Eu sempre gostei de viajar de avião (acho que já comentei isso aqui). E um dos vôos que mais gostava era para o Santos Dumont, no Rio. Pouso lá sempre é muito legal (também já falei disso aqui). Mas nesta última ida para o Rio, na semana passada, percebi que pousar no SDU não tem mais graça.
Eu passei 10 ou 11 meses indo para o Rio toda semana. E em todas estas semanas, pousava no SDU. Nas primeiras semanas, eu aproveitava cada pouso. Depois passei a nem olhar mais pela janela, ficava só prestando atenção no que estava tocando nos fones de ouvido (algum podcast, normalmente).
Passado algum tempo, passei a dormir pouco depois que era permitido reclinar a poltrona e só acordava quando mandavam colocar a poltrona na posição vertical. Nessa época eu até prestava um pouco de atenção no pouso, já que me acordavam pouco antes do pouso.
Aí eu virei um profissional do sono em avião e passei a dormir antes de fecharem a porta do avião. É isso mesmo: eu dormia enquanto a galera estava entrando no avião. Como sempre vou na janela, entrava no avião, fechava a "cortina" da janela e começava a dormir. Nem precisava reclinar a poltrona não. E só acordava com a porrada do avião na pista do SDU.
Tudo bem que boa parte dessa perda de interesse foi forçado: acordar de madrugada toda semana é foda e eu já não estava rendendo nada na segunda (e acabava fudendo a minha semana). Dormir no vôo era necessidade. Mas pegar o avião e pousar no SDU virou rotina e, como tudo que vira rotina, perdeu a graça.
O mais estranho é que eu sou um ser de hábitos repetitivos e rotineiros. E isso nunca me incomodou. Mas esse fato me fez entender, depois de quatro anos e meio, que mesmo gostando muito de alguma coisa (ou alguém), é possível que você perca o interesse. E é estranho mesmo: você continua gostando daquilo, só não vê mais a graça que via antes.
Um dia, quem sabe, eu consigo entender como isso é possível. Até agora eu só aceitei que é possível, não entendi ainda como.
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