4 de jul. de 2011

Cliente babaca

Na minha vida de consultor eu sofri muito com cliente. Como lidávamos com pessoas que normalmente eram contra o projeto (afinal, nosso trabalho era mudar a forma como eles trabalhavam), eu já estava acostumado a tomar porrada, ouvir o que não precisava e engolir uns sapos.

Aí mudei de área, fui trabalhar com engenharia e, normalmente, todo mundo é a favor da implantação dos projetos. Pra facilitar ainda mais a minha vida, nestes quase 3 anos (caralho, passou rápido) eu dei sorte de ter trabalhado só com cliente gente boa. Todo mundo tratava bem e considerava a minha empresa parceira no trabalho.

Até a semana passada.

Estava eu em Manaus, “matando um leão por dia”, quando um cara bate no meu ombro e fala “vamos fazer uma reunião sobre o projeto X. Vamos lá?”. E lá fui eu, sem ter a MÍNIMA idéia de qual seria o assunto (isso é muito comum quando estou por lá) e sem muito conhecimento do projeto, porque quem está cuidando dele é meu chefe.

Cheguei na reunião e já estavam na mesa 3 pessoas. Me apresentaram pra elas e os caras já começaram a reclamar do cronograma (que não fui eu que fiz e não sou eu que atualizo):

- Toda vez que eu recebo um cronograma está de uma forma;
- Toda vez tem coisa pra arrumar;
- Já falei que tem que ter tal coisa;
- Já falei que não pode ter LEG;

Deixei eles falaram a vontade, pra depois tentar entender o problema. E assim foi por uns 5 minutos. Aí, quando eles acabaram, resolvi dividir o problema em partes. E fui questionando cada um dos pontos e ouvindo que eles queriam. Em alguns pontos, fazia até sentido (eu mesmo já tinha reclamado). Em outros, eu discordava. Aí tentei argumentar:

- Olha, com relação a tal coisa eu não concordo. Não tem nada de errado nisso, segundo as boas práticas de GP.

Acho que um dos caras se sentiu ofendido. Deve ter achado que eu estava falando que ele não sabia porra nenhuma daquilo (o que eu até acho que é verdade). Aí soltou a seguinte frase:

- Você não tem que achar nada. Você está trabalhando para a [empresa] e o que a [empresa] falar para você fazer, você faça.

E continuou, mas já falando para o sujeito que me levou para a reunião (a partir deste momento ele passou a me ignorar):

- Eu já tenho mais de 20 anos de experiência. Eu sei como funcionam as coisas. Não tem que achar nada. Não tem que discordar de nada. É pra fazer do jeito que a gente mandar.

E assim ele falou mais umas três vezes.

Juro que não sei como mantive a compostura. Acho que foram meus anos de consultoria que me ensinaram a respirar muito fundo e ficar quieto nessas situações. Mas a minha vontade era de partir pro bate-boca.

Mas aí, muito calmamente, falei:

- OK. Eu faço do jeito que você quiser. Mas ninguém me passou um procedimento falando como fazer e o que pode e o que não pode fazer. Sem isso, não tem como fazermos da forma que vocês esperam.

Quebrei as pernas do cara. Ele não tinha procedimento, não tinha modelo, não tinha nada. A verdade é que algum ser superior já deve ter dado porrada nele sobre esses pontos e ele não questionou, só fez. Aí a resposta dele foi a mais tosca da história:

- Não tem modelo nem procedimento. Você vá fazendo da forma que a gente falar pra fazer.
- OK. Farei assim. Mas é bom deixar claro que, sem o procedimento, TODA VEZ que eu mandar o cronograma vai ter coisa “errada”.

Aí ele começou a esbravejar, reclamar e tudo mais, mas eu já tinha ligado o foda-se há muito tempo....

3 Palpites:

alexandre disse...

quem fala o q quer ouve o q não quer... tem q ser assim mesmo, mostrar q a falta de organização deles tem conseqüências pros dois lados...

[ ]s

Esparroman disse...

É. O problema é que sempre sobra pra parte mais fraca, hehe.

[]'s

alexandre disse...

+ se vc mostrar q qto mais desorganizados eles são + erros vão ter das duas uma: ou vão começar a fazer direito ou deixar tudo por conta da sua empresa...

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