27 de dez. de 2012

Bem vindo ao Vaticano

Aí o aluno pergunta: "ué, não tem mais de um ano que você foi pra Itália?". Sim, queridos leitores. já faz um tempo bom. Tempo suficiente para eu não lembrar de 90% das coisas... Mas vamos tentar puxar lá do fundo do mundo pra postar para vocês... Que Google me ajude.

Antes de passar por Roma, que tem 1000000000 de fotos, vamos de Vaticano. Para quem matou as aulas de geografia, o Vaticano NÃO faz parte da Itália, apesar de estar no meio de Roma. É um país independente, o menor do mundo, por sinal.

Como toda boa cidade, é dividido em várias áreas. Algumas são visitáveis, outras são restritas. E mesmo as visitáveis são divididas em pagas e grátis. Começarei pelas pagas, que são o Museu do Vaticano e a capela sistina.

Uma dica que eu dou e recomendo muito fortemente que vocês sigam é: compre o ingresso antes. E marque para o PRIMEIRO horário (9 da matina, salvo engano). Você paga 4 euros a mais, mas vale a pena. A fila para compra é gigantesca e você ganha um tempo valioso. E a vantagem de ser o primeiro é que não tem uma horda de ogros ao seu redor (essa horda chega depois). Palavras do Véio, que já foi lá 3 vezes.

A entrada do museu é do lado de fora dos muros. E se você seguiu o meu valioso conselho, você deve passar por FORA da fila que já estará formada, pela rua mesmo. Vá andando até chegar na entrada (foto abaixo) e fique de tocaia. De uma hora pra outra abre a porteira e sai todo mundo correndo (a Itália é o Brasil da Europa).


Se eu não me engano, primeiro você passa por um raio X, depois troca seu bilhete impresso pelo ingresso e só então passa pela catraca. E o primeiro lugar da visita são os jardins de alguém que esqueci o nome. ÓBVIO que tinha coisa em reforma...


Não lembro de ter muita coisa pra ver aí. Tinha uma escultura que não achei foto e uns painéis com explicações da capela sistina (que você já esqueceu até chegar nela...).




Logo depois desse jardim você entra no famoso museu do vaticano. O treco é grande pra caralho e leva-se algumas HORAS dentro dele (se você não for detalhista). Tem de tudo que você imaginar. E nessas horas fico imaginando o quanto a igreja é rica (estima-se que METADE das obras de arte foram roubadas em guerras).

A primeira parte é a de estátuas (chutaria romanas). São alguns corredores como esse abaixo. O mais legal é que em muitas das estátuas arrancaram o bilau da galera. Ou isso ou colaram uma folha de mármore por cima (tipo Adão e Eva).






Depois disso vem a parte egipcia. Não é tão grande quanto o Neues Museum de Berlim (o que tem a Nefertiti), mas ainda assim impressiona.




Tem também a parte grega


E uma parte SÓ para animais


Também tem a parte do estruscos, fenicios e todos esses milhares de grupos que já existiram no mundo.

Depois de passar por todas essas milhares de salas, tem a parte da tapeçaria. São centenas de tapetes pendurados na parede.


Também tem a sala do Rafael, do Donatelo e todas as outras tartarugas ninjas. Confesso não lembrar mais qual é qual...
















Os tetos e os pisos são um capítulo a parte. Tem coisas impressionantes em tudo quanto é lugar.
































Perdido no meio do nada tem uma capelinha simples




Também tem uma sala para crianças fazerem arte.


E logo depois disso tudo vem a famosa capela sistina. O esquema é o seguinte: você pode tirar foto de TUDO o que quiser no museu. Tudo. Mas não pode tirar foto de NADA na capela sistina. Os guardas ficam circulando pela capela (que é pequena, por sinal) falando "no foto". E eu cheguei a ver eles agindo com um cara que não se contentou com apenas uma foto. Arrancaram a máquina do cara e começaram a apagar as fotos.

Eu tirei fotos escondido e, obviamente, ficou uma merda. Depois que eu vi a cena acima, desisti de tentar tirar fotos melhores.










E depois da capela sistina você passa por mais alguns corredores com tetos coloridos e, se não me engano, alguns relicários. No fim de tudo, óbvio, lojas.






