13 de abr. de 2020

Quatorze anos de reclamação

Sim, queridos leitores (ou leitora, já que acho que só a Quellamoureuse continua lendo isso aqui), o blog fez 14 anos.

Eu sei, ele está abandonado. Nem coronavirus deu folga pro meu projeto, então continuo sem tempo pra postar.

Pra variar, vale a tentativa de atualizar mais. Não percam as esperanças.

E para manter a tradição, dei um contadorDeAnos++ no título do blog (momento do "aaaaaaaaaahhhhh! Então é isso!!!! Que tosco..."). Apesar de que acho que todo mundo já sabe o que é aquele número lá, mas vai que tem um leitor novo.

Se você ainda frequenta isso aqui, dá um oi aí nos comentários (pode ser anônimo mesmo).

E vamo que vamo.

17 de jan. de 2020

Lascou

Eu dirigi nas ruas e estradas brasileiras por 18 anos. Desses 18 anos, 2 anos eu peguei a BR-040 2 vezes por semana, sendo que em Março de 2019 foram mais ou menos 14 vezes. Pra quem não sabe, a BR-040 entre BH e Lafaiete é marrom, por causa do barro que cai dos caminhões que transportam minério. Ou seja, tem pedra/brita na estrada inteira. E mesmo com todo esse risco, eu NUNCA tive um para brisa quebrado.

Em 9 meses de EUA eu já tinha tomado duas pedradas no para brisa. Por sorte eram pedras pequenas e só marcaram o vidro. Hoje não dei tanta sorte:


Pior: isso foi numa Interstate. Aquelas rodovias de alta velocidade que você vê nos filmes e parecem uns tapetes. Não em Albuquerque, aqui é cheio de buraco a rachadura.

Murphy me ama.

5 de jan. de 2020

Escritório a la Niemeyer

Tava fazendo meu backup de fim de ano e reparei que não postei aqui as fotos do meu escritório em Albuquerque. O lugar lembra muito vagamente a igreja da Pampulha (ok, pode ser meu cérebro forçando a barra para que eu me sinta em casa) e fica mais ou menos perto de casa (dá uns 15 minutos de carro).

As curvas Niemeyerísticas no teto me lembram a igreja da Pampulha


E esse pôr do sol espelhado na porta?

O prédio é bem antigo e como minha empresa não tem uma sede aqui, alugaram uma sala dentro desse prédio pro projeto, por ser perto de onde o cliente fica. A sala tem 3 baias (parece baia de cavalo) e por ser o primeiro a chegar eu pude escolher onde sentar.

Minha mesa é a da direita na foto

E o bom é que tinha uns monitores lá que eu pude aproveitar e montei essa estação de trabalho aí embaixo. Já mudei a disposição das coisas, o notebook fica na esquerda agora.

esse monitor do centro é sensacional

Não dá pra ver na foto, mas tem um frigobar atrás de mim e uns arquivos na baia da esquerda. E depois mandaram pendurar 3 quadros brancos nas paredes.

É pequeno, é simples, mas é funcional. Tem ainda uma cozinha coletiva, pra quem quiser preparar o almoço (cozina completa, com fogão, forno, microondas, geladeira, etc). O problema é só o banheiro, que é coletivo com o resto do pessoal que fica no prédio. Tem um maluco que morre todo dia lá dentro depois do almoço, dá pra sentir o cheiro há uns 2 ou 3 metros de distância....

2 de jan. de 2020

Reveillon diferente

Como a gente tinha acabado de voltar do Brasil e gastamos uma fortuna em passagens, tinha combinado com a Ruiva de que esse ano a gente ia passar o ano novo em casa. As festas estavam muito caras e ninguém que a gente conhecia tinha convidado a gente pra fazer nada.... até dia 31 às 2:30 da tarde. Mais ou menos nesse horário uns brasileiros colegas de "colégio" da Ruiva perguntaram o que a gente ia fazer e se a gente queria ir pro mesmo lugar que eles.

