Depois de conhecer todos os lugares mostrados no bem vindo, pedimos informação no Centro de Atendimento ao Turista e fomos informados de um lugar histórico, a Fazenda Cipó Velho, que possui um Museu e permite visitas à casa, capela e moinho.
A explicação da mulher foi tão simples, que parecia não ter como errar. Mas obóviamente eu me perdi. Depois de perguntar para umas duas ou três pessoas e achar que estávamos no lugar errado umas 5 vezes (quando na verdade era o caminho certo), chegamos num terreirão, onde uma simpática velhinha estava na porta.
Perguntamos à dona se lá era a Fazenda do Cipó Velho e ela disse que sim. Explicou que existiam 2 visitas, uma à casa-capela-moinho-museu e uma só museu. O museu era 2 ronaldos por pessoa e o serviço completo 5. Como estávamos com tempo, resolvemos fazer o passeio completo.
Pelo que a senhora falou, lá que tudo começou. A casa foi comprada dos bandeirantes que descobriram o lugar pelo tataravô dela, em 1800 e guaraná com rolha. A casa nem é daquelas gigantescas, com 200 quartos e 25 salas. É até modesta, eu arrisco dizer. Dá uma olhada na entrada (as fotos que eu tirei com o celular ficaram presas no buraco negro do cyberespaço. Eram muito mais legais que as que Xuxu tirou):
Logo de cara a gente cai numa saleta onde tem um TV razoalvelmente nova com parabólica e tudo mais (foto perdida no cyperespaço - FPC), uma janela que dá para a capela (FPC), banco tipo de igreja e uma mesa véia, que é essa aí embaixo
Logo depois dessa sala caímos na sala de jantar (FPC). Uma coisa bizarra sobre esta sala: ela é a entrada para todos os quarto da casa. Um deles, o do irmão da velhinha simpática da foto abaixo que é a guia do passeio, foi trancado pela irmã deles assim que ele morreu e desde então NINGUÉM entrou lá. Parece que já faz um bom tempo que isso aconteceu...
Segundo a velhinha, a mesa existente lá é a mais velha da região e veio de brinde com a casa, quando comprada dos bandeiras. Uma coisa legal é que ela servia de cofre: tinha um buraco no tampo da mesa e a bufunfa ficava presa numa espécie de gaveta (FPC). Como a mesa é de madeira maciça, dificilmente alguém conseguiria roubar. Dá pra ver a pontinha dela nas duas fotos a seguir.
Nesta sala tem um monte de cadeira que claramente não são da mesma época que a mesa, mas duas, em especial, são o xodó da velhinha. Diz ela que foram parte da mobília de
De lá fomos levados para a parte de trás da casa, que fica junto da cozinha. Lá há mais uma mesa de jantar e a parte mais velha da casa, que é justamente a cozinha. Dá uma olhada no fogão a lenha estiloso e no estado das paredes da casa. Acho que essa parte da casa nunca foi reformada...
De lá fomos para o tal moinho. Nâo sei desde quando ele existe, mas a velhinha disse que essa semana ele parou de funcionar por falta de chuva (murphy é o cara). O lugar é meio medonho, mas dá pra entrar na casinha.
A casa do moinho
A janela da casa do moinho
O bagulho que capta a água e faz girar o moinho (repare que não tinha água suficiente)
O moinho própriamente dito (a foto que eu tirei estava muito mais bacana, mas ela se perdeu no cyberespaço)
Entre a casa e moinho tem uma roda muito maior de captação de água, mas a velinha não comentou sobre ela, então acho que ela não sabe para que serve. Mas nóis tira foto (a minha estava melhor)!
Saímos de lá e fomos para a capela. A capela, obviamente, foi a primeira da região e é MUITO bacana. Tem umas partes em ouro e todo o material necessário para a celebração de missas, como a roupa dos padres (FPC). Mas dá uma olhada na igreja:
O Altar
O Oratório (acho que é esse o nome)
O lugar onde ficam os bagulhos de celebração de missa
A plaquinha indicativa da idade da capela
Lembra da sala que falei lá em cima, com uma janela e um banco de igreja? Pois é, a mulherada ficava sentada na saleta e assistia a missa pela janelinha. Os homi ficava dentro da igreja mesmo. Mas a foto que tirei da janela do lado de dentro da igreja também está perdida... Mas a janela fica á direita do altar.
Outra curiosidade: olhe umas duas fotos aí pra cima. Tá vendo essa parede toda cheia de detalhe, com umas flores e desenhos? Parece papel de parede, mas isso aí e PINTURA! E feita à mão. MUITO sinistro. Deve ter dado um trabalho do cão, mas o resultado é algo fora do comum.
De lá fomos finalmente para o tal museu. O museu foi instalado na antiga senzala da fazenda. É, rapá, como a fazenda é velha, teve escravos por lá. O mais legal é que parte da senzala foi transformada em casa de verdade depois que aboliram a escravidão. Só que quem foi morar lá foi alguém da família da velhinha e não os escravos.
A senzala
Visão geral do museu
Apesar de ser pequenininho, o museu tem muita coisa pra ver. Muita coisa legal, por sinal. Vários utensílios da época, equiamentos que o avô da velhinha usou para construir estradas em algum lugar do Brasil que obviamente esqueci, cartas, livros, mobilias...
A primeira TV do lugar e os primeiros rádios. Por isso que eram só 3 irmãos...
Um dos lugares onde eles faziam compras: Casa da Barateza
Tachos de cobre de fazer doce
As panelas de fazer tropeiro
Os utensílios de banho da galera rica (imagina dos pobres)
A cama de alguém rico (imagina a dos pobres²)
O treco de fazer fio de algodão
Os teodolitos da época do guaraná com rolha. Quase tive um nerdgasm quando vi isso
O diploma do cara que usava os teodolitos. Quase tive outro nerdgasm quando vi que o cra formou na mesma faculdade que eu e NO DIA do meu aniversário (uns 50 anos antes de eu nascer)
Uma telha de 1860, feita por escravos
Tá achando que é fácil ser escravo? Olha a parede do lugar (tinha uma foto melhor, mas... ah, vocês já sabem)
Uma das correntes utilizadas para prender os escravos. Dá para ver um outro pedaço de parede do lugar
O lugar é muito legal e em dias de chuva, como no nosso sábado lá, é uma ótima pedida! Ainda mais pra quem não gosta de muitidão e lugares cheios (tipo as cachoeiras).
Atenção: o texto acima ampara-se no direito fundamental à manifestação do pensamento, previsto nos arts. 5º, IV e 220 da Constituição Federal de 1988. Vale-se do "animus narrandi", protegido pela lei e pela jurisprudência (conferir AI nº 505.595, STF). (obrigado, Lu Monte, pela ajuda jurídica).
