Como a gente tinha acabado de voltar do Brasil e gastamos uma fortuna em passagens, tinha combinado com a Ruiva de que esse ano a gente ia passar o ano novo em casa. As festas estavam muito caras e ninguém que a gente conhecia tinha convidado a gente pra fazer nada.... até dia 31 às 2:30 da tarde. Mais ou menos nesse horário uns brasileiros colegas de "colégio" da Ruiva perguntaram o que a gente ia fazer e se a gente queria ir pro mesmo lugar que eles.
(parêntesis) A história desse povo é meio diferente: são duas irmãs enfermeiras que casaram com dois engenheiros (que pelo que eu entendi eram amigos) e por algum motivo resolveram mudar pra cá. Os 4 tem entre 25 e 30 anos. As mulheres conseguiram visto de trabalho (aparentemente tá faltando enfermeiro aqui) e convenceram os maridos a vir. Detalhe: os homens não falam inglês direito, então tão fazendo aula de inglês pra se preparar e daqui um tempo procurar trabalho. Nesse meio tempo tão todos morando no mesmo apartamento para economizar grana. (fim do parêntesis)
A tal festa começava as 6 da tarde, mas como as mulheres estava dando plantão, os 4 só chegariam na festa por volta das 9. Como a Ruiva não conhecia mais ninguém, achamos prudente chegar mais ou menos junto com eles.
Na minha cabeça, ia ser uma festa cheia de gente, começando a beber 6 da tarde, então na hora que a gente chegasse ia estar todo mundo bêbado e ninguém notaria dois desconhecidos. Topei ir, já que a Ruiva tava doida pra não passar Ano Novo em casa.
A festa era naquele esquema “leve o que for beber e comer”, então passamos no supermercado e compramos uns belisques. Levei umas 4 cervejas que tinha na geladeira, só pra falar que tinha bebido alguma coisa, e fomos pro lugar.
Aqui é o inverso de Manaus: pra compensar as temperaturas frias do lado de fora nego mete aquecedor no 25, e normalmente nessa temperatura eu já estou desconfortável com o calor (em Manaus botam o ar condicionado no 15), então resolvi ir de bermuda mesmo. Afinal, já teria mais de 3 horas de festa, ninguém ia perceber.
Chegamos no endereço que passaram pra gente e de cara achei estranho: não tinha quase nenhum carro na rua (2 carros na entrada da garagem, como toda casa, e um na rua) e nada de barulho. As luzes apagadas. “Será que tamo no lugar certo?”, perguntei. A Ruiva ligou pra um dos caras e sim, estávamos no lugar certo.
Entramos na casa e tinha 5 adultos americanos, uma criança americana e os 4 brasileiros amigos da Ruiva. Metade deles estava sentado em frente a TV, jogando Mario kart. A outra metade sentada à mesa, jogando algum jogo de cartas parecido com Magic. Nem música ambiente tinha, pra dar aquela animada.
Eu entreguei o que eu tinha levado pra dona da casa e ela perguntou o que a gente queria beber: chocolate quente, suco e café DESCAFEINADO. Não, não tinha ninguém bebendo. Nem café de verdade tinha (o que eu não tomo, mas fiquei assustado mesmo assim).
Eu não sabia o que fazer com a cerveja. Sim, eram só 4 latinhas, mas como não tinha ninguém bebendo, não sabia se não podia beber (tem gente que não permite álcool em casa) ou se eram só pessoas conscientes que não queriam dirigir depois de beber. Mas como não tinha nem café de verdade, chuto que era a primeira opção. Fato é que fiquei no 7up que levei pra Ruiva (que por sorte também é sem cafeína).
Alguns minutos depois a galera do Mario kart me chamou pra jogar e, passada uma hora resolveram mudar para Catan (aliás, você já jogou Catan? Eu joguei pela primeira vez na terça e, cara, que jogo legal! Recomendo!).
Poucos minutos antes da virada, a dona da casa abre um suco de uva com bolhas (o que praticamente me convence que realmente não pode álcool na casa), bota 2 dedos em cada copo e chama todo mundo pra um brinde. Meia noite, todo mundo fala “Feliz ano novo!”, brinda, uns se abraçam e.... é isso aí.
Um casal de americanos com a criança (que devia ter seus 10 anos ou mais) vai embora poucos minutos depois da virada. Os que ficaram ainda jogaram um jogo interativo por mais uns 40 minutos. Resultado: 1 da manhã e eu já estava em casa, de pijama, tomando uma cerveja pra comemorar o ano novo.
Ah, alguns detalhes que esqueci de falar:
- Na casa não pode entrar de sapato (o que é bem comum aqui) e eles ofereceram pantufas;
- O dono da casa estava claramente de pijama. Era uma calça de moletom cinza furada, uma blusa branca quase transparente e um casaco de moletom com gorro;
- A dona da casa estava com uma blusa mais arrumadinha, mas a calça certamente era de pijama também;
- Os convidados americanos também estavam bem à vontade. Nada de roupa arrumada como nas festas brasileiras (o que me deixou até mais tranquilo de ter ido de bermuda);
- Em Albuquerque (ou talvez seja até no Novo México todo) não pode soltar fogos de artifício. Foi o ano novo mais silencioso da história;
- A dona da casa DEVOLVEU tudo o que não foi consumido, entregando para quem levou (sim, levei minhas cervejas de volta pra casa)
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2 de jan. de 2020
30 de dez. de 2019
Retrospectiva 2019
Sim, queridos leitores, mais um ano se passou. E mais um ano praticamente sem posts neste humilde blog que está respirando com ajuda de aparelhos. Como não teve post, não esperem uma retrospectiva detalhada, apesar de ter sido um ano com muitas mudanças.
O ano começou bem agitado. Em saiu meu visto de trabalho para os EUA e começou a correria. A históriacompleta resumida você vê aqui.
Lembra que eu falei que meu cachorro veio junto comigo pros EUA? Pois é. Por conta dele aluguei uma casa com quintal gigante, com grama pra caralho. Isso me trouxe 2 problemas que eu nunca tive na vida: cortar grama (o que toma 3 horas a cada 15 dias da minha vida) e uma conta de água absurda (dá pra imaginar que água no deserto não é das coisas mais baratas, né?). Ah, o pior: o cachorro só vai pro quintal quando alguém vai com ele. Ou seja: passa 95% do tempo dentro de casa....
Mudança feita, a adaptação foi até rápida. O pau tá comendo no projeto, mas por incrível que pareça o cronograma foi seguido à risca, com coisa ADIANTADA (pelo menos até o começo de Dezembro). Nunca na história desse país isso tinha acontecido. E o cliente é uma mãe. Melhor cliente da história (pelo menos até dezembro). Isso facilitou muito a minha adaptação aqui (apesar de estar trabalhando pra caraio). Nem mesmo os sintomas da altitude (1.600 metros) e do ar seco (peguei dias de 3.5% de umidade do ar) duraram muito. Um pouco de dor de cabeça e nariz sangrando nas primeiras semanas, depois ficou de boa.
A Ruiva deu uma sofrida maior. Ela veio com inglês “the book is on the table”, sem dirigir. Arrumamos umas aulas de inglês pra ela na faculdade e comprei uma bicicleta pra ela ir pra aula (é relativamente perto). Tava indo de boa até que chegou o verão. Aí......
Tenho que ser honesto: eu imaginei que o verão aqui ia ser de querer se matar. Pensei que ia passar dos 50 todo dia, ardendo no fogo do inferno. A verdade é que calor de deserto é uma das melhores formas de calor (se é que existe alguma forma boa de calor). O calor seco é MUITO bom. Primeiro porque você não sua. Sério, fiquei uns 7 meses sem suar. Óbvio que se você faz exercício físico você sua, mas normalmente é super tranquilo. E se você for para uma sombra, a temperatura cai drasticamente. Não, não fica frio, mas melhora muito. E as temperaturas aqui nem foram tão altas: poucos dias passou de 40. Mas o pessoal daqui disse que foi um ano atípico, com muita chuva e temperaturas mais brandas. Manaus era muito pior do que aqui. MUITO.
O problema daqui é o sol. Ele é escaldante. E não tem núvem no ceu. 5 minutos no sol e você já sente a pele repuxando. Se ficar mais uns 5 minutos ela fica parecendo solo do nordeste, marrom, seco e todo rachado. Haja protetor solar. E Albuquerque é bem alta, então o sol é “mais forte”. Mas ainda assim, muito melhor que Manaus.

O céu é assim quase o tempo todo. E de quebra você vê a casa do Walter White
E bem no auge do verão a Véia resolveu me visitar. Por um lado, foi bom, porque conheci algumas cidades aqui perto (turismo não é um dos pontos fortes do Novo México, a menos que você goste de natureza). Por outro foi foda porque ela ficou 3 semanas aqui e não tinha o que ela fazer. Ainda mais no sol e calor. Mas no fim deu tudo certo.

Santa Fe

A Rota 66 cruza o estado inteiro (inclusive Albuquerque)

Rota 66 em Gallup

Praça principal de Taos

Cemitério indígena com o Taos Pueblo no fundo

Cada estado tem o Gran Canion que merece. Esse é perto de Taos (não, não é o Gran Canion de verdade. Esse é o Rio Grande)

A ponte com vão central mais alto dos EUA
Em Outubro teve uma das coisas mais bonitas que já vi na vida: o festival internacional de balonismo de Albuquerque. São mais ou menos 600 balões que levantam vôo em menos de duas horas. É MUITO foda. O difícil é acordar de madrugada pra ir pro lugar do festival. O busão SAI 4:40. E a temperatura já estava abaixo dos 10 graus nessa época, então divertido não foi. E como Murphy é meu amigo, no dia que eu resolvi ir teve nevoeiro e nenhum balão saiu do chão. Resultado: acordei de madrugada no frio dois dias seguidos (e paguei ingressos em dobro, obvio). Mas valeu a pena. É muito bacana, ainda mais com o céu azul sem nuvens do deserto.

De madrugada fica assim

E depois que libera o voo fica assim (ó o Cristo Redentor ali no canto esquerdo)
Ainda em Outubro fui convidado para uma festa de halloween. Eu achei que era só a criançada que ficava empolgada, mas os adultos também levam bem a sério. Todo mundo gasta uma grana com fantasia, decoração, doces (menos eu, óbvio). E tenho que falar a verdade: a história de doces ou travessuras é um saco. A cada 5 minutos alguém toca sua campainha, você atende, elogia as fantasias, dá doces e fecha a porta. E meu cachorro não para de latir quando a campainha toca, então foram umas 3 horas de latidos...... A festa, pelo menos, foi divertida. Até participei do campeonato de pong beer (perdi a final).

Minha fantasia para receber a pirralhada (doces no fundo)

A mesa de beer pong
Em meados de Novembro a Ruiva foi para o Brasil. Eu ainda trabalharia alguns meses antes de ir também, o que me rendeu um convite para jantar de ação de graças na casa de um colega de trabalho. Jantar as 2 da tarde, mas jantar. Eu levei pão de queijo e brigadeiro e nunca vi gringo tão feliz. Mas a parte divertida desse dia foi dirigir na neve. Começou a nevar no dia anterior e caiu quase 18 horas de neve. Coisa que nunca tinha acontecido nessa época do ano. O cachorro ficou felizão rolando na neve. Eu não fiquei tanto, pois teria que atravessar a cidade e, convenhamos, dirigir com um palmo de neve no chão não é algo que brasileiro está acostumado.... Mas no final deu certo, pois nas grandes ruas e avenidas passa trator limpando a neve. Sair de casa e na minha rua foi outra história. Foram uns 30 metros de rally gelado. A neve levou uma semana pra derreter, o que fez meu quintal virar um lamaçal. Super divertido.

Quase num tinha neve
Chegou Dezembro e foi a minha vez de ir para o Brasil. Foram duas semanas em solo tupiniquim. No primeiro final de semana, meu aniversário. No segundo final de semana, minha festa de casamento. Sim, eu casei. Tecnicamente eu já sou casado desde ano passado, mas a festa foi só esse ano. A gente já tava planejando casamento antes da história de transferência sair, então o custo de mudar tudo ia ser muito alto. Aí deixamos como estava planejado mesmo com a mudança. Mas isso gerou algumas coisas divertidas, como prova de bem casado menos de 24 horas antes de mudar e assinatura de contrato no aeroporto de Guarulhos, enquanto esperava o vôo pros EUA (sério). A vantagem foi poder botar a culpa da mudança em tudo o que eu já não queria fazer para a festa. A desvantagem foi pagar o preço de um celta 2012 em passagens de Albuquerque para BH....

Game Over
Aí, como Murphy é meu brother, na volta para os EUA resolveu cair o mundo em Guarulhos e meu vôo foi cancelado. Óbvio. Eu tinha comprado as passagens para chegar em Albuquerque na manhã do dia 18, para poder pegar meu cachorro e descansar antes de voltar a trabalhar no dia 19. Mas com esse atraso, eu ia chegar no aeroporto 40 minutos antes de uma reunião. Eu pisei em casa entrando na reunião (era por telefone), sem ter dormido direito. Fortes emoções. Mas deu certo no final.
Ah, e lembra que eu tinha falado que estava tudo dentro do cronograma até dezembro? Pois é. Foi só eu viajar que começou a atrasar um monte de coisa.... Murphy me ama.
É isso. Foi um ano de mudanças e adaptações, mas não posso reclamar. Quem sabe ano que vem eu consigo mais tempo (e paciência) para postar aqui. Mas não prometo nada.
O ano começou bem agitado. Em saiu meu visto de trabalho para os EUA e começou a correria. A história
Lembra que eu falei que meu cachorro veio junto comigo pros EUA? Pois é. Por conta dele aluguei uma casa com quintal gigante, com grama pra caralho. Isso me trouxe 2 problemas que eu nunca tive na vida: cortar grama (o que toma 3 horas a cada 15 dias da minha vida) e uma conta de água absurda (dá pra imaginar que água no deserto não é das coisas mais baratas, né?). Ah, o pior: o cachorro só vai pro quintal quando alguém vai com ele. Ou seja: passa 95% do tempo dentro de casa....
Mudança feita, a adaptação foi até rápida. O pau tá comendo no projeto, mas por incrível que pareça o cronograma foi seguido à risca, com coisa ADIANTADA (pelo menos até o começo de Dezembro). Nunca na história desse país isso tinha acontecido. E o cliente é uma mãe. Melhor cliente da história (pelo menos até dezembro). Isso facilitou muito a minha adaptação aqui (apesar de estar trabalhando pra caraio). Nem mesmo os sintomas da altitude (1.600 metros) e do ar seco (peguei dias de 3.5% de umidade do ar) duraram muito. Um pouco de dor de cabeça e nariz sangrando nas primeiras semanas, depois ficou de boa.
A Ruiva deu uma sofrida maior. Ela veio com inglês “the book is on the table”, sem dirigir. Arrumamos umas aulas de inglês pra ela na faculdade e comprei uma bicicleta pra ela ir pra aula (é relativamente perto). Tava indo de boa até que chegou o verão. Aí......
Tenho que ser honesto: eu imaginei que o verão aqui ia ser de querer se matar. Pensei que ia passar dos 50 todo dia, ardendo no fogo do inferno. A verdade é que calor de deserto é uma das melhores formas de calor (se é que existe alguma forma boa de calor). O calor seco é MUITO bom. Primeiro porque você não sua. Sério, fiquei uns 7 meses sem suar. Óbvio que se você faz exercício físico você sua, mas normalmente é super tranquilo. E se você for para uma sombra, a temperatura cai drasticamente. Não, não fica frio, mas melhora muito. E as temperaturas aqui nem foram tão altas: poucos dias passou de 40. Mas o pessoal daqui disse que foi um ano atípico, com muita chuva e temperaturas mais brandas. Manaus era muito pior do que aqui. MUITO.
O problema daqui é o sol. Ele é escaldante. E não tem núvem no ceu. 5 minutos no sol e você já sente a pele repuxando. Se ficar mais uns 5 minutos ela fica parecendo solo do nordeste, marrom, seco e todo rachado. Haja protetor solar. E Albuquerque é bem alta, então o sol é “mais forte”. Mas ainda assim, muito melhor que Manaus.
E bem no auge do verão a Véia resolveu me visitar. Por um lado, foi bom, porque conheci algumas cidades aqui perto (turismo não é um dos pontos fortes do Novo México, a menos que você goste de natureza). Por outro foi foda porque ela ficou 3 semanas aqui e não tinha o que ela fazer. Ainda mais no sol e calor. Mas no fim deu tudo certo.
Em Outubro teve uma das coisas mais bonitas que já vi na vida: o festival internacional de balonismo de Albuquerque. São mais ou menos 600 balões que levantam vôo em menos de duas horas. É MUITO foda. O difícil é acordar de madrugada pra ir pro lugar do festival. O busão SAI 4:40. E a temperatura já estava abaixo dos 10 graus nessa época, então divertido não foi. E como Murphy é meu amigo, no dia que eu resolvi ir teve nevoeiro e nenhum balão saiu do chão. Resultado: acordei de madrugada no frio dois dias seguidos (e paguei ingressos em dobro, obvio). Mas valeu a pena. É muito bacana, ainda mais com o céu azul sem nuvens do deserto.


Ainda em Outubro fui convidado para uma festa de halloween. Eu achei que era só a criançada que ficava empolgada, mas os adultos também levam bem a sério. Todo mundo gasta uma grana com fantasia, decoração, doces (menos eu, óbvio). E tenho que falar a verdade: a história de doces ou travessuras é um saco. A cada 5 minutos alguém toca sua campainha, você atende, elogia as fantasias, dá doces e fecha a porta. E meu cachorro não para de latir quando a campainha toca, então foram umas 3 horas de latidos...... A festa, pelo menos, foi divertida. Até participei do campeonato de pong beer (perdi a final).


Em meados de Novembro a Ruiva foi para o Brasil. Eu ainda trabalharia alguns meses antes de ir também, o que me rendeu um convite para jantar de ação de graças na casa de um colega de trabalho. Jantar as 2 da tarde, mas jantar. Eu levei pão de queijo e brigadeiro e nunca vi gringo tão feliz. Mas a parte divertida desse dia foi dirigir na neve. Começou a nevar no dia anterior e caiu quase 18 horas de neve. Coisa que nunca tinha acontecido nessa época do ano. O cachorro ficou felizão rolando na neve. Eu não fiquei tanto, pois teria que atravessar a cidade e, convenhamos, dirigir com um palmo de neve no chão não é algo que brasileiro está acostumado.... Mas no final deu certo, pois nas grandes ruas e avenidas passa trator limpando a neve. Sair de casa e na minha rua foi outra história. Foram uns 30 metros de rally gelado. A neve levou uma semana pra derreter, o que fez meu quintal virar um lamaçal. Super divertido.

Chegou Dezembro e foi a minha vez de ir para o Brasil. Foram duas semanas em solo tupiniquim. No primeiro final de semana, meu aniversário. No segundo final de semana, minha festa de casamento. Sim, eu casei. Tecnicamente eu já sou casado desde ano passado, mas a festa foi só esse ano. A gente já tava planejando casamento antes da história de transferência sair, então o custo de mudar tudo ia ser muito alto. Aí deixamos como estava planejado mesmo com a mudança. Mas isso gerou algumas coisas divertidas, como prova de bem casado menos de 24 horas antes de mudar e assinatura de contrato no aeroporto de Guarulhos, enquanto esperava o vôo pros EUA (sério). A vantagem foi poder botar a culpa da mudança em tudo o que eu já não queria fazer para a festa. A desvantagem foi pagar o preço de um celta 2012 em passagens de Albuquerque para BH....

