1 de mar. de 2011

Avaliando a equipe

Todo começo de ano a minha empresa faz uma avaliação de desempenho dos funcionários, seguido de um feedback. Esta avaliação, teoricamente, é o que define o seu futuro no ano: promoções, aumento de salário, mudança de função e até demissão e é composta de algumas perguntas em que você fala se nunca é verdade, na maioria das vezes é verdade, às vezes é verdade, às vezes não, na maioria das vezes é verdade e sempre é verdade.

Antes, o negócio era muito esdrúxulo: um gerente avaliava todo mundo que trabalhou com ele. Muitas vezes o cara tinha 60 pessoas debaixo dele e, fazer esta avaliação com critério era impossível. Esse ano resolveram pulverizar um pouco mais. O gerente do escritório avaliou os gerentes e os consultores. Os gerentes avaliaram os líderes, os especialistas e seniores. Os líderes e especialistas avaliaram o resto e, quando era preciso, pediam ajuda a quem estava mais perto do pessoal de mais baixa patente (como os estagiários).

Como eu passei metade do ano no Rio, tive que avaliar só o pessoal da minha equipe do projeto de Manaus (o pequeno, porque o desse ano já está com umas 40 pessoas). Foram 6 pessoas para avaliar, sendo que, para cada item do questionário é necessário que você explique porque está dando aquela nota. Muito legal, mas extremamente trabalhoso. Eu gastei mais de uma hora com cada um (isso porque juniores e estagiários têm menos perguntas para responder e só tinha isso na minha equipe), o que me tomou uma tarde/noite de sábado e uma manhã de domingo.

O legal de fazer estas avaliações da equipe é que você acaba tirando lições aprendidas para você mesmo, porque vê que alguns dos problemas foi VOCÊ que causou. Um exemplo? Um estagiário teve desempenho abaixo do esperado porque VOCÊ não passou nenhuma atividade desafiadora para ele. Outra coisa legal é que você vai ter que dar um conselho para uma pessoa sendo que VOCÊ faz errado. Um exemplo? Trabalhar menos.

Depois de feitas as avaliações, que devem ser discutidas com um segundo avaliador, é marcada a reunião de feedback. Nesta, você leva a sua avaliação do sujeito e ele leva a auto-avaliação dele. E aí vai sendo passado ponto a ponto o que é bom, o que tem que melhorar e assim vai. E nessas reuniões você também vê lições aprendidas, além de levar umas porradas. Como, por exemplo, o cara que trabalha demais. Falei com ele que ele tinha que trabalhar menos, que não tinha necessidade dele ficar tanto tempo na empresa, que se ele estivesse sobrecarregado deveria avisar e começar a falar "não" para as pessoas. Sabe o que ele me disse? "Ué, mas você não pode falar isso. Você é meu líder e é meu exemplo. Chega aqui 8 da manhã e sai 7 da noite todo dia.".

No geral, as reuniões têm sido boas. O pessoal tem aceitado bem os pontos de melhoria e, se fizerem o que falamos, será excelente pra empresa (e para mim também, lógico). E eu também estou aprendendo bastante e, no meio do caminho, acabei mudando a minha própria auto-avaliação, no item que fala de feedback. Só percebi que eu não dava feedback pra equipe quando estava preparando as avaliações e fazendo as reuniões...

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