(parêntesis) A história desse povo é meio diferente: são duas irmãs enfermeiras que casaram com dois engenheiros (que pelo que eu entendi eram amigos) e por algum motivo resolveram mudar pra cá. Os 4 tem entre 25 e 30 anos. As mulheres conseguiram visto de trabalho (aparentemente tá faltando enfermeiro aqui) e convenceram os maridos a vir. Detalhe: os homens não falam inglês direito, então tão fazendo aula de inglês pra se preparar e daqui um tempo procurar trabalho. Nesse meio tempo tão todos morando no mesmo apartamento para economizar grana. (fim do parêntesis)

A tal festa começava as 6 da tarde, mas como as mulheres estava dando plantão, os 4 só chegariam na festa por volta das 9. Como a Ruiva não conhecia mais ninguém, achamos prudente chegar mais ou menos junto com eles.

Na minha cabeça, ia ser uma festa cheia de gente, começando a beber 6 da tarde, então na hora que a gente chegasse ia estar todo mundo bêbado e ninguém notaria dois desconhecidos. Topei ir, já que a Ruiva tava doida pra não passar Ano Novo em casa.

A festa era naquele esquema “leve o que for beber e comer”, então passamos no supermercado e compramos uns belisques. Levei umas 4 cervejas que tinha na geladeira, só pra falar que tinha bebido alguma coisa, e fomos pro lugar.

Aqui é o inverso de Manaus: pra compensar as temperaturas frias do lado de fora nego mete aquecedor no 25, e normalmente nessa temperatura eu já estou desconfortável com o calor (em Manaus botam o ar condicionado no 15), então resolvi ir de bermuda mesmo. Afinal, já teria mais de 3 horas de festa, ninguém ia perceber.

Chegamos no endereço que passaram pra gente e de cara achei estranho: não tinha quase nenhum carro na rua (2 carros na entrada da garagem, como toda casa, e um na rua) e nada de barulho. As luzes apagadas. “Será que tamo no lugar certo?”, perguntei. A Ruiva ligou pra um dos caras e sim, estávamos no lugar certo.

Entramos na casa e tinha 5 adultos americanos, uma criança americana e os 4 brasileiros amigos da Ruiva. Metade deles estava sentado em frente a TV, jogando Mario kart. A outra metade sentada à mesa, jogando algum jogo de cartas parecido com Magic. Nem música ambiente tinha, pra dar aquela animada.

Eu entreguei o que eu tinha levado pra dona da casa e ela perguntou o que a gente queria beber: chocolate quente, suco e café DESCAFEINADO. Não, não tinha ninguém bebendo. Nem café de verdade tinha (o que eu não tomo, mas fiquei assustado mesmo assim).

Eu não sabia o que fazer com a cerveja. Sim, eram só 4 latinhas, mas como não tinha ninguém bebendo, não sabia se não podia beber (tem gente que não permite álcool em casa) ou se eram só pessoas conscientes que não queriam dirigir depois de beber. Mas como não tinha nem café de verdade, chuto que era a primeira opção. Fato é que fiquei no 7up que levei pra Ruiva (que por sorte também é sem cafeína).

Alguns minutos depois a galera do Mario kart me chamou pra jogar e, passada uma hora resolveram mudar para Catan (aliás, você já jogou Catan? Eu joguei pela primeira vez na terça e, cara, que jogo legal! Recomendo!).

Poucos minutos antes da virada, a dona da casa abre um suco de uva com bolhas (o que praticamente me convence que realmente não pode álcool na casa), bota 2 dedos em cada copo e chama todo mundo pra um brinde. Meia noite, todo mundo fala “Feliz ano novo!”, brinda, uns se abraçam e.... é isso aí.

Um casal de americanos com a criança (que devia ter seus 10 anos ou mais) vai embora poucos minutos depois da virada. Os que ficaram ainda jogaram um jogo interativo por mais uns 40 minutos. Resultado: 1 da manhã e eu já estava em casa, de pijama, tomando uma cerveja pra comemorar o ano novo.

