É isso mesmo que vocês estão pensando. E foi mais ou menos assim.... (efeito flashback)
Era véspera de feriado. Último dia antes de eu sair de férias. Final de expediente, decidi sair para comemorar. Resolvi deixar o celular corporativo na mochila, já que era mais de 8 da noite e ninguém iria me ligar mais.
Sai e, quando cheguei em casa, tiro minha mochila do porta-malas do carro e escuro meu telefone tocando. Era o alerta de ligações perdidas.
Olho e, além da ligação perdida, tinha uma mensagem. Ambas eram do meu antigo chefe, que tinha acabado de virar diretor na empresa. Falava mais ou menos assim: "já comprou seu apartamento? Estou precisando de ajuda aqui no Rio. Pense sobre isso nas suas férias e, se estiver muito ansioso, me ligue".
Eu estava cansado, precisando de férias, e a última coisa que eu queria era pensar em mudar para o Rio. Então decidi que só ia pensar nisso depois que eu voltasse a trabalhar. E assim eu fiz.
No dia que voltei de férias, liguei para o chefe e falei "voltei de férias, que ajuda você está precisando?". Ele explicou que tinha uma demanda que era meu número: fazer o trabalho da época da consultoria, mas na empresa. E depois que eu terminasse esse trabalho, ficaria no Rio para gerenciar projetos, já que falta GP bom lá.
Falei que o rio não me apetecia e que não queria mudar para lá e nem abandonar meus projetos. A melhor opção, eu pensava, era ficar parte em BH, cuidando dos projetos, e parte no Rio, prestando consultoria.
Essa ideia não o agradou, então ele fez uma nova proposta: 6 meses no Rio, em transferência temporária, e depois voltar para BH. E nesse meio tempo ele tentaria me convencer a mudar para o Rio de vez.
A transferência temporária é o seguinte: a empresa dá casa (ou hotel), uma grana para ajuda de custos e "se fode aí negão pra voltar pra casa".
Fiz umas contas, conversei com meu pai, conversei com a minha mãe, conversei com a srta Esparroman e decidi que a empresa estava precisando de mim no rio. Era uma chance boa de aparecer, já que responderia direto para a diretoria.
De cara, me colocaram em um curso em São Paulo (Jundiaí, na verdade). E ia ter um período de transição, já que meus coordenadores estão de férias e preciso fazer a passagem dos meus projetos para o novo gerente.
E de junho a dezembro serei carioca.
Definitivamente a minha empresa não quer que eu tenha uma vida amorosa duradoura. Mas eu vou lutar contra tudo e contra todos. Rezem por mim...
25 de mai. de 2013
21 de mai. de 2013
Em busca do telefone sagrado
Semana passada eu fiquei no Augustos Copacabana, hotel que eu tinha ficado ha uns 6 meses. Eu lembrava do hotel ter os seus problemas, como vocês podem ver no post em que fale dele. Mas, olha, ele é pior do que eu imaginava.
A TV é uma bosta, com uma imagem horrorosa (parece até TV a Gato), o chuveiro não é tão bom quanto eu lembrava (mas pelo menos o quarto que eu fiquei desta vez tinha uma barreira no box para não inundar o banheiro) e a mesa de trabalho é menor do que eu imaginava (o que eu achava que era impossível).
Mas o pior de tudo, desta vez, foi a falta de informação. Cheguei no quarto, morto de cansaço e de fome e fui ver o que tinha de opção no serviço de quarto. Achei rápido o "cardápio", que estava junto com as regras do hotel (vai entender). Quase tive um infarto vendo os preços, mas qualquer hotel cobra TRINTA REAIS por um bauru (pão, carne, uma fatia de presunto, uma fatia de queijo e um ovo). Ah, é, mas vem com batata frita.....
Como eu me recusava a pagar este valor, escolhi um xegg mesmo (DEZOITO REAIS). Agora era só ligar para o serviço de quarto e fazer o pedido. Li o tal livreto de regras do hotel e não achei o ramal.
Comecei a procurar pelo quarto inteiro um outro papel onde pudesse achar o telefone. Nada.
Procurei o telefone da recepção. Nada.