Aí, como Murphy é meu brother, na volta para os EUA resolveu cair o mundo em Guarulhos e meu vôo foi cancelado. Óbvio. Eu tinha comprado as passagens para chegar em Albuquerque na manhã do dia 18, para poder pegar meu cachorro e descansar antes de voltar a trabalhar no dia 19. Mas com esse atraso, eu ia chegar no aeroporto 40 minutos antes de uma reunião. Eu pisei em casa entrando na reunião (era por telefone), sem ter dormido direito. Fortes emoções. Mas deu certo no final.
Ah, e lembra que eu tinha falado que estava tudo dentro do cronograma até dezembro? Pois é. Foi só eu viajar que começou a atrasar um monte de coisa.... Murphy me ama.
É isso. Foi um ano de mudanças e adaptações, mas não posso reclamar. Quem sabe ano que vem eu consigo mais tempo (e paciência) para postar aqui. Mas não prometo nada.
31 de dez. de 2017
Retrospectiva 2017
Eu sei, não teve post esse ano. Mas eu ainda não desisti do blog, só não estou com tempo (e saco, para ser sincero) de ligar computador a noite para escrever. No celular, dá trabalho demais escrever texto grande.
Esse foi um ano de muitas mudanças. Mudei de emprego, mudei de cidade, pela primeira vez tive que alugar um apartamento e fazer mudança.
O começo do ano foi divertido. Eu estava meio puto com meu antigo trabalho e resolvi fazer algumas coisas que não eram meu trabalho, mas que me davam pequenas alegrias. Um exemplo? Ajudei a minha equipe a fazer o front end de uma aplicação de um cliente.
Mais ou menos em março aceitei a proposta do pessoal de Juiz de Fora e avisei meu antigo chefe que estava saindo. Fiquei até o final de abril na antiga empresa e, dia 2 de Maio, comecei a trabalhar na nova empresa. Fazia muito tempo que eu não trocava de emprego, então foi curioso passar por toda aquela adaptação novamente.
Como era uma cidade nova, teria que passar pelo perrengue de procurar apartamento. Eu não sabia o quão difícil isso era. E mesmo depois que achei o apartamento (não era perfeito, mas foi um bom apartamento), começou o perrengue da mudança e da adaptação à nova realidade de não ter tudo à mão em uma casa nova.
Um ponto interessante: pela primeira vez em alguns anos eu não tirei férias (e consequentemente não viajei). É estranho isso: eu demorei a tirar férias no meu antigo emprego, mas como acumulou, eu sempre era obrigado a tirar. E aí, esse ano, não tirei. Por outro lado, esse ano viajei bastante. Estrada toda semana e vez ou outra um avião para São Paulo e Curitiba.
Largando um pouco o trabalho de lado, minha avó fez 100 anos. E pelo jeito vai chegar no 101. Minha sobrinha veio para a festa dos 100, mas pelo jeito não vem mais no Brasil tão cedo.
Castrei meu cachorro (com muita dor no coração), mas finalmente o bicho parou de tentar cruzar com tudo. Acalmar, que é bom, não acalmou. Continua uma peste.
A horta da casa da Ruiva começou a dar resultado. Colhemos algumas coisas, mas nada muito produtivo. Pelo menos serviu pra desestressar um pouco. Já no apartamento de JF consegui colher UMA jabuticaba e um monte de acerola. Deu mais jabuticaba, mas os passarinhos gostam tanto quanto eu e não importam de comer ainda verde.
E no final do ano, quebrei a barreira dos trinta e poucos e agora tenho trinta e muitos. Junto com a idade vieram os primeiros resultados de exame de sangue ruins de verdade. E dores, muitas dores. Em 2018 vou precisar tomar vergonha na cara e cuidar da saúde....
Esse foi um ano de muitas mudanças. Mudei de emprego, mudei de cidade, pela primeira vez tive que alugar um apartamento e fazer mudança.
O começo do ano foi divertido. Eu estava meio puto com meu antigo trabalho e resolvi fazer algumas coisas que não eram meu trabalho, mas que me davam pequenas alegrias. Um exemplo? Ajudei a minha equipe a fazer o front end de uma aplicação de um cliente.
Mais ou menos em março aceitei a proposta do pessoal de Juiz de Fora e avisei meu antigo chefe que estava saindo. Fiquei até o final de abril na antiga empresa e, dia 2 de Maio, comecei a trabalhar na nova empresa. Fazia muito tempo que eu não trocava de emprego, então foi curioso passar por toda aquela adaptação novamente.
Como era uma cidade nova, teria que passar pelo perrengue de procurar apartamento. Eu não sabia o quão difícil isso era. E mesmo depois que achei o apartamento (não era perfeito, mas foi um bom apartamento), começou o perrengue da mudança e da adaptação à nova realidade de não ter tudo à mão em uma casa nova.
Um ponto interessante: pela primeira vez em alguns anos eu não tirei férias (e consequentemente não viajei). É estranho isso: eu demorei a tirar férias no meu antigo emprego, mas como acumulou, eu sempre era obrigado a tirar. E aí, esse ano, não tirei. Por outro lado, esse ano viajei bastante. Estrada toda semana e vez ou outra um avião para São Paulo e Curitiba.
Largando um pouco o trabalho de lado, minha avó fez 100 anos. E pelo jeito vai chegar no 101. Minha sobrinha veio para a festa dos 100, mas pelo jeito não vem mais no Brasil tão cedo.
Castrei meu cachorro (com muita dor no coração), mas finalmente o bicho parou de tentar cruzar com tudo. Acalmar, que é bom, não acalmou. Continua uma peste.
A horta da casa da Ruiva começou a dar resultado. Colhemos algumas coisas, mas nada muito produtivo. Pelo menos serviu pra desestressar um pouco. Já no apartamento de JF consegui colher UMA jabuticaba e um monte de acerola. Deu mais jabuticaba, mas os passarinhos gostam tanto quanto eu e não importam de comer ainda verde.
E no final do ano, quebrei a barreira dos trinta e poucos e agora tenho trinta e muitos. Junto com a idade vieram os primeiros resultados de exame de sangue ruins de verdade. E dores, muitas dores. Em 2018 vou precisar tomar vergonha na cara e cuidar da saúde....
26 de dez. de 2017
A saga da mudança (e da adaptação)
Eu sempre morei em apartamento mobiliado, mesmo quando estava no Rio e Manaus. Se eu precisasse de alguma coisa, estava na mão. Até eu mudar para JF. Aqui, aluguei um apartamento vazio. E todas as coisas que eu tenho (muitas delas na verdade são do meu pai, eu só tinha direito de uso), estavam em BH. Coisas básicas como, por exemplo, cama. Ou fogão. Ou geladeira.
Como a ideia é que a Ruiva venha para cá em breve, não fazia sentido sair comprando tudo, precisava só do básico para sobreviver (no modo ogro, mas sobreviver). E para mim, o básico é cama, fogão, geladeira, TV e internet.
A cama eu já iria comprar de qualquer maneira. A dela é uma bosta, a minha é de solteiro. Fogão também: o meu e o dela são muito velhos e grandes. No lugar de geladeira eu catei um frigobar que compramos no passado, quando ela mudou de casa e não tinha geladeira. Para uma pessoa dá e sobra. TV eu trouxe a minha de casa. Não ia precisar em BH mesmo. E internet contratei aqui (não teve como migrar de BH).
Prato e copo eu tinha de um passado distante, que comprei para alguma situação que não lembro mais qual era. Os talheres a Veia me deu nessa situação distante.
O Veio me ajudou com muita coisa. Deu umas panelas, frigideira, pirex, travessa, mais pratos, alguns utensílios de cozinha que ele não queria mais (ou que tinha em dobro). Coisas úteis, sem dúvida, mas que não era primordial (menos as panelas, lógico).
Ferramenta eu tinha um bocado em casa. Trouxe tudo. Assim como meu PS3, mas espertamente deixei os jogos em BH (e toda semana esqueço de pegar). E tudo isso aí que listei veio no meu carro (fora cama e fogão). Foram inúmeras semanas botando tralha no carro, dirigindo pra JF e subindo tudo sozinho, três andares de escada. O frigobar e a TV foram foda....
Faltava um lugar para sentar. Tinha uma mesa e 4 cadeiras daquelas de plástico no dando sopa no escritório, pedi pro chefe pra pegar. Ele deixou, estão espalhados pela casa: mesa e uma cadeira na sala, uma cadeira no meu quarto, uma no escritório e uma na cozinha.
O negócio é que mesmo com tudo isso em casa, vez ou outra eu preciso de alguma coisa que eu sempre tive à mão em casa e que aqui não tem. Exemplo? Lixa, barbante, prego, parafuso, bucha, algum material de limpeza (tipo limpa vidro), cola, régua... Isso tudo ficou em BH. E vai ficar, na verdade. Só preciso aceitar que se eu quiser ter aqui, tenho que comprar.
Outra coisa que dá muito trabalho é consertar as coisas que estão com defeito na casa (ou que precisava fazer para deixar tudo operacional. Fiz uma lista com mais de 40 itens que precisava fazer. Alguns eram bem simples, como limpar uma parede, mas outras eram mais complexas, tipo colocar cercas pro Pingo não pular em certos lugares. E fazer isso sozinho, não é fácil.
Muito eletroduto, cerca, fita isolante, cola e TNT depois, consegui fazer....metade da lista. Ainda falta muita coisa. Primeiro porque tem coisa que precisa de itens que ainda não tenho (escada, por exemplo). Outras porque tomam muito tempo e fui deixando pra quando for precisar (luminária do banheiro que ninguém está usando).
Fato é que depois de 5 meses morando aqui, já está quase com cara de casa, mas ainda sinto eu não é meu lar, é só um lugar onde venho passar a semana. Talvez isso mude quando a Ruiva e o Pingo vierem pra cá.
Como a ideia é que a Ruiva venha para cá em breve, não fazia sentido sair comprando tudo, precisava só do básico para sobreviver (no modo ogro, mas sobreviver). E para mim, o básico é cama, fogão, geladeira, TV e internet.
A cama eu já iria comprar de qualquer maneira. A dela é uma bosta, a minha é de solteiro. Fogão também: o meu e o dela são muito velhos e grandes. No lugar de geladeira eu catei um frigobar que compramos no passado, quando ela mudou de casa e não tinha geladeira. Para uma pessoa dá e sobra. TV eu trouxe a minha de casa. Não ia precisar em BH mesmo. E internet contratei aqui (não teve como migrar de BH).
Prato e copo eu tinha de um passado distante, que comprei para alguma situação que não lembro mais qual era. Os talheres a Veia me deu nessa situação distante.
O Veio me ajudou com muita coisa. Deu umas panelas, frigideira, pirex, travessa, mais pratos, alguns utensílios de cozinha que ele não queria mais (ou que tinha em dobro). Coisas úteis, sem dúvida, mas que não era primordial (menos as panelas, lógico).
Ferramenta eu tinha um bocado em casa. Trouxe tudo. Assim como meu PS3, mas espertamente deixei os jogos em BH (e toda semana esqueço de pegar). E tudo isso aí que listei veio no meu carro (fora cama e fogão). Foram inúmeras semanas botando tralha no carro, dirigindo pra JF e subindo tudo sozinho, três andares de escada. O frigobar e a TV foram foda....
Faltava um lugar para sentar. Tinha uma mesa e 4 cadeiras daquelas de plástico no dando sopa no escritório, pedi pro chefe pra pegar. Ele deixou, estão espalhados pela casa: mesa e uma cadeira na sala, uma cadeira no meu quarto, uma no escritório e uma na cozinha.
O negócio é que mesmo com tudo isso em casa, vez ou outra eu preciso de alguma coisa que eu sempre tive à mão em casa e que aqui não tem. Exemplo? Lixa, barbante, prego, parafuso, bucha, algum material de limpeza (tipo limpa vidro), cola, régua... Isso tudo ficou em BH. E vai ficar, na verdade. Só preciso aceitar que se eu quiser ter aqui, tenho que comprar.
Outra coisa que dá muito trabalho é consertar as coisas que estão com defeito na casa (ou que precisava fazer para deixar tudo operacional. Fiz uma lista com mais de 40 itens que precisava fazer. Alguns eram bem simples, como limpar uma parede, mas outras eram mais complexas, tipo colocar cercas pro Pingo não pular em certos lugares. E fazer isso sozinho, não é fácil.
Muito eletroduto, cerca, fita isolante, cola e TNT depois, consegui fazer....metade da lista. Ainda falta muita coisa. Primeiro porque tem coisa que precisa de itens que ainda não tenho (escada, por exemplo). Outras porque tomam muito tempo e fui deixando pra quando for precisar (luminária do banheiro que ninguém está usando).
Fato é que depois de 5 meses morando aqui, já está quase com cara de casa, mas ainda sinto eu não é meu lar, é só um lugar onde venho passar a semana. Talvez isso mude quando a Ruiva e o Pingo vierem pra cá.
11 de nov. de 2017
A saga da limpeza
Eu sei, eu sumi. Tanto que nem lembrava o que eu já tinha contado aqui, então tive que reler o último post. E vi que tinha prometido um sobre a limpeza do apartamento. Vamos a ele então.
Eu comentei que o apartamento tem 17 "espaços", né? Não quer dizer que seja grande (é maior do que onde eu morava em BH), só quer dizer que ele tem muitas paredes. E isso dá trabalho pra caramba na hora de limpar. Primeiro porque o apartamento não estava pintado, então eu teria que passar um pano nas paredes. Segundo porque ele estava fechado há algum tempo e tinha sujeira para uma vida lá dentro.
Meu plano era limpar um "espaço" por dia, o que levaria tempo, mas pelo menos resolveria o problema. Depois, para manter, seria mais fácil. Mas além de ter 17 "espaços" para limpar, ainda tinha umas 30 portas de armário (e o espaço dentro destas 30 portas) para limpar. Não, não é exagero. Tem armário para caralho nesse apartamento. Isso é ótimo, mas dá muito trabalho.
Como eu precisava mudar logo (estava pagando hotel/airbnb), comecei pelo quarto que tinha uma cama (é, um dos quartos tinha cama). Mas esse quarto também tinha 10 portas de armário para limpar. Saí morto. No segundo dia, banheiro. Tava imundo. Limpei tudo, esfreguei, água sanitária, desinfetante. Ficou brilhando, mas não tinha como limpar um dos armários. Estava todo mofado. "Fica pra depois", pensei. Dia seguinte, cozinha. Essa deu trabalho para uma vida. Tem armário até no teto. Foram uns 2 ou 3 dias para limpar tudo (e nem ficou 100%). No último dia limpei o caminho que liga o quarto, banheiro e cozinha e estava pronto para mudar.
Aí eu mudei. E aí fudeu. Como tudo o que iria usar no dia a dia estava limpo, eu acabei não limpando mais porra nenhuma. Fechei as portas dos espaços que não usava e pronto. O único espaço que eu uso que estava sujo era a área, mas como estava (e ainda estou) usando para trabalhar com terra, fazer pequenas manutenções, montar uma coisa e outra, não teria problema.
E assim eu fiquei por muito tempo. Eu só ia limpando as partes que ia ocupando. Me senti jogando as primeiras versões de Warcraft: ia avançando e ampliando o mapa. Quando chegou a minha cama nova, limpei mais um quarto. Quando foram instalar a internet, limpei o escritório (que já tinha uma bancada de trabalho, vejam vocês).
Até a Véia resolver me visitar. Não teve jeito: tive que limpar o resto da casa. Algumas coisas inúteis, tipo duas varandas, uma com 1m² e outra com 2m² (sério!). Outras nem tanto, como o outro banheiro, a sala (que não tem móvel nenhum) e a lavanderia (aquela com o teto de gesso). Ficou faltado a área e o banheiro dela.
Não é que a Véia chegou e me fez limpar a porcaria da área? E só por causa disso choveu pra caramba, e sujou tudo de volta. Já o manheiro da área, bem, esse continua sujo. E vai ficar por mais um bom tempo.
O lado bom é que essas limpezas me fizeram descobrir algumas coisas curiosas da casa. Mas isso é assunto para outro post, assim como a saga da mudança.
Eu comentei que o apartamento tem 17 "espaços", né? Não quer dizer que seja grande (é maior do que onde eu morava em BH), só quer dizer que ele tem muitas paredes. E isso dá trabalho pra caramba na hora de limpar. Primeiro porque o apartamento não estava pintado, então eu teria que passar um pano nas paredes. Segundo porque ele estava fechado há algum tempo e tinha sujeira para uma vida lá dentro.
Meu plano era limpar um "espaço" por dia, o que levaria tempo, mas pelo menos resolveria o problema. Depois, para manter, seria mais fácil. Mas além de ter 17 "espaços" para limpar, ainda tinha umas 30 portas de armário (e o espaço dentro destas 30 portas) para limpar. Não, não é exagero. Tem armário para caralho nesse apartamento. Isso é ótimo, mas dá muito trabalho.
Como eu precisava mudar logo (estava pagando hotel/airbnb), comecei pelo quarto que tinha uma cama (é, um dos quartos tinha cama). Mas esse quarto também tinha 10 portas de armário para limpar. Saí morto. No segundo dia, banheiro. Tava imundo. Limpei tudo, esfreguei, água sanitária, desinfetante. Ficou brilhando, mas não tinha como limpar um dos armários. Estava todo mofado. "Fica pra depois", pensei. Dia seguinte, cozinha. Essa deu trabalho para uma vida. Tem armário até no teto. Foram uns 2 ou 3 dias para limpar tudo (e nem ficou 100%). No último dia limpei o caminho que liga o quarto, banheiro e cozinha e estava pronto para mudar.
Aí eu mudei. E aí fudeu. Como tudo o que iria usar no dia a dia estava limpo, eu acabei não limpando mais porra nenhuma. Fechei as portas dos espaços que não usava e pronto. O único espaço que eu uso que estava sujo era a área, mas como estava (e ainda estou) usando para trabalhar com terra, fazer pequenas manutenções, montar uma coisa e outra, não teria problema.
E assim eu fiquei por muito tempo. Eu só ia limpando as partes que ia ocupando. Me senti jogando as primeiras versões de Warcraft: ia avançando e ampliando o mapa. Quando chegou a minha cama nova, limpei mais um quarto. Quando foram instalar a internet, limpei o escritório (que já tinha uma bancada de trabalho, vejam vocês).
Até a Véia resolver me visitar. Não teve jeito: tive que limpar o resto da casa. Algumas coisas inúteis, tipo duas varandas, uma com 1m² e outra com 2m² (sério!). Outras nem tanto, como o outro banheiro, a sala (que não tem móvel nenhum) e a lavanderia (aquela com o teto de gesso). Ficou faltado a área e o banheiro dela.
Não é que a Véia chegou e me fez limpar a porcaria da área? E só por causa disso choveu pra caramba, e sujou tudo de volta. Já o manheiro da área, bem, esse continua sujo. E vai ficar por mais um bom tempo.
O lado bom é que essas limpezas me fizeram descobrir algumas coisas curiosas da casa. Mas isso é assunto para outro post, assim como a saga da mudança.
7 de ago. de 2017
A saga do aluguel de apartamento
Eu nunca precisei procurar apartamento para alugar, mas mudando de cidade (e desta vez não era para morar em hotel), tive que me aventurar neste mundo desconhecido. Não sabia nem por onde começar, pois os sites de imóveis que eu conhecia não possuíam apartamentos de JF. Pedi ajuda ao Google e achei um site que era um agregador de sites de imobiliárias.
De cara, assustei com a quantidade de opções de apartamento E de imobiliárias em JF. Pode ser que em BH também tenha um milhão de imobiliárias, mas JF tem 500 mil habitantes. Mas assim é a vida e saí em busca de opções.
Eu tinha duas restrições: precisava ser bem localizado e ter espaço suficiente para meu cachorro (que não é tão pequeno quanto muitos de vocês devem achar). Ah, e o aluguel não podia ser metade do meu salário, óbvio. Levantei uns 4 ou 5 apartamentos e me programei para visitar a noite.
Esse foi meu primeiro erro. As imobiliárias de JF têm um horário de trabalho peculiar. Começam a funcionar as 9:00 e fecham as 16:00. Isso quando não fecham na hora do almoço (e isso é sério!). Eu (e boa parte da população que vai alugar apartamento) trabalho e não é fácil sair no meio do serviço pra ir visitar apartamento. Mas assim é a vida e resolvi me virar na hora do almoço pra ir visitar.
O primeiro apartamento era o mais promissor. Fui na imobiliária, pedi a chave. A atendente procurou a chave, não achou. Ligou para o proprietário, o cara falou que a chave estava na portaria, que eu deveria procurar o zelador para ele me acompanhar. Assim eu fiz: peguei um taxi e fui até o prédio. Toquei o interfone e o zelador falou “esse apartamento já está alugado. Você é a quinta pessoa que veio aqui essa semana, avisa a imobiliária, por favor”. Sem entender nada, liguei de volta para a imobiliária. A mulher falou: “você me viu ligando pra ele, não posso fazer nada enquanto ele não vier tirar o anuncio”.
Outro dia, outra tentativa. Fui na imobiliária e logo na porta vi o apartamento que eu queria visitar. Entrei na loja e falei “oi, queria visitar aquele apartamento ali”, apontando para a imagem do apartamento na porta. A mulher caçou no sistema dela e falou “ih, já está alugado”. “Pô, podia atualizar o sistema, hein?”, reclamei, sabendo que não daria em nada.
Mais uma tentativa, em um outro dia. Dessa vez tinha a chave e não estava alugado. Fui ao aparamento e ele era muito espaçoso. Só que era barulhento para caralho (ficava na cara de uma das 3 principais avenidas da cidade). Ainda assim resolvi conhecer a garagem (eram 2 vagas). Na descida pra garagem conheci a mulher que morava no apartamento de baixo do que eu estava olhado. Era daquelas velhas grudentas (eu vi como ela estava tratando uma outra moradora do prédio). Aí perguntei “e pode cachorro no prédio?”. A mulher fechou a cara e falou “cachorro aqui é um problema. Tem um monte, eles fazem barulho, é um inferno”. Risquei esse apartamento da lista.
