30 de dez. de 2019

Retrospectiva 2019

Sim, queridos leitores, mais um ano se passou. E mais um ano praticamente sem posts neste humilde blog que está respirando com ajuda de aparelhos. Como não teve post, não esperem uma retrospectiva detalhada, apesar de ter sido um ano com muitas mudanças.

O ano começou bem agitado. Em saiu meu visto de trabalho para os EUA e começou a correria. A história completa resumida você vê aqui.

Lembra que eu falei que meu cachorro veio junto comigo pros EUA? Pois é. Por conta dele aluguei uma casa com quintal gigante, com grama pra caralho. Isso me trouxe 2 problemas que eu nunca tive na vida: cortar grama (o que toma 3 horas a cada 15 dias da minha vida) e uma conta de água absurda (dá pra imaginar que água no deserto não é das coisas mais baratas, né?). Ah, o pior: o cachorro só vai pro quintal quando alguém vai com ele. Ou seja: passa 95% do tempo dentro de casa....

Mudança feita, a adaptação foi até rápida. O pau tá comendo no projeto, mas por incrível que pareça o cronograma foi seguido à risca, com coisa ADIANTADA (pelo menos até o começo de Dezembro). Nunca na história desse país isso tinha acontecido. E o cliente é uma mãe. Melhor cliente da história (pelo menos até dezembro). Isso facilitou muito a minha adaptação aqui (apesar de estar trabalhando pra caraio). Nem mesmo os sintomas da altitude (1.600 metros) e do ar seco (peguei dias de 3.5% de umidade do ar) duraram muito. Um pouco de dor de cabeça e nariz sangrando nas primeiras semanas, depois ficou de boa.

A Ruiva deu uma sofrida maior. Ela veio com inglês “the book is on the table”, sem dirigir. Arrumamos umas aulas de inglês pra ela na faculdade e comprei uma bicicleta pra ela ir pra aula (é relativamente perto). Tava indo de boa até que chegou o verão. Aí......

Tenho que ser honesto: eu imaginei que o verão aqui ia ser de querer se matar. Pensei que ia passar dos 50 todo dia, ardendo no fogo do inferno. A verdade é que calor de deserto é uma das melhores formas de calor (se é que existe alguma forma boa de calor). O calor seco é MUITO bom. Primeiro porque você não sua. Sério, fiquei uns 7 meses sem suar. Óbvio que se você faz exercício físico você sua, mas normalmente é super tranquilo. E se você for para uma sombra, a temperatura cai drasticamente. Não, não fica frio, mas melhora muito. E as temperaturas aqui nem foram tão altas: poucos dias passou de 40. Mas o pessoal daqui disse que foi um ano atípico, com muita chuva e temperaturas mais brandas. Manaus era muito pior do que aqui. MUITO.

O problema daqui é o sol. Ele é escaldante. E não tem núvem no ceu. 5 minutos no sol e você já sente a pele repuxando. Se ficar mais uns 5 minutos ela fica parecendo solo do nordeste, marrom, seco e todo rachado. Haja protetor solar. E Albuquerque é bem alta, então o sol é “mais forte”. Mas ainda assim, muito melhor que Manaus.

O céu é assim quase o tempo todo. E de quebra você vê a casa do Walter White

E bem no auge do verão a Véia resolveu me visitar. Por um lado, foi bom, porque conheci algumas cidades aqui perto (turismo não é um dos pontos fortes do Novo México, a menos que você goste de natureza). Por outro foi foda porque ela ficou 3 semanas aqui e não tinha o que ela fazer. Ainda mais no sol e calor. Mas no fim deu tudo certo.

Santa Fe

A Rota 66 cruza o estado inteiro (inclusive Albuquerque)

Rota 66 em Gallup

Praça principal de Taos

Cemitério indígena com o Taos Pueblo no fundo

Cada estado tem o Gran Canion que merece. Esse é perto de Taos (não, não é o Gran Canion de verdade. Esse é o Rio Grande)

A ponte com vão central mais alto dos EUA

Em Outubro teve uma das coisas mais bonitas que já vi na vida: o festival internacional de balonismo de Albuquerque. São mais ou menos 600 balões que levantam vôo em menos de duas horas. É MUITO foda. O difícil é acordar de madrugada pra ir pro lugar do festival. O busão SAI 4:40. E a temperatura já estava abaixo dos 10 graus nessa época, então divertido não foi. E como Murphy é meu amigo, no dia que eu resolvi ir teve nevoeiro e nenhum balão saiu do chão. Resultado: acordei de madrugada no frio dois dias seguidos (e paguei ingressos em dobro, obvio). Mas valeu a pena. É muito bacana, ainda mais com o céu azul sem nuvens do deserto.

