Sim, sim, queridos leitores, depois de uma
micro versão da ida para Pessego Verde (via Opera Mini, porque eu estava morto), chegou a hora de tirar 2 horas do meu dia para contar a historinha da viagem. E lá vamos nós...
A preparaçãoNa quinta-feira à noite fui buscar Xuxu para fazermos compras de mantimentos para a viagem. A idéia era comprar bobeirinhas (biscoito, chips, refrigerante, etc). Como já era mais de 10 da noite, tivemos que procurar um superemercado 24h. E no caminho, o único aberto era o Extra da Francisco Salles.
Fomos até lá e estava LOTADO. Difícil de entrar e estacionar. Quando conseguimos entrar, olhamos as filas para pagar e estavam quilométricas. Solução encontrada: deixar para o dia seguinte e passar no extra belvedere, que é na saída para Pessego Verde.
E mesmo ficando 15 minutos lá dentro (10 deles dentro do carro, tentando entrar e tentando sair), tivemos que pagar estacionamento. Um real mais pobre e mais puto, fomos para o habitáculo. Afinal, a casa de Xuxu é no extremo oposto à minha casa E à saída para Pessego Verde. Isso porque o espertão aqui esqueceu o "mapa" (um conjunto de 4 linhas de escritos soltos em uma folha de rascunho velha).
Na manhã seguinte, lá fomos nós para o Extra Belvedere. Nâo estava tão cheio quanto o da FS, mas estava bastante cheio. Mas sobrevivemos. E depois das compras, rumo a Pessego Verde.
A idaNo dia anterior, conversando com o Falador na volta do aeroporto, fiquei sabendo que a estrada para Pessego Verde está um lixo, principalmente no trevo de Ouro Preto. Tomei então um cuidado extra e fui mais devagar.
Xuxu tinha falado que demorava umas 2 horas, mas a tal entrada para Moeda, 500 metros depois de um posto da polícia rodoviária, chegou MUITO rápido. Como tinha uma placa informando que Moeda era para aquele lugar, viramos.
E aí nunca vi 15 km tão longos. Os carros na nossa frente estavam a uns 30 km/h, apreciando a paisagem. Xuxu também estava se divertindo com a paisagem e toda hora falava "Que bonito!", "olha que massa!" e eu com o olho na estrada sem poder olhar para ver oe que era tão legal.
Muitos minutos depois, achamos o tal posto na entrada da cidade e viramos na segunda à esquerda, numa avenida. Teoricamente, era só seguir reto que chegaríamos na pousada do "Sô Orlando".
Mas Xuxu NÃO lembrava do caminho e muito menos da entrada da pousada. O que ela disse foi "Se eu ver eu devo lembrar". E fomos andando... E nada de chegar. A estrada, que era de asfalto, virou terra. E NADA do lugar.
Quando estávamos quase ligando para SOrlando (o que não adiantaria, porque na estrada NÃO pega celular), a plaquinha de "Cupuaçú" apareceu. Explicando: a pousada do SOrlando NÃO é em pessegueiro. Na verdade, é em Taquaraçú (ou algo parecido).
E meu carro, que havia sido lavado por dentro, por fora, por baixo, motor, etc, estava marrom novamente. Mas tudo bem, eu já estava esperando isso...
O PoçoApós ter rangado, fomos ao tal poço que fica em frente à pousada. Na chegada do poço, um Kombão branco e uma brasília véia. Lóóóóóóógico que ia ter farofada nos esperando.
Não menos que DUAS "famílias" fazendo CHURRASCO em plena SEXTA-FEIRA SANTA. Nem eu, do alto da minha "ateísse" sou capaz de fazer churrasco na sexta-feira da paixão. Tá, por medo de ser linchado, mas tudo bem.
Escolhemos um lugar num cantinho, numa pedra que estava disponível, e ficamos
congelando nadando perto da "nossa" pedra. Eu resolvi me aventurar no meio do poço, onde não dava pé e molhei tudo. Achei que ia morrer congelado, mas sobrevivi. E ainda consegui convencer Xuxu de que a água estava boa.
A AranhaVoltamos para o quarto e ficamos vendo TV. Quando resolvemos sair para ver a lua (que estava cheia), ouvi um barulho e olhei para o móvel onde estava a TV. Olhei para o chão e tinha uma aranha gigantesca no chão. A maldita tinha pulado do teto, que não é fechado.
Momento de confissão: eu CAGO de medo de aranhas maiores que 5 cm. E a maldita aranha tinha MUITO mais que isso. Xuxu estava quase chorando de medo (exageiros à parte). Tentei matar a maldita com meu pisante, mas ela conseguiu escapar e saiu por debaixo da porta.
