Aliás, vale um interlúdio sobre os ônibus em BsAs. Lá não existe padronização nenhuma: cada um tem uma cor (mesmo os da mesma linha), um modelo e arranjo interno dos bancos diferentes. Falando em interior, parece que cada motorista tem a liberdade de enfeitar o ônibus como quiser. E é uma coisa pior que a outra.
Outra coisa diferente do brasil é que não tem cobrador e os valores são variáveis: você fala onde vai, o cara calcula a distância de acordo com o ponto onde você está e fala quanto você vai pagar. Aí ele libera uma maquineta e você vai enfiando dinheiro até dar o valor da passagem. E parece que não confere se você desceu no lugar certo não (até porque em um busão lotado isso é impossível). Mas o povo lá deve levar a sério isso e não deve "roubar", o que certamente não aconteceria no Brasil...
Uma outra coisa que me impressionou é que tem MUITO ônibus. Em lugar nenhum esperamos mais que 10 minutos por um ônibus. E o valor é bem baixo, pois é subsidiado pelo governo da argentina. [/interlúdio]
O ônibus passou bem rápido e estava bastante vazio (afinal, era 8 da manhã de um sábado). Falamos para onde íamos e o motorista falou: "dois e vinte". Tirei uma nota de 10 pesos e o cara retrucou: "somente moedas", apontando para a maquineta de colocar dinheiro. Expliquei que não tinha moedas (tinha umas moedas que recebi de troco no McDonalds no dia anterior, mas que não dava para pagar 2,20 para cada um) e tava sem saber como fazer. O cara fez um movimento com o braço de "deixa pra lá.".
Fiquei sem graça e queria pagar pelo menos uma passagem. Comecei a revirar a mochila à procura das moedas e uma mulher, vendo meu desespero, falou: "coloca aí o que você tem que eu completo". Catei todas as moedas (tinha 2,25) e dei pra ela. Ela enfiou na maquina e me devolveu 5 centavos restantes e deu um sorriso. Fiquei completamente sem graça, porque a mulher ainda teria que pagar a passagem de Xuxu. Aí fiquei esperando ela colocar as moedas, mas ela explicou que era 2,20 para o dois. Ou seja 1,10 para cada um. Praticamente de graça! Agradeci a ajuda epedi pro motorista avisar quando chegasse no cemitério.
Chegamos em uma praça que tem várias coisas: o cemitério, uma igreja, o centro cultural e uma feirinha.

Mas o que chamou a nossa atenção foi essa árvore aí embaixo:
Sim, isso tudo é uma árvore só. Dá uma olhada no tronco (tem duas pessoas sentadas perto) e nas escoras para aguentar os galhos maiores:
Além da árvore, a praça tinha também aquelas cabines de telefone típicas da Inglaterra, com direito a relógio-poste (que não funcionava, por sinal):
Demos azar que estava rolando missa na igreja (Nuestra Señora del Pilar) e não dava para tirar muita foto. Mas mesmo assim ainda tirei algumas:











De lá, fomos para o cemitério. E vou te falar: o lugar é foda. Muita coisa bacana, parece que o povo fica disputando quem tem o maosoleu mais caro. E todo mundo que é importante está enterrado lá. Deixou o cemitério de Ponta Grossa no chinelo. Só esqueci de tirar foto da entrada do cemitério (que estava em reforma, por sinal), mas isso é um detalhe que a gente resolve com ajuda do Google...









O lugar mais visitado, como não poderia deixar de ser, é o tumulo de Evita Peron. Pedimos ajuda para um cara que trabalha lá e o cara falou o caminho. Entendemos maromeno e fomos na direção apontada. A idéia era simples: por ser Evita Peron, devia ter o maosoleu mais foda do lugar. Seria fácil ver de longe. E assim fizemos. Só que nos perdemos no caminho e não tinha nada grande por lá. Aí o cara viu a gente, viu que estávamos perdidos e nos levou no lugar. A expressão que usamos foi "só isso?". Olha que fraco o lugar:


Dava pra ficar o dia inteiro lá, mas como tinha muita coisa pra ver, saímos de lá e fomos para o Centro Cultural da Recoleta (depois de passar pela feirinha, lógico). Esse centro é bem grande e tinha diversas exposições lá. Vou colocar algumas fotos de lá.





Aí fomos no tal Buenos Aires Design, que é do lado do Centro cultural. Eu achei que era um lugar de artes e exposições, mas na verdade é um shopping e dos bem caros, com a maioria das lojas sendo para coisas de casa (móveis e decoração). Nem tirei fotos. Continuamos com a nossa andação e passamos por um monumento ao General C. M. Avelar:

Logo do lado tem o Palais de Grace, que era alguma coisa importante e foi transformada em um espaço para artes e estava rolando uma exposição de cerâmica. Por dentro, é MUITO bacana, pena que as fotos não ficaram boas...


Passamos pelo parque Carlos Thays e acabamos naõ entrando porque não parecia ter nada de legal por perto. Só tinha coisa interessante lááááá do outro lado e acabamos desistindo.


O mesmo comentário vale para o Centro de Esposições. foi uma foto de longe, só para registrar, e olhe lá. Pelo menos nesse lugar conseguimos trocar 5 pesos em moedas e fiquei bastante feliz, porque tinha dinheiro para voltar pro hotel.

