela é gigante e tem comida e bebida pra caralho. Não me perguntem a razão, mas não tirei nenhuma foto... Mas acreditem, foi realmente tratamento VIP.
Só que o vôo atrasou e eu acebi ficando umas 2 horas em frente o portão de embarque (ainda era embarque remoto).

Cheguei em Assunção já meio tarde e só deu para dar um pulo no centro, trocar dinheiro e descobrir, no centro de apoio ao turista, que TAMBÉM era feriado em Assunção e que nada abria no feriado. E nem no sábado. E nem no domingo. Fiquei felizão.

Puto da vida, pelo menos consegui tirar fotos de alguns prédios históricos da cidade, que a noite tem uma iluminação foda (a maioria deles, pelo menos). Saca só:


Cheguei no hotel e replanejei toda a viagem considerando a informação que era feriado. Realmente teve muita coisa que ficou fechado, mas uns 2 lugares lugares abriam no feriado e alguns no sábado. Não deu pra ver tudo, mas é a vida...

No sábado, andei pra caralho. Acho que rodei a cidade inteira a pé. O lado bom é que vivi a full paraguay experience. Começou assim: perto do hotel tinha alguma coisa da polícia e vi a tropa de choque preparada para a guerra. Virei a esquina e dei de cara com isso:


Sim, manifestação. Já é o terceiro ou quarto país da américa do sul que eu pego manifestação. E essa ainda foi com direito a pessoas carregando porretes e pedaços de madeira para ir para a briga com a polícia. Entrei num parque qualquer fechado e esperei a manifestação passar.

Além disso, consegui entrar no Defensores del Chaco, que nunca fica aberto, mas estava rolando uma obra e tinha um portão dando sopa. Ninguém me impediu, fui entrando, entrando, entrando e aí dei de cara com isso:


Continuando a andança, cheguei na catedral da cidade, onde estava rolando uma missa gigante. Tinha gente pra caralho. E aí, no meio de muita gente, rolou a coisa mais inesperada da viagem: fui abordado por um policial. O cara chegou todo gente boa, cumprimentando e tal. Aí pediu o passaporte, começou a fazer um monte de perguntas estranhas, tipo que dia chegamos, por onde chegamos, quanto temos iríamos ficar, o hotel... Estava achando estranho, aí lembrei que uma colega de trabalho tinha falado que a polícia era corrupta e que tentava cobrar propina. Nessa hora catei meu passaporte da mão do guarda.

Nessa hora chegou um outro policial, de graduação maior, e o primeiro falou "são brasileiros". O da patente mais alta falou "ok. prossiga". E o cara começou: "e dinheiro? Onde vocês trocaram?". Na verdade, ele teve que repetir 3 vezes, porque eu realmente não estava entendendo o que ele estava falando, porque ele abaixou o tom de voz e começou a falar rápido. Falei que tinha sido em casa de câmbio e ele insistindo no assunto. Aí soltei um "realmente não estou endentendo o que você está falando". Ele viu que não ia dar em nada e me liberou falando para eu tomar cuidado que ali era perigoso. Fiquei puto, mas segui em frente. E desde esse momento passei a evitar a polícia. Triste, mas é verdade.

Continuei a peregrinação pela cidade e ainda vi uma "carreata" (não sei como chama, de verdade) das pessoas carregando a santa oficial da cidade até a catedral. Tirei fotos, mas essa ainda está na máquina. Andando mais cheguei no palácio do governo. E dei sorte, porque pouco depois começou a cerimônia de recolhimento da bandeira. Muito bacana, não sei se tem todo dia, mas percebi que alguns paraguaios foram para lá acompanhar, porque cantavam o hino junto com os militares.


A noite, depois dessa andança toda, ainda vi uma coisa que nunca ia imaginar: um cara, no meio da rua, pendurou uma TV de 32" em um muro, ligou um aplificador de guitarra na TV e estava vendendo DVD pirata. Sim, é isso mesmo. A foto está ruim, mas olha só:


No dia seguinte ainda fui em uns museus e o mais legal deles é o Museu do Barro. Fica longe pra caralho, então fui de busão. E os ônibus são muito, mas MUITO velhos. Muito velhos mesmo. Esqueci de tirar fotos, mas acredite, são MUITO velhos. A ponto do Véio falar que "usei desses quando era criança". Voltando ao museu, uma escultura chamou a minha atenção. Certeza que a Disney a viu antes de fazer o Rei Leão:


De lá, resolvi procurar muamba. Sério andei muito. Num sol e calor cabulosos. Fui em 3 shoppings, andei muito pelas ruas e só vi DUAS lojas com eletrônico. Uma delas lembrava a Ricardo Eletro. E os preços eram do Brasil. Voltei do paraguai sem NENHUMA muamba. Pelo menos comprei um copo, do bicentenário paraguaio (que foi em 2011, por sinal).

