6 de mar. de 2007

Aprenda Fuçando

A nossa turma de trainees tem um grupo no yahoo, como toda turma de qualquer coisa. Como sou "o mais experiente em computador" segundo o pesoal, fui escolhido para criar o grupo e ser o moderador da bagaça. No início, achei que era por simples preguiça do pessoal em criar um grupo. Hoje eu vejo que não é bem assim.

Coloquei umas fotos do encontro lá na página do grupo e mandei um email avisando o pessoal. Desde então, a galera está apanhando para conseguir ver as fotos. E as perguntas/dúvidas são as mais diversas e inimagináveis. Teve gente que pediu para eu enviar meu login e senha, porque ele tinha esquecido a dele!

OK, eu sei que tenho um conhecimento um pouco maior em informática que a maioria das pessoas, mas foi porque saí fuçando nas coisas. Nunca lí um livro para aprender a usar um software. Sempre aprendi as coisas tentando e quebrando a cara.

Tá certo que algumas vezes isso me custou algumas horas formatando o PC, mas é porque tentei coisas esdrúxulas, tipo mexer no registro do windows. Mas pelo menos aprendi mais ou menos como funciona e o que eu posso e o que eu não posso fazer.

Eu fico me perguntando porque as pessoas tem tanto medo de fuçar no computador? POr mais que você fale, eles não acreditam que praticamente tudo é "arrumável". No pior dos casos, uma bela formatada resolve.

O maior exemplo disso é o Véio. Ele tem computador desde 1995. E de vez em quando faz umas perguntas ridículas, tipo: "como copio um arquivo?". Eu sei que ele sabe como faz isso (até porque já fez um bilhão de vezes), mas quando estou em casa parece que ele "desaprende".

Já o meu tio, que ligou um computador pela primeira vez há uns 5 meses, já sabe mexer melhor que o Véio. Até conversar com a Cabeçuda pelo MSN o cara já conversa. Isso porque ele entendeu que por mais que ele fuçe no PC nada de mais vai acontecer. Não vai explodir, não vai pegar fogo...

Mas além disso, ele é extremamente organizado. E o mais engraçado: só para coisas de informática. Quando ele não sabe alguma coisa, ele fuça. Se não consegue, pergunta para a minha prima e ela manda um passo a passo para ele. Ele "executa" o passo a passo para aprender, passa a limpo e guarda em uma pasta. Sempre que tem dúvida, ele procura o papel na pasta. Um exemplo perfeito de boa gestão (tirando a parte de fuçar). Só faltou criar um indicador (viu, Primo, estou estudando! Hehehe).

Já o Véio, que é extremamente organizado para tudo MENOS informática. Se ele naõ sabe/não lembra alguma coisa, ele me pergunta. Eu xingo ele, falando que ele sabe e que eu já ensinei e ele fica puto. Aí ele fica parado em frente o computador mexendo o mouse e fazendo coisas à esmo, como se estivesse realmente sem saber o que fazer.

Eu tento explicar (com a minha "ENORME" paciência) e ele começa a fazer. Eu mando ele anotar, mas ele fala que não precisa. Depois de brigar um pouco ele acaba anotando. Mas depois não passa as anotações a limpo, perde o papel e quando precisa fazer a tarefa novamente precisa pedir ajuda.

No caso do pessoal da minha turma de trainees, é mais ou menos a mesma coisa. Eles não perdem muito tempo tentando alguma coisa. Não sei se é por medo de estragar (até porque acho meio difícil estragar alguma página na internet só clicando em links).

Mas é aquele negócio da lei do menor esforço: para que perder tempo tentando alguma coisa se você pode perguntar para alguém que provavelmente sabe (e que se não souber vai perder tempo até descobrir)?

Ao contrário do que acontece aqui em casa, eu sou absurdamente paciente (de verdade). Muito porque são colegas de trabalho e não posso sair mandando todo mundo catar coquinho. E também porque vejo que realmente é algo que eles não sabem. Sempre que alguém manda uma dúvida outra pessoa manda um "nó, também não sei isso", ou "também estou com esse problema".

Fato é: eu não importo em ajudar. Desde que as pessoas tentem um pouco sozinhas antes. Porque a melhor forma de aprender alguma coisa é fazendo. E se você descobre alguma coisa sozinho, depois de apanhar um pouco (ou até mesmo apanhando muito) o prazer de ter aprendido é muito maior e você não vai mais esquecer aquilo.

E digo mais: você vai educar a sua mente a sempre querer aprender mais.

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