19 de fev. de 2010

Bem Vindo a Buenos Aires - Dia 1 - Viagem e Puerto Madero

Como era muita coisa para um post só, resolvi separar o post em várias partes (um post para cada dia da viagem. E para finalizar, o 2ª Casa do hotel. Mas vamos ao que interessa...

A viagem começou, na verdade, no dia 4. Ao fazermos o check in para a viagem, Xuxu lembrou que não havíamos marcado as poltronas do vôo de volta. Como era um vôo "longo" (3 horas), a nossa idéia era sentar juntos e na janela, para ninguém encher o saco que quer ir ao banheiro. Para isso, ligamos para a TAM e reservamos os lugares. Para TODOS os trechos, poltronas juntas e na janela. Como estávamos com o check in pronto, perguntamos para o atendente se realmente precisava chegar 2 horas antes. O cara nos surpreendeu e falou que não eram 2 horas antes, eram TRÊS.

Nosso vôo era 6 da madrugada. Isso quer dizer, que deveríamos estar no aeroporto às 3 da madrugada. O que significa sair de casa 2 da madrugada (é, confins...). Logo deveríamos acordar... Uma e meia da manhã. Isso porque já era quase 10 da noite.

Resolvi ser rebelde. Não teria trânsito e chegar 3 da madrugada era um absurdo. resolvi acordar as 2 e sair quando desse. Mas por mais que eu tentasse dormir, não conseguia. Devo ter dormido por umas 2 horas, logo cheguei babando de sono no aeroporto. E quando cheguei, não tinha NINGUÉM da TAM. Lógico. As primeiras almas foram chegar lá pras 4, ou seja, duas horas antes.

No primeiro vôo, tudo lindo. Janela para Xuxu, assentos juntos, vôo no horário... No segundo, mudança de aeronave, para um A330. Sentamos juntos, mas NO MEIO do avião. Sim, no meio do meio (poltronas E e F). Não tinha como ser pior. Mas relevei isso e liguei o foda-se. Lógico que estes problemas renderam uma reclamação no "Fale com o Presidente", que, eu sei, não vai dar em nada.

Chegando em Ezeiza (fotos abaixo), o aeroporto mais velho que já pisei (o desembarque, pois o embarque é bacana), tínhamos que para um transporte até o hotel. Não fazia a menor idéia de quanto seria, mas escolhemos o mais baratos daqueles taxis de dentro do aeroporto (100 pesos, apesar da placa falar 96) e fui rezando pra não dar merda. No caminho, Xuxu foi tirando umas fotos de coisas que não sei o que são.
















Chegamos direitinho, mas o hotel ficava numa rua de pedestres (Calle Lavalle), então o cara parou na esquina e terminamos de chegar a pé, arrastando as malas. O hotel, para a minha surpresa, era muito arrumadinho (2ª Casa em breve). Pelos preços que tinha visto na internet, achei que seria caquento, pois estava bem barato. Fizemos o check in, paguei o hotel (nunca vi pagar o hotel ANTES de usar, mas tudo bem) e fomos avisados que só poderíamos entrar as 14:00 (era mais ou menos 11:30). Eu já sabia disso, então deixamos as malas no maleiro e fomos fazer o reconhecimento do terreno (procurar bancos, ligar pra casa, comer, etc).

Depois de rodar um bocado (o endereço que eu tinha do Banco do Brasil estava errado), conseguimos achar a agência, mas lá não faz saques. Não, não sei a razão. Só sei que fiquei puto. Mas o cara indicou onde tinha saque em pesos e lá fomos nós. No primeiro banco meu cartão não funfou. Falou que não estava disponível saque. No segundo, me mandava tirar menos dinheiro. Queria tirar 490 pesos, assim mesmo, picado, para ter notas pequenas. Fui diminuindo, diminuindo, diminuindo... e consegui tirar 290 pesos. Só que em EM NOTAS DE DEZ. Sim, a porcaria do caixa me cuspiu 29 notas.

Fomos então comprar um cartão telefônico e ligar pra casa. meu amigo, minha amiga... cartão telefônico é A MELHOR FORMA de ligar para o Brasil. Um cartão de 10 pesos (CINCO reais) dá pra falar VINTE MINUTOS para o Brasil. Se eu fosse ligar do meu celular, pagaria 5 conto por minuto. Fica a dica.

Só que usar o cartão foi uma luta. Demoramos uns 20 minutos para tentar entender como funcionava (por falta de leitura, diga-se de passagem). Primeiro tentamos enfiar o cartão no lugar escrito "tarjeta". Cartão inválido. Tentamos uns 4 telefones diferentes e dava o mesmo erro. Aí, Xuxu viu um "raspe aqui". Raspamos e enfiamos o cartão buraco. Nada. Aí vi um telefone de ajuda no cartão e resolvi ligar. Acho que dei sorte de pegar o atendente mais calmo da face da terra. Eu não entendia porra nenhuma do que o cara falava (além do espanhol ruim, ainda tava muito barulho na rua), e o cara foi explicando a mesma coisa 200 vezes. Depois eu entendi: primeiro você liga para um número que está no cartão. Depois, digita o número do PIN, que está embaixo do "raspe aqui". Por último, disca o número que quer ligar (mas com 00 antes e asterisco no final). Então é mais ou menos assim o número a ser discado: 0802-212-3333-450-650-4896-00-55-31-3333-4444*. Isso porque quando você digita o sexto número DESAPARECEM os números digitados no visor do orelhão e aí, meu amigo, é na sorte.

