23 de out. de 2014

Coração partido, oficina do diabo

Tem coisas que acontecem na sua vida que te fazem pensar. E no meu caso, com as linhas loucuras, pensar significa fazer uma análise de causas. E recentemente passei por uma situação que me fez parar para analisar os últimos meses.

Eu voltei para BH no começo de abril e herdei o projeto mais pro final do mês. Era uma segunda-feira, isso eu lembro bem, pois o antigo gerente estava voltando de férias e fez o handover comigo e eu fiquei a semana inteira estudando o contrato, a documentação do cliente, o escopo, o cronograma, os marcos... E depois de uma semana cheguei à conclusão que o projeto era inexequível no prazo do contrato. E que eu teria que entrar no modo psicopata.

Assim eu fiz: passei o sábado fazendo contas, montando planilhas de controle, disparando metas e pensando em um plano de ação. No sábado mesmo, abri uma cerveja em casa, e a cada gole eu pensava: "vão ser 3 meses de merda. 3 meses sem vida. Mas são só 3 meses.".

E foram realmente 3 meses de merda. 3 meses sem vida nenhuma. Nem na copa eu consegui parar de trabalhar. Eu assistia os jogos em frente ao notebook, de costas para a TV. As cervejas das sextas-feiras, foram praticamente abolidas. E a cada semana eu pensava "faltam só mais X semanas. depois eu volto a ter vida".

Só que depois desses 3 meses eu vi que não seriam só 3 meses. No 4 mês a líder do projeto saiu de férias e eu usei 2 bonés: gerente e líder técnico. Nesse mês eu me fudi muito. Muito MESMO, porque foi quando tudo começou a dar errado. Mas todo dia eu pensava "dia 1 ela volta. Tá chegando".

Ela voltou e...nada mudou. Continuou dando merda e eu trabalhando muito. Mas sabe a história do bode? Pois é, tiraram o bode da sala e eu vi que tinha espaço livre na minha vida. E comecei a sair com uma menina. Saímos uma, duas, três vezes. E tava indo bem, apesar de toda a loucura que estava a minha vida. Eu ainda conseguia me preocupar com ela e me esforçar muito para manter o contato.

Só que comecei a perceber que só eu estava me esforçando na relação. Qualquer coisa diferente da rotina dela era motivo de "tô apertada, tô cansada, tô estressada, tô sem tempo". Eu já estava envolvido emocionalmente (é, eu me envolvo rápido), e continuava me esforçando em manter o contato. Depois de um tempo, finalmente caiu a ficha que, na verdade, ela não queria mais nada.

E aí foi um pequeno baque. Minha concentração no trabalho acabou, eu comecei a entrar numa pilha errada, comecei a chamar uma outra mulher para sair (que também não deu certo). E isso me deixou levemente deprimido.

E aí que comecei a refletir: nos 4 meses anteriores à primeira vez que saí com a menina, eu não tinha tempo nem para pensar em ter vida social, então estava tudo tranquilo. Minha cabeça estava 100% no trabalho, não pensava em mais nada. E mesmo nos momentos em que não estava trabalhando, estava tão cansado que a única coisa que eu queria era descansar.

Aí eu saí com ela e tudo desandou. Não sei explicar, só sei que a minha vida ficou uma merda. Além de trabalhar tudo o que eu estava trabalhando, com todas as preocupações do projeto, eu ainda estava triste e chateado.

E parando para pensar mais ainda, percebi que quando eu estou solteiro, eu raramente sinto falta de uma companheira. É só eu sair umas 2 ou 3 vezes com a mesma mulher que fode tudo: eu lembro o quanto é bom ter alguém para conversar, distrair, divertir, dividir os problemas (não só os meus, os dela também)... Querendo ou não, ela te força fazer coisas que a preguiça impedia (tipo ir ao cinema, que sozinho é bem mais difícil).

E quando termina, fica aquela sensação vazia. Estranha. É a história do bode, só que para o mal.

Vamos ver quanto tempo leva pra eu acostumar com a vida de solteiro novamente...

(sim, eu sei que o post ficou meio sem nexo. fui escrevendo sem pensar muito. Mas estou com preguiça de reler e corrigir).

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