Procurei na internet qualquer ramal. Nada.
Peguei o telefone e disquei 1. Nada.
Peguei o telefone e disquei 0. Deu sinal para ligação externa. (ou seja, nada).
Voltei a procurar no quarto. Achei um papel em que a camareira se apresenta e coloca o ramal de contato. 206. "Vai ser lá mesmo", pensei. Mas achei estranho que existia um quarto 206 e provavelmente se eu discasse para o número cairia lá. "Foda-se, estou com fome". Disquei. Uma voz feminina, com sotaque francês, atendeu.
- Alô? (não sei como escreve alô em francês)
- É da camareira?
- Sorry, I'm not understanding.
- Wrong number.
E continuei procurando. Até que pensei que poderia ligar para o telefone do hotel e pedir o ramal do serviço de quarto (sair do quarto não era uma opção, já estava de pijama). Liguei. Da primeira vez, atenderam, eu falei e ficou mudo. Na segunda vez, caiu na central do hotel, perguntei novamente e finalmente me falaram.
Fiz o pedido e UMA HORA DEPOIS chegou a comida. POrque fazer um xegg realmente demora muito..... Pior: ainda estava bem ruim.
No dia seguinte, quando estava saindo do banho para tomar café da manhã, olhei para o telefone do banheiro e, surpresa, lá tinha os ramais do hotel. Porque no banheiro é o lugar mais lógico de se procurar telefones....
A TV é uma bosta, com uma imagem horrorosa (parece até TV a Gato), o chuveiro não é tão bom quanto eu lembrava (mas pelo menos o quarto que eu fiquei desta vez tinha uma barreira no box para não inundar o banheiro) e a mesa de trabalho é menor do que eu imaginava (o que eu achava que era impossível).
Mas o pior de tudo, desta vez, foi a falta de informação. Cheguei no quarto, morto de cansaço e de fome e fui ver o que tinha de opção no serviço de quarto. Achei rápido o "cardápio", que estava junto com as regras do hotel (vai entender). Quase tive um infarto vendo os preços, mas qualquer hotel cobra TRINTA REAIS por um bauru (pão, carne, uma fatia de presunto, uma fatia de queijo e um ovo). Ah, é, mas vem com batata frita.....
Como eu me recusava a pagar este valor, escolhi um xegg mesmo (DEZOITO REAIS). Agora era só ligar para o serviço de quarto e fazer o pedido. Li o tal livreto de regras do hotel e não achei o ramal.
Comecei a procurar pelo quarto inteiro um outro papel onde pudesse achar o telefone. Nada.
Procurei o telefone da recepção. Nada.
Procurei na internet qualquer ramal. Nada.
Peguei o telefone e disquei 1. Nada.
Peguei o telefone e disquei 0. Deu sinal para ligação externa. (ou seja, nada).
Voltei a procurar no quarto. Achei um papel em que a camareira se apresenta e coloca o ramal de contato. 206. "Vai ser lá mesmo", pensei. Mas achei estranho que existia um quarto 206 e provavelmente se eu discasse para o número cairia lá. "Foda-se, estou com fome". Disquei. Uma voz feminina, com sotaque francês, atendeu.
- Alô? (não sei como escreve alô em francês)
- É da camareira?
- Sorry, I'm not understanding.
- Wrong number.
E continuei procurando. Até que pensei que poderia ligar para o telefone do hotel e pedir o ramal do serviço de quarto (sair do quarto não era uma opção, já estava de pijama). Liguei. Da primeira vez, atenderam, eu falei e ficou mudo. Na segunda vez, caiu na central do hotel, perguntei novamente e finalmente me falaram.
Fiz o pedido e UMA HORA DEPOIS chegou a comida. POrque fazer um xegg realmente demora muito..... Pior: ainda estava bem ruim.
No dia seguinte, quando estava saindo do banho para tomar café da manhã, olhei para o telefone do banheiro e, surpresa, lá tinha os ramais do hotel. Porque no banheiro é o lugar mais lógico de se procurar telefones....