Outra tentativa, desta vez um apartamento de fundo. Razoavelmente silencioso. Na varanda de um outro apartamento, um urso (aquilo não eram um cachorro). Sinal que não teria problemas com isso. Mas eu entrei no apartamento e tive a certeza que antes de ficar para aluguel morava um animal lá dentro. Todas as portas estavam destruídas, o piso detonado, banheiros antigos e detonados. Não dava para morar ali. Riscado da lista.
A última opção era um apartamento que era muito silencioso, espaçoso, mas todas as portas tinham cupim. E quem já sofreu com cupim não quer passar por isso novamente. Além disso, não consegui entender como era o esquema da garagem. Voltando na imobiliária, fiz 3 perguntas: se seria possível trocar as portas por causa do cupim, se podia ter cachorro e se a vaga de garagem era presa. Estou esperando resposta até hoje, quase 3 meses depois.
As opções nos bairros que eu queria tinham acabado. Eu já tinha zerado os sites de imobiliárias, olhando todo dia por novas opções. Então tive que partir para outros bairros, não tão bons, mas ainda assim pertos. Achei um apartamento promissor. Fui na imobiliária e catei a chave.
Chego no prédio, um ponto de ônibus na porta. Não era tanto problema, pois era de fundo. Subo para o andar (o último) e tinha UMA GRADE na porta. Sério. Era uma grade antes da porta. Já não fiquei muito satisfeito em morar em um lugar assim, mas se era para ter mais segurança, convivemos com a grade. O apartamento era bom, tinha lá seus problemas, mas era a melhor opção até o momento. Até que vou na garagem e vejo a convenção do prédio. A ÚLTIMA linha era “não é permitido nenhum tipo de animal”. Eu sei que hoje em dia isso não pode mais ter isso, mas mudar pra começar a brigar não era a minha maior vontade. Pra completar, quando eu estava saindo do prédio vi que um PM morava lá também. Desisti, infelizmente.
Continuei a pesquisa, na esperança de aparecer um apartamento novo. E, para minha surpresa, ele apareceu. Uma cobertura, banheira de hidromassagem, churrasqueira, lareira, espaço pro cachorro, rua tranquila. Parecia ser espaçoso também. “Achei, porra!”, pensei. Mas Murphy me ama e na semana seguinte eu não iria para JF (tinha um monte de feriados na semana). Fiquei olhando o anuncio todos os dias e, na segunda feira seguinte, assim que terminei uma reunião (10 da manhã), liguei na imobiliária. Alguém tinha acabado de pegar a chave. Provavelmente foi alguém que viu na semana dos feriados e assim que chegou em JF na segunda pegou a chave para visitar. O atendente falou pra eu ligar a tarde. Assim eu fiz. E aí o cara falou que quem tinha visitado o apartamento tinha feito a proposta.
Eu fiquei muito puto. Maldito feriado. Maldita reunião. Maldito Murphy. Mas o atendente falou que, como tinha análise de documentação e blábláblá, eu devia ligar na quinta-feira, porque se não tivesse sido aprovado a preferência era minha. Desacreditado, liguei. E para minha surpresa, o atendente falou “deu um problema na documentação da mulher, pode vir visitar”. Mas Murphy é meu amigo, Murphy é meu colega e neste dia eu estava em Curitiba. “Me manda a ficha de proposta, eu visito na segunda”, disse. O cara não deixou. “Vou pedir para um colega visitar hoje e filmar o apartamento pra mim”, disse. O cara não deixou. Na segunda-feira, quando cheguei em JF, liguei para a imobiliária e....o apartamento já tinha sido alugado. A mulher entrou com toda a documentação novamente e essa leva foi aprovada.
Nessa hora eu já estava desesperado. Liguei o foda-se para a localização, ampliando bastante a base de busca. Não que tenha dado muitas opções, mas apareceu uma. O lugar era mais distante (na verdade, nem era tão longe assim, mas para uma cidade do interior 5 km é muita coisa), mas o apartamento parecia promissor. Fui na imobiliária (a mesma do primeiro apartamento), catei a chave e fui pro lugar. Lugar absolutamente tranquilo. Cachorros nas varandas. Prometia. Coloquei na chave na porta e....não abriu. Sério. Eu fiquei muito puto. Muito mesmo. Imobiliária filha da puta. Liguei lá e falaram “ah, tem uma outra aqui. Quer testar?”. Voltei lá, peguei a chave, voltei pro apartamento e finalmente consegui entrar.
O apartamento é grande, mas mal dividido. Tem espaço pro cachorro. Uma caralhada de quartos, todos pequenos. A cozinha é maior que a sala (a cozinha gigante, a sala pequena). A lavanderia é pequena e tem teto de gesso. Teto de gesso em lavanderia? Quem foi o gênio que fez isso? A garagem é desgraçada. Mas isso tudo a gente releva. Tem espaço pro cachorro. Todos os vizinhos têm cachorro.
Começou então a discussão com a Imobiliária. Fiz uma vistoria buscando pelo em ovo. Levei CINCO HORAS para terminar. A mulher da imobiliária até assustou quando voltei da vistoria com a folha dela toda rabiscada. Ela perguntou “vi que você fez muita ressalva, tem alguma coisa que te impede de mudar?”. Respondi “não, foi só pra me resguardar mesmo”.
Aí discute daqui, reclama de contrato ali, manda 400 fotos de lá... No final assinei o contrato. Agora tenho onde morar.
Agora vem a saga da limpeza. Mas isso é assunto pra outro post.
De cara, assustei com a quantidade de opções de apartamento E de imobiliárias em JF. Pode ser que em BH também tenha um milhão de imobiliárias, mas JF tem 500 mil habitantes. Mas assim é a vida e saí em busca de opções.
Eu tinha duas restrições: precisava ser bem localizado e ter espaço suficiente para meu cachorro (que não é tão pequeno quanto muitos de vocês devem achar). Ah, e o aluguel não podia ser metade do meu salário, óbvio. Levantei uns 4 ou 5 apartamentos e me programei para visitar a noite.
Esse foi meu primeiro erro. As imobiliárias de JF têm um horário de trabalho peculiar. Começam a funcionar as 9:00 e fecham as 16:00. Isso quando não fecham na hora do almoço (e isso é sério!). Eu (e boa parte da população que vai alugar apartamento) trabalho e não é fácil sair no meio do serviço pra ir visitar apartamento. Mas assim é a vida e resolvi me virar na hora do almoço pra ir visitar.
O primeiro apartamento era o mais promissor. Fui na imobiliária, pedi a chave. A atendente procurou a chave, não achou. Ligou para o proprietário, o cara falou que a chave estava na portaria, que eu deveria procurar o zelador para ele me acompanhar. Assim eu fiz: peguei um taxi e fui até o prédio. Toquei o interfone e o zelador falou “esse apartamento já está alugado. Você é a quinta pessoa que veio aqui essa semana, avisa a imobiliária, por favor”. Sem entender nada, liguei de volta para a imobiliária. A mulher falou: “você me viu ligando pra ele, não posso fazer nada enquanto ele não vier tirar o anuncio”.
Outro dia, outra tentativa. Fui na imobiliária e logo na porta vi o apartamento que eu queria visitar. Entrei na loja e falei “oi, queria visitar aquele apartamento ali”, apontando para a imagem do apartamento na porta. A mulher caçou no sistema dela e falou “ih, já está alugado”. “Pô, podia atualizar o sistema, hein?”, reclamei, sabendo que não daria em nada.
Mais uma tentativa, em um outro dia. Dessa vez tinha a chave e não estava alugado. Fui ao aparamento e ele era muito espaçoso. Só que era barulhento para caralho (ficava na cara de uma das 3 principais avenidas da cidade). Ainda assim resolvi conhecer a garagem (eram 2 vagas). Na descida pra garagem conheci a mulher que morava no apartamento de baixo do que eu estava olhado. Era daquelas velhas grudentas (eu vi como ela estava tratando uma outra moradora do prédio). Aí perguntei “e pode cachorro no prédio?”. A mulher fechou a cara e falou “cachorro aqui é um problema. Tem um monte, eles fazem barulho, é um inferno”. Risquei esse apartamento da lista.
Outra tentativa, desta vez um apartamento de fundo. Razoavelmente silencioso. Na varanda de um outro apartamento, um urso (aquilo não eram um cachorro). Sinal que não teria problemas com isso. Mas eu entrei no apartamento e tive a certeza que antes de ficar para aluguel morava um animal lá dentro. Todas as portas estavam destruídas, o piso detonado, banheiros antigos e detonados. Não dava para morar ali. Riscado da lista.
A última opção era um apartamento que era muito silencioso, espaçoso, mas todas as portas tinham cupim. E quem já sofreu com cupim não quer passar por isso novamente. Além disso, não consegui entender como era o esquema da garagem. Voltando na imobiliária, fiz 3 perguntas: se seria possível trocar as portas por causa do cupim, se podia ter cachorro e se a vaga de garagem era presa. Estou esperando resposta até hoje, quase 3 meses depois.
As opções nos bairros que eu queria tinham acabado. Eu já tinha zerado os sites de imobiliárias, olhando todo dia por novas opções. Então tive que partir para outros bairros, não tão bons, mas ainda assim pertos. Achei um apartamento promissor. Fui na imobiliária e catei a chave.
Chego no prédio, um ponto de ônibus na porta. Não era tanto problema, pois era de fundo. Subo para o andar (o último) e tinha UMA GRADE na porta. Sério. Era uma grade antes da porta. Já não fiquei muito satisfeito em morar em um lugar assim, mas se era para ter mais segurança, convivemos com a grade. O apartamento era bom, tinha lá seus problemas, mas era a melhor opção até o momento. Até que vou na garagem e vejo a convenção do prédio. A ÚLTIMA linha era “não é permitido nenhum tipo de animal”. Eu sei que hoje em dia isso não pode mais ter isso, mas mudar pra começar a brigar não era a minha maior vontade. Pra completar, quando eu estava saindo do prédio vi que um PM morava lá também. Desisti, infelizmente.
Continuei a pesquisa, na esperança de aparecer um apartamento novo. E, para minha surpresa, ele apareceu. Uma cobertura, banheira de hidromassagem, churrasqueira, lareira, espaço pro cachorro, rua tranquila. Parecia ser espaçoso também. “Achei, porra!”, pensei. Mas Murphy me ama e na semana seguinte eu não iria para JF (tinha um monte de feriados na semana). Fiquei olhando o anuncio todos os dias e, na segunda feira seguinte, assim que terminei uma reunião (10 da manhã), liguei na imobiliária. Alguém tinha acabado de pegar a chave. Provavelmente foi alguém que viu na semana dos feriados e assim que chegou em JF na segunda pegou a chave para visitar. O atendente falou pra eu ligar a tarde. Assim eu fiz. E aí o cara falou que quem tinha visitado o apartamento tinha feito a proposta.
Eu fiquei muito puto. Maldito feriado. Maldita reunião. Maldito Murphy. Mas o atendente falou que, como tinha análise de documentação e blábláblá, eu devia ligar na quinta-feira, porque se não tivesse sido aprovado a preferência era minha. Desacreditado, liguei. E para minha surpresa, o atendente falou “deu um problema na documentação da mulher, pode vir visitar”. Mas Murphy é meu amigo, Murphy é meu colega e neste dia eu estava em Curitiba. “Me manda a ficha de proposta, eu visito na segunda”, disse. O cara não deixou. “Vou pedir para um colega visitar hoje e filmar o apartamento pra mim”, disse. O cara não deixou. Na segunda-feira, quando cheguei em JF, liguei para a imobiliária e....o apartamento já tinha sido alugado. A mulher entrou com toda a documentação novamente e essa leva foi aprovada.
Nessa hora eu já estava desesperado. Liguei o foda-se para a localização, ampliando bastante a base de busca. Não que tenha dado muitas opções, mas apareceu uma. O lugar era mais distante (na verdade, nem era tão longe assim, mas para uma cidade do interior 5 km é muita coisa), mas o apartamento parecia promissor. Fui na imobiliária (a mesma do primeiro apartamento), catei a chave e fui pro lugar. Lugar absolutamente tranquilo. Cachorros nas varandas. Prometia. Coloquei na chave na porta e....não abriu. Sério. Eu fiquei muito puto. Muito mesmo. Imobiliária filha da puta. Liguei lá e falaram “ah, tem uma outra aqui. Quer testar?”. Voltei lá, peguei a chave, voltei pro apartamento e finalmente consegui entrar.
O apartamento é grande, mas mal dividido. Tem espaço pro cachorro. Uma caralhada de quartos, todos pequenos. A cozinha é maior que a sala (a cozinha gigante, a sala pequena). A lavanderia é pequena e tem teto de gesso. Teto de gesso em lavanderia? Quem foi o gênio que fez isso? A garagem é desgraçada. Mas isso tudo a gente releva. Tem espaço pro cachorro. Todos os vizinhos têm cachorro.
Começou então a discussão com a Imobiliária. Fiz uma vistoria buscando pelo em ovo. Levei CINCO HORAS para terminar. A mulher da imobiliária até assustou quando voltei da vistoria com a folha dela toda rabiscada. Ela perguntou “vi que você fez muita ressalva, tem alguma coisa que te impede de mudar?”. Respondi “não, foi só pra me resguardar mesmo”.
Aí discute daqui, reclama de contrato ali, manda 400 fotos de lá... No final assinei o contrato. Agora tenho onde morar.
Agora vem a saga da limpeza. Mas isso é assunto pra outro post.
21 de jul. de 2017
Primeiras impressões
"Você não falou que ia ter mais atualizações agora que viajaria toda semana?"
Eu sei, é uma cobrança válida. Eu juro que tentei, mas a estrada pra Juiz de Fora está uma porcaria e o busão vai balançando o tempo todo. Fiquei com dor de cabeça quando tentei escrever.
Pois bem, vamos ao que interessa. Como vocês devem saber, eu saí de uma empresa gigante, multinacional, que tinha procedimento até pra ir no banheiro. Era um inferno.
Aí cheguei na empresa nova, que também é uma multinacional, mas não tão grande quanto a anterior. De cara tinha um computador novinho pra mim. Configuração melhor que o melhor computador da empresa antiga (que só os arquitetos de software tinham). Sem eu pedir. E aí perguntei se tinha algum monitor dando sopa, para usar junto com o computador. Não tinha, mas falaram "pode pedir. Manda a configuração para compras que eu aprovo". Simples assim.
Lógico que nem tudo são flores. Uma empresa sem burocracia normalmente significa uma empresa sem processos. E processos são bons, apesar de todo o trauma da antiga empresa, que tinha processo (complexo) para tudo. Para minha surpresa, quando estava comentando isso com meu chefe (que já trabalhou comigo antes), ele disse "faz aí. Usa a sua experiência de outras empresas e propõe o que você acha que vale a pena pra gente". Por um lado é muito bom, mas é muito trabalho e muitas mudanças.
Uma coisa que também mudou muito foi o trato com o cliente. Vez ou outra eu tinha cliente "fresco", que você precisava falar cheio de dedos para não ter reclamação. E no PRIMEIRO dia de empresa, ouvi o seguinte diálogo entre um outro gerente da empresa e o cliente, que estava pedindo 300 cabos para fazer uma ligação entre equipamentos:
- Alô, fulano?
- Fala cara.
- Que história é essa de 300 cabos? Tá achando que eu sou loja elétrica? Quer que eu tire cabo de onde? Do cu?
- Não porra, mas preciso substituir os cabos pra fazer manutenção.
- Vou te emprestar 20 cabos, depois que você trocar tudo você me devolve.
E tudo foi resolvido. Sério, com essas palavras.
Uma outra coisa que está bem diferente é a forma de fazer reuniões. Tem muitas, como em qualquer empresa (infelizmente), mas são pelo skype e em inglês (sempre tem um gringo na linha). E eu percebi o quanto meu inglês está enferrujado (e o do resto do pessoal do escritório também). Sinceramente não sei como os gringos conseguem nos entender. Por outro lado, o chefe do meu chefe é indiano e eu não entendo porra nenhuma do que ele fala por causa do sotaque, então estamos na mesma.
Falando agora da cidade, é um treco muito estranho. Primeiro que todo mundo acha 2 km longe. Isso é o que eu ando para ir para o trabalho. Tem um trilhão de linhas de ônibus, mas as rotas seguidas por eles variam muito pouco. Aí cada linha tem 1 ônibus a cada meia hora.
O tempo é outra coisa estranha. Num dia faz frio (15 graus), no outro dia está um calor dos infernos (35 graus). Isso quando o dia não começa com 8 graus, tudo coberto de névoa; no horário do almoço tá 30, com um sol de rachar e no final da tarde chove torrencialmente e o frio volta com tudo.
Domingo também é uma coisa estranha. 4 horas da tarde a cidade vira uma cidade fantasma. Nada na rua, tudo fechado. 6 da tarde as pessoas voltam à rua e tudo abre. Eu, que não sabia disso, quase morri de fome quando cheguei num domingo a tarde e não tinha nada pra comer na geladeira.
Um ponto que me deixou perplexo são as imobiliárias. Pela primeira vez eu tive que alugar um apartamento (e é história para outro post), mas eu não consigo imaginar que seja assim em outras cidades: as lojas só abrem 9 da manhã e fecham as 16:00. Isso quando não fecham na hora do almoço, de 11:30 as 13:00 (sério!). Os outros problemas eu conto em outro post.
Por enquanto é isso. Na medida que for tendo tempo vou colocando mais coisas por aqui.
Eu sei, é uma cobrança válida. Eu juro que tentei, mas a estrada pra Juiz de Fora está uma porcaria e o busão vai balançando o tempo todo. Fiquei com dor de cabeça quando tentei escrever.
Pois bem, vamos ao que interessa. Como vocês devem saber, eu saí de uma empresa gigante, multinacional, que tinha procedimento até pra ir no banheiro. Era um inferno.
Aí cheguei na empresa nova, que também é uma multinacional, mas não tão grande quanto a anterior. De cara tinha um computador novinho pra mim. Configuração melhor que o melhor computador da empresa antiga (que só os arquitetos de software tinham). Sem eu pedir. E aí perguntei se tinha algum monitor dando sopa, para usar junto com o computador. Não tinha, mas falaram "pode pedir. Manda a configuração para compras que eu aprovo". Simples assim.
Lógico que nem tudo são flores. Uma empresa sem burocracia normalmente significa uma empresa sem processos. E processos são bons, apesar de todo o trauma da antiga empresa, que tinha processo (complexo) para tudo. Para minha surpresa, quando estava comentando isso com meu chefe (que já trabalhou comigo antes), ele disse "faz aí. Usa a sua experiência de outras empresas e propõe o que você acha que vale a pena pra gente". Por um lado é muito bom, mas é muito trabalho e muitas mudanças.
Uma coisa que também mudou muito foi o trato com o cliente. Vez ou outra eu tinha cliente "fresco", que você precisava falar cheio de dedos para não ter reclamação. E no PRIMEIRO dia de empresa, ouvi o seguinte diálogo entre um outro gerente da empresa e o cliente, que estava pedindo 300 cabos para fazer uma ligação entre equipamentos:
- Alô, fulano?
- Fala cara.
- Que história é essa de 300 cabos? Tá achando que eu sou loja elétrica? Quer que eu tire cabo de onde? Do cu?
- Não porra, mas preciso substituir os cabos pra fazer manutenção.
- Vou te emprestar 20 cabos, depois que você trocar tudo você me devolve.
E tudo foi resolvido. Sério, com essas palavras.
Uma outra coisa que está bem diferente é a forma de fazer reuniões. Tem muitas, como em qualquer empresa (infelizmente), mas são pelo skype e em inglês (sempre tem um gringo na linha). E eu percebi o quanto meu inglês está enferrujado (e o do resto do pessoal do escritório também). Sinceramente não sei como os gringos conseguem nos entender. Por outro lado, o chefe do meu chefe é indiano e eu não entendo porra nenhuma do que ele fala por causa do sotaque, então estamos na mesma.
Falando agora da cidade, é um treco muito estranho. Primeiro que todo mundo acha 2 km longe. Isso é o que eu ando para ir para o trabalho. Tem um trilhão de linhas de ônibus, mas as rotas seguidas por eles variam muito pouco. Aí cada linha tem 1 ônibus a cada meia hora.
O tempo é outra coisa estranha. Num dia faz frio (15 graus), no outro dia está um calor dos infernos (35 graus). Isso quando o dia não começa com 8 graus, tudo coberto de névoa; no horário do almoço tá 30, com um sol de rachar e no final da tarde chove torrencialmente e o frio volta com tudo.
Domingo também é uma coisa estranha. 4 horas da tarde a cidade vira uma cidade fantasma. Nada na rua, tudo fechado. 6 da tarde as pessoas voltam à rua e tudo abre. Eu, que não sabia disso, quase morri de fome quando cheguei num domingo a tarde e não tinha nada pra comer na geladeira.
Um ponto que me deixou perplexo são as imobiliárias. Pela primeira vez eu tive que alugar um apartamento (e é história para outro post), mas eu não consigo imaginar que seja assim em outras cidades: as lojas só abrem 9 da manhã e fecham as 16:00. Isso quando não fecham na hora do almoço, de 11:30 as 13:00 (sério!). Os outros problemas eu conto em outro post.
Por enquanto é isso. Na medida que for tendo tempo vou colocando mais coisas por aqui.
1 de mai. de 2017
Quando eu mudei de empresa e de cidade
Nem lembro mais quando essa história começou, mas foi em meados de janeiro. Estava eu trabalhando, em alguma reunião que não lembro mais, quando meu telefone toca. Como era um número desconhecido com DDD 32, não atendi (em reunião só atendo família, chefe ou cliente, porque quase nunca me ligam e quando ligam é sério).
