10 de mai. de 2019

Garota, eu vou para a Califórnia o Novo México

Na verdade, eu já fui. Sim, mudei para outro país. Mas vamos de historinha....

Em Outubro do ano passado meu chefe (antigo chefe, na verdade) fez uma viagem para um encontro dos Gerentes de Projeto da minha empresa nos EUA e ouviu vários diretores de projeto reclamando que estavam atolados de projeto e que não estavam encontrando GP para tocar os projetos. Curiosamente, nesta mesma semana em que meu chefe estava nos EUA, a Ruiva começou a reclamar do aumento de violência de Juiz de Fora (que realmente tinha piorado bem nos 2 anos que eu estava lá) e do nada soltou um "será que não tem trabalho para você fora?".

Na semana seguinte, quando meu chefe voltou dos EUA, comentou que estavam precisando de GP por lá, que estavam cheio de projeto e bláblá. Juntei a fome com a vontade de comer e falei "Tô aí, hein?". Conversa vai, conversa vem, ele foi falar com o responsável pelos GPs dos EUA. Falou que se eles estavam realmente com demanda, aquele era um bom momento para me "exportar", porque o nosso projeto casca grossa tinha acabado de acabar e só ficou a vaquinha leiteira, que é mamão com açúcar. O cara topou conversar e pediu pra eu mandar meu currículo. Mandei. Dois dos diretores quiseram me entrevistar: um para um projeto na Califórnia, um para um projeto no Novo México.

O projeto da Califórnia era o seguinte: o GP que estava no projeto ficou puto com o projeto e com o chefe dele e resolveu sair da empresa. Pegaram um outro cara que é responsável pelo setor de propostas para colocar no lugar dele, supostamente provisoriamente. Mas isso já tinha 6 meses e o cara tava puto e queria voltar pra casa (ele é da Flórida). Ah, e o cliente era desgraçado, o projeto estava atrasado, a pressão era grande.

O projeto do Novo México estava em fase de assinatura, então teria tempo para fazer transição para alguém ficar no meu lugar no Brasil enquanto meu visto saía, cliente tranquilo, projeto mais simples, prazo mais tranquilo e melhor para eu me adaptar.

Ganhou o Novo México.

Aí comecei meu processo de visto de trabalho pros EUA. É papel pra caralho que precisa preencher e ainda juntou com final de ano e mais uns outros caras que também estavam aplicando pra visto... O treco não andava. A sorte é que a assinatura do contrato também não andava.

Chegou 2019 e nada de visto e de contrato. No meio de Fevereiro saiu meu visto, mas nada de contrato. Ainda assim, eu teria que mudar. Combinei o seguinte com meu chefe: eu ia pra Albuquerque, ficava 15 dias para conhecer cliente, tirar documentação dos EUA, alugar casa, ligar água, energia, gás; voltava pro Brasil por mais 15 dias pra arrumar tudo e mudar de volta.

Meus queridos leitores e leitoras, nunca na história desse país eu me estressei tanto. Pode pegar meu pior projeto na vida, não chega perto. Ao final de um mês eu estava sem forças pra nada.

Primeiro porque eu não conseguia arrumar casa em Albuquerque. Meu nome e sobrenome já não ajudavam muito. Eu não ter crédito nos EUA piorava mais ainda. E não tem essa de fiador, o que importa é ter crédito bom. E eu, recém chegado nos EUA, nem existia para as empresas de análise de crédito. Consegui uma casa muito mais cara do que eu queria no ÚLTIMO dia em que ficaria nos EUA. Luz, água e gás eu resolveria depois (só não sei como).

De volta ao Brasil, eu teria 15 dias para:

- Vender tudo o que ainda não tinha sido vendido (e era muita coisa);
- Levar de JF para BH tudo o que não era para vender + o que eu iria levar para os EUA (incluindo meu cachorro);
- Preparar TODA a documentação para transporte do meu cachorro;
- Ir a médicos para fazer um check up básico;
- Devolver meu apartamento de JF;
- Desligar energia, internet;
- Devolver modem da internet;
- Fazer procurações;
- Resolver questões burocráticas bancárias;
- Comprar dólar;
- Vender meu carro;
- Ligar a água, energia e gás dos EUA. Estando no Brasil (essa foi a parte mais fácil, por incrível que pareça!).

Isso tudo AINDA trabalhando.

O mais legal é que metade das coisas eu teria que fazer em BH, metade em JF. E não dava pra fazer tudo de uma cidade em uma semana e tudo da outra cidade na outra. Então praticamente todo dia eu estava ou indo pra BH ou voltando para JF. São 300km de estrada ruim. Faz uma conta básica aí do quanto eu rodei e do risco que corri....

No fim, poucas coisas ficaram sem fazer (tipo ir no oftalmo e vender meu carro, mas esse foi porque eu precisei dele até meu último minuto em BH). Outras eu deleguei, tipo o transporte do meu cachorro. Tive que contratar uma empresa (longa história para outro post). O resto, não sei como, eu consegui fazer.

Foi sofrido. Foi exaustivo. 15 dias dormindo pouco, com o pensamento de "caralho, não vai dar" o tempo todo na cabeça. Carreguei muita caixa, andei muito, subi e desci muita escada. Tomei prejuízo grande vendendo minhas coisas, entupi a casa do Veio de caixas. Mas deu. Ainda não sei como.

Aí cheguei nos EUA e....levou mais 2 meses para assinar o contrato.

Lembra que eu falei lá em cima que o prazo era mais tranquilo? Pois é, a data final não mudou, mesmo com SEIS meses de atraso para assinatura do contrato.

Vai ser divertido.

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