De madrugada fica assim

E depois que libera o voo fica assim (ó o Cristo Redentor ali no canto esquerdo)

Ainda em Outubro fui convidado para uma festa de halloween. Eu achei que era só a criançada que ficava empolgada, mas os adultos também levam bem a sério. Todo mundo gasta uma grana com fantasia, decoração, doces (menos eu, óbvio). E tenho que falar a verdade: a história de doces ou travessuras é um saco. A cada 5 minutos alguém toca sua campainha, você atende, elogia as fantasias, dá doces e fecha a porta. E meu cachorro não para de latir quando a campainha toca, então foram umas 3 horas de latidos...... A festa, pelo menos, foi divertida. Até participei do campeonato de pong beer (perdi a final).

Minha fantasia para receber a pirralhada (doces no fundo)

A mesa de beer pong

Em meados de Novembro a Ruiva foi para o Brasil. Eu ainda trabalharia alguns meses antes de ir também, o que me rendeu um convite para jantar de ação de graças na casa de um colega de trabalho. Jantar as 2 da tarde, mas jantar. Eu levei pão de queijo e brigadeiro e nunca vi gringo tão feliz. Mas a parte divertida desse dia foi dirigir na neve. Começou a nevar no dia anterior e caiu quase 18 horas de neve. Coisa que nunca tinha acontecido nessa época do ano. O cachorro ficou felizão rolando na neve. Eu não fiquei tanto, pois teria que atravessar a cidade e, convenhamos, dirigir com um palmo de neve no chão não é algo que brasileiro está acostumado.... Mas no final deu certo, pois nas grandes ruas e avenidas passa trator limpando a neve. Sair de casa e na minha rua foi outra história. Foram uns 30 metros de rally gelado. A neve levou uma semana pra derreter, o que fez meu quintal virar um lamaçal. Super divertido.

Quase num tinha neve

Chegou Dezembro e foi a minha vez de ir para o Brasil. Foram duas semanas em solo tupiniquim. No primeiro final de semana, meu aniversário. No segundo final de semana, minha festa de casamento. Sim, eu casei. Tecnicamente eu já sou casado desde ano passado, mas a festa foi só esse ano. A gente já tava planejando casamento antes da história de transferência sair, então o custo de mudar tudo ia ser muito alto. Aí deixamos como estava planejado mesmo com a mudança. Mas isso gerou algumas coisas divertidas, como prova de bem casado menos de 24 horas antes de mudar e assinatura de contrato no aeroporto de Guarulhos, enquanto esperava o vôo pros EUA (sério). A vantagem foi poder botar a culpa da mudança em tudo o que eu já não queria fazer para a festa. A desvantagem foi pagar o preço de um celta 2012 em passagens de Albuquerque para BH....

Game Over

Aí, como Murphy é meu brother, na volta para os EUA resolveu cair o mundo em Guarulhos e meu vôo foi cancelado. Óbvio. Eu tinha comprado as passagens para chegar em Albuquerque na manhã do dia 18, para poder pegar meu cachorro e descansar antes de voltar a trabalhar no dia 19. Mas com esse atraso, eu ia chegar no aeroporto 40 minutos antes de uma reunião. Eu pisei em casa entrando na reunião (era por telefone), sem ter dormido direito. Fortes emoções. Mas deu certo no final.

Ah, e lembra que eu tinha falado que estava tudo dentro do cronograma até dezembro? Pois é. Foi só eu viajar que começou a atrasar um monte de coisa.... Murphy me ama.

É isso. Foi um ano de mudanças e adaptações, mas não posso reclamar. Quem sabe ano que vem eu consigo mais tempo (e paciência) para postar aqui. Mas não prometo nada.

2 Palpites:

Quellamoureuse disse...

Passando pra dizer que: ainda leio seu blog - WOW! Sei lá ha quantos anos, hahaha
E também pra dizer que: você casou!!!!!!! WOW²! Hahahaha
Estou feliz por você e por todas as suas conquistas!

Esparroman disse...

Olha só.... Ainda tem gente que lê esse blog. :)

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