Ah, alguns detalhes que esqueci de falar:

- Na casa não pode entrar de sapato (o que é bem comum aqui) e eles ofereceram pantufas;
- O dono da casa estava claramente de pijama. Era uma calça de moletom cinza furada, uma blusa branca quase transparente e um casaco de moletom com gorro;
- A dona da casa estava com uma blusa mais arrumadinha, mas a calça certamente era de pijama também;
- Os convidados americanos também estavam bem à vontade. Nada de roupa arrumada como nas festas brasileiras (o que me deixou até mais tranquilo de ter ido de bermuda);
- Em Albuquerque (ou talvez seja até no Novo México todo) não pode soltar fogos de artifício. Foi o ano novo mais silencioso da história;
- A dona da casa DEVOLVEU tudo o que não foi consumido, entregando para quem levou (sim, levei minhas cervejas de volta pra casa)

30 de dez. de 2019

Retrospectiva 2019

Sim, queridos leitores, mais um ano se passou. E mais um ano praticamente sem posts neste humilde blog que está respirando com ajuda de aparelhos. Como não teve post, não esperem uma retrospectiva detalhada, apesar de ter sido um ano com muitas mudanças.

O ano começou bem agitado. Em saiu meu visto de trabalho para os EUA e começou a correria. A história completa resumida você vê aqui.

Lembra que eu falei que meu cachorro veio junto comigo pros EUA? Pois é. Por conta dele aluguei uma casa com quintal gigante, com grama pra caralho. Isso me trouxe 2 problemas que eu nunca tive na vida: cortar grama (o que toma 3 horas a cada 15 dias da minha vida) e uma conta de água absurda (dá pra imaginar que água no deserto não é das coisas mais baratas, né?). Ah, o pior: o cachorro só vai pro quintal quando alguém vai com ele. Ou seja: passa 95% do tempo dentro de casa....

Mudança feita, a adaptação foi até rápida. O pau tá comendo no projeto, mas por incrível que pareça o cronograma foi seguido à risca, com coisa ADIANTADA (pelo menos até o começo de Dezembro). Nunca na história desse país isso tinha acontecido. E o cliente é uma mãe. Melhor cliente da história (pelo menos até dezembro). Isso facilitou muito a minha adaptação aqui (apesar de estar trabalhando pra caraio). Nem mesmo os sintomas da altitude (1.600 metros) e do ar seco (peguei dias de 3.5% de umidade do ar) duraram muito. Um pouco de dor de cabeça e nariz sangrando nas primeiras semanas, depois ficou de boa.

A Ruiva deu uma sofrida maior. Ela veio com inglês “the book is on the table”, sem dirigir. Arrumamos umas aulas de inglês pra ela na faculdade e comprei uma bicicleta pra ela ir pra aula (é relativamente perto). Tava indo de boa até que chegou o verão. Aí......

Tenho que ser honesto: eu imaginei que o verão aqui ia ser de querer se matar. Pensei que ia passar dos 50 todo dia, ardendo no fogo do inferno. A verdade é que calor de deserto é uma das melhores formas de calor (se é que existe alguma forma boa de calor). O calor seco é MUITO bom. Primeiro porque você não sua. Sério, fiquei uns 7 meses sem suar. Óbvio que se você faz exercício físico você sua, mas normalmente é super tranquilo. E se você for para uma sombra, a temperatura cai drasticamente. Não, não fica frio, mas melhora muito. E as temperaturas aqui nem foram tão altas: poucos dias passou de 40. Mas o pessoal daqui disse que foi um ano atípico, com muita chuva e temperaturas mais brandas. Manaus era muito pior do que aqui. MUITO.

O problema daqui é o sol. Ele é escaldante. E não tem núvem no ceu. 5 minutos no sol e você já sente a pele repuxando. Se ficar mais uns 5 minutos ela fica parecendo solo do nordeste, marrom, seco e todo rachado. Haja protetor solar. E Albuquerque é bem alta, então o sol é “mais forte”. Mas ainda assim, muito melhor que Manaus.

O céu é assim quase o tempo todo. E de quebra você vê a casa do Walter White

E bem no auge do verão a Véia resolveu me visitar. Por um lado, foi bom, porque conheci algumas cidades aqui perto (turismo não é um dos pontos fortes do Novo México, a menos que você goste de natureza). Por outro foi foda porque ela ficou 3 semanas aqui e não tinha o que ela fazer. Ainda mais no sol e calor. Mas no fim deu tudo certo.