Fomos até a casa do SOrlando e comentamos da história. A mulher dele fez um "minhocão" (um pedaço de pano cheio de pedra e areia para colocar debaixo da porta) e pediu para medirmos para ver se estava no tamanho correto.
Peguei a bagaça e fui até o quarto. Abri a porta, acendi a luz e lá estava a aranha, nos esperando. Num ato de extrema inteligência, taquei o minhocão na aranha e amassei a maledeta. Saiu gosminha dela e então soube que ela estava morta.
Fiquei lembrando de "Aracnofobia" e pensando que a qualquer momento aranhas poderiam saltar do teto em direção à cama e me comer vivo. Mas consegui dormir e não pensar mais nisso.
A ardênciaNo sábado, acoredi com a pele ligeiramente queimada. O tal esquema do creme da Xuxu era bom mesmo. Então resolvi abusar da sorte e de manhã já fui chegando no poço e tirando a camisa. Burrice tremenda. Na parte da tarde, estava mais vermelho que camarão. E o mais legal é que só queimou os ombros/percoço. O rosto e os braços não queimaram nada!
O TomboMas antes de aproveitar uma manhã inteira morgando no sol, dentro da água, tinha que ter um momento tosco. Estava Xuxu na beirinha do poço, com medo de entrar. Eu, como cavalheiro que sou, dei a mão à ela e falei: "é só entrar de vagarinho, que não dá choque térmico".
Só que quando fui dar um passo escorreguei e fui de busanfa no chão. Para não passar o ridículo sozinho, levei Xuxu comigo, que também caiu de bunda no chão. Antes de qualquer espectador começar a rir, nós dois rachamos de rir. Tudo o que eu ouvi foi: "olha que legal, eles caíram juntos".
O pior? Além de cair de bunda no chão, ainda fomos escorregando de bunda nas pedras, que estavam cheias de lodo. Não, ninguém filmou. Não, ninguém machucou. Sim, Xuxu mai me xingar por ter postado isso.
A VacaNa parte da tarde resolvemos ir para uma cachoeira mais afastada. E cachoeira mais afastada implica em ir de carro. E no meio do caminho havia uma vaca. Havia uma vaca no meio do caminho.
Na verdade, eram três vacas e dois bezerros. Uma das vacas estava deitada e uma outra em pé. As duas praticamente fechavam o caminho, mas havia uma "gretinha" por onde o esparromóvel poderia passar numa boa. Mas Xuxu não gostou muito da idéia e pediu para voltarmos.
Teimoso que sou, comecei a enfiar o carro na greta e a espantar a vaca na força. Sucesso. Passamos e continuamos mais alguns metros até que encontramos....
O BuracoSim, o esparromóvel caiu num buraco. E não queria sair. Mas aí pedi para Xuxu sair do carro e fiz umas manobras arriscadas para tirar o bichão. Consegui tranquilo e estacionamos por alí mesmo. Mas foram momentos de tensão, porque o celular não pegava e não tinha ninguém por perto.
Agora, erá só caminhar até...
A CachoeiraEra até bonita a maldita. Mas tinha tanta gente, mas tanta gente, que ficamos com nojo de entrar na água. POr dois motivos: tinha umas 20 pessoas ACAMPADAS ao lado da cachoeira, defecando, urinando, cozinhando, etc, próximo de e/ou nela; todos estavam bebendo cerveja. E NINGUÉM saiu para urinar no tempo em que ficamos lá tirando fotos.
Mas o mais legal mesmo foi um cara com uma corrente de um dedo de grossura pendurada no pescoço. E na corrente, um "pingente" em forma de um 3-8tão, mais ou menos de ums 10 cm. Tosco. MUITO tosco. E medo, MUITO medo.
Já que nenhum dos dois ia entrar na água, resolvemos voltar para o poço. E aí começou mais um momento de tensão. Desta vez, sério.
A CrateraNa volta, a estrada parecia estar bem pior do que na ida. E numa das descidas, resolvi dar a volta em um buraco para naõ ficar preso. E, curiosamente, caí numa cratera. Pedi para Xuxu descer e...nada.
Tentei dar ré e...nada. Virei o volante e...nada. Coloquei um tapene debaixo da roda que estava girando em falso e...nada. E com isso o buraco ficava cada vez maior.
Comecei a desesperar de verdade. Suando como um porco (parte de calor, parte de desespero), comecei a olhar o ambiente em volta. E percebi que tinha uma pedra lisa embaixo da roda que estava em contato com o chão (a outra ja tinha escavado uns 5 cm no chão). Tinha que tirá-la de lá para dar mais aderência ao pneu.