19 de mai. de 2013
Certificado
Como vocês sabem, a minha empresa é do grupo de uma empresa multinacional. E como toda empresa multinacional, tem muita burocracia envolvida. A primeira delas é a classificação dos projetos, digamos, 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7, que leva em consideração o valor, risco, dificuldade, etc. E para cada uma dessas classificações existe uma certificação interna que te permite gerenciar estes projetos. O PMP me permitia gerenciar projetos 4, 5 e 6. Mas atualmente eu tenho um projeto 3, então precisava me certificar o mais rápido possível para resolver essa não conformidade.
O processo de certificação é o seguinte:
1) Preenche um formulário colocando toda a sua experiência em GP e manda para uma equipe avaliadora, Se você for aceito, pode passar para a fase 2.
2) Faz uma prova para provar que você tem conhecimntos teóricos. Quem tem alguma certificação reconhecida (PMP, por exemplo), pode pular direto para a fase 3.
3) Participa de uma banca composta de 3 pessoas: uma pessoa do PMO corporativo, uma pessoa do financeiro e uma pessoa do RH.
As duas primeiras fases são relativamente fáceis e dificilmente alguém "agarra". A terceira já foi fácil, mas de uns temps pra cá o pessoal da banca tem sido mais rigorso e tem sido comum algumas reprovações. Como ser reprovado não era uma opção muito boa, fiquei ligeiramente preocupado.
Marcaram a minha banca junto com outras 4 pessoas. As bancas duram umas 3 horas, então era uma pessoa pela manhã e outra a tarde, divididos em 2 dias. Eu seria a pessoa 3 (ou seja: faria na manhã do 2 dia). Mas como seria beeeeem depois das minhas férias, liguei o foda-se e deixei para pensar nisso mais perto da data.
E a data chegou rapidinho. Mas tão rapidinho que eu não tive tempo de preparar nada. No dia anterior eu estava tranquilo, até que a primeira pessoa a apresentar ser reprovada. Ela ficou tão puta que foi pra casa, então não deu para pegar nenhuma informação.
A pessoa da tarde entrou para a sabatina e ficou quase duas horas lá. Quando saiu, exausta, falou que eles pediram meia hora para discutir o desempenho dela. E nessa meia hora o cara começou a me contar como tinha sido.
O cara foi sabatinado foda. Pediram para ele explicar tudo do contrato: fator de reajuste, multas, resultados financeiros, equipe. E ele foi lá escrevendo tudo no flip chart. E eu anotando aquilo tudo, ja que teria tempo para escrever algumas coisas antes.
Fiquei semi-desesperado. O projeto que eu ia apresentar acabou faz algum tempo e eu não lembrava nada. Quer dizer, eu achava que não sabia. A noite,na hora de fazer a minha cola (pode usar cola), eu vi que eu sabia quase tudo. E montei uma cola sinistra. Para não parecer aquela coisa mecânica, fiquei pensado na melhor forma de falar todas as informações que a banca pediu para o cara de forma "limpa", para não ficar na cara que eu estava falando aquilo só porque eles pediram.
Eu fiquei umas 3 horas montando a minha estratégia, até que deu 10:30 da noite e eu, que tinha acordado 3:30 da madrugada, não aguentei mais e fui dormir. Não tinha mais nada que eu podesse fazer e/ou decorar.
No dia seguinte, fui para a apresentação. A primeira dica que o cara tinha me dado antes era: escreva tudo no flip chart, já que eles vão te pedir. E assim eu fiz: fiquei MEIA HORA escrevendo nas folhas, sem dó das árvores que foram mortas. E quando acabei de escrever, comecei a falar. E falei. Falei durante uma hora como se não houvesse amanhã. Me perguntaram coisas pontuais, embolei para explicar uma coisa sobre os riscos do projeto e...acabou. Me perguntaram muito pouco. Falaram um "ok, agora vai passear que vamos conversar sobre a sua apresentação".
Eu saí de lá preocupado. Não me sabatinaram e durou menos de 1:30. E para piorar, levaram quase uma hora conversando sobre a minha apresentação. Quando me chamaram, tinha certeza que não tinha passado. Mas foi o contrário: não só tinha passado como a minh apresentação tinha sido tão completa que não tiveram que perguntar muito.