Santa Fe

A Rota 66 cruza o estado inteiro (inclusive Albuquerque)

Rota 66 em Gallup

Praça principal de Taos

Cemitério indígena com o Taos Pueblo no fundo

Cada estado tem o Gran Canion que merece. Esse é perto de Taos (não, não é o Gran Canion de verdade. Esse é o Rio Grande)

A ponte com vão central mais alto dos EUA

Em Outubro teve uma das coisas mais bonitas que já vi na vida: o festival internacional de balonismo de Albuquerque. São mais ou menos 600 balões que levantam vôo em menos de duas horas. É MUITO foda. O difícil é acordar de madrugada pra ir pro lugar do festival. O busão SAI 4:40. E a temperatura já estava abaixo dos 10 graus nessa época, então divertido não foi. E como Murphy é meu amigo, no dia que eu resolvi ir teve nevoeiro e nenhum balão saiu do chão. Resultado: acordei de madrugada no frio dois dias seguidos (e paguei ingressos em dobro, obvio). Mas valeu a pena. É muito bacana, ainda mais com o céu azul sem nuvens do deserto.

De madrugada fica assim

E depois que libera o voo fica assim (ó o Cristo Redentor ali no canto esquerdo)

Ainda em Outubro fui convidado para uma festa de halloween. Eu achei que era só a criançada que ficava empolgada, mas os adultos também levam bem a sério. Todo mundo gasta uma grana com fantasia, decoração, doces (menos eu, óbvio). E tenho que falar a verdade: a história de doces ou travessuras é um saco. A cada 5 minutos alguém toca sua campainha, você atende, elogia as fantasias, dá doces e fecha a porta. E meu cachorro não para de latir quando a campainha toca, então foram umas 3 horas de latidos...... A festa, pelo menos, foi divertida. Até participei do campeonato de pong beer (perdi a final).

Minha fantasia para receber a pirralhada (doces no fundo)

A mesa de beer pong

Em meados de Novembro a Ruiva foi para o Brasil. Eu ainda trabalharia alguns meses antes de ir também, o que me rendeu um convite para jantar de ação de graças na casa de um colega de trabalho. Jantar as 2 da tarde, mas jantar. Eu levei pão de queijo e brigadeiro e nunca vi gringo tão feliz. Mas a parte divertida desse dia foi dirigir na neve. Começou a nevar no dia anterior e caiu quase 18 horas de neve. Coisa que nunca tinha acontecido nessa época do ano. O cachorro ficou felizão rolando na neve. Eu não fiquei tanto, pois teria que atravessar a cidade e, convenhamos, dirigir com um palmo de neve no chão não é algo que brasileiro está acostumado.... Mas no final deu certo, pois nas grandes ruas e avenidas passa trator limpando a neve. Sair de casa e na minha rua foi outra história. Foram uns 30 metros de rally gelado. A neve levou uma semana pra derreter, o que fez meu quintal virar um lamaçal. Super divertido.

Quase num tinha neve

Chegou Dezembro e foi a minha vez de ir para o Brasil. Foram duas semanas em solo tupiniquim. No primeiro final de semana, meu aniversário. No segundo final de semana, minha festa de casamento. Sim, eu casei. Tecnicamente eu já sou casado desde ano passado, mas a festa foi só esse ano. A gente já tava planejando casamento antes da história de transferência sair, então o custo de mudar tudo ia ser muito alto. Aí deixamos como estava planejado mesmo com a mudança. Mas isso gerou algumas coisas divertidas, como prova de bem casado menos de 24 horas antes de mudar e assinatura de contrato no aeroporto de Guarulhos, enquanto esperava o vôo pros EUA (sério). A vantagem foi poder botar a culpa da mudança em tudo o que eu já não queria fazer para a festa. A desvantagem foi pagar o preço de um celta 2012 em passagens de Albuquerque para BH....

Game Over

Aí, como Murphy é meu brother, na volta para os EUA resolveu cair o mundo em Guarulhos e meu vôo foi cancelado. Óbvio. Eu tinha comprado as passagens para chegar em Albuquerque na manhã do dia 18, para poder pegar meu cachorro e descansar antes de voltar a trabalhar no dia 19. Mas com esse atraso, eu ia chegar no aeroporto 40 minutos antes de uma reunião. Eu pisei em casa entrando na reunião (era por telefone), sem ter dormido direito. Fortes emoções. Mas deu certo no final.