Passou o almoço e eu já tinha até esquecido do telefonema. Aí o telefone toca novamente, o mesmo DDD 32 (não tinha nem idéia se era o mesmo numero). Resolvi atender. E uma voz conhecida estava do outro lado. A voz que me fez largar a consultoria. E o começo da conversa foi praticamente o mesmo...
- Fala cara! Tudo bom? Tá cansado do seu emprego atual?
Resumindo a conversa, ele estava indo para os EUA pela empresa atual, um outro colega assumiria outras coisas na empresa e precisavam de outra pessoa para assumir os projetos dos dois (e outros que estavam por vir). "Vamos conversar", respondi.
Atualizei meu currículo e mandei pro cara, copiando o chefe atual dele. O chefe dele já responde o email com perguntas diretas: "pode mudar pra Juiz de Fora? Qual a pretensão salarial? Pode começar em fevereiro?" e já mandou o gerente de RH marcar uma entrevista. Falei que não dava pra começar no início de fevereiro, mas dava pra ir no final do mês. E fiquei esperando contato do cara do RH.
Passou um dia... Passou uma semana... Passou um mês... Nada do cara fazer contato. Pensei "desistiram de mim. Devo ter assustado com as minhas respostas". Já tinha até desistido, quando o cara do RH me ligou, no começo de março (lembra que era urgente?)
- Tudo bom? Pode fazer a entrevista hoje no final do dia?
- Putz, hoje não dá. (realmente não dava). Pode ser quinta?
- vou ver e te retorno.
Passa um tempo e o cara me liga de volta:
- Só consegui pra amanhã as 18.
- Putz, amanhã eu vou estar em viagem.
- O pessoal tá com muita urgência, precisamos fechar a vaga essa semana. Não dá pra você fazer uma força?
- Marca aí, vou ver o que dá pra fazer.
No dia seguinte eu fui fazer uma visita comercial para um cliente com mais 3 pessoas. Já começou dando tudo errado: a visita era em outra cidade, erramos no tempo, pegamos trânsito e chegamos com mais de um hora de atraso. Isso porque nem almoçamos. Para piorar tudo lá dentro foi demorado: a sala era longe, estava trancada, o projetor não funcionou... Começamos praticamente na hora que era pra acabar e tudo o que falávamos o cliente perguntava mais coisa.
Vendo que não ia dar tempo de voltar pra BH, pedi licença da sala (era o assunto de outra área) e fui ligar pro cara do RH.
- Deu um problema aqui, tem como mudar a entrevista pra outro dia?
- dá não, te falei.
- Putz, tô preso no interior de Minas.
- não consegue entrar pelo Skype?
- vou tentar, mas não garanto. Tô realmente no meio do nada.
E isso era verdade. Desde que a mi há empresa mudou de operadora (pra claro), todo mundo está sofrendo. Tem muita zona de sombra em plena BH. Não pega na minha casa, por exemplo. E eu precisaria de uma conexão porreta, pois a entrevista seria por Skype.
Voltei para a reunião pensando em como ia fazer. A reunião demorou tanto que nem deu tempo de eu apresentar a minha parte. O cliente pediu pra ir outro dia no nosso escritório pra conhecer a equipe e ver nosso trabalho.
Nesse meio tempo, pensei no plano pra conseguir fazer a reunião. Vou para a cidade mais perto (que era Mariana), faço a reunião é termino de chegar em casa. Falei com o pessoal que precisava ficar no meio do caminho, porque ia ter uma reunião, mas eles insistiram em me esperar. Como já estava tarde e a "reunião" era de uma hora, era o tempo deles comerem e tomarem uma cerveja.
Ficou bom pra todo mundo, então assim fizemos. O problema é que estava difícil achar um lugar em Mariana em que o sinal estivesse bom. O máximo que eu consegui foi um 3.5g, na praça principal da cidade. E como o tempo estava curto, foi lá mesmo que paramos.
Eu comecei a procurar um lugar na praça que não estivesse muito barulhento e que tivesse sinal. O melhor que eu consegui, foi esse aqui:
Sim, no coreto. Como era mais alto, o sinal estava razoável e o barulho não estava dos piores. Aí tentei abrir o Skype pra entrar na reunião e... Quem falou que funcionava? Tentei de tudo, baixei 3 tipos de Skype, tentei achar um número pra ligar... Nada. Até que alguém me mandou um link pra reunião e eu magicamente consegui entrar.
Pedi desculpas pelo atraso, expliquei que tive um problema e que estava em um lugar com sinal ruim, que poderia cair ou picar a ligação, que qualquer coisa perguntassem.
No meio da conversa a ligação caiu. Eu fiquei uns 5 minutos falando pro nada, porque demorei pra perceber. O que foi bom, pois era a principal pergunta e pude dar uma resposta melhor.
No final, caiu novamente e antes mesmo que eu conseguisse entrar, o cara do RH me ligou, falando que eu tinha saído muito bem, que os gringos tinham gostado e que me ligaria amanhã pra bater um papo final.
No dia seguinte fizemos uma nova conversa, e ele falou que eu tinha sido selecionado, que faria uma proposta. E mandou. Era boa, mas eu teria custos de aluguel, então falei que teria que ser um pouco melhor. Isso depois de ligar pro meu chefe e perguntar se ele não estava pensando em me demitir, claro.
Passou um dia.. Passou uma semana... Nada de fazerem contato. "Não devem ter conseguido fazer nada melhor", pensei. Eu também não fiquei caçando saber, pois pela primeira vez em muito tempo eu estava satisfeito no trabalho. E estava com um pequeno receio de trocar de empresa e de cidade.
Passada mais uma semana, a tal voz conhecida me liga e pergunta se o cara do RH entrou em contato. Falei que não. Mais uns 3 dias, o outro cara conhecido que está na empresa me manda mensagem falando que o cara da empresa ia entrar em contato. E me falou que a proposta ia melhorar, pra eu ir pensando.
Passei a noite pesquisando apartamento em Juiz de Fora, fazendo conta e vi o valor que precisava chegar. Antes mesmo de o cara do RH mandar a atualização, mandei uma mensagem pro cara que vai ser meu chefe (um dos dois que eu conheço) e dei algumas opções, sendo que uma era boa pra mim e para a empresa. Passamos o dia negociando (me senti o cara mais chorão do mundo) até que o cara falou "velho, não dá pra fazer mais. Já tô fora do budget". Ainda não era o que eu tinha pensado, mas a diferença era muito pequena e eu vi que eles estavam fazendo uma força muito grande pra me levar pro time deles. Falei "manda a proposta, vou assinar"
Precisou de mais uns 2 dias pra proposta chegar e dia 30 de março eu assinei e pedi demissão pro meu chefe. Eu teria que cumprir aviso prévio, então combinamos meu início em 2 de Maio. Foi um mês bem corrido pra fazer handover, cheio de feriado. Para piorar, eu ainda tinha uma semana de férias guardada na gaveta, então um mês virou 3 semanas. Mas no fim deu certo.
E agora cá estou eu, dentro do ônibus, indo para a minha nova cidade. Me desejem sorte.
PS. Desculpem por erros de português, corretor automático maluco, imagem quebrada ou desconfigurada. Estou realmente escrevendo do ônibus e a conexão está uma bosta.
Passou o almoço e eu já tinha até esquecido do telefonema. Aí o telefone toca novamente, o mesmo DDD 32 (não tinha nem idéia se era o mesmo numero). Resolvi atender. E uma voz conhecida estava do outro lado. A voz que me fez largar a consultoria. E o começo da conversa foi praticamente o mesmo...
- Fala cara! Tudo bom? Tá cansado do seu emprego atual?
Resumindo a conversa, ele estava indo para os EUA pela empresa atual, um outro colega assumiria outras coisas na empresa e precisavam de outra pessoa para assumir os projetos dos dois (e outros que estavam por vir). "Vamos conversar", respondi.
Atualizei meu currículo e mandei pro cara, copiando o chefe atual dele. O chefe dele já responde o email com perguntas diretas: "pode mudar pra Juiz de Fora? Qual a pretensão salarial? Pode começar em fevereiro?" e já mandou o gerente de RH marcar uma entrevista. Falei que não dava pra começar no início de fevereiro, mas dava pra ir no final do mês. E fiquei esperando contato do cara do RH.
Passou um dia... Passou uma semana... Passou um mês... Nada do cara fazer contato. Pensei "desistiram de mim. Devo ter assustado com as minhas respostas". Já tinha até desistido, quando o cara do RH me ligou, no começo de março (lembra que era urgente?)
- Tudo bom? Pode fazer a entrevista hoje no final do dia?
- Putz, hoje não dá. (realmente não dava). Pode ser quinta?
- vou ver e te retorno.
Passa um tempo e o cara me liga de volta:
- Só consegui pra amanhã as 18.
- Putz, amanhã eu vou estar em viagem.
- O pessoal tá com muita urgência, precisamos fechar a vaga essa semana. Não dá pra você fazer uma força?
- Marca aí, vou ver o que dá pra fazer.
No dia seguinte eu fui fazer uma visita comercial para um cliente com mais 3 pessoas. Já começou dando tudo errado: a visita era em outra cidade, erramos no tempo, pegamos trânsito e chegamos com mais de um hora de atraso. Isso porque nem almoçamos. Para piorar tudo lá dentro foi demorado: a sala era longe, estava trancada, o projetor não funcionou... Começamos praticamente na hora que era pra acabar e tudo o que falávamos o cliente perguntava mais coisa.
Vendo que não ia dar tempo de voltar pra BH, pedi licença da sala (era o assunto de outra área) e fui ligar pro cara do RH.
- Deu um problema aqui, tem como mudar a entrevista pra outro dia?
- dá não, te falei.
- Putz, tô preso no interior de Minas.
- não consegue entrar pelo Skype?
- vou tentar, mas não garanto. Tô realmente no meio do nada.
E isso era verdade. Desde que a mi há empresa mudou de operadora (pra claro), todo mundo está sofrendo. Tem muita zona de sombra em plena BH. Não pega na minha casa, por exemplo. E eu precisaria de uma conexão porreta, pois a entrevista seria por Skype.
Voltei para a reunião pensando em como ia fazer. A reunião demorou tanto que nem deu tempo de eu apresentar a minha parte. O cliente pediu pra ir outro dia no nosso escritório pra conhecer a equipe e ver nosso trabalho.
Nesse meio tempo, pensei no plano pra conseguir fazer a reunião. Vou para a cidade mais perto (que era Mariana), faço a reunião é termino de chegar em casa. Falei com o pessoal que precisava ficar no meio do caminho, porque ia ter uma reunião, mas eles insistiram em me esperar. Como já estava tarde e a "reunião" era de uma hora, era o tempo deles comerem e tomarem uma cerveja.
Ficou bom pra todo mundo, então assim fizemos. O problema é que estava difícil achar um lugar em Mariana em que o sinal estivesse bom. O máximo que eu consegui foi um 3.5g, na praça principal da cidade. E como o tempo estava curto, foi lá mesmo que paramos.
Eu comecei a procurar um lugar na praça que não estivesse muito barulhento e que tivesse sinal. O melhor que eu consegui, foi esse aqui:
Sim, no coreto. Como era mais alto, o sinal estava razoável e o barulho não estava dos piores. Aí tentei abrir o Skype pra entrar na reunião e... Quem falou que funcionava? Tentei de tudo, baixei 3 tipos de Skype, tentei achar um número pra ligar... Nada. Até que alguém me mandou um link pra reunião e eu magicamente consegui entrar.
Pedi desculpas pelo atraso, expliquei que tive um problema e que estava em um lugar com sinal ruim, que poderia cair ou picar a ligação, que qualquer coisa perguntassem.
No meio da conversa a ligação caiu. Eu fiquei uns 5 minutos falando pro nada, porque demorei pra perceber. O que foi bom, pois era a principal pergunta e pude dar uma resposta melhor.
No final, caiu novamente e antes mesmo que eu conseguisse entrar, o cara do RH me ligou, falando que eu tinha saído muito bem, que os gringos tinham gostado e que me ligaria amanhã pra bater um papo final.
No dia seguinte fizemos uma nova conversa, e ele falou que eu tinha sido selecionado, que faria uma proposta. E mandou. Era boa, mas eu teria custos de aluguel, então falei que teria que ser um pouco melhor. Isso depois de ligar pro meu chefe e perguntar se ele não estava pensando em me demitir, claro.
Passou um dia.. Passou uma semana... Nada de fazerem contato. "Não devem ter conseguido fazer nada melhor", pensei. Eu também não fiquei caçando saber, pois pela primeira vez em muito tempo eu estava satisfeito no trabalho. E estava com um pequeno receio de trocar de empresa e de cidade.
Passada mais uma semana, a tal voz conhecida me liga e pergunta se o cara do RH entrou em contato. Falei que não. Mais uns 3 dias, o outro cara conhecido que está na empresa me manda mensagem falando que o cara da empresa ia entrar em contato. E me falou que a proposta ia melhorar, pra eu ir pensando.
Passei a noite pesquisando apartamento em Juiz de Fora, fazendo conta e vi o valor que precisava chegar. Antes mesmo de o cara do RH mandar a atualização, mandei uma mensagem pro cara que vai ser meu chefe (um dos dois que eu conheço) e dei algumas opções, sendo que uma era boa pra mim e para a empresa. Passamos o dia negociando (me senti o cara mais chorão do mundo) até que o cara falou "velho, não dá pra fazer mais. Já tô fora do budget". Ainda não era o que eu tinha pensado, mas a diferença era muito pequena e eu vi que eles estavam fazendo uma força muito grande pra me levar pro time deles. Falei "manda a proposta, vou assinar"
Precisou de mais uns 2 dias pra proposta chegar e dia 30 de março eu assinei e pedi demissão pro meu chefe. Eu teria que cumprir aviso prévio, então combinamos meu início em 2 de Maio. Foi um mês bem corrido pra fazer handover, cheio de feriado. Para piorar, eu ainda tinha uma semana de férias guardada na gaveta, então um mês virou 3 semanas. Mas no fim deu certo.
E agora cá estou eu, dentro do ônibus, indo para a minha nova cidade. Me desejem sorte.
PS. Desculpem por erros de português, corretor automático maluco, imagem quebrada ou desconfigurada. Estou realmente escrevendo do ônibus e a conexão está uma bosta.
21 de nov. de 2016
Férias
Esse post era para ter ido pro ar dia 02 de Novembro, mas foi um dia tão merda que até o Google jogou contra e bloqueou minha conta... Mas segue o que eu escrevi no dia.
Faz tempo que não passo por aqui. A razão é bem simples: o projeto entrou em produção e começou a operação assistida (24/7). Isso significa que eu comecei a trabalhar no turno, cada semana em um horário.
E essa brincadeira destrói qualquer pessoa. Para piorar, eu ainda tinha que fazer o planejamento das minhas férias. Aliás, não lembro se comentei: meu chefe me mandou quitar todos os meus dias de férias Black esse ano (aquela que você sai no papel mas continua trabalhando). E eram 40 dias. Para resolver em 2 meses...
Vou pular uns 2 meses e chegamos no dia de hoje. Eu estava cansado, mas tinha conseguido fazer tudo o que precisava, tanto no projeto quanto para a viagem. E lá fui eu pro aeroporto.
Entro já fila da gol, espero uns 20 minutos (isso porque sou cliente preferencial). Entrego passaporte e localizador para a atendente. Passa um minuto, passam 2 minutos, passam 3 minutos e a mulher lá no computador, frenética. Aí me pergunta:
- Você recebeu o eticket? Não estou achando a sua reserva.
- Não. O que eu recebi foi isso aí.
- Só um minuto então.
Passam mais alguns bons minutos e ela volta
- não achei sua reserva. Entrei em contato com são Paulo e eles também não acharam.
- tá, mas é aí?
- liga lá na alitalia.
Faltando pouco mais de meia hora pro voo, saco o telefone do bolso e.... ele não completa a ligação. Tentei umas coisas e o mesmo erro: não registrado na rede.
O WiFi funciona, então mando mensagem pra veia e pra ruiva pedindo ajuda. Elas ligam para a alitalia e lá também não estavam achando a reserva. Desesperado, tento de tudo: vou na gol pedir para usa o telefone. Não pode. Tentei acessar a reserva pelo celular. Não funciona.
A veia me liga de volta e pede pra eu ligar pro cartão de crédito e pegar a autorização de compra da passagem. Nessa hora eu já estava procurando o juízado especial. Estava fechado. Mas a moça do juízado da criança e adolescente me ajudou e deixou eu ligar na alitalia.
Resumindo: eu tinha reserva, estava cobrando no meu cartão de crédito, mas deu algum erro e cancelaram meu eticket. E aí eu não poderia viajar. Só ofereceram devolver a passagem e se eu quisesse comprava outra.
Olhei na hora a passagem na alitalia. Estava 9 mil. Olhei no Google. Achei uma da tap por 3,3 mil. 1.200 a mais do que eu tinha pago. Mas o prejuízo de não viajar era muito maior. Comprei a passagem.
Aliás, tenho que fazer uma menção especial à anac também. Não ao órgão, mas à atendente que fez a minha reclamação. Me deixou usar o computador dela para procurar outra passagem e fazer a compra. Vão clonar o meu cartão, mas fazer o que... Pelo menos tenho outros para usar.
Nova passagem comprada, começo a juntar provas para o processo que vai rolar contra a alitalia. Para a minha mãe falaram que o voo estava lotado. Mas magicamente quando você entra no site encontra. Muito mais caro, como eu comentei. Pego também os recibos do cartão. E finalizo a reclamação na anac.
Agora estou aqui, no terminal internacional de confins, esperando meu vôo. Sem comer desde as 7 da manhã.
Oremos.
Um update: até agora deu tudo certo na viagem. Já estou na última vide que vou visitar e só falta o último voo de volta pra BH na quinta. Vamos ver se tem algum problema...
Faz tempo que não passo por aqui. A razão é bem simples: o projeto entrou em produção e começou a operação assistida (24/7). Isso significa que eu comecei a trabalhar no turno, cada semana em um horário.
E essa brincadeira destrói qualquer pessoa. Para piorar, eu ainda tinha que fazer o planejamento das minhas férias. Aliás, não lembro se comentei: meu chefe me mandou quitar todos os meus dias de férias Black esse ano (aquela que você sai no papel mas continua trabalhando). E eram 40 dias. Para resolver em 2 meses...
Vou pular uns 2 meses e chegamos no dia de hoje. Eu estava cansado, mas tinha conseguido fazer tudo o que precisava, tanto no projeto quanto para a viagem. E lá fui eu pro aeroporto.
Entro já fila da gol, espero uns 20 minutos (isso porque sou cliente preferencial). Entrego passaporte e localizador para a atendente. Passa um minuto, passam 2 minutos, passam 3 minutos e a mulher lá no computador, frenética. Aí me pergunta:
- Você recebeu o eticket? Não estou achando a sua reserva.
- Não. O que eu recebi foi isso aí.
- Só um minuto então.
Passam mais alguns bons minutos e ela volta
- não achei sua reserva. Entrei em contato com são Paulo e eles também não acharam.
- tá, mas é aí?
- liga lá na alitalia.
Faltando pouco mais de meia hora pro voo, saco o telefone do bolso e.... ele não completa a ligação. Tentei umas coisas e o mesmo erro: não registrado na rede.
O WiFi funciona, então mando mensagem pra veia e pra ruiva pedindo ajuda. Elas ligam para a alitalia e lá também não estavam achando a reserva. Desesperado, tento de tudo: vou na gol pedir para usa o telefone. Não pode. Tentei acessar a reserva pelo celular. Não funciona.
A veia me liga de volta e pede pra eu ligar pro cartão de crédito e pegar a autorização de compra da passagem. Nessa hora eu já estava procurando o juízado especial. Estava fechado. Mas a moça do juízado da criança e adolescente me ajudou e deixou eu ligar na alitalia.
Resumindo: eu tinha reserva, estava cobrando no meu cartão de crédito, mas deu algum erro e cancelaram meu eticket. E aí eu não poderia viajar. Só ofereceram devolver a passagem e se eu quisesse comprava outra.
Olhei na hora a passagem na alitalia. Estava 9 mil. Olhei no Google. Achei uma da tap por 3,3 mil. 1.200 a mais do que eu tinha pago. Mas o prejuízo de não viajar era muito maior. Comprei a passagem.
Aliás, tenho que fazer uma menção especial à anac também. Não ao órgão, mas à atendente que fez a minha reclamação. Me deixou usar o computador dela para procurar outra passagem e fazer a compra. Vão clonar o meu cartão, mas fazer o que... Pelo menos tenho outros para usar.
Nova passagem comprada, começo a juntar provas para o processo que vai rolar contra a alitalia. Para a minha mãe falaram que o voo estava lotado. Mas magicamente quando você entra no site encontra. Muito mais caro, como eu comentei. Pego também os recibos do cartão. E finalizo a reclamação na anac.
Agora estou aqui, no terminal internacional de confins, esperando meu vôo. Sem comer desde as 7 da manhã.
Oremos.
Um update: até agora deu tudo certo na viagem. Já estou na última vide que vou visitar e só falta o último voo de volta pra BH na quinta. Vamos ver se tem algum problema...
21 de ago. de 2016
Quando a cerquinha evoluiu
Quando a Ruiva mudou pra um apartamento que era da Véia (onde morei 23 anos da minha vida), eu sabia que o espírito cerberano do Pingo iria destruir os canteiros da área que tem no apartamento. Não demorou muito e isso aqui estava acontecendo:
Notem que além de comer a planta ele estava escavando o canto do canteiro. Tentei colocar brita, mas além dele começar a comer a brita (sério!) ele fez de cama:
E ficava passeando por todos os canteiros, matando as poucas plantas que tinha lá:

