Último do útil em bogotá, almoçando e o Veio resolve que quer levar café colombiano para o Brasil. Como já havíamos gasto quase todo nosso dinheiro colombiano, precisávamos trocar dólares por pesos.
Saímos do restaurante e começamos a caminhar para a casa de câmbio, que ficava a 2 quarteirões de onde estávamos. Em uma das esquinas que teríamos que atravessar a rua, tinha gente pra cacete e fui na frente do meu pai.
Chego na esquina e começo a procurar o veio. Vejo ele me chamando pedindo para pegar um lenço de papel na mochila dele, porque tinham cuspido nele.
Enquanto eu ajudava a limpar a cusparada, ele me explicou que sentiu alguma coisa e achou que fosse um pombo. Aí uma mulher ajudou a limpar, mostrando que tinha cuspe na mochila também.
Nesse meio tempo, um cara bem vestido nos avisou que isso era tatica de roubo. Comentei com o Veio que devia ser que enquanto o cara se limpa, deveriam roubar as mochilas. E continuamos a caminhar em direção a casa de câmbio.
Chegamos na casa de câmbio e o Veio começa a procurar a carteira. Não estava nos bolsos. Abriu a mochila e não estava na mochila. "Roubaram minha carteira", disse ele já desesperado.
Voltamos no restaurante, para conferir se não estava lá e no caminho comecei a tentar ver o tamanho do estrago. Fui perguntando "tinha documento? carteira de motorista, identidade, crm...". A resposta foi não, para tudo. Só tinha dinheiro (uns 50 a 60 reais em dólares e pesos) e três cartões de crédito.
A carteira não estava no restaurante, então voltamos correndo para o hotel para cancelar os cartões. No caminho, entendemos como era o esquema de roubo:
— Alguém cospe na pessoa
— Alguém encosta na pessoa e chama a atenção para um dos lados. No caso do meu pai, para o lado oposto do bolso onde estava a mão dele com a carteira
— A pessoa olha para o outro lado e tira a mão do bolso para se limpar
— O comparsa aproveita que a pessoa distraiu e rouba a carteira dela
Cancelados os cartões, ficamos puros, óbvio, e o Veio mais calmo. Mas o dia já estava perdido. Sorte que já era quase 3 da tarde e já não tinha muita coisa mais para ver.
A sorte é que ensinei o veio a separar dinheiro, cartões e documentos pelo corpo (parte na carteira, parte na mochila, parte na barrigueira), então a perda foi pequena.
Mas isso tudo me fez perceber que preciso levar uma cópia dos meus cartões para casos desse tipo. Isso salvou meu pai, porque tinha os telefones do banco e os números dos cartões.
E pelo menos foi no último dia.
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