Ah, e lembra que eu tinha falado que estava tudo dentro do cronograma até dezembro? Pois é. Foi só eu viajar que começou a atrasar um monte de coisa.... Murphy me ama.

É isso. Foi um ano de mudanças e adaptações, mas não posso reclamar. Quem sabe ano que vem eu consigo mais tempo (e paciência) para postar aqui. Mas não prometo nada.

10 de mai. de 2019

13 anos de reclamações

E não é que com essa coisa toda de mudança eu nem reparei que o blog fez 13 anos? Nem vai ter texto padrão esse ano, afinal a data já passou.

O blog quase morreu, vamos ver se com essa história toda de Estados Unidos ele volta (apesar de achar pouco provável que eu tenha tempo....).

Dei um contadorDeAnos++ no título do blog e vamo que vamo.

Garota, eu vou para a Califórnia o Novo México

Na verdade, eu já fui. Sim, mudei para outro país. Mas vamos de historinha....

Em Outubro do ano passado meu chefe (antigo chefe, na verdade) fez uma viagem para um encontro dos Gerentes de Projeto da minha empresa nos EUA e ouviu vários diretores de projeto reclamando que estavam atolados de projeto e que não estavam encontrando GP para tocar os projetos. Curiosamente, nesta mesma semana em que meu chefe estava nos EUA, a Ruiva começou a reclamar do aumento de violência de Juiz de Fora (que realmente tinha piorado bem nos 2 anos que eu estava lá) e do nada soltou um "será que não tem trabalho para você fora?".

Na semana seguinte, quando meu chefe voltou dos EUA, comentou que estavam precisando de GP por lá, que estavam cheio de projeto e bláblá. Juntei a fome com a vontade de comer e falei "Tô aí, hein?". Conversa vai, conversa vem, ele foi falar com o responsável pelos GPs dos EUA. Falou que se eles estavam realmente com demanda, aquele era um bom momento para me "exportar", porque o nosso projeto casca grossa tinha acabado de acabar e só ficou a vaquinha leiteira, que é mamão com açúcar. O cara topou conversar e pediu pra eu mandar meu currículo. Mandei. Dois dos diretores quiseram me entrevistar: um para um projeto na Califórnia, um para um projeto no Novo México.

O projeto da Califórnia era o seguinte: o GP que estava no projeto ficou puto com o projeto e com o chefe dele e resolveu sair da empresa. Pegaram um outro cara que é responsável pelo setor de propostas para colocar no lugar dele, supostamente provisoriamente. Mas isso já tinha 6 meses e o cara tava puto e queria voltar pra casa (ele é da Flórida). Ah, e o cliente era desgraçado, o projeto estava atrasado, a pressão era grande.

O projeto do Novo México estava em fase de assinatura, então teria tempo para fazer transição para alguém ficar no meu lugar no Brasil enquanto meu visto saía, cliente tranquilo, projeto mais simples, prazo mais tranquilo e melhor para eu me adaptar.

Ganhou o Novo México.

Aí comecei meu processo de visto de trabalho pros EUA. É papel pra caralho que precisa preencher e ainda juntou com final de ano e mais uns outros caras que também estavam aplicando pra visto... O treco não andava. A sorte é que a assinatura do contrato também não andava.

Chegou 2019 e nada de visto e de contrato. No meio de Fevereiro saiu meu visto, mas nada de contrato. Ainda assim, eu teria que mudar. Combinei o seguinte com meu chefe: eu ia pra Albuquerque, ficava 15 dias para conhecer cliente, tirar documentação dos EUA, alugar casa, ligar água, energia, gás; voltava pro Brasil por mais 15 dias pra arrumar tudo e mudar de volta.

Meus queridos leitores e leitoras, nunca na história desse país eu me estressei tanto. Pode pegar meu pior projeto na vida, não chega perto. Ao final de um mês eu estava sem forças pra nada.