No domingo, não tinha muita coisa pra fazer, já que nesse dia nada fica aberto. Nem mesmo as igrejas (por sinal, não vi NENHUMA aberta). Quer dizer, tinha o zoológico / jardim botânico. E para lá eu fui. Mas a minha sorte é tão grande, mas tão grande, que tinha um evento para crianças no dia. E o lugar estava lotado. Para terem uma idéia, o museu de história natural (patético) tinha fila para entrar. Daquelas que só entra gente quando sai alguém.

O zoológico não fica muito atrás. É pequeno e não tem muitos bichos. Tem tigre pro resto da vida (são uns 10, pelo menos), mas de diferente, não tem muita coisa não. Até o de BH é melhor (MUITO melhor). Mas lá eu vi, pela primeira vez na vida, um tatu vivo. E não é que é até legal?


Instantaneamente tocou na minha cabeça OOOEEEAAAAAA.

De resto, não teve muita coisa pra fazer. Passamos em mais algumas igrejas (fechadas, como eu disse), em alguns prédios do governo (fechados) e em mais um shopping (esse aberto). Ainda aproveitamos para provar mais algumas iguarias paraguaias (a comida é boa) e voltamos para o hotel para fazer as malas.

Na segunda cedo eu fui comprar o tal copo do bicentenário (a porra da loja estava fechada nos demais dias), o Véio foi comprar uns artesanatos e quando vimos já estava na hora de voltar pro hotel pegar as malas e voltar pro Brasil. Não fiquei muito triste, porque se estava sol e calor no sábado, na segunda estava nível Rio: sol ardendo e calor abafado de uns bons 32°C. Isso 9 da manhã.

Óbvio que o vôo atrasou (tinha outra mega conexão em guarulhos, mas na volta não pude usar a sala VIP) e cheguei em casa quase de madrugada. Estava morto (fisicamente), mas com a cabeça tranquila. Algo que não conseguia desde Abril.

11 de jun. de 2014

Esparromóvel III

Em meados de 2009, troquei de carro. O Esparromóvel deu lugar ao Esparromóvel Jr. Esse aqui:


Quando fui trocar de celta para celta, não tive dúvidas: o carro era muito bom e não deu trabalho quase nenhum. Mas o segundo celta, rapaz, esse me fez passar raiva. Com UM ANO de carro começaram os barulhos estranhos. Pode ser porque eu meti ele no mato, mas depois que passou pela revisão, era para ter resolvido. Mas não resolveu.

Com o passar do tempo, o barulhos só pioraram e estavam incomodando MUITO. Muito MESMO. E isso foi no começo do ano passado. Eu já estava pensando em trocar quando me mandaram para o Rio. Estando lá, não fazia sentido trocar de carro.

Voltei para BH e a primeira coisa que eu fiz foi começar a procurar um carro novo. E não seria um Celta: apesar de ser um carro muito bom, eu queria mudar. E também queria um motor maior que 1.0. Mais uma vez: não que eu precisasse, mas na época que namorei a Ex-Srta Esparroman dirigi o Fox 1.0 dela e vi que não dava. O carro não rendia.

E mês passado comecei a olhar: primeiro fiz uma pesquisa na internet para dar uma filtrada. Também conversei com alguns amigos e ficaram 4 opções: Onix, HB20, Etios e New Fiesta.

Aí fui para o trabalho de campo. E lembrei o quanto é chato escolher carro. Fiz test drive em todos. O único que não gostei foi o Onix. Achei o carro muito pesado para o motor 1.4, não andava.

O Etios me conquintou na hora: embreagem curta, marchas curtas, carro muito esperto, mesmo com o ar condicionado ligado (e olha que era o 1.3). O HB20 também era muito bom, mas era um motor 1.6 (ou seja: consome mais). Mas depois pequisando vi que ele tem um problema na suspensão traseira. O New Fiesta também gostei muito (além de ser bonito pra caralho), mas o custo de manutenção é cabuloso: a cada 6 meses tem que ir pro mecânico.

A escolha lógica era o Etios: além de ser mecânica Toyota, o custo de manutenção era baixo e ele era o mais barato deles todos. Com uma diferença absurda de preço, pois a Toyota estava dando um desconto de 2 conto em qualquer carro fabricado em Maio.