Bem ali perto tem essa estátua aí embaixo, que serviu para Xuxu tirar umas 10 fotos interagindo com a moça e com a criança...

Aí chegamos na Faculdade de Direito e na Floralis Genérica. E o melhor lugar para tirar fotos de lá era numa ponte que servia para atravessar a avenida. Subimos lá e começamos a tirar fotos:

Eis que vejo dois adolescentes bem estranhos vindo na nossa direção. Lembrei imediatamente do velhinho do dia anterior falando para tomarmos cuidado que a Argentina estava perigosa. Nessa hora não tinha mais ninguém na ponte e os moleques (bem suspeitos), já estavam muito perto para fazer qualquer coisa (correr, guardar a câmera, gritar, etc). E um deles ainda estava segurando alguma coisa na cintura, por dentro da calça. "Fudeu", pensei. Resolvi pagar para ver e só entregar alguma coisa se o cara mostrasse uma faca, revólver ou coisa parecida. E o muleque chegou falando:
- Me dá dinheiro.
- Não - respondi.
- Então me dá a câmera.
- Não.
- Anda, me dá a câmera.
- Não.
Aí ele me deu um empurrãozinho no ombro e seguiu o caminho dele. Eu e Xuxu saimos de lá andando muito rápido e eles foram atrás da gente, mas conseguimos despistar e chegar onde tinha mais gente. Tivemos MUITA sorte que os moleques eram jacus. Amigos da minha irmã foram assaltados lá como se assalta no Brasil e foram limpos. Nós só passamos susto mesmo.
Queríamos tirar fotos da faculdade e da flor, mas não iríamos correr risco novamente. Fomos então para o Museu Nacional de Belas Artes. Em frente, antes de entrar, passamos pela Plaza Francia e tiramos algumas fotos...


Saimos de lá e fomos almoçar no tal shopps caro. E era caro mesmo. E ainda estava bem meia boca. Olha só:
Na volta, encontramos um guardinha e Xuxu resolveu avisar do quase-assalto. Explicou para o guarda o que tinha acontecido e o cara falou que "se verem alguém com camisa de futebol, bermuda de ginástica e boné, se afastem.". E só. Não fez mais nada. Para piorar, logo depois vimos uma viatura de polícia passando na rua e Xuxu balançou os braços para chamar os guardas. Eles deram uma buzinadinha e deram tchau de volta pra ela...
Já tinha passado bastante tempo do incidente e resolvemos voltar para ver a Floralis. Não poderia ir embora sem ver esta fantástica obra. É basicamente uma flor gigante que, assim como as flores de verdade, ABRE E FECHA conforme o horário do dia. Simplesmente demais. Aí foi foto de tudo quanto é tipo... Mas repare como o tempo lá é maluco: entre a primeira e a última foto foram uns 20 minutos. Olhe a diferença entre as cores do céu.

Continuamos a nossa andação e passamos por mais algumas plazas. Realmente tem muito verde em BsAs. Me lembrou Curitiba, que tem um parque a cada esquina.



O Automóvel Clube Argentino...

E chagamos ao Museu de Arte Decorativa. Sinceramente não davamos muita bola pro lugar não. Achei que seria um museu cheio de coisinhas de decoração. Meu amigo, minha amiga... é um palacete gigante que pertenceu a alguém famoso que é simplesmente FODA. Infelizmente não pode firar fotos lá de dentro, mas é MUITO bacana. É um dos poucos museus que pagamos para entrar mais a entrada é DOIS pesos. Praticamente de graça.



A praça (ou monumento, sei lá) à Evita Peron:

E uma homenagem ao Papa João Paulo II.

Essas duas estátuas ficam bem em frente à Biblioteca Nacional, que foi nossa última parada. Ela é muito grande e tem alguns andares que tem exposições e blábláblá. Para o nosso azar, a Presitente tinha ido lá no dia anterior e TODAS as exposições tinham sido recolhidas, por causa do tumulto. Acabou que a única coisa boa foi que encontramos um lugar (que não poderíamos entrar, mas que estava abandonado) para pegar água. Enchemos nossas garrafinhas e fomos embora.


A gente não ia parar em mais lugar nenhum, mas no caminho para o ponto de ônibus acabamos encontrando uma igreja. Meu espírito turista falou mais alto e acabei entrando:


Voltamos para o Hotel e nesse dia comemos em um restaurante (El Gaucho, ou algo do tipo) que tinha pratos a 28 pesos cada um. Parecia barato e entramos. O problema é que cobravam 6 pesos por pessoa por atendimento na mesa e cada refrigerante (de 350 ml) era NOVE PESOS. O cansaço era grande e acabamos comendo lá mesmo. Pelo menos o meu prato estava bastante bom (tirando que não tinha tempero, lógico). Voltamos para o hotel e fomos dormir.
Aí o aluno pergunta "ué, e Belgrano?". Pois é, na hora de planejar acabei subestimando a Recoleta e não deu tempo de irmos à Belgrano. Não lembro se perdemos alguma coisa importante além do estádio do River Plate, mas não tinha a menor condição de irmos lá, pois já estava ficando tarde e nossos pés estavam podres de tanto andarmos. É bom que fica alguma coisa para a gente ver se voltar lá ;)
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