28 de fev. de 2010

Filosofia sobre Buenos Aires

A Argentina é, sem dúvida nenhuma, um país que quer muito ser europeu, mas que tá completamente fudido. É impressionante a arquitetura da cidade, baseada na de Paris, toda arborizada, cheia de parques e museus de tudo quanto é tipo espalhados pela cidade. E, assim como os parisienses, é impressionante a quantidade que os argentinos fumam.

Fala-se muito de que os hermanos são arrogantes e que se acham os melhores em tudo. Para falar bem a verdade, só conversei com um argentino, um velhinho muito simpático que puxou papo comigo e com Xuxu. Ao contrário do que falam, o cara foi extremamente educado, atencioso e, pasmem, falou mal da argentina e muito bem do Brasil. Tá certo que o filho dele mora aqui agora, mas se fossem realmente arrogantes, isso nunca aconteceria.

Mas uma coisa chamou muito a minha atenção: eles tem muito orgulho de serem argentinos. TODO lugar que você olha tem uma bandeira do país: boteco, prédio, casa, loja, restaurante, banca, igreja (sim, nas igrejas)... Chega a impressionar. E ao contrário do Brasil, que só desempoeira as bandeiras em época de copa do mundo, eles ficam com as bandeiras (e camisas das seleções argentinas de futebol, pólo e outras que não sei de que são) o tempo todo.

A grande verdade, infelizmente, é que o país está quebrado e, na minha opinião, está vivendo o que o Brasil viveu no final dos anos 80/início dos anos 90. No comércio, tudo tem 2 preços: em dinheiro e no cartão, sendo o do cartão bem mais alto. E tem MUITO lugar que nem aceita cartão, pra nem correr o risco de algum turista animar pagar a diferença. A maior indicação de eles preferem ter dinheiro é que NINGUÉM troca moedas, pois tudo é pago com dinheiro e eles precisam de troco.

Os ônibus de BsAs, apesar de serem baratos e passarem com muita frequencia, estão muito velhos, assim como algumas linhas do metro, que ainda tem trens de madeira, que devem ser de quando foi fundado. O sistema de metro, no entanto, está sendo ampliado constantemente, e o terreno da cidade ajuda muito, por ser cabulosamente plano (metro não sobe ladeira, o que explica não existir a linha norte-sul em BH).

Me impressionou também a quantidade de carros velhos. Todo lugar que você olha tem um carro dos anos 70/80. E não são como os do Brasil, caindo aos pedaços, com durepoxi e arames amarrando: são carros mais ou menos cuidados, de quem não comprou o carro novo em 1980 e tem grana para trocar, por isso cuida dele.

Uma outra coisa que coloca a argentina nos anos 90 são as câmeras fotográficas. Quando fomos em lugares onde praticamente só se ouvia espanhol (Zoológico e parque Temaiken), a maioria esmagadora das câmaras era de filme. Tanto que as lojas dentro dos parques alugavam câmeras digitais E vendiam filmes para as analógicas. Era impressionante. Aliás, isso mostrava bem quem era chicano, quem era gringo e quem era Brasileiro: os chicanos (argentinos e demais países da américa latina que falam espanhol) tinham câmeras de filme. Os brasileiros, câmeras digitais compactas. Os gringos, câmeras digitais daquelas foras, que troca lente e tudo mais.

Apesar de toda essa falta de grana, o Estado parece aproveitar melhor o dinheiro público que o Brasil: subsidia parte das passagens de ônibus e Metro (por isso são baratos), gasta muita grana na conservação dos pontos turísticos, faz obras de melhoria na cidade... E o principal: faz questão de lembrar da história do país e cultivar isso nas gerações mais novas.

E, por incrível que pareça, só vi UM mendigo em toda a viagem. Tá certo que ele estava em situação deplorável (dormindo no chão, todo sujo e cagado - literalmente). Eu sei que só passei por bairros "chiques" (tanto que o mendigo estava em La Boca), mas em qualquer lugar do Brasil, por mais chique que o bairro seja, tem mendigo nas ruas.

Não sei se a Argentina tem solução. A situação lá já tá ruim faz tempo e, ao contrário do Brasil, não dá sinais de melhora (pelo contrário, tá é afundando mais). Mas se o Brasil (e o povo brasileiro) aprendesse as coisas boas que tem por lá e colocasse em prática, poderia melhorar muito o país.

Mas apesar de todos estes problemas, achei BsAs muito bacana e é um lugar muito bacana de se visitar. A estadia é barata, a comida é barata, as roupas são baratas, o transporte é barato. Caro mesmo é a passagem e os impostos para entrar no país (como fui com milhas, paguei só as taxas, que deu mais de 150 ronaldos).

1 Palpites:

PG disse...

É bem isso aí mesmo.

Em qualquer restaurante de Buenos Aires, 95% das mesas são de não fumantes. Às vezes, reservam uma mesa lá no cantinho pros não fumantes, que ficam rodeados de cigarro. Andaram proibindo o fumo em lugares fechados, mas não sei se cumprem muito a lei.

A comparação de Buenos Aires com Paris é comum e algo verdadeira.

Os argentinos tentaram imitar a Europa, com praças, parques e ruas largas, e com a manutenção de uma arquitetura antiga.

Mas vá juntando milhas e dinheiro pra ir à França, e você verá o abismo social e histórico entre as duas cidades.

Paris é abusivamente CARA (mínimo 50 euros só de alimentação por pessoa por dia). Mas, se as pessoas fumam muito e jogam as bitucas no chão, pelo menos a percentagem de fumantes é menor que em BsAs. E os prédios são velhos por cuidado histórico, e não por restrições orçamentárias.

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