A próxima fase seria pesquisar em lojas Toyota. Em BH é fácil: são 4. O problema é que fica uma em cada canto de BH (sério). Eu já tinha ido em 3 lojas e tinha uma noção boa de quanto teria que pagar e de quanto pagariam pelo meu carro antigo. Aí num sábado cedo fui na 4 loja logo que ela abriu. Foi no final do mês, lógico, porque os vendedores ficam desesperados para bater a meta.

Deram o preço pelo carro novo, pelo carro antigo, pelos acessórios... Estava tudo bem parecido com os demais lugares. Aí comecei a usar todas as minhas técnicas de negociação. Aperta daqui, aperta dali, faz cara de quem não gostou... Chama a Gerente.

E ela veio falando que precisava vender 10 Etios só naquele dia. Meu olho brilhou: ia conseguir sangrar a mulher. E assim eu fiz: falei que tinha outras propostas melhores e que foi sem nem chamar a gerente. Ou seja: conseguiria algo bem melhor quando voltasse na loja. Aí aconteceu o seguinte diálogo:

- Quanto ofereceram?
- XXX com todos esses acessórios, emplacamento e IPVA.
- Sério? Jura que fizeram isso?
- Juro. Tá lá no meu carro (falei 500 conto a menos não tinha o IPVA incluso, mas ela não precisava ficar sabendo).
- Noooosssaaa. Tá, deixa eu ver o que eu consigo fazer.

Foi em algum lugar e conversou com alguém. Voltou e falou que dava pra cobrir e dar mais 500 reais de desconto. Aí falei que ia voltar na outra loja, porque lá ainda conseguiria algo melhor. Saí da loja e, 5 minutos depois, a vendedora me ligou pedindo pra ela ter o last call.

Fui numa outra loja que com a certeza que conseguiria coisa melhor. Tinha sido a primeira loja que eu tinha ido e o vendedor era muito bom, além de o preço do carro estar bem mais baixo. Os acessórios nem tanto, mas era onde eu ia negociar. E realmente consegui, mas não tinha na cor que eu queria. Lembra da história da fabricação em Maio? Pois é, fiquei com o toba na mão.

Com medo de ficar sem carro, pois nas outras lojas só tinha 1 da cor que eu queria, liguei para vendedora que tinha dado a menor oferta na semana anterior e falei: "consegui por tanto, com os acessórios, emplacamento e IPVA. Vê aí o que você consegue fazer.". E tentei ligar para a que eu tinha ido mais cedo, mas ela estava em atendimento.

Passou meia hora e nenhuma das duas me ligou. Fiquei preocupadíssimo e comecei a dirigir para a loja que eu já tinha uma proposta firme. No meio do caminho, a outra vendedora me ligou e falou "olha, você deve ser bom negociador mesmo. Foi difícil mas eu consegui cobrir aquela oferta. Vem pra cá pra gente fechar o negócio".

Aí eu relaxei. E fui até a loja. Chegando lá ela falou "tô achando que você não é engenheiro. Deve ser do mercado de vendas". Sorri e falei "engenheiro também precisa negociar". Ela riu e fomos assinar a papelada. O carro ainda estava em trênsito e só ficaria pronto na semana seguinte.

E durante 7 dias eu fiquei andando igual idoso, para não ter nada no Esparromóvel Jr. E no começo desse mês peguei o Esparromóvel III. Olha ele aí:

Percebe-se que gosto de carro prata.

A entrega do carro supostamente leva 40 minutos. 40 minutos eu fiquei ESPERANDO para o carro chegar. A entrega mesmo levou uns 10 a 15. O cara é bastante atencioso, mas deu uma corrida para tirar o atraso. E eu ainda fiz uma vistoria no carro que pouca gente faz. Achei uns pontos sujos, que o cara limpou na hora.

Na última olhada para o Esparromóvel Jr lembrei de todas as aventuras, as viagens com a Ex-Xuxu e todos os momentos juntos, a conquista da Ex-Srta Esparroman, o término com a Ex-Srta Esparroman (não tivemos muitos momentos nele) e, por úĺtimo, que eu fiquei livre de todos os barulhos que ele estava fazendo.

E a primeira coisa que eu fiz quando peguei o Esparromóvel III foi liguar o rádio e o ar condicionado (o Jr não tinha nenhum dos 2). Saí da loja e desliguei o ar, porque gasta muito combustível.