E quem falou que a maldita saía? Levantei o carro, chutei a pedra (e machuquei o pé), chutei o pneu (de raiva), girei o volante prum lado, girei para o outro até que ela conseguiu sair. Liguei o carro (pela vigésima vez) e fui todo confiante: "Agora vai!".
Vai nada..... E numa das últimas cartadas, girei o volante para o lado contrário, engatei a ré e acelerei tudo. Metade do meu gasto de combustível da viagem foi neste momento. Mas valeu cada gota, porque o carro saiu do buraco. E a aprtir daí fui andando a 2 km/h, procurando os melhores caminhos possíveis. Naõ fosse....
A VacaÉ. Ela mesma. De novo. Mas desta vez, estavam TODAS deitadas. E a vaca que estava em pé voltou para o lugar que estava e deitou. Como eu já estava fulo de raiva, espumando e suando, pensei: "essa vaca VAI levantar ou então vou passar por cima dela".
Fui andando devagar (e Xuxu foi se espremendo na porta, com medo de batermos na vaca) e "empurrando" a forgada, que levantou calmamente e deu uma rabada no meu carro. Nem liguei muito, mas JURO que pensei em dar ré e arrancar o rabo da bicha.
O X-GorduraChegamos em "casa" mortos de fome e resolvi comer no trailer que fica na esquina. O lugar é razoavelmente tosco e o pessoal que frequenta não é muito chegado a banho. O cardápio era bem vasto: X-Tudo ou salgados estranhos. Na dúvida, pedi um X-Tudo (mas nem perguntei o que tinha nele).
O sanduba era até bom, mas ficar aguentando o DVD que estava passando lá foi osso. Era "o desafio dos bondes" (naõ, não tinha Bonde do tigrão). Eram duas bandas toscas que tocavam música, ahn, caipira. A produção era du caralho, mas as bandas... Puuuutz...
O FilmePança cheia, hora de assiistir filme. Nerd que é nerd leva o notebook para o mato. Liguei o bichão e coloquei "Donnie Darko" pra passar. Filme meio sinistro, maluco... Mas legal. Pena que ainda não consegui entender tudo até agora...
A ardência de verdadeDurante o filme passei o tal creme milagroso de Xuxu, já que minha pele estava vermelha e ardendo pra bosta. Acordei no domingo com os ombros roxos. De verdade. Nem água benta diminuía a temperatura deles. Só de soprar já ardia. Passar o creme já era uma leve tortura. Mas ainda assim fui ao poço novamente. Menino teimoso, sabe como é.
E a água congelante melhorou um pouco a situação. Mas foi só sair da água que a dor voltou com tudo. E como não tinha passado protetor mais uma vez, a dor piorou um pouquinho. "Ah, mas é a despedida. Você tem que nadar", disse Xuxu. E eu caí nessa. Só ela mesmo pra me fazer deixar de ser 100% racional...
A chuvaVoltamos e fomos almoçar. A idéia era comer e ir embora, para evitar trânsito. Mas enquanto comíamos a moça da pensão falou que quando chove costuma inundar a estrada e ninguém passa. Nem mesmo balaio. Olhamos para fora e estava um céu negro. Não fosse domingo de páscoa, pensaria que era o armagedom.
Engoli a comida (de verdade) e saímos correndo. Nem esperar o SOrlando pra despedir esperamos. Ainda mais que estava começando a cair umas gotinhas. Mas valeu a pena, pois escapamos da chuva.
A voltaVoltar foi tranquilo. Sem muito trânsito, sem acidentes (coisa rara na 040), mas a estrada estava MUITO esburacada. MUITO pior que na ida. O meu carro, que foi brilhando, estava marrom, com as calotas bem arranhadas e alguns pontos na lataria maracdos. Culpa das galinhas do SOrlando e das pedras soltas do caminho para a cachoeira. Mas tudo bem, eu não ligo pra isso mesmo....
A conclusãoA viagem foi bem bacana. Apesar de todos estes problemas, da dor nos ombros etc, gostei bastente. Só que "descobri" que não gosto muito de natureza. Insetos não me agradam e gente muito menos. Ainda mais gente porca. Meu negócio é ficar em lugares habitados com gente civilizada, caminhos asfaltados e sem poeira, internet, email e TV a cabo...
As fotos, bem, vou ficar devendo por enquanto. Tá meio tarde, tô com sono e preguiça de ligar o notebook....