17 de abr. de 2014

Sapato novo

Quando estive em POA vi uma loja de sapatos e imaginei que seria mais barato que em Minas, já que o Rio Grande é um grande fabricante de pisantes. Dei uma olhada geral nas lojas do shopping perto do meu hotel e vi que estava realmente mais barato (mas não tanto quanto eu imaginava).

Só que achar sapato barato é uma coisa, achar sapato que caiba no meu pé é outra completamente diferente. Meu pé é chato, largo e alto. Tipo Jabba the Hutt, mas com ossos e sem rugas. Uma combinação improvável e que certamente não é considerada pelos fabricantes de sapatos (tênis é até mais fácil de achar).

Depois de muito procurar, achei um sapato que não apertava muito (porque apertar sempre vai). E comprei. Estava até satisfeito, porque não estava incomodando muito. Até que tive que viajar para o Rio. Era uma quinta-feira, madrugada, mas o aeroporto estava estranhamente cheio. A fila para passar no raio-x e detector de metais estava consideravelmente grande.

Aliás, um parêntesis. Em Confins existe a fila única, que faz zigue-zague, como em todos os outros aeroportos do mundo. Mas quando você chega na boca da fila tem um idiota que manda você formar uma mini fila atrás dos aparelhos de raio-x. É fila para pegar fila. E as vezes a fila que você entrou agarra e alguém que estava 3, 4 posições atrás de você, mas foi para outra mini fila, acaba entrando na sala de embarque antes de você.

Mas voltando... Entrei em uma das mini filas e a mulher que estava na minha frente agarrou. Teve que tirar o cinto. Quando chegou a minha vez, a atendente falou "o cinto" e eu retruquei "sempre passa" (na verdade, 95% das vezes passa. Vez ou outra agarra, mas eu prefiro correr o risco). E aí... apitou. Tirei o cinto, passei novamente e... apitou. Era o sapato.

Nesta hora, eu fiquei pensando "ué, nunca pega. Que merda é essa?". Aí eu lembrei que estava com o sapato novo. E fiquei xingando mentalmente o fabricante e perguntando POR QUE alguém coloca metal no sapato. E mais: ONDE o metal estaria. E aí anotei no celular para procurar o metal do sapato quando chegasse em casa.

Eu já tinha esquecido do episódio quando entrei na fila do detector de metais do Galeão (detalhe: no mesmo dia), até que uma das mulheres na minha frente teve que tirar o sapato (um salto de uns 15 cm). Mas resolvi correr o risco. E para minha surpresa, passou. Não pegou nem o cinto nem o sapato.

Ainda assim, quando cheguei em casa, fui procurar onde estava o maldito metal. E não é que eu achei? Tinha uma plaquinha de metal na sola, com a marca do fabricante. Não tive dúvidas: peguei um alicate e arranquei aquela merda. Mas fiquei pensando que quem inventou essa porcaria não viaja de avião (ou então viaja de jato particular).

Na semana seguinte peguei outro vôo em Confins e não apitou. Passei a odiar menos o fabricante. Mas ainda fico me perguntando quem foi o corno que teve essa idéia cretina de colocar metal em sapato.

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