Desde que entrei na empresa eu nunca precisei dar sermão em ninguém. As pessoas sabiam do tamanho do problema em que se meteram no início do projeto e, depois de dar os prazos de entrega dos documentos, se viravam para fazer. O máximo que eu precisava fazer era verificar de tempos em tempos como estava a evolução do projeto e levantar novos riscos e problemas. Se tinha alguma demorando mais que o previsto era só lembrar dos prazos que eles tinham me passado e estava tudo resolvido. Nem que tivessem que virar noite eles entregavam, sem eu ter que pedir NADA.
Neste novo contrato, não sei o que aconteceu, mas tudo mudou. O pessoal passa as estimativas na hora de fazer a proposta comercial e, UMA SEMANA DEPOIS, na hora de fazer o cronograma, as estimativas mudam (para mais, lógico). Além disso, estão parecendo funcionários públicos: chegam às 9 e pouco, almoçam em uma hora e saem religiosamente às 18:00 (quando não é um pouco antes). Isso contando que ninguém chega, senta a bunda na cadeira e trabalha inisterruptamente. Sempre bate um papo, olha email pessoal, dá um lida em jornal na internet, e por aí vai.
Eu não tenho nada contra quem checa email pessoal ou lê coisas na internet no trabalho. Eu mesmo faço isso e acho que é impossível alguém render 4 horas seguidas trabalhando (apesar de que as vezes fico semanas sem saber o que está acontecendo no mundo). Também não gosto que ninguém faça hora extra desnecessária. O que eu quero é que TRABALHEM as 8 horas para que são pagas. O povo acha que estar 8 horas na empresa é trabalhar 8 horas. Aí é dureza.
Preocupado com o prazo de entrega, comecei a apertar um pouco mais o pessoal e, em uma reunião, chamei o pessoal em uma sala e pedi empenho e raça. Não adiantou absolutamente nada. Todo mundo continuou chegando as 9 e saindo antes das 18, INCLUSIVE NO DIA QUE EU PEDI RAÇA. Fiquei muito puto. Como eu disse no post anterior, não falei nada para não atrapalhar o rendimento. Só avisei que ninguém sairia naquele dia antes de terminarem.
Aí na segunda seguinte, levantei uns 8 ou 9 pontos a serem "discutidos", mostrei para o meu chefe, e depois que ele aprovou chamei todo mundo pra uma reunião. A sala estava cheia. Não tinha noção do tanto de gente que está trabalhando comigo. Mais de 25 pessoas só em BH, em 4 projetos diferentes (no Rio tem mais uns 7).
Comecei de leve, parabenizando o pessoal do projeto que terminou na sexta, agradecendo o empenho no último dia (e frisei que foi só no último dia) e disse que em breve teria o feedback do projeto. Todo mundo ficou feliz ao saber que ia ter feedback. Mal sabem alguns que eles vão TOMAR feedback, mas tudo bem.
Depois disso, foi só começão de rabo. Contei a historinha de que quase tomamos uma multa no projeto que encerrou na sexta por atraso, que os outros projetos são muito mais críticos e que não podem atrasar de jeito nenhum e que eu esperava muito empenho de todos. Falei o esquema das 8 horas de trabalho e não 8 horas na empresa e que eu não queria que ninguém fizesse hora extra, mas que para isso era preciso que todos estivesse focados enquanto estivessem trabalhando. Uns não fizeram cara boa nessa hora. Acho que para eles o que conta são as horas que estão dentro da empresa. Problema é deles, eu estava respaldado pelo meu chefe nesse ponto.
Também falei que a partir de agora todo mundo teria meta quinzenal de entregas de acordo com as estimativas passadas na época de proposta. Se eles mudaram depois ou se erraram, que se virassem para entregar no prazo. E que esses indicadores seriam usados na avaliação de desempenho deles, para o bem e para o mal. Mais uma vez teve gente que fez cara feia, mas cara feia pra mim é fome.
Dei mais alguns recados de qualidade, formato de documentação e falei que esse tipo de erro também será medido e usado na avaliação de desempenho. E para finalizar eu disse as seguintes palavras:
- Da mesma forma que todo mundo tem flexibilidade para chegar na empresa, também tem que ter flexibilidade para ir embora. Espero que todos entendam que se eu pedir para fazer hora extra é porque PRECISA fazer hora extra. Essas horas vocês compensam depois, emendando feriado, carnaval, entre natal e ano novo...
O que mais me impressionou é que, pora mais que eu tivesse muita vontade, não gritei nenhuma vez, não falei nenhum palavrão e não esmurrei a mesa. Durante toda a reunião falei sério, sem as piadinhas que sempre faço pra manter clima bom. Era pra todo mundo entender que acabou a moleza.
Deu resultado (pelo menos na primeira semana). NINGUÉM saiu antes das 18:30 e os documentos estão saindo no prazo. Teve gente que foi até trabalhar no sábado.
Vamos ver como será esta semana, que estou em Manaus. Tomara que nada mude.
4 Palpites:
pelo menos vc tá pegando no pé deles por trabalho, pior fui q qdo fiquei terceirizado na prefeitura a chefe resolveu pegar no meu pé pq parei de voltar de carona c/ ela pra casa... e pior ainda: ao invés de perguntar pra mim pq eu parei c/ isso, ficava perguntando pra outra funcionária e pro estagiário q ficavam na mesma sala se eu tinha falado algo a respeito do pq daquilo...
[ ]s
p.s: "ininterruptamente" (2o parágrafo), tá errado
sou justo. :)
E escrevi do celular, vai ficar errado mesmo, hehe.
[]`s
Fiquei curiosa pra saber uma coisa: O pessoal do teu trabalho sabe que você mantém este blog? :)
Da minha época de programador, ninguém.
Algumas pessoas da consultoria sabiam.
Da minha empresa atual, que eu saiba, ninguém sabe. Que eu saiba.
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