Cansado de ter que varrer terra do chão e tentar salvar as plantas, resolvi fazer uma cerca para ele não entrar lá. Comprei uma cerca de plástico, uns pedaços de madeira e preguei em um dos canteiros (notem que esse canteiro já estava sem plantas E sem brita).

A prova de conceito deu mais ou menos certo: ele não pulava no canteiro, mas tentava escavar por baixo da cerca. Aí resolvi investir na brincadeira, corrigindo os possíveis problemas. Troquei as madeiras por eletrodutos cortados, as madeiras serviram de apoio entre os canos e ainda coloquei hashis fechando a parte onde ele enfiava o fucinho. Ficou assim:

Funcionou tão bem que a ruiva resolveu utilizar aquela área perdida para fazer uma horta. E eu levei a sério: comprei 80 kg de terra e mais 10 kg de humus. Ainda assim ainda ficou faltando terra (o Pingo estava quase chegando na china em um dos canteiros). Tá até crescendo planta (feijão e cebolinha, por enquanto).
Empolgado com a brincadeira, passei para outro nível: queria arrumar minhocas para colocar nos canteiros. Afinal, a terra velha mais parecia barro e precisava de uma renovada. Você já tentou arrumar minhoca em BH? É impossível. Só tem as que você compra pelo Mercado livre e paga sedex com risco delas morrerem. Mas de tanto procurar (eu não poderia perder para a cerquinha), encontrei uma feira de produtos orgânicos em que um dos participantes é uns hippies que fazem minhocários e ajudam um grupo de 30 pessoas na favela do cafezal.
Sábado de manhã, lá fui eu pra feira (muito bacana, por sinal. Tem todo sábado, de 09:00 as 13:00). Como tinha dormido na casa da Ruiva e esquecido de levar minha mala, fui de roupa social. Imagina que legal a cena: um cara de roupa social procurando minhocas 9:00 da manhã de um sábado. A galera da feira deve ter achado que eu era maluco. Os hippies então, não devem ter entendido nada. Conversei com eles, eles explicaram que era um projeto social e blábláblá. Aí comentei que é impossível acahr minhoca em BH. Isso despertou uma idéia neles (além de cobrar caro pelo grupo de minhocas que comprei): divulgar no facebook deles. Apesar de ter sido caro, fiquei feliz por ter ajudado o pessoal.
A cerquinha evoluiu e virou uma horta. Mas mais do que isso, criou um novo hobby, para os momentos em que eu estou estressado (e não é cuidar da horta). Mas isso é assunto pra outro post.
Notem que além de comer a planta ele estava escavando o canto do canteiro. Tentei colocar brita, mas além dele começar a comer a brita (sério!) ele fez de cama:
E ficava passeando por todos os canteiros, matando as poucas plantas que tinha lá:
Cansado de ter que varrer terra do chão e tentar salvar as plantas, resolvi fazer uma cerca para ele não entrar lá. Comprei uma cerca de plástico, uns pedaços de madeira e preguei em um dos canteiros (notem que esse canteiro já estava sem plantas E sem brita).
A prova de conceito deu mais ou menos certo: ele não pulava no canteiro, mas tentava escavar por baixo da cerca. Aí resolvi investir na brincadeira, corrigindo os possíveis problemas. Troquei as madeiras por eletrodutos cortados, as madeiras serviram de apoio entre os canos e ainda coloquei hashis fechando a parte onde ele enfiava o fucinho. Ficou assim:
Funcionou tão bem que a ruiva resolveu utilizar aquela área perdida para fazer uma horta. E eu levei a sério: comprei 80 kg de terra e mais 10 kg de humus. Ainda assim ainda ficou faltando terra (o Pingo estava quase chegando na china em um dos canteiros). Tá até crescendo planta (feijão e cebolinha, por enquanto).
Empolgado com a brincadeira, passei para outro nível: queria arrumar minhocas para colocar nos canteiros. Afinal, a terra velha mais parecia barro e precisava de uma renovada. Você já tentou arrumar minhoca em BH? É impossível. Só tem as que você compra pelo Mercado livre e paga sedex com risco delas morrerem. Mas de tanto procurar (eu não poderia perder para a cerquinha), encontrei uma feira de produtos orgânicos em que um dos participantes é uns hippies que fazem minhocários e ajudam um grupo de 30 pessoas na favela do cafezal.
Sábado de manhã, lá fui eu pra feira (muito bacana, por sinal. Tem todo sábado, de 09:00 as 13:00). Como tinha dormido na casa da Ruiva e esquecido de levar minha mala, fui de roupa social. Imagina que legal a cena: um cara de roupa social procurando minhocas 9:00 da manhã de um sábado. A galera da feira deve ter achado que eu era maluco. Os hippies então, não devem ter entendido nada. Conversei com eles, eles explicaram que era um projeto social e blábláblá. Aí comentei que é impossível acahr minhoca em BH. Isso despertou uma idéia neles (além de cobrar caro pelo grupo de minhocas que comprei): divulgar no facebook deles. Apesar de ter sido caro, fiquei feliz por ter ajudado o pessoal.
A cerquinha evoluiu e virou uma horta. Mas mais do que isso, criou um novo hobby, para os momentos em que eu estou estressado (e não é cuidar da horta). Mas isso é assunto pra outro post.
19 de ago. de 2016
Quando eu furei meu pé
Eu sei, eu sei... Faz tempo que não apareço por aqui. Tem justificativa (cof... cof... trabalho... cof... cof..), mas não vai mudar em nada o fato deste humilde blog estar abandonado. Vamos ao que interessa.
Era uma segunda-feira, feriado aqui em BH. Era muito cedo (para um feriado), coisa de 7:30 da manhã. Eu soltei o cão do seu "dormitório" e ele saiu correndo feito um foguete pela casa, fazendo muita bagunça e tirando tapete que colocamos na casa do lugar. Como a Veia iria em casa, precisava deixar tudo mais ou menos arrumado e comecei a puxar o tapete.
Como estava com muita preguiça resolvi puxá-lo com o pé, mas como ele foi parar longe com as corridas do cérbero, tinha que fazer muita força. E assim o fiz. O que eu não imaginava é que teria um pedaço do taco para fora e que ele atravessaria meu dedo. Sim, você leu certo.
Não doeu (não o proporcional ao estrago feito), mas instantaneamente eu caí no chão. E o meu cão estava entendendo que eu queria brincar com ele, então começou a pular em cima de mim. Eu só conseguia gritar "Ruiva! Vem cá! Urgente!". Ela veio, tirou o Pingo de cima de mim e eu falei: "deu merda. Liga pro meu pai".
Ela perguntou o que era e eu só mostrei o dedo. Era mais ou menos isso aqui (sem exagero, era isso mesmo). Tirei fotos, mas são imagens fortes e nem todo mundo tem estômago pra ver:

Esse marrom escuro é o pedaço faltando deste taco aí embaixo, o que dá uma idéia do tamanho do problema:

Ela olhou e falou "é.... Vamos ter que ir para o hospital.". Confesso que cheguei a pensar "jura? Você acha mesmo?" mas fui educado e disse "eu sei. Liga pro Veio que ele dá carterada e agiliza" (ele é médico).
Ele foi me buscar, viu o estrago e falou "depois você me explica como conseguiu essa proeza. Qual hospital do seu plano?". Respondi "Mater Dei" e fomos para lá.
Cheguei 09:00. A atendente estava passando alguma informação para algumas pessoas do hospital. Como não estava doendo, fiquei esperando. Mas meu pai perdeu a paciência e falou para a mulher "desculpa, ele está com um pedaço de madeira no pé, tem como dar prioridade?". A mulher fez cara de "sei, calmo desse jeito...". Aí eu mostrei meu pé. Ela entendeu e acelerou o processo. 09:04 eu já estava dentro da sala de cirurgia. O problema é que o médico só foi chegar 9:50...
O cara deu uma porrada de anestesia, abriu meu dedo, tirou o pedaço e foi catando os pedacinhos que estavam lá dentro. Limpou, esfregou, lavou, esfregou mais um pouco (eu não senti nada!) e chamou meu pai pra ver (carteirada tem suas vantagens). Estava tudo bem, o cara foi fechar. Deu uns 7 pontos (segundo ele não adiantava dar mais), enfaixou e me deu atestado de 15 dias. Ficou assim:

A única coisa que eu tinha certeza, depois de todo o procedimento, é que tudo o que não doeu antes e na cirurgia ia doer quando acabasse a anestesia.
O mais legal: eu estou de férias no papel, mas trabalhando. Aí ganhei um atestado que não posso usar (afinal, para o RH estou de férias). Então decidi que ia continuar trabalhando, mas de casa. Peguei meu computador na empresa e continuai trabalhando, como se nada tivesse acontecido.
Era uma segunda-feira, feriado aqui em BH. Era muito cedo (para um feriado), coisa de 7:30 da manhã. Eu soltei o cão do seu "dormitório" e ele saiu correndo feito um foguete pela casa, fazendo muita bagunça e tirando tapete que colocamos na casa do lugar. Como a Veia iria em casa, precisava deixar tudo mais ou menos arrumado e comecei a puxar o tapete.
Como estava com muita preguiça resolvi puxá-lo com o pé, mas como ele foi parar longe com as corridas do cérbero, tinha que fazer muita força. E assim o fiz. O que eu não imaginava é que teria um pedaço do taco para fora e que ele atravessaria meu dedo. Sim, você leu certo.
Não doeu (não o proporcional ao estrago feito), mas instantaneamente eu caí no chão. E o meu cão estava entendendo que eu queria brincar com ele, então começou a pular em cima de mim. Eu só conseguia gritar "Ruiva! Vem cá! Urgente!". Ela veio, tirou o Pingo de cima de mim e eu falei: "deu merda. Liga pro meu pai".
Ela perguntou o que era e eu só mostrei o dedo. Era mais ou menos isso aqui (sem exagero, era isso mesmo). Tirei fotos, mas são imagens fortes e nem todo mundo tem estômago pra ver:

Esse marrom escuro é o pedaço faltando deste taco aí embaixo, o que dá uma idéia do tamanho do problema:

Ela olhou e falou "é.... Vamos ter que ir para o hospital.". Confesso que cheguei a pensar "jura? Você acha mesmo?" mas fui educado e disse "eu sei. Liga pro Veio que ele dá carterada e agiliza" (ele é médico).
Ele foi me buscar, viu o estrago e falou "depois você me explica como conseguiu essa proeza. Qual hospital do seu plano?". Respondi "Mater Dei" e fomos para lá.
Cheguei 09:00. A atendente estava passando alguma informação para algumas pessoas do hospital. Como não estava doendo, fiquei esperando. Mas meu pai perdeu a paciência e falou para a mulher "desculpa, ele está com um pedaço de madeira no pé, tem como dar prioridade?". A mulher fez cara de "sei, calmo desse jeito...". Aí eu mostrei meu pé. Ela entendeu e acelerou o processo. 09:04 eu já estava dentro da sala de cirurgia. O problema é que o médico só foi chegar 9:50...
O cara deu uma porrada de anestesia, abriu meu dedo, tirou o pedaço e foi catando os pedacinhos que estavam lá dentro. Limpou, esfregou, lavou, esfregou mais um pouco (eu não senti nada!) e chamou meu pai pra ver (carteirada tem suas vantagens). Estava tudo bem, o cara foi fechar. Deu uns 7 pontos (segundo ele não adiantava dar mais), enfaixou e me deu atestado de 15 dias. Ficou assim:

A única coisa que eu tinha certeza, depois de todo o procedimento, é que tudo o que não doeu antes e na cirurgia ia doer quando acabasse a anestesia.
O mais legal: eu estou de férias no papel, mas trabalhando. Aí ganhei um atestado que não posso usar (afinal, para o RH estou de férias). Então decidi que ia continuar trabalhando, mas de casa. Peguei meu computador na empresa e continuai trabalhando, como se nada tivesse acontecido.
27 de dez. de 2015
Quando eu bati o carro
Eu tenho carteira de motorista há mais de 15 anos. Tirei com 18 anos, no meu primeiro exame. Nunca tomei uma multa. Por incrível que pareça, sou calmo no trânsito. Nunca bati o carro (em outro carro. Já dei algumas raladas em pilastras). Motorista exemplar.
Isso tudo era válido até Outubro deste ano. Dia 27, para ser mais exato. Uma terça-feira (lembro sem consultar o calendário, mas pode conferir aí). Saí de casa mais ou menos no horário que sempre saio. Fiz o caminho que sempre faço. Parei no cruzamento da Francisco Deslandes com a Pium-I, como sempre faço. Esse aqui:

Aqui tem um street view do lugar:

A situação, no dia, era muito parecida com a da foto acima: um carro na minha frente, um toldo tampando a visão. No meu caso, ainda tinha um carro na Pium-i, piorando ainda mais a visão.
Como sempre faço, avancei junto com o carro da frente, para melhorar a visão. Vinha um carro uns 2 quarteirões para cima e, assim que o carro da frente avançou, dei uma nova conferida para ver se dava tempo e fui junto. Antes mesmo de olhar pra frente senti o meu carro parando. Demorou alguns milissegundos para entender o que tinha acontecido. Quando caiu a ficha, desliguei o carro, respirei fundo e sai para ver o estrago.
Sim, eu bati o carro. A mulher desistiu de seguir segundos depois de arrancar o carro. Segundo ela, porque o carro que estava 2 quarteirões pra cima estava muito rápido. O carro dela amassou quase nada. O meu, desfez a frente. Essa história de absorver o impacto. Já tinha gente buzinando e eu só falei com a mulher pra gente encostar para liberar e aí ela falou:
- Não. Depois você foge.
- ????? Tá maluca? Eu não vou fugir. Encosta ali ó.
- Não. Ano passado fizeram isso e o cara fugiu.
- Toma. Pega meu celular. Vale mais que esse amassado.
Ela realmente PEGOU meu celular para encostar. Conversamos um tempo e definimos que tinha que passar na PM para fazer um BO. Mais uma vez a mulher ficou "você não vai fugir, né?" e eu tive que entregar meu celular novamente.
Fizemos o BO e, como meu seguro era ali perto, resolvemos já passar lá para fazer o sinistro e, no meu caso, já deixar o carro para arrumar. Chegamos lá, entreguei meu cartão de identificação e a mulher começa a procurar meu nome. E não acha. Tenta pelo CPF e nada. Aí eu olho no calendário e penso "fudeu".
Como eu disse, era dia 27 de Outubro. Meu seguro venceu no dia 26 de Outubro. Eu tinha renovado, mas ainda não tinha recebido a nova apólice. E fiquei com o toba na mão de não ter sido renovado, já que a mulher estava não estava encontrando. Liguei para a minha corretora, expliquei a situação e ela falou que estava tudo OK. Coloquei ela pra conversar com a atendente e... não adiantou.
Fiquei lá umas duas horas esperando a situação ser resolvida. Quando resolveu, descobri que não ia poder sair com meu carro. E que não ia começar a manutenção enquanto a apólice não saísse. E a apólice só iria sair quando eu pagasse a primeira parcela, que seria só em meados de novembro. Ou seja, ficaria pelo menos um mês sem carro.
Uns 15 dias depois, recebi um email falando que a manutenção tinha sido autorizada. Fiquei mais tranquilo e pude pegar o carro reserva da seguradora por 15 dias. Supostamente, a manutenção iria levar 2 semanas, então estava tranquilo.
Passados os 15 dias, liguei na oficina para saber se estava tudo ok, se o carro estava pronto e fui surpreendido com o diálogo a seguir:
- Não recebemos a autorização ainda.
- Como não? Recebi um emial tem 10 dias
Ouvi uma voz no fundo falando "chegou sim". E o cara falou:
- Ah, tá aqui. Chegou ontem no fim do dia.
- E quanto tempo leva para ficar pronto?
- Pelo menos 15 dias. Só para chegar as peças são pelo menos 7 dias.
Fiquei puto. Se eu não ligasse ia ficar mais um tempo infinito lá, parado. Levou mais uns 10 dias para o carro ficar pronto, até menos que o previsto. E quando peguei, estava realmente bom. Trocaram tudo o que estava estragado, ficou novo.
Mas eu fiquei puto, pois não posso mais falar que nunca bati o carro. Além de ter ficado muito tempo sem carro.
Isso tudo era válido até Outubro deste ano. Dia 27, para ser mais exato. Uma terça-feira (lembro sem consultar o calendário, mas pode conferir aí). Saí de casa mais ou menos no horário que sempre saio. Fiz o caminho que sempre faço. Parei no cruzamento da Francisco Deslandes com a Pium-I, como sempre faço. Esse aqui:
Aqui tem um street view do lugar:
A situação, no dia, era muito parecida com a da foto acima: um carro na minha frente, um toldo tampando a visão. No meu caso, ainda tinha um carro na Pium-i, piorando ainda mais a visão.
Como sempre faço, avancei junto com o carro da frente, para melhorar a visão. Vinha um carro uns 2 quarteirões para cima e, assim que o carro da frente avançou, dei uma nova conferida para ver se dava tempo e fui junto. Antes mesmo de olhar pra frente senti o meu carro parando. Demorou alguns milissegundos para entender o que tinha acontecido. Quando caiu a ficha, desliguei o carro, respirei fundo e sai para ver o estrago.
Sim, eu bati o carro. A mulher desistiu de seguir segundos depois de arrancar o carro. Segundo ela, porque o carro que estava 2 quarteirões pra cima estava muito rápido. O carro dela amassou quase nada. O meu, desfez a frente. Essa história de absorver o impacto. Já tinha gente buzinando e eu só falei com a mulher pra gente encostar para liberar e aí ela falou:
- Não. Depois você foge.
- ????? Tá maluca? Eu não vou fugir. Encosta ali ó.
- Não. Ano passado fizeram isso e o cara fugiu.
- Toma. Pega meu celular. Vale mais que esse amassado.
Ela realmente PEGOU meu celular para encostar. Conversamos um tempo e definimos que tinha que passar na PM para fazer um BO. Mais uma vez a mulher ficou "você não vai fugir, né?" e eu tive que entregar meu celular novamente.
Fizemos o BO e, como meu seguro era ali perto, resolvemos já passar lá para fazer o sinistro e, no meu caso, já deixar o carro para arrumar. Chegamos lá, entreguei meu cartão de identificação e a mulher começa a procurar meu nome. E não acha. Tenta pelo CPF e nada. Aí eu olho no calendário e penso "fudeu".
Como eu disse, era dia 27 de Outubro. Meu seguro venceu no dia 26 de Outubro. Eu tinha renovado, mas ainda não tinha recebido a nova apólice. E fiquei com o toba na mão de não ter sido renovado, já que a mulher estava não estava encontrando. Liguei para a minha corretora, expliquei a situação e ela falou que estava tudo OK. Coloquei ela pra conversar com a atendente e... não adiantou.
Fiquei lá umas duas horas esperando a situação ser resolvida. Quando resolveu, descobri que não ia poder sair com meu carro. E que não ia começar a manutenção enquanto a apólice não saísse. E a apólice só iria sair quando eu pagasse a primeira parcela, que seria só em meados de novembro. Ou seja, ficaria pelo menos um mês sem carro.
Uns 15 dias depois, recebi um email falando que a manutenção tinha sido autorizada. Fiquei mais tranquilo e pude pegar o carro reserva da seguradora por 15 dias. Supostamente, a manutenção iria levar 2 semanas, então estava tranquilo.
Passados os 15 dias, liguei na oficina para saber se estava tudo ok, se o carro estava pronto e fui surpreendido com o diálogo a seguir:
- Não recebemos a autorização ainda.
- Como não? Recebi um emial tem 10 dias
Ouvi uma voz no fundo falando "chegou sim". E o cara falou:
- Ah, tá aqui. Chegou ontem no fim do dia.
- E quanto tempo leva para ficar pronto?
- Pelo menos 15 dias. Só para chegar as peças são pelo menos 7 dias.
Fiquei puto. Se eu não ligasse ia ficar mais um tempo infinito lá, parado. Levou mais uns 10 dias para o carro ficar pronto, até menos que o previsto. E quando peguei, estava realmente bom. Trocaram tudo o que estava estragado, ficou novo.
Mas eu fiquei puto, pois não posso mais falar que nunca bati o carro. Além de ter ficado muito tempo sem carro.
26 de dez. de 2015
Resgate do cachorro Pingo
Sexta feira, 4 de Setembro 9 de Outubro, mais ou menos 8 da noite. Chego na casa da Ruiva e ela comenta que combinou com a cunhada de deixar o Pingo na casa dela na manhã seguinte, pra ele brincar com os cachorros dela. É uma casa grande, na Pampulha, ele teria espaço infinito para correr e gastar as unhas. Como eu iria trabalhar e ela tinha combinado de estudar na casa de uma amiga, achei que seria uma boa. Sabia que ele ia voltar com pulgas e carrapatos, mas pelo menos ia gastar energia. Pulga eu catava no domingo de manhã, junto com o banho.
Acordamos cedo no sábado, levamos o pingo na casa da mulher e, nos poucos minutos que fiquei lá, os cães arranharam meu carro. Mas vi que ele ia se divertir, porque começou a correr como um louco. Deixamos ele lá e fomos para os nossos afazeres. Deixei a Ruiva na casa da amiga e fui para o escritório.
Não deu nem meia hora que eu estava trabalhando e meu telefone tocou. Era a Ruiva. Ela NUNCA me liga no trabalho, então sabia que era problema. Achei que era alguma coisa de saúde, mas ela simplesmente disse: "vamos ter que voltar para a Pampulha. O pingo fugiu.". Não perguntei nada. Só falei: "Tô saindo. Te pego aí".
Catei meu notebook, botei na mochila e saí correndo do escritório. Peguei a Ruiva e fomos em direção à Pampulha. Foram mais ou menos 20 minutos até chegar lá, mas não falamos nem uma palavra. Ela segurava a minha mão, forte. Claramente queria chorar, mas não saiu nenhuma lágrima.
Chegamos na casa da cunhada da Ruiva e ela contou a hitória: deixaram o Pingo brincando e depois de um tempo gritaram o nome dele e ele não apareceu. Começaram a procurar no terreno e não acharam. Aí foram para a rua.
Segundo elas procuraram em volta e perguntaram pra um vendedor de água de coco no outro lado da rua perto do Zoologico. O cara falou que viu o cachorro, que estava tentando atravessar de volta, mas não conseguia por causa dos carros. Ai viu alguém tentando pegar ele, mas que não conseguiram. Depois veio uma outra pessoa e conseguiu. E o puto não fez nada.
Voltamos no cara e ele mudou um pouco a historia. Falou que um cara tinha tentado, não conseguiu e que depois o cachorro subiu uma rua. deve ter sido pra gente ir pra longe dele e não dar outro esporro, como fez a cunhada da Ruiva.
Ficamos rodando a Pampulha inteira, gritando "Pingo! Pingo!". E nada. Desistimos e fomos para casa publicar a foto dele em tudo quanto é rede social. O desespero foi tão grande, que até na página da Luisa Mel eu postei. Estávamos acompanhando todas as páginas, mas não tivemos resposta. resolvemos dar mais uma volta na região do Zoo, pois estava chovendo e a Ruiva com medo ele estar na chuva. Nada. Exaustos, voltamos pra casa e fomos dormir.
No dia seguinte pela manhã, vimos um comentário colocado próximo da meia noite em uma das páginas falando que tinham visto ele perto do Mineirão. Achamos muito estranho pois do zoológico até o moneirão é longe pra caralho e o bicho não conseguiria ir sozinho. Criamos uma teoria que quem pegou não aguentou a energia dele e largou na rua de volta.
Era dia de jogo as 11 da manhã e a região estava lotada. Não iríamos achar ele nunca ali. Mas começamos a mostrar a foto dele em tudo quanto é lugar e começaram a falar: "eu vi ele ontem. Desceu a rua" (Dias Bicalho). Bateu uma esperança. Fomos perguntando, perguntando e todo mundo confirmando que tinha visto. Rodamos a região toda, mas não o vimos.
Voltamos para casa, fizemos cartaz de procura-se e voltamos para lá. O jogo tinha acabado, então a região estava mais tranquila. Colamos 258389745 cartazes, para tudo quanto é lado, em todas as direções. Em um deles, uma mulher que estava passando na rua, sem que nós perguntássemos nada, falou "eu vi esse cachorro ontem. Ele desceu naquela direção". O sentimento de esperança aumentou novamente. Mas depois de muita procura, mais uma vez sem sucesso e com insolação, voltamos para casa para almoçar (já era 6 da tarde) e olhar as redes sociais (além de postar e repostar a foto do Pingão).
Segunda cedo (era feriado), resolvemos ampliar a região de busca. Peguei o Google Maps e falei: "se ele desceu a Dias Bicalho, pode ter ido para o lado do aeroporto". E lá fomos nós novamente rodar colando cartaz e gritando "Pingo". Conheci lugares que nunca imaginei. Até descobri que existe cemitério israelita "perto" do aeroporto.
Mais uma vez, insolação, cansaço e o fio de esperança de encontrar o peludo foi embora. Já estávamos aceitando que nunca mais veríamos o bichinho. Enquanto a Ruiva tomava banho e eu catava os brinquedos dele pela casa, meu telefone apitou. Era um email de um colega de faculdade, encaminhando um email que tinha recebido. Só dizia assim: "Foi você que perdeu um cachorro?".
Fui lendo o histórico e era um email encaminhado para a CãoViver, mais ou menos assim:
"Achei esse cachorrinho na rua, com duas coleiras, uma vermelha e uma azul de remédio. Não sabia como procurar e parece ser de raça então com medo de alguém mal intencionado, estou enviando esse email para vocês. Se não achar o dono, vou ficar com ele". E estava essa foto anexada:

Durante alguns segundos o fiquei pensando e falando comigo mesmo: "É o pingo. Acharam o pingo.". Repeti umas 3 vezes, até que gritei para a Ruiva: "Acharam o Pingo! Acharam o Pingo!".
Liguei para a menina que tinha mandado o email, falei que tinha recebido um email com a foto do meu cachorro, que ela tinha achado meu cachorro. Contei a história toda, ela viu que era verdade, falou que pegou ele com medo de alguém mal intencionado pegar e blablabla. Eu sõ pensava: "foda-se. Eu só quero meu cachorro". Peguei o endereço dela e fui buscar o Pingo.
A mulher morava longe para cacete e levei uma eternidade para chegar lá. Pelo menos conheci mais um ponto da cidade (e a Toca da Raposa 2). Cheguei lá, toquei a campainha e ele começou a latir. Ela chegou com ele no colo e, quando ele nos viu, deu um pulo do colo dela, batendo no nariz da menina. Eu catei o cachorro e fiz carinho, quando olhei de volta pra ela, vi o nariz jorrando sangue. O cachorro quebrou o nariz dela.
Entramos para ela fazer o nariz parar de sangrar (o que levou um tempo) e a Ruiva ficou conversando com ela, contando a história toda da saga. E descobrimos que, em momento nenhum, ele passou pela Dias Bicalho (apesar de todo mundo ter visto). Esteve o tempo todo na casa dela. Agradecemos, pagamos pela comida que ela comprou (a preço de ouro! 2 kg por 60 reais. Mas foda-se o Pingo estava bem), e voltamos pra casa.
Quando chegamos, começamos a repostar em todos os sites e redes sociais que havíamos encontrado o Pingo. E numa dessas redes acabamos vendo uma foto de um cão IDÊNTICO ao Pingo, que havia sumido NO MESMO DIA, mas na região da Dias Bicalho. Considerando que nunca ligaram para a gente (o cachorro era realmente igual), acho que ele nunca mais foi visto. Alguém deve ter catado ele.
No dia seguinte, encomendamos um tag de identificação pro Pingão, que pode até sumir novamente, mas estará identificado. E certamente nunca mais vai passear na casa da cunhada da Ruiva.
E o feriadão, que era para descansar, foi estressante para caralho. E desde então, não tive mais folga (vou contando aos poucos, na medida que der. Mas não esperem atualizações frequentes, tá foda).
Acordamos cedo no sábado, levamos o pingo na casa da mulher e, nos poucos minutos que fiquei lá, os cães arranharam meu carro. Mas vi que ele ia se divertir, porque começou a correr como um louco. Deixamos ele lá e fomos para os nossos afazeres. Deixei a Ruiva na casa da amiga e fui para o escritório.
Não deu nem meia hora que eu estava trabalhando e meu telefone tocou. Era a Ruiva. Ela NUNCA me liga no trabalho, então sabia que era problema. Achei que era alguma coisa de saúde, mas ela simplesmente disse: "vamos ter que voltar para a Pampulha. O pingo fugiu.". Não perguntei nada. Só falei: "Tô saindo. Te pego aí".
Catei meu notebook, botei na mochila e saí correndo do escritório. Peguei a Ruiva e fomos em direção à Pampulha. Foram mais ou menos 20 minutos até chegar lá, mas não falamos nem uma palavra. Ela segurava a minha mão, forte. Claramente queria chorar, mas não saiu nenhuma lágrima.
Chegamos na casa da cunhada da Ruiva e ela contou a hitória: deixaram o Pingo brincando e depois de um tempo gritaram o nome dele e ele não apareceu. Começaram a procurar no terreno e não acharam. Aí foram para a rua.
Segundo elas procuraram em volta e perguntaram pra um vendedor de água de coco no outro lado da rua perto do Zoologico. O cara falou que viu o cachorro, que estava tentando atravessar de volta, mas não conseguia por causa dos carros. Ai viu alguém tentando pegar ele, mas que não conseguiram. Depois veio uma outra pessoa e conseguiu. E o puto não fez nada.
Voltamos no cara e ele mudou um pouco a historia. Falou que um cara tinha tentado, não conseguiu e que depois o cachorro subiu uma rua. deve ter sido pra gente ir pra longe dele e não dar outro esporro, como fez a cunhada da Ruiva.
Ficamos rodando a Pampulha inteira, gritando "Pingo! Pingo!". E nada. Desistimos e fomos para casa publicar a foto dele em tudo quanto é rede social. O desespero foi tão grande, que até na página da Luisa Mel eu postei. Estávamos acompanhando todas as páginas, mas não tivemos resposta. resolvemos dar mais uma volta na região do Zoo, pois estava chovendo e a Ruiva com medo ele estar na chuva. Nada. Exaustos, voltamos pra casa e fomos dormir.
No dia seguinte pela manhã, vimos um comentário colocado próximo da meia noite em uma das páginas falando que tinham visto ele perto do Mineirão. Achamos muito estranho pois do zoológico até o moneirão é longe pra caralho e o bicho não conseguiria ir sozinho. Criamos uma teoria que quem pegou não aguentou a energia dele e largou na rua de volta.
Era dia de jogo as 11 da manhã e a região estava lotada. Não iríamos achar ele nunca ali. Mas começamos a mostrar a foto dele em tudo quanto é lugar e começaram a falar: "eu vi ele ontem. Desceu a rua" (Dias Bicalho). Bateu uma esperança. Fomos perguntando, perguntando e todo mundo confirmando que tinha visto. Rodamos a região toda, mas não o vimos.
Voltamos para casa, fizemos cartaz de procura-se e voltamos para lá. O jogo tinha acabado, então a região estava mais tranquila. Colamos 258389745 cartazes, para tudo quanto é lado, em todas as direções. Em um deles, uma mulher que estava passando na rua, sem que nós perguntássemos nada, falou "eu vi esse cachorro ontem. Ele desceu naquela direção". O sentimento de esperança aumentou novamente. Mas depois de muita procura, mais uma vez sem sucesso e com insolação, voltamos para casa para almoçar (já era 6 da tarde) e olhar as redes sociais (além de postar e repostar a foto do Pingão).
Segunda cedo (era feriado), resolvemos ampliar a região de busca. Peguei o Google Maps e falei: "se ele desceu a Dias Bicalho, pode ter ido para o lado do aeroporto". E lá fomos nós novamente rodar colando cartaz e gritando "Pingo". Conheci lugares que nunca imaginei. Até descobri que existe cemitério israelita "perto" do aeroporto.
Mais uma vez, insolação, cansaço e o fio de esperança de encontrar o peludo foi embora. Já estávamos aceitando que nunca mais veríamos o bichinho. Enquanto a Ruiva tomava banho e eu catava os brinquedos dele pela casa, meu telefone apitou. Era um email de um colega de faculdade, encaminhando um email que tinha recebido. Só dizia assim: "Foi você que perdeu um cachorro?".
Fui lendo o histórico e era um email encaminhado para a CãoViver, mais ou menos assim:
"Achei esse cachorrinho na rua, com duas coleiras, uma vermelha e uma azul de remédio. Não sabia como procurar e parece ser de raça então com medo de alguém mal intencionado, estou enviando esse email para vocês. Se não achar o dono, vou ficar com ele". E estava essa foto anexada:

Durante alguns segundos o fiquei pensando e falando comigo mesmo: "É o pingo. Acharam o pingo.". Repeti umas 3 vezes, até que gritei para a Ruiva: "Acharam o Pingo! Acharam o Pingo!".
Liguei para a menina que tinha mandado o email, falei que tinha recebido um email com a foto do meu cachorro, que ela tinha achado meu cachorro. Contei a história toda, ela viu que era verdade, falou que pegou ele com medo de alguém mal intencionado pegar e blablabla. Eu sõ pensava: "foda-se. Eu só quero meu cachorro". Peguei o endereço dela e fui buscar o Pingo.
A mulher morava longe para cacete e levei uma eternidade para chegar lá. Pelo menos conheci mais um ponto da cidade (e a Toca da Raposa 2). Cheguei lá, toquei a campainha e ele começou a latir. Ela chegou com ele no colo e, quando ele nos viu, deu um pulo do colo dela, batendo no nariz da menina. Eu catei o cachorro e fiz carinho, quando olhei de volta pra ela, vi o nariz jorrando sangue. O cachorro quebrou o nariz dela.
Entramos para ela fazer o nariz parar de sangrar (o que levou um tempo) e a Ruiva ficou conversando com ela, contando a história toda da saga. E descobrimos que, em momento nenhum, ele passou pela Dias Bicalho (apesar de todo mundo ter visto). Esteve o tempo todo na casa dela. Agradecemos, pagamos pela comida que ela comprou (a preço de ouro! 2 kg por 60 reais. Mas foda-se o Pingo estava bem), e voltamos pra casa.
Quando chegamos, começamos a repostar em todos os sites e redes sociais que havíamos encontrado o Pingo. E numa dessas redes acabamos vendo uma foto de um cão IDÊNTICO ao Pingo, que havia sumido NO MESMO DIA, mas na região da Dias Bicalho. Considerando que nunca ligaram para a gente (o cachorro era realmente igual), acho que ele nunca mais foi visto. Alguém deve ter catado ele.
No dia seguinte, encomendamos um tag de identificação pro Pingão, que pode até sumir novamente, mas estará identificado. E certamente nunca mais vai passear na casa da cunhada da Ruiva.
E o feriadão, que era para descansar, foi estressante para caralho. E desde então, não tive mais folga (vou contando aos poucos, na medida que der. Mas não esperem atualizações frequentes, tá foda).
29 de ago. de 2015
O visto americano
Um tempo atrás um casal de amigos decidiu que ia casar em Las Vegas, em uma missa celebrada pelo Elvis. E para ir acompanhar este grande evento, e eu precisaria tirar o visto americano.
Eu fui para os EUA no longínquo ano de 1993 e, naquela época, o visto era uma coisa simples de tirar (talvez nem tanto, mas era mais simples que agora). E o meu visto, assim como o passaporte que ele estava, venceram há um bom tempo (passaporte eu tirei 2 depois daquele).
Agora, tirar o visto não é algo tão simples assim. Primeiro você preenche um formulário gigante, que gasta uns 45 minutos para ser preenchido. Eu tinha visto esta estimativa no site do consulado e achei absurda. Depois eu vi que é mais ou menos isso mesmo.
Uma das perguntas, óbvio, é se você já teve visto anterior e o número dele. Lógico que eu não tinha mais o passaporte. Naquela época, ele ficava com a minha mãe e assim que ele venceu e eu renovei, ela jogou fora. Mas tinha a opção "eu não sei". Marquei, mas confesso que fiquei com receio.
Uma outra pergunta (acho que a seguinte) era se você já tinha estado nos EUA e qual a data. Eu não lembro quando fui pra Europa (tem 2 meses), imagina se vou lembrar da data de uma viagem de 93. Mas tinha lá um comentário que se você não lembrava, para colocar a tá mais próxima. E eu lembrava que foi entre junho e julho de 93.
Depois de preencher mais um monte de coisa (incluindo aí a pergunta "você é terrorista?"), revisei o bagulho e, realmente com receio de dar merda não ter o passaporte antigo, enviei (pagando uma "pequena" taxa de 160 dólares).
Triste pelo rombo, comecei a olhar os próximos passos. Eu teria que tirar foto e pegar as digitais em um dia (poderia ser em BH) e depois passar pelo processo de entrevista, que não poderia ser em BH. Ou seja, além da taxa bacana, ainda teria que pagar passagem e hospedagem em alguma outra cidade. Só que o Rio é uma das opções, então eu poderia comprar só passagem. Marquei as bagaças, comprei as passagens e viajei pra Bolívia.
Voltando de viagem, no dia seguinte fui tirar a foto e as digitais. Lugar bacana, sem fila, mas só um cara atendendo (apesar de ter umas 10 cabines). O processo é rápido, mas a espera foi mais ou menos grande, porque eu havia chegado antes da hora. No todo, levou meia hora.
Dois dias depois, já no rio, era dia de passar pela entrevista. Eu levei documentação pra comprovar tudo: renda, emprego, resistência, saúde... Até declaração de imposto de renda tava na pasta. E como já sabia que não podia entrar com celular, deixei em casa.
Também cheguei antes da hora, então levei uns 20 minutos para entrar no consulado. O bizarro é que já tinha gente lá para entrevista duas horas depois (eles recomendam chegar com 15 minutos de antecedência). Bom, entrei.
O processo é o meio burocrático. Você entra e fica numa fila (sentado). Espera. Aí te chamam para você entrar em outra fila (em pé), mas é rápido. A mulher só escaneia seu passaporte e fala se você pode ir para a entrevista ou se tem que passar por uma outra triagem. Nos dois casos, você vai para outra fila (sentado).
Essa segunda fila sentada foi razoavelmente rápida. Mas aí te chamam para outra fila (em pé) para a tal entrevista. Confesso que não sei o que acontece com quem vai pra triagem. Só sei que fica sem o passaporte por um tempo.
A tal fila da entrevista com demorada. Até chegar nela eu gastei uns 20 minutos. Fiquei nela mais uns 20. Quer dizer, é uma fila para pegar outra fila. A primeira fila é geral para todas as cabines de entrevista, depois você vai para uma fila específica da cabine. E aí é loteria.
Essa segunda fila pode ser rápida, se as pessoas na sua frente não forem muito questionadas, ou pode ser demorada pra caramba, se o nível de questionamentos for alto. A minha, óbvio, foi bem demorada. E olha que só tinha 2 famílias na minha frente.
Eu acho que esse treco é de propósito. Vai criando uma tensão sinistra. Querendo ou não, você escuta o que o entrevistador fala com as pessoas na sua frente (e até em outras cabines). Na primeira das filas, eu ouvi um dos atendentes falando com a pessoa (em inglês) que com as informações que ela tinha passado infelizmente ele não poderia dar o visto. E o cara falava alta, sem motivo aparente.
A primeira família na minha frente levou um tempo bom, e eu não consegui ouvir o que o cara estava perguntando. Mas eu ouvi o cara da cabine do lado. Ele sabatinou o sujeito que estava tentando o visto sem dó, perguntou até a cor da cueca que o cara ia usar quando fosse viajar.
A segunda família na minha frente eu já consegui ouvir. Chamaram os 3, escanearam os passaportes e foram uns bons 5 minutos de silêncio, com o agente de imigração lendo alguma coisa no computador. Deve vir a história toda do pessoal na tela. Aí ele fez umas perguntas, a família enrolou pra responder, ele tentou novamente, mais uma enrolada, aí falou "não vai rolar o visto".
"Fudeu", pensei. Eu era o próximo. Fui pra cabine, antes de o cara me chamar. Vi que ele não gostou, porque ainda estava escrevendo alguma coisa da família anterior. Levou uns bons 2 minutos escrevendo, e eu lá na frente dele, esperando com um sorriso no rosto.
Quando ele acabou, pegou meu passaporte, escaneou, leu alguma coisa por 15 segundos no computador e perguntou:
- Você conhece os estados unidos?
- Sim, já fui em Orlando e Miami.
- Ok. Seu visto foi aprovado. Você vai receber seu passaporte em breve com ele. Bom dia.
Sério. Foram uns 45 minutos dentro do consulado para 30 segundos de entrevista.
Saí de lá felizão por ter um bom emprego em uma empresa multinacional.
Eu fui para os EUA no longínquo ano de 1993 e, naquela época, o visto era uma coisa simples de tirar (talvez nem tanto, mas era mais simples que agora). E o meu visto, assim como o passaporte que ele estava, venceram há um bom tempo (passaporte eu tirei 2 depois daquele).
Agora, tirar o visto não é algo tão simples assim. Primeiro você preenche um formulário gigante, que gasta uns 45 minutos para ser preenchido. Eu tinha visto esta estimativa no site do consulado e achei absurda. Depois eu vi que é mais ou menos isso mesmo.
Uma das perguntas, óbvio, é se você já teve visto anterior e o número dele. Lógico que eu não tinha mais o passaporte. Naquela época, ele ficava com a minha mãe e assim que ele venceu e eu renovei, ela jogou fora. Mas tinha a opção "eu não sei". Marquei, mas confesso que fiquei com receio.
Uma outra pergunta (acho que a seguinte) era se você já tinha estado nos EUA e qual a data. Eu não lembro quando fui pra Europa (tem 2 meses), imagina se vou lembrar da data de uma viagem de 93. Mas tinha lá um comentário que se você não lembrava, para colocar a tá mais próxima. E eu lembrava que foi entre junho e julho de 93.
Depois de preencher mais um monte de coisa (incluindo aí a pergunta "você é terrorista?"), revisei o bagulho e, realmente com receio de dar merda não ter o passaporte antigo, enviei (pagando uma "pequena" taxa de 160 dólares).
Triste pelo rombo, comecei a olhar os próximos passos. Eu teria que tirar foto e pegar as digitais em um dia (poderia ser em BH) e depois passar pelo processo de entrevista, que não poderia ser em BH. Ou seja, além da taxa bacana, ainda teria que pagar passagem e hospedagem em alguma outra cidade. Só que o Rio é uma das opções, então eu poderia comprar só passagem. Marquei as bagaças, comprei as passagens e viajei pra Bolívia.
Voltando de viagem, no dia seguinte fui tirar a foto e as digitais. Lugar bacana, sem fila, mas só um cara atendendo (apesar de ter umas 10 cabines). O processo é rápido, mas a espera foi mais ou menos grande, porque eu havia chegado antes da hora. No todo, levou meia hora.
Dois dias depois, já no rio, era dia de passar pela entrevista. Eu levei documentação pra comprovar tudo: renda, emprego, resistência, saúde... Até declaração de imposto de renda tava na pasta. E como já sabia que não podia entrar com celular, deixei em casa.
Também cheguei antes da hora, então levei uns 20 minutos para entrar no consulado. O bizarro é que já tinha gente lá para entrevista duas horas depois (eles recomendam chegar com 15 minutos de antecedência). Bom, entrei.
O processo é o meio burocrático. Você entra e fica numa fila (sentado). Espera. Aí te chamam para você entrar em outra fila (em pé), mas é rápido. A mulher só escaneia seu passaporte e fala se você pode ir para a entrevista ou se tem que passar por uma outra triagem. Nos dois casos, você vai para outra fila (sentado).
Essa segunda fila sentada foi razoavelmente rápida. Mas aí te chamam para outra fila (em pé) para a tal entrevista. Confesso que não sei o que acontece com quem vai pra triagem. Só sei que fica sem o passaporte por um tempo.
A tal fila da entrevista com demorada. Até chegar nela eu gastei uns 20 minutos. Fiquei nela mais uns 20. Quer dizer, é uma fila para pegar outra fila. A primeira fila é geral para todas as cabines de entrevista, depois você vai para uma fila específica da cabine. E aí é loteria.
Essa segunda fila pode ser rápida, se as pessoas na sua frente não forem muito questionadas, ou pode ser demorada pra caramba, se o nível de questionamentos for alto. A minha, óbvio, foi bem demorada. E olha que só tinha 2 famílias na minha frente.
Eu acho que esse treco é de propósito. Vai criando uma tensão sinistra. Querendo ou não, você escuta o que o entrevistador fala com as pessoas na sua frente (e até em outras cabines). Na primeira das filas, eu ouvi um dos atendentes falando com a pessoa (em inglês) que com as informações que ela tinha passado infelizmente ele não poderia dar o visto. E o cara falava alta, sem motivo aparente.
A primeira família na minha frente levou um tempo bom, e eu não consegui ouvir o que o cara estava perguntando. Mas eu ouvi o cara da cabine do lado. Ele sabatinou o sujeito que estava tentando o visto sem dó, perguntou até a cor da cueca que o cara ia usar quando fosse viajar.
A segunda família na minha frente eu já consegui ouvir. Chamaram os 3, escanearam os passaportes e foram uns bons 5 minutos de silêncio, com o agente de imigração lendo alguma coisa no computador. Deve vir a história toda do pessoal na tela. Aí ele fez umas perguntas, a família enrolou pra responder, ele tentou novamente, mais uma enrolada, aí falou "não vai rolar o visto".
"Fudeu", pensei. Eu era o próximo. Fui pra cabine, antes de o cara me chamar. Vi que ele não gostou, porque ainda estava escrevendo alguma coisa da família anterior. Levou uns bons 2 minutos escrevendo, e eu lá na frente dele, esperando com um sorriso no rosto.
Quando ele acabou, pegou meu passaporte, escaneou, leu alguma coisa por 15 segundos no computador e perguntou:
- Você conhece os estados unidos?
- Sim, já fui em Orlando e Miami.
- Ok. Seu visto foi aprovado. Você vai receber seu passaporte em breve com ele. Bom dia.
Sério. Foram uns 45 minutos dentro do consulado para 30 segundos de entrevista.
Saí de lá felizão por ter um bom emprego em uma empresa multinacional.
20 de ago. de 2015
Férias, pero no mucho
Sim, queridos leitores, eu e sou viajando.Era ora eu ter escrito esse post antes, mas vocês vão entender.
Oficialmente, minha férias começaram no dia 3 de Agosto. Eu teria que tirar 30 dias, porque o RH estava barrando férias de mentira. E além disso, está com baixa de projeto, então não ti há razão para eu ficar no escritório (minha braço direito conseguiria resolver o que aparecesse).
Como eu teria 18 dias completamente sem nada pra fazer (11 dias antes de viajar e mais uns 5 depois da viagem), deixei para planejar tudo com calma e fazer uma porrada de coisa que estava adiando há algum tempo.
Tirei o final de semana pra fazer porra nenhuma e na segunda comecei a olhar passagem e hotel da viagem. Fui fazendo tudo com. Calma, olhando detalhes, procurando as melhores opções pra viagem (entenda: mais baratas).
Até que na terça, 10:30 da manhã, quando eu tinha acabado de comprar a última passagem, meu telefone toca. Era um cara do trabalho.
- Fala cara
- Quando você viaja mesmo?
- 13 a 25. Por que?
- Dá pra adiar?
- Vão reembolsar tudo que já peguei?
- Claro que não.
- Então sem chance. Acabei de pagar a última passagem.
- Nos outros dias tem problema?
- Não, mas eu vou estar fora 27 e 28 também.
- Caralho. Tá bom. Qualquer coisa te ligo.
Meia hora depois, toca o telefone
- Dá pra você estar no cliente as 13:30?
Olhei no relógio. Era 11 horas. Estava de pijama e não fazia barba há 4 dias.
- Dou um jeito. Onde é?
- Vem pro escritório as 13 que te explico melhor e subimos juntos.
Tomei banho correndo, fiz a barba, troquei de roupa e saí correndo. Nem almocei, só engoli uns 2 biscoitos.
Chegando lá, entramos no táxi e o cara foi me explicando. Um gerente de um projeto gigante pediu demissão e precisavam de alguém pra assumir a pica. Como eu tinha acabado de encerrar um projeto complicado pra caralho, meu nome foi o primeiro da lista. Mesmo eu estando fora boa parte do mês.
E eu estava indo para a reunião com o cliente para ser apresentado como o novo gerente. Sem saber nada do projeto (sabia informações muito gerais). E na reunião fui a rainha da Inglaterra: fiquei calado o tempo todo, só fazendo algumas anotações.
E aí passei uma semana tentando fazer reunião com o antigo Gerente (o cara some toda hora) e a noite olhando hotel, roteiros, mapas, passeios... E ainda tendo que fazer exame de sangue e todas as outras coisas que tinha planejado.
Mas não posso reclamar, essa mudança de planos está mantendo meu emprego.
Oficialmente, minha férias começaram no dia 3 de Agosto. Eu teria que tirar 30 dias, porque o RH estava barrando férias de mentira. E além disso, está com baixa de projeto, então não ti há razão para eu ficar no escritório (minha braço direito conseguiria resolver o que aparecesse).
Como eu teria 18 dias completamente sem nada pra fazer (11 dias antes de viajar e mais uns 5 depois da viagem), deixei para planejar tudo com calma e fazer uma porrada de coisa que estava adiando há algum tempo.
Tirei o final de semana pra fazer porra nenhuma e na segunda comecei a olhar passagem e hotel da viagem. Fui fazendo tudo com. Calma, olhando detalhes, procurando as melhores opções pra viagem (entenda: mais baratas).
Até que na terça, 10:30 da manhã, quando eu tinha acabado de comprar a última passagem, meu telefone toca. Era um cara do trabalho.
- Fala cara
- Quando você viaja mesmo?
- 13 a 25. Por que?
- Dá pra adiar?
- Vão reembolsar tudo que já peguei?
- Claro que não.
- Então sem chance. Acabei de pagar a última passagem.
- Nos outros dias tem problema?
- Não, mas eu vou estar fora 27 e 28 também.
- Caralho. Tá bom. Qualquer coisa te ligo.
Meia hora depois, toca o telefone
- Dá pra você estar no cliente as 13:30?
Olhei no relógio. Era 11 horas. Estava de pijama e não fazia barba há 4 dias.
- Dou um jeito. Onde é?
- Vem pro escritório as 13 que te explico melhor e subimos juntos.
Tomei banho correndo, fiz a barba, troquei de roupa e saí correndo. Nem almocei, só engoli uns 2 biscoitos.
Chegando lá, entramos no táxi e o cara foi me explicando. Um gerente de um projeto gigante pediu demissão e precisavam de alguém pra assumir a pica. Como eu tinha acabado de encerrar um projeto complicado pra caralho, meu nome foi o primeiro da lista. Mesmo eu estando fora boa parte do mês.
E eu estava indo para a reunião com o cliente para ser apresentado como o novo gerente. Sem saber nada do projeto (sabia informações muito gerais). E na reunião fui a rainha da Inglaterra: fiquei calado o tempo todo, só fazendo algumas anotações.
E aí passei uma semana tentando fazer reunião com o antigo Gerente (o cara some toda hora) e a noite olhando hotel, roteiros, mapas, passeios... E ainda tendo que fazer exame de sangue e todas as outras coisas que tinha planejado.
Mas não posso reclamar, essa mudança de planos está mantendo meu emprego.
5 de ago. de 2015
A ineficiência brasileira
Dia desses aí pra trás a Ruiva estava entrando no ônibus e sentiu alguém enfiando a mão na bolsa dela. Olhou pra trás e viu um cara (já mais velho, com seus 40 anos) pegando o celular e saindo correndo. Instintivamente ela saiu correndo atrás do maluco, gritando “pega ladrão” (na verdade ela falou “pega ladrão! Alguém para esse filha da puta!”). Uma boa alma viu aquilo e meteu o pé na frente do cara, que tropeçou. Enquanto ia pro chão o cara jogou o celular fora, que quebrou a tela. E assim que caiu no chão juntou um bolo de pessoas pra segurá-lo.
A Ruiva pegou o telefone e, enquanto ligava para o 190 (o telefone continua funcionando, só quebrou a tela) um sargento da PM chegou e perguntou o que tinha acontecido. Ela contou a história e o PM chamou reforço, que chegou rápido. Eles foram para a delegacia. Isso era mais ou menos 17:20.
Ela deu o depoimento todo, contou a história toda e fizeram o BO. Enquanto o BO era processado, ela me ligou, avisando que ia precisar ir para a parte de flagrantes, da Polícia Civil. Cheguei lá umas 18:30.
Ficamos esperando umas 2 horas. Aí eu cansei de esperar e perguntei para o PM que fez o BO o que estava acontecendo. O cara explicou que tinha 2 outras ocorrências na frente e que precisava fazer o BO no sistema da polícia Civil, mas só tinha um cara que fazia isso. Perguntei se era diferente do BO que eles tinham feito e o cara falou que não, era basicamente a mesma coisa. Fiquei meio puto, mas não queria ser preso por desacato.
Passada mais meia hora, o BO ficou pronto e levaram o meliante para colocar a roupa de detento (não sei o nome) e dar depoimento. Enquanto ele conversava com a delegada, conversei mais um pouco com o PM:
- Quanto tempo esse cara vai ficar preso?
- Ah, como é reincidente e acabou de ser solto, deve ficar aqui até meio dia de amanhã. Senão saia de manhã.
- Sério?
- Seríssimo. Eu também fico assim. Tem um cara que já foi preso em flagrante 24 vezes só na Savassi, onde a gente atua. Imagina o resto de BH. E tá livre.
Fiquei muito mais puto ao saber disso, mas mais uma vez fiquei calado.
Passados mais uns 40 minutos chamaram os policiais, para conversar com a Delegada e contar a versão deles da historia (detalhe: já tinham feito isso na hora de fazer o BO da Civil).
Mais uns 15 minutos e chamaram a Ruiva. E pediram para eu ser testemunha. Entrei na sala e.... a delegada pediu para ela dar o depoimento dela. Sério. Tinha 2 BOs e ainda teve que dar depoimento mais uma vez. E lá foram mais uns bons 20 minutos. Eu ainda dei um depoimento falando que não estava no lugar e não vi nada (mais uns 5 minutos pra gerar a papelada).
Saímos de lá 22:30, CINCO HORAS depois do ocorrido. Neste meio tempo ninguém ofereceu água. Não podia sair de lá pra comprar comida, senão perdia a fila. E eu tive que usar o banheiro da carceragem, depois de pedir umas 2 vezes (não foi o das celas, foi de uma sala onde os caras são revistados e trocam de roupa antes de serem presos). Sorte que era número 1, porque estava feia a situação do banheiro.
E fiquei pensando: cinco horas para UM caso. Dois BOs com a mesma informação. Três depoimentos das mesmas pessoas (o ladrão também falou 3 vezes). Num mundo onde tudo é informatizado. Tudo isso para o cara ficar preso 12 horas e, segundo o próprio PM, não comparecer na audiência.
E quem é penalizado? A vítima, que além de ficar 5 horas esperando, ainda amarga o prejuízo e fica preocupada se não será marcada pelo delinquente e sofrerá retaliação. O ladrão ganha um jantar, um café da manhã (sei que não é nada espetacular, mas é comida) e no dia seguinte pode voltar pra rua para cometer mais crimes.
E assim vai o nosso país.....
A Ruiva pegou o telefone e, enquanto ligava para o 190 (o telefone continua funcionando, só quebrou a tela) um sargento da PM chegou e perguntou o que tinha acontecido. Ela contou a história e o PM chamou reforço, que chegou rápido. Eles foram para a delegacia. Isso era mais ou menos 17:20.
Ela deu o depoimento todo, contou a história toda e fizeram o BO. Enquanto o BO era processado, ela me ligou, avisando que ia precisar ir para a parte de flagrantes, da Polícia Civil. Cheguei lá umas 18:30.
Ficamos esperando umas 2 horas. Aí eu cansei de esperar e perguntei para o PM que fez o BO o que estava acontecendo. O cara explicou que tinha 2 outras ocorrências na frente e que precisava fazer o BO no sistema da polícia Civil, mas só tinha um cara que fazia isso. Perguntei se era diferente do BO que eles tinham feito e o cara falou que não, era basicamente a mesma coisa. Fiquei meio puto, mas não queria ser preso por desacato.
Passada mais meia hora, o BO ficou pronto e levaram o meliante para colocar a roupa de detento (não sei o nome) e dar depoimento. Enquanto ele conversava com a delegada, conversei mais um pouco com o PM:
- Quanto tempo esse cara vai ficar preso?
- Ah, como é reincidente e acabou de ser solto, deve ficar aqui até meio dia de amanhã. Senão saia de manhã.
- Sério?
- Seríssimo. Eu também fico assim. Tem um cara que já foi preso em flagrante 24 vezes só na Savassi, onde a gente atua. Imagina o resto de BH. E tá livre.
Fiquei muito mais puto ao saber disso, mas mais uma vez fiquei calado.
Passados mais uns 40 minutos chamaram os policiais, para conversar com a Delegada e contar a versão deles da historia (detalhe: já tinham feito isso na hora de fazer o BO da Civil).
Mais uns 15 minutos e chamaram a Ruiva. E pediram para eu ser testemunha. Entrei na sala e.... a delegada pediu para ela dar o depoimento dela. Sério. Tinha 2 BOs e ainda teve que dar depoimento mais uma vez. E lá foram mais uns bons 20 minutos. Eu ainda dei um depoimento falando que não estava no lugar e não vi nada (mais uns 5 minutos pra gerar a papelada).
Saímos de lá 22:30, CINCO HORAS depois do ocorrido. Neste meio tempo ninguém ofereceu água. Não podia sair de lá pra comprar comida, senão perdia a fila. E eu tive que usar o banheiro da carceragem, depois de pedir umas 2 vezes (não foi o das celas, foi de uma sala onde os caras são revistados e trocam de roupa antes de serem presos). Sorte que era número 1, porque estava feia a situação do banheiro.
E fiquei pensando: cinco horas para UM caso. Dois BOs com a mesma informação. Três depoimentos das mesmas pessoas (o ladrão também falou 3 vezes). Num mundo onde tudo é informatizado. Tudo isso para o cara ficar preso 12 horas e, segundo o próprio PM, não comparecer na audiência.
E quem é penalizado? A vítima, que além de ficar 5 horas esperando, ainda amarga o prejuízo e fica preocupada se não será marcada pelo delinquente e sofrerá retaliação. O ladrão ganha um jantar, um café da manhã (sei que não é nada espetacular, mas é comida) e no dia seguinte pode voltar pra rua para cometer mais crimes.
E assim vai o nosso país.....
3 de ago. de 2015
Truque novo pra cachorro velho
Já faz um tempo que o Véio tá me apurrinhando que quer um telefone com WhatsApp para conseguir receber as fotos da minha sobrinha (por alguma razão a minha irmã não consegue enviar foto por email, só WhatsApp. Vai entender). Meu telefone chegou e eu formatei meu S2 antigo para entregar pro Veio.
Coloquei na mão dele e expliquei como o telefone funciona (ligar, atender, discar, ligar e desligar wifi), passo a passo. Ele foi anotando tudo. Aí ensinei como o WhatsApp funciona (ver e enviar mensagem, nada mais). Ele também anotou. Isso tudo levou 2 horas. Ele testou, viu que funcionava e fui embora.
Uns 2 dias depois ele me liga falando que meu tio estava mandando mensagem pra ele no WhatsApp e ele não estava recebendo. E também falou que não estava conseguindo cadastrar meu tio na agenda do WhatsApp (palavras dele). Fiquei meia hora tentando entender a razão. Aí pensei nos meus tempos de suporte a sistemas e perguntei:
- Pai, o wifi tá ligado?
(Silêncio)
- Tá ou não tá?
- Não.
- Então liga. Aí vai tudo funcionar.
Meia hora depois ele me liga
- Não funcionou.
- Ligou o wifi?
- Liguei. A bolinha tá verde. (bolinha verde é um widget de ligar e desligar o wifi que eu instalei para ele)
- Mas está conectado?
- A bolinha tá verde.
- Aquele triângulo no alto, perto do ícone de sinal, tá aparecendo?
- Não.
- O roteador está ligado?
- O que é roteador?
- Aquele treco que fica perto do computador, com as luzinhas verde piscando.
- Ah, não.
- Então liga que vai funcionar.
Dois minutos depois começo a receber um monte de mensagens dele, todas antigas. Tinha 2 dias que ele estava me mandando mensagem e eu não recebia.
Mais 2 minutos ele me liga:
- Conectou, mas não consigo cadastrar seu tio
(Eu tinha explicado como fazer, mas tudo bem. Expliquei novamente)
- Clica na lupa no canto superior direito.
- Tá
- Escreve o nome que você colocou pro meu tio.
- Tá
- Apareceu?
- Apareceu, com um monte de coisa em inglês
- Beleza, é assim mesmo. Clica aí
- Tá. E agora?
- Agora manda mensagem
- Muito difícil esse treco. Você não me ensinou a usar esse telefone. Vou precisar que você me ensine depois
- Pai, você ANOTOU o passo a passo pra usar.
- É, mas não tinha isso.
- Tá bom, pai. Final de semana eu passo aí e te ensino.
Tá difícil. O que me deixa triste é que meu pai usa computador deste 1995 e apanha pra fazer essas coisas simples, com um passo a passo do lado (que ele certamente não lê).
Mas o mais triste mesmo é que a minha avó de 85 anos levou menos tempo pra aprender a usar. Faz umas coisas erradas de vez em quando, mas sabe usar sem problemas.
Esse treco de celular pro Véio vai dar trabalho....
Coloquei na mão dele e expliquei como o telefone funciona (ligar, atender, discar, ligar e desligar wifi), passo a passo. Ele foi anotando tudo. Aí ensinei como o WhatsApp funciona (ver e enviar mensagem, nada mais). Ele também anotou. Isso tudo levou 2 horas. Ele testou, viu que funcionava e fui embora.
Uns 2 dias depois ele me liga falando que meu tio estava mandando mensagem pra ele no WhatsApp e ele não estava recebendo. E também falou que não estava conseguindo cadastrar meu tio na agenda do WhatsApp (palavras dele). Fiquei meia hora tentando entender a razão. Aí pensei nos meus tempos de suporte a sistemas e perguntei:
- Pai, o wifi tá ligado?
(Silêncio)
- Tá ou não tá?
- Não.
- Então liga. Aí vai tudo funcionar.
Meia hora depois ele me liga
- Não funcionou.
- Ligou o wifi?
- Liguei. A bolinha tá verde. (bolinha verde é um widget de ligar e desligar o wifi que eu instalei para ele)
- Mas está conectado?
- A bolinha tá verde.
- Aquele triângulo no alto, perto do ícone de sinal, tá aparecendo?
- Não.
- O roteador está ligado?
- O que é roteador?
- Aquele treco que fica perto do computador, com as luzinhas verde piscando.
- Ah, não.
- Então liga que vai funcionar.
Dois minutos depois começo a receber um monte de mensagens dele, todas antigas. Tinha 2 dias que ele estava me mandando mensagem e eu não recebia.
Mais 2 minutos ele me liga:
- Conectou, mas não consigo cadastrar seu tio
(Eu tinha explicado como fazer, mas tudo bem. Expliquei novamente)
- Clica na lupa no canto superior direito.
- Tá
- Escreve o nome que você colocou pro meu tio.
- Tá
- Apareceu?
- Apareceu, com um monte de coisa em inglês
- Beleza, é assim mesmo. Clica aí
- Tá. E agora?
- Agora manda mensagem
- Muito difícil esse treco. Você não me ensinou a usar esse telefone. Vou precisar que você me ensine depois
- Pai, você ANOTOU o passo a passo pra usar.
- É, mas não tinha isso.
- Tá bom, pai. Final de semana eu passo aí e te ensino.
Tá difícil. O que me deixa triste é que meu pai usa computador deste 1995 e apanha pra fazer essas coisas simples, com um passo a passo do lado (que ele certamente não lê).
Mas o mais triste mesmo é que a minha avó de 85 anos levou menos tempo pra aprender a usar. Faz umas coisas erradas de vez em quando, mas sabe usar sem problemas.
Esse treco de celular pro Véio vai dar trabalho....
27 de jul. de 2015
Mudanças nos escritórios
Não sei se já comentei aqui, mas a empresa tem escritórios espalhados pelo país. Alguns já fecharam (tipo o de Manaus, que nem chegou a abrir oficialmente), mas 4 resistiram ao tempo. Até agora.
A crise (ou marolinha, como diz o governo) chegou forte na engenharia. E não estou falando só de obra do governo não, nem a iniciativa privada está investindo. O dólar nas alturas, a nafta a preço de ouro, o minério e o barril de petróleo despencando fizeram que todos os segmentos da indústria segurassem os investimentos (alguns até reduziram a produção).
E se não tem investimento, não tem obra. Se não tem obra, não tem engenharia. E se não tem engenharia, não tem emprego. Várias empresas (grandes e pequenas) fecharam as portas nos últimos tempos. Quem não fechou reduziu consideravelmente. E a minha empresa está no bolo das que encolheram.
Com o encolhimento (em todos os escritórios) ficou muito espaço disponível nos escritórios. E como espaço disponível é dinheiro no lixo, resolveram devolver algumas das salas que ocupamos ou mudar para espaços menores e mais baratos. Como eu estou com carga baixa após o término do meu contrato (e já fiz mudança de escritório quando estava no Rio), me colocaram pra acompanhar as obras, devoluções e mudanças.
Existe uma empresa responsável pelos aluguéis e manutenção de espaços de trabalho DENTRO da minha empresa. Sim, é isso mesmo. Tem um ramo de administração de sites dentro da minha empresa. E somos obrigados a utilizar esta empresa, mesmo ela sendo MUITO mais cara que qualquer outra no Brasil. E como qualquer monopólio, o serviço é uma merda e os caras fazem o que querem, quando querem. Pior: se custar mais ou atrasar a obra, problema seu. Afinal, como é uma empresa interna, todo custo é repassado para quem utiliza o serviço. Ah, e apesar de ser empresa interna, eles tem lucro. E sempre, já que os custos extras e ineficiências são repassadas para as áreas cliente. Eu sei, é um absurdo. Mas é assim.
Numa das obras eles fizeram o trabalho direitinho. Adiantaram o cronograma quase 1 mês (coisa rara!), mas como o prazo passado era 50 dias, nos planejamos para fazer a nossa parte nos 50 dias. E agora a obra ficou pronta, mas não conseguimos mudar.
Na outra obra, no escritório de BH, tinham passado que era “rapidinho, coisa de 15 dias a obra fica pronta”. Aí pedimos o cronograma oficial e os 15 dias viraram 3 meses. TRÊS MESES. A obra? Criar uma copa (já tem encanamento), subir uma parede e pintar uma das salas. Reclamei um monte, escalei para o papa e depois de muita reclamação, a obra reduziu para 1 mês. No cronograma.
Diz que era um gerente de projeto que estava planejando a obra, mas a pessoa responsável definitivamente não conhece predecessão. Queria mudar o pessoal de uma sala para a outra sem ter finalizado a copa (ou seja: ninguém teria como beber água). Mudaram o layout para caber mais mesas, mas não pensaram na infraestrutura de energia e rede. Resultado: tinha mais mesa que tomada e ponto de rede. Aí começaram a fazer uma porrada de puxadinhos. Dá até medo ver o que estão fazendo (tirei umas fotos, mas achei melhor não colocar aqui. Nunca se sabe).
As obras atrasaram 2 semanas. Fizeram uma coisa ou outra, mas nada da obra. Poderiam trabalhar no final de semana, mas não tinha ninguém para acompanhar a obra (o que atrasou mais ainda o cronograma). E aí, para tirar o atraso, começaram a trabalhar durante o expediente. Mas para isso precisou interditar o banheiro feminino.
Fizeram a copa, pintaram tudo e, depois de pronto viram que precisava de tomada. Aí vai ter que quebrar a parede e pintar tudo novamente....
Vamos ver quanto tempo isso ainda vai durar e se vai dar certo. Como não posso fazer nada, fico só dando pitacos e opções para otimizar a obra, mas o cara não escuta.
Oremos.
A crise (ou marolinha, como diz o governo) chegou forte na engenharia. E não estou falando só de obra do governo não, nem a iniciativa privada está investindo. O dólar nas alturas, a nafta a preço de ouro, o minério e o barril de petróleo despencando fizeram que todos os segmentos da indústria segurassem os investimentos (alguns até reduziram a produção).
E se não tem investimento, não tem obra. Se não tem obra, não tem engenharia. E se não tem engenharia, não tem emprego. Várias empresas (grandes e pequenas) fecharam as portas nos últimos tempos. Quem não fechou reduziu consideravelmente. E a minha empresa está no bolo das que encolheram.
Com o encolhimento (em todos os escritórios) ficou muito espaço disponível nos escritórios. E como espaço disponível é dinheiro no lixo, resolveram devolver algumas das salas que ocupamos ou mudar para espaços menores e mais baratos. Como eu estou com carga baixa após o término do meu contrato (e já fiz mudança de escritório quando estava no Rio), me colocaram pra acompanhar as obras, devoluções e mudanças.
Existe uma empresa responsável pelos aluguéis e manutenção de espaços de trabalho DENTRO da minha empresa. Sim, é isso mesmo. Tem um ramo de administração de sites dentro da minha empresa. E somos obrigados a utilizar esta empresa, mesmo ela sendo MUITO mais cara que qualquer outra no Brasil. E como qualquer monopólio, o serviço é uma merda e os caras fazem o que querem, quando querem. Pior: se custar mais ou atrasar a obra, problema seu. Afinal, como é uma empresa interna, todo custo é repassado para quem utiliza o serviço. Ah, e apesar de ser empresa interna, eles tem lucro. E sempre, já que os custos extras e ineficiências são repassadas para as áreas cliente. Eu sei, é um absurdo. Mas é assim.
Numa das obras eles fizeram o trabalho direitinho. Adiantaram o cronograma quase 1 mês (coisa rara!), mas como o prazo passado era 50 dias, nos planejamos para fazer a nossa parte nos 50 dias. E agora a obra ficou pronta, mas não conseguimos mudar.
Na outra obra, no escritório de BH, tinham passado que era “rapidinho, coisa de 15 dias a obra fica pronta”. Aí pedimos o cronograma oficial e os 15 dias viraram 3 meses. TRÊS MESES. A obra? Criar uma copa (já tem encanamento), subir uma parede e pintar uma das salas. Reclamei um monte, escalei para o papa e depois de muita reclamação, a obra reduziu para 1 mês. No cronograma.
Diz que era um gerente de projeto que estava planejando a obra, mas a pessoa responsável definitivamente não conhece predecessão. Queria mudar o pessoal de uma sala para a outra sem ter finalizado a copa (ou seja: ninguém teria como beber água). Mudaram o layout para caber mais mesas, mas não pensaram na infraestrutura de energia e rede. Resultado: tinha mais mesa que tomada e ponto de rede. Aí começaram a fazer uma porrada de puxadinhos. Dá até medo ver o que estão fazendo (tirei umas fotos, mas achei melhor não colocar aqui. Nunca se sabe).
As obras atrasaram 2 semanas. Fizeram uma coisa ou outra, mas nada da obra. Poderiam trabalhar no final de semana, mas não tinha ninguém para acompanhar a obra (o que atrasou mais ainda o cronograma). E aí, para tirar o atraso, começaram a trabalhar durante o expediente. Mas para isso precisou interditar o banheiro feminino.
Fizeram a copa, pintaram tudo e, depois de pronto viram que precisava de tomada. Aí vai ter que quebrar a parede e pintar tudo novamente....
Vamos ver quanto tempo isso ainda vai durar e se vai dar certo. Como não posso fazer nada, fico só dando pitacos e opções para otimizar a obra, mas o cara não escuta.
Oremos.
20 de jul. de 2015
Medindo o sono
Quando eu estava em Zurique, na casa da minha irmã, vi que ela e o marido dela estavam usando um treco no braço. Esse aí embaixo:

