26 de jul. de 2013

Futebol

Quando eu era moleque, eu era fanático por futebol. Na verdade, eu era fanático pelo Cruzeiro. Eu escutava todos os jogos, acompanhava todos os resultados, fazia contas e mais contas, acompanhava tudo (na época não tinha internet. Eu lia jornal e via uns 3 programas esportivos por dia).

Com uns 12 anos eu já era membro da máfia azul (tenho a carteirinha até hoje, se alguém duvidar).

Com menos de 15 anos eu já ia ao independência sozinho, de ônibus. Sozinho não, eu ia com meu grande amigo Meleca. E não perdia quase jogo nenhum.

Com uns 16 eu queria tatuar o símbolo do cruzeiro no peito. Ainda bem que meu pai tem juízo e não deixou.

Durante muito tempo, nos finais de semana, durante os jogos que eu não ia para o campo, eu montava o meu estrelão (também conhecido como mesa de futebol de botão) na sala, fechava a porta e ficava "repetindo" o que o narrador falava no campo. Sozinho. Sim, esse era meu nível de fanatismo (e loucura).

Eu decorava placares e público pagante dos jogos que eu ia.

Eu comprava camisa todo ano (quando não comprava também o short e o meião e a camisa da máfia azul).

Aí o tempo passou.

Começaram as brigas e mortes no estádio e eu passei a não ir ao campo mais.

Começou o ano do vestibular

Começou a faculdade

Começou o estágio

Começou o trabalho

Começaram as viagens

Começaram os namoros

E o time foi ocupando cada vez menos espaço no meu coração.

Já tem uns bons 2 anos que eu raramente escuto os jogos do time. Quando eu lembro que tem jogo e estou em casa, eu até escuto. Se estou fora de casa, dou uma acompanhada pelo celular. Mas não sofro mais.

Jogo na TV eu não vejo desde que terminei com Ex-Xuxu (como ela era atleticana, víamos os clássicos juntos). Já se fazem alguns bons anos isso.

Recentemente doei o meu estrelão e os muitos times de futebol de botão que eu tinha para a faxineira lá de casa. Apesar de eu não jogar há pelo menos uns 12 anos, fiquei triste. Aquilo representava boa parte da minha infância. Mas eu estava precisando de espaço e, bem, aquilo não passava de lembrança. Grande e que ocupava muito espaço. Além disso, foi um pedido de desapego.

Toda esse processo de desfanatização me ajudou muito a não ligar mais para os resultados do meu time e nem para os resultados dos outros times. E ninguém mais enche meu saco, porque sabem que eu não vou ficar puto e nem discutir.

O que me deixa muito tranquilo desde quarta-feira a noite...

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