3 de fev. de 2009

Selvageria

Quando eu era moleque, com meus no máximo 15 anos, fui a uma rodada dupla no mineirão. Os jogos eram Cruzeiro x Democrata e Atrético x América, nesta ordem. Fui com um vizinho, o pai e a irmã dele, sendo que esta última é atreticana. A idéia era assistir os dois jogos, cada um na sua torcida, encontrar no fim dos jogos e ir embora.

Neste dia, o estádio estava dividido mais ou menos assim:


Começamos errado, porque a tal menina deveria entrar na torcida do Galo, uma vez que estava com uma camisa do Patético na bolsa (que obviamente foi revistada). Passamos ilesos dessa etapa e fomos para a arquibancada. A menina resolveu que assistiria o primeiro jogo na torcida do Cruzeiro e que no intervalo entre jogos iria para a torcida do garnizé.

Terminado o primeiro jogo a menina se desloca para a torcida dos penosos e meu amigo tem uma brilhante idéia: "Ou, vamo assistir o jogo na torcida do mequinha? deve ter uns amigos meus lá.". Como estava de carona, não tinha como falar não, então fomos.

Mas repare bem a imagem acima. Veja que para chegar até a torcida do América teríamos que atravessar TODA a torcida do Galo. Tá, passaríamos pelo anel de fora, com menor chance de ter problema (além do mais nenhum dos dois estava com a camisa do Cruzeiro). Mas ainda assim isso foi de uma burrice tremenda.

Conseguimos chegar vivos até o outro lado, assistimos o jogo tranquilos e, quando faltavam uns 5 minutos para acabar o jogo resolvemos voltar para o lado do cruzeiro. Quando estávamos passando exatamente atrás da Galoucura (a maior torcida organizada do Galo), saiu um arrastão de marginais gritando "Vamo pegá os cruzeirenses!", "É pra matar todo mundo!" e coisas do gênero.

As opções que tínhamos era:

1) Ficar parado e ser atropelado;
2) Encostar na parede e rezar para não cismarem com a gente e resolverem nos matar (para isso poderíamos gritar "Galo! Galo!");
3) Correr junto com eles para não sermos atropelados, correndo o risco de apanhar da polícia.

A opção escolhida foi a segunda. Só que eu não poderia gritar galo, porque na época eu usava aparelho fixo e as borrachinhas que prendem o aparelho eram azuis (por escolha minha). Uns 5 minutos depois os malacos voltaram porque a polícia não deixou que eles passassem para a torcida do cruzeiro (meio óbvio, mas tudo bem).

Nesse dia fiquei pensando: por que diabos uma pessoa resolve bater na outra só porque ele torce para outro time? É mais ou menos a mesma coisa dessas guerras religiosas, um muito pior, porque não tem NADA em jogo. Não é uma luta por um lugar sagrado, não é luta por território, NADA! Porra, é gente que está do outro lado. Poderia ser o contrário e seu filho estar apanhando por nada.

Por que eu lembrei disso? Porque domingo a noite, quando fui levar Xuxu em casa, vi um cara sendo espancado por outros só porque estava com a camisa do time rival. E achei aquilo um absurdo. Só não parei o carro pra ajudar o espancado porque sobraria pra mim. Mas fiquei revoltado com aquilo.

Agora algumas perguntas que até hoje não ser responder sobre o caso contado no início do post:

1) Por que diabos não colocaram a torcida do América junto com a do Cruzeiro, ao invés de colocar ao lado do time rival?
2) Como diabos a polícia não colocou um isolamento do lado de fora do anel superior, impedindo que as pessoas transitassem livremente de uma torcida para a outra?
3) Por que diabos eu usava borrachinhas azuis no aparelho??

Vai entender...

2 Palpites:

Anônimo disse...

Meio fora da realidade essa torcida do cruzeiro hein?

Em jogo do cruzeiro, atletico e america a torcida do cruzeiro nao ocupa metade do mineirão nem se for um no colo do outro (como voces bem gostam)

Esparroman disse...

Acho que você não tem ido muito ao mineirão em clássicos, né? Já tem bastante tempo que o espaço para a torcida do Cruzeiro fica maior que a do Galo. E ninguém senta no colo de ninguém...

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