Todo mundo avisado que chegamos vivos, fomos almoçar. Achamos um restaurante numa galeriazinha que parecia digno. Não era muito caro (17 pesos o prato) e parecia ser gostoso. No cardápio, tinha os pratos do dia e umas outras opções, sendo que os pratos do dia também estavam entre estas opções. E o pior: se não fosse o prato do dia era mais barato. Escolhemos os mais baratos, óbvio.

Era um filé de peito de frango MUITO grande, bem macio e suculento, mas sem gosto NENHUM (foto abaixo). Sério, se me dessem isopor teria mais gosto. Aliás, isso é uma constante em BsAs: eles não conhecem tempero para as carnes. Na hora de pagar, lógico que deu problema. O cara cobrou o prato do dia e eu não consegui explicar pra ele que tinha escolhido o outro. Aí fui no menu e mostrei: "eu pedi esse aqui". O cara fez cara feia e acabou mudando o valor da conta.


Voltamos para o hotel, pegamos as malas e subimos para o quarto. Deixamos tudo lá, tomamos banho e fomos para o primeiro dia de passeio: Puerto Madero. Puerto Madero é o bairro mais novo de BsAs. Era o porto de lá e, como toda área portuária, era sujo, perigoso, cheio de prostitutas e drogados. Mas a prefeitura resolveu dar um tapa no lugar e fez uma mega-renovação. Hoje é um lugar chique, com a sede de várias empresas e restaurantes caros (que, óbvio, não fui).

Chovia um bocado, mas não poderíamos dar ao luxo de ficar sem conhecer o lugar mais falado de BsAs só porque estava chovendo. Catamos os guarda-chuvas e fomos. E logo de cara encontramos um Freddo, mas como era muito caro (15 pesos) e estava meio frio, acabamos desistindo. Essa, meu queridos leitores, foi a maior burrada da viagem. Explicações nos próximos capítulos...


Voltando a Pureto Madero, vou ser MUITO sincero: não vi graça NENHUMA lá. Tem prédios bonitos, é verdade. E restaurantes chiques, como eu disse. Mas não tem nada demais. A água é suja (mas não fede), os barcos dos ricos são pequenos (até na Barra são mais bacanas) e os prédios são todos parecidos. Olha só o lado de cá da Puente de la Mujer (ponte essa que é até legalzinha):














Para piorar, os 2 pontos que mais queria ir, dois barcos antigos restaurados que viraram museus (Corbeta Uruguai e Fragata Sarmiento, respectivamente nas fotos abaixo), estavam fechados por causa da chuva. Fiquei tão puto que tirei a quarta foto especialmente para eles...








Do outro lado da ponte parecia não ter nada de útil. Mas acabamos encontrando algumas coisas, como esse treco aí embaixo e esse caminhozinho que é a pseudo rua dos escritórios chiques.






Encontramos também um parque (Parque Mujeres Argentinas) que Xuxu achou lindo e ficou tirando 200 fotos. Escolhi duas algumas para o post, logo aí embaixo. Neste meio tempo um velhinho, que segundo ele tinha 82 anos, mas que pra mim tinha uns 65, chegou para conversar. O filho dele mora no Brasil (porto seguro, acho) e ele foi dando dicas pra gente. Falou para termos cuidado, que a Argentina estava muito perigosa e que estavam roubando muito lá. "com esse tanto de gringo com máquina foda pendurada no pescoço? Duvido!", pensei. Mal sabia eu...









Agora vejam bem esta última foto do parque.


Não, o importante não é o prédio. O importante é esse bebedouro. Água na Argentina deve ser uma coisa absurdamente cara, porque este foi um dos TRÊS bebedouros que vi na cidade inteira. Sério. Não tinha bebedouro em parque, praça, museu, shopping, biblioteca, em lugar NENHUM. E cada garrafa de 500 ml é em média 4 pesos. Um absurdo! Aproveitei e enchi a minha garrafinha para durar o resto da noite.

O próximo passo era a tal reserva ecológica, mas com a chuva o lugar parecia deserto e não parecia ter algo "útil" lá. Então começamos a nadar a esmo e, sem querer, acabamos achando lugares legais. A cada esquina tinha um monumento mais foda que o outro. E aí toda hora falávamos "só mais aquele" e assim andamos muito por lá. Na hora de ir embora, não aguentávamos nem andar direito...












Bem ao lado dessa casa aí em cima fica o monumento ao tango. Lembro que tirei uma foto, mas Xuxu deve ter apagado quando pecisava de espaço na câmera. Deve ter achado que era só um monte de ferro retorcido, olha só:


Esse lugar aí embaixo deve ser muito bacana em um dia de sol, desde que não se repare no BREJO que tem ao fundo e que morreu alguém ali...












Nas nossas andanças ainda achamos essa casa mal assombrada, no meio de uma avenida gigante, e essa Fuente Las Nereidas, que é gigantesca e muito bacana. Pena que estava sem água e que o vidro em volta atrapalhe as fotos...




Depois desta fonte desistimos de procurar coisas e paramos de olhar para os lados, para não correr o risco de achar alguma coisa legal. O que não contávamos era que passaríamos ao lado de uma igreja, hum, diferente. É a Nuestra Señora de la Esperanza, que é redonda e, no fundo do altar, tem um vidro, que permite que se veja o exterior da igreja durante as missas. Olha que legal:


















Depois disso fomos para casa. Paramos em uma farmácia para comprar Vitamina C (tomamos chuva pra cacete) e ficamos ilhados em frente à PUC, porque caiu um DILÚVIO. Estávamos morrendo de fome então a solução foi jantar em um Mc Donalds (aliás, Mc Donalds tem o mesmo gosto em qualquer lugar do mundo. Impressionante!). Voltamos para o hotel e cama.