Um tempo atrás, antes de eu sair de férias, reparei que uma das minhas estagiárias estava ficando na empresa bem mais que as 6 horas permitidas. Achei aquilo estranho e fui conversar com o dono do passe dela (agora o escritório está dividido por disciplina, só pego as pessoas emprestadas. Uma merda, mas é assunto pra outro post). Resumindo a história: ela não estava mais comigo e o projeto que ela estava alocada tinha um prazo suicida. Muito pior do que os meus. E aí tava todo mundo se matando, inclusive os estagiários.
Eu sou da época que estagiário era escraviário, não tinha dessa de limite de horas de trabalho, direito a férias (remuneradas!) e essas coisas que a lei(!) determinou. Não que eu achasse que na minha época estava certo, mas burocratizaram demais o estágio. A minha empresa paga horas extras para os estagiários, então deixa o povo trabalhar a mais, se eles acharem que não está impactando nos estudos. O problema é o povo saber dizer não quando está atolado de coisas na faculdade para fazer e precisando de tempo para estudar. E essa estagiária não soube fazer isso.
A menina já é daquelas guerreiras que trabalha 6 horas durante o dia e faz engenharia a noite. Quem fez engenharia dá valor a essas pessoas, porque a noite era a hora que se tinha para fazer trabalhos e estudar para provas. Não sei como as pessoas conseguem formar. No caso dela, acho que era nas 2 horas entre sair do trabalho e começar a aula. Só que como ela estava trabalhando 8 a 9 horas por dia, não estava conseguindo fazer as coisas da faculdade e estava quase tomando pau em uma matéria. Pior: fiquei sabendo disso só porque a engenheira que trabalha com ela me falou. Ela não abriu a boca para falar nada.
Aí eu volto de férias, com 200 milhões de coisas dando merda e precisando de solução, trabalhando de 8 da manhã até 9 da noite, fim de semana e tudo mais. Na semana seguinte, vou para Manaus. E aí, num determinado dia a noite, quando voltei para o hotel, conectei na rede da empresa e o skype genérico que a gente usa piscou. Era uma mensagem da menina falando "fiquei sabendo que você programa bem. Quer voltar pra faculdade?". Eu estava muito fudido, mas falei para ela me mandar o que precisava ser feito, que como eu tinha 4 horas de vôo desconectado, poderia adiantar alguma coisa.
Ela me mandou o trabalho e tinha coisa pra caralho para fazer (pelo menos parecia). Olhei aquilo e, lendo com calma, vi que era em C. Eu não programo de verdade tem uns bons 6 anos. Só brincava de fazer super blogador, super contador de horas, super controlador de gastos e coisas do tipo. E era em C#. Em C eu não programo desde meu segundo período de faculdade. Aceitei ajudar até pra relaxar um pouco e esquecer o trabalho (acreditem se quiser). Catei umas apostilas em C, baixei as aulas que o professor dela tinha dado, busquei uma ide de gente, já que o turboC não roda mais em computadores atuais e parti pra briga.
Na boa, C deve ser a pior liguagem de programação do mundo (mentira, tem COBOL, FORTRAN, ASSEMBLY, etc). É muito poderosa e você consegue fazer o que quiser, mas é MUITO chata. Ainda mais se você vai trabalhar com ponteiros (que era o caso). Não existe jeito fácil de fazer as coisas. Trabalhar com strings em ponteiros então é de querer se matar. Mas eu me diverti fazendo os trabalhos. A ideia inicial era eu fazer só uma questão, então escolhi a que valia mais pontos. Gastei pouco mais que as 3 horas úteis de voo (foram umas 5 no total, acho). Só que aquilo tinha me feito tão bem, poder relaxar no fim de semana e esquecer que o meu trabalho estava pegando fogo, que resolvi fazer o resto. Agora, não era nem para ajudar a estagiária, era para ME ajudar.
Aí numa sentada só, no fim de semana, fiz mais 3 questões. Coisa rápida, umas 3 horinhas. E no fim de semana seguinte, fiz a questão que faltava em mais uma hora em frente o computador. Eu lembrei o quanto eu me divertia quando era programador, a raiva que passava quando não conseguia resolver os problemas de linguagem já que "a lógica tá certa! Não é possível!". E em essas 9 horas que eu estava quebrando a cabeça e apanhando do C eu não pensei em trabalho. Melhor forma de relaxar impossível!
Resultado da história: ajudei a estagiária, relaxei do trabalho e lembrei do quanto gosto de programar. E decidi que vou voltar a fazer os meus programas de fim de semana. Aqueles programas que eu acho algo parecido no android market, mas que não são do jeito que eu queria. Quem sabe assim eu não morro aos 35 e chego aos 40 anos? Se eu ainda começar a fazer exercícios, chego até os 45!
Ps. Esse post ficou mal escrito pra caralho, né? Tô com preguiça de reescrever/revisar, então vai ficar assim mesmo.
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