Primeiro porque eu não conseguia arrumar casa em Albuquerque. Meu nome e sobrenome já não ajudavam muito. Eu não ter crédito nos EUA piorava mais ainda. E não tem essa de fiador, o que importa é ter crédito bom. E eu, recém chegado nos EUA, nem existia para as empresas de análise de crédito. Consegui uma casa muito mais cara do que eu queria no ÚLTIMO dia em que ficaria nos EUA. Luz, água e gás eu resolveria depois (só não sei como).

De volta ao Brasil, eu teria 15 dias para:

- Vender tudo o que ainda não tinha sido vendido (e era muita coisa);
- Levar de JF para BH tudo o que não era para vender + o que eu iria levar para os EUA (incluindo meu cachorro);
- Preparar TODA a documentação para transporte do meu cachorro;
- Ir a médicos para fazer um check up básico;
- Devolver meu apartamento de JF;
- Desligar energia, internet;
- Devolver modem da internet;
- Fazer procurações;
- Resolver questões burocráticas bancárias;
- Comprar dólar;
- Vender meu carro;
- Ligar a água, energia e gás dos EUA. Estando no Brasil (essa foi a parte mais fácil, por incrível que pareça!).

Isso tudo AINDA trabalhando.

O mais legal é que metade das coisas eu teria que fazer em BH, metade em JF. E não dava pra fazer tudo de uma cidade em uma semana e tudo da outra cidade na outra. Então praticamente todo dia eu estava ou indo pra BH ou voltando para JF. São 300km de estrada ruim. Faz uma conta básica aí do quanto eu rodei e do risco que corri....

No fim, poucas coisas ficaram sem fazer (tipo ir no oftalmo e vender meu carro, mas esse foi porque eu precisei dele até meu último minuto em BH). Outras eu deleguei, tipo o transporte do meu cachorro. Tive que contratar uma empresa (longa história para outro post). O resto, não sei como, eu consegui fazer.

Foi sofrido. Foi exaustivo. 15 dias dormindo pouco, com o pensamento de "caralho, não vai dar" o tempo todo na cabeça. Carreguei muita caixa, andei muito, subi e desci muita escada. Tomei prejuízo grande vendendo minhas coisas, entupi a casa do Veio de caixas. Mas deu. Ainda não sei como.

Aí cheguei nos EUA e....levou mais 2 meses para assinar o contrato.

Lembra que eu falei lá em cima que o prazo era mais tranquilo? Pois é, a data final não mudou, mesmo com SEIS meses de atraso para assinatura do contrato.

Vai ser divertido.

5 de out. de 2018

Implantação de projeto

No final do ano passado começou um projeto novo na empresa. Era um projeto que envolvia construção civil, em Santos. Eu nunca tive um projeto que envolvesse construção civil. Meus projetos geravam papel ou software. O papel poderia até envolver engenharia civil, mas a parte de construção ficava pra outros.

Pois bem, projeto com obra é um bicho totalmente diferente. Lembra que começou no final do ano? Imagina fazer obra em santos no final do ano. Calor infernal, chuvas torrenciais, preços altos... Todo dia tinha uma surpresa diferente.

Para piorar, ainda era um monte de gente nova no campo, então era merda atrás de merda. Um exemplo? Um dos encarregados mandou escavar uma vala na direção de uma parede. Parede existente. Chegaram a perguntar se ele ia passar a vala por debaixo da parede e entrar na loja dos outros. Não, não é brincadeira.

Depois de muitas histórias como a de cima, finalmente chegamos na reta final. E agora vem a parte "divertida": colocar para funcionar. Os testes e a virada de chave do sistema tem que ser feitos de uma vez só, então desce uma galera pra obra. Eu inclusive.

E os testes começam cedo, então tem que acordar 4:30 da matina, para estar no campo às 6. E Santos está calor e sol pro resto da vida. E eu fico no sol. Dá pra imaginar o quão feliz eu estou, né?

Esses testes são pra pegar o que não deu pra testar em simulador ou em teste isolado, então sempre aparece uma merda pra resolver de uma hora pra outra. E dessa vez não foi diferente. Nego tinha montado parte elétrica errada, com o software também errado. Mas resolveu.

E depois de dois dias torcendo pra dar tudo certo (que era o que dava pra eu fazer nessa altura do campeonato), o filho nasceu. O primeiro projeto de uma nova empresa a gente nunca esquece.