Perguntei o que era e minha irmã respondeu de forma simples: “contador de passos”. Vi que meu cunhado fez uma cara feia e perguntei pra ele “que mais que faz?”. Aí o supernerd começou a me explicar com detalhes técnicos tudo o que o bagulho fazia (eu sempre fico impressionado com o quanto ele é nerd).
Depois dele falar uns 15 minutos minha irmã fala: e custa 15 dólares. Instantaneamente falei: “quero um”. Não importa se é bom, se é ruim, eletrônico por 15 dólares eu quero. O problema é que vinha da china e levava 3 semanas, coisa que eu não tinha. Mas por uma dessas coincidências da vida eles tinham comprado pra meio mundo e tinha um sobrando (a pessoa estava de férias e só ia voltar dali a um mês). Aí peguei pra mim.
Para quem não reconheceu pela foto, o bagulho é um MiBand, da Xiaomi (aquela marca de celular chinesa que quer desbancar a Apple).
Vou ser sincero: eu só uso a parte de monitoramento do sono. A parte de contar passos vem de brinde, mas não é algo que eu use com frequência.
Tem outras coisas que podem ser uteis, mas que não uso (ainda):
- Vibrar quando chega notificação ou chamada;
- Desbloquear o telefone quando está perto (esse eu acho perigoso. Se roubarem telefone e pulseira, não adianta nada a minha senha cabulosa);
- Acordar quando estiver em sono leve.
Esse último meu cunhado testou e falou que é uma bosta. Você coloca um range do horário que é para te despertar e ele olha o melhor momento pra isso (quando você está em sono leve). O problema é que se você já estiver em sono leve no primeiro minuto do range ele te acorda e você pode perder alguns minutos valiosos de sono.
A parte de sono é bem interessante, se você tiver saco para tratar os dados. Ela mostra horário de início e término de sono, além de períodos de sono leve e sono profundo e, se você ficou acordado, os períodos. Saca só (uma típica noite de sono minha):

Importante: o meu tempo acordado foi muito maior do que ele marcou, mais ou menos o tempo todo entre as duas faixas laranjas, mas ele não consegue ver olho aberto. Ah, e o ideal é ter mais ou menos 45% da noite em sono profundo, sendo 25% em REM. Mas o aparelho não separa REM de sono pesado.
O correto seria tentar fazer correlações de coisas que aconteceram durante o dia (ou a noite) com o seu sono, além de tentar entender o melhor horário para dormir (se dormir muito cedo pode não dormir tão bem quanto se dormir mais tarde. Ou vice-versa). Mas eu não faço porra nenhuma disso.
Uma coisa é fato: dias em que o sono profundo foi pequeno eu acordo cansado. Todos os estudos sobre sono fazem sentido, hehe.
Outra coisa que percebi foi o quanto o estresse me faz dormir mal. Voltei de férias dormindo igual criança. Uma semana depois já estava com sono todo cagado.
“E os passos?”, você me pergunta. Cheguei à conclusão que sou mais sedentário do que eu imagino. A quantidade recomendada são 8.000 passos por dia. Minha média são 4.800. Só passei dos 8.000 umas 5 vezes (em quase 2 meses usando a bagaça).
E mesmo assim duvido da qualidade da informação. O treco parece ser muito sensível, pois toda noite ele indica passos meus. Imagino que seja porque eu movimento muito durante a noite, rolando de um lado para o outro na cama e mexendo os braços. E a cada movimentação ele conta um passo. Isso deveria ser cruzado com as informações de sono, mas não são (erro simples de corrigir, mas tudo bem).
Ou então eu sou sonâmbulo e não sei......

Perguntei o que era e minha irmã respondeu de forma simples: “contador de passos”. Vi que meu cunhado fez uma cara feia e perguntei pra ele “que mais que faz?”. Aí o supernerd começou a me explicar com detalhes técnicos tudo o que o bagulho fazia (eu sempre fico impressionado com o quanto ele é nerd).
Depois dele falar uns 15 minutos minha irmã fala: e custa 15 dólares. Instantaneamente falei: “quero um”. Não importa se é bom, se é ruim, eletrônico por 15 dólares eu quero. O problema é que vinha da china e levava 3 semanas, coisa que eu não tinha. Mas por uma dessas coincidências da vida eles tinham comprado pra meio mundo e tinha um sobrando (a pessoa estava de férias e só ia voltar dali a um mês). Aí peguei pra mim.
Para quem não reconheceu pela foto, o bagulho é um MiBand, da Xiaomi (aquela marca de celular chinesa que quer desbancar a Apple).
Vou ser sincero: eu só uso a parte de monitoramento do sono. A parte de contar passos vem de brinde, mas não é algo que eu use com frequência.
Tem outras coisas que podem ser uteis, mas que não uso (ainda):
- Vibrar quando chega notificação ou chamada;
- Desbloquear o telefone quando está perto (esse eu acho perigoso. Se roubarem telefone e pulseira, não adianta nada a minha senha cabulosa);
- Acordar quando estiver em sono leve.
Esse último meu cunhado testou e falou que é uma bosta. Você coloca um range do horário que é para te despertar e ele olha o melhor momento pra isso (quando você está em sono leve). O problema é que se você já estiver em sono leve no primeiro minuto do range ele te acorda e você pode perder alguns minutos valiosos de sono.
A parte de sono é bem interessante, se você tiver saco para tratar os dados. Ela mostra horário de início e término de sono, além de períodos de sono leve e sono profundo e, se você ficou acordado, os períodos. Saca só (uma típica noite de sono minha):

Importante: o meu tempo acordado foi muito maior do que ele marcou, mais ou menos o tempo todo entre as duas faixas laranjas, mas ele não consegue ver olho aberto. Ah, e o ideal é ter mais ou menos 45% da noite em sono profundo, sendo 25% em REM. Mas o aparelho não separa REM de sono pesado.
O correto seria tentar fazer correlações de coisas que aconteceram durante o dia (ou a noite) com o seu sono, além de tentar entender o melhor horário para dormir (se dormir muito cedo pode não dormir tão bem quanto se dormir mais tarde. Ou vice-versa). Mas eu não faço porra nenhuma disso.
Uma coisa é fato: dias em que o sono profundo foi pequeno eu acordo cansado. Todos os estudos sobre sono fazem sentido, hehe.
Outra coisa que percebi foi o quanto o estresse me faz dormir mal. Voltei de férias dormindo igual criança. Uma semana depois já estava com sono todo cagado.
“E os passos?”, você me pergunta. Cheguei à conclusão que sou mais sedentário do que eu imagino. A quantidade recomendada são 8.000 passos por dia. Minha média são 4.800. Só passei dos 8.000 umas 5 vezes (em quase 2 meses usando a bagaça).
E mesmo assim duvido da qualidade da informação. O treco parece ser muito sensível, pois toda noite ele indica passos meus. Imagino que seja porque eu movimento muito durante a noite, rolando de um lado para o outro na cama e mexendo os braços. E a cada movimentação ele conta um passo. Isso deveria ser cruzado com as informações de sono, mas não são (erro simples de corrigir, mas tudo bem).
Ou então eu sou sonâmbulo e não sei......
14 de jul. de 2015
Bolívia, aí vou eu
Sim, você leu certo. Eu vou viajar novamente. Sim, é férias. Sim, eu sei que voltei de férias tem 1 mês. Vou explicar....
Em setembro do ano passado eu fui obrigado a tirar férias, pois iriam completar 2 anos que eu tive direito a elas (férias compulsórias). Só que o projeto estava pegando fogo e não tinha a menor condição de eu sair naquele momento. Combinei com meu chefe de assinar o papel falando que eu estaria de férias, mas sairia de verdade no começo deste ano, quando tudo estaria mais tranquilo.
E assim foi feito.
Voltei de férias no final de maio e já recebi um email do RH informando que eu teria que tirar férias novamente até meados de setembro, pois teria mais um conjunto de compulsórias. Fui até a mesa do meu chefe e falei:
- Recebi um email do RH mandando tirar férias. Mesmo esquema do ano passado?
- Não pode mais. Eu mesmo estou sendo obrigado a sair de férias agora, mesmo com a situação pegando fogo.
- Uai... Mas e aí? Saio de férias mesmo? 2 meses depois?
- Infelizmente sim.
Fiquei meio puto, porque não tinha dado nem tempo de cansar novamente. E não teria milhas (e dinheiro) pra viajar novamente em um prazo tão curto. Mas fui lá e marquei para agosto inteiro.
E comecei a olhar passagens, já que todo mundo estava falando que passagem pra Europa tava barato. Achei várias promoções, mas para setembro, outubro e novembro. Para agosto (verão no hemisfério norte) não achei nada.
Aí comecei a olhar na América do Sul. Como só falta a Bolívia para eu conhecer (estou falando de capitais, ok?), fui direto nela. Caro pra caramba. Olhei norte do Chile (atacama), também estava caro. Olhei sul do Chile e Argentina (patagônia), também caro. Aí desisti.
Já estava até começando a aceitar a ideia que ficaria 30 dias coçando as bolas, quando recebi um email do Smiles. Uma super promoção para Cliente diamante: passagem nacional por 4.000 milhas e América do Sul por 5.000. Olhei e tinha para a Bolívia. “Vou demais”, pensei.
Pelo menos eu achei que ia. Quando passou para a tela de débito de milhas, eu não tinha suficiente (eu tinha 9.300, precisava de 10.000). Eu tinha no cartão, transferi na hora. Saiu do cartão, mas não entrou no smiles.
“Bom, pode demorar”, imaginei. Mas como cliente diamante, tenho direito a reservar a passagem por 3 dias pelo preço atual (ou quantidade de milhas). Assim eu fiz. E liguei no smiles pra entender porque ainda não tinha caído:
- Blablabla, transferi milhas, blablabla. Quanto tempo leva?
- Até 7 dias.
- Não dá pra fazer alguma coisa? Eu aproveitei a promoção, blablabla...
- Não, não dá. O que dá pra fazer é torcer para creditar antes que a sua reserva caia.
Sem acreditar que a mulher tinha falado aquilo, agradeci e desliguei. E fiquei olhando a conta 3 vezes por dia.
No último dia caiu o crédito. Entrei no site correndo e paguei a taxa de embarque. Recebi a confirmação da passagem e, só aí, parei para pensar: o que tem para fazer na Bolívia?
Comecei a perguntar para algumas pessoas e, até agora, a ideia é a seguinte:
- Santa Cruz
- Sucre
- Uyuni
- La Paz
- Copacabana
- Isla Del Sol
Isso tudo em 13 dias. Vou ter que colocar em uma planilha, pra ver se dá.
Se alguém tiver alguma ideia diferente, aceito sugestões.
Em setembro do ano passado eu fui obrigado a tirar férias, pois iriam completar 2 anos que eu tive direito a elas (férias compulsórias). Só que o projeto estava pegando fogo e não tinha a menor condição de eu sair naquele momento. Combinei com meu chefe de assinar o papel falando que eu estaria de férias, mas sairia de verdade no começo deste ano, quando tudo estaria mais tranquilo.
E assim foi feito.
Voltei de férias no final de maio e já recebi um email do RH informando que eu teria que tirar férias novamente até meados de setembro, pois teria mais um conjunto de compulsórias. Fui até a mesa do meu chefe e falei:
- Recebi um email do RH mandando tirar férias. Mesmo esquema do ano passado?
- Não pode mais. Eu mesmo estou sendo obrigado a sair de férias agora, mesmo com a situação pegando fogo.
- Uai... Mas e aí? Saio de férias mesmo? 2 meses depois?
- Infelizmente sim.
Fiquei meio puto, porque não tinha dado nem tempo de cansar novamente. E não teria milhas (e dinheiro) pra viajar novamente em um prazo tão curto. Mas fui lá e marquei para agosto inteiro.
E comecei a olhar passagens, já que todo mundo estava falando que passagem pra Europa tava barato. Achei várias promoções, mas para setembro, outubro e novembro. Para agosto (verão no hemisfério norte) não achei nada.
Aí comecei a olhar na América do Sul. Como só falta a Bolívia para eu conhecer (estou falando de capitais, ok?), fui direto nela. Caro pra caramba. Olhei norte do Chile (atacama), também estava caro. Olhei sul do Chile e Argentina (patagônia), também caro. Aí desisti.
Já estava até começando a aceitar a ideia que ficaria 30 dias coçando as bolas, quando recebi um email do Smiles. Uma super promoção para Cliente diamante: passagem nacional por 4.000 milhas e América do Sul por 5.000. Olhei e tinha para a Bolívia. “Vou demais”, pensei.
Pelo menos eu achei que ia. Quando passou para a tela de débito de milhas, eu não tinha suficiente (eu tinha 9.300, precisava de 10.000). Eu tinha no cartão, transferi na hora. Saiu do cartão, mas não entrou no smiles.
“Bom, pode demorar”, imaginei. Mas como cliente diamante, tenho direito a reservar a passagem por 3 dias pelo preço atual (ou quantidade de milhas). Assim eu fiz. E liguei no smiles pra entender porque ainda não tinha caído:
- Blablabla, transferi milhas, blablabla. Quanto tempo leva?
- Até 7 dias.
- Não dá pra fazer alguma coisa? Eu aproveitei a promoção, blablabla...
- Não, não dá. O que dá pra fazer é torcer para creditar antes que a sua reserva caia.
Sem acreditar que a mulher tinha falado aquilo, agradeci e desliguei. E fiquei olhando a conta 3 vezes por dia.
No último dia caiu o crédito. Entrei no site correndo e paguei a taxa de embarque. Recebi a confirmação da passagem e, só aí, parei para pensar: o que tem para fazer na Bolívia?
Comecei a perguntar para algumas pessoas e, até agora, a ideia é a seguinte:
- Santa Cruz
- Sucre
- Uyuni
- La Paz
- Copacabana
- Isla Del Sol
Isso tudo em 13 dias. Vou ter que colocar em uma planilha, pra ver se dá.
Se alguém tiver alguma ideia diferente, aceito sugestões.
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