26 de dez. de 2011

Um dia normal

Outro dia contei de um dia bom que eu tive (e ainda foi numa sexta-feira). Foi uma coisa atípica, momento raro na minha vida. Desde então só tenho tido dias de merda (vou contar um pouco sobre eles nos próximos dias), afinal, duvidei da capacidade de Murphy. E na segunda-feira seguinte ao dia bom, foi o primeiro desses dias normais. Foi mais ou menos assim....

Naquela sexta o meu chefe saiu de férias. Os projetos andam bem tranqüilos, porque ou estão em fase final e está tudo dominado ou estão em fase inicial e ainda não começaram a pegar. Achei que a minha vida seria fácil, mas obviamente eu estava errado.

O cliente ligou e perguntou onde estava o projeto das linhas de purga de um instrumento. Fui tentar entender do que diabos ele estava falando e descobri que as linhas não existiam em lugar nenhum dos desenhos que ele havia passado. E lá fui eu explicar que não havíamos projetado as linhas porque ele não pediu para fazermos as linhas. E ele retrucou falando que a gente tinha que ter visto que a linha era necessária. Conversa daqui, conversa dali, discute acolá e chegamos à conclusão que a falha foi de todo mundo.

Recebo um email do presidente da empresa perguntando onde estava a liberação de faturamento de uma nota que emitimos mês passado. Explico que deu merda na renovação do contrato e que ainda não tinha sido emitida pelo cliente. Ele falou que precisávamos faturar esses XXX reais este mês sem falta. Só que não era XXX, era YYY (ainda assim, um valor bem alto). Quando falei isso, ele assuntou e falou “Como não? Está este valor no painel de projetos”. Fui lá e vi que estava realmente errado. Meu chefe, que é quem coloca estes valores lá, esqueceu de retirar um valor que tinha sido pago no mês anterior. Mas quem levou a comida de rabo fui eu.

O pessoal do comercial me ligou e falou que a proposta que eu tinha feito na semana anterior estava muito cara e que eu precisava reduzir. Expliquei que quem passou os valores foi o pessoal das disciplinas, que teria que negociar com eles. Não foi fácil...

Depois disso, tive que fazer 2 avaliações de desempenho, que tomaram mais 4 horas da minha vida. No meio de uma das avaliações descubro que um dos caras que estamos avaliando está conversando com outras empresas e que provavelmente vamos perdê-lo. Isso é péssimo, porque o cara é muito bom. E também é ruim porque estou gastando tempo a toa fazendo a avaliação.

Volto da avaliação umas 7 da noite e descubro que um dos coordenadores que trabalham comigo passou mal teve que ir embora. Ele colocou um aviso de ausência no email apontando pra mim e começou a chover email na minha caixa de entrada. TODOS os projetos que estão com ele deram merda ao mesmo tempo. Teve até um email do tipo “o fulano tinha prometido a entrega dos isométricos hoje, Vão ser emitidos?”. Sete e bolachinha da noite já não tinha mais ninguém na empresa, então não fazia a menor idéia se tinham sido emitidos e nem tinha como apertar o pessoal para emiti-los. O cara estava tão mal que tinha ido pro hospital e não estava atendendo o celular. Estava completamente fudido.

Naquele dia mais cedo disponibilizei para o diretor de operações e para o presidente a apresentação mostrando o status dos projetos. Durante o dia eles foram perguntando algumas coisas por email e eu fui respondendo, até que teve um momento que falei que parte do impacto na margem foi por causa de premissas da comercial que não se concretizaram. Premissas foi a forma educada de dizer que o comercial fez merda e vendeu coisa errada. E no fim do dia, enquanto eu apagava os incêndios do cara que passou mal, chegou um email do presidente falando simplesmente assim: “explique melhor e defina números”, copiando o diretor comercial.

Ele pediu e eu fiz: levantei todos os pontos do projeto que o comercial fez caquinha e listei. No total, deu mais ou menos 20% do VALOR do projeto. Como os meus projetos têm valor bem alto, o número ficou muito grande e iria assustar. Mandei o email com o toba na mão, porque sou o ponto mais fraco da corda e aquela merda ia estourar em algum lugar.

Fiquei mais uma hora na empresa e saí de lá umas 9:30 da noite. Chegando perto de casa, entro numa rua de uns 3 quarteirões apertada e sem saídas. Na minha frente tinha que um caminhão de lixo andando beeeeeeeeem devagar, com os lixeiros pedindo “papai Noel do Lixeiro”. Demorei MEIA HORA atrás do caminhão de lixo, com aquele cheiro agradável. Isso porque estava doido para ir ao banheiro....

Umas 10 e pouco cheguei em casa e descubro que não tinha o que comer. Resolvi dormir para não passar mais raiva.

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