5 de jul. de 2010

Orçamento furado

Como havia dito por aqui, comecei um projeto novo em Manaus. A ideia era passar 2 semanas no mato fazendo levantamento de campo, para definir o estado dos equipamentos que vamos reativar e depois voltar para BH para fazer o planejamento do projeto. Apesar de fazer o planejamento envolver descobrir quanto realmente vai custar o projeto, este já havia sido vendido a um preço fixo e eu, na verdade, veria o quanto a gente iria lucrar ou "prejuizar".

Para vender o projeto o pessoal foi perguntando aos especialistas da empresa quanto tempo cada um achava que ia demorar para fazer o projeto e depois transformaram isso em dinheiro. Para a parte de elétrica, automação e mecânica pediram opiniões de 3 pessoas e pegaram o pior caso. Para o de civil, pediram o de uma só, que era a única pessoa disponível no momento.

O cara de civil falou que ia gastar algo em torno de 80 horas (duas semanas), o que pareceu plausível, pois era para projetar uma casinha para uma remota de 3 x 2m, com uma janela e uma porta, reformar 4 casinhas desse mesmo tamanho e constuir umas bacias de contenção (tipo aqueles tanques de areia que criança brinca em parque). E assim o projeto foi orçado e foi para a negociação.

Aí o cliente, como não poderia deixar de ser, chorou um bocado e acabamos abaixando o preço (muito, por sinal). Mas ainda dava para ter um lucrinho de merda. Fomos lá, fizemos o levantamento de tudo, menos civil, já que não tinha ninguém disponível e voltamos para BH.

Na hora de fazer o planejamento, o pessoal de elétrica e automação trocou uns documentos (um passou a bola pro outro) e acabou chegando mais ou menos no valor de horas planejadas para os dois em conjunto. Beleza. O cara de mecânica fez o planejamento dele e também bateu com o previsto no orçamento. Aí fomos pedir para o cara de civil detalhar um pouco mais a parte de civil (o mesmo cara da estimativa anterior).

O cara começou a falar: "pra casinha, um documento disso, um documento daquilo e um para num sei o que. Para a reforma, um descritivo e um desenho de num sei o que. E para a bacia um desenho de num sei o que e um outro de blábláblá. Fora os memoriais de cálculo". "Beleza. Quanto tempo?", perguntei eu, esperando a resposta em horas pela quantidade de documento que o cara inventou. "Ah, uns 2 dias pra cada documento, no mínimo".

Eu quase caí da cadeira. De 80 horas o projeto tinha passado para 800 horas. O cara errou por DEZ VEZES. E olha que era O MESMO CARA que tinha feito a primeira estimativa! Não acreditei e resolvo pedir uma segunda opinião, para uma outra pessoa de civil. Os documentos eram os mesmos e os tempos muito parecidos.

Ainda não acreditando, resolvi pedir uma terceira opinião, para uma consultora sênior do Rio. Ela fez a estimativa só para as casinhas, sem considerar as bacias. Mil horas. MIL HORAS. Seis meses de trabalho de uma pessoa para projetar uma casinha de merda de 6 metros quadrados e definir a reforma de outras 4 também ridiculamente pequenas. E isso, segundo ela, sem gordura.

Porra, em 1000 horas eu aprendo engenharia civil, projeto E CONTRUO a merda da casinha.

Aí eu te pergunto, como diabos o cara conseguiu fazer uma estimativa tão errada da primeira vez? Só podia estar de sacanagem, né? Pois é, descobri depois que ele está saindo da empresa. Ou seja: o cara só pode ter feito isso para sacanear a gente... E quem se fode, para variar, sou eu e meu chefe, que seremos os donos de um projeto que vai dar um prejuízo astronômico.

1 Palpites:

A Consultora disse...

Que furada!

Postar um comentário