Mas a cereja do bolo foi quando perguntaram a minha idade. Falei "31" e o cara respondeu: "preservado no formol, hein? Tem cara de novo".
E agora eu tenho carteira para dirigir uma carreta dentro da empresa mãe.
O processo de certificação é o seguinte:
1) Preenche um formulário colocando toda a sua experiência em GP e manda para uma equipe avaliadora, Se você for aceito, pode passar para a fase 2.
2) Faz uma prova para provar que você tem conhecimntos teóricos. Quem tem alguma certificação reconhecida (PMP, por exemplo), pode pular direto para a fase 3.
3) Participa de uma banca composta de 3 pessoas: uma pessoa do PMO corporativo, uma pessoa do financeiro e uma pessoa do RH.
As duas primeiras fases são relativamente fáceis e dificilmente alguém "agarra". A terceira já foi fácil, mas de uns temps pra cá o pessoal da banca tem sido mais rigorso e tem sido comum algumas reprovações. Como ser reprovado não era uma opção muito boa, fiquei ligeiramente preocupado.
Marcaram a minha banca junto com outras 4 pessoas. As bancas duram umas 3 horas, então era uma pessoa pela manhã e outra a tarde, divididos em 2 dias. Eu seria a pessoa 3 (ou seja: faria na manhã do 2 dia). Mas como seria beeeeem depois das minhas férias, liguei o foda-se e deixei para pensar nisso mais perto da data.
E a data chegou rapidinho. Mas tão rapidinho que eu não tive tempo de preparar nada. No dia anterior eu estava tranquilo, até que a primeira pessoa a apresentar ser reprovada. Ela ficou tão puta que foi pra casa, então não deu para pegar nenhuma informação.
A pessoa da tarde entrou para a sabatina e ficou quase duas horas lá. Quando saiu, exausta, falou que eles pediram meia hora para discutir o desempenho dela. E nessa meia hora o cara começou a me contar como tinha sido.
O cara foi sabatinado foda. Pediram para ele explicar tudo do contrato: fator de reajuste, multas, resultados financeiros, equipe. E ele foi lá escrevendo tudo no flip chart. E eu anotando aquilo tudo, ja que teria tempo para escrever algumas coisas antes.
Fiquei semi-desesperado. O projeto que eu ia apresentar acabou faz algum tempo e eu não lembrava nada. Quer dizer, eu achava que não sabia. A noite,na hora de fazer a minha cola (pode usar cola), eu vi que eu sabia quase tudo. E montei uma cola sinistra. Para não parecer aquela coisa mecânica, fiquei pensado na melhor forma de falar todas as informações que a banca pediu para o cara de forma "limpa", para não ficar na cara que eu estava falando aquilo só porque eles pediram.
Eu fiquei umas 3 horas montando a minha estratégia, até que deu 10:30 da noite e eu, que tinha acordado 3:30 da madrugada, não aguentei mais e fui dormir. Não tinha mais nada que eu podesse fazer e/ou decorar.
No dia seguinte, fui para a apresentação. A primeira dica que o cara tinha me dado antes era: escreva tudo no flip chart, já que eles vão te pedir. E assim eu fiz: fiquei MEIA HORA escrevendo nas folhas, sem dó das árvores que foram mortas. E quando acabei de escrever, comecei a falar. E falei. Falei durante uma hora como se não houvesse amanhã. Me perguntaram coisas pontuais, embolei para explicar uma coisa sobre os riscos do projeto e...acabou. Me perguntaram muito pouco. Falaram um "ok, agora vai passear que vamos conversar sobre a sua apresentação".
Eu saí de lá preocupado. Não me sabatinaram e durou menos de 1:30. E para piorar, levaram quase uma hora conversando sobre a minha apresentação. Quando me chamaram, tinha certeza que não tinha passado. Mas foi o contrário: não só tinha passado como a minh apresentação tinha sido tão completa que não tiveram que perguntar muito.
Mas a cereja do bolo foi quando perguntaram a minha idade. Falei "31" e o cara respondeu: "preservado no formol, hein? Tem cara de novo".
E agora eu tenho carteira para dirigir uma carreta dentro da empresa mãe.
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