21 de dez. de 2011

Um dia bom

Interrompemos a série de bem vindos para falar de um momento raro na minha vida: um dia bom (e, arrisco dizer, até sorte).

Era uma sexta-feira, eu estava lotado de coisas para fazer, porque meu chefe sairia de férias e precisaria fechar várias coisas com ele. Saí de casa cedo (como sempre faço) e, acreditem, não peguei transito e quase todos os sinais estavam abertos. Em BH, isso é praticamente um milagre.

Cheguei no escritório e consegui subir os três andares do estacionamento de primeira, sem ter que manobrar. Isso, naquele estacionamento maldito, é quase um milagre. Cheguei na minha mesa e ligo o computador. Ele liga em menos de 10 minutos. Isso, considerando a quantidade de merda que a TI instala nos nossos computadores, é praticamente um milagre.

Enquanto o meu computador liga, o gerente do escritório vai me procurar. Fala que conversou com o presidente da minha empresa e me recomendou para a banca. A banca é um novo processo que o pessoal da empresa criou para ver se você pode ser promovido nos cargos gerenciais. Não quer dizer que eu vá ser promovido, mas eles te falam se você já tem condições de subir na vida ou não. E segundo o gerente do escritório o presidente gostou da minha indicação.

Ele também me fala que pintou um projetinho novo, e pergunta se eu consigo tocar. Como os projetos de Manaus estão em fase final (estão ficando só 2, mas consideravelmente grandes), falo que só preciso ver o tamaho da encrenca, mas que "pode mandar" que eu mato no peito.

Aí lembrei que era dia de café da manhã dos aniversariantes. Comi como um porco e, no final, sorteariam UM brinde bacanão. Eu tinha tanta certeza que não iria ganhar que na hora meti um brigadeiro na boca. Adivinha quem ganhei... Aí fui lá tirar foto com o brigadeiro na boca. Nem sorri mostrando os dentes, pra não passar vergonha. Fui lá no carro e guardei meu brinde, porque estava todo mundo de olho.

Pouco depois disso a minha queria estagiária que está deixando a empresa me liga. Fala que arrumou um convite para o baile de formatura dela e pergunta se eu quero ir. "Lógico!", respondi.

Recebi a documentação do projeto novo e era legal pra caramba. Estava empolgadaço pra fazer. Avisei o gerente do escritório que era para "deixar essa porra comigo que eu vou moer essa merda".

Cara, até estranhei que o dia estava muito bom. Cheguei até a ficar com medo de ir pra casa e morrer, tamanha sorte. Mas aí chamei Murphy na responsa e ele resolveu me dar o troco.

O tal projeto foi para uma equipe do Rio. Quase no mesmo momento fiquei sabendo que ia ter uma nova licitação em Manaus e que tem chance da gente ganhar (um projeto de merda). O que eu tinha que fechar com meu chefe era mais difícil do que eu imaginava, aí gastei muito mais tempo que o previsto. Só fui sair do escritório depois de 10 da noite.

Cheguei em casa e não tinha o que comer. Tive que inventar alguma coisa com o que tinha na geladeira (o que não era muita coisa e nada que combinasse com nada).

Mas, no fim das contas, o saldo do dia foi positivo. Fazia muito tempo que eu não chegava ao fim do dia e, ao colocar a cabeça no travesseiro, pensasse "caralho, hoje o dia foi bom".

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