Depois disso tudo, você é lançado para fora dos muros novamente. E aí tem que dar uma andadinha até chegar na praça São Pedro. Aí, meus amigos, vou contar uma historinha...

Quando eu estava planejando a minha viagem para a Europa, tomei TODOS os cuidados do mundo para não estar em Roma no final de semana, por 2 motivos:

1) Turistas italianos que resolvem aproveitar o final de semana para conhecer Roma;
2) O papa aparece na janelinha do seu quarto.

A razão para fugir disso é simples: fica tudo lotado. TUDO. LOTADO. ABSURDAMENTE LOTADO. Aí fiz questão de estar em Roma de terça a sexta. E deixei para ir ao vaticano na quarta.

Só que a brincadeira do papa dar tchau na janela MUDOU DE DIA (ou incrementou um dia). Fato é que era quarta-feira e a praça são pedro estava lotada. Lotada MESMO. Lotada a ponto de não conseguir ENTRAR na praça. E eu não estou exagerando. Tive que ir almoçar para dar tempo de todo mundo sair da praça. Mas depois que eu consegui entrar na praça, foi até bacana. Voltemos....

A praça é bem grande. Cabe gente pra cacete. E no lado oposto da entrada da praça fica a basílica de São Pedro. No meio, o famoso obelisco. Saca só:




A fila para entrar na basílica é gigante. Gigante MESMO. Saca só:


IMPORTANTE: você NÃO entra na basílica (e acho que no museu também) de bermuda (ou saia, se for mulher) e ombros de fora. Além dessa inspeção visual você também passa por detector de metal e raio x. Mas depois que passa dessa inspeção a entrada é rápida.




Amigos, a basílica é algo fora do comum. Coisa absurda. Gigantesco, muito ouro, muito mármore, granito e demais pedras. Dinheiro pouco é bobagem.



































Dica para conseguir ver a Pieta: seja brasileiro e não desista nunca. Não adianta pedir licença, tentar passar na frente ou empurrar um pouquinho. Tenha paciência e vá andando no meio das pessoas. Uma hora você consegue chegar lá, na cara de Jesus. E aí, amigo, VAI BABAR. Abuse do zoom da sua máquina.




Atrás do São Longuinho (que existe de verdade, achei que era mentira) tem a entrada para as catacumbas, onde estão enterrados os papas mortos. Você vai sair das catacumbas FORA da igreja, mas é possível entrar de volta sem pegar a fila inteira. Não assuste. Não tirei fotos, então entendo que não pode tirar.


E o último lugar da basílica é o trono de São Pedro. Supostamente é onde está a pedra fundamental da basílica, acima de onde estão os restos mortais do 1º papa.






E para fechar com chave de ouro, o famosíssimo guarda suiço, com seu uniforme desenhado pelo Michelangelo.


Dicas gerais:

- COMPRE a entrada para o museu com antecedência, pelo site do vaticano;

- Marque a visita para o primeiro horário;

- Vá de calça comprida e camisa tampando os ombros;

- Leve água. Não lembro de ter visto bebedouro por lá;

- Perca um bom tempo na capela sistina. Olhe todos os detalhes, caminhe pelo ambiente;

- Não deixe de ver a Pieta;

- Não vá na quarta-feira e no domingo (a menos que queira "ver" o papa). Fica MUITO cheio, praticamente impossível de andar (mesmo a praça sendo muito grande);

- Eu não vi, mas na praça tem uma plaquinha no chão com o local onde o João Paulo II foi baleado;

- Separe praticamente um dia inteiro para essa brincadeira. Você vai chegar 9 da matina e vai sair depois das 3, fácil. Aproveite para almoçar nas redondezas, tem vários restaurantes baratos no entorno (mas fora do vaticano).


Atenção: o texto acima ampara-se no direito fundamental à manifestação do pensamento, previsto nos arts. 5º, IV e 220 da Constituição Federal de 1988. Vale-se do "animus narrandi", protegido pela lei e pela jurisprudência (conferir AI nº 505.595, STF). (obrigado, Lu Monte, pela ajuda jurídica).

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