26 de abr. de 2006

Cadê as endorfinas?

Lembra que no almoço cheguei a pensar que Murphy havia deixado de ser meu amigo? Pois é, acho que ele escutou e voltou com a corda toda. Na parte da tarde, não sentei no meu PC. Só fiquei ajudando os outros e resolvendo problemas dos meus queridos sistemas, mas nos computadores dos meus chefes.

Sentindo que estava muito estressado, resovi matar a aula de espanhol e vir para casa. Sempre volto a pé do trabalho, por ser razoavelmente perto da minha casa. Quando cheguei em casa, me deu vontade de ir correr (acho que foi de tanto ver o povo correr enquanto voltava pra casa). Troquei de roupa e saí para correr.

No começo foi aquela maravilha. Subi o morro da minha rua correndo (num ritmo mais fraco, claro). Enquanto subia pensei "pô, num tô tão fora de forma assim não. Tô subindo de boa.". O morro é razoavelmente grande e inclinado. Quando cheguei no topo, já tava cansado... Normal, para quem não faz exercícios físicos nunca. Mas ainda sim resolvi continuar correndo.

Comecei numa rua sem movimento, para não dar vexame. Aguentei bem. Cheguei então numa praça, onde planejava correr. A primeira volta, fui correndo (são 700 metros). No que pisei na faixa que marca o início da volta, praticamente parei. Os tiozões estavam me passando numa facilidade tremenda. Não ia deixar aquilo barato. Apertei o passo (mas agora andando) e ultrapassei os caras.

Na terceira volta decidi que era hora de correr novamente. Nos 200 metros eu já estava com a gravata de fora. Mas lembrei na hora de um post do blog do primo em que ele conta o seu primeiro dia de academia. Foi mais ou menos a mesma coisa. Comecei a dialogar comigo mesmo, algo do tipo "vai, seu frouxo. Termina a volta" e eu mesmo respondendo "não dá. Vou morrer antes de chegar lá.". O fato é que terminei a terceira volta arrastando, mas terminei. A quarta foi andando. Num ritmo mais lento que a segunda volta, mas não fui ultrapassado pelos tiozões.

Ao terminar a volta, já com as costas e o estômago doendo (engraçado, os joelhos não doeram. Logo eles que são bixados...) pensei "Pronto. Vou ficar por aqui. Não agüento voltar para casa". Mais uma vez tive um diálogo comigo mesmo e descidi voltar. Segundo o primo, todo este esfoço seria recompensado com uma mega dose de endorfina.

Até chegar na tal rua deserta, fui andando. Depois, volter a correr. Mas na primeira subidinha, morri. Fui arrastando até o último quarteirão antes da minha rua. Este quarteirão é um descidão forte seguido de uma parte plana. Resolvi correr, afinal "pra baixo todo santo ajuda". No meio da descida, quando estava numa velocidade boa, lembre que, quando era atleta, eu era corredor de velocidade e não de resistência. Agora tudo (as dores, o cansaço, a suadeira) fazia sentido. Chegando na parte plana, ainda tive gás para correr bem rápido, como fazia nos velhos tempos (nessa hora, acho que já não estava mais pensando e a loucura tomou conta do meu corpo e da minha mente).

Cheguei no meu prédio todo orgulhoso do meu "sprint final". Depois que abri a porta, veio a realidade: meu prédio não tem elevador e moro no